Mostrar mensagens com a etiqueta Expresso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Expresso. Mostrar todas as mensagens

sábado, agosto 01, 2026

Seguro: TACO... perdão SACO
-- E cá está, de novo, o meu marido --


Percebemos hoje, com surpresa e agrado, que afinal a fonte de Belém não secou. Terá estado em manutenção, talvez em reparação, mas voltou a jorrar pujante. Diz o Expresso que o Presidente não falou para não adensar a crise. A questão do Seguro não falar é um hábito antigo, para quê comprometer-se?, não é surpresa é mais do mesmo. Mas esta de ele assumir haver uma crise também me surpreendeu. 

O Neves segue as pisadas do Montenegro: trapalhadas, irregularidades, quiçá, ilegalidades (até ouve mimetismo na cena dos dossiers na conferência de imprensa, só para inglês ver). 

O Fernando com as suas decisões cria desigualdades no acesso dos jovens ao ensino superior e desbarata o erário público para corrigir os erros que originou. 

A ministra da saúde dá cabo da saúde dos portugueses. 

A ministra da justiça finge que não existe, quando bens sob custódia do estado vão parar a um armazém lá para os lados de Barcelos. 

O gabinete do Ventura na AR é, presumivelmente, assaltado. 

E, com este panorama, o Expresso refere que há uma crise e que o PR não falou para não a adensar. 

Nada mais errado. Este é o normal funcionamento do governo da AD e das instituições. Só os mais tresloucados achariam bem que o Seguro dissesse umas banalidades, que outra coisa não lhe parece vir ao espírito, por causa da situação atual. A coisa está normal, tudo o que o governo faz é asneira. E já agora uma proposta, se de Trump se diz que TACO, não fiquemos atrás dos cowboys: de Seguro se passe a dizer que SACO (Seguro always chickens out). Parece-me adequado! 

sábado, dezembro 28, 2024

Para além de tudo o que temos constatado, vamos percebendo que o Mentenegro também é pouco esperto, pouco perspicaz, pouco sagaz, pouco arguto, pouco inteligente, etc

 

Montenegro lança baldes de gasolina e ateia fogo.  Quem assiste, diz: 'O tipo é um incendiário'. E Montenegro, a seguir, vem, todo Calimero, dizer que não percebe a reacção.

Não ouvi o que ele disse no Natal (e, aliás, por questões de prevenção sanitárias e/ou higiénicas, furto-me, cada vez mais, a ser incomodada pelo que ele diz) mas, a julgar pelas reacções praticamente unânimes de que me tenho apercebido, é bem provável que tenham razão.

Face ao coro generalizado de protestos, Montenegro veio dizer coisas. E, como, na realidade, pouco tinha a dizer, para parecer que tinha muito, usou uma táctica muito frequente entre os seus ministros: usa sinónimos em catadupa. Ou, se não sinónimos, expressões complementares que nada acrescentam.

Veja-se:

(...) voltou hoje ao tema para confessar que está "atónito e muito perplexo" com as reações e críticas.

Montenegro considera que são "inusitados e injustificados" os argumentos

"É incorreto, é indesejável e impróprio atirar essa pedra para cima do debate"

Expressões retiradas do artigo do Expresso "Primeiro-ministro confessa-se "atónito" com "discussão pública" sobre segurança"

Só disparates, digo eu (e aqui refiro-me às reacções do Mentenegro).

E eu daqui lhe envio uma sugestão: Senhor Mentenegro acredite no que os outros dizem de si. Acredite. Se as pessoas que o ouvem pensam que o senhor é um incendiário, que está a executar a política do Chega, que o senhor é inconsistente, incoerente, pouco amigo da verdade e da honestidade intelectual, se calhar têm razão, se calhar é porque o senhor lhes dá motivos para isso. Ouça: e mesmo que, por vezes, não tenham 100% razão, é essa a percepção que têm. E, o senhor sabe (oh se sabe, não é...?), que o que está a dar são as percepções. É ou não é?

segunda-feira, dezembro 02, 2024

Alô, alô Ricardo Araújo Pereira! Só o Ministro da Educação, o Montenegro e o Lentão é que fizeram figuras de urso?
Então e o devoto Marques Mendes na homilia semanal na SIC... não?
E o reincidente João Vieira Pereira do Expresso... não?
E todos os outros papagaios que enxameiam o comentariado nacional que não tiveram o discernimento de perceber que aquela tanga dos 90% era impossível... também não?

 

A propósito da confirmação de que os números anunciados pelo Fernando Alexandre sobre o número de alunos sem professores eram aquilo que qualquer pessoa com dois dedos de testa percebia de imediato -- uma patranha, um logro, uma estupidez --, assisti a um belo momento no 'Isto é gozar com quem trabalha', com o RAP a mangar que nem o perdido com:

-- a cagança do ministrozito da Educação a dizer que veio do meio académico e que era melhor que não soubesse perceber os números, que redução assim, de 90%, do número de alunos sem professores sem professores, nunca se tinha visto, só com ele, 

-- com o Montenegro que, com o seu intragável sorrisinho pimpão, andou a dizer que claro que os números estavam certos e que eles, ao contrário de outros, prometem e fazem, 

-- e com o Lentão Amaro, como sempre um totó de todo o tamanho a dizer as lerdices do costume, a gabar-se nem ele sabe exactamente de quê, só sabe que são feitos históricos.

Mas foi pena que não tivesse incluído nos que andaram a fazer figuras de urso, o Marques Mendes e o João Vieira Pereira que, infelizmente, continuam a papar toda a porcaria que o Governo lhes põe à frente.

Marques Mendes, que quer ser presidente, devia ter mais discernimento e rigor. Faz figura de urso, e não é pouco, a tentar enfiar-nos pela goela abaixo toda a porcaria que o Governo diz e faz.

E o João Voeira Pereira já se espalhou tanto ao comprido ao fazer fé nas patranhas do Governo Mentenegro que já deveria ter aprendido a não lhe dar ouvidos e a não fazer o Expresso passar por mais vergonhas. Francamente... é ingenuidade, tontice ou é obrigado a fazer fretes? Não percebo.

sábado, novembro 09, 2024

11 (ONZE!!!!)
Notícia do Expresso: INEM: Montenegro (...) diz que Governo não pode “andar atrás de pré-avisos de greve e a fazer reuniões de emergência”
Pergunto:
Ah não...? Mesmo quando o tema é a emergência médica? Os portugueses que se lixem... é isso?
Que morram à espera de um socorro que não chega?
É isso, Senhor Montenegro?!
A morte de 11 (ONZE!) pessoas alegadamente por falta de auxílio atempado não lhe pesa na consciência?

