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segunda-feira, setembro 30, 2019

Cristina Ferreira foi aos Globos de Ouro vestida de Anjo da Victoria Secret?
Ou de Nossa Senhora (ou de Irmã Lúcia, nem sei)?
Ou de bailarina de Can-Can?
Ou simplesmente na SIC já perderam a noção do ridículo?
Pergunto.


Porque a semana não me chegou e porque esta que entra também se afigura do caneco, para este fim de semana trouxe trabalho de casa -- trabalho chato e com alguma responsabilidade e, ainda por cima, parte escrita em inglês o que complica um pouco a faena já que, a uma hora destas, sem pachorra, quero fazê-lo com um olho no burro e outro no eleitor-alvo do CDS -- e isso, em cima de dias muito dedicados à família, deixaram-me sem grande disponibilidade para as minhas coisinhas ou para o fait divers. Ou seja, por exemplo, não tenho conseguido responder a comentários ou mails pessoais nem, a seguir, cirandar pelo mainstream.

Por isso, há bocado, enquanto trabalhava e o meu marido, mais a dormir do que acordado, via futebol e respectivos resumos e comentários, resolvi surripiar-lhe o comando e fazer zapping. E passei por uma coisa extraordinária. Eram os Globos de Ouro. Não sabia que era dia disso pelo que aquele aparato começou por me parecer uma Gala de algum programa qualquer que não estava a identificar. Mas logo percebi.

Apresentava o espectáculo a Cristina Ferreira vestida de uma forma inenarrável. Estava de asas pregadas a um vestidinho de tipo baby-doll, toda ela lingerie em desfile de Victoria Secret. O meu marido acordou com os gritos dela e quase se assustou com o que viu. Depois de se restabelecer, resmungou: 'Esta gaja não aprende'. Depois percebeu que estava diminuído (sem o comando na mão, ele não é ele) e pediu: 'Dá cá o comando'. Dei-lhe e ele voltou a fazer zapping. Passado um bocado, à sorrelfa, repeti a cena. Lá estava ela, outra vez mascarada, com plumas, folhos, tules, disparatada até à raiz dos cabelos. Ele voltou a acordar e quase não conseguiu protestar: 'Lá estás tu. Para que é que queres ver esta gaja?'. Levantou-se, então, e disse que ia dormir.

Voltei ao meu trabalho, esperando que fossem horas de dar o Desassossego da Maria João Seixas mas estava a dar atletismo pelo que, passado um bocado, coloquei outra vez nos Globos de Ouro. Apareceu ela, então, agora a receber também um prémio. E já estava mascarada de outra coisa, desta vez com as raízes dos cabelos espetadas para fora, e de tal modo era que chamei imediatamente o meu marido para vir ver. Quis saber o que era mas não lhe disse porque se lhe dissesse que era para ver a Cristina Ferreira era o vinhas. Disse-lhe só que era uma coisa do além. Ele chegou à sala, viu-a, e, perante o óbvio too much, agora em versão santinha a caminho do altar, fez um esgar quase de dó e disse: 'Eh pá...' e desandou. E já não viu o pior: é que, quando ela acabou um discurso (de tal forma auto-convencido que parecia estar a ajustar contas com alguém que lhe quisesse tirar o lugar) e virou costas, pareceu-me ver no manto os contornos ou da Nossa Senhora ou da Irmã Lúcia. E, nessa altura, fiquei naquele estado que se designa por estupor catatónico. Mas que raio de maluquice era aquela? É o que eu digo, parece que já vale tudo. 

Voltei a fazer zapping, tentando ver se o Desassossego já tinha começado mas, enquanto não, fui ver se conseguia descobrir que desconcertante desenho era aquele no vestido dela. Mas já ela se tinha trocado de novo. Estava outra vez em espampanante toilette, desta vez misto de Victoria Secret e de bailarina de Moulin Rouge, um excesso de plumas cor de rosa. Nela, talvez pelo exagero, talvez pelo tom de voz, talvez pelo conjunto, tudo fica com toque a novo rico em versão mais do que kitsch. Vinha agarrada ao Balsemão que, não sei se atarantado com tanto pink, tanto guincho e tanta luz, parece que vinha almareado -- e isto para não dizer que vinha disfarçado de múmia andante.

Fiz zapping, claro, e felizmente já a Maria João Seixas tinha começado. Desta vez convidou, de novo, o José Pedro Serra (digo de novo porque já o tinha convidado para o Afinidades). Um bálsamo. Até parei de trabalhar para melhor os ouvir.

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Para terminar num registo de tranquilidade, Joana Gama, a quem estou a ouvir neste momento, igualmente na RTP 2. Outro bálsamo.


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E a si que está aí desse lado desejo uma boa semana, a começar já nesta segunda-feira: 
saúde, alegria, sorte e o mais que queira de bom para si e para os seus.

domingo, maio 25, 2014

Os Globos de Ouro 2014 vistos por José Pedro Vasconcelos para o 5 para a Meia-Noite: 'São sempre os mesmos!'. Lili Caneças e o beijo na boca, Lady Betty, o auto-broche e José Castelo Branco, Balsemão que mais parece a múmia de Carnaxide, Júlia Pinheiro cheia de saudades e mais uma data de cromos de quem não sei o nome.


No post abaixo mostro-vos uma forma possível de responder a piropos na rua. Uma mulher vai a passar e ouve um beijinho repenicado? E a seguir mais outro...? Ok. No fim deste, desça, por favor, até ao post seguinte. Martina Hill mostra como é.

Aqui, agora, a conversa é outra.


