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quinta-feira, outubro 03, 2024

Se empatia é calçar os sapatos dos outros, então, santa paciência, não sou nada empática

 

Para começar não sei se empatia é isso dos sapatos. Tenho dúvidas. Segundo o Priberam, empatia é a forma de identificação intelectual ou afectiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa. E não vejo aqui qualquer referência a sapatos. 

Mas, ironias à parte, tenho que confessar que me faz impressão calçar sapatos usados por outra pessoa. Roupa, desde que limpa, não me importo. Mas mesmo assim prefiro conhecer a pessoa que a usou. Usar roupa sem saber se a pessoa que a usou era limpinha, lavadinha, isso faz-me alguma impressão. Ou seja, não sou o público ideal para as lojas de roupa usada. 

Quanto à empatia, tenho ideia que sou empática. Os assessments a que fui sujeita enquanto trabalhava (e com muito gosto o fui, pois ser analisada, escrutinada, avaliada e etc. sempre foi pratinho que me soube bem) diziam que sim, era empática, sim senhor. 

Mas, afinal, pelo menos na minha vida civil, não sei se sou assim tanto. Ou melhor: se ainda sou. 

Por exemplo:

  • A minha capacidade para me identificar com os tontos do Governo que se papagueiam uns aos outros, mesmo que seja para papaguearem disparates e nulidades, é limitada. 
  • A minha capacidade para achar graça à humilhação a que a Joana Marques gosta de infligir às suas vítimas, em particular quando o faz em público, expondo o humilhado à multidão enquanto goza com ele, é muito, muito limitada. 
  • A minha capacidade para perceber o ponto de vista da Ana Moura que, numa cerimónia (que pode ser questionada pelo seu valor, pelo seu préstimo, pela sua credibilidade mas que, para todos os efeitos, é uma cerimónia -- em que quem lá vai deve respeitar o dress code), se apresentou em trajes menores, zero de confecção, zero de côuture, zero de bom gosto, com os seios e os próprios mamilos à vista, é muito limitada. 
  • Identicamente a minha capacidade para tolerar o desbocamento torrencial da fonte de Belém também se esgotou. Desde há muito.
  • E a minha capacidade para aturar a histeria presidencial, da AD, das televisões e de tutti quanti que querem à viva força obrigar o PS a enfiar o Orçamento pela goela abaixo, seja o que for que ele contemple, é deveras limitada. Deveras.
  • E, agora, até o FMI vem dizer que o IRS Jovem é a ideia mais burra que alguma burra algum dia pariu. Face a isso, o Montenegro vai tirar o tapete ao Sarmento? Não, senhor. Em vez disso vai fazer de conta que está a fazer a vontade ao PS, através de uma proposta irrecusável. E eu, perante isto, aqui confirmo: a minha capacidade para aparar chico-espertices destas já foi ultrapassada há algum tempo.

Por isso, em dias como o de hoje, um dia cinzento, uma persistente chuvinha molha-tolos, interrogo-me: seria eu capaz de calçar os sapatos do Montenegro, da Senhorinha da Administração Interna, da baderneira-mor da Saúde, do Lentão que até dá dó, do inteligente Sarmento, do Dissolvente... e por aí vai...? Ou seria eu capaz de calçar sapatinhos como os que aqui mostro?










Resposta à pergunta lá de cima: Não, não creio.

(Mais sapatinhos aqui)

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E não vale a pena virem aqui dizer que este post é disparatado. Eu sei que é. Mas vou falar ajuizadamente a que propósito? Ah pois é, bebé. 

Portanto, passo já para a secção musical.

In Hell I´ll Be in Good Company 

(metal cover by Leo Moracchioli)


Dias felizes para todos

quarta-feira, julho 30, 2014

BES - neste dia 30, o dia de todos os medos, as contas do 1º semestre. O BES não era o BPN. O BES não era um caso de polícia. O GES não tinha contaminado o BES. Carlos Costa garantia que tinha blindado o BES. A troika fez testes de stress e o BES era um banco sólido. (A troika agora diz que quem tinha que auditar as práticas do BES era o Banco de Portugal - mas o BdP olhou para o BES como um míope, só uns vagos contornos). Agora vivem-se dias de susto, as surpresas sucedem-se, os problemas são mais velozes que as soluções. O Grupo desagrega-se à vista de todo o mundo. Aparentemente apenas algumas pessoas perceberam o que se estava a passar. Nicolau Santos e Pedro Santos Guerreiro fizeram mais pela transparência financeira do que todas as instituições oficiais juntas. Honra lhes seja feita.


