Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca
Mostrar mensagens com a etiqueta Bancos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bancos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, junho 25, 2019

As inteligentes perguntas do PSD a Sócrates.
As úteis e inteligentes Comissões Parlamentares de Inquérito


Ouvi na televisão que os deputados da Comissão de Inquérito à CGD querem lá o Sócrates e, não querendo ele oferecer-lhes o pratinho e optando por responder por escrito, vão enviar (ou já enviaram) perguntas.

Uma coisa meio maluca. Tudo isto é maluco, desprovido de senso. Ao fim de não sei quantos anos, os deputados resolvem acordar para a vida e, virgens de primeira viagem, ficam numa excitação, coisa adolescente, pueril, parvoíce de juventude retardada e bobinha.

Nos tempos áureos da alavancagem financeira, em que as universidades (e polvilhem tudo de um bom catolicismo) ensinavam que bom, mas bom mesmo, era as empresas endividarem-se, endividarem-se até ao tutano, com ou sem garantias palpáveis, em que a publicidade invadia todos os espaços com empréstimos para toda a gente, empréstimos a perder de vista, até para quem não tinha dinheiro nem para mandar cantar um cego  -- nessas alturas, os senhores deputados não viram nada, não juntaram dois e dois. Olhinhos wide closed, como é seu costume. Nem o fizeram os comentadores económico/financeiros que sabem tudo mas só depois de toda a gente o saber. Nessa altura, os senhores deputados haveriam de andar entretidos com outras questões póstumas porque só reagem muitos anos depois, quando do morto já nada resta, só memórias esfumadas.

Nesta altura há questões presentes, profundas, que se não agarradas a tempo impactarão intensamente os tempos futuros mas que é lá isso...? Não são temas mediáticos, não são a espuma dos dias. E os senhores deputados só se interessam pelo que já lá vai. 

Agora que os bancos até já estão razoavaelmente sanados, em que os tempos dos créditos à tripa-forra já lá vão e em que os bancos até se uniram para tentaram, pelas vias normais, ressarcir-se dos buracos causados pelos grandes caloteiros do regime, é que os deputados acordaram e querem saber, ao pormenor, quem é que fez ou desfez nos idos de já nem sei quando. 

Não digo que não haja coisas a saber agora. Há. Por exemplo, seria interessante como foi possível dissolver um grande banco da forma como foi, com ministros de férias e a assinarem de cruz. Ou como foi aquela divisão entre o bom e o mau, em que o bom ficou cheio de coisas más que parece que não cabam e que, agora que o banco foi vendido nem sei bem a quem, é preciso continuar a meter lá dinheiro. Isso seria interessante saber. E não foi assim há tanto tempo. Agora é que seria de questionar a Marilú e o Láparo, ou até a Cristas, amiga, assina lá, enquanto a memória deles ainda estiver fresca. Ou a nulidade do Carlos Costa, esse que passou por todo o lado em que houve buraco sem nunca se ter dado conta de nada e indo acabar no Banco de Portugal onde elevou a sonsice até a um nível de manhosice insuportável.

Mas não. Os senhores deputados armam-se em investigadores, em juízes fora de água e, para ali estão, horas a fio, entretidos com um exercício de auto-exibicionismo e onde também oferecem palco a exibicionistas falhados, a gente que já não se lembra de nada (* e já vos explico porque é que acredito que não se lembrem mesmo), um exercício que volta e meia é de pura prepotência, maldade gratuita e humilhação dos inquiridos, um exercício que dá canal, que garante partilhas nas redes sociais, que alimenta a indústria do comentário político, que alimenta a rábula, a graça fácil -- e que, em termos práticos, não passa disso.

E tudo isto culmina na parvoíce mais completa ao quererem que Sócrates, que deixou de ser primeiro-ministro há oito anos e que, desde então, tem sido escrutinado, virado do avesso, inquirido, inspeccionado, trespassado por raios x e ressonâncias magnéticas, scanneado, espiolhado, bisbilhotado, trespassado, passado a ferro, posto atrás de grades, vigiado à distância e à lupa, agora responda a puerilidades como esta:
Sr. Eng. recebeu quantias monetárias ou outros bens por parte do Grupo BES, Grupo Lena ou Vale do Lobo?
Agora, meus Caros, digam-me: isto não é de gargalhada? Estarão à espera de que resposta? 

Olhem, só me ocorre isto: LOL 😂😂😂😂😂 (a ponto de ir às lágrimas)


----------------------------------------------------------

* Por razões que agora não vêm ao caso, não devo conseguir escapar de ser testemunha de um caso que se passou há uns quatro anos. Quando chegou a notificação, chutei para canto. Quando me perguntaram o que sabia eu do caso, a minha primeira reacção foi que pouco ou nada sabia, que tinha acompanhado a coisa já no rescaldo. Foram-me fazendo perguntas e eu fui puxando pela cabeça e, aos poucos, fui-me lembrando de alguns episódios. No outro dia, numa reunião com advogados, tentaram que me lembrasse de mais coisas. Às tantas eu disse que só tinha tido algum envolvimento já o caso estava consumado, para aí a partir do verão de há uns três anos. Uma das advogadas olhou-me como se não acreditasse, dizendo-me que não lhe parecia provável que no prazo de um ano não tivesse havido nada e que eu não soubesse de nada. Um hiato de um ano? Fiquei a pensar que, de facto, era estranho. Mas não me ocorreu nada em que eu tivesse participado nesse período. Fiquei de procurar mails antigos. Pois bem. Resmas, paletes. Tive conhecimento, participei durante o dito ano em que juraria ser-me totalmente alheio. Estive a reler os mails e fiquei perplexa. Não me lembrava de nada de nada de tudo aquilo. Ao reler, claro que as memórias se foram reconstruindo mas, antes, juro: zero. Como explicar isto? Penso que é simples. Para mim, aquilo era marginal. Sendo caso grave, muito grave mesmo, para os lesados e para os directamente envolvidos, para mim aquilo era coisa em que participava sobretudo como expectadora. E, de lá para cá, todos os dias acontecem coisas. Quantas outras crises, quantos outros problemas? Mal de nós se mantivéssemos vivos todos os registos de tudo o que fazemos em todos os dias da nossa vida. Acho que até tenho boa memória e, no entanto, apesar de todo o meu envolvimento naquele caso durante um ano, só me recordava, e sem grande pormenor, do que se passou de há três anos para cá e apenas porque passei a ter intervenção na primeira pessoa. Portanto, acredito e mais do que acredito que aquela gente que vai à Comissão e que não se lembra do que se passou há oito ou dez anos, em reuniões iguais às que se têm todos os dias de todos os meses e de todos os anos, está a falar verdade.

---------------------------------------------------------------------------

As duas últimas imagens provêm do mui saudoso We have kaos in the garden

---------------------------------------------------------------------------


segunda-feira, junho 24, 2019

Libra, a moeda que o império Facebook está prestes a cunhar


Vou vendo notícias aqui e ali mas, para minha admiração, não de primeira página, não de forma urgente, não como tomadas de posição firmes, concertadas, consequentes e ao mais alto nível. E, no entanto, não preciso de invocar a minha intuição para prever o perigo que se está a perspectivar.

Estou a referir-me a mais um passo no caminho 'imperialista' do Facebook. E coloquei aspas por prudência, para que pensem que estou a metaforizar e para que não fechem já isto. 

