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sábado, julho 18, 2026

[Em actualização] Sem rede... mas com muita competência*

 

Finalmente, às onze da noite, saíram as notas na escola de um dos meus netos. Recebi fotografias dos carros e do monte de alunos à porta da escola. Já as sabe, já está aliviado. Pelo menos não foi um dos 'suspensos' cujas notas não puderam ser publicadas porque as provas ou parte das provas desapareceram ou coisa que o valha. Teve as notas que esperava e, portanto, até ver, está tranquilo. 

O do 9º ano, ao contrário do que o ministro anunciou, vai continuar a aguardar, mas, enfim, sendo aborrecido e frustrante, não é determinante para a sua vida futura. 

E, como era previsível, aquela ideia anunciada pelo ministro de que iam disponibilizar a todos os alunos, sem ser necessário pedir, a cópia do exame e a correcção, por mail, não vai acontecer. Só vai ser facultada, caso a caso, a quem a pedir. Como ontem disse, enviar massivamente não seria nada de mais desde que a aplicação tivesse bem desenhada e testada. Agora, anunciado da forma que foi, que pareceu mero improviso, dificilmente correria bem às primeiras. Seria como todo este processo: erros, omissões, dúvidas, atrasos e mais atrasos, e, até ao último momento, o ministro sem perceber o que se passava. E, como parece apanágio deste governo, meteram-lhes na cabeça que a melhor forma de defesa é o ataque e, portanto, no meio da maior confusão de que há memória, teve a lata de aparecer a disparar em todas as direcções: contra os partidos que o criticaram, contra os professores, contra as escolas e, até, contra as famílias que foram imprudentes em acreditar nos calendários. A forma como as escolas e os professores, então, têm sido tratados, ameaçados e desrespeitados é insana, cobarde e revoltante. Ocorre-me, até, a palavra abjecta, mas reservo-a para mais tarde.

De qualquer maneira, parece que para a grande maioria dos alunos*, embora às quinhentas da noite, as notas já estão visíveis e já conseguirão ajuizar se devem pedir revisão ou se podem avançar para as candidaturas à próxima etapa da sua vida académica. 

Como balanço provisório, o que posso dizer é que isto não é uma transformação, não é uma modernização, nem nada do que aconteceu é normal em processos desta natureza: é, isso sim, um processo miserável, toda a gente mais aos papéis do que antes da dita 'digitalização', um verdadeiro atraso de vida, a gastarem pipas de massa, vamos ver se não houve falhas em termos de RGPD, e criando em toda a sociedade a sensação de amadorismo, de incompetência, de falta de rigor. E conduzido por um ministro arrogante, irresponsável, e, cobardemente, a sacudir a água do capote para todo o lado.

* E, tal como eu antecipava, não conseguiram concluir o processo. Não apenas deixaram para trás os alunos do 9º ano como, tal como era mais do que previsível, não conseguiram que todos os ficheiros do 12º estivessem incorruptos, sem registos com problemas (por exemplo, alunos sem classificação, alunos com classificação superior a 20, classificações com items negativos, alunos sem items classificados). Então, fizeram uma coisa que eu nem pensei que fosse legal fazer: avançaram com a divulgação das notas, deixando para trás milhares de alunos (segundo se lê nas notícias, são milhares e não centenas). Alunos sem nota nas pautas. Este governo é assim: passa por cima de toda a folha. Mesmo que a folha sejam alunos e as respectivas famílias que a esta hora devem esar bem ansiosos sem saber o que lhes vai acontecer.

E uma coisa me parece: não apenas a legalidade desta discriminação deveria ser averiguada como a forma como as correcções estão, a posteriori e à pressa, a ser feitas deveria ser muito seriamente auditada. Quem garante que, para ultrapassar o que, em alguns casos, pode ser inultrapassável de forma limpa, não substituem os erros por valores para lá postos à martelada? Marteladas em informática é a tentação óbvia para quem não sabe corrigir as coisas de forma correcta. Ainda por cima, na fase em que se está, de preparação de ficheiros, já não há professores envolvidos que possam denunciar alguma manobra pouco canónica. 

Só espero que os sindicatos dos professores, as associações de directores escolares ou de pais ou os próprios deputados exijam uma auditoria muito séria à forma como os milhares de registos errados, incompletos ou (informaticamente) corrompidos vão ser corrigidos. Read my lips: ponham-se em cima disto.

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Mas já é sábado e, muito francamente, estou sem saco para me ocupar do Fanã-alex (que anda com um cabelo que só me dá vontade chegar-lhe uma máquina de tosquiar cães) e afins. Por exemplo, ao ocorrer-me aquela coisa bizarra do atrelado que estava parqueado num recinto da PJ e foi 'dispensado' ou 'emprestado' (não faço ideia) a um empreiteiro (parece que sem alvará) que fez as obras na casa do Luís Neves, fico a pensar que talvez pudesse aqui dar um lamiré sobre o assunto. Mas, por um lado, nem sei o que dizer, não percebo nada daquilo e, por outro, não me apetece.

Andei a regar. De fato de banho, descalça, de mangueira em punho, aí, sim, aí estou na minha praia. E devia ter varrido mas estava muito calor e o calor derrete-me a energia. Felizmente parece que este sábado a temperatura vai dar alguma trégua e pode ser que consiga sentir aquela pica que me leva a varrer sem parar, a encher carrinhos de caruma e folhas secas e levá-los para os despejar na terra.

Até lá, fico com imagens fantásticas como as desta jovem que, com uma força e uma perícia extraordinárias, se eleva e se contorce e tudo a uma altura perigosíssima. 

(* Perigosíssima, arriscadíssima... e sem rede. Mas isto de fazer coisas arriscadas sem rede é para quem sabe o que faz).

Golden Buzzer: Pólo Aéreo de Veronika Goroshkova atordoa Sofia Vergara | Audições | America's Got Talent 2026


Desejo-vos um belo dia

sábado, maio 30, 2026

14 anos...? A sério...?

 

Havia aquela pergunta clássica nas entrevistas de antanho em que se perguntava ao entrevistado o que gostaria que, em si próprio, fosse diferente. Dantes eu achava que, se me perguntassem isso a mim, se calhar dizia que estava bem como estava, não mudava nada. E isto não porque me achasse o suprassumo da espécie mas porque me aceitava, incluindo as minhas imperfeições. E não estava para perder tempo a pensar se seria melhor medir mais dez centímetros de altura, ter um nariz mais afilado, ter um peito copa XL, ter uma cinturinha de vespa, umas ancas a la Kardashian, etc. -- até porque, se quisesse mesmo isso (e caraças, claro que não quero!), abria os cordões à bolsa e tratava do assunto.

