De manhã, o tempo estava fosco, fresco, e chegou a chuviscar. Da terra molhada subiu aquele perfume bom que faz sempre lembrar-me a longínqua e tão presente emoção do regresso às aulas.
Depois abriu, o tempo aqueceu.
Há folhas secas por todo o lado. A caruma parece que atrai toda a espécie de folhagem. Estávamos a contar que o rapaz conseguisse cá vir soprar e aspirar o espaço em volta da casa e alguns caminhos. Afinal, mais uma vez, não conseguiu. Por aqui é muito difícil encontrar quem faça estes trabalhos. Por isso, mais uma vez tive que voltar à minha vassoura. É daquelas volumosas, pesadas, com as franjas em aço. As mais leves não têm força para isto. Ao fim da tarde já tinha a feridinha do costume na mão. O meu marido continuou a sua árdua tarefa de transportar os troncos cortados para junto da lenha e as ramagens que estão espalhados por todo o lado para junto dos montes imensos que, quando puder ser, serão queimados.
Pelo meio, frágil pecadora, fui-me enchendo de figos. Estão dulcíssimos, gordos, suculentos, irresistíveis. Não sei quantos quilos a mais já coleccionei. Depois, há um fenômeno que penso que deveria ser seriamente investigado: se eu comer meio quilo de figos, engordo um quilo. Se, no dia seguinte, comer mais meio quilo engordo mais quilo e meio, que se soma ao quilo da véspera. Uma coisa exponencial, muito dif´cil de controlar.
Acresce que fomos almoçar a uma tasquinha numa aldeia vizinha. Puseram na mesa uma cesta de pão e broa e uma tigelinha de azeitonas bem temperadas. Marchou tudo. É certo que a dividir por dois mas, ainda assim, um estrago adicional. De entrada, não resistimos a ovos com farinheira. Pior um pouco. O prato nem digo o que foi, muito menos falo das deliciosas batatas fritas e da saborosa maionese caseira. No fim, deveria ter-me feito rogada a uma tarte de amêndoa com uma bola de gelada. E fiz-me. Só comi metade. Mas de certeza que aumentei mais dez quilos.
Portanto, não sei como, mas vou ter que arranjar forças para me embrenhar num jejum. Mas não é daqueles a fingir, tem mesmo que ser a doer. Vai é que ter que ser como o voto de castidade do Santo Agostinho: mas ainda não, mas ainda não...
Já agora, a propósito dos figos diabólicos, vou aqui reincidir num texto maravilhoso do D. H. Lawrence sobre como comer um figo. Os apertadinhos tapem os ouvidos. Avisei.
Há coisas de que uma pessoa bem comportada supostamente não deve falar em sociedade. Nem sequer as donas dessas coisas. Faz de conta que têm em casa um bicho mal comportado, um bicho que lá foi parar nem se sabe como. Não se fala nele não vá os outros acharem mal.
Coisas. Digo eu. Coisas. Não sei como melhor dizer. Bicho, bicho não será. Flor acho que também não é. Apesar de haver flores que se lhe aparentam, pelo menos algumas flores inventadas por pintores. Mas flor não e bicho, se calhar, também não. Coisa, pois. Coisinha, para uns. Coisona para outros; ou às vezes. Não, coisona não, não me soa bem. As coisas têm que soar bem. Em especial, coisas assim, que foram feitas para o carinho.
Costumo dizer que quem vê caras, vê pilas. Isto nos homens, bem entendido. Não há duas iguais, digo eu. Basta ver a cara dos donos, digo eu. Melhor: intuo. Sou amiga do rigor científico: para fazer uma afirmação com rigor devo tê-la previamente submetido a experimentação para me certificar da sua veracidade. Ora não costumo mandar despir os cavalheiros com que me cruzo para me certificar da boa qualidade da minha teoria.
Mas isto sobre pilas.
Porque das coisas que aqui falo não tenho teoria, não tenho intuição. Nunca tinha, sequer, pensado no tema.
Afinal fico agora a saber que é a mesma coisa: não haverá duas iguais. E, na volta, olha-se para a pinta da dona e adivinha-se a pinta da bicha.
Li o artigo no Guardian. Fiquei espantada com a variedade. Maior do que com as rosas. Rosa chá, rosa púrpura, rosa dobrada, rosa singela, rosa brava, rosa branca, rosa perfumada, rosa carnuda.
Laura Dodsworth fotografou e entrevistou 100 vulvas e respectivas donas. Isto depois de se ter desforrado com 100 pénis e seus dôninhos. Pénis de novinhos, pénis de velhinhos, de robustos, de franzinos, de saudáveis, de doentes, pénis magrinhos, pénis reboludinhos, branquelas, pretões. De tudo. A normalidade é a diversidade. Nada de mais. Novidade mesmo é ser assim também com as vulvinhas. De novinhas, de velhinhas, de branquinhas, de pretinhas, de pétalas perfeitas, desfolhadas, fechadinhas, desenhadinhas, descaradas. De tudo.