As eternas manas catatuas
José Castelo Branco, essa grande bicha,
 toda ela folhos,
e a Senhor Dona Lady, Betty Grafstein de seu nome,
com o big auto-broche ao peito


Não vi os Globos de Ouro. De vez em quando o zapping passou por lá, mas não deu para lá ficar: não apenas não conheço praticamente ninguém das pessoas de quem se lá fala como há ali um arremedo de Oscares que me parece uma coisa excessivamente de trazer por casa, uma imitação demasiado literal.

O que é que trazes vestido? E as jóias são de quem?, eram as perguntas recorrentes dos entrevistadores de serviço. 

Agora que falo nisto, reparo que os bocados que intermitentemente vi, aconteceram durante a entrada para o espectáculo em si (o espectáculo não vi de todo). Mas na entrada, tal como nos programas da televisão generalista que passam o tempo todo a anunciar um número de telefone para o qual as pessoas devem telefonar se querem habilitar-se a ganhar uns milhares de euros - parecendo que os bimbas que por ali desfilam a cantarolar e a bambolear-se são mero adorno para encher os espaços entre os apelos aos telefonemas - também aqui dá ideia que tudo aquilo dos Globos de Ouro é pretexto para as pessoas irem fazer propaganda a costureiros ou joalheiros.



Se calhar sou a única pessoa à superfície da terra
que não sabe quem é esta vaporosa senhora
Mas isto que abaixo vos mostro em vídeo é outra visão desse desfilar de vaidades na passadeira vermelha dos Globos de Ouro, ali às Portas de Santo Antão. O foco não são os vestidos, os sapatos. O foco é a graça da coisa.

Numa reportagem para o 5 Para a meia Noite, José Pedro Vasconcelos, esse ganda maluco, esse mestre do improviso que tem carradas de piada, entrevista o jet set que por ali vai desfilando, e populares, e distribui piropos e alfinetadas e até dá um beijo na boca a Lili Caneças. Um beijo que o deixa cheio de tremores. 

Oceana Basílio
como se estivesse a fazer
prova de marcha com uma
indumentária pouco apropriada


Há momentos deliciosos e o final não podia ser melhor: uma série de carros da polícia para levar de cana alguns dos convidados.





[A propósito de jet sets que influenciam e derrubam governos, que se armam em moralistas e defendem a necessidade de flexibilizar ainda mais a legislação laboral ou de reduzir os custos do trabalho e que, às tantas, fogem ao fisco, fazem contabilidade criativa, alojam as sedes em paraísos fiscais, dão golpes de mestre, e que causam a ruína de bancos e de países, estou com vontade de falar dessa grande barraquinha que está aí armada: as dívidas de milhares de milhões não declaradas nas contas do Grupo Espírito Santo, grupo esse onde pontua esse grande exemplo nacional que dá pelo nome de Ricardo Salgado. Mas não vai ser hoje porque estou cheia de sono]





E agora convido-vos a ver os vídeos

Globos de Ouro 2014: os vestidos, os costureiros, os sapateiros, os seios, os anéis, em suma, o déjà-vu 

(tudo José Pedro Vasconcelos transforma em piada).







***   ***


Não estranhem eu não ter reportagens de rua mostrando como as ruas estavam invadidas por espanhóis. Explico. De manhã, ao fazermos a nossa caminhada matinal, constatámos a invasão. Espanhóis sobretudo, claro, mas também muitos alemães (os que tinham planeado vir para o Bayern). Mas não ia preparada para fotografar.

À tarde estivemos com os meus pais, os pimentinhas a darem uma volta na casa e no jardim dos bisavós. Reparem no rabinho cinzento da minha menina. Disse que queria levar uma roupa especial e escolheu as calças às quais a outra avó tinha cosido um rabinho de feltro cinzento para ir fazer de ratinho numa festa na escola. 

Os primos acharam a coisa mais natural do mundo vê-la com rabo de ratinho e ela fica toda vaidosa por repararem nela. É uma coquette.

Por onde passam, mexem em tudo. A minha mãe já lá tem copos de plascistinas (como ela diz) para ver se se entretêm com isso e não mexem noutras coisas. Mas, sabe-se lá como, aparecem sempre com outras coisas na mão. Por exemplo, a lupa da escrivaninha saíu à cena e partiram logo o aro que rodeia a lente. 

O bebé está um rapazinho brincalhão, falador e espertalhão, mas, tal como a mana, é meigo que só visto. Aliás, é ainda mais. Dá xi-corações que são um consolo. Pedimos: vem cá fazer um miminho ou dá-me um abracinho e ele vem logo, bracinhos abertos, encostando a carinha à nossa. Uma ternura imensa.

O mais crescido já lê com uma facilidade que deixa a bisavó enlevada, logo ela que foi professora primária (e diz, faria se alguém o ensinasse...). fala com um vocabulário riquíssimo, com uma infindável capacidade de argumentação. Vai ser advogado, diz a bisavó. Tem dois tios que o são e um primo em segundo grau a caminho de o ser - às tantas é genético. Mas sabe-se lá. É tão pequeno ainda.

O ex-bebé é um querido e um desembaraçado. E é tão alto que já nem faz muito sentido tratá-lo por ex-bebé. Comilão, bem disposto, uma força da natureza. E gosta de se exibir, especialmente se há público feminino para assistir aos seus feitos.


Depois tivemos que vir de lá antes deles quererem, que estavam de gosto, porque o avô queria estar a postos em frente à televisão meia hora antes do jogo começar e deu ordem de partida à família toda muito antes do que seria razoável. Mas, com medo que houvesse trânsito ou por precaução, ala que se faz tarde. E depois já não saímos. Por isso, futebol e festejos de rua, só vi pela televisão.

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Relembro: para ver cuma possível reacção a um beijinho atirado na rua, desçam por favor até à Martina no post abaixo.

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Por agora, fico-me por aqui.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo e, por favor, vão votar.
Não se abstenham. Não votem em branco. Votem. Por favor.