 

Mentenegro, que já em tempos, mais concretamente nos idos do seu guru Passos Coelho, apregoou que Portugal estava melhor, os portugueses é que não, afinal, anos decorridos, mantém a mesma filosofia: o Governo faz o que lhe dá na gana, faz esperar os sindicatos mesmo quando está em causa o atendimento urgente de doentes, por vezes doentes em situação limite, destitui conselhos de administração e directores de institutos ou serviços, por vezes quase correndo com eles a pontapé, assiste de galeria a mortes sucessivas por falta de atempado socorro (a ser verdade o que a comunicação social tem amplamente noticiado, parece que o número já vai em 11 (onze!) no prazo de uma semana) .... e a gente depreende das suas palavras que, se for preciso, para não ter que andar atrás dos avisos de greve, por ele assim pode continuar.

Se os que são escorraçados ficam sentidos, humilhados, e se os portugueses se transformam em vítimas impotentes... azarinho. O Governo não pode andar atrás da resolução dos problemas, segundo ele. Os problemas que esperem que Mentenegro e a sua inqualificável trupe têm mais que fazer.

É esta a pesporrência deste Governo de incompetentes, irresponsáveis e inconscientes.

E Marcelo, que apadrinha esta cambada, nada diz, nada faz.

Coitados de nós à mercê desta gentinha. Desta gentalha. Coitados de nós.

Ouvi que mais uma mulher grávida, no Algarve, depois de fazer mais de 100 km, acabou por dar à luz na ambulância, na autoestrada. 

Imagine-se se um destes partos corre mal e é preciso intervir. O que se faz? Deixa-se morrer a mãe? Deixa-se morrer a criança?

Ouvi também agora que morreu a oitava pessoa. Um homem de 53 anos que se sentiu mal. Ligou, ligou e nada, ninguém o atendeu. Em desespero, meteu-se à estrada, tentando chegar ao hospital. Imagine-se a aflição, o sofrimento limite. Morreu. Morreu na estrada.

Entretanto, na televisão, vejo o Mentenegro a sorrir e a dizer que não se resolvem os assuntos com demissões de ministros nem indo a correr atrás dos problemas. Sorri, sorri. Não sei porque sorri. Mas sorri. 

E não percebe que ele é que se devia demitir. Ele. Ele é o maior responsável pelo que está a passar. Ele é o maior irresponsável. Não percebe que o seu comportamento causa alarme social.

E vejo também que entrevistaram Marcelo que também sorri e também diz que não vai dizer nada. Também não sei porque é que Marcelo sorri. Sorri porquê, Presidente Marcelo? 

Tanta cobardia, tanto cinismo e tanta indiferença perante a gravidade da situação chocam-me.

Vi também o presidente do INEM, escolhido por este Governo (na sequência de mais um dos vários 'caldinhos' arranjados por esta incompetente ministra: ou seja, esta pessoa, um médico de 42 anos, foi escolhido após a demissão de Luís Meira e a nega de Vítor Almeida). Não deve fazer ideia de como se gere uma coisa como o INEM. Nunca deve ter ouvido falar em Serviços Mínimos, só para dar um exemplo. É que não se espera que a pessoa que gere um organismo como o INEM vá ele próprio resgatar vidas, espera-se é que saiba gerir equipas, fazer escalas, ter indicadores que meçam o bom desempenho, saiba resolver assuntos de várias naturezas como controlar gastos, negociar contratos, fazer aquisições estratégicas, etc. Grave é quem escolhe gente inexperiente para organismos que, por lidarem com a vida humana, se não forem bem geridas, têm consequências dramáticas. Quem paga é quem fica caído no passeio, quem, em desespero e pelos seus próprios meios, morre ao volante tentando chegar ao hospital.

Tudo isto é demasiado preocupante para poder passar em branco. Preocupante e grave.

Tem que haver consequências. E as consequências têm que ser proporcionais à gravidade do que tem estado a acontecer.

Leio que Mentenegro (e Marcelo, na bancada, a apoiar?) diz que Ana Paula Martins e Margarida Fiasco (como ontem ouvi dizer que lhe chamam) só saem quando resolverem os problemas. Como? Pode ser Mentenegro tão destituído e irresponsável que não perceba que elas são parte do problema?!

Se ainda não percebeu, então é ele, Montenegro, o tangas que venceu as eleições vendendo jogo branco, que já se tornou também o problema, é ele o responsável por estas escolhas, por estas avaliações, pelas graves ocorrências que têm acontecido.

sábado, outubro 26, 2024

Há uma coisa que eu não compreendo: quem compra os livros ou lê as crónicas do Gonçalo M. Tavares gosta do que lê? A sério...?
Pergunto.
.

 

Este fim de semana, por uma vez desde há séculos, comprámos o Expresso. Estava curiosa com uma coisa. Muita parra e pouca uva. De facto aquele jornalista, ou lá o que é, é um tretas. Nem vou comentar junto do meu marido pois ele bem me avisou. De facto. Tipo mais tangas.

Contudo não se perdeu tudo pois, de caminho, estive a ler o resto. Deliciei-me com aqueles de quem sempre gostei, de que continuo a gostar e de quem, tenho a certeza, sempre gostarei.

E espantei-me, uma vez mais, com a vacuidade e o disparate pegado do que o Gonçalo M. Tavares escreve. E fiquei, de novo, na dúvida: serei mentecapta? insensível? ceguinha perante a qualidade? 

É que, se há tanta gente que gosta, quem sabe se o problema não é meu...

O que eu gostava mesto é que algum dos admiradores dele viesse aqui e me explicasse. A sério. Gostava mesmo de saber.

domingo, maio 05, 2024

O plano de verão que a ministra da Saúde pediu a Fernando Araújo é, afinal, da competência da DGS — que já o fez — e do ministério...?

[É o que o Expresso diz]

 

Mas isto é para a gente se rir ou quê? 

Que gente mais desqualificada e impreparada e doida-varrida é esta...?