Mostrando que ninguém deve esconder com vergonha de ser feio, a autora explica que normal é tudo. Não há feio nem bonito. Há diferente. Diferente uns dos outros, umas das outras. Uma das fotografias é a da autora mas não faz diferença. É de uma mulher que é mulher como todas as mulheres.
Tem razão a Isabel: não se deve generalizar. As mulheres não são todas iguais e ser diferente não é ser bom ou ser mau: é, apenas, ser o que é. Ponto.
As vulvas também não. E contam histórias. Embora geralmente sejam silenciosas, misteriosas, não gostam que se saiba dos seus segredos.
É que parece que um qualquer veio chamar a atenção para que não se deve dizer vulva mas, sim, vagina. Ora toda a gente lhe caíu em cima e bem: vagina é a interioridade, o canal que vai do exterior ao interior, ao passo que vulva é o rosto da dita boca do corpo, incluindo lábios, botão de rosa e as aberturas propriamente ditas.
Portanto, é de vulvas que a autora do livro de Laura trata. Tal como é de vulvas que Hilde Atalanta também se ocupa, pintando-as sem parar. Ou seja, não faz pinturas em cima de vulvas de verdade. Quero eu dizer que faz desenhos delas, pintando-as como se de florzinhas se tratassem. Uma graça.
E, apesar de pouco ter dito, por hoje pouco mais tenho a dizer a não ser que quero acabar este post com o vídeo de uma exibição de uma ginasta excepcional a todos os níveis: não é levezinha, não é magrinha, não tem o típico corpo das atletas. Mas, apesar disso, é única. Já aqui falei dela: foi das melhores, foi-se abaixo, e, quando menos se podia esperar, ressurgiu.
Por estes dias voltou a arrancar um 10. Voa, salta, dança, ri. Um corpo elástico e jubiloso.
Dedico estas imagens de graça, energia e superação a algumas das minhas Leitoras ou autoras de blogs que sigo: à JV, à Gina, à Isabel, à Bea, à Leonor, à Célia, à Isabel, à Ms Tree Lover, à Ana Vasconcelos, à Luísa B, à ~CC~, à Lucília, à Alice, à Teresa, à Olinda, à Penélope, à Yvette, à Helena, à Anabela, à Luísa, à Elvira, à Ana, à Graça, à Maria, à Eugénia, à Maria Sofia, à Mãe Preocupada, à Miss Smile, à Matéria dos Livros, à Flor, à Estela, à Ana de Amsterdão que espero que esteja bem, e a todas as outras de que, por sono, imperdoavelmente agora me esqueci.
Dedico também a todos os Leitores homens que gostam de mulheres. Os que gostam de homens ficam para outro dia que isto aqui hoje é mesmo na base do gineceu e dos que gostam de dele se acercar.
Katelyn Ohashi (UCLA) 2019 Floor vs Washington 10.0
Fui a Londres esta tarde ver a exposição de quadros no Heal's. A Ottoline* não estava à vontade; rigorosamente abotoada até acima em veludo azul, chapéu como um guarda-sol, gola de cetim, perolada, pálpebras pintadas e cabelo vermelho-dourado. Escusado será dizer que não vi nada dos quadros. Estava presente o Aldous Huxley -- infinitamente comprido e magro, com um olho branco opaco. Uma bela juventude. Tomámos chá com o Roger. Eu estava bastante consciente da tensão. A Ott. lânguida, refugiando-se nos seus grandes ares de senhora, o que é sempre deprimente. Ambos pareciam ter a sua discussão bastante presente. Fui a pé com ela debaixo de chuva até Oxford Street, comprou-me cravos vermelhos, sem cordialidade.
Segunda-feira, 19 de Novembro
(...) É difícil dar a impressão do conjunto, salvo que não foi muito diferente do que imaginara. Gente espalhada numa sala cor de lacre: o Aldous Huxley a brincar com grandes discos redondos de marfim e mármore-verde -- o jogo de damas de Garsington; a Brett de calças; o Philip tremendamente envolto no melhor couro; a Ottoline, como sempre, veludo e pérolas; dois dogues. O Lytton semi-reclinado numa vasta cadeira. Bugigangas a mais para uma verdadeira beleza, demasiados perfumes e sedas, e um ar quente que era um bocado pesado. Bandos de pessoas deslocavam-se de sala para sala -- o domingo inteiro. Por momentos, o sentido daquilo parecia esmorecer; e, desta forma, o dia foi evidentemente muito comprido. Depois do chá, estive talvez durante uma hora à lareira de lenha com a Ottoline. No conjunto, gostei mais dela do que os seus amigos me tinham preparado para gostar. A vitalidade pareceu-me um crédito a seu favor, e na conversa privada os seus eflúvios dão lugar a algumas irrupções bastante evidentes de perspicácia. (...)