No post abaixo já vos falei de lingerie, assunto importante para todas as mulheres que gostem de ser mulheres e, claro, para todos os homens que gostem de mulheres. Falo de um certo bustier que persegui por quase meia França e de uma linha própria para mulheres carnudas e, inclusivamente, para mulheres em fase pós-maternidade. Que a coisa venha pela mão de Dita, a Dama do Burlesco, apenas acrescenta um certo picante.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.


Lancemos Os Búzios, se faz favor - a ver se nos orientamos





Já que estou numa onda de assuntos picantes, volto ao assunto mais picante de que há memória na história financeira portuguesa das últimas décadas. Isto é uma coisa... São umas atrás de outras.

Quando há concursos de cantorias na televisão, fico sempre parva com a quantidade de gente que aparece a cantar bem. Como nunca dei para o dó de peito, aprecio ainda mais os que nasceram com esse dom. E, em Portugal, são aos molhos: resmas, paletes, desde crianças a velhos, todo o mundo canta bem. Fico a pensar: não deve haver outro País assim. Nisto somos os maiores.

Depois, também me espanto com a quantidade de gente que vai a concertos. A crise pode estar no auge que os concertos nunca desiludem os organizadores. Tudo carregadinho de gente, coliseus a rebentar pelas costuras, pavilhões, palcos ao ar livre, tudo cheiinho; e melhor: os artistas estrangeiros que cá vêm dizem que não há público como o português. Levam Portugal no coração e nunca mais tiram o país da rota dos seus concertos. Ou seja, lá está, mais um ponto forte: somos bons a ouvir música.

Ou seja: por um lado, muitos a dar música, e muitos mais ainda a deixarem-se ir na música.

Não sei quantos aldrabões, mas oh quantos, senhores, já tivemos na área financeira. A música que nos deram. Lá está: tem a ver com as facetas acima referidas.


Desde o Alves dos Reis, esse extraordinário burlão, até ao Oliveira e Costa do BPN e ao Rendeiro do BPP, passando pelos artistas do BCP, até agora a este verdadeiro festim do Grupo Espírito Santo... toda uma tropa fandanga que parece ter nascido com vocação para enganar o próximo. E a maioria - pobres otários, alegres e contentes - a ir na cantiga.


Do Ricardo Salgado que mandava e desmandava se dizia que tinha a coisa financeira no ADN, banqueiros por questões genéticas. A maior parte dos humanos tem grandes parecenças genéticas com os porcos mas o Ricardo Salgado não, qual porco, ele era diferente, tinha ouro e moedas a entrelaçarem-se nas cadeias de ácido ribonucleico.

Afinal, sabemos agora, não era bem a entrelaçar-se: era mais a ensarilhar-se.

Um ensarilhanço de todo o tamanho. O verdadeiro enfarilhanço. Milhões e milhões e milhões: uma teia impossível de desensarilhar.

À medida que a caixa se vai abrindo, vão saindo as minhocas. É que nem é preciso cavar para as minhocas aparecerem. Nem é preciso dar tiros para os melros caírem. Eles caem mortos aos pés de Vítor Bento e de todos quantos, em poucos dias, conseguem ver mais do que KPMG, BdP, Troika e toda essa turminha de totós que por aí andou, ao longo de anos, a brincar aos ceguinhos.


Vamos ver se todos esses pequenos papagaios que por aí andaram pelas televisões a dizer que o Governador do Banco de Portugal era de Olhão, uma regulação de detrás da orelha, as águas entre o GES e o BES todas muita bem separadinhas, e, que ideia!, que o BES não tinha nadica a ver com o BPN, e que qual caso de polícia, qual carapuça!... não vão ter que voltar a dar o dito por não dito? Coisa que, de resto, artistas como são, farão com a lampeirice do costume.



Uma vez mais, tiro o chapéu a Pedro Santos Guerreiro e a Nicolau Santos (e, vá lá, concedo: se calhar também devo fazê-lo em relação ao João Vieira Pereira) que, persistentemente, foram puxando as pontas e percebendo o enleio que para ali estava e que, corajosamente, se chegaram à frente e mostraram ao País a armadilha letal que estava a ser estendida aos pés de Portugal.


E a armadilha era, de facto, terrível.



O BES financiou a actividade corrente de vários grupos empresariais na condição de estes contraírem outros créditos para aplicarem em dívida e acções do Grupo Espírito Santo. Em causa estarão algumas centenas de milhões.




Salgado e Morais Pires implicados em "engenharia financeira" no BES


Empréstimos de clientes do BES ao GES através da Eurofin estão sob suspeita - e por detrás do aumento dos prejuízos do primeiro semestre. Indícios criminais serão reportados. Salgado, Morais Pires e também a diretora Isabel Almeida podem ter de dar explicações.


