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quarta-feira, junho 24, 2026

E a biologia, senhores, o que vai ser dela...?

 

Como sempre, dia sem horários. O meu marido passa-se um bocado pois gosta de estruturar o dia, fazer planos. Eu não, eu é naquela base, à hora que for. Ele lá vai conseguindo encaixar-se. E eu, de certa forma, lá vou cedendo a ser minimamente domesticada.

Dia de praia e de gaivotas. Não estava um sol ardente, e ainda bem, mas estava-se bem. 

A praia para nós não é espetarmos o chapéu de sol, abrirmos as cadeiras ou estendermos as toalhas no chão e ficarmos ali. Nada disso. Não há pachorra para esse imobilismo. Para nós, praia é para bater perna. Caminhámos, pois, à beirinha de água e, como é costume, não consegui resistir à tentação das conchinhas. O meu marido bem tenta demover-me mas já apenas balbucia, já sabe que é uma causa perdida. Gosto de conchinhas e quanto mais translúcidas ou mais nacaradas ou com quanto mais imperfeições, melhor. Claro que depois fico sem saber o que fazer com elas, mas isso já são outros quinhentos. Para já, tenho posto numa mesinha, no terraço, onde estão uns vasos. 

E vou fotografando, adoro ver o mundo através de uma lente, mas na praia, confesso, é um bocado mau pois, com o sol, não vejo bem o que o telemóvel está a ver. Mas é o que é, e contento-me com isso. 

Não tomei banho a sério, mas avancei um pouco pelo mar. É certo que tinha os chinelos e o vestido na mão pelo que não pude mergulhar, mas senti o fresquinho bem batido das ondas. E, se não acreditam, podem ir ao meu instagram conferir (na story, a entrada nas águas, e no feed o agrupamento de gaivotas).

De regresso, fomos comprar sushi e caracóis para comermos em casa. Se é para parecer que estamos de férias, e estamos e são das grandes, das boas, então que venham os petiscos. Mas estamos comodistas: os tempos de espera nos restaurantes já nos impacientam. Preferimos chegar a casa, tomar banho, e, com calma e à fresquinha, refeiçoarmos ao nosso ritmo.

Além disso, também estive a ler --  embora me esteja outra vez a empastelar toda nas Crónicas da Lídia Jorge. Não sei. Há na escrita dela qualquer coisa que, a meus olhos, não flui. Ou, pelo menos, não fui com espontaneidade, com graciosidade. É certo que tem umas bem achadas mas umas ideias bem apresentadas (com as quais geralmente concordo bastante) ou umas imagens bem conseguidas não fazem dela uma escritora que me convença. Lamento dizê-lo. Ela é uma pessoa que me é simpática e, além disso, reconheço que o problema deve ser meu pois tem recebido tantos prémios que um mérito superior lhe reconhecem, disso não há dúvida, e não é a mim, uma iletrada qualquer, que valha a pena prestar atenção. Era o que faltava.

Portanto, siga o baile.

Não vi o jogo no qual a goleada encheu uma mão. Tenho para mim que o primeiro milho é para os pardais. No futebol e em tudo. Não é voluntário, é mesmo uma coisa que me transcende: não consigo interessar-me quando a coisa ainda está na fase de a ver no que dá. Quando estiverem nos quartos ou nas meias ou, porque não, na final, aí sim, aí estarei a torcer como uma maluca.

Portanto, enquanto dava o jogo, estive entretida cá nas minhas coisas. Sou fácil de me entreter. Ando com uma cena que tem prazos e objectivos e, portanto, ando nas minhas sete quintas.

E agora, aqui sossegada, ponho-me a par do que rola no mundo. E se rola, o sacana do mundo, anda imparável: os disparates e as baboseiras sucedem-se, os crimes ainda mais, mas, no meio da desgraça, também há muita coisa a acontecer. Para começar, há a natureza a acontecer em todo o lado e a toda a  hora e isso é uma maravilha. E há os avanços da ciência, uma coisa que pode vir a ser ainda mais espectacular.

Partilho um vídeo que gostei de ver. 