Quinta-feira, 22 de Novembro
Vangloriei-me tanto em Garsington sobre este caderno e o encanto de o encher a partir de uma fonte inesgotável, que tenho vergonha de falhar dias; e, no entanto, como assinalei, a única hipótese que ele tem é aguardar a minha disposição. Por falar nisso, a Ottoline tem um, embora devotado à sua "vida interior", o que me faz reflectir que não tenho uma vida interior.
* Lady Ottoline Morrell (1873 - 1938), casada com Philip Morrell, aristocrata, protectora das artes, anfitriã de artistas e intelectuais na sua casa de Londres e na mansão rural de Garsington. Inspirou personagens de romances, nomeadamente a D. H. Lawrence e Aldous Huxley. Dos vários casos extraconjugais, o mais célebre foi talvez com Bertrand Russel.
[Dorothy Brett, Lytton Strachey, Ottoline Morrell e Bertrand Russell]
O excerto do octeto de Schubert está aqui por ser uma das referências de Virginia Woolf ("Cheguei ao Acolian Hall, paguei o meu xelim e ouvi um octeto de Schubert muito longo e muito belo". Nas notas pode ler-se que se trata do que aqui partilho]
Os figos com o seu pingo de mel viviam aqui, in heaven, antes de eu os comer. Sem cerimónias.
Com a diferença que, na maior parte do tempo, não estive deitada mas, sim, sentada. E com a diferença que não pareço irmã da minha filha.
E com a diferença que da cor daquelas duas formosas veraneantes está a minha filha e não eu. Nem nunca estarei. Nem nunca estive. Os morenos apanham um ar de sol e ficam com uma cor de dar gosto. Ela, tal como o pai e como o filho mais velho, têm uma pele fantástica, num tom mesmo bonito. O meu marido, então, ainda mais acentuado: apanha um raio de sol e vira marroquino (e eu tenho esta particularidade: gosto de homens tisnados). Eu ou fico vermelha ou mantenho-me branca. Na melhor das hipóteses, no fim do verão, adquiro uma leve tonalidade de pêssego. Mas está tudo certo. Já interiorizei esta minha deficiência. Já lá vai o tempo em que me sentia frustrada quando, regressada ao trabalho e achando-me detentora de um belo tom de bronze, toda a gente olhava para mim e, com pena, perguntava: 'Então...? Este ano não foi à praia..?.'. Agora, olhem, já aceitei: sou copinho de leite por dentro e por fora e nada a fazer.
E, em relação às duas beldades, também com a diferença que começo a assimilar que nunca mais terei o corpo que tinha há uns anos, e nem vale a pena ter uma alimentação moderada. É de mim, é da genética. E é da idade. E haja saúde.
E com a diferença que quer eu quer ela estivemos a ler. Ela mais que eu. Eu estive a fotografar, a conversar, a olhar para o ar. Ela esteve a acabar o Livro da Emma Reyes. Eu comecei o último do Pedro Juan mas achei que quando os tenho por perto prefiro dedicar-lhes toda a atenção. O Pedro Juan pode esperar. Amanhã logo me ocupo dele. Cubano danado. Ainda não perdeu a mão. Nas primeiras páginas comecei a arreliar-me. Frases muito curtas. Cortes despropositados. Não aprecio quando a lógica do corte não me parece elegante. Na escrita como na vida em geral a elegância é fundamental. Mas depois, com o caminhar da escrita, aquela carnalidade bruta do Pedro Juan voltou a impor-se. Não é coisa que se leia com o pessoalzinho à volta.
E já há figos. Já levaram para casa e eu já me alambei com alguns. Agora é que vou voltar a engordar de verdade. Os figos são bicho calórico. Pior: são bicho tentador, carne suculenta, mel rosado. O meu marido põe-se a olhar para mim e diz: 'Estás mais bonita'. Gosta de me ver com os quilos que eu acho que estão a mais. Naturalmente, fico balançada: ou agrado a ele ou agrado a mim. O pior é que, para agradar a ele, na verdade, também agrado a mim pois comer bem é, para mim, um dos prazeres da vida.
A casa cheira a orégãos. Os meninos fotografaram a mesa onde, ali na sala de jantar, os pus a secar. Um cheiro bom a campo. E os figos também cheiram bem. No outro dia tive que ir à farmácia a ver se comprava uma coisa para o meu pai. Enquanto esperava a vez pus-me a cirandar. Perfumes, cremes, loções corporais. Tentam-me. É aquele meu lado etrusco -- mas agora não vem ao caso pelo que não vou desenvolver. Uma loção cheirava a figos. Havia um tester: pus um bocado no braço. Cheiro bom. Mas vai que há mais quem, como eu, não resista a figos. Um risco. Não trouxe. Não quero chegar a casa já meio comida. Já basta o que basta.
E mais?