Quadros superiores do BES terão montado um esquema para financiar o Grupo Espírito Santo com dinheiro de clientes do BES, apurou o Expresso. Em causa está a direção financeira do banco, que operava sob responsabilidade direta de Amílcar Morais Pires. 


A Eurofin, uma "holding" na Suíça, está no centro das atenções. O caso, que poderá ter implicações criminais, é a razão do aumento dos prejuízos no primeiro semestre do banco.




Prejuízo do BES pode chegar aos três mil milhões


O escândalo avoluma-se. Reguladores descobrem mais dívida de clientes do BES ao GES e forçam provisões. O prejuízo semestral galopa para um valor próximo dos três mil milhões. Almofadas financeiras já não bastam. Aumento de capital é inevitável.

O BES vai fechar o primeiro semestre com o maior prejuízo de sempre de um banco em Portugal. Será 15 vezes maior do que as estimativas dos analistas: perto de três mil milhões de euros, sabe o Expresso. Tudo porque os reguladores e os auditores acabam de descobrir mais esqueletos nos armários: há mais dívida de clientes do BES ao GES do que se supunha, através de esquemas de engenharia financeira que se desconheciam. 


Caso pode ter mais consequências criminais.




Upss... Indícios criminais...? Mas então o que é que a gente fina tem a ver com o rebotalho? Pensava que nada.

Não me digam agora que a gestão dos Espíritos escondia afinal práticas pouco abonatórias...? Sério...? Juram...?

Mas o excelentíssimo Carlos Costa não tinha assegurado que Ricardo Salgado estava carregadinho de idoneidade? Então se ele até tinha pago alguns dos milhões que antes tinha escondido, como desconfiar que ele não era gente séria?

Bem. Se também não se lembrava ou não sabia nada de offshores da altura em que era responsável pela área internacional do BCP, como poderíamos querer que Carlos Costa agora percebesse tudo o que via? Além do mais, coitado, se o homem tem algumas limitações na visão, que mal tem isso? Querem lá ver que vamos agora exigir que os reguladores tenham todos visão apurada e que sejam todos uns Einsteins, não? Ora, era só mesmo o que faltava.

Adiante.

E agora?


Pois bem. Quem investiu no aumento de capital do BES, está a arder. Cerca de 60% do que lá meteram já foi ao ar. Muitas fortunas aplicadas nas empresas do Grupo esfumaram-se. Muito dinheiro levou sumiço. Muitas empresas vão abanar. E só não me alongo mais porque já aqui o fiz várias vezes.


Mas, uma vez limpa a casa (tanto quanto é possível em meia dúzia de dias...), descobertas as carecas, assumidas as trapaças e os embustes, o BES deitará mãos à obra, arranjará forma de reforçar o capital, mudará de mãos (se calhar também de nome, como tem vindo a ser referido) e... a vida continua.


Para esclarecer todas as dúvidas, o Jornal de Negócios, preparou um esclarecedor conjunto de perguntas e respostas que recomendo a quem quiser perceber melhor as implicações do que está a acontecer. Serviço público.

Os resultados negativos esperados no BES no primeiro semestre são motivo de alarme? Os contribuintes podem ser chamados a apoiar o banco? Os novos desenvolvimentos trazem dúvidas para os depósitos dos clientes do BES? Os clientes de retalho do BES que investiram em papel comercial do GES podem estar tranquilos? Porque é que a queda das acções pode ser um problema? Etc.


Tudo respondidinho, e bem, no Jornal de Negócios, em mais um belo trabalho de uma das mulheres de quem se tem falado a propósito do best seller do momento, o Último Banqueiro: Maria João Gago.

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E mais não digo porque já passa das 2 da manhã e amanhã a alvorada é cedo e quero ver se ainda consigo dormir qualquer coisinha.

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A música é Os Búzios na voz de Ana Moura.

Os graffitis são do meu muito amado Banksy. O cartaz da senhora que já admite nada lhe restar para comer senão os ricos, não sei por onde desfilou.

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Nota: No outro dia, escrevi uma letra mal e a palavra transformou-se num erro grosseiro. Não estou livre de que isso me volte a acontecer. Aliás, é mais do que provável que isso aconteça aos pontapés. Estou a escrever quase a dormir e já não consigo rever o que escrevi. Caso detectem erros, por favor, não se acanhem, corrijam-me, está bem?