E, contudo, a palavra império deveria surgir às claras, sem aspas. Zuckerberg e as suas empresas, que já são preocupantemente hegemónicas e que controlam a informação pessoal e as emoções de milhões e milhões de pessoas em todo o mundo, portam-se de facto como se de verdadeiros construtores de impérios se tratassem. Acresce que são também uns piratas com todos os riscos que isso comporta. E, pior, são gente que tem mostrado à saciedade que desconhece o que é a ética. Pior ainda: agem à solta, num mundo que ainda não acordou para a necessidade de regular monstros destes.

Number of monthly active Facebook users worldwide as of 1st quarter 2019 (in millions)


O crescimento da utilização mostra bem a dimensão do Estado Facebook 


A estes valores relativos aos 10 países com mais utilizadores de Facebook haverá que juntar os outros milhóes que não usam Facebook mas usam o WhatsApp e o Instagram

Acresce que todo o crescimento destas empresas (Facebook mais o Instagram e mais o WhatsApp, empresas também suas), a sua política de engolir empresas para que o Facebook seja cada vez mais indestrutível ou para as destruir caso não se deixem engolir, deu agora um passo ainda mais preocupante. Vai ter a sua própria moeda. 

Daqui
E arregimentaram uma série de parceiros, tecnológicos e não só, para parecer que isto não é bem aquilo que parece: uma tremenda ameaça.  E eu vou sabendo disto e pasmo: mas quem tem poder para cunhar moeda não são os países? 

Nem que de propósito, acabo de ouvir o Paulo Portas no noticiário da TVI a falar nisto. E a falar bem. Mas um tema que mereceria destaque foi encurtado pela Judite que quis que ele despachasse o assunto. A falta de tino destes jornalistas é assustadora.

Sinceramente não percebo a passividade dos países perante isto. Quando o sistema financeiro estiver às aranhas perante crises que inevitavelmente haverão de surgir e que, forçosamente, serão de grandes dimensões e com efeitos imprevisíveis (por exemplo, entre muitos outros riscos, tem tudo para poder vir a ser um esquema de pirâmide de colossais dimensões), meio mundo virá dissertar sobre o que se deveria ter feito e não fez, dirão que era óbvio que iria acontecer e surgirão reportagens mostrando as evidências dos riscos que estavam a ser forjados à vista de toda a gente, dizendo que só não viu quem não quis ver. A posteriori são sempre muito inteligentes, os comentadores e os jornalistas de eleição, os especialistas em obituários. 

É certo que já o ministro daqui e dali disseram alguma coisa, quiçá até com alguma veemência, que o organismo de supervisão dos bancos centrais se pronunciou, que o co-fundador veio, de novo, alertar para o perigo do Facebook... mas uma coisa destas não se compadece com luvas de pelica, com reacções avulsas, com afirmações esporádicas, timoratas ou inconsequentes.

Parece que não há estadistas com visão que saibam detectar os perigos e saibam como travá-los a tempo. Mas travá-los a sério: pé na porta, espadeirada a preceito, saltos em cima a pés juntos, e, claro, estratégia e táctica inteligentes, estruturadas, concertadas.

E, note-se, isto não é conservadorismo, reacção dos instalados face aos new comers. Nada disso. É a percepção do risco ao ver o poder de uma organização que interage directamente com 2.800.000 de pessoas (dados de Março deste ano) dispersas por praticamente todos os países do mundo, sem regulamentação efectiva, sem controlo efectivo sobre as suas operações (como o demonstram todos os escândalos que volta e meia vêm a lume)



................................................   $$$$$$   ......................................................


Para quem esteja interessado, deixo dois links para artigos no The Guardian:

Libra cryptocurrency: dare you trust Facebook with your money?

John Naughton


The social media giant’s foray into bitcoin territory – with some financial big hitters on board – should prompt suspicion
We’ve known for ages that somewhere in the bowels of Facebook people were beavering away designing a cryptocurrency. Various names were bandied about, including GlobalCoin and Facebook Coin. The latter led some people to conclude that it must be a joke. I mean to say, who would trust Facebook, of Cambridge Analytica fame, with their money?
Now it turns out that the rumours were true. Last week, Facebook unveiled its crypto plans in a white paper. It’s called Libra and it is a cryptocurrency, that is to say, “a digital asset designed to work as a medium of exchange that uses strong cryptography to secure financial transactions, control the creation of additional units and verify the transfer of assets”. (...)
At one level, this looks like the standard reaction of established powers to an unruly disrupter. But before we dismiss it as the predictable huffing and puffing of worthies, it’s worth asking a couple of questions. One: are we comfortable with the idea of a new global currency controlled by a consortium of corporate bosses? After all, central bankers are at least appointed by democratic administrations. But nobody elected Zuckerberg & Co. And two, the biggest question of all: what does Facebook get out of it? At the moment, nobody knows. Stay tuned: this is going to get interesting.
E também:

Facebook's Libra cryptocurrency 'poses risks to global banking'

Phillip Inman and Angela Monaghan


Move could affect competition and data privacy, warns Bank for International Settlements
Facebook’s plan to operate its own digital currency poses risks to the international banking system that should trigger a speedy response from global policymakers, according to the organisation that represents the world’s central banks. (...)

-----------------------------------------------

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Carlos Costa, Mário Nogueira e, para lavarmos a vista (e, em boa verdade, a alma), Bercow e Charlot



Vou falar do Carlos Costa para quê? Assunto tão velho e relho quanto a incompetência dele. Macaco de rabo pelado, pode ser que saiba governar a sua vidinha mas bancos não é coisa que lhe assista. Não vê, não fala, não ouve. Pelos vistos também não cheira. Pode haver esturro por todo o lado que não lhe cheira. Não sei quem é que alguma vez acreditou que o Banco de Portugal, com ele à frente, estava bem entregue. Eu não. Desde que lhe pus os olhos em cima que vi logo que é daqueles cornos mansos: é o último a saber e, mesmo quando sabe, prefere fazer de conta que não sabe para não ter que se chatear.


Por isso, não vou falar do dito faz-de-conta. Um daqueles faz-de-conta que não desgruda. Vai ter que ser corrido a pontapé porque pelo pé dele já se viu que não sai. Podia ser apenas um macaco de rabo pelado, cego, surdo e mudo mas nem isso, é mesmo daqueles emplastros. Há-de estar em decomposição e ainda a arrastar-se para o Banco. Não tenho paciência. 


Volto a dizer: se fizerem a troca do macaco banqueiro pelo artístico homónimo, o Banco fica melhor servido. Há quanto tempo o ando a dizer? Ninguém me dá ouvidos. É uma pena.

Também vou falar do Mário Nogueira para quê? Ouvi esse outro macaco de rabo pelado a gabar-se de ter ajudado a deitar abaixo o Governo de Sócrates. Lembrava ele que é melhor não aborrecerem os professores porque quem se mete com eles dá-se mal. Esqueceu-se de dizer, esse outro emplastro da velha guarda do sindicalismo jurássico, que ajudou a trazer Passos Coelho, Paulo Portas, Relvas, a Marilú e tantas outras sinistras figuras para a ribalta. Esqueceu-se de dizer que, durante o governo do Láparo, o tal que se gabava de ir para além da troika, andou caladinho, bem comportadinho. Não me esqueço disso, ó Mário das Laranjas azedas!