Assim de repente não estou a ver. Só se for que estava descalça, dei uma topada numa pedra. Agora tenho um dedo do pé super dorido e, acabei de constatar neste preciso instante, inchado e ensanguentado. E, note-se, já tomei banho pelo meio. Portanto, só pode ser grave. Ou seja, estou imprópria para dançar em pontas.
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PS: É certo que há aquilo do nome do agremiação do Flopes afinal não ser o Partido do Sexo e do Love mas sim Caves Aliança. Não tem graça, muito déjà-vu. Não comento. Só comento coisas que se aproveitam, não desinspirações, indigências. Sou caridosa.
Não sou de ter preferências. Se me perguntam qual o autor preferido, não sei dizer. Acho que nem tenho que saber porque o que é melhor varia com o tempo e com as circunstâncias e tantas vezes desvalorizei o que, anos mais tarde, me fez cair de joelhos perante a elegância e surpresa da sua escrita. Sobre o compositor preferido, também não sei. Se disser um, di-lo-ei por desfastio, para não ficar calada. Mas estarei bem ciente que estarei a ser vulgar. Bach, por exemplo. Di-lo-ia só por dizer porque, para mim, há outros, tanto como ele. Ou o livro da minha vida. Não tenho. Tenho montes deles. Ou o beijo que não esquecerei. Tantos. Incapaz de escolher só um. Ou um sunset especial. Tretas. À sua maneira, são todos especiais. A canção da minha vida? Que pergunta fajuta! Os casais parece que costumam ter uma. A mim não me ocorre nenhuma em especial. Talvez algumas mas qualquer delas por razões inconfessáveis pelo que, para isso, mais vale estar calada. Um prato? A mesma coisa. Para mais, sou de boa boca. A árvore preferida. Está bem, está. Umas por isto, outras por aquilo. E para quê escolher uma se andar num bosque é dos maiores prazeres que há? E se o bosque tiver nascido das nossas mãos? Ah, que prazer tão absoluto. Eu, mãe de um bosque. Para ser ainda melhor, só se por ele passassem cavalos verdes. Ou nele habitassem pássaros verdes que tocassem harpa ao entardecer. Ou um blog? Ou um blogger? Não posso dizer. De uns gosto disto, de outros daquilo e de uma pequena minoria gosto de tudo mas dificilmente saberia dizer porquê. Não digo, portanto.
Uma cor preferida, claro que também não sei dizer. Penso logo em encarnado porque toda eu sou paixão mas, se o pensamento durar muito, sou capaz de começar com derivações. Talvez mais do que paixão, a sedução. E qual a cor da sedução? O silky dark and hot rosa, com shadows em suaves tons secretos? Qual a indizível cor do mistério? Nao sei. Direi, então, talvez o branco que é puro, limpo, simples, a origem de tudo. Mas sou também capaz de dizer azul, ou porque me apeteça nele mergulhar, ou deitar-me sobre ele, blue velvet, as mãos a deslizar no macio, ou o olhar a buscar o infinito que é azul, cada vez mais azul, mais atraentemente intangível. Ou a luz do amarelo, o amarelo feliz, a alegria de todas as formas de amarelo, ouro, terra quente, ameixas carnudas e amarelas, o sumo doce a escorrer-me da boca. E o verde, verde que te quero verde, os bosques, os musgos, os fetos, o verde que me rodeia e impregna.
Penso em verde e ocorre-me em simultâneo o Green God e o Tyson Ballou(e que me perdoem as tias da gramática das cinco que não suportam uma fotografia de um homem prosaico no meio de um poema mas é por demais sabido que aqui, neste salão, homens carnais são bem vindos; e se quase desnudos tanto melhor)
Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce
Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.
Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.
E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.
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Os dias vão quentes e eu, no meu primeiro dia de férias de verão, desbastei árvores, abri espaços de estar entre bosques que se se tinham adensado. Penso que os meus braços têm a força de um lenhador. Serro grossos troncos, sinto o odor que se desprende da madeira enquanto os serro, olho e vejo a elegância das árvores depois de retiradas pernadas que encobrem caminhos. E não me canso.
Já perto da noite, passeei por entre pinheiros, cedros, aroeiras, azinheiras. Ia satisfeita com o tanto que tinha trabalhado e o tanto que tenho ainda para fazer.
Enquanto passava silenciosa, de uma árvore, um rumor, um bater de asas, a folhagem num sobressalto, e um grande pássaro, talvez uma rola, levantou-se e voou quase à altura das minhas pernas. Branca e cinza platinado, uma ave distinta. Também encontro muitos bichos pequenos, talvez pequenas lagartixas. Ontem à noite coloquei os restos da corvina cozida do jantar com alguns restos de batata doce, num dos canteiros perto de casa. Hoje nada. Espero que tenha sido a mamã gata branca e o filhote branquinho que sobreviveu. Ontem ouvi um miado muito ténue e fiquei preocupada. Tanto calor para um gatinho sobreviver. Deixei um recipiente com água.