E, se me permitem, relembro: se quiserem descansar a vista ou apimentar um pouco a vossa vida, avancem, por favor, até ao post seguinte.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira. 
Saúde, sorte e sonhos bons é o meu desejo para hoje.


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quarta-feira, novembro 20, 2013

Descobri uma placa com os meus mandamentos e já cá a tenho em casa. LIFE IS SHORT - BREAK THE RULES - FORGIVE QUICKLY - KISS SLOWLY - LOVE TRULY - LAUGH UNCONTROLLABLY - NEVER REGRET ANYTHING THAT MADE YOU SMILE. E uma outra com um statement que também diz o que eu penso: LIFE ISN´T ABOUT WAITING FOR THE STORM TO PASS. IT'S ABOUT LEARNING TO DANCE IN THE RAIN. Ora vejam lá se não são uma graça? . // . E, para o encantamento ser mais completo, acabo o meu dia com 'The heart of the tree', poesia dita por Jeremy Irons.





Hoje passei por um Gato Preto. Há que tempos que lá não entrava, talvez desde o último Natal. Não fui lá de propósito. Passei por lá, espreitei e vi umas placas que me prenderam logo a atenção. Sou de amores à primeira vista, tiro e queda. Nada a fazer. Depois, já vos contei, não sou de resistir às tentações: pintou, rolou.

Por isso, já aqui as tenho. 

Claro está que a parte chata estava para vir mas nada que não esperasse e para a qual, ao longo de anos disto, já não tivesse adquirido sobejas resistências.

Eu toda contente com as minhas placas e o meu marido: Mas o que é isto? Não és maluca, nem nada... Mas achas que ainda há sítio para mais porcaria? E achas que isso tem alguma coisa a ver com o resto da casa?

Respondi: Lots of sítios. E tem tudo a ver.

Depois, a ver se arranjava mais por onde pegar: Quanto é que isto custou? Andas a  gastar dinheiro com porcarias que não fazem falta nenhuma

Respondi: 70.

Exclamou logo: 70? 70 euros por uma porcaria destas?

Então acalmei-o, seguindo a táctica comunicacional do inteligente Passos Coelho que diz que vai aplicar uma taxa de 4.5% para depois dizer que é 3.5% e só para alguns e aí fica tudo muito contente: Não foi nada... foi só 38. 19 cada uma.

Já não disse nada. 

Pronto, desabafou.

Mas, enquanto eu andava a ver onde as havia de pôr, ouvia-o a ele, Sempre quero ver onde é que vais pôr isso... 

Nem respondi. Não vou em provocações. Já arranjei sítio: uma vou pôr na paredezinha de separação da cozinha da copa e a outra num recanto do pequeno hall que dá acesso à zona de serviço (cozinha, copa, despensa, arrecadação, casa de banho, etc). Ou seja, em sítios discretos mas dos mais frequentados da casa.

Mas ainda não tenho os meus problemas resolvidos, claro. Agora ainda hei-de ter que amargar para ele as pendurar. Já lhe disse que não é preciso nada de especial, uns miseráveis preguitos servem bem. Não me deu saída, Miseráveis preguitos... só parvoíces

Às tantas, se a coisa não se resolver até ao fim de semana, deito eu mãos à obra. Geralmente quando faço isso, ele enche-se de brios e a fingir que está chateado, diz: Sai daí que não fazes nada de jeito. Pronto, é o que eu quero ouvir. Para já vou esperar: pregar coisas na parede é pelouro dele.

Claro está que amanhã, quando ler isto, não vai achar graça nenhuma: Para que é me metes no meio da conversa!?! Que necessidade tens tu disto...?. Tenho. Sou extrovertida: gosto de desabafar em voz alta.

Ou seja, tão contente que estou com elas que as fotografei para vos mostrar - mas, claro, ainda estão no chão.

Mas agora digam-me lá vocês se também não as acham mesmo uma graça? São de chapa, com ar envelhecido. Estou apaixonada por elas. Não apenas têm a ver com a casa como têm tudo a ver comigo. Lindas.

(E, por favor, tenham o gesto de caridade de não me virem dizer que o que lá se diz são banalidades ou coisas sem interesse nenhum. Eu sou uma moça simples, contento-me com pouco e isto não é nada pouco, ora essa. A sério que estes é que são mesmo os meus mandamentos, quero lá eu saber daqueles que têm o de não cobiçar a mulher alheia, ora, como se eu fosse de cobiçar mulheres. Estes é que são bons. Todos. E quanto mais devagar melhor. E dançar à chuva também é do melhor que há.)


LIFE 
ISN´T ABOUT
WAITING FOR THE
STORM
TO PASS.
IT'S ABOUT
LEARNING TO

DANCE
IN THE RAIN.