Há classes profissionais que se afastam da estima dos seus concidadãos graças às criaturas que se enfiaram nos sindicatos e de lá não saem. É o caso deste Mário Nogueira, da Cavaca (a chefe dos sindicatos dos enfermeiros) e doutras avestruzes que melhor fariam se fossem aí para o campo enfiar a cabeça na areia.

Mas, juro, para mim, quer o Nogueira quer o Carlos Costa são tão já figuras do passado que já não me apetece falar deles.

Salto, então, para mais uma valente derrota da despassarada da Theresa May que nem sequer estava lá para ouvir a contagem dos votos e assumir mais um abada. O dia do Brexit aproxima-se e aquela gente continua à nora, sem conseguir chegar a um acordo entre eles e/ou com a União Europeia. No meio da mais absoluta desagregação, é, como sempre, Bercow que segura as pontas, que distribui o seu grito de Order! Order!, que manda calar um e falar outro. O vídeo abaixo é mais um momento memorável. Ele, a sua voz e as suas gravatas são de antologia.
Theresa May has once again been humiliated over Brexit after Tory MPs pulled their support for her plans.
The PM’s strategy was left in tatters on Valentine's Day after Brexiteers abstained on her motion, leaving it to be defeated by 303 votes to 258.


E, em mais uma noite de estafa, tendo chegado a casa, outra vez, às quinhentas (e, de novo, incapaz de responder aos comentários nem mesmo para agradecer ao P. Rufino que, romântico como só ele, lembrou belíssimas palavras de Pessoa ou para dizer à JV que aquilo ontem, no fim, assim ao descair, do 'desculpem lá qualquer coisinha' foi mesmo para me armar em passarinha patetinha depois de ter escrito um post nulozinho, coitadinho.)

Esta minha semana tem sido do caneco, não propriamente má mas demasiado preenchida, a passar a correr e eu a correr atrás do tempo, e esta sexta-feira vai ser a mesma coisa. Não posso deitar-me tarde demais porque tenho que me levantar cedo demais.

Por isso, com vossa licença, ficar-me-ei por aqui mas não sem antes me rir com ternura a ver o meu amigo Charlot.




--------------------


terça-feira, março 21, 2017

Doidas, doidas, doidas andam as galinhas
para tirar a Caixa lá do buraquinho.
[E ainda o fatalismo da Ana Lourenço, a prostituição da Fátima Campos Ferreira (salvo seja, claro) e o apicultor na rua da minha mãe].





Não tenho novidades do Stephen Hawking. A verdade é que, mal acabei de escrever o post sobre quem parece fadado para não conseguir experimentar a felicidade, caí para o lado. Deve ter sido a profundidade do tema que me deixou arrasada.
(e eu devia agora incluir aqui um smile, três eheehehe e mais um lol para ter a certeza que todos percebem que estou a gozar -- senão ainda ficam a pensar que sou parva, como se acreditasse mesmo que aquilo que escrevi tivesse alguma profundidade). 
Adiante.

Acordei com o meu marido a levantar-se do sofá, meio a dormir, e a ir para a cama. Mas ele tem razão em estar assim pois madrugou e, antes, ainda foi fazer uma caminhada. (Não estou eu já farta de confessar que gosto de malucos?) Mas, portanto, lá acordei. Arrastei-me até aos comentários para agradecer e agora, ainda patati-patata, apeteceu-me voltar a abrir uma página em branco.

Não que tenha alguma coisa para dizer porque não tenho. 

Não tenho paciência para as cenas da CGD. Parece que fica tudo maluco quando o tema é CGD. Como é que é possível que alguém consiga gerir uma empresa, que é coisa que se rege por princípios racionais, com meio mundo a meter o bedelho? Era a mesma coisa que eu, lá no meu estaminé, fazer as contas para ver como manter lá uma cena qualquer equilibrada e saltarem-me em cima as temíveis manas Mortágua, o walking dead Láparo, a Cristas enxertada em kiwis, o Carlos César a reboque, e, pasme-se, até o ubíquo Marcelo -- todos a alvitrarem isto, aquilo e o outro. Havia de ser giro.


Está tudo mas é passado, oh caraças.


Manter um banco vivo e de boa saúde passa por geri-lo com seriedade, com sentido de inovação, e com os pés na terra (e as mãos, que se querem limpas, sempre à vista). Não passa por sujeitar cada decisão a plenário nacional. 

Se há actividade que maior reconversão sofreu e há-de ainda sofrer é a da banca. De negócio de proximidade passou, sobretudo, a negócio virtual. E isto tem que ser encarado com pragmatismo. É assim e cada vez há-de ser mais.

Claro que nas aldeias, nas vilas, em lugares de população envelhecida, isso não existe, o que existe é o balcão e a pessoa que se conhece e em quem se confia. Então não vejo pela minha mãe? Ou somos nós que tratamos de alguns assuntos pela net ou é ela que vai ter lá com a amiga da CGD. 

Só que a verdade é que não faz sentido manter um balcão em cada canto e esquina só para movimentar meia dúzia de contas e atender uma pessoa de vez em quando. Mais vale haver lojas de cidadão com pessoas disponíveis para ajudar na utilização de meios informáticos e que apoiem na consulta a saldos ou a fazer levantamentos ou depósitos.

E o que faz ainda menos sentido é esta histeria colectiva em que mergulham os políticos (de A a Z) de cada vez que o tema é Caixa.


Tirando isso não sei de mais nada. No telejornal, durante o bocado que vimos, só se falava de mortos, quer de mortos por acidente, por briga ou por doença. Depois ouvi a Ana Lourenço a perguntar sobre o aumento de capital já nem sei de quê, devia ser da CGD: 'e o que é que pode correr mal?. Parece que toda a gente se viciou na desgraça. Sobre um tema destes, um aumento de capital, a pergunta que lhe ocorreu foi aquela. Se eu estivesse lá e a pergunta me fosse dirigida acho que poria o meu ar mais sério e diria: 'pode vir uma onda maior e levá-lo' ou outra parvoíce qualquer que cheirasse a tragédia.


Mudámos logo de canal. Depois passei para a prostituição na RTP 1 mas, ou porque já estivesse com sono ou quiçá até mesmo a dormir, pareceu-me que a única que disse coisas interessantes foi a profissional do sexo. Os outros nem percebi bem quem eram. Isto do sexo ser discutido por gente que parece que nem sabe bem o que isso é nunca pode dar grande coisa. 


Depois a televisão desligou-se e, embora tenha o comando ao meu lado, não me apetece ligar. Gosto é de ver programas sobre bichos raros do fundo do mar, ou expedições a aldeias perdidas no meio de inóspitas montanhas, ou entrevistas a pianistas ou pintores. Coisas assim.

Uma coisa engraçada que tenho para contar é esta: ontem, quando estava à porta a despedir-me da minha mãe, vi um vulto do além a fazer-lhe adeus e a dizer-lhe 'tudo resolvido, já as tenho aqui comigo, vou levá-las à serra' e apontou para qualquer coisa dentro de um jeep.

A minha mãe contou-me, então, que de tarde, um vizinho tinha visto vir pelos ares uma nuvem escura, uma coisa estranha, e que essa nuvem tinha ido para dentro do quintal duma outra vizinha. A medo e já suspeitando, o vizinho foi espreitar. Eram milhares de abelhas. Por sorte, sabia de um apicultor. E era esse apicultor, todo coberto, que eu ali tinha visto. Só tinha visto antes na televisão e nunca esperaria ver um ali, na rua da minha mãe. Chapéu, máscara, colete, mangas, luvas. Achei graça a ele dizer que as tinha apanhado a todas e ia levá-las de volta para a serra. As malucas tinham vindo dar uma volta à cidade.