Os figos, com tanto calor, estão a amadurecer depressa demais. Indecentes de tão doces. Nem crescem, tanta a pressa de agradar. Oferecem-se. E eu aceito o convite.
As uvas estão quase boas. Passo por uns e outras e, como um pássaro, vou debicando. Mesmo morna a fruta, tanto me faz. Aos figos, como-lhes até a pele. Não sigo a etiqueta. Não abro em quatro, pétala a pétala. Não. Gosto muito de figos, muito, muito. Por isso, não condescedo na deferência. Bicho-animal mesmo. Também gosto de uvas e de todas as frutas, mas os figos são especiais. São os figos e as memóras que trago deles. Há neles uma carnalidade que me agrada e que vem de muito antes.
[O acúcar da fruta há-de trazer-me o peso que perdi, mas, com trabalho tão árduo, talvez compense. Aqui, felizmente, não tenho a balança que não me deixa pôr o pé em ramo verde.]
Verde que te quero verde.
Hanging cabinets: detail of a naked figure -- Duilio Cambellotti 1912
Figos verdes e dourados por dentro ou verdes com a carne roxa ou escuros por fora e apenas doces por dentro. Tenho-os aqui de todos. Pingo de mel. Do olhinho, escorre, brilhante, o suco do fruto.
[E as tias-beatas e literatas que se benzam de novo que mais uma heresia está para entrar, fazendo eu minhas palavras alheias: D. H. Lawrence, em Women in Love, descreve a forma como se come um figo. E eu, depois de descrever a forma gulosa como os como, nem aqui deveria pôr isto, pois ainda alguma mente perversa me atribui tendências que não me assistem. Mas, a bem da literatura e da cinefilia, aqui fica
The famous "fig" scene from Ken Russell's 1969 film "Women in Love," adapted from the 1920 D.H. Lawrence novel.
The explicit sexuality and eroticism of the film (including nude love scenes, male frontal nudity and homoerotic wrestling) broke new ground and challenged long-held cinematic taboos about depicting sex on celluloid.
In this clip, Alan Bates as Rupert Burkin compares a fig to a woman's vagina, describing the "proper way" to eat it before shocking his audience by "taking out the flesh in one bite," or, the "vulgar" way. ]
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As fotografias foram feitas in heaven.
(A do Tyson Ballou é que não é minha porque não o apanhei por cá. Senão a ver se também não o fotografava, ai não, não.)
Lá em cima Ana Belen y Manzanita interpretam Verde que te quiero verde, poema de Federico García Lorca
E não é que eu tenha andado a fazer medições... mas essas coisas sabem-se.
Consta
-- e atenção, não vale a pena irem a correr confirmar ou ficar desiludidos se o vosso score for inferior (e aqui - sorry Ladies - dirijo-me especificamente aos meus Leitores homens) --
que, em repouso, o vosso em média é rapaz para uns 9 cm.
E não é que este centímetro a mais fale por si mas tenho ainda mais a meu favor. Dizem - e volto a repetir que não contei, limito-me a papaguear - que a minha glande tem cerca de 8.000 terminações nervosas, uma concentração poderosa. Já a vossa, meus Caros Leitores, não terá mais de metade disto.
Se fossem dados à mitologia grega não ficariam surpreendidos:
Todos estavam curiosos acerca da única pessoa que havia vivido como homem e como mulher em sua vida e a ele perguntaram: "quem desfruta de maior prazer com o ato de amor, o homem ou a mulher?" ao que Tirésias respondeu sem pestanejar: "a mulher, e sete vezes mais!"
Talvez para muitos isto não seja surpresa mas, cá para mim, se sabem andam muito caladinhos, não querem dar parte de fracos.
Outros, os que não sabem, talvez não estejam a acreditar nesta minha prosa. Acharão que ou estou a falar de outra coisa ou, então, que estou a delirar. Estes últimos pensarão que a coisa não passa de um botanito que mal se vê. Pois, pois.
Deixem, então, que passe às explicações científicas.
Clitóris ou clítoris (do grego κλειτορἰς - kleitorís) é, na anatomia, o nome que se dá ao órgão sexual feminino alongado e erétil, localizado na parte superior da vulva, nos mamíferos.
O vídeo abaixo explica a anatomia sexual feminina e desvenda o local aproximado do Ponto G
O clítoris é, na verdade, parecido com o pénis.
Mas, conforme poderão ver no vídeo abaixo -- e abro uma excepção no meu pacifismo para aqui reproduzir esta metáfora bélica -- este não passa de uma espingarda enquanto o clitoris é mais uma metralhadora.
O que em geral se vê nos olhos das pessoas raras é a mais comum das fantasias: estar só e descalçar os sapatos. No limite do seu romance neura e belo como tudo, Anna Karenina disse: "Agora só quero estender um pouco as pernas."