(A pequena carpete de Arraiolos
é um modelo original do sec. XVII
e foi feita por mim na era pré-blogues)


LIFE IS SHORT
BREAK THE RULES
FORGIVE QUICKLY.

KISS SLOWLY. LOVE TRULY.
LAUGH UNCONTROLLABLY
AND NEVER REGRET
ANYTHING THAT MADE
YOU SMILE


[NB: Não tenho sociedade no Gato Preto]

*

A Ana Moura, lá em cima, canta 'A case of you'

*    *    *

Aqui chegada apeteceu-me ouvir poesia. Lembrei-me da bela voz de Jeremy Irons. E como ele aqui está giro. Gosto de ver homens vestidos assim, calças de bombazina, blusões largueirões e macios, roupa usada, um ar nonchalant, descontraído, cool, na boa, bem com a vida. E gosto de os ver com uma barbinha assim. Parecem transportar uma vida bem vivida, dar bons abraços, ser capazes de gestos de compaixão ou sedução. Ainda por cima a dizer um poema sobre árvores, sobre o coração das árvores, sobre a beleza pura das árvores minhas irmãs. Há lá coisa melhor?

(Talvez haja)




The heart of the tree


What does he plant who plants a tree?        
He plants a friend of sun and sky;
He plants the flag of breezes free;
The shaft of beauty, towering high.
He plants a home to heaven anigh
For song and mother-croon of bird
In hushed and happy twilight heard —
The treble of heaven's harmony —
These things he plants who plants a tree.

What does he plant who plants a tree?        
He plants cool shade and tender rain,
And seed and bud of days to be,
And years that fade and flush again;
He plants the glory of the plain;
He plants the forest's heritage;
The harvest of a coming age;
They joy that unborn eyes shall see —
These things he plants who plants a tree.

What does he plant who plants a tree?        
He plants, in sap and leaf and wood,
In love of home and loyalty
And far-cast thought of civic good —
His blessing on the neighborhood
Who in the hollow of His hand
Holds all the growth of all our land —
A nation's growth from sea to sea
Stirs in his heart who plants a tree.


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Muito gostaria ainda de vos convidar a visitarem o meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, onde João Vasco Coelho me leva a falar de amor. e a seguir ainda por lá há um momento quase mágico, o Estrela do Mar interpretado por Jorge Palma e Cristina Branco.


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E, por hoje, é isto. desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira. 
E não se esqueçam: beijem devagarinho. E quebrem as regras. 
E riam até não poderem mais. E etc.

quinta-feira, agosto 22, 2013

Lisboa by night com a autora do blogue Um Jeito Manso a ter o seu momento Marilyn. Ah pois é. Depois de um delicioso carpaccio de abacaxi com gelado de alfazema e gengibre, rebentos de coentros e mais não sei o quê, tive, em pleno Largo Camões, o meu momento Marilyn Monroe. Completamente. Desprevenida, de saia branca esvoaçando pelos ares. Isto numa bela noite de verão, numa Lisboa cheia de movimento, muitos turistas, muita animação e um Tejo lindo de morrer.


Depois de vieiras salteadas sobre tártaro de manga e flor de sal, charutos de choco em tempura preta sobre folha de sishô, sashimi kisetsu e mais uns sushis de salmão e ovas e ervilhas não sei das quantas crocantes, eis que resolvemos arriscar e, para além dos convencionais chocolates em três texturas com amêndoa torrada, morango e isto, aquilo e o outro, resolvemos provar o carpaccio de abacaxi com gelado de gengibre e alfazema com sementes de qualquer coisa, rebentos de coentros e outra coisa qualquer.

Pois o que vos digo é que é do mais delicioso que já provei. Bom, bom, bom. A cor do gelado é lilás, lilás intenso, e sabe a alfazema, mesmo, mesmo a alfazema. Mas, oh céus, é tão bom, mas tão bom. E enrolando o gelado numa lâmina de abacaxi, com um rebento de coentro, oh senhores, que coisa tão boa. Só de me estar a lembrar já estou com vontade de lá voltar amanhã. Ai meu deus.



À socapa tirei esta fotografia com o telemóvel para vos mostrar.

(Não sei se a receita é exclusiva daqui mas estas iguarias foram papadas no SeaMe)


Antes tínhamos feito a nossa caminhada à beira Tejo (Descobertas, Torre de Belém) que por estes dias anda repleta, repleta de turistas (acho que não me lembro de ver tanto turista em Lisboa, especialmente nestas zonas mais turísticas). Tanta gente. Contudo, conhecedores que somos destes meandros, fugimos da multidão e, um pouco mais à frente, encontramos o sossego, o silêncio, a paz suave do entardecer. 