Nada de frases feitas, nada de aparatos, nada de 'conteúdos'. Há até uma certa humildade. E há a esperança. Mais que isso, a certeza. No fundo, apenas as coisas como elas são e como vão ser. 

É bom que a gente saiba o que por aí vai. Na ciência, por exemplo na biologia, por exemplo nas neurociências mas não só, a velocidade das descobertas e da aprendizagem é estonteante. Podemos estar no limiar de transpor várias barreiras do conhecimento. A Inteligência Artificial exponencia a velocidade de aquisição, de assimilação, de estabelecimento de correlações e de extração de consequências dos novos conhecimentos.

Há um lado bom nisto... caraças, se há. Há mesmo. Assim haja quem impeça que se pisem ou transponham as malditas linhas vermelhas.

(Nota: Podem colocar legendas. De vez em quando há pessoas que me chamam a atenção para que escolho vídeos em inglês quando muita gente não consegue seguir. Por isso, vou sempre dizendo: podem colocar a legendagem automática e escolher o português, já agora o de Portugal (caso estejam cá), mas, como tenho muitas visitas do Brasil, digo: se escolherem apenas o Português, terão as legendas com mais açúcar e a graça e o requebro brasileira).

Uma análise honesta da IA ​​na biologia feita por um laureado com o Prémio Nobel

O neurocientista e professor da Universidade de Stanford, Thomas Südhof, conversa com o escritor sénior Richard Nieva sobre a interseção entre a biologia e a tecnologia.

00:00 De músico a Prémio Nobel
02:35 Como comunica o cérebro
09:12 A verdade sobre como a ciência e a descoberta realmente funcionam
12:44 O sonho americano
17:18 A revolução tecnológica e a "lavagem com IA"
25:57 Conselhos para os mais novos 

Desejo-vos uma feliz quarta-feira

domingo, junho 07, 2026

Ora vamos lá a saber: quanto tempo consegue aguentar-se apoiado/a numa só perna?

 

Hoje a minha filha referiu a importância do equilíbrio numa única perna enquanto indicador da longevidade.

Por acaso, já sabia e até é uma coisa que pratico sempre que vou ao ginásio; e, mesmo em casa, volta e meia gosto de me apoiar numa única perna. Aliás, já o fazia antes de saber disto. Gosto de o fazer.

Então, estive a mostrar-lhes. E ela também esteve a fazer o teste. E um dos rapazes, um verdadeiro pernilongo, também. Mas esse faz toda a espécie de movimentos enquanto, em contínuo e durante um tempo que não acaba, se apoia numa única perna -- só que não conta como termo de comparação pois não apenas ainda só tem quinze anos, recém feitos, como é desportista a sério.

Porque é um tema de interesse geral, para poder partilhar a fundamentação científica, pedi explicações ao Gemini. Para facilitar a leitura, retirei as referências e a explicitação das fontes, nomeadamente os links para os textos científicos.

O Equilíbrio como Biomarcador de Longevidade: O que o Teste da Perna Única Revela em Qualquer Idade
A capacidade de uma pessoa se manter em apoio unípede (numa só perna) deixou de ser vista apenas como um teste de agilidade e passou a ser classificada pela comunidade médica como um biomarcador vital do envelhecimento sistémico. O tempo exato que o corpo consegue sustentar nesta posição serve como um preditor direto da saúde neurológica, cardiovascular e do envelhecimento biológico, aplicando-se desde os jovens adultos até à terceira idade. 
O Declínio Silencioso: Começa aos 30 Anos 
Muitas vezes associa-se a perda de equilíbrio à velhice, mas os dados clínicos mostram o oposto. Investigações da Mayo Clinic publicadas na revista PLOS One comprovaram que, entre a marcha, a força muscular e o equilíbrio, o tempo de suporte na perna não dominante é a variável física que declina mais rapidamente com o envelhecimento .
Este processo inicia-se logo a partir dos 30 anos devido à perda gradual de massa muscular (sarcopenia) e à diminuição da velocidade de condução dos sinais nervosos. O Unipedal Stance Test (UPST) estabelece os tempos normativos (de olhos abertos) esperados para um organismo saudável ao longo da vida, servindo como uma métrica de avaliação da idade biológica:
  • 30 a 49 anos: ~60 segundos
  • 50 a 59 anos: ~45 segundos
  • 60 a 69 anos: ~40 segundos
  • 70 a 79 anos: ~26 segundos
  • Mais de 80 anos: ~10 segundos
Quando um adulto jovem ou de meia-idade falha significativamente estes tempos, o seu corpo está a emitir um sinal de alerta de envelhecimento prematuro.