E agora calo-me. Tenho em carteira mais uma coisa sobre a inteligência artificial e uma coisa qualquer que me ocorra sobre casamentos porque vi umas fotografias com uns vestidos de noiva mesmo ao meu gosto e estou até capaz de fazer uma dieta que me ponha com dez quilos a menos para caber dentro de um modelito assim para depois convencer o meu marido a renovar os votos, e isto só para o ouvir disparatar, até porque isso dos votos deve ser só para quem casou por igreja, o que não foi o nosso caso, e porque ele não tem o mínimo de pachorra para essas coisas (e eu ainda menos que ele).

Mas fica para outro dia. A ver é se no dia em que estiver para virada para esses temas esotéricos não me aparece o Marcelo a opinar sobre a pessoa que querem substituir no balcão da CGD de Alguidares de Baixo, coisa que, justamente, nem a dona leal ao coelho nem a dona galinha nem as manas amazonas acharão nada bem e isto para já não falar nas pessoas que serão interpeladas na rua por uma chusma de jornalistas exorbitantes e que dirão, para as câmaras, que fulano de tal é muito boa pessoa, sorri para toda a gente e que nunca antes ninguém tinha desconfiado que batesse na avó.

Mas, pronto, partindo do princípio que isso não vai acontecer, pode ser que eu, para a próxima, arranje oportunidade para falar de temas relevantes.


____________

As fotografias claro que não têm nada a ver com o assunto, estão aqui só porque gosto delas. Fazem parte das selecções das Fotos do Dia do The Guardian

Lá em cima Benjamim Clementine interpreta I Won’t Complain.

______________

E, caso queiram conhecer três casos verídicos de quem nunca conseguiu relacionar-se bem com a felicidade, é só descerem um pouco mais.

------------------------------

quarta-feira, março 15, 2017

Enquanto o sector financeiro se afundava, Passos Coelho defecou para o tema.
E quando o presciente e intelectualmente veloz Carlos Costa resolveu rebentar com o BES, os ministros resolveram dar o ok por mail, também defecando para os riscos do que aí vinha.
Esta é a gentinha que desgovernou Portugal durante 4 anos.



Tantas vezes, ao longo do desgoverno de Passos Coelho, quando eu via que tudo o que faziam estava errado -- e não apenas errado do ponto de vista social mas também tecnicamente errado -- eu me interrogava se aquilo era má fé, coisa intencional para sacanear os portugueses, ou se era sobretudo ignorância, estupidez em estado puro, burrice pura e dura.

Quem por aqui me acompanha desde essa altura, sabe desta minha dúvida. Por um lado, aqueles desalmados faziam o jogo do capitalismo desregulado, vendendo as melhores empresas ao estrangeiro, vulnerabilizando os direitos dos trabalhadores, favorecendo as fugas de capitais a par do êxodo dos jovens melhor preparados, ofendendo a classe média e os idosos, etc, etc, como, ao mesmo tempo, davam mostras de não perceber nada do que se estava a passar, verdadeiros desmiolados.

Pois bem. A entrevista de Assunção Cristas -- a herdeira do saudoso ex-Irrevogável Portas e confiável líder do CDS -- ao Público é muito esclarecedora.


A conversa da Madame Cristas da Coxa Grossa revela que provavelmente o que tivemos foi mesmo um governo de burros, de gente completamente impreparada, de gente do mais medíocre que há, que não percebiam nada nem do contexto, nem de como lidar com ele.

Com a banca a estilhaçar-se por todo o lado, vem a Madame Cristas dizer que isso era coisa que não assistia ao láparo. Nem BES, nem Banif, nem CGD: “O Conselho de Ministros nunca foi envolvido nas questões da banca”. Como se a banca não fosse o indispensável pilar financeiro de qualquer economia, aqueles irresponsáveis continuaram a dançar no convés enquanto o navio se afundava. E fossem também eles lídimos descendentes do brioso almirante, tio-avô do Bruno, eram até moços para vociferar: 'bardamerda para o banquismo'.


E mesmo perante uma decisão absurda, gravíssima, insensata como a que foi a de rebentar com o BES, aquele gentinha assinou de cruz, sem equacionar alternativas, tudo na base 'ó miga, põe lá aí o bacalhau no tiro ao fundo ao BES, que é como quem diz, dá lá aí o ok ao mail'. E a miga Assunção não quis cá saber de nada, estava a banhos, e se a pinóquia Albuquerque dizia para ela dar o ok, ela dava e a malta lá do banco e do escambau que se catasse.


Tudo assim, mais coisa menos coisa, na maior ligeireza.

Podiam ter decidido vender o país à República Popular da China, também assim na mesma base, na base do 'olha, tou-me a cagar, se o amigo lá das 3 Gargantas do Mexia diz que é para vender, a malta vende e bora lá malta, assinem lá de cruz que já tá mas é na hora de calçar a havaiana e ir curtir um bronze para a manta rota'. Ainda tivemos foi sorte.

E foi esta gentinha que deu cabo do País durante 4 anos para, depois de tantos sacrifícios impostos aos portugueses, não ter conseguido resolver um único problema e, pelo contrário, ter deixado rebentar parte do sector financeiro e de mais uma série de grandes e pequenas empresas, para além de ter deixado sem casa muitos portugueses... e sei lá que mais.

E é esta mesma gentinha que ainda por aí anda desfilando pelas ruas a sua estupidez e falta de tino (de tininho, diria a Madame Cristas que gosta de pôr diminutivos nas coisinhas, até quando critica qualquer coisa é só um bocadinho e quando espeta alfinetes envenenados nos ex-sócios de governo é devagarinho).
Ah, sim, e mais outra: a Madame Cristas recebe mais sms de apoio quando se arma em varina na Assembleia, insultando a torto e a direito...? Ok, calma aí ó pessoal, que ela já aí vem cheia de força na goela que o que ela gosta é de sms de apoio -- e o decorozinho que se lixe.
E agora, se me é permitido, pergunto eu: a malta do PSD e do CDS aguenta tão incapazes e anedóticas lideranças?
Mas é uma pergunta retórica. Sei bem qual a resposta: Ai aguenta, aguenta...
___________


E, portanto, resumindo e baralhando, os Conselhos de Ministros da altura de Passos Coelho deveriam ser mais ou menos uma coisa esperta, assim como abaixo se vê, impostos, impostos e mais impostos e sem perceberem um boi do que estavam a falar  -- só que não falavam em inglês, que aqueles lá, sabido é, arranhavam o português e olha lá.


___________________

Mas pronto, como sou caridosa, aqui deixo o meu conselho aos PàFs:
desçam até ao post seguinte e vão passear o cão, ok?

.....

terça-feira, março 07, 2017

Marcelo Rebelo de Sousa e a estabilidade financeira que Carlos Costa lhe inspira.
A Ítaca de Cavafy lida por Sean Connery.
E a história do azul.
Com o Salvador Sobral e 'nem eu'




Não sei que imagem passo para quem me lê pois tenho a imagem de mim mesma enquanto escrevo -- e essa é a única que me chega. E, ainda assim, chega distorcida.