Mas hoje já responderia que gostava de cantar bem. Entre outras coisas. Mas cantar bem seria um daqueles privilégios de que os que o detêm talvez nem se apercebam. É um dom. Gosto tanto de música e, no entanto, há uma total dessintonia entre o que a minha cabeça quer fazer e a forma como se materializa. Aliás, é questão que nem se põe pois, de forma geral, nem sequer me ocorre cantar, já sei que sairia do tom. Provavelmente, por isso também nunca tive facilidade ou apetência em tocar qualquer instrumento musical. 

Quando andava na infantil, a professora bem tentou ensinar-me piano. Tocar eu tocava, mas sem entusiasmo, sem interesse. De resto, ela era tão exigente, tão autoritária que, na volta, a dessintonia nasceu aí. Ainda me lembro que, todos os dias, de manhã, nos colocávamos todos de pé a cantar, e uns com ferrinhos, outros com pandeireta, interpretávamos cantiguinhas infantis. Era sempre uma seca para mim. Gostava de escrever, de fazer contas, de aprender francês, de dançar, de fazer plasticinas ou barros, de fazer construções com cubos de madeira, de andar a caçar formigas. Agora cantar e marcar o ritmo e mais não sei o quê, que coisa mais chata, com a professora sempre a interromper e a corrigir.

Mas veja-se esta criança aqui abaixo. Uma menina. Tímida, uma vozinha de menina pequena, ali nervosa naquele palco enorme, de frente para um auditório repleto e ruidoso. E, no entanto, abre a boca e algo de extraordinário acontece. A menina transforma-se noutra coisa, passou a ser a portadora de um vozeirão, uma voz que parece que não provém daquele corpinho infantil. E com que emoção ela canta...

Lai Noelle  -- Golden Buzzer -- AGT 2026

Os jurados esperavam uma audição nervosa da cantora Lai Noelle, de 14 anos… e depois ela apresenta uma das performances vocais mais incríveis de SEMPRE com a sua interpretação de "Die On This Hill", de Sienna Spiro! Simon Cowell aperta o Botão Dourado, dando início a uma noite histórica com TRÊS Botões Dourados num só episódio; a primeira vez que acontece no America's Got Talent!


Desejo-vos um belo sábado

terça-feira, dezembro 03, 2024

Um furacão chamado Liv Warfield

 

O mundo está cheio de pessoas que sentem que são capazes de mais do que lhes é exigido mas a quem as circunstâncias da vida mantêm na rectaguarda dos seus sonhos.

Mas depois há algumas que conseguem arranjar a energia, a coragem, o arrojo para dar um passo em frente e apresentar-se ao mundo.

Foi o que fez Liv Warfield. E o que acontece em palco é qualquer coisa de extraordinário. Não é só a voz (o vozeirão). É toda a vibração que, mesmo vendo apenas através de vídeo, se percebe que perpassa por quem está no palco e por quem está na assistência. É uma coisa assombrosa. Um vendaval.

Arrancou um Golden Buzzer e outra coisa não seria de esperar. Casos assim, que irrompem com esta força, com esta garra, não deixam ninguém indiferente.

Vale a pena ver.

GOLDEN BUZZER for Liv Warfield’s Incredible Performance! | America's Got Talent

After performing alongside some of the greatest artists in the world, Liv Warfield is now poised to make her own unforgettable impact on the stage. With a powerful voice and undeniable presence, she captivated both the audience and the judges during her performance of "Stare." Simon Cowell, clearly impressed by her incredible talent, wasted no time in pressing the Golden Buzzer, sending her straight to the next level of the competition. Liv's performance was nothing short of electrifying, showcasing not only her vocal prowess but also her ability to command the stage with every note. This is just the beginning for Liv Warfield, and her future in music looks brighter than ever.

sexta-feira, agosto 11, 2023

A excepcionalidade dos Chibi Unity

 

Se há coisa que deteste é gastar um dia, à espera.

No outro dia pedimos que viessem cá arranjar uma coisinha de nada.

Veio no outro dia. Tínhamos combinado que vinha cedo pois às onze, no máximo, teríamos que sair. Apareceu perto das onze, não fez nada e deixou uma coisa estragada. Combinou que vinha hoje acabar e que estaria cá entre as dez e as onze.

Eram onze e não tinha aparecido. Nem atendia o telefone. Toda a manhã à espera.

Só atendeu perto da uma. Disse que vinha às duas.

Veio e trouxe um ajudante. O que havia para fazer era mínimo. Não sei o que fez mas só saiu depois das seis e disse que não tinha acabado, que teria que vir amanhã.

Toda a tarde nisto, o cão preso, a ladrar, nós em stand by. Não podíamos sair porque andava fora e dentro e, sem o conhecermos de lado nenhum, não íamos deixá-lo sozinho.

Não consigo perceber. Dá ideia que é daqueles atrapalhados que cria problemas a ele próprio. E não consegue descrever o que se passa. 

Fico entediada, furiosa, arreliada com coisas destas. Só me apetece mandá-lo bugiar mas não faço ideia da trapalhada que ele arranjou e temo estar pior do que quando pedimos para cá vir. Aliás, não lhe pedimos a ele pois não o conhecíamos. Falámos com outro que ia de férias e disse que mandava cá este.

Quem vive na santa terrinha (e digo santa terrinha sem qualquer condescendência pois há terras que são mesmo santas e é um privilégio lá viver) e conhece mil jeitosos e faz-tudos nem sabe a sorte que tem. Uma pessoa viver num lugar em que não há ninguém para fazer o que quer que seja e termos que nos sujeitar a coisas destas é do pior que há.

Não faço ideia do que me espera esta sexta-feira mas até tremo.

Há pouco adormeci profundamente. Custou-me a acordar. Como habitualmente, fui ver as novidades. Vi uma casa em Bali que me deixou perplexa. Nem sabia que podia haver casas tão incríveis. Tinha pensado partilhá-la convosco. É de uma simplicidade fantástica mas de um tal bom gosto, de um tamanho fascínio pela natureza que fiquei rendida.

Contudo, agora vi este vídeo do America's Got Talent e também fiquei sem palavras. Que coisa, que intensidade, que extraordinária interpretação do que são os tempos correntes. Achei uma verdadeira maravilha. E se estou a exprimi-lo em palavras quando tinha dito que tinha ficado sem elas é apenas porque é por escrito pois, se lá estivesse, estaria sem saber o que dizer.