À frente da Fundação Champalimaud quase não há ninguém, apenas uns dois ou três pescadores, dois ou três casais de namorados, um ou outro turista com ar curioso. Claro que a esplanada está cheia. Lá podem ver-se os apreciadores da natureza e da verdadeira qualidade de vida - mas a esplanada está num nível mais elevado. Quem lá está, está como se estivesse no convés de um paquete, lendo, contemplando, rezando talvez. De lá não vem um som.


Cá em baixo, rente ao rio, a serenidade é total.




Caminhar por aqui, em silêncio, ver um ou outro veleiro que desliza suavemente, ver uma ou outra gaivota que por aqui voa, bailarina cintilante que se move em toda a sua leveza, traz-me uma paz total. A maresia suave, a quietude, a beleza, são-me muito necessárias.

E andar até que a noite comece a cair - que bom que é. Depois de um dia de trabalho, nada como isto para descansar a cabeça, para fazer reset, para deixar o espírito leve, apaziguado. 

Os dias ainda estão grandes. Daqui por pouco, caminharei até que a noite invada o rio. Mas hoje, quando nos viemos embora, ainda era apenas lusco-fusco. 

A lua brilhava sobre os veleiros da marina. A luz a esta hora é muito bela, muito suave, dourada. E a temperatura a esta hora é agradável, temperada, a aragem que sobe do rio é muito fresca, perfumada.





Depois, de novo com outros sapatos (que a toilette é a mesma ao longo dia, o que mudam são os sapatos e os adereços), fomos até um dos bairros de Lisboa de que mais gostamos: o Chiado. Cheio. Turistas, turistas, turistas. Os restaurantes cheios. Dá ideia que, quem costumava ir para outras paragens (Egipto, Turquia, sítios assim), se desviou para Lisboa. Dá gosto a cidade assim, cheia de vida e alegria.





Um grupo dançava ao som de uma música animada, uma roda de gente à volta aplaudia. Ao pé da estátua do Chiado há sempre festa.


A Brasileira, a Bénard, cheias. Não há vez que lá passe que não esteja alguém a ser fotografado ao lado de Fernando Pessoa. Nunca ele teve tanta companhia.


O homem estátua que levita também lá estava, está sempre, começo a duvidar que seja sempre o mesmo.  A fotografia deve ter sido tirada às dez e tal da noite mas se lá passar ao sábado à tarde ou, tenho a sensação de que a qualquer outra hora, lá está ele, naquele equilíbrio instável e imóvel.





Passear em Lisboa é sempre uma maravilha e é pena que os lisboetas (e portugueses em geral) não se habituem a vir passear, desfrutar a beleza da cidade, descobrir os seus recantos, as suas lojas. No entanto, progressivamente vou vendo mais gente (autóctone) na rua: é uma tendência que se vem notando.

E há cada vez mais lojas novas, diferentes. Continuam a resistir as clássicas (como, por exemplo, a Paris em Lisboa ou a Vista Alegre) mas, aparecem agora, lojas de design, ou temáticas, ou vintage. Toda essa mistura dá vida à cidade.





E foi então, ao regressarmos, dirigindo-nos para o parque de estacionamento, ao atravessar ali no início da rua da Misericórdia, do Chiado para o Camões, que, em vez de ir pela passagem de peões, para me desviar da multidão, fui um bocado ao lado - eu de salto alto, blusinha fresca, sem mangas, saia de tecido leve, pregueada, branca, colar e brinquinhos de pérolas, que é como quem diz a modos que light urban chic





E, então, sem me aperceber, fui por cima de uma grelha que estava na estrada, e nisto, sem ter tempo de me prevenir, fiquei com a saia pelos ares, esvoaçando quase à altura da cintura. Soltei um pequeno grito e tentei com as mãos agarrar a saia mas só quando saí de cima da grelha é que consegui controlar a situação. Foram apenas segundos, ah pois foram, mas, deus meu, foi o suficiente para ficar todinha exposta, o underware todo à vista. Ao chegar ao lado de lá, no Largo Camões, uma jovem sentada num banco riu-se. Pois não, um espectáculo daqueles. Depois avancei de olhos baixos para não ver mais ninguém com ar de riso.


Era talvez a grelha de ventilação do metro, não sei. O que sei é era um vento quente que soprava lá de baixo com força, mas ó que força. A Marilyn já sabia o que lhe ia acontecer, agarrou a saia. Eu nem isso. Além disso, a minha saia é mais curta e de um tecido mais leve que a dela. Deve ter sido lindo.

