O dia teve uma componente muito boa, com a família reunida. Os meninos estão naquela fase meio volátil da adolescência e pré adolescência em que, tirando o mais novo, já todos entraram na altura da vida em que já estão a deixar para trás a pele da infância mas em que ainda não ganharam a segurança e independência da vida adulta, e em que todo aquele bulício e confusão de antes está a dar lugar a grupos de interesses distintos ou a que uns se isolem para falar com os seus amigos. Já lá estivemos, sabemos como é. O tempo vai passando e a vida tem que saber ir apanhando o comboio das idades que vão mudando.
Mas o dia, já à noite, teve uma componente desagradável, factores externos que, independentemente da nossa vontade, vieram-nos bater-nos à porta. Já tentámos enxutá-los e só espero que fiquem definitivamente bem longe de nós. A vida também tem destas coisas, sobressaltos, inconveniências. E nós, que tanto gostamos de paz e descanso, que não causamos problemas a ninguém, temos que estar preparados para saber reagir a contratempos que, sem se saber bem como, parece que querem bater-nos à porta. Mas, enfim, a vida nem sempre se apresenta com a suavidade angélica do céu na terra - isto admitindo que o céu é o lugar de paz que se imagina e não o espaço que, por vezes, é atravessado por bombas, mísseis e drones.
Portanto, adiante.
Entretanto, na tentativa de reencontrar a paz de espírito, vim espreitar o youtube. Notícias, não. Não quero ver mais ataques, ouvir sirenes, ver nuvens de fumo, prédios destruídos, gente sem casa ou em fuga. Tudo terrível de mais. Não é bom alhearmo-nos pois o sofrimento ou as injustiças alheias devem merecer-nos atenção, respeito e preocupação. Mas é tanta coisa má, tanta, por todo o lado, a toda a hora, que chego a um ponto e penso: chega, já não consigo mais.
E, como se soubesse que eu estava a precisar de coisas fofas, eis que o algoritmo me presenteia com o vídeo que aqui partilho.
A história é simples. Um dia, num hospital, a anestesista foi ao encontro da criança que ia ser operada ao coração. Para sua surpresa, a criança, pequena, estava sozinha. Era um menino que estava institucionalizado e, por qualquer motivo, nenhum adulto o tinha acompanhado. Enquanto olhava o menino que estava a ser operado, foi-se formando uma ideia na cabeça da médica. Mal acabou, ligou ao marido. Apesar de já terem 6 filhos, resolveram adoptar o menino. Só que o menino tinha irmãos, cinco... Então convenceu familiares e amigos e vizinhos e cada um adoptou um dos irmãos. Agora todos convivem e, na verdade, é tudo de uma ternura tocante. A bondade por vezes encontra o seu espaço, abre caminhos, transforma vidas.
Médico adota menino que chegou sozinho à clínica e depois arranja lares para os 5 irmãos
Quando um rapazinho apareceu sozinho para um procedimento importante no Nebraska, uma anestesiologista interveio. Como relata Steve Hartman, ela não se ficou por aqui