Golden Buzzer: Chibi Unity delivers "the PERFECT AGT audition" 

| Auditions | AGT 2023

Desejo-vos uma bela sexta-feira

Saúde. Paciência e boa disposição. Paz.

quarta-feira, agosto 09, 2023

Eduardo Antonio Trevino, o novo Joselito...?

 

Quando eu era pequena, tenho ideia que bem pequena, era costume ir,  creio que ao domingo, com os meus pais, à matinée. Era todo um programa. Se a minha memória não está a retocar as recordações, diria que vestia os melhores vestidos, calçava os melhores sapatos e o cabelo era cuidadosamente penteado, talvez com um laço no que era apanhado em cima ou talvez com tranças. No que respeita a sapatos, eu tinha predilecção por sapatos encarnados e ainda me lembro de andar de sapataria em sapataria a prová-los.

Encontrava lá amigos da escola e os meus pais encontravam também os seus. Portanto, mais do que uma simples ida ao cinema, era um momento de convívio.

Tenho também ideia, mas como posso garantir que seja verdade?, que aproveitávamos para visitar os meus avós, almoçando ou jantando lá. A minha avó paterna era muito boa de tempero e ainda recordo as suculentas canjas com galinhas da capoeira deles. Levava hortelã pelo que o perfume era excelente. Tinha sempre miudezas e ovinhos que eu adorava. Fazia também iscas com batatas fritas estaladiças e eu também adorava, nomeadamente molhando o pão no molho espesso e saboroso.

Para sobremesa, fazia frequentemente arroz doce com desenhos de canela em cima. Eu deliciava-me com aqueles almoços e jantares.

No cinema, tenho ideia que passava de tudo e ainda me lembro de ver um Rasputine que recordo entre o fascinante e o tenebroso, eu miúda, miúda, a ver um filme que não devia ser minimamente para a minha idade.

Mas o que recordo que seria mais reincidente seriam os filmes com a Marisol ou com o Joselito. Pelo menos foi o que retive. Cantavam bem. Preferia a Marisol porque me identificava mais com ela. Ou melhor, talvez quisesse ser um pouco como ela. Mas Joselito, o rapazinho miúdo que cantava com uma voz afinada e cheia de salero, também tinha a sua graça.

Lembrei-me dele ao ver este rapazinho simpático e afinado que cantou no America's Got Talent. Ora vejam.

Early Release: 11-year-old Eduardo Antonio Trevino impresses the judges! 

| Auditions | AGT 2023


Joselito, el pastor


Um dia feliz
Saúde. Boas memórias. Paz.

sábado, julho 08, 2023

Hurricane, um super fantástico cão

 

O nosso amigo, grande amigo, urso cabeludo, está mais obediente e é de uma ternura infinita. Gosta de mimos, gosta de estar perto dos 'seus', gosta de manifestar a sua alegria.

Quando revê alguém da família fica doido de alegria. Salta, abraça, rodopia, dá lambidelas, tudo a grande velocidade e na maior exuberância.

Mas continua excessivamente protector. No outro dia um dos meninos pediu que eu lhe desse uma massagem com um gel. Deitou-se no sofá, de barriga para baixo. E eu de pé, com o frasco na mão, despejei-lhe o gel fresquinho para cima. De cada vez que era atingido, dava um grande berro. Pois imediatamente, o dog de guarda saltou, quase mostrando os dentinhos, para me tirar aquilo da mão. Tive que me zangar, claro.

A minha menina gosta que eu a penteie. Faço-lhe trancinhas, prendo flores, o que me ocorrer. E tudo bem. Mas comprei uma escova grande. E, por algum motivo, quando pego na escova e me aproximo dela, ele fica nervoso e faz barulhos meio intimidatórios ou salta para me tirar aquilo da mão. Se for com um pente não há problema. Mas tomou aquela escova de ponta, vá lá perceber-se porquê.

Ontem estávamos todos numa mesa numa esplanada. Está na maior, todo contente. Mas se, de súbito, alguém vem na direcção da nossa mesa, fica possesso. Tem o meu marido que o agarrar firme ou pegar na trela e afastar-se com ele. Dá ideia que pensa que vêm atacar-nos. Maluco, pá.

Percebe o que lhe dizemos. Até inclina a cabeça para melhor processar o que lhe digo.

Mas a nível de obediência o máximo que faz é sentar-se, ficar quieto ou vir à chamada. E, mesmo assim, vir à chamada só se não tiver melhor alternativa.

Não sei se é dele ser assim ou se somos nós que não sabemos dar-lhe a volta.

Claro que, com a experiência que tenho com o cabeludo aqui de casa (refiro-me obviamente ao cão...), ao ver um obediente de dar gosto fico intrigada. Como é que se consegue uma coisa assim?

Hurricane The Dog is a New Star on AGT 2023

Adrian Stoica & Hurricane Audition AGT 2023


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Um sábado bom

Saúde. Um dia descansado e/ou animado. Paz.

quarta-feira, fevereiro 22, 2023

Pequenos passos numa nova direcção

 



Tendo a ser um bocado despassarada e, andando sempre a mil como até há pouco andava, volta e meia fazia coisas um bocado on the fly e, depois, se não voltasse a elas nos tempos mais próximos, nunca mais lhes encontrava o rasto.

Por exemplo, uma vez, numa de ir escrevendo coisas que, um dia, compilaria em livro, criei um blog especificamente para isso. Depois meteram-se mil outros assuntos, à noite o tempo não me chegava para os mínimos quanto mais para escrever essas cenas alternativas. O tempo foi passando e a existência do dito blog varreu-se-me. 

Agora, com vontade de retomar a escrita no comprimento de onda dos outros textos, lembrei-me não apenas de os usar como de garantir que tinha acesso ao editor do blog. Senão, se um dia resolvesse tentar publicar um livro, como poderia provar ser a autora se estivesse no ar um blog com alguns desses textos, blog esse a que não conseguia aceder? 

Mas qual a password...? Qual...? Está bem, está.... Nem vestígio na memória nem qualquer pista. Nada.

Contudo, nestes momentos de pressão, a cabeça ganha vontade própria. De repente, lembrei-me que, quando nos mudámos para esta casa (e já lá vão mais de dois anos e meio), um vez, ao abrir uma agenda que estava numa gavetinha de uma secretária, lá ter visto um papel com o nome do dito blog e a respectiva password. Na altura pensei: isto é precioso, não posso esquecer-me que está aqui. 