(É que se o ventinho ainda fosse fresco...)



*

E agora: Lisboa de Fernando Pessoa
um vídeo divulgado no YouTube por Margarida Correia 
com o Fado Pessoano interpretado por Ana Moura



*

Tinha pensado escrever sobre a nova lei orgânica do governo que parece que deixa Paulo Portas pendurado (mas alguém está à espera que Passos Coelho se torne naquilo que não é?) ou sobre as apostas a dinheiro sobre se o namoro da Marisa Cruz com o hoquista Pedro Moreira chega ou não ao fim do verão (assunto de supimpa importância, como é óbvio)


Mas, afinal, pus-me a escrever sobre a minha amada Lisboa e marimbei-me para aquelas silly coisas. Pode ser que amanhã me apeteça falar nisso. Logo se vê. Como devem andar a reparar, estou sem um mínimo de pachorra para o Passos Coelho e adjacências mas, enfim, algum dia tenho que me dispor a sujar as mãos escrevendo sobre ele. E sobre apostas a dinheiro em relação a namoros do jet setinho, então, nem sei bem o que dizer mas talvez, se puxar bem pela cabeça, me ocorra alguma coisa.

*

Hoje fico-me por aqui.

Cheguei a casa tarde e más horas e, com isto, passagem de fotografias para o computador, redução da definição de algumas para não sobrecarregarem muito, senão tenho a impressão que o UJM levava muito tempo a abrir, escrever e tal e coisa, já são 2 da manhã e estou cheia de sono (eu sei que isto do sono é um déjà vu, peço-vos desculpa).

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira. Bons passeios. 

(E para os que são bons a fazer doces, aqui deixo um desafio: e que tal descobrir como se faz o gelado de alfazema e gengibre?)

segunda-feira, abril 09, 2012

Ao som de 'A morte saíu à rua' de José Afonso, suicídios, saúde pública, mercados, e outras mentiras. E para não falar mais de Fernando Leal da Costa, Passos Coelho, Miguel Relvas ou mesmo do desaparecido Álvaro, mudo para Fernando Schwalbach que, nostálgico, nos fala do que era o vício em Lisboa. Como não me ocorreu, para este contexto, pintor português, trago aqui Toulouse-Lautrec que ilustrava o vício em Paris. E Ana Moura vem dar uma ajuda, deitando os Búzios

Música, por favor



O número de suicídios em Portugal está a aumentar especialmente entre os que não têm dinheiro para se sustentar e se tratar. 

Depois de se pronunciar sobre este tema, será fácil a Fernando Leal da Costa ver-se ao espelho?


Fernando Leal da Costa, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, diz que estamos perante um problema de saúde pública.

Saúde pública?! Uma coisa 'tipo' gripe, diabetes, coisa do género? Não ter dinheiro para ter o que comer ou para ir ao médico é uma 'coisa' de saúde pública?

Se isto não é cinismo, então o que é o cinismo?

Li isto e fiquei logo mal disposta. 

Depois desta afronta, vou escrever sobre quê?

Vou aqui, uma vez mais, enervar-me em público referindo o impúdico desgoverno a que Passos Coelho e amigos estão a sujeitar o País, fazendo afirmações contraditórias a cada dia que passa, desmentindo-se uns aos outros, vindo depois dizer que fomos nós que não os percebemos? 

Passos Coelho, tentando suster o nariz e perdido de riso

Agora foi Passos Coelho, a um jornal alemão, dizendo que é natural que Portugal não regresse aos mercados em 2013 e isto depois de ter andado a meter a mão no nosso bolso (mesmo no bolso dos mais necessitados) sem mostrar piedade ou, sequer, decoro, jurando a pés juntos que não precisa de mexer no acordo da troika, que não precisa nem de mais dinheiro, nem de mais prazo. E depois vem o Relvas (tirem-me este homem da televisão, se faz favor, que já nem o consigo ver...!) a dizer que isto foi o que ele sempre disse - e mentem e desmentem e se isto fosse apenas uma palhaçada patética até poderia passar por ser humor nouvelle vague ou uma treta do género - mas o drama é que isto é a nossa vida, isto é o que leva a que o dito problema de saúde pública alastre.

Claro que, a continuar esta política, em 2013 Portugal vai continuar dependente, sem dinheiro, com o desemprego a alastrar como uma mancha assassina, com os suicídios a dispararem, com a economia de mal a pior. E isto que estou a dizer não é política: isto é economia e da mais básica, isto é até uma questão de simples aritmética. O drama é que o País está entregue a gente pouco dada a matemáticas, com conhecimentos rudimentares de economia e os dois ou três que sabem qualquer coisa da poda sabem-no apenas de casos teóricos, de estudos, dos bancos da escola.