Isolando o Sistema Neurológico: A Variante de Olhos Fechados
Na prática clínica, os médicos utilizam uma variação avançada deste exame para avaliar a integridade do sistema nervoso de forma pura, eliminando a compensação visual: o Teste de Apoio Unípede com Olhos Fechados.
Ao fechar os olhos, o cérebro deixa de poder utilizar a visão para corrigir a postura. Isto obriga o sistema nervoso central a depender exclusivamente de dois sistemas internos: o sistema vestibular (localizado no ouvido interno) e a proprioceção (os recetores nervosos em músculos e tendões que mapeiam a posição do corpo no espaço).
Por ser um teste de stress neurológico, as médias populacionais normativas de olhos fechados são substancialmente inferiores e revelam falhas de conectividade precoces:
  • 30 a 39 anos: ~26 segundos
  • 40 a 49 anos: ~13 segundos
  • 50 a 59 anos: ~8 segundos
  • 60 a 69 anos: ~4 segundos
  • Mais de 70 anos: ~2 segundos

Mecanismos Biológicos: Por que Razão o Equilíbrio Prevê Doenças Ocultas?
Por requerer uma integração complexa entre o cérebro e a periferia do corpo, a incapacidade de manter a estabilidade unípede (pelo tempo esperado para a idade) serve como um indicador precoce de patologias assintomáticas:
  1. Lesões Cerebrovasculares Subclínicas: Um estudo publicado na revista Stroke da American Heart Association demonstrou que a incapacidade de manter o equilíbrio unípede por mais de 20 segundos (de olhos abertos) está fortemente associada à presença de doença de pequenos vasos cerebrais, micro-hemorragias cerebrais silenciosas e enfartes lacunares assintomáticos, funcionando como um aviso prévio em adultos aparentemente saudáveis.
  2. Declínio Cognitivo Prematuro: Uma redução drástica ou acelerada no tempo de suporte unípede ano após ano serve como um sinal precoce de atrofia cerebral e perda de integridade das vias neurais, antecedendo frequentemente a perda de memória detetável.
  3. Danos Metabólicos e Neuropatia: A dificuldade extrema no teste, especialmente de olhos fechados, indica frequentemente que os recetores periféricos das plantas dos pés estão a perder sensibilidade. Este é um reflexo comum de condições metabólicas crónicas e silenciosas, como a diabetes tipo 2 em fase inicial ou não controlada.

O Impacto na Longevidade a Longo Prazo
Em termos de mortalidade tardia, o estudo clínico longitudinal publicado no British Journal of Sports Medicine determinou que indivíduos de meia-idade e idosos que não conseguem sustentar a posição por apenas 10 segundos (de olhos abertos) apresentam um risco 84% maior de mortalidade por qualquer causa na década seguinte
O equilíbrio não é uma capacidade estática; reflete o nível de atividade física acumulada, a força do core e a eficiência neurológica. Monitorizar e treinar esta competência desde jovem através de exercícios simples do dia a dia é uma das estratégias mais eficazes para preservar a integridade do sistema nervoso e garantir a longevidade funcional.
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Nota

Para fazer o teste em casa, há que ter em atenção o seguinte:

Se quiser testar o seu equilíbrio de forma realista e comparável com os estudos científicos, ignore a imagem do vídeo abaixo (que se destina a mostrar como exercitar o equilíbrio), e siga estas regras:
  • Faça o teste descalço.
  • Cruze os braços no peito.
  • Suba um pé sem deixar que ele toque na outra perna.
  • Acione o cronómetro (e feche os olhos, se for essa a variante que quer testar)
O que INVALIDA o teste (O cronómetro para se):
  • Rodar ou arrastar o pé de apoio: O pé que está assente no chão tem de ficar totalmente fixo. Se o calcanhar ou a planta do pé rodarem, deslizarem ou derem pequenos saltos (saltitar para não cair), o teste termina ali. 
  • Girar ou inclinar muito o tronco: Inclinar o corpo excessivamente para o lado oposto, rodar as ancas ou fazer uma torção acentuada da coluna para contra-atacar o desequilíbrio é considerado uma falha de controlo postural. 
  • Descruzar os braços: Se a pessoa rodar o tronco e, nesse processo, afastar os braços do peito ou das ancas para se agarrar ao ar, o tempo é interrompido. 
O que é PERMITIDO (O cronómetro continua a contar):
  • Micro-oscilações: Pequenos tremores involuntários nos tendões do pé e do tornozelo são aceitáveis. É o sistema somatossensorial a trabalhar em tempo real para manter o eixo.
  • Movimentos da perna elevada: Desde que a perna que está no ar não toque na outra perna, no chão ou em objetos, ela pode mexer-se ligeiramente para ajudar na compensação.
Para garantir a máxima precisão ao realizar o teste em ambiente clínico ou doméstico, o avaliado deve focar-se em manter-se o mais imóvel e "alinhado" possível, funcionando como uma coluna única
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Minuto da Clínica Mayo

O que é que estar de pé sobre uma perna só pode dizer sobre a qualidade do envelhecimento de uma pessoa?

Medir a qualidade do envelhecimento de uma pessoa pode ser tão simples como equilibrar-se numa só perna. Pode não ser fácil para todos manter o equilíbrio numa só perna, mas, de acordo com um inquérito da Mayo Clinic, este pode ser um indicador fiável do envelhecimento neuromuscular tanto para homens como para mulheres.
Neste vídeo da Mayo Clinic, o Dr. Kenton Kaufman, professor de investigação musculoesquelética W. Hall Wendel Jr. e responsável pelo estudo, explica as conclusões e porque é que nunca é tarde para melhorar o equilíbrio.

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Portanto, vamos lá todos a treinar, a exercitar. E, caso pretendam atingir a vida eterna, é treinar até conseguir chegar até onde esta bailarina chegou. Mas, e aqui fica um conselho amigo, não o façam em cima dos ombros do vosso marido ou namorado ou companheiro pois ele pode ir-se abaixo nas canetas. 

Ballet nos Ombros: O Impressionante Pas de Deux do Ballet Acrobático Chinês que Encantou Monte Carlo

Um deslumbrante pas de deux acrobático da Trupe Acrobática de Cantão/Cantão, apresentado no estilo frequentemente descrito como "ballet sobre ombros". A performance combina a elegância do ballet clássico com a extraordinária técnica acrobática chinesa, apresentando delicados movimentos de ponta, elevações, equilíbrios e controlo preciso das mãos.

Esta célebre peça está intimamente ligada aos artistas Wu Zhengdan e Wei Baohua, cujo pas de deux de ballet acrobático ganhou o prémio Clown d'Or no Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo em 2002. A sua aclamada técnica de "ballet sobre ombros" tornou-se posteriormente uma inspiração fundamental para o ballet acrobático completo O Lago dos Cisnes, coreografado por Zhao Ming e protagonizado por Wu Zhengdan e Wei Baohua.

Um belo exemplo de como a dança e a acrobacia se podem fundir numa performance poética. 

Desejo-vos um belo dia de domingo

segunda-feira, maio 25, 2026

Os fenómenos bizarros que a medicina se esforça por explicar -- o poderoso testemunho de um neurocirurgião que recebeu a sentença de apenas mais 6 a 8 meses de vida

 

Desde sempre ouvi dizer que é preciso lutar ou que, se a cabeça quer, o corpo obedece, ou que é preciso ter calma. Mas, leiga que sou, sei lá se há fundamentação científica paa o que mais parecem lugares comuns.

O vídeo que abaixo partilho impressionou-me bastante, pela honestidade e pela vulnerabilidade do testemunho. Talvez também pela humildade. A vida é frágil. E essa é a nossa condição.