Ontem corri todas as agendas. Um desespero. Tudo virado do avesso. Na gaveta onde a tinha visto, nenhuma agenda. Corri tudo. Todas as agendas que encontrava estavam todas escritas com coisas do além. Os miúdos gostam de brincar às empresas, mexem nas gavetas, usam as agendas, escrevem o que imaginam que seja tratado numa empresa, simulam agendamentos de reuniões, simulam letra 'de médico', fazem assinaturas. Deixo-os brincar à vontade pois não uso nem nunca usei agendas. Mas ontem desesperei. Pensei: caraças, bem podia ter salvo aquela agenda, bem podia tê-la posta algures onde eles não lhe chegassem. 

Mas tarde piei... Papelinhos dentro de agendas...? Qual quê... Nada. Com as reviravoltas que os miúdos dão às coisas, como esperar que um papelinho sobrevivesse? Impossível.

Até que finalmente encontrei um caderninho em que tinha algumas passwords lá do trabalho e, no meio delas, uma de um endereço de mail cuja existência eu negaria minutos antes. Não me lembrava daquele mail. Para que o criei? Não me lembro. E, do dito blog, nada, claro.

Então resolvi tentar entrar no blog, numa de que acontecesse algum milagre. O problema é que também já não me lembrava bem do nome. Tentei, tentei. Nestas alturas amaldiçoo a minha cabeça no ar. Finalmente acertei. Assinalei que não me lembrava da password e, então, como que por milagre, apareceu a mensagem de que um código de recuperação tinha sido enviado para o tal endereço de mail do qual eu não tinha qualquer ideia. 

Encetei então nova busca para tentar encontrar o tal caderninho. E lá estava, já meio apagada e quase imperceptível, a password do dito endereço de mail. Entrei e lá estava o código de recuperação para entrar no tal blog. Milagre. 

Já não me lembrava do que lá tinha escrito. Lembrava-me do género mas não, em concreto, de quê. Já copiei tudo para um documento de word e já tirei o blog do ar.

Ou seja, o caminho está livre para começar uma vida nova.

Ontem deitei-me às tantas já a organizar umas coisas. 

E esta terça-feira acordei toda bem disposta. Para começar estive a pintar com canetas de bico de feltro e lápis de cor uma peça de madeira que está suspensa no terraço e que era meio tristonha. Depois estivemos a pendurar um passarinho de madeira com um rabo de penas que gira com o vento. Comprei-o num daquelas lojinhas de indianos ou paquistaneses que vendem ímanes e outras coisas do género. 

E fomos tratar de uns assuntos e comprar umas coisas e depois fomos passear para a praia. Se não fossem umas duas ou três meninas vestidas de fada ou de bailarina, não teríamos desconfiado que era dia de Carnaval. O céu tingido de névoa castanha, poeiras que quase ocultavam o sol. Dá ideia que apenas o céu é que se mascarou de céu do deserto. 

Tirando isso, nada de especial. E agora vou mudar a agulha e vou dedicar-me a outras prosas. Com licença.

Me aguardem...
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Uma boa quarta-feira
Saúde. Boa disposição. Paz.

sábado, fevereiro 11, 2023

Kodi Leeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee...!

 

Quem é Kodi Lee?

Kodi Lee é um músico e performer americano que ficou conhecido pela sua participação no programa de talentos "America's Got Talent" em 2019, onde venceu a competição com a sua habilidade para tocar piano e cantar. Kodi é cego e autista e a sua performance emocionante e talentosa inspirou muitas pessoas ao redor do mundo. Desde então, ele tem-se apresentado em vários eventos e continua a encantar o público com a sua música.

Quantos anos tem?

Kodi Lee nasceu em fevereiro de 1996, o que significa que ele tem 27 anos em 10 de fevereiro de 2023.


[Respostas dadas pelo ChatAGT. Ando a testar a esperteza do bicho...]

sexta-feira, fevereiro 03, 2023

Golden Buzzer para Tom Ball

 

Um jovem tímido, humilde, com um vozeirão que as percorre todas sem pestanejar, das altas às baixas, das graves às agudas, das rápidas às prolongadas. Golden Buzzer sem hesitação a todas as mãos.

The Sound of Silence

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Uma boa sexta-feira
Saúde. Boa sorte. Paz.

segunda-feira, janeiro 16, 2023

Vitoria Bueno - voar sem asas

 

Hoje, quando fazíamos a nossa caminhada, cruzámo-nos com um casal que, um de cada lado, dava o braço à filha, uma adolescente que presumo que sofresse de paralisia cerebral. Os movimentos da jovem eram irregulares, a cabeça inclinava-se para um lado, a voz deformada, quase incompreensível, as pernas não direitas fazendo com que tropeçasse nos próprios pés. Iam muito devagar e, de vez em quando, a mãe ajeitava-lhe as pernas. Pareceu-me que ela protestava mas os pais estimulavam-na, insistiam. O esforço dos três comoveu-me. Enquanto nós andávamos sem qualquer dificuldade nem nos ocorrendo a sorte que temos, para aqueles três tudo era notoriamente uma luta.

O vídeo abaixo também é comovente. Vitoria Bueno tem 18 anos e nasceu sem braços. Mas, do que aqui se vê, nada que a impedisse de tentar levar a vida tão normal quanto possível pois desde pequena que usa os pés em vez das mãos. E nada que a impeça de fazer uma coisa que adora fazer: dançar. 

Dir-se-ia que os braços são indispensáveis ao equilíbrio em todos os movimentos em que os pés saem do chão ou em que o corpo se inclina no ar. Não para Vitoria Bueno. Ela mostra que tudo é possível quando a vontade desafia as leis da física e sai a ganhar.

Vitoria Bueno's INSPIRING Dance Performance Might Make You Emotional 

| AGT: All-Stars 2023


Desejo-vos um boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Paz.

quinta-feira, julho 28, 2022

Coisas que não fazem grande sentido

 



Tenho a dizer que guardo com cuidado e carinho memórias de coisas parvas. E tenho muitas. E só espero nunca me esquecer delas.

Por exemplo, aquela vez, em longínquos tempos, tão longínquos que não havia ainda smartphones, em que um casal estrangeiro, na fila para o self do CAM, na Gulbenkian, com um pequeno dicionário, daqueles de bolso, olhou incrédulo para o que lá estava escrito e, depois de se interrogarem mutuamente e conferido que a palavra era aquela, nos perguntaram se falávamos inglês. Dissemos que sim. Então, com um ar entre o estupefacto e o incomodado, perguntaram o que significava aquele símbolo de um cão com um sinal de proibido em cima e com a legenda 'Não traga cães'. E mostraram-nos o dicionário aberto em tragar = comer.

Pois.

