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domingo, janeiro 05, 2020

Lethal algae blooms – an ecosystem out of balance


Se repararam nos quadros do meu post de ontem, um dos 'top risks' mundiais identificados tem a ver com a água. Não quero alimentar o catastrofismo mas, apenas, chamar a atenção para sinais mais do que evidentes de que os riscos não são futurologia nem são riscos locais e facilmente debelados. Pelo contrário, estão à vista, são gerais e são muito dificilmente mitigados. Pior, ao efectivarem-se geram outros efeitos, alguns mais graves do que antes expectáveis ou, de todo, antes não expectáveis. 

Temos, pois, que lhes dar atenção, perceber o que está na sua origem e querer, querer de forma activa, mudar as políticas e as atitudes que a tal conduziram.

Os riscos relacionados com a água não têm apenas a ver com a sua escassez embora a escassez seja também já um facto em crescentes pontos do planeta. E quem diz a escassez diz a incapacidade para tornar a água potável. Mas depois há também factos inesperados. Extensos, graves. Não são de hoje. Mas são cada vez mais frequentes, mais extensos, mais graves.


Sugiro a leitura do artigo do The Guardian cujo título encima este post. As imagens são devastadoramente belas. Parece um sonho verde. E, no entanto, como tantas vezes acontece com o verde, é um verde que transporta traição. É um verde fatal. Nem sempre a toxicidade vem envolta em verde mas as imagens que retirei do artigo estão tingidas de verde.


Uma vez mais, não são actos de Deus: são obra do homem. Têm a ver com as alterações climáticas ou com uso intensivo de fertilizantes químicos.

Toxic formations across the US and the Baltic are part of a worrying trend linked to the climate crisis and farming methods
(...) In 2018, there were more than 300 reported incidents of toxic or harmful algae blooms around the world. This year about 130 have been listed on an international database, but that number is expected to increase.
Recent reports of a new ‘‘red tide’’ emerging in Florida and more dead wildlife have put the tourist and fishing industries on alert, braced for further devastation.
The causes of the blooms vary, and in some cases are never known, but in many parts of the world they are being increasingly linked to climate change and industrialised agriculture. (...)
“We need to do something about climate change and we’re either going to be paying for it by reducing greenhouse gases or we’re going to be paying for it by additional treatment of water,” says Bridgeman, adding that most of the blooms around the world have a human element to them.
One thing is certain. Algae blooms aren’t going away but are yet another sign – like ocean acidification, vanishing Arctic sea ice, and mass extinction of the Anthropocene – “of an ecosystem that is out of balance,” says McFarland.
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Sei que a segunda fotografia é de Zachary Haslick. As outras não sei mas constam do referido artigo do The Guardian  

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E alguma música em verde e azul para salvar o mundo

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Até já.

sexta-feira, março 17, 2017

Pode um humano tornar-se imortal?
Pode um humanóide superar o infinito que habita um humano?


Sendo tema que muito me motiva e preocupa, não quero, contudo, maçar aqueles meus Leitores a quem o tema pouco ou nada diz. No entanto, se me permitem, vou reincidir, não na primeira pessoa mas dando a palavra a um Leitor -- acho que é bom ouvir opiniões não unânimes e que trazem à reflexão diferentes pontos de vista.

Recebi um comentário que, uma vez mais, me pareceu de tal forma interessante que acho que o melhor que tenho a fazer é puxá-lo para o corpo principal do Um Jeito Manso não vá ficar perdido entre os textos.

Por isso, agradecendo ao João L, tomo a liberdade de aqui partilhar convosco o que ele escreveu. Contudo, um pouco ao arrepio do que ele aqui defende, vou usar fotografias de humanóides, robots com aspecto humano, provavelmente o lado mais lúdico e inócuo do que aí pode vir (ou seja, nada a ver, digo eu, com os riscos de que o Fernando Ribeiro nos falou no outro dia). Obtive as imagens no The Guardian de ontem, 16 de Março.

Seja como for, percebo perfeitamente o ponto de vista que abaixo é evidenciado mas...
(guardo umas quantas perguntas para o fim, depois de terem lido a sólida argumentação do João L.)


Para trazer um toque de azul e verde ao post, o som de Miles Davis: Blue in Green


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Era para comentar o post da inteligência artificial – assunto tão interessante - publicado pela UJM lá mais para trás mas como não o consegui fazer a tempo e horas vai aqui fora de horas:

Transcrevendo umas ideias de Roger Schank, um dos pioneiros do campo da Inteligência Artificial (AI), 

- No brain on Earth is yet close of knowing what brains do …
- A machine that plays chess well does just that; it won´t play worse one day because it drank too much the night before or had a fight with its wife …
- We feed kids food, not knowledge. No computer starts out knowing nothing and gradually improves by interacting with people …
Isto, entre outras ideias, para chegar à seguinte conclusão:

The fact is that the name AI made outsiders to AI imagine goals for AI that AI never had".