Transcrevo:AD, 

A ministra da Saúde disse que o CEO do SNS se recusou a elaborar o Plano de Contingência de verão do Serviço Nacional de Saúde e mostrou-se surpreendida pelo facto de o documento ainda não existir. Porém, segundo um despacho de 2023, não compete à Direção-Executiva elaborar o plano. A Direção-Geral da Saúde já publicou o referencial orientador a 30 de abril e agora as unidades de saúde têm um mês para se pronunciarem (...)

domingo, abril 14, 2024

Para sempre estampada na pedra, a fraude da AD ao anunciar como sua uma descida de impostos já em curso e posta em prática pelo PS

 


Já aqui falámos, eu e o meu marido, sobre a pantomina fiscal de Montenegro -- A inventona governamental da descida do IRS, na expressão de Vital Moreira -- que fez do choque fiscal a sua bandeira levando muitos eleitores ao engano, muito provavelmente, conseguindo ganhar as eleições (apesar de ser por uma unha negra) à custa desse embuste.

Veio agora, mais uma vez feito chico-esperto, dizer que todos os portugueses, incluindo os jornalistas, perceberam mal, inventaram e ficcionaram. Fez mal outra vez. 

Ao dizer que os jornalistas ficcionaram, desacreditando-os profissionalmente, abre um fosso de descredibilização para onde atira todos não percebendo que, ao agir assim, é ele que, com isto, se enterra.

Mas mais grave do que o caso em si é a atitude, o carácter de quem age assim, usando conversa enganadora, não se importando de navegar em águas dúbias em que todos os logros são possíveis.

Diz que no documento está escrito que a verba anunciada comparava com o ano anterior. Não digo que não. Não li o documento. Mas a comunicação, em especial quando a matéria é sensível como é o caso de matéria fiscal, deve ser clara e inequívoca. Ora, a ser como Montenegro diz, então a comunicação foi traiçoeira, enganadora, fosca e pantanosa. 

Na realidade, pela cabeça de quem é que passa anunciar como sua grande medida eleitoral uma coisa que, na sua essência e na sua quase totalidade, já está em vigor (ainda por cima, sendo resultante de um orçamento que vetou e posta em prática pelo seu principal opositor)? Penso que só pela cabeça de uma criatura sem vergonha nenhuma, uma pessoa com carácter muito duvidoso. 

Quem age assim é capaz de fazer mais o quê? Quem desrespeita assim a inteligência e a confiança da população e a honorabilidade de uma classe profissional (a dos jornalistas) merece o quê? 

Respondo: merece desprezo.

_____________________________

Escrevo enquanto, em directo, se tenta perceber o alcance da ofensiva do Irão a Israel. Vamos ver no que isto vai dar mas pode não ser boa coisa (to say the least). Mesmo neste capítulo, grave, temo pela capacidade do nosso Governo estar à altura de crises sérias. Pela cabeça de quem passou a ideia de pôr o Rangel em MNE? Pelo amor da santa.

sábado, abril 13, 2024

Chico-espertos? Aldrabões? Reincidentes patológicos? Simplesmente parvos...?

 

É só o que pergunto, e, na minha perplexidade, repito: 

São chico-espertos? Aldrabões? Reincidentes patológicos? Simplesmente parvos...?

Ou quê...?



Redução de IRS deverá rondar apenas os 200 milhões de euros. Os 1,5 mil milhões de euros anunciados por Luis Montenegro já abrangem a redução de IRS em vigor, aprovada pela anterior maioria socialista... [No Expresso]







[Vídeo no link]


[Vídeo no link]


Mas que estupidez vem a ser esta?

Julgam que estão a lidar com mentecaptos ou quê?

Montenegro julga que vale tudo?

Que pouca vergonha vem a ser esta?????

E Marcelo? O que tem a dizer disto? Acha bem ter deitado abaixo um governo de maioria absoluta para lá ter agora um governo que, ao que parece, actua na base da charlatanice?

Montenegro está a entrar com pé esquerdo, está a começar mal. Em menos de uma semana perdeu totalmente a credibilidade. 


Reacção do Expresso da sequência de notícia anterior, não desmentida


Inédita a reacção do Expresso, ("Nota do diretor: É mais do que um embuste. É mentir aos portugueses") com João Vieira Pereira revelando, por uma vez, que os tem no sítio  -- o que revela bem a gravidade do que está a passar-se.


Mas não é apenas a Comunicação Social a manifestar espanto e desagrado:


[Ouço jornalistas e comentadores nos diversos canais e a reacção é unânime: isto é de enorme gravidade, deveras embaraçoso, é um embuste, é uma fraude, uma pantomina, um logro, uma trampolinice, uma desonestidade para com os portugueses, a montanha a parir um rato, amadorismo, ridículo, apropriação de uma medida anterior, manipulação grosseira, é gato por lebre, e não vale a pena dizer que o país todo percebeu mal. Por exemplo, enquanto escrevo, ouço agora o Pedro Sousa Carvalho na RTP 3 a dizer que parece que a AD fez campanha eleitoral com base numa mentira, prometendo um choque fiscal que, agora, pelo que se vê, não passa da redução fiscal que o governo PS já tinha posto em prática]


Não me lembro de uma habilidade (ou melhor, desonestidade) desta monta levada a cabo por um Governo. 

Montenegro não vai longe assim. Não vai, não. 

[E não vou aqui falar no tom trauliteiro, arruaceiro e descabido usado pelo Rangel ou pelo Hugo Soares. Não vou falar apenas porque não quero desviar-me do tema principal deste post.)

segunda-feira, julho 31, 2023

Onde não se fala do divórcio entre a Catarina Furtado e o João Reis
(isso fica o Expresso, esse jornal de referência)
mas sobre o que há depois da vida, segundo Einstein

 

Estamos decididamente na silly season e, por isso, deslizo pelas notícias sem conseguir fixar-me em nenhuma. É verdade que as circunstâncias também não propiciam grande paciência para com futilidades ou coisas muito déjà vu. Um dos meninos tinha feito anos já vai para uma semana e, porque, nestas alturas, se acumulam aniversários com férias dos pais, ainda não tinha conseguido festejar com a família. Por isso, foi hoje e cá o tivemos a apagar as velas num belo bolo do Sporting.

Por isso, depois de ver as cabriolices que fazem em catadupa e que me deixam sempre apreensiva e com receio que se magoem pois um faz e os outros todos querem reproduzir, incluindo o mais novo, depois dos festejos e depois de uma bela tarde em família, obviamente não me dá para coisecas que não interessam nem ao menino jesus (no pun intended).

Mas, se não tenho pachorra para sillyzices, também tenho claro que temas mais complexos não são adequados a estas alturas em que o calor aperta e a saturação se instala.

Contudo, vi agora uns vídeos que me parecem deveras interessantes. Escolhi um deles para aqui partilhar pois, parecendo que não, se calhar até tem alguma oportunidade. 