E, a propósito da Gulbenkian, aquela vez em que eu e a minha filha resolvemos ir à feira dos livros na Gulbenkian. Nem o meu marido nem o meu genro quiseram ir. Ficaram em casa, certamente com o pretexto de ficarem a tomar conta dos miúdos. Não fomos cedo, os dias eram pequenos e nem nos lembrámos de conferir horários. O carro tinha ficado do lado da entrada para o CAM e a feira era no edifício da Fundação, ou seja, do lado contrário. Melhor, da maneira que passeávamos por dentro do parque, patinhos e tal. Lá fomos, nas calminhas, conversando e rindo. Escolhemos livros para nós e para oferecermos. E tudo na boa, até ao último minuto. Quando saímos era de noite. No problem. Nem pensámos. Conhecemos o parque como a palma das nossas mãos, eu desde que comecei a ir namorar para lá, aos dezassete, ela desde que nasceu. Lá fomos, às escuras. Não sei porquê, não sei se é sempre assim ou se foi naquele dia. Nem uma luz. Não foi há tanto tempo assim mas foi numa altura em que os telemóveis não tinham a função de lanterna. As duas, carregadas de livros, às escuras, e aí vão elas. O percurso era simples, era contornar o edifício pelo lado do museu, depois, lá em baixo, a biblioteca, depois ir por ali até chegar ao lago dos patinhos lá em cima ao pé do CAM e depois sair pelo portão. 

Mas está bem, está. Um parque cheio de árvores à noite é do caraças. Se calhar o facto de não termos qualquer sentido de orientação também não ajudou. Passado um bocado já estávamos perdidas. Pensávamos que estávamos onde queríamos e tínhamo-nos era enfiado nas traseiras do CAM, uma zona desconhecida, sem qualquer portão. O tempo passando e nós as duas ali no meio do matagal, perdidonas, sem noção. Mas não desistimos. Tanto persistimos que, não sei quanto tempo depois, chegámos. Portões fechados. Mas já estávamos à beira da rua. Portanto, problema resolvido. Aí estão elas, à noite, os carros a passarem na rua e nós a treparmos o muro. Ela nas calmas, eu um pouco pior. Nós e os livros. Escuso de dizer que já nos ríamos, perdidas de riso. Já me dava era vontade de fazer chichi, tanta a risota. Até que nos vimos em cima do muro que ali é altinho. As pessoas a olharem, dentro dos carros, e nós s duas em pé em cima do muro. Houve uns que apitaram, uns que apontaram para o lado, devia ser para usarmos antes o portão, provavelmente não sabendo que estavam fechados. Só que a seguir veio a parte pior. Saltar. E eu que sofro de vertigens... Olhava para o chão, lá em baixo, tão lá em baixo, e eu tão cá em cima. A minha filha saltou. E de lá de baixo incitava-me: 'Salta! Salta!'. E eu, perdida de riso, uma maluca em cima do muro da Gulbenkian, à noite, sem ser capaz de saltar. Já me imaginava a passar a noite ali, feita um gato. Mas lá ganhei coragem e, felizmente, não parti nem pé nem perna. Chegámos a casa dela às tantas, com eles já preocupados. E ainda hoje me rio só de pensar na figura que fizemos. Eu, em especial, que figurinha.


Também me lembro de uma outra vez, numa outra encarnação. Encontro geral incluindo todos os gestores comerciais vindos de todo o país, ilhas incluídas, creio que até de Espanha tinham vindo. Num hotel grande ali para os lados de entre o Estoril e Cascais. Muito movimento, muita gente. Uma grande confusão de gente a cumprimentar-se, gente feliz, abraços, graças. Fiz uma apresentação e tinha pessoas da minha equipa a apresentar comigo. Depois, muitas questões, o tema tinha despertado muita atenção. E eu com vontade de fazer chichi. Horas sem conseguir escapar-me para ir à casa de banho. Até que, finalmente, lá se deram por satisfeitos. Coffee break. Aleluia. Sem fazer a mínima ideia onde eram as casas de banho. E um a vir dar abraço, outro a dar um beijinho, 'há quanto tempo,,', e eu a espreitar a ver se via o símbolo das casas de banho. Convém ter em atenção que sou míope e que, salvo obrigatoriedades (como conduzir, por exemplo), não uso óculos. 

Portanto, sem reconhecer ninguém ao longe e sem distinguir pormenores, entre cumprimentos, lá fui andando enquanto, pelo canto do olho, ia tentando descobrir. Até que descobri. Uffff... Aleluia, verdadeiramente aleluia. E nisto entra para lá o nosso RP, pessoa divertidíssima, um charme. E eu, aflita mas tentando disfarçar: 'Também é para mulheres?'. E ele, muito sério (mas, a posteriori, a ironia facilmente reconhecível): 'É sim, Sô Tôra... Mas eu acho melhor não fazer aqui'. 

E eu sem perceber, à porta: 'Ah não...? Então...?'. E ele, como se fosse coisa normal, 'É que isto é o elevador...'


E agora já é tarde mas outro dia conto aquela outra vez, de que aqui já falei, também numa outra encarnação, em que roubei um carro, o que, mais tarde, levou o presidente a dizer: 'O mau nome que isto dá à empresa... Se isto se sabe o que é que vão dizer...? Que se os directores roubam carros... o que não farão os administradores...?'

Ou quando acordei a meio da noite e fui à casa de banho, assustando o meu filho que se levantou e que, vendo a pairar no escuro uma tshirt branca (nesse dia devo ter tido frio de noite), julgou que era uma assombração e deu um grito e um salto no ar à la Karate Kid deixando-me a mim completamente aterrada, julgando que o rapaz estava possuído.


Ou quando, in heaven, andando a passear sozinha no campo, comecei a ouvir uns estalidos atrás dos arbustos e, assustada, comecei a acelerar o passo e os estalidos sempre atrás e eu, já assustada, a correr, achando que estava a ser perseguida. E então vejo a minha filha lá em cima, muito espantada, e eu queria correr e falar mas, tão assustada estava, mal tinha força para correr e para falar. Queria precavê-la, queria avisá-la que fugisse. Sei lá. E ela sem perceber nada. 

Lá consegui balbuciar: 'Um cavalo...'.  E ela, admiradíssima: 'Um cavalo...?'. Claro que não percebia. Depois, então, disse o nome do irmão. Amedrontada, olhei para trás. O meu filho. Também sem perceber nada. 

Não sei de que é que estava à espera. Um bandido a cavalo, acho. Não sei o que é que os estalidos feitos por um rapazito pequeno com a língua poderiam confundir-se com um patife a cavalo.

