Confesso que pouca televisão tenho visto e poucos jornais tenho lido.
O fim de semana passou a correr, tão preenchido foi - no sábado, a tarde foi dedicada à terceira idade e a noite ao marisco e este domingo foi à família toda, todos reunidos para a alegria do costume (de tarde, depois de um almoço de cozido e à vinda, enregelados, de um curto passeio, e ansiando pelo retemperador chá das cinco, passámos num chinês para comprar disfarces de carnaval para os miúdos e acabaram por vir também umas longas cabeleiras louras, umas encaracoladas costas abaixo e outras lisas, longas e quase platinadas, que fizeram a delícia das mulheres da casa; e só não vos mostro as nossas fotografias para não ficarem preocupados com a sanidade mental do sector feminino da minha família).
Por isso, é apenas de relance que me vou apercebendo da saloice por parte dos tuga-espertos da coligação e respectivos papagaios de serviço.
Ontem dei-me conta que o jota-rapaz das vírgulas tresmalhadas, um tal que não diz coisa com coisa e que nem a pouca coisa que diz se aproveita nem no estilo nem na substância, ia escrever (ou já escreveu) uma carta para o governo grego.
Não sei se naquela cabeça vazia passa a ideia peregrina de alguém vai abrir a carta e levá-lo a sério. Uma anedota. Um coitado a quem a comunicação social deveria ter feito a caridade de não divulgar tal palermice.
Pelo Natal há cá uma iniciativa dos CTT dirigida às crianças, que as incentiva a escrever uma carta ao Pai Natal. Pois este pobre, por algum retardamento, ainda está nessa, vai escrever uma carta para a Grécia, certamente a ver se recebe algum presente de volta. Até dá dó.
Não sei se naquela cabeça vazia passa a ideia peregrina de alguém vai abrir a carta e levá-lo a sério. Uma anedota. Um coitado a quem a comunicação social deveria ter feito a caridade de não divulgar tal palermice.
Li também que o catraio Mendes no sábado, na missa semanal na SIC, deu os seus palpites convencido que a sua influência chega até à Grécia; e este domingo à noite ouvi, durante um bocado, o datado Marcelo, pondo sempre a opinião na boca de outros para depois sentenciar uma inutilidade do alto da sua cátedra.
E agora dei um rápido giro (desculpem a expressão mas é que ainda estou sob o efeito da cabeleira loura costas abaixo) e a coisa esteve fraca.
Dei com uns quantos e umas quantas a rodarem a bolsinha no trottoir, tudo tecendo considerações sobre os excessos de Varoufakis e sobre a aproximação de Tsipras à Rússia e rebéubéu pardais ao ninho.
Pois eu só tenho uma coisa a dizer sobre esta rajada de novidade que se desencadeou na Grécia e ameaça sair da periferia para vir por aí fora: por enquanto para já, há aqui uma situação de base zero. Tudo novo. E o que é novo não deve ser visto com lentes velhas e relhas.
Ou seja, o que eu vejo é uma coisa a nascer do nada e que acho que deve ser vista com atenção, tentando perceber o que se está a passar e como poderemos fazer com que resulte. Pior do que estava não pode ser. Portanto, o benefício da dúvida, pelo menos, deverão merecer.
Parece-me gente inteligente, determinada, com uma generosidade grande e uma vontade genuína de fazer bem ao seu País.
E, portanto, parecendo-me ver isto, calo-me e desejo que tenham sorte.
Pasmo quando vejo alguns artolas e anhucas portugueses, que não sabem fazer uma conta e para quem a matemática é uma ciência oculta, a sentenciarem que não há dinheiro para as medidas que o governo grego começou por tomar. Como se eles, pobres matematico-excluídos, percebessem de macro-economia ou de sistemas complexos. Ora, por outro lado, quer o ministro das finanças quer o primeiro-ministro são pessoas informadas, com formação de base na área dos números, gente com provas dadas. Qualquer deles não precisa que os nossos servis gravatinhas, calcinhas e catatuas lhes dêem explicações de aritmética.Também acho que à frente da Comissão, do Parlamento e do BCE estão pessoas que não têm muito a ver com as lesmas da era Durão que quase deixaram implodir a Europa sem serem capazes de reagir, de calças na mão, sempre prontos a porem-se de gatas logo que a bardajona Merkel lhes lembrava que ali só ela falava grosso.
Por isso, acho que a atitude sensata é esperar para ver e apoiar, no que for possível.
Quanto à história da dívida (o PSD já fez saber que não quer nem saber da Conferência sobre a Dívida), desde o início da crise que acho que o ataque que houve às dívidas soberanas e ao disparo das taxas de juro para valores estratosféricos deveria ter tido, desde o início, uma reacção forte e concertada. Se todos os que estavam a sofrer o ataque se tivessem unido - em vez de, quais virgens, se porem aos gritos em cima da cadeira, ai, ai, um rato! e ai, ai, que não temos nada a ver com a Grécia! - a esta hora não estávamos onde estamos, uma dívida muito superior ao que era, a economia arrasada, um desemprego absurdo, uma demografia de lástima, a sociedade desmotivada e apática.
Passos Coelho não percebeu na altura, não percebeu durante e ainda não percebeu. Será banido da História sem ter percebido nada do que se passou.
Só espero é que saia rapidamente de cena porque me envergonha. Tudo o que ele diz e a falta de maneiras com que o diz envergonha-me.
É ele e o Cavaco. Estão bem um para o outro: para mal dos nossos pecados, são, sob todos os pontos de vista, uns zeros à esquerda. Não, corrijo: são um sinal negativo. Subtraem valor ao País. Uma lástima.
_____
Isto do novo Governo Grego que dá os seus primeiros passos tentando fazer um caminho novo faz-me lembrar o cachorrinho que tenta voltar para casa. E eu só espero que a Europa se una para os ajudar e não para os devorar. O vídeo abaixo mostra isso. E é uma ternura.
2015 Budweiser Super Bowl Commercial “Lost Dog”
___
As imagens usadas para enfeitar o texto mostram obras de Paula Rego, a fantástica pintora e mulher Paula Rego que eu tanto admiro.
A propósito: a revista Connaissance des Arts (734 - Fevrier 2015) tem um suplemento dedicado à Arte em Portugal, onde (por ocasião do seu 80º aniversário) se inclui justa referência à obra de Paula Rego. Dedica ainda generosas páginas à maravilhosa Azulejaria Portuguesa e a muito mais (como, por exemplo, a Helena Almeida de quem não sou grande fã - mas isso não interessa). E eu agradeço ao Leitor que tão generosamente mo fez chegar.
___









.jpg)