Como leigo, acho que a AI passa a ideia de que tenta reproduzir funções executadas pelo cérebro humano ou, até, um cérebro humano. 

Ora, a inteligência é entendida hoje como um processo dinâmico e não como uma “propriedade” do cérebro. 

O cérebro é constituido por dez elevado a onze neurónios (e por um número ainda maior de outras células). 
Este é um número cem vezes superior ao das estrelas na nossa galáxia ou que os grãos de areia nas praias da Costa da Caparica. 
Por sua vez, cada neurónio pode estabelecer mil a dez mil ligações com outros (sinapses). 

Mas a complexidade não está nos números. Está na regulação. Está nas interacções. Cada ligação (sinapse) não tem apenas um on e um off, um desliga e um liga, um mais e um menos, um zero e um 1, como num computador. A maioria das ligações são químicas e não eléctricas (como num computador). Em cada uma das ligações há diversos componentes orgânicos envolvidos (neurotransmissores, receptores, proteinas acopladas a receptores, enzimas e transportadores) o que, segundo alguns cálculos, significa que os número de “switches” no cérebro é maior que o de todas as redes de computadores, routers, hubs … em todo o planeta. 

Tudo o que conhecemos das redes de computadores é uma brincadeira de crianças comparada com o cérebro. 

Cada um dos “switches” pode ser alvo de regulação, isto é pode ser “sintonizado” como nos botões dos rádios antigos a válvulas. Mais um bocadinho, menos um bocadinho. Não é só liga e desliga. Cada “switch” no cérebro pode ser regulado, pode “sentir” o que se passa num local remoto e ajustar a sua acção em função de múltiplos parâmetros que variam constantemente. E pode ser desactivado e substituído e colocado a desempenhar outras funções, quer por parâmetros internos do metabolismo ou externos (incluindo os ciclos circadianos). Inimaginável.

Imagine-se uma máquina dotada de AI a olhar-se ao espelho. Podemos imaginar que se “sentiria” bela, ou velha, ou coisas assim (coisas que não entendemos)? Que ligaria os “mecanismos de recompensa” que quase nos comanda a vida como bola colorida nas mãos de uma criança? Ou que cairia de amores por uma outra máquina? Ou que a máquina dotada de AI perderia “capacidade” com a passagem do tempo, que envelheceria?

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E as perguntas que me ocorrem e que lá em cima referi são: e o que dizer dos cérebros de pessoas com Alzheimer ou que sofreram um AVC extenso? Não funciona melhor um humanóide que, embora podendo não reagir emocionalmente à sua imagem ao espelho, manterá intactas as suas capacidades de execução de tarefas?


E as vantagens para um empregador em ter um humanóide a executar tarefas dia e noite e fim de semana, sem férias, sem doenças, sem humores?
NB: Não estou a advogar a vantagem dos robots sobre os humanos. Mas eles estão aí num mundo desregulado e o que não vai faltar é quem os use contra o interesse da humanidade. Aliás, o tema já não é futurologia: é realidade.

E, a seguir à Dina 48, que poderão ver no vídeo abaixo, mostro um outro 'ser' que já sabe fazer expressões faciais adaptadas a cada emoção. Baby steps num caminho que não se sabe bem onde nos vai levar. Pode ser difícil reproduzir a imensidão e a maravilha que é o cérebro humano mas nada nos diz que não vai ser criada uma qualquer outra coisa com capacidade imensa e que conjugue uma variedade de outras características que, no conjunto, se traduzam numa força imparável.

NB: Não gosto de ficção científica. Acho que não li, até hoje, um único livro de ficção científica. Portanto, o que escrevo não resulta de uma efabulação mas de juntar informação disponível que a minha fraca mente vai conseguindo processar.

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À laia de curiosidade, peço que não deixem de ver porque é do além:

Exploring digital immortality | Bruce Duncan & Bina48



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E, como acima se diz, se V., meus Caros Leitores, quiserem tornar-se eternos e criar o vosso avatar, têm aqui como:


Life Naut (eternalize)


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E agora o tal robot emocional
(BBC Earth Lab)


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Caso prefiram outro tipo de realidade e queiram antecipar o combate Cristas vs Leal Coelho nas Autárquicas Lisboa 2017, é descerem para antever as batalhas na lama que aquelas duas sex bombs certamente nos vão proporcionar.

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