A minha filha diverte-se a imitar-me nesse momento altamente absurdo. E eu farto-me de rir com estas maluquices que se passam na minha vida.


E, por hoje, é isto.


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Para abrilhantar o post fui buscar Keith Apicary que Surprises America With Unforgettable Dance Moves - AGT 2021

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Bom humor. Paz.

terça-feira, junho 21, 2022

Avery Dixon, o irmão mais novo de Terry Crews

 

Por vezes nem nos ocorre pensar no que sofrem os que nasceram com alguma diferença. Pode ser porque se é alto e magro demais, porque se é mais gordo do que os outros, porque se tem um cabelo que não cresce para baixo mas, antes, em caracóis que ficam agarrados à cabeça, ou porque se é estrábico, ou porque se é gago, ou porque se coxeia, ou porque se tem uma voz que não desenvolve... ou por qualquer outra coisa. Quem não passou por isso nem se lembra do que eles sofrem na escola, ridicularizados pelos colegas, atormentados com a crueldade das outras crianças. 

Sabemos que essas crianças não querem ir para a escola, ficam doentes só por antecipar a vergonha por que vão passar. Sabemos que há jovens que querem desistir, que há os que tentam o suicídio. 

Sabemos como crescem atormentados os que passaram por essa angústia quotidiana.

Nunca se fará o suficiente para que todos, crianças e adultos, aceitem e convivam normalmente com a diferença. Não será necessário fazer de conta que não se vê. Pode até comentar-se, com naturalidade. Sem superioridade. Com respeito.

Nessa pedagogia, o programa Tabu do Bruno Nogueira foi extraordinário. Ele ria mas de forma a que os próprios se rissem também. Os que são diferentes não são piores nem melhores, são apenas diferentes. E toda a gente se pode rir de si próprio ou rir dos outros e com os outros: desde que não humilhemos os que vemos como diferentes, desde que não os façamos sentir inferiores, desde que não exerçamos sistemáticas acções de bullying.

Avery Dixom nasceu prematuro, com menos de 700 gr. Tem agora 21 anos, não é muito alto, de acordo com os padrões não será especialmente bonito, tem uma voz estranha. Tem sido gozado, humilhado, quis suicidar-se.

Quando lhe perguntam o que faria se ganhasse o AGT, diz que gostava de ter um espaço para ele, a mãe e o irmão viverem e onde pudesse ensaiar. Diz que agora, quando toca, os vizinhos chamam a polícia e mandam-no parar de tocar. 

E é este jovem que, apesar de tudo por que tem passado, tem um sorriso meigo e que, quando pega no saxofone, se transforma dando-nos a conhecer um fantástico músico. Nessa altura, a sua aparência e a sua voz deixam de ser relevantes. Ele e o saxofone fundem-se e ele vibra e faz vibrar quem o ouve.

Depois da exibição no America's Got Talent, depois de pôr a sala a dançar, depois de emocionar o gigante Terry Crews que ofereceu a sua protecção de irmão mais crescido e depois do Golden Buzzer, certamente ninguém mais ousará apoucar o simpático e talentoso Avery Dixon.

Golden Buzzer: Avery Dixon's Emotional Audition Moves Terry Crews to Tears | AGT 2022

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Um dia bom

Saúde. Generosidade. Tolerância. Paz.

sábado, junho 18, 2022

Os seguidores do Frei Hermano e, para disfarçar, Hit The Road Jack

 

Ela mistura com graça e alegria a dança no varão com as artes performativas de projecção. Chama-se Kristy Sellars, tem três filhos e umas pernas bem fornecidas. E tem, sobretudo, força, sensualidade, capacidade para surpreender quem a vê.

Depois de ter visto na televisão parte do tresloucado discurso do psicopata, assassino, fora-de-lei e hipócrita-mor que dá pelo nome de Putin, abri o computador para ver qualquer coisa que me dispusesse bem. 

Felizmente, dei de caras com a Kristy. 

Entretanto, o meu marido ligou a televisão e demos de caras com um grupo também bacano. Estamos meio incrédulos a ver se descortinamos o racional da coisa. O programa chama-se Em casa d'Amália. É apresentado por um dos bacanos a quem parece faltar a parte redonda da cabeça atrás. Coitado, não tem culpa nem tem mal. Só o refiro porque, curiosamente, está ali sentado um outro, sentado muito direitinho, muito apertadinho, vestido de militar, mas que quase aposto que de militar não tem nada. Mas tem a particularidade de parecer ter a parte de trás da cabeça do outro colada à sua. Por isso, aquilo que me parecia uma boina é afinal tudo cabeça. Ao lado deste está um calmeirão vestido de cor de rosa na vertente fúcsia, cabelos compridos, e sobre quem perguntei ao meu marido se seria o Jesus Cristo em pessoa. Pois logo de seguida ouvi-o dizer que é o Nazareno. Pois claro, quem mais haveria de ser? Estava na cara. Ao lado, neste momento a cantar, está um muito bem vestidinho e com um cabelão que faz favor, um penteado todo muito armado. A tocar guitarra estão dois um bocado mal encarados, quase como se tivessem regressado da guerra.

Não sei o que é isto. O meu marido diz que parece que têm em comum cantarem coisas do Frei Hermano da Câmara. Não sei. Por acaso nem sei se não serão todos padres ou por lá perto.

Olha! Afinal está também aqui o Padre Borga. Está com aquele ar de quem gosta de andar da farra. Ia a dizer 'andar na borga' mas seria vulgar. Um bacanão, este Borga, sempre na maior informalidade. Cantar não canta nada mas tem aquilo de ser padre e isso parece que rende no mundo musical.

Agora, o Jesus Nazareno, todo exuberante, falou de um certo dia em que presenciou a aparição do Frei Hermano vindo de uma varanda e de como isso o fez chorar. Mas, acrescenta ele, já de si é de lágrima fácil. Olha, olha, o Nazareno-cavalão afinal é um choramingas.. 

É de mais. 

O meu marido prepara-se para fazer zapping e eu não vou impedi-lo. Presumo que vou perder bons momentos mas, ainda assim, deixa estar.

Que entre a Kristy. Assim como assim, a gente vê e também não percebe bem mas, parecendo que não, sempre parece mais normal e tem mesmo graça.


E até já.

quinta-feira, outubro 21, 2021

Sobre a estupidez

 


Não sei o que vocês acham mas tenho para mim que o pior do pior da espécie são os estúpidos. Não é coisa irrelevante, não é perigo menor, não. A estupidez é coisa para se levar a sério.