Onde está o Alvy?

E a propósito de pobres almas que pouco mais sabem do que conceitos teóricos: que é feito do Álvaro? Alguém o viu por aí? Estas broncas todas do desemprego (oficial) já ir nos 15% e estarem todos muito espantados não são do pelouro dele? Porque não terá a criatura aparecido a dar as suas explicações de meia tigela?

Que neura que isto me dá. Portugal não mereceria mais do que isto, senhores?


Se calhar não. Se calhar isto é mesmo um sítio mal afamado, que, mesmo que o mundo esteja a desabar, não deixa de esgotar concertos de tudo o que é cão ou gato que por aí apareça a cantar (e esgotar com meses de antecedência!), de ir de férias para Cabo Verde e outros sítios do género sempre que há 3 dias seguidos sem trabalhar, de encher hotéis no Algarve pela Páscoa, de encher a barriga de meias torradas, bolos e abatanados com adoçante ao pequeno almoço, em que a suprema ambição de parte das mulheres é fazer nails e ter um PT (leia-se: personal trainer), em que grande parte dos homens vai atrás das equipas de futebol para Chelsea ou para onde calhar ou, não podendo, fica estendido no sofá a fazer zapping. Se calhar isto é mesmo um canteiro de flores de plástico, à beira mar plantado, mesmo feito à medida do pasteleiro de Massamá & Amigos. Que seca, isto.

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Tenho que parar com esta conversa, senão ponho-me para aqui a desconversar e isso pode ser uma maçada.

Portanto, mudança de rumo. Vamos divertir-nos porque se há coisa que não suporto é ir dormir em estado de arrelia. Cedo, pois, a palavra a alguém que conheceu o lustre de outros tempos, tempos bem afamados - que eu sou menina e moça demais para lembranças tão requintadas e longínquas:


Onde estão hoje esses bacanais que duravam dias e noites seguidas, onde o amor se afogava e ressuscitava em ondas de champanhe, onde o som claro e estalado dos beijos se confundia com o sacar das rolhas e o glu-glu desse mesmo champanhe caindo nas finas taças que, depois de esgotadas, eram partidas para que outros lábios não as viessem manchar... mais do que elas já estavam?

Beijo na cama, pintura de Henri Toulouse-Lautrec (1864 - 1901) - nobre, boémio, pintor

Onde há hoje, senhores boémios deste século*, uma ceia que vá além das 4 ou 5 da madrugada? Uma ceia daquelas que acabava à hora em que se começava a jantar, e que depois pegava na ceia e assim por três ou quatro dias?

'Rue des moulins', pintura de Toulouse-Lautrec 

Onde estão hoje as tão portuguesas, tão nossas, esperas de touros em que a cavalo ou de trem, ao som do fadinho chorado pela não menos portuguesa guitarra, essas mesmas cocotes chics não se envergonhavam de emparelhar com a Severa, a Júlia Gorda, a Ana dos Cordões e tantas outras suas irmãs no vício, onde a diferença existia apenas do leito de ferro para a cama de embutidos; e que, Campo Grande, Lumiar e Carriche onde havia a obrigatória paragem na Ana dos Melões, se seguia até à Póvoa e depois do levantar do gado aí vinha tudo outra vez junto, abancar a qualquer horta dos arredores, as sedas e os buréis de mistura e com as jalecas e cintas que à noite se substituíam pela casaca e luva branca numa première do S. Carlos.

La Toilette - Pintura de Toulouse-Lautrec

Hoje já não há cocotes de nome, há apenas donas de casas; parece o mesmo, mas não é!



(*) No texto original referia-se o século XX.

Este excerto pertence a 'O vício em Lisboa - antigo e moderno' de Fernando Schwalbach da Editora Tinta da China e, como se vê, este é um País em que sempre existiu um certo conceito do que é a vida.

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Vamos pois deitar os búzios para ver no que isto vai dar. Música, por favor.

Ana Moura - Os Búzios

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Hoje no Ginjal começa a semana dedicada a Berlioz e a peça de hoje é de sonho e capricho. As palavras à solta esvoaçam sobre um poema de Margarida Vale de Gato numa tarde de sol e amor. Venham dar uma espreitadela...
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E é isto, meus Amigos, vamos esperar que o destino do País mude, que a nossa sorte melhore e, para já, uma boa semana para todos a começar por hoje!