Aquilo que, segundo os crentes, é uma perspectiva animadora, a de que, quando se morre, se vai para um paraíso que é só leite e mel (isto se as portas se lhe abrirem, claro), a mim sempre me pareceu uma fantasia desprovida de sentido. Haver algures, nos confins do céu, um branco open space, cheio de finados que sorriem a todo o tempo numa de peace and love, parece-me delirante e, sobretudo, desprovido de qualquer razoabilidade lógica e científica. Claro que ficam na nossa memória, embalados pelo nosso afecto. Mas, do ponto de vista, físico, material, a conversa é outra.

Numa de que as partículas elementares de que somos feitos podem desagregar-se quando lhes faltar a energia que as mantém agregadas e, uma vez soltas, agregar-se de uma qualquer outra maneira, consigo conceber que, de certa forma, algo dos que morreram continua a pairar por aí. 

Agora nunca me tinha lembrado que se pode olhar para este complexo e perturbante tema numa perspectiva de espaço-tempo. É que, segundo essa perspectiva, o tema adquire uma dimensão que, de certa forma, traz atemporalidade àquilo a que chamamos vida. E isso é extraordinário.

Apesar da física das partículas elementares ser fascinante para mim, a verdade é que o seu entendimento não me é linear, fácil. Deixo-me levar, neste domínio, confesso, mais pela intuição e pela poética do que pela matemática. 

Por isso, não consigo pronunciar-me sobre o que aqui se diz, não consigo dizer se está certo ou se é provável. Consigo, apenas, dizer que me parece muito interessante.

Sabine Hossenfelder é uma física teórica e uma comunicadora. Fala sem rodriguinhos, sem deambulações por territórios metafísicos. 

The “afterlife” according to Einstein’s special relativity | Sabine Hossenfelder

Sabine Hossenfelder investiga as grandes questões da vida através das lentes da física, particularmente a teoria da relatividade especial de Einstein. Ela destaca a relatividade da simultaneidade, que afirma que a noção de "agora" é subjetiva e dependente do observador. Isso leva ao conceito de universo de blocos, onde passado, presente e futuro existem simultaneamente, tornando o passado tão real quanto o presente.

Hossenfelder também enfatiza que as leis fundamentais da natureza preservam a informação em vez de destruí-la. Embora as informações sobre uma pessoa falecida se dispersem, elas permanecem parte integrante do universo. Essa ideia de existência atemporal, derivada do estudo da física fundamental, oferece percepções espirituais profundas que podem ser difíceis de internalizar na nossa vida quotidiana. Como resultado, Hossenfelder encoraja as pessoas a confiar no método científico e aceitar as profundas implicações dessas descobertas, que podem remodelar a nossa compreensão da vida e da existência.

Como físico, Hossenfelder confia no conhecimento adquirido por meio do método científico e reconhece o desafio de integrar essas percepções profundas nas nossas experiências diárias. Ao contemplar esses conceitos profundos, podemos potencialmente expandir a nossa compreensão da realidade e nosso lugar dentro dela.


___________________________________________________

Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Serenidade. Paz.

domingo, novembro 28, 2021

Mas alguém com dois dedos de testa* acreditou que o Rangel tinha alguma hipótese?

 



Que o Rangel não tem perfil (e não me refiro ao físico) nem estatura (e não me refiro à física) nem cabedal (e não me refiro ao físico) nem tino para poder vir a ser primeiro-ministro parece-me óbvio.

Que ele, dada a falta de tino, não tenha percebido isso parece-me natural. 

Agora que tanta gente também o não tenha percebido já me parece mais estranho. Seriam agentes infiltrados ao serviço do Chega? 

E que o Expresso e todos os media da Impresa também não o tenham percebido aí já me parece o carimbo que lhes faltava para que seja público e notório que a malta das respectivas direcções nao têm os alqueires bem medidos.

Andaram a levá-lo ao colo, a dar-lhe colinho de todas as maneiras possíveis e imaginárias... sem perceberem que aquilo ali nem para delegado de turma servia? 

Como podemos levá-los a sério quando falarem do que quer que seja, quando fomos testemunhas da flagrante burrice que cometeram ao alavancar de todas as maneiras possíveis e imaginárias um personagem que poderia figurar num romance do Eça mas jamais na vida política real no século XXI?

Nesta coisa da sua derrota perante o Rui Rio é a única coisa que me ocorre e que me parece digna de merecer a nossa atenção: que confiança podemos ter, doravante, na inteligência dos PSDs que o apoiaram (tantos) e dos jornalistas e comentadores que o apaparicaram -- mesmo perante as mais aparatosas evidências que nem para primeiro-ministro de um país inventado numa qualquer comédia amalucada o Rangel serviria?

O seu discurso de derrota não foi digno coisíssima nenhuma como agora os mentecaptos e lambe-cus vão dizer: foi apenas o discurso de quem quer sair de fininho da porcaria que armou, ainda por cima que armou para sair batido e de rabo entre as pernas. É aquela coisa que caracteriza os estúpidos: fazem porcaria que prejudica os outros e que os prejudica a eles próprios. Disse ele que as eleições foram boas para consagrar o vencedor. Conversa de barata tonta. O partido vai continuar como estava, com o Rio à frente e com ele entretido a dizer balelas. O que ele conseguiu foi fazer o partido gastar dinheiro para nada e pôr metade do partido a dizer mal da outra metade.

Claro que agora vai pôr-se em bicos de pés a fingir que é leal e um santo banhado em dignidade. Santo só se for do pau oco (no pun intended). E leal o tanas: quer é pôr-se a jeito para ser convidado pelo Rio para uma coisa qualquer. Rangel é daqueles que anda sempre à babugem. 

É como o Assis. Catatuas falantes, sempre prontas para darem bicadas nos legítimos para mostrarem à comunicação social, ou seja, à opinião pública, que estão vivas e que são alternativas. Como se a opinião pública quisesse saber delas (delas, catatuas) para alguma coisa. 

Não há pachorra.

Quanto ao Rio o que tenho a dizer é que é um burocrata, um fulano que frequentemente se porta como um totó sem sentido de humor em que, ao fazer de conta que o tem, se sai com palermices que não lembram ao diabo. 

Mas, do que lhe tenho visto, parece-me que, em regra, pensa no país antes de pensar no partido, às vezes pode parecer que é um bocado parvo mas, em geral, estou em crer que não é parvo nenhum, e é de boas contas e, por acaso, até acredito que seja bem formado.

Pode faltar-lhe uma certa falta de noção bem como um certo pendor humanista; e acredito que a nível de sentido estético seja um desastre; e, a nível de cultura, em geral, não faço ideia mas, quando estava no Porto, tenho ideia que diziam que era um calhau. Se calhar é.

Não se coloca a questão de se eu votaria nele ou não pois está à frente do PSD e eu não voto em sacos de gatos, ainda por cima gatos que ou são uns oportunistas ou canibais ou autofágicos. Ou seja, gatos que não se recomendam.

Mas uma coisa eu posso dizer. Se o PS tiver que se coligar com alguém, acho que fica melhor servido a entender-se com um Rui Rio do que com uma populista e uma vendida como a Catarina Martins. Quanto ao Jerónimo prefiro nem me alongar muito. Pode ser digno e respeitável mas já por duas vezes se juntou à direita para agradar aos seus mais retrógrados correligionários. Portanto, como não há duas sem três, é melhor não lhe proporcionar essa terceira oportunidade.

Tirando isso, não sei que mais há a dizer sobre o tema.

O que vale é que é domingo. Se estiver frio como neste sábado a ver se acendemos a lareira. 

------------------------------------------------------------------------------

* A testa a que no título me refiro também não é física

---------------------------------------------------------------------------------------

Pode muito bem acontecer que alguns de vocês que, aí desse lado, me acompanham achem que a pintura de Carl Heinrich Bloch (1834 - 1890) e a Humoresque de Dvořák não estão aqui a fazer nada. Pode ser. Mas a minha opinião não é bem essa: se calhar o Rangel é que está a mais. O Rangel, o Assis e mais o que não estão aqui no post mas estão por aí -- o Chicão, o Ventura, o trio Mortáguas & CMartins e toda essa gente que apenas polui o ambiente.

-------------------------------------------------------------------------------

Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, março 01, 2020

Numa cabana sobre o rio, a ouvir a chuva





Foi por mero acaso. Era para ser noutro sítio, num lugar normal. Mas depois este tempo, de chuva, 
aí não, que graça tem?, não achas? 
acho, mas então onde?, aqui? 
aí acho que não, junto à praia com o tempo assim não tem grande jeito
pois, concordo, mas então onde?
não sei, não estou bem a ver
olha, e se for aqui? 
não sei, parece que também não me inspira, 
e assim, nesta hesitante preguiça, acabámos por pensar vir conhecer a região onde o meu filho tinha estado recentemente. Escolhemos um lugar que pareceu bonito, diferente. Cheio, excepto uma última cabana na encosta sobre o rio, desistência de última hora. Como uma casinha na árvore, mignonne como um ninho aconchegado. Um ninho feito de madeira, ainda com o perfume da madeira, confortável, pequenino e suficiente. Uma pequena cabana mergulhada na natureza.


Agora, enquanto escrevo, ouço a chuva a cair lá fora. Som tão bom. Ouço e é um som familiar, melhor: maternal, coisa do início dos tempos.

Tudo aqui está cheio de vida e de beleza. Fomos a pé até ao rio. As rochas estão molhadas, a terra está atapetada de musgo. Andámos no passadiço sobre as águas, vimos as margens férteis, as árvores inclinando-se, as folhagens tentadas, querendo ir a banhos. Tudo tão bonito, tão verde.


Vim com vários livros -- e, se agora não estivesse aqui tão quentinha, levantava-me e ia fotografá-los para vos mostrar -- mas, na estação de serviço, deu-me aquela vontade que me dá quando me cheira a férias e que antes me levava sempre a querer comprar uma revista e que agora, um pouco mais sensata, se ficou pelo Expresso. Mas ainda só li no carro pois aqui o tempo não tem chegado para desfrutar leituras. De tarde, fomos conhecer as redondezas e já tive uma agradável surpresa. A ver se ainda vos mostro. Ia à procura de uma terra soturna e austera (austera foi a minha filha que disse há pouco quando lhe contei da surpresa por ir a contar que a terra estivesse embrenhada em seco negrume e não me ocorria a palavra para o classificar). Que terra preciosa fui descobrir. Tenho mesmo que falar nela. 


Aqui ao meu lado um cavalheiro lê um livro. Como é usual, é um livro de História. Não sei porque escolheu uma área tão radicalmente oposta à História. Penso que um dia que tenha tempo para isso ainda irá dedicar-se mesmo à coisa. Estava tão absorto que nem deve ter reparado que o fotografei. Mas, para aqui mostrar, já lhe cortei um pedaço senão passava-se. Assim só se vê o livro que está a segurar. Não costumo estar na cama a escrever no computador enquanto ele lê. Agora também podia estar ali, na zona do sofá ou na secretária. Mas apetece-me estar aqui, quentinha. Ele, receando que estivesse frio, trouxe para dormir uma blusa fininha preta, creio que foi o meu filho que lhe deu quando ele fazia pilates ou lá o que era no ginásio. Agora aqui de tshirt preta e de óculos, coisa que só usa para ler, até me surpreendeu. Disse-lhe que só falta estar de gola alta para parecer o Sócrates. Ele olhou espantado, não percebeu. Acrescentei que aliás só falta também ter mais cabelo. E, pensando bem, acho que o Sócrates nem usa óculos. Se calhar, bem vistas as coisas, razão tem ele para não perceber.


Entretanto, o som da chuva abrandou e ouço agora também uma aragem mais forte. As árvores nuas estão lindas.

Há aqui umas que não sei o que são mas que dão umas coisas curiosas, nunca tinha visto. Ainda pensei que talvez fossem castanhas mas não, as castanhas vêm envoltas em ouricinhos. Lembrei-me da palavra bugalho e fui ver. Sim, é capaz de ser bugalho. Se calhar são carvalhos estas árvores.

Este planeta é uma gigante arca do tesouro a céu aberto. Maravilho-me com tudo isto que brota da terra, construções surpreendentes, infinitos milagres.


E o  mesmo sobre o meu país. Tão lindo. Gostava de chegar ao mapa e dividi-lo em quadrículas para, escrupulosamente, as conhecer bem uma a uma. Não deve haver bocadinho que não seja cheio de encantos. 

Bem.

Vou ver se leio um pouco mais e se depois ainda cá volto para um petit rien. Podia já tratar disso mas estou com vontade de ir ler ali umas coisas. Tenho pena que o Expresso, a nível de jornalismo político e/ou de actualidade, seja tão leviano, tão populista, por vezes tão torpemente vulgar. A primeira página deste sábado é apenas mais um exemplo disso, uma descontextualização infame do que Graça Freitas disse. Não posso pactuar com essa linha editorial e, de cada vez que constato que perderam completamente a vergonha, mais me convenço que não devo comprar o jornal. Mas a nível cultural continuo a encontrar múltiplos motivos de interesse. Há ali gente que, ano após ano, sustentadamente, mantém a qualidade na análise e na escrita, a elegância no uso da palavra, a frescura das ideias nascidas de novo. Quando os releio sinto prazer. Ler o que uma pessoa inteligente e culta escreve é estimulante. E, por eles, tenho muita pena de não poder acompanhá-los com a regularidade que mereciam.


<<<<<>>>>><<<<<>>>>><<<<<>>>>><<<<<>>>>><<<<<>>>>><<<<<>>>>>

Do LS, Leitor que de vez em quando me oferece poemas, muitas vezes enviando-me também vídeos nos quais os poemas são lidos por si, recebi ontem dois. Cometo a ousadia de aqui transcrever um deles sem antes obter a sua autorização mas penso que ele perceberá que seria uma pena eu não os partilhar com todos os que por aqui me aturam.  E, LS, uma vez mais, agradeço a sua simpatia e generosidade.

A ânsia
a febre
a fome
no teu ventre se afundando
me consome;
um gesto de asas
preso na garganta,
os dias suspensos
de teus dedos,
os cabelos densos
de segredos...
Rios de desejo
correndo ao rés da pele
na superfície febril
dos teus braços...
A ânsia
a febre
a fome
ao ritmo dos teus passos
desvendando
lentamente
o mistério do teu nome.


____________________________________

Agora que se sabe que o Luis Sepúlveda está infectado com o COVID-19 e que esteve em Portugal,  no Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim,  sugiro a leitura que o João L. deixou, em comentário, no post abaixo: COVID-19—New Insights on a Rapidly Changing Epidemic

__________________________________

E a todos desejo um bom domingo

segunda-feira, setembro 02, 2019

Grava para sempre a alegria na fachada da tua casa
e
Caminha como o teu coração te leva






Trouxe três livros e ainda não abri o primeiro. Tenho-me ficado pelo Expresso. Não sei como, quando nada tenho para fazer é quando menos tempo me sobra. Há nisto um paradoxo que ainda não cuidei de resolver. Entre as caminhadas na praia, os almoços ligeiros na varanda, a sesta com as janelas abertas e os gritos das gaivotas por perto, depois, de novo, passeio na praia, preguiçar à sombra, ida ao mar, depois preguiçar ao sol, fotografar, regressar, nadar na piscina, banho, saída até à cidade, jantar e passeio nocturno, regresso já tarde, telefonemas à família, passa-se o dia. Tudo é feito com vagar, como se decompusesse cada fragmento de tempo nas suas ínfimas fracções e as saboreasse a todas. E neste vagaroso afã, os dias passam num instante.


Enquanto estou neste dolce far niente vou observando. Por vezes fotografo, outras vezes não posso. Por isso, não tenho como ilustrar algumas situações que ficariam com mais piada se, em vez de relatadas, pudessem ser vistas.

Paciência.

Assim, as fotografias que aqui vos mostro, feitas estas segunda-feira, nada têm a ver com o que vou escrever. As minhas fotografias são instantes captados enquanto observo mas as que aqui vos mostro são apenas aqueles em que não se reconhecem as pessoas, muito menos aquelas de que vos falarei de seguida. Ou seja, digamos que o que aqui se vê são meras abstracções. Excertos. Peças de um puzzle feito de acasos.


No outro dia, quando chegámos, vi um senhor de uns quarenta e tal anos, por aí, talvez cinquentas e picos, não sei precisar. Cabelo quase rapado dos lados e maior em cima, como agora se usa, e uma barba de uns quantos dias. O senhor era de baixa estatura. Estava de calções, tshirt justa, sem mangas, multicolorida. Via-se que cuidava do físico: ombros bem desenhados, barrigas das pernas e bíceps bem nutridos. Hoje encontrei-o ao pequeno almoço. A tshirt e os calções eram outros mas do mesmo género. Para meu espanto, logo a seguir vi outro igual, vestido quase da mesma maneira, mas em ponto grande. Não sei se deixei que a boca se abrisse, tal a perplexidade em que me vi. Segui este segundo com o olhar. Para meu espanto, foi sentar-se na mesa do outro. Iguais, um pequeno, outro grande. Quando saí, iam os dois à minha frente. Iguais. Um o dobro do outro. Pela forma afectuosa como se olhavam e se riam um para o outro, via-se que era um casal. Uma coisa delirante. Na verdade, dir-se-ia até que incestuosa. Gostava de poder fotografar para vos mostrar mas não posso. Mas creiam-me: é tal como descrevi. Um com talvez um metro e noventa e tal, um verdadeiro calmeirão musculado, e o outro talvez com um metro e sessenta, também musculado. Vestidos da mesma maneira, penteados da mesma maneira, barba igual, feições idênticas. Um perfeito nonsense.


À tarde, outra. Vínhamos no passadiço da praia atrás de dois gémeos, vestidos de igual. A diferença é que os calções de um eram às riscas verticais azuis escuras e brancas enquanto nos do outro as riscas eram encarnadas e brancas. Pólos azuis muito escuros. Chapéus de palhinha clara de aba larga e fita preta. Da mesma altura, a mesma compleição, o mesmo andar. Cada um com um saco de pano em cor crua ao ombro. Entretanto, um virou-se: asiático, talvez japonês. Já bem nos cinquentas. Óculos escuros. Estupefacta com aquilo, perguntei ao meu marido, em voz baixa: 'Mas o que é isto? Gémeos? Vestidos de igual? Mas na terra deles vestem-se de igual até serem velhos?'. O meu marido espantou-se: 'Qual gémeos? Tens com cada uma. Não vês que é um casal?'. Fiquei ainda mais parva. Perguntei: 'Japoneses?'. Diz ele: 'Sei lá se são japoneses. Um não deve ser'. Entretanto pararam, o japonês a meter uma pedra de gelo na boca de outro, de óculos escuros iguais, e esse, a seguir, a querer devolver a pedra ao outro, tentando colocá-la também na boca do japonês. De facto, um deles, francamente abichanado, não tinha traços orientais. Mas vestidos de igual? Almas gémeas, só pode. Também seria bom se pudesse fotografar porque, na realidade, só visto. Uma coisa digna dos 'apanhados'.