Uma pessoa quando se vê confrontada com um estúpido sente-se perdida: para começar, um estúpido não percebe que é estúpido. A conversa fica desigual. Ficamos em desvantagem. Nós temos pruridos, eles não. Um estúpido acha-se sempre o maior. Pode estar a dizer as maiores cavalices que avança sem vacilar. Não se inibe, não hesita, não se intimida. Nada. 

Um estúpido invariavelmente acha que os outros é que não estão a ver bem ou que, intencionalmente, estão a querer deixá-lo ficar mal. Não vale a pena tentar provar a um estúpido que o que diz revela ignorância, deficiente raciocínio ou deficiente interpretação dos factos. Não vale a pena. Um estúpido jamais vai reconhecer que os outros podem ter razão. Para um estúpido os outros têm sempre uma visão distorcida e só eles, os estúpidos, captam a verdade. Os estúpidos quando confrontados com a sua estupidez não se detêm nem por um instante para tentar perceber se os outros têm razão. Não. Para eles os outros nunca têm razão. Pelo contrário, ou se vitimizam, achando-se injustiçados, ou partem para o ataque, ofendendo e destratando quem tenta chamá-los à razão.

É um erro subestimar os estúpidos, achando que um dia vão perceber a estupidez dos seus pensamentos ou actos ou achando que são inofensivos. Nem uma coisa nem outra. Jamais percebem as suas limitações nem como são afoitos exibindo a sua ignorância como se fosse sapiência. E não são inofensivos pois têm a esperteza suficiente para manipular os mais fracos ou menos informados. Há sempre uma legião de inocentes e/ou de broncos dispostos a darem-lhes razão.

Um estúpido atrai sempre outro estúpido. É, pois, frequente encontrar estúpidos aos pares. 

O dicionário da Priberan define estupidez como falta de inteligência e de delicadeza de sentimentos. Há também a definição da wikipedia, em inglês: Stupidity is a lack of intelligence, understanding, reason, or wit

Nos últimos tempos tenho tido algumas cenas para esquecer, tudo por conta de gente estúpida. A gente diz tomato eles percebem potato, a gente diz que não, que dissemos tomato e eles que não, que têm provas de que dissemos potato. E a gente tenta explicar que nada a ver, que a conversa é sobre tomato e vamos falar sobre tomato e eles, cheios de teorias e teimosias, que a gente falou foi em potato. E invocam um historial ficcionado de não-eventos que, segundo eles, comprovam as suas inenarráveis teorias de cão de caça. Não se cansam. Convictamente apresentam argumento, citam artigo, dizem toda a espécie de disparate, envolvem a conversa em testemunho que toda a gente percebe que é inexistente ou deturpado... e prosseguem, resolutos, perante a estupefacção de quem assiste. 

O melhor, nestes casos, é a gente deixar para lá, deixá-los a falar sozinhos, deixar que aos poucos vão ficando isolados. Mas, por vezes é mais forte que nós, queremos demonstrar que estão errados, queremos que vejam o que toda a gente informada vê. No fundo, genuinamente queremos ajudá-los. Mas é tempo perdido. Deturpam o que dizemos, inventam, caluniam, ofendem, não conhecem limites. E não saem da deles, mesmo que em prejuízo próprio. Há qualquer coisa de grande burrice nos muito estúpidos.


Em síntese: de gente estúpida o melhor é guardar distância.

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E, no meio destes meus pensamentos, eis que o meu amigo algoritmo adivinha as agruras pelas quais tenho passado às mãos de um ou outro exemplar do género e, sem que eu tenha feito qualquer pesquisa nos motores de busca que o leve a extrapolar e a sugerir-me 'literatura' sobre o tema, me aparece com isto que aqui, agora, convosco partilho.

John Cleese on Stupidity

Cleese explains why extremely stupid people do not have the capability to realize how stupid they are.

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Bonhoeffer‘s Theory of Stupidity
Dietrich Bonhoeffer's argues that stupid people are more dangerous than evil ones. This is because while we can protest against or fight evil people, against stupid ones we are defenseless — reasons fall on death ears. Bonhoeffer's famous text, which we slightly edited for this video, serves any free society as a warning of what can happen when certain people gain too much power.

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E a ver se esta quinta-feira tomo uma decisão acertada e espero que definitiva em relação a um caso de estupidez aguda com o qual tenho estado a ser confrontada. Não vai ser fácil. Por isso, a mim própria desejo boa sorte.

E, para vocês aí desse lado, um belo dia.
Saúde. Bom senso. Humildade. Boa disposição.

segunda-feira, setembro 20, 2021

O dia antes de.
[Penso eu de que]

 


Vou ver se consigo, a seguir, ir responder aos comentários. Passou o fim de semana e, até ao momento, não consegui pôr nem os comentários nem o sono em dia. Entre caminhada, supermercado, ida a um sítio de que hoje não quero falar, vinda para casa, estar com parte da família depois de ter estado com outra parte um bocado antes, jantar, tratar de coisas e outras ainda por tratar, pouco tempo me sobra. Não sei como consigo esta proeza. Há cursos de gestão de tempo e eu, se calhar, deveria frequentá-los. Iriam ensinar-me a gerir prioridades. Se calhar deveria não ir a todas como agora tento ir. Mas vou porque quero e não porque seja obrigada. Portanto, abóbora.

Tenho estado aqui a fazer umas pesquisas para ver se mudo de opinião em relação a um certo tema ou para ver se reoriento os meus interesses noutro sentido. Mas como sou de amores à primeira vista não há racionalizações que me salvem. O meu marido chegou aqui e disse-me para eu validar algumas alternativas. Não me agradaram. 

Entretanto, cá em casa, constatei que o meu menino mais velho já está declaradamente mais alto do que eu. E já está com voz grossa. E senta-se já à homem. Tem vontade de viajar. Falei-lhe no interrail e ficou interessado. Mal possa, far-se-á à vida. Tem um espírito independente e o apelo por ir conhecer mundo. Disse-lhe que tem que merecer confiança e mostrar que é responsável para poder ir sozinho ou com amigos para o estrangeiro. Diz que claro que sim. Acredito que sim e acredito que proramará tudo com minúcia.

O irmão candidatou-se a delegado de turma. Perguntei-lhe qual a sua proposta e porque haveriam os colegas de votar nele. A mãe perguntou-lhe se não ia haver debate e, se houver, se já pensou no que vai dizer. Virou-se para nós e, com ar de quem se vê forçado a dizer coisas óbvias, disse: 'É domingo, ao domingo não se pensa nisso...!'. E acrescentou que logo verá o que dirá. É intuitivo, emotivo e muito boa onda. Toda a gente gosta dele. A escola é nova mas já está como se toda a vida lá tivesse andado.