Qualquer um de nós estremece perante a possibilidade de uma doença, em especial se vier com veredicto associado, e o veredicto for assustador. Mas, creio eu, para um médico ainda talvez seja pior. Lembro-me de uma grande amiga que, quando jovem, com duas crianças muito pequenas, se viu perante um problema gigante. O marido, médico, hiperactivo, divertidíssimo, sempre cheio de ideias e de genica, um dia, do nada, caiu para o lado. Um aneurisma. Não morreu logo mas ficou sem se mexer, e foi uma coisa mesmo dramática, impensável. E muito triste. Ainda viveu algum tempo, tempos muito difíceis. A minha amiga dizia: Não vale a pena tentarmos animá-lo porque ele sabe o que tem, sabe o que o espera. Fecha os olhos, não quer ouvir, não quer que tentemos consolá-lo. Ele sabe que não vai viver muito mais.

Um neurocientista que tem um cancro raro e agressivo e uma curta expectativa de vida sofre como qualquer pessoa, ou talvez mais porque tem a objectividade da ciência a formatar-lhe as ideias. Mas David Linden diz que a sua atitude sempre foi a de um nerd, a de querer perceber tudo, querer entender a biologia daquelas células que, dentro dele, cresciam descontroladamente. 

Primeiro veio a revolta, depois a gratidão pelo que já tinha vivido e pelo apoio que sentia. Mas, sempre, a vontade de estudar, de compreender.

E uma coisa de que ele fala é como, de facto, cientificamente provado, a mente pode influenciar a sobrevida, e a qualidade da sobrevida. Não morreu ao fim dos seis a oito meses. Já passaram cerca de cinco anos e, pelo que diz e pelo que parece, está bem, o cancro ainda está lá, mas aparentemente controlado. E atribui sobretudo ao amor da mulher por ele e ao apoio dos filhos e dos amigos o prolongamento da sua vida.

Mas não o diz como homem de fé. Não tem fé, diz. Fala numa perspectiva científica. Estudos humanos e ensaios em animais demonstram como o exercício, a tranquilidade, um bom enquadramento social, haver uma rede de afecto, influenciam a sobrevida dos doentes cardiológicos ou com cancro.

Ainda estão a estudar quais as reacções biológicas que se operam para que tal aconteça. E dessa compreensão estão a nascer novos tratamentos que complementam os existentes.

O vídeo é longo e, por vezes, a terminologia é técnica. Mas é muito interessante. Não é só o lado humano, é também a esperança que estes novos caminhos da mente --- a mente como um centro não apenas reactivo mas de elaboração de previsões e de activação de recursos para lidar com essas previsões -- traz a quem enfrenta situações de susto e sofrimento.

[Relembro que dá para activar as legendas automáticas em português (do Brasil ou de Portugal)]

Os fenómenos bizarros que a medicina se esforça por explicar | David Linden: Entrevista completa

O neurocientista David Linden esclarece a biologia por detrás de fenómenos que a medicina há muito luta por explicar, desde as mortes associadas ao vudu e a síndrome do coração partido até ao efeito placebo, e porque é que o luto aparece nos resultados das autópsias. 


Desejo-vos uma boa semana
Saúde. Paz. Alegria.

sexta-feira, abril 17, 2026

Robert F. Kennedy Jr., apenas mais um maluco na Casa Branca

 

Não há um que se aproveite. Um grupo de engraxadores, vira-casacas, descerebrados, invertebrados, oportunistas, a lamber o rabo ao mais maluco de todos, o narcisista maligno que está demente.

Mas hoje vou falar do inacreditável Robert F. Kennedy Jr., conhecido como RFK Jr., que Trump colocou na Saúde. Na Saúde!

Por facilidade, pedi ao Gemini que me fizesse uma resenha do que tem sido a vida e a obra deste peculiar personagem. Aqui vai um excerto do que me facultou.

É uma das figuras mais polarizadoras da política americana contemporânea. Membro de uma das linhagens políticas mais prestigiadas do mundo — filho do antigo Procurador-Geral Bobby Kennedy e sobrinho do Presidente John F. Kennedy — a sua trajetória é marcada por um contraste profundo entre o ativismo ambiental de elite e uma vida pessoal repleta de episódios bizarros e teorias controversas.