Na praia, de tarde, ficámos cá mais em cima, ao lado de duas espanholas. Conversaram o tempo todo mas falavam baixo. Era uma música de fundo boa de ouvir. Apenas quando uma chegou a espreguiçadeira dela para a sombra, para mais perto da minha, ouvi que estava a pensar seguir para a Tailândia ou para o Vietname. A outra falava em Machu Picchu. Andariam pelos quarenta e tal. Percebi que falavam de viagens, de irem encontrar outras pessoas, falavam das melhores alturas do ano para visitarem alguns países.

Olhei-as tentando perceber o que faz com que umas pessoas tenham em si, sempre activo, o motor das viagens enquanto outras têm, sempre presentes, os laços da família. À vista desarmada não vi nelas nada de substancialmente diferente de mim. Deve ser uma coisa genética, oculta.
Nós, quando os nossos filhos viviam connosco e os meus pais eram independentes e saudáveis, viajávamos bastante. Como já disse muitas vezes, depois, em especial com o AVC do meu pai e o estado sempre periclitante dele, com a idade de ambos que me faz recear afastar-me, e com a vontade de estar sempre disponível para o que os meus filhos precisarem, já não me sinto bem a planear afastar-me muito de casa. Sei que é absurdo -- até porque o meu pai já teve o AVC já nem sei há quanto tempo, talvez há uma dúzia de anos, e os meus filhos têm mais quem os possa apoiar em caso de necessidade -- mas, nada a fazer, é mais forte que eu. Agora já é o mais crescido a desafiar-me a ir passear com ele para fora e isso, tenho que confessar, anda a puxar pelas fibras adormecidas do meu motor de viajeira. Anda, anda.

Tirando isso, nada. Não tenho planos para esta segunda-feira. O plano é não ter planos. Talvez leve um livro para a praia na parte da tarde. Na parte da manhã não consigo, o sol é forte, não dá.

Vou vendo os mails do trabalho já que me põem em conhecimento de quase tudo mas fico na minha, caladinha, como se aquilo se passasse noutro planeta. Claro que já fiz uns telefonemas para alguns dos que trabalham directamente comigo mas coisa ligeira, tudo na boazinha, apoiozinho remoto na base do levezinho. A outros, que me convocam para isto, aquilo e o outro, limito-me a responder que estou de férias. Pimbas. E com que prazer sinto que me estou a livrar de belas estopadas. Apenas a um, em que o estupor escrevia uma coisa que me fez chegar a mostrada ao nariz, atirei um petardo. Estúpido como é, em vez de ficar caladinho a esfregar o lugar onde apanhou com ele, resolveu ripostar. E eu nem pestanejei: atirei-lhe um outro, fulminante, que o deve ter deixado de cabeça às voltas. Ainda por cima, como fiz reply all e ele tinha posto o administrador, chefe dele, em conhecimento, o outro testemunhou a tareia que o parvalhão levou. Há coisas que nem a brisa do mar faz com que eu as suporte.


E é isto. E, portanto, assim sendo, termino com duas frases que li na excelente entrevista feita à Lourdes Castro, para o Expresso, pelo João Pacheco (que também a fotografou no seu pedaço de terra, entre árvores e pedras, na Madeira) e que são o seu lema de vida:
Grava para sempre a alegria na fachada da tua casa [do original, em francês: 'Cloue à jamais la joie au front de ta demeure']
e
Caminha como o teu coração te leva
Bem poderiam ser também o meu lema de vida. E nestes dias de sol, mar, azul, luz e sereno vagar não me ocorre nada melhor para vos desejar também: que a alegria habite a vossa casa e que o coração guie os vossos passos.

segunda-feira, agosto 19, 2019

Os considerandos do Pardal.
E as conclusões possíveis dos absurdos considerantos que levaram a que tivessem desconvocado a greve.
[E uns breves apontamentos sobre a posição do PSD e do BE em toda esta 'palhaçada' *]


Vinha no carro quando ouvi as conclusões do plenário do Sindicato do Pardal. Depois de uma série de considerandos, considerando que, considerando que, em que matavam e esfolavam a Antram e mais os malvados dos patrões e quando a conversa só podia ter como conclusão a continuação da greve, eis que num impensável flic-flac, a conclusão foi, justamente o fim da greve.

Ficámos a olhar um para o outro. Só me lembrei da expressão que o mesmo Pardal usou, dias antes, para classificar o que se estava a passar: uma palhaçada (*).

Claro que não foi preciso chegar ao 7º dia para se perceber que os motoristas:
  • já estavam cansados por verem a greve estéril em que se tinham metido, 
  • já não havia dúvida que a baderna que pretendiam armar (vide o mail de Fernando Frazão, referido pelo Expresso, Fernando Frazão que já antes tinha escrito a Marcelo], causando o caos no País, tinha sido neutralizada pela actuação atempada e inteligente do Governo, 
  • já deveriam estar apreensivos vendo os outros sindicatos a chegar a acordo e eles longe disso,
  • já deviam estar baralhados com os argumentos do Pardal já que a Antram se tem mostrado disponível para negociar desde que não com o cutelo da greve sobre as cabeças e com os sucessivos apelos do Governo a que se sentassem para negociar, se necessário com a sua mediação,
  • já deveriam estar a temer terem sido instrumentalizados por uma criatura cujos actos parecem ter contornos algo duvidosos e cuja assessoria começa a parecer-lhes muito cara
e, segundo se foi sabendo, as vozes a pedir o fim da greve aumentavam de dia para dia.

Aliás, há alguns dias, já alguns se manifestavam publicamente, chegando ao extremo de querer que o Governo decretasse a requisição civil total -- o que revela bem o desnorte de grande parte deles.

Portanto, a decisão não poderia ser outra que não esta -- e ainda bem. O ridículo de tudo é a forma como o recuo foi concretizado, o total absurdo das razões invocadas, aquela ridícula sucessão de considerandos.

Portanto, conclui-se que para o Pardal as palavras não valem uma casca de caracol: diz uma coisa como se quisessse dizer o contrário para chegar onde lhe convém mesmo que isso nada tenha a ver com o que acabou de dizer. Penso que pode também concluir-se que têm razão os que dizem que o Pardal é perigoso, manipulador, populista e o instrumento fácil para quem procure um agente de desestabilização (em especial em período eleitoral ou pré-eleitoral).

....    &   ....