Hoje. Por exemplo.

Levantei-me muito cedo e, como sempre acontece quando madrugo, na véspera adormeci tarde demais, tive o sono leve e acordei antes da hora. Centenas de quilómetros, horas de reuniões, sem oportunidade para fechar os olhos, para descansar. Chegada a casa, cansada, pouco fiz, um jantar ligeiro. Um pouco mais tarde, aqui no sofá, incapaz de me manter acordada. Leio os comentários que os Leitores deixaram, espreito os mails, gosto de os ler, tenho vontade de lhes responder mas adormeço. Agora comecei a escrever a ver se me mantenho acordada.

Há pouco espreitei as notícias. Marcelo quer estabilidade financeira. Quem a não quer? Mas é difícil tê-la com um ceguinho tartamudo e taralhouco à frente do Banco de Portugal. Nada contra as instituições, genericamente falando. Mas uma pessoa inquieta-se quando sabe que o tesouro está à guarda de uma pessoa que não sente os ladrões a aproximarem-se, não dá por nada enquanto o roubam e, no fim de tudo, vem confessar que a culpa não foi dele, porque não deu por nada. Ora abóbora.



Marcelo quer estabilidade financeira. Também eu. Um colega meu, supostamente parafraseando Marques Mendes na SIC, diz que se critica o polícia ceguinho e permissivo mas não se critica o ladrão manganão. Engano. Ricardo Salgado está a braços com a justiça, com bens arrestados, a vida virada do avesso. A justiça dirá o que se segue (e, sabendo o que é a justiça em Portugal, o mais certo é que tenha calvário até ao fim dos seus dias, provavelmente antes que se apure um juízo final). Mas depois do BES já o Banif foi também ao ar. E com Carlos Costa à frente do BdP já todos sabemos que é o que se quiser. Portanto, se Marcelo quer estabilidade financeira, espero bem que em vez de aquilo com Carlos Costa ter sido uma conversa inclusiva, tenha sido uma airosa conversa de chega para lá. É que duvido que Marcelo embarque -- parvo ele não é. Aquilo lá em Belém, cá para mim, foi mais uma de, enquanto noblesse oblige, "estabilidade" e "instituições", bla, bla bla, olhe lá, meu amigo, não quer ir gozar a vida enquanto tem saúde?


E não me apetece dizer mais nada sobre isto. Aos anos que ando a dizer que aquele lá é uma coisa de faz de conta. Regulador? Está bem, está. Só contaram para o Passos Coelho.


E sigo. Ensonada, percorro as notícias e pouco mais mobiliza a minha atenção. Talvez o Salvador. Não vi o Festival da Canção mas gosto muito do Salvador. No verão vi o concerto dele no EDP Cool Jazz e foi muito bom. Um menino talentoso. Vou agora ouvir a canção com que ganhou, o 'Amar pelos dois'.


E, aqui chegada, talvez fizesse sentido dizer mais qualquer coisa sobre a actualidade; mas não consigo interessar-me. Só me apetece ver ou ouvir coisas que não têm nada a ver. Coisas fora do tempo.

Para ajudar à festa, pensei que deveria aqui colocar algumas das fotografias que fiz no domingo. E, ao escolher, também me apeteceu optar por aquelas que não têm a ver com o texto nem, a bem dizer, com nada. Montras com reflexos, graffitis, uma pintura na porta de uma loja, uma nossa senhora. Também podiam ser fotografias do céu com a elegante caligrafia das linhas eléctricas que alimentam os elétricos. Mas fica para outra vez.


Mas, com isto, não sei que ideia passo para vocês que aí me lêem. Desconcentrada? Desordeira? A mim, volta e meia, aconselham-me : 'Tem que ter algum cuidado. Podem dizê-la desalinhada'. Muito bem. Gosto disso, desalinhada. Mas era bom que objectivassem: desalinhada em relação a quê? A uma linha torta?

Mas, enfim, isso agora não interessa para nada. A verdade é que, de facto, não consigo manter-me alinhada em relação a alguma pretensa imagem (e a qual? alguém me diz?) pois, aqui, nada me obriga a nada. Escrevo ou divulgo apenas o que me dá na bolha -- e o que me influencia no momento em que aqui escrevo é apenas a minha vontade, a minha disposição, o meu estado de espírito ou o facto de estar ou não acordada.

Portanto, com vossa licença, permitam que me esteja nas tintas. E isto das 'tintas' não é metáfora: é literal.

Mas, antes, uma pausa. Deixem que me fique aqui, durante um bocado, com a Ítaca de Cavafy. Quem a lê é Sean Connery. Desta vez não é Tom O'Bedlam que me leva na conversa: é a voz meio enrolada de Sean Connery que me faz sentir transportada para bem longe daqui.


(...)
Terás sempre Ítaca no teu espírito,
que lá chegar é o teu destino último.
Mas não te apresses nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos,
que sejas velho já ao ancorar na ilha,
rico do que foi teu pelo caminho,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.

Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.
Sem Ítaca, não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.
Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca.

(Tradução de Jorge de Sena)


E agora, com vossa licença. uma coisa ainda mais descontextualizada: a história do azul. Ainda no outro dia estive a pintar uma grande tela e usei vários tipos de azul. Pode parecer que azul é azul.
O azul é o azul é o azul é o azul é o azul é o azul.
Nada mais errado. Cada azul tem sua personalidade. Consoante o que tenho em mente, vou experimentando. Misturando, arriscando. O azul é um fascínio. Outras cores também. Melhor: todas as outras cores também. Mas o azul. O rio, o mar, o céu, o meu corpo por dentro quando me evado de mim.

Como se faz o azul em que me movo.
Ou melhor: o azul em que me movia antes de eu ser esta que sou hoje,
quando vivia nos tempos em que a alquimia inventava pós mágicos, cores misteriosas.





------------------------

E pode ser que ainda cá volte. Agora que parece que estou a acordar, ocorre-me partilhar convosco uma descoberta que fiz a propósito de mim. Coisa hot.

Ou fica para mais logo que a coisa presta-se a aprofundamento, não pode ser sumariamente despachada antes de recolher aos meus aposentos.

..................

domingo, janeiro 15, 2017

O Novo Banco e a irresponsabilidade de Clara Ferreira Alves


Isto há coisas... Tinha eu acabado de exorcizar o espírito maligno do láparo que por aqui pairava depois de lhe ter dado uma valente desanda e começava já a afiar os dedos para deitar mãos ao tema que me mobilizava, o das velhas bibliotecas, quando começa o Eixo do Mal. Animada como estava  -- a ver vídeos e a ler um execelentíssimo artigo que mão amiga me tinha feito chegar -- nem me ocorreu higienizar o ambiente, desligando a televisão ou procurando melhor opção.

Por essa altura, o meu marido, mais pragmático que eu, retirou-se para o quarto. E eu entreguei-me ao deleite da Ôde aux vieilles bibliothèques.

Mas hélas, a Senhor Doutora Superiormente Sabichona Clara Ferreira Alves começou a falar, e tão grandiloquentemente o fez que a minha atenção foi desviada para a sua prosápia, uma prosápia temperada com aqueles seus bem conhecidos salpicos de spleen.


Falavam do Novo Banco e a ilustre comentadeira, maçada com tanta conversa sobre o assunto, dizia que se devia era acabar com aquilo. Qual nacionalizar...? Implodir. 

Ouvi estarrecida a senhora. Olhei-a. A camisola tinha uns brilhantes e os olhinhos aquele ar enfadado de quem faz o frete de por ali arrastar o seu ar blasé. A banca nacional dá-lhe fastio, acha que já provámos que não sabemos gerir a banca nacional. Acabe-se com aquilo de vez, diz ela, até porque, continua, nem sabe bem o que é o Novo Banco. E acaba dizendo que aquele fundo que vai desmembrar tudo, o Lone Star, se calhar ainda é o melhor, se calhar faz-nos o favor de nos vermos livres do assunto de vez. 



Em tempos, quando olhava para ela como jornalista, eu até gostava de a ler. Depois foi-se tornando cada vez mais convencida. Faz tempo que deixei de ler o Expresso pelo que não sei o que tem andado ela a fazer. Mas, nos últimos tempos, as entrevistas dela a sumidades eram frequentemente uma coisa do género das do Casanova. Falam eles, exibem-se, mostram que são letrados, opinam, decidem, fazem comparações, e, de quando em vez, lá se dignam disponibilizar a deixa para que o entrevistado diga qualquer coisita. Pior ainda quando se tornou opinadora. Aí passámos a ver a facilidade com que opina sobre tudo, incluindo sobre o que não sabe. Vejo-a como um exemplo acabado do que é o populismo ao serviço do jornalismo. E no Eixo do Mal, frequentemente, uma seca: cansa de tão pedante e leviana que é. Sabe tudo, enfada-se até de repetir argumentos que já explanou tantas vezes, fala com veemência de assuntos que notoriamente conhece apenas pela rama -- e, com as suas actuações, consegue que, cá em casa, mudemos rapidamente de canal.


O que me choca é que quem, nas televisões, decide quem convidar para programas deste tipo, equaciona certamente quem consegue ser mais polémico, dizer sound bites, criar factos políticos, lançar atoardas que aticem as redes sociais, etc. E não equaciona o sentido de responsabilidade que veículos poderosos como as televisões devem ter em cada uma das suas escolhas.

Sabendo-se o indesmentível poder de influência que as televisões têm, apenas deveriam ser convidadas para opinar pessoas com uma respeitabilidade, estabilidade emocional, dignidade e rigor à prova de bala.

Mas, infelizmente, a opção é a oposta. Quanto mais destrambelhados, mais mentirosos, mais fúteis, mais ressabiados, mais pedantes, mais levianos, mais desbocados -- mais assento têm nas televisões. 

(E assim se destrói o jornalismo.)

Mas voltando ao Eixo do Mal. De facto, só uma pessoa irresponsável ou que esteja de má fé pode, como uma estonteante ligeireza, dizer que, para não cansar a beleza de quem tem que ouvir tantas vezes do mesmo assunto, mais vale acabar com um dos maiores bancos do país. 


Pode ser que o Eixo do Mal seja visto apenas por quatro bichos caretas, entre os quais me incluo e que, portanto, os riscos de uma afirmação destas seja mínimo. Tomara.


Começar a lançar a ideia de que se calhar o melhor é acabar com o Novo Banco é meio caminho andado para lançar o alarme social e daí até a uma corrida aos depósitos é uma pequena fracção de tempo.

Custa-me perceber que uma pessoa minimamente estruturada lance um disparate destes para o ar. Se eu a parafraseasse, podia dizer que, para não ter que estar a aturar tanta parvoíce, mais valia atirar uma destas molduras pesadas à televisão e destruí-la de vez. Ou melhor: que para não ter que a aturar, mais valia ir à Sic Notícias e acabar com a estação. Ou pagar a um mercenário para rebentar com ela.

Só que acabar com um banco, um banco como o Novo Banco, é bem mais grave que isso.


Só por preguiça é que não vou repescar o que escrevi na altura em que o patego do Carlos Costa do BdP e os aventureiros malucos do ex-governo resolveram implodir o BES. Contra quem, na altura, achava que Carlos Costa era o máximo e que criar um Banco Bom e vendê-lo em seis meses era do melhor que havia, clamei tão alto quanto a minha fraca voz o permitia que o Carlos Costa era uma nódoa, que a decisão de acabar com o BES era uma loucura sem explicação e que a ideia de que seria possível criar um banco e vendê-lo em seis meses era um delírio sem pés nem cabeça (admitia que seriam necessários uns dois anos).



Hoje mantenho. Não percebo como foi possível cometer, a céu aberto, o que me parece um crime inexplicável. Uma coisa seria sanear o BES, limpar o que estivesse mal, obrigá-lo a reconhecer imparidades, rever a carteira de crédito, rever os critérios de avaliação de risco, provavelmente correr com meia dúzia de cabotinos e/ou incompetentes, julgá-los se caso disso -- e outra, muito diferente, foi implodir com um grupo económico, espatifar com uma poderosa marca, enfraquecer ainda mais o frágil sistema financeiro português. De toda a porcaria que o Governo de Passos Coelho fez (e foi muita! oh se foi...) isto deve ter sido do pior, do mais absurdo que se poderia imaginar.


A partir daí, da implosão do BES, foi tudo mal feito: escolhas mal geridas para a gestão, a começar com Vítor Bento, uma pressão absurda na venda. Mais: chamar para vender o banco à trouxe-mouxe Sérgio Monteiro, um aventureiro que já na TAP tinha dado vários passos em falso e anunciar aos quatro ventos que o banco era para vender à pressão e de qualquer maneira, só pode revelar um problema mental ou má fé.


O resultado é o que se vê: quando se atira milho para a rua logo aparece, vindos sabe-se lá de onde, um grupo de pombos. Não aparecem águias, gaivotas, garças reais. Só pombos-ratos.

E é o que tem acontecido com o Novo Banco: chineses sabe-se lá com que solidez financeira, fundos de reputação duvidosa, gente que não dá garantias, que não quer pagar e que quer deixar o osso e só levar o lombo, e isto para depois o fatiar e passar a patacos. Um vexame que deveria fazer corar o Carlos Costa. Mas não faz. Não tem competência, nem brio, nem vergonha na cara. É outro que não dança nem sai da pista. Há que tempos que deveria ter dado o lugar a alguém responsável e competente.


Não posso dizer qual a melhor solução pois não conheço os pormenores das opreações nem as contas do banco. Mas sei dizer que a solução não passa por acabar com o Novo Banco nem por vendê-lo como se fosse uva mijona. O Novo Banco deve voltar a ser um grande banco. E se tiver que ser nacionalizado que o seja. Pode ser uma solução transitória; mas entre ficar nacionalizado ou ir parar às mãos de fundos abutres, de jogadores, de trapaceiros ou de homens sem rosto e mãos invisíveis mas untuosas, prefiro mil vezes que permaneça nacionalizado.

Não é só uma questão de princípio, é, sobretudo, uma questão de racionalidade.


Quando se desmorona um banco, a seguir caem vários outros edifícios. Veja-se o que aconteceu quando caíu o BES (quantas mais empresas caíram a seguir...? Podemos começar pela PT e ir por aí fora). 

Um banco é um edifício cujos alicerces são a confiança de quem lá põe o dinheiro mas é um edifício que dá suporte a todas as empresas e pessoas que lá pediram empréstimos e cujas tesourarias assentam também na confiança no cumprimento de compromissos. 