RFK Jr. formou-se em Direito e destacou-se durante décadas como um advogado ambientalista de sucesso, lutando contra a poluição de grandes corporações no Rio Hudson. No entanto, o seu passado tem lados sombrios:

    • Consumo de Drogas: Durante cerca de 14 anos, Kennedy lutou contra a toxicodependência, particularmente o vício em heroína, que começou após a morte traumática do seu pai e do seu tio.
    • O Episódio da Sanita: Na sua biografia e em entrevistas, RFK Jr. admitiu comportamentos de risco extremo durante os anos 70 e 80. Ele confirmou que o seu vício era tão severo que chegava a consumir cocaína diretamente do tampo de sanitas em casas de banho públicas, ilustrando o quão fundo tinha chegado antes de recuperar a sobriedade em 1983.

A vida de RFK Jr. parece, por vezes, saída de um argumento surrealista. Alguns dos detalhes mais estranhos que ele próprio confirmou incluem:

    • O Verme no Cérebro: Em 2010, Kennedy sofreu de perdas de memória e "névoa mental". Os médicos inicialmente pensaram tratar-se de um tumor, mas ele revelou mais tarde que um médico concluiu que o problema era causado por um parasita (um verme) que entrou no seu cérebro, comeu uma parte dele e morreu lá dentro.
    • O Pénis do Guaxinim: Numa história que se tornou viral, RFK Jr. descreveu como, na juventude, recolhia animais mortos na estrada para os estudar. Numa ocasião específica, ele admitiu ter cortado o osso do pénis de um guaxinim morto para o guardar, um detalhe que ele conta como prova da sua curiosidade científica excêntrica, mas que muitos vêem como uma bizarrice perturbadora.
    • O Urso no Central Park: Recentemente, confessou também ter deixado a carcaça de um urso bebé (que encontrou morto na estrada) no Central Park, em Nova Iorque, encenando um acidente de bicicleta como se fosse uma partida.
A vida pessoal de Robert F. Kennedy Jr. é frequentemente descrita como um labirinto de tragédias e escândalos que rivalizam com as suas polémicas políticas. O seu historial matrimonial e a sua vida íntima têm sido alvo de grande escrutínio, especialmente devido à revelação de diários privados e relatos de comportamentos compulsivos.


O segundo casamento de RFK Jr., com Mary Richardson Kennedy, é o capítulo mais sombrio da sua vida pessoal. Casaram-se em 1994 e tiveram quatro filhos, mas a relação foi marcada por infidelidade e instabilidade.
    • O Divórcio e a Tragédia: Kennedy pediu o divórcio em 2010. Mary, que lutava contra a depressão e o alcoolismo, viu a sua saúde mental deteriorar-se severamente durante o processo litigioso. Em 2012, Mary suicidou-se por enforcamento no celeiro da sua propriedade em Bedford.
    • A "Batalha" Pós-Morte: Após o suicídio, gerou-se uma disputa legal amarga entre RFK Jr. e a família de Mary (os Richardson) sobre o local onde ela deveria ser enterrada, com a família dela a acusá-lo de ter contribuído para o seu desespero emocional.
Em 2013, o jornal New York Post teve acesso a um diário privado de RFK Jr. de 2001, que revelou detalhes íntimos sobre a sua vida paralela enquanto ainda era casado com Mary.
    • O Registo das Conquistas: No diário, Kennedy mantinha uma lista de mulheres com quem tinha tido encontros sexuais. Ele usava um sistema de códigos para classificar os encontros, atribuindo notas de 1 a 10 a cada mulher. Só num ano, o diário listava dezenas de mulheres.
    • Compulsão e Culpa: Nos escritos, ele referia-se à sua luxúria como o seu "defeito de caráter mais profundo" e descrevia a sua luta constante para resistir ao que chamava de "luxúria" ou "atividades sexuais", descrevendo-se quase como um dependente. Ele frequentemente escrevia sobre a culpa que sentia por trair a esposa e por não conseguir controlar os seus impulsos.
    • Casos Extraconjugais: Ao longo dos anos, o seu nome foi associado a várias figuras públicas e celebridades. Relatos sugerem que a sua compulsão sexual era conhecida nos círculos sociais de Nova Iorque, sendo descrita por conhecidos como uma faceta da sua "personalidade aditiva" (transferida das drogas para o sexo).
RFK Jr. tornou-se o rosto do movimento céptico em relação às vacinas a nível mundial. Através da sua organização, Children’s Health Defense, ele tem propagado diversas teorias sem base científica:

    • Autismo: Ele é um dos principais promotores da teoria (já amplamente refutada pela ciência moderna) de que as vacinas infantis causam autismo, devido à presença de timerosal (um conservante).
    • COVID-19: Durante a pandemia, afirmou que as vacinas de mRNA eram perigosas e comparou as medidas de confinamento ao regime nazi, o que lhe valeu críticas severas de membros da sua própria família.

Apesar de ter sido um democrata durante toda a vida, RFK Jr. suspendeu a sua candidatura independente à presidência em 2024 para apoiar Donald Trump. Em troca, Trump prometeu dar-lhe um papel influente na administração, especificamente na área da saúde.

O seu lema, "Make America Healthy Again" (MAHA), foca-se na crítica aos alimentos processados e aos químicos na agricultura. Contudo, a sua nomeação para cargos de saúde pública (como o CDC ou a FDA) causa pânico na comunidade científica, que teme que ele utilize o poder governamental para desmantelar programas de vacinação e minar a confiança nas instituições de saúde baseadas em evidências.

Resumo da Contradição: RFK Jr. é visto pelos seus seguidores como um herói que desafia a "Big Pharma" e a corrupção alimentar, enquanto os seus críticos o vêem como um propagador perigoso de desinformação cujas histórias pessoais bizarras são apenas a ponta do iceberg de um julgamento errático.

Mas nada como assistir à suculenta conversa entre Joanna Coles e Isabel Vincent. Um espanto tudo isto.

Segredos bizarros do capanga mais desvairado de Trump: Autor | Podcast do The Daily Beast

Isabel Vincent junta-se a Joanna Coles para analisar o seu novo livro sobre Robert F. Kennedy Jr., um retrato construído a partir dos seus próprios diários secretos, que foram obtidos pela sua falecida esposa, Mary Richardson Kennedy, durante o seu divórcio brutal.

O que emerge é um homem em conflito consigo próprio: movido pelo legado, consumido pela culpa e impulsionado por desejos — de poder, de mulheres, de redenção — que parece não conseguir controlar. 
Vincent traça o percurso desde um herdeiro Kennedy devastado pela dor até um ativista anti-vacinas e uma improvável força política, revelando os traumas familiares, a dependência e a ambição incessante que o moldaram.

Ao longo do caminho, analisam também o mito e os mecanismos da dinastia Kennedy e a inquietante questão no seu centro: como é que um homem que outrora escreveu sobre humildade, serviço e Deus se encontra agora a exercer influência sobre a saúde de milhões?

Para quem queira direitinho a algum ponto em particular, aqui está a indicação por tempos: 

00:00 - As Confissões Mais Negras de RFK Jr.
03:50 - Por Dentro dos Diários Secretos
07h40 - A Ética de Publicar a Sua Vida Privada
11:30 - Assombrado pelo Legado do Seu Pai
15h20 - Por Dentro do Caos da Família Kennedy
19:10 - Porque Se Candidatou à Presidência
23h00 - COVID, Vacinas e a Sua Ascensão Política
26h50 - Reação Negativa da Família e Lutas Públicas
30h40 - Vício, Casos Extraconjugais e Compulsão
34:30 - O Colapso do Seu Casamento
38h20 - A Morte de Mary Kennedy e as suas Consequências
42:10 - A Investigação Misteriosa
46:00 - Poder, Fama e Contradições Pessoais
49:50 - Pode Ele Escapar à Sua Própria História?
53h20 - Reflexões Finais Sobre o Futuro de RFK Jr.

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Desejo-vos uma bela sexta-feira