As mulheres trocam de repente a glória mais invejável pela identificação com a sua solidão primordial: aquele momento entre a declaração de amor e a vista de Nápoles ao escurecer, e que é um momento sem sensualidade, quase vazio de sentido, mas em que a eternidade é uma coisa de todos os dias.
Mulheres-raparigas-mulheres, quem não sabe desse espaço subitamente vazio nos sentidos, onde não entram as vozes habituais, onde de repente se recupera um gesto, um olhar desconhecido, e se faz deles uma espiral de desejos? Escapa-se da sólida conversa de tias e parentes, entra-se no quarto e no leito onde, com os joelhos contra o estômago, o peito carregado de medo obscuro, se reanima o dia passado; e, com ele, os pequenos indícios de amor e morte, os fantasmas de amor e morte. Tudo mais belo do que as realidades que um dia se irão convidar a fazer par com essas aventuras impossíveis de trazer vivas à luz do dia. Tão delgadas são, como cabelos, tão feitas de teias e de orvalho. Tudo as quebra e tudo as faz entrar outra vez no tempo curvo e eterno.
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O texto em itálico (bem como o título do post) é de Agustina, ainda em 'Longos Dias têm Cem Anos' -- livro que tomara que seja infinito para eu ter sempre novas páginas para ler -- que talvez tenham lido ao som de Agnes Obel ainterpretar Riverside
Tom O'Bedlam lê Figs de D H Lawrence
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E queiram, por favor, descer porque, nos dois posts a seguir, há encontro com Kabir
Afinal na outra noite pouco deu para ler o Butcher's Crossing. Este fim de semana peguei nele e peguei também num outro, pensando ir petiscando deste segundo e, como pièce de résistance, ir degustando o primeiro. Mas as coisas (não profissionais), comigo, não costumam ser bem como as penso - quando me deito a ler, ou adormeço ou nem lá chego, metem-se outros programas. Também, verdade seja dita, não me forço a coisa nenhuma (a nível não profissional, uma vez mais). E, portanto, acabei por me ficar, e fiquei de gosto, pelos petiscos.
O livro a que me refiro é Think Like an Artist (... and lead a more creative, productive life) de Will Gompertz.
Gostando eu de ler livros sobre arte, estava curiosa sobre este; e, de facto, foi uma agradável surpresa.
Para que se tenha uma ideia sobre o que versa, traduzo o título dos seus capítulos:
A flagelação de Cristo de Piero della Francesca, 1458-60
1. Os artistas são empreendedores [com referências a Andy Warhol, Vincent van Gogh, Theaster Gates]
2. Os artistas não falham [com referências a Bridget Riley, Roy Lichtenstein, David Ogilvy]
3. Os artistas são verdadeiramente curiosos [com referências a Marina Abramovic, Gilbert & Gilbert, Caravaggio]
4. Os artistas roubam [com referências a Picasso]
5. Os artistas são cépticos [com referências a J.J. Abrams, Piero della Francesca]
Ski Jacket, Peter Doig, 1994
6. Os artistas pensam no todo e no detalhe[com referências a Luc Tuymans, Johannes Vermeer]
7. Os artistas têm um ponto de vista [com referências a Peter Doig, Rembrandt, Kerry James Marshall]
8. Os artistas são corajosos [com referências a Michelangelo, Ai Weiwei]
9. Os artistas param para pensar [com referências a David Hockney, Marcel Duchamp]
10. Todas as escolas deveriam ser escolas de arte [com referências a Bob and Robert Smith]
11. Pensamento final
...
Tão interessantes são os diversos temas abordados que, a cada capítulo, me deu vontade de aqui falar sobre ele. Contudo, não dá, tenho que escolher um. E escolho o capítulo que refere que os artistas, por norma, não criam a partir do nada e aproveitam, de alguma forma, as experiências e as conquistas dos que os precederam.
Não vou ser exaustiva pois este não é um espaço que se compadeça com tratados. Vou antes transcrever algumas citações ou mostrar alguns dos pontos sobre os quais se fala nesse capítulo 4 já que é um tema que me interessa bastante.
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"Não há nada de novo debaixo do sol" - Eclesiastes 1:9
"Os bons artistas copiam, os grandes artistas roubam" - Picasso.
A frase de Picasso foi roubada a Voltaire que, dois séculos antes, disse: "A originalidade não é senão uma judiciosa imitação"
"Se eu vi mais longe foi porque me ergui sobre os ombros de gigantes" - Isaac Newton
"Criatividade é saber como esconder as suas fontes" - Albert Einstein
....
Como exemplo de obras inspiradas por outras, limito-me a dois ou três dos exemplos referidos no livro, justamente relativos ao Picasso dos primeiros tempos e que fizeram parte de uma exposição que deve ter sido espantosa: Becoming Picasso, e sobre a qual mostro abaixo um vídeo:
Pablo Picasso, Bailarina anã (1901)
que terá sido inspirada pela seguinte escultura de Degas (à qual Picasso deu um certo toque de flamengo):
Refere-se ainda que Steve Jobs, o co-fundador da Apple, citava Picasso naquilo de 'os bons artistas copiam, os grandes artistas roubam' antes de dizer que "Nós (na Apple) nunca tivemos qualquer vergonha em roubar grandes ideias". O New York Times refere que a Apple estimula os seus designers a depurarem as linhas e as formas, mostrando-lhes a série de 11 litografias de Picasso (1945) na qual ele parte de uma representação naturalista de um touro, evoluindo até uma representação quase abstracta.
....
No domínio da literatura, fala-se na disrupção social que começa frequentemente por ser interdita para, mais tarde, se tornar admissível. O exemplo referido é o romance de D. H. Lawrence, O amante de Lady Chatterley, cuja versão integral se manteve banida no Reino Unido até 1960 devido à linguagem explícita na descrição de cenas sexuais.
Para ilustrar, em vez da transcrição de um trecho do livro, opto pela adaptação para cinema e, embora goste imenso da versão francesa, de Pascale Ferran, mostro o vídeo de anúncio da nova versão da BBC.
Lady Chatterley's Lover: Trailer
Will Gompertz diz que, aproveitando a onda de permissividade que, entretanto se formou após a autorização da versão completa de Lady Chatterley's Lover, a Philip Larkin já lhe foi possível usar linguagem sexualmente explícita, como é o caso do seguinte poema de 1971 (cujo título, de resto, foi extraído do poema Requiem de Robert Louis Stevenson)
This Be the Verse de Philip Larkin (lido pelo próprio) - poema do qual extraí o actualíssimo título deste post
.....
O tema é aliciante mas forço-me a atalhar porque o post já vai extenso, muito para além da conta. Contudo, como acima referi, deixo-vos ainda com um pequeno vídeo da exposição que decorreu em 2013 na The Courtauld Gallery
Já agora, à laia de apresentação de Will Gompertz, mostro também um vídeo feito a propósito do lançamento do seu livro anterior:
What are you looking at?
..
Maravilhoso o mundo da arte.
..
O essencial é ser comovido, amar, ter esperança, estremecer, viver - disse Auguste Rodin (e talvez tenha razão)
..
Muito gostaria ainda de receber a vossa visita no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, onde hoje vou pela mão de Gastão Cruz ao som de sinos que cruzam esta noite de chuva intensa.
...........
Desejo-vos, meus Caros leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.
A todos desejo sorte, saúde, amor e dinheiro para os gastos.
Depois do tema do amor e do vídeo do post abaixo, para me fazer passar por inteligente e superior às petites choses du coeur, fiz mais uma tentativa, a sério que fiz: percorri os jornais económicos, vi as aselhices fiscais do governo, todas as outras que são de todas as espécies e feitios, li sobre o pagode que são os cartazes do PS (e digo pagode porque aquilo mais me parece coisa chinesa, do tempo do Mao, para aí, uma coisa pirosa todos os dias), e percorri os jornais generalistas -- e nada -- e as revistinhas pink, tudo -- e nada -- tentando descobrir temas onde pudesse vir para aqui dar-me ares. Mas a verdade é que ou sou eu que estou desinspirada ou é o mundo que anda meio sem graça.
Claro que há temas sérios, horrendos, mas desses eu só falo quando tenho sossego para rodear as palavras de silêncio. Por isso, espero sentir-me com a gravidade certa na ponta dos dedos para falar nisso e, não sendo hoje, passo à frente.
Ainda pensei falar de obscenidades. Pornografia. Hardcore, coisa da pesada mesmo: cerca de meio milhão de euros o casório do Jorge Mendes e da sua bem amada Sandra, a ilha grega oferecida pelo Ronaldo, Serralves transformada em sala de baile para futebolistas, treinadores e suas bem arraçadas esposas, advogados e suas coloridas madames, as ruas do Porto cortadas para o grande desfile do dinheiro. Por exemplo.
O rico casalinho: Jorge e Sandra
O Jorginho e a generosa Sandrinha, aqui à civil
Cristiano Ronaldo entre altas cilindradas e seguranças
Lobo Xavi€r e S€nhora - of cours€, as usual
Tanto que haveria a dizer se hoje estivesse numa de porno... Mas hoje estou mais para o romântico do que para a pornochanchada e, portanto, passo por cima desse happening jorge-e-sandra-mendista regado a milhões e volto-me de novo para o amor.
Mas, dissertar sobre o amor, hoje não, não estou muito fluente. Para falar a sério teria que ser científica, sistemática, e não estou a sentir-me com paciência para me manter no trilho do rigor e do bom comportamento.