Estou a ser simplista. Mas o tema é tão complexo que só espero que as televisões percebam que não devem dar voz a irresponsáveis como Clara Ferreira Alves e outros que tanto têm contribuído para que os portugueses formem ideias erradas e andem à mercê de quem os queira manipular.

Sinceramente: começo a ficar verdadeiramente farta de tanta estupidez e irresponsabilidade. Caraças.


.....¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨.....


E falei na Clara Ferreira Alves porque foi a ela que prestei mais atenção. Mas idêntica leviandade me pareceu ouvir ao Luís Pedro Nunes. Há temas que, pelo seu melindre, jamais poderiam ser levados a debate por parte de quem não faz ideia do que diz.



¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

E, com isto, já não consigo falar nas velhas bibliotecas. Já agora, mal por mal, se ainda não leram, convido-vos a descer para verem aquilo da malapata que o Láparo tem com a TSU


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

quinta-feira, janeiro 05, 2017

E sobre os sms do Domingues, não vai nada, nada, nada...?
NADA.
E sobre a jeiteira que o Centeno tem revelado para lidar com caldinhos destes, também não vai nada, nada, nada...?
NADA.




Não ando para muitas conversas e, muito menos, para comentar parvoeiras. 

  • Que o Centeno gere dossiers políticos com os pés é um facto, 
  • que dos dois Secretários de Estado que lhe conheço também, quando têm que gerir temas que deveriam ser geridos com pinças, os gerem à pazada é outro facto 
  • -- e que o flop António Domingues e todo o caso da nomeação de uma administração para a CGD só mostram que o Centeno é bom a gerir números ou a traçar estratégias e a segui-las mas um nabo a gerir temas que metem pessoas e respectivos egos, é outro facto.

Dizer mais o quê? Nada.

Se há alturas em que um chefe tem que se chegar à frente e suprir as lacunas dos subordinados, esta é uma delas. Costa tem que se chegar à frente de cada vez que o Centeno se ensarilha nestes assuntos. Caso contrário, é uma festa.

Claro que tudo poderia passar mais ou menos despercebido se o verdinho do Centeno tivesse pela frente um fulano low profile, que não se desbroncasse todo à primeira pergunta. É que este António Domingues, parecendo querer cultivar a imagem de um banqueiro excelentíssimo, é tudo menos discreto. É uma goela escancarada. Conta tudo: ele disse-me isto, eu respondi-lhe aquilo e eu, então, disse isto e vai ele e diz aquilo. 

Agora uma coisa é certa. Que, sempre que alguém vai ocupar um lugar qualquer público, deve fazer prova do seu património antes para que depois possa fazer prova de que não enriqueceu de forma inexplicável, acho óbvio.

Que essa declaração deva ser pública parece-me lamentável. Bem podem as vizinhas quererem espreitar para dentro da casa dos mais ricos para depois, entredentes, especularem pelas vielas como foi que eles enriqueceram  e depois, sonsas, disfarçarem e arvorarem-se em castas -- que a mim me dá igual. O património de cada um, em particular quando o obteve depois de uma vida de trabalho em organismos privados, não deve ser matéria susceptível de aparecer avacalhada na primeira página do Correio da Manhã ao lado de histórias envolvendo proxenetas e polémicas protagonizadas pela Luciana Abreu ou pela Cátia Aveiro.



Falo por mim e não tenho, certamente, património que se compare ao do Domingues: se algum maluco tivesse a ideia peregrina de me convidar para um lugar desses, eu não pensaria duas vezes: é o ias.
E não é apenas porque não me apeteceria ver o meu património exposto para que tudo o que é olho gordo salivasse: é, sobretudo, porque não me apetecia nem um bocadinho aturar a pelintrice mental daqueles deputados de aviário ou a arrogância pesporrenta de meninas com cara de más, armadas em implacáveis justiceiras. Não tinha pachorra. Juro que não.
Tirando isso, nada mais tenho a acrescentar. Poderia dizer que isto da Caixa tem sido, a todos os títulos, uma dor de alma e que para lá ir o manhoso do Macedo é sal em cima das feridas mas, francamente, não me apetece falar mais nisto. 

Se não se importam, acabo como comecei: com protagonistas de quem gosto mais do que dos do mau romance que envolve o Domingues ou o Macedo.


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

PS: E nem me apetece falar no dinheirão que o Sérgio Monteiro, aquele artista dos tempos do láparo e da marilú de má memória, anda a ganhar há que tempos para não conseguir vender o Novo Banco nem por mais uma. Só espero que o totó do Costa do Bdp desista de o vender por tuta e meia a qualquer chinês mal enjorcado ou a qualquer fundo mal parido e que obrigue o dito Sérgio a devolver a dinheirama que tem andado a empochar. E se o totó do Carlos Costa não for capaz de ver isto (e não vai ser capaz pois todos já sobejamente lhe conhecemos a incapacidade de ver ou perceber o que quer que seja) pois que o Costa do Governo lhe dê um abre olhos. E se o António Costa o não conseguir, pois que o Marcelo, em vez de se limitar a atirar-se de mergulho para o Guincho, se atire também de cabeça para dentro desta caldeirada e ponha um ponto final nesta maluqueira de querer vender um banco bom como se fosse lixo de quinta categoria.



segunda-feira, novembro 28, 2016

António Domingues demitiu-se da CGD e eu tenho umas perguntinhas para ele e um recadinho para António Costa


Na fase em que andavam há meses para desarrincar um elenco para a CGD e, no fim, apareceram com um magote deles que mereceram dúvidas ao BCE, já eu aqui tinha criticado o Secretário de Estado Mourinho Félix e o Ministro das Finanças Mário Centeno e, consequentemente, António Costa. O Primeiro-Ministro deixou que a coisa se arrastasse daquela boa maneira para, no fim, aparecer um Conselho de Administração que era uma turma absurdamente excessiva.


A coisa passou. Mas logo a seguir rebentou a castanha do ordenadão de António Domingues e, pior, a de não querer (ele e os colegas) reger-se pela lei do comum dos mortais nestas funções, apresentando a declaração de rendimentos.

Também já aqui várias vezes disse que a trupe pafiana não ia descansar enquanto não visse a CGD de pantanas. Tem sido um fartote. Campanhas negras, interpelações, a comunicação social encharcada das notícias que os pafs não se têm cansado de plantar.

Face às ameaças, era da mais elementar prudência que António Costa percebesse que esta não é matéria para verdinhos. Mário Centeno e o Mourinho Félix podem ser competentes mas não passam de uns meninos do coro quanto têm pela frente macacos de rabo muito pelado. 


Agora as televisões anunciam o pedido de demissão de António Domingues que pode ter as suas razões mas que, perante a opinião pública, nos apareceu como uma diva caprichosa. 


Ora a Caixa não vai aguentar mais uns meses deste carnaval. Um banco vive da confiança dos clientes e necessita imperiosamente de estabilidade. Tem que haver uma equipa sólida à frente do maior banco público nacional. E tem que haver não é só para calar a boca à comunicação social e a alguns deputados mais histéricos - é, sobretudo, para pôr em prática o plano de recapitalização e é para transmitir aos clientes a necessária confiança..

A última coisa de que o País precisa é de mais um filme de tipo BES. Na SIC N, o José Gomes Ferreira já está a agitar o papão das contas com mais de 100.000 euros -- e daqui até a uma corrida aos depósitos pode ser um instante. 