Fantástica ilustração de Rui Rio a correr atrás do prejuízo no Expresso
(Não sei quem é o autor do 'boneco' mas é, certamente, alguém talentoso)

Claro que nisto podem também tirar-se outras conclusões. Por exemplo, o PSD voltou a dar mais um tiro no pé: entraram em cena quando o espectáculo estava a acabar, apareceram com falas trocadas, puseram-se a jeito para receber pateadas e olhares de estupefacção. É um partido que se resume hoje a um irrelevante bando de totós, gente que, na primeira oportunidade, mostra ser de má índole (veja-se este triste episódio das férias), com um mau feitio que custa a aturar. Em suma, estão reduzidos a um grupelho de gente inoportuna e desagradável. As hostes laranjas estão ao rubro e compreende-se. Só não o esfolam vivo porque isso era se ele fosse coelho.

Imagem que vem da infinita arca do
We Have Kaos in the Garden
Uma palavra também para o Bloco de Esquerda que tarde demais percebeu o que estava a passar-se.

Agora já se mostram mais reservados e já se limitam a banalidades para tentarem salvar a face. Mas a forma tonta e empolgada como apoiaram o Pardal, vendo nele um arauto da democracia, é muito preocupante.

O que vale é que estamos na silly season e provavelmente ninguém lhes prestou muita atenção. Senão, as consequências poderiam ser devastadoras para um partido que tanto tem feito para ser visto como um partido responsável, bom para estar no Governo. Se alguém lhes prestou atenção, terá visto que ainda estão bem longe disso -- confiáveis, com discernimento e sentido de Estado é coisa de que ainda não são.

E outra coisa que se pode concluir: a presença tutelar do Louçã não ajuda nada. Com aquele sorriso melífluo a temperar a pose catedrática, sempre com assento mediático, continua a pôr e dispôr junto da opinião pública, condicionando a intervenção do BE. A Catarina Martins deveria pensar nisto se quer que os seus meninos cresçam.

domingo, agosto 18, 2019

Nisto da greve do Pardal, Rui Rio e Francisco Louçã e mais uns quantos distraídos mostraram-se unidos na irresponsabilidade e na tremenda falta de sentido de Estado.
O mail de Fernando Frazão, um motorista (que escreve muito bem), explica o que estavam eles a preparar-se para fazer ao País.
Claro que a PGR e as Secretas não andam a dormir e que o Governo, felizmente, também não.
Recomendo ainda a leitura de "A seriedade e o prestígio da greve" de Helena Araújo.


O insuspeito David Dinis escreve no Expresso um artigo onde dá conta de uma coisa que, muito sinceramente, não me espanta mas que deixa a nu a irresponsabilidade dos que criticam a actuação do Governo ao garantir que o País não mergulhasse no caos que os motoristas pretendiam.

Transcrevo alguns pontos:

Motorista que transportou Marcelo avisou para “revolução civil”


Motorista que, em janeiro, transportou Marcelo escreveu um e-mail a ameaçar com uma greve que provocaria uma “revolução civil”. 

Governo mandou para PGR e secretas. email foi enviado há uma semana para uma estrutura do topo do Estado, na sexta-feira, horas antes dos plenários dos sindicatos. E fez soar os sinais de alarme. Não só por confirmar que os motoristas estariam dispostos a seguir uma estratégia de terra queimada, mas...

Em sete parágrafos, que o Expresso pode consultar, o email lembra o exemplo do Chile ou do Brasil 
26 dias foi quanto durou a greve no Chile, o governo caiu.(...)
A população vai revoltar-se e (...) está muito iminente uma revolução civil que pode não ser tão civilizada como o 25 de abril de 1974 (...)
O primeiro dia da greve talvez não tenha grande impacto, mas ao avançar-se para uma paralisação prolongada com a atenção dos media, poderá ser o caos total”, avisava Fernando Frazão, destacando à cabeça que o Algarve seria alvo preferencial “não só pela invasão de turistas, mas pela falta de gásoduto (...)
Nos primeiros dias, o Algarve foi, de facto, a região mais prejudicada pela falta de combustível. Só que o autor não contava com a eficácia da resposta do Governo ao apontar as consequências da paralisação. (...)
No segundo dia as prateleiras dos supermercados irão estar a 20/30% sem produtos de primeira necessidade; os postos de combustível estarão já a acusar rutura de stock, a agricultura começará a abrandar as colheitas para não perder os produtos da época. No terceiro dia as fábricas terão que parar pela falta da matéria-prima como pelo não escoamento do produto acabado; centrais termo-elétricas reduzirão a potncia e dar-se-à uma crise energética instalando-se o caos. (...)
Olhando para nós, uma greve dessas dimensões seria o desastre nacional
(...) A verdade é que a requisição civil travou os efeitos imediatos da greve. Mas durante a semana foram vários os avisos de responsáveis dos vários setores económicos a avisar: se a greve se prolongar por muito mais tempo, será inevitável haver problemas mais sérios.

O Expresso tentou contactar Fernando Frazão, mas sem sucesso.


---------------------------------------


Gostei muito de ler o post a seriedade e o prestígio da greve de Helena Araújo no seu blog 2 Dedos de Conversa. A sua escrita é sempre estruturada apesar de espontânea e há uma franqueza inteligente nas suas palavras que dá gosto ler.

Começa assim este post:
in South African History Online
Ultimamente tenho pensado muito numa história que ouvi a um antigo prisioneiro de Robben Island. Fora levado para a ilha já numa fase final do apartheid, e participou nas últimas greves da fome que alguns prisioneiros jovens fizeram nessa época, para exigir a melhoria das condições de vida na prisão. Se bem me lembro, exigiam água quente no duche e outros confortos semelhantes. Os prisioneiros mais antigos discordavam dessas iniciativas, e criticavam-nos imenso por estarem a desprestigiar algo tão sério como uma greve da fome por motivos que lhes pareciam ridículos. Os mais velhos - que tinham lutado para ter água doce em vez de água do mar nos duches, para ter uma cama em vez da esteira de sisal no chão, para acabar com a lista de alimentos e calorias do menu prisional conforme a cor da pele - afirmavam que a greve é a última medida à qual se deve recorrer, e apenas por motivos realmente fortes. Caso contrário, diziam, retira-se seriedade e prestígio a esse instrumento de luta.  (...)
Recomendo a integral leitura pois se há matérias sobre as quais alguma reflexão é necessária.

.................................

(A Helena Araújo está inocente quanto à escolha da imagem da chegada de prisioneiros a Robben Island que, de minha lavra, resolvi colocar junto às suas palavras)