Por exemplo, deveria compartimentar os diferentes tipos de amor ou as diversas formas de se manifestar: o amor das mulheres mais novas por homens com patine, ou de mulheres velhas por inexperientes pupilos ou de mulheres introvertidas por homens histriónicos ou vice-versa, ou de mulheres feias por mulheres bonitas ou de intelectuais de esquerda por beatos conservadores ou de homens machões por homens machões. Podia, claro. Até podia falar sobre o amor no ambiente de trabalho sobre o qual acabei de ler que é frequente e que até faz bem à conjugalidade (Flasher sur un collègue peut booster votre couple!). Mas não me está a dar para isso, estou preguiçosa.
Por isso, com vossa licença, abrevio razões e avanço para as fitas.
Jogos proibidos
(cenas do Paciente Inglês)
Though it's forbidden for my arms to hold you
And though it's forbidden, my tears must have told you
That I hold you secretly each time we meet
In these forbidden games that I play
A liberdade sonhada
(cenas de Lady Chatterley)
O amor à solta
(cenas de A insustentável leveza do ser)
'Não beijo estranhos'
(uma cena de Closer)
Ora bem. Sim, senhor.
......
Relembro que, no post abaixo, continua o climinha: amor.
Para que serve o amor?
.......
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.
De preferência com muito amor, muitos beijos, muito romance.
Não sou muito de ver mais do que uma vez os filmes mas há alguns que verei sempre com prazer.
Um deles é Lady Chatterley, uma belíssima adaptação de O amante de Lady Chatterley de D. H. Lawrence um escritor que devorei no fim da minha adolescência e que, em conjunto com outros, talvez me tenha ajudado a entrar melhor na idade adulta, e talvez tenha também contribuído para ser como sou.
Aos que ainda não tenham visto este filme, se me permitem, recomendo a aquisição do DVD.
Para quem não se ajeita bem com grandes textos em inglês, aqui deixo o link da wikipedia para um texto breve em português sobre a obra que esteve na origem do filme.
A adaptação a cinema é perfeita, e os actores são fantásticos, todos eles mas, claro, em especial o casal principal. Ele, Jean-Louis Coullo'ch, então, é um modelo de contenção e sensibilidade.
O filme tem cenas memoráveis. A emoção é vivida de forma intensa e parece que passa para o lado de cá. Uma das muitas cenas que marcam (pela beleza, sobretudo) é aquela em que Constance e Mellors correm e brincam nus no campo, à chuva, junto à cabana onde se encontravam.
O amor é uma festa quando a descoberta, a ternura e a inocência andam a par e passo. A transgressão, neste contexto, por vezes é um tempero atraente, outras é um factor de instabilidade que resulta bem na ficção mas pode ser um caso sério na vida real. Em Lady Chatterley foi ambas as coisas e daí a intensidade emocional do enredo.
Não encontrei nenhuma versão do trailer no youtube com legendas em português mas, mesmo para quem não perceba, as imagens valem por si.
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Um outro que será sempre um dos filmes aos quais não me importarei de regressar é o The French Lieutenant's Woman, A Amante do Tenente Francês. Uma história de amor dentro de outra história de amor: os actores a viverem uma história de amor enquanto representam uma outra.
Jeremy Irons e Meryl Streep, dois grandes, grandes. E é a história que é envolvente, é o ambiente, e são também as vozes deles, que vozes lindas eles têm.
Também aqui não encontrei o trailer legendado mas, uma vez mais, mesmo que não consigam perceber, não faz mal. Vê-los e ouvi-los já é prazer suficiente.
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Uma bela história, uma boa adaptação, uma boa realização, grandes actores (e fotografia, e banda sonora, e figurinos, e..., e...) é uma conjugação que se vai rarefazendo nos tempos que correm. Salas e salas de cinema e quase todas com filmes da treta. São raras as adaptações de grandes obras, filmes de fôlego, actores que se entregam inteiros.
Felizmente vão-se encontrando DVD's praticamente de tudo e, embora não seja a mesma coisa que ver numa sala de cinema, também não é mau de todo vê-las em casa. Pelo menos não há aquele cheiro enjoativo das pipocas e barulho de gente a trincá-las.
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Fico-me por aqui. Este fim de semana é, para mim, mais um dos que é feito de dias grandes e cheios de animação. Esta noite já fomos fazer as compras para abastecer o quartel. Toneladas de mantimentos, o frigorífico a transbordar de carne, peixe, legumes, iogurtes, queijos, etc, etc, e, cá fora, bolachas, bolos, sumos, sacos e sacos de pão, doce, aveia (o chef de serviço vai fazer panquecas de aveia), fruta, massa, feijão, café, arroz, leite, cerelac, etc, etc, etc. Tal como vos disse ontem, não sei se no sábado à noite a estalajadeira estará capaz de escrever. Mas um dia de cada vez. Também pensava que hoje talvez não conseguisse e, afinal, aqui estou (às 2 e meia da manhã, é certo, mas isso já é costume).
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo fim de semana!!!