Por isso, a coisa tem que ser estancada de imediato. Tem que ser António Costa a encabeçar a resolução deste imbróglio: tem que nomear uma boa equipa, agilizar todo o processo de aprovações, pô-la a agir o mais urgentemente possível. E, se necessário for, que Marcelo o ajude. Parece que já há um nome ou alguns nomes. Não faço ideia quem seja mas gente capaz e que aceite um tratamento dentro da lei é o que não falta. Pois bem, que se avance de súbito, dando todos os passos com segurança e rapidez -- e tranquilizem os depositantes.

Mário Centeno, António Costa e Marcelo têm que anular o efeito pernicioso que tudo isto está a ter na confiança dos portugueses. Façam-no o mais rápida e eficazmente possível.


NB: Não me parece que Mário Centeno deva ser demitido. Tem alcançado resultados que não devem ser subestimados, resultados ímpares. Nem digo que Mourinho Félix está a precisar de um par de patins. Não lhe conheço as competências. Admito que o Secretário de Estado seja bom em algumas coisas e que, apenas, tenha falta de tacto político ou de capacidade para lidar com situações mais complexas. António Costa é que sabe se é de segurá-lo ou não. Mas o que tem, em qualquer circunstância, é puxar o assunto CGD a si. Já.


...   &   ...

Agora uma pergunta a António Domingues: se era para isto, porque é que se não se demitiu logo? Se queria um regime de excepção e se viu o ensarilhanço que isto estava a causar, ou cedia e era logo ou saía e era logo. Agora meses deste chove-e-não-molha para, no fim, se vir demitir...? Ora abóbora. Que vá participar em regatas, estudar filosofia ou aprofundar o conhecimento dos gregos que, ao que parece, é o que está mortinho por fazer -- que vá e não chateie mais.


E que sirva de lição a António Costa: gaitas destas não podem voltar a acontecer. As crises têm que ter respostas imediatas. Há situações que não vão lá com sorrisos e ironias. Há ATR (assuntos que o tempo resolve), lá isso há. Mas este, seguramente, não é um deles.

___

sexta-feira, novembro 25, 2016

O que é que deu naqueles atrasados mentais para não fazerem outra coisa senão inventarem casos e casinhos em volta da Caixa Geral de Depósitos e de António Domingues?
- pergunto.



O maior respeito pelos atrasados mentais. Nada a ver. Tão pessoas como os adiantados mentais e os normais mentais, eles. E que cada um diga o que pensa. Agora isto de andarem todos, à uma, a moerem a nossa paciência, a verem mosquitos em cada banda e a acharem estranhas as coisas mais banais é que é estranho.

É como tudo. Por exemplo, apareceu uma baleia no rio Hudson e também nada a ver: uma baleia é uma baleia, é uma baleia -- e que cada uma ande por onde muito bem queira. Isto de aparecer uma ali no meio de Nova Iorque é que causou estranheza.


Outra. A Fnac mandou 60.00 sms para os seus aderentes a convencê-los a aproveitarem as pechinchas da Black Friday. E nada de mais. Uma Black Friday é daquelas coisas para totós que qualquer marca comercial que se preze gosta de usar. Por isso, nada a ver. Agora aquilo de mandarem as pessoas para a Worten é que parece um bocado atípico. Causa estranheza. Só isso.


Ou o António Raminhos que tem um programa de entrevistas. Ele é divertido, inteligente e um talk shower é coisa nunca por cá antes vista. Chama-se a Banheira das Vaidades e tudo bem. O curioso é que ele e os convidados estão mesmo nus, a lavarem-se enquanto perlapeiam. Nada de mal, nada de mais. A gente apenas sente alguma estranheza. Só isso. Porque, de resto, a sério, estou por tudo. Open-Mind é o meu nome do meio.


Já agora, para quem quiser ver:

No Duche Com a Miss Olívia Ortiz -- o novo talk-show de António Raminhos



______

E, portanto, voltando à cold cow, vendo bem, isto de andarem uns quantos atrasados mentais a tentarem pôr em causa a estabilidade da CGD, a verem se atiram areia para os olhos da populaça e a encherem a agenda das televisões com notícias-aborto e comentários a metro em volta dos alucinados casos que regurgitam ao longo do dia não tem nada de mais. Nada. Não se vai esperar que os atrasados mentais consigam produzir raciocínios de longo alcance. Causa é estranheza que aquele punhado que tem assento na AR agora não tenha outro assunto senão aquele. Dias a fio e aqueles pobres coitados sempre naquilo: a quererem saber se o António Domingues, antes de ir para a CGD, não prejudicou não sei o quê (como, se o tivesse feito, o lesado não fosse o BPI que, ao que consta, ainda não se queixou) ou se foi ter uma reunião a Bruxelas (como se alguma criatura responsável não se preparasse ou se informasse antes de deitar mãos àquela empreitada) ou se outra macada qualquer. 


Estranho. Só isso. Poderia pensar-se que aqueles neo-trolls não descansam enquanto não arranjarem sarilho dos grandes mas acho que não há grande perigo porque são demasiado intelectualmente limitados para isso. É certo que já detonaram uns 3 bancos (o BES, o Banif e o ninho de cagarras cujo nome comercial de má memória era BPN) mas mais do que isso duvido que consigam.

Ou seja, acho que não é caso para dramas. Mas cansa, lá isso cansa. E dá um bocado de pena.


Mas pronto: da minha parte, mais nada a dizer sobre o tema.

Agora o que me causa mesmo, mesmo, estranheza é que o nosso Santo Padroeiro, o super-ubíquo São Marcelo, que se preocupa tanto com os menos válidos, não arranje maneira de conseguir um local especial para alojar e manter ocupados aqueles pobres coitados. Uma CERDIPAF, Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Deputados Inadaptados e Pafianos. Por exemplo. Aqui fica a dica. A Sede pode ser ali para as bandas da AR mas com sucursal no Parlamento Europeu que há por lá um maluco armado em galinha descabelada que também precisa de quem tome conta dele, cacareja que só visto. 

Mais. Proponho que comecem já a ensaiar a festinha de natal. Àqueles putativos emproadinhos que vi na televisão a fazerem grandes declarações, a lançarem acusações, a pedirem demissões e a ver se armam maiores confusões eu quero é vê-los a dançarem para nós, todos bem treinadinhos, bonitinhos. Vá. E esqueçam lá isso da CGD, ok? 

Não precisa de ser aquela coreografia das galinhas que, doidas, picam, picam, picam para pôrem o ovo lá no buraquinho ou aquela de todos os patinhos que sabem bem nadar, cabeça para baixo, rabinho para o ar. Não. Muito déjà-vu, isso. Vamos lá a inovar. Ok? 

Podem começar usando a mesma coreografia que Jett Adore, Mr Gorgeous, Brewster, Ben Franklin, Tigger apresentaram no New York Boylesque Festival. 


Vou ficar à espera.



___

Nas fotografias, o maluco vestido da mesma maneira que Rosenberg, o cão, é Topher Brophy. O outro binómio cinotécnico da segunda fotografia não sei por que nome dá. E não consta que qualquer deles queira armar fuzué mediático ou rebentar com a CGD pelo que não sei o que estão aqui a fazer.

____

Desejo-vos, meus caros Leitores, uma Happy Friday com muitos sweet moments.

_____