De manhã, tínhamos recebido fotografia da menina num jogo de equipa. Mal a reconhecia. Estava de costas o que dificultava, mas também está crescida. Cresceram todos nas férias. Agora à noite foi o mano do meio com o pai, que ele tinha batido novo record, 5,5 km em 45 minutos sem parar. Estava todo contente na fotografia. Meu menino querido. De tarde, enviaram uma outra fotografia. Estavam com a bisa a lanchar, a bisa toda contente com o programa de festas. Contou-me que, depois, ainda foram lá para casa pois tinha feito crepes e bolo mármore. Estava toda contente com a alegria e inteligência dos meninos. Diz que o mais novo disse aos pais: 'fiz bem em programar este passeio'. De facto, já há algum tempo que andava a querer lá ir.

Tirando isso, também li a entrevista da Ana Cássia Rebelo que, em boa hora, aqui me sugeriram. Há qualquer coisa de surpreendente nela por, tão aberta e quase candidamente, se expor em toda a sua intimidade, não hesitando em revelar aspectos sensíveis da sua vida, incluindo a nível sexual ou das suas mais privadas vulnerabilidades. Mas ela fala disso como se falasse de banalidades. Deve ser desconcertante lidar de perto com ela. Lembro-me de quando revelava as mais incríveis intimidades, revelando até o nome da pessoa com quem partilhava esses momentos. Imagino que deve ter causado alguns dissabores a alguns dos envolvidos. Mas, na sua franqueza, ela parece ser como aqueles inocentes ou aqueles seres inimputáveis a quem tudo se deverá perdoar.

Diz ela na entrevista que gosta muito de ler e que, para ela, ler é mais relevante do que escrever. Senti alguma nostalgia pois também eu gosto tanto de ler e, no entanto, não ando a conseguir tempo para ler. E essa ausência cava um fosso dentro de mim. Mas, na minha deficiente gestão de prioridades, tenho cortado a leitura para conseguir acorrer ao demais. Ando a ler pouco, pouco, pouco. Tenho que ver se consigo corrigir isso pois sinto muita falta. 

E agora vou ver se consigo ir aos comentários. E, a seguir, a ver se ainda vou passar alguma roupa a ferro. 

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Mas, antes, partilho convosco a actuação de Léa Kyle que sempre me deixa parva a tentar perceber como é aquilo possível. Não sei se é magia, se é ilusão de óptica, se é coisa do outro mundo. Mas é do caraças.

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As fotografias são de Izumi Miyazaki que aqui vem na companhia da Garota Não com o seu Monstro

Nada como um bom surrealismo.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira


segunda-feira, agosto 09, 2021

Um fim de semana leonino e parcialmente campestre

 


Sobre sábado já ontem sintetizei: almoçámos fora, ou seja, em casa alheia. Mas dizer que almocei fora quando almocei em casa do meu filho é capaz de não ser a melhor forma de me exprimir. Mas, para mim que, desde os tempos do corona não tomo refeições senão em casa, a ocasião é ainda mais de festa. Acho que, neste ano e tal, a excepção anterior tinha sido, justamente, também em casa dele, provavelmente há um ano. Isso, exceptuando um ou outro lanche em casa da minha mãe.

Juntou duas mesas e fez uma mesa quadrada, muito grande, que montou no terraço da varanda que dá para o jardim. Eram eles, os meninos e os quatro avós. Juntar todos os tios e todos os primos seria juntar muitos agregados familiares e aumentar bastante o risco até porque crianças (não vacinadas, recordemos) são, declaradamente, muito mais do que as mães.

Portanto, um almoço bom, bom, uma companhia boa, agradável, uma conversa boa, as crianças sempre a trazerem alegria e felicidade - muito bom. 

Dali seguimos para o campo com a trupe da minha filha. Os meninos (e todos nós) adoramos estar ali, in heaven. Que saudades de lá estar, com tempo, com vagar...

É, decididamente, um lugar mágico para todos nós.

Fomos aos figos, passeámos, a minha filha começou a ter ideias para as mudanças que estão em curso.
Portas e rodapés já estão todos branquinhos. As janelas serão finalmente substituídas. Ainda são as de origem, aros de madeira, cor de madeira, vidro simples, deixando passar o frio e o calor. Serão branquinhas, zelando pelo nosso conforto a nível de temperaturas. A minha cómoda e as mesas de cabeceira estão agora praticamente branquinhas com um flavour de verde água e as portas de madeira da bancada do lavatório e os aros dos dois espelhos grandes da casa de banho grande estão quase branquinhos com um cheirinho de azul, coisa tão ao de leve que quem não esteja informado nem reparará. Os tectos de madeira da zona antiga estão também brancos. Toda a casa respira uma luminosidade que traz uma boa onda. Já não há zonas escuras, apenas lugares abertos e luminosos.

A mesa da sala de jantar já fica meio desconjuntada quando se abre toda e o aparador dá sérias mostras de querer deformar-se pelo peso. Mantive-os do anterior proprietário pois são bonitos. Não sei há quanto tempo eles os tinha mas connosco já estão há vinte e muitos anos. Portanto, pensámos que estava mais do que na altura de arranjarmos uma solução mais robusta. Como a minha filha tem jeito e gosto para a decoração e nesta casa deu uma ajuda preciosíssima, pedi que fosse connosco a uma enorme casa de móveis que há numa aldeia a caminho da nossa. É daquelas lojas que mais parece um armazém com mil mobílias de quarto, mil de salas de estar, mil de salas de jantar, modernos misturados com clássicos, avant garde misturado com rural. Não dá para explicar. Quando se entra, dá vontade de dar meia volta e sair, tal a confusão que se adivinha. Mas, garimpando, encontram-se coisas interessantes. E as pessoas são amáveis, genuinamente interessadas em encontrar alguma coisa que vá de encontro ao nosso gosto.

A minha filha tinha dito que, se a loja estivesse fechada no sábado à tarde, até era melhor porque os miúdos passariam bem sem esse programa. Enganou-se. Aliás, espantámo-nos todos. Os rapazes adoraram. Acho que nunca devem ter andado numa tal babel. Habituados a poucas lojas, provavelmente nada de móveis e, sobretudo, calibrados para o minimalismo urbano, ao depararem-se com aquilo, estavam como que num enorme pavilhão de diversões. Estavam entusiasmados, davam-me sugestões, já queriam convencer a mãe a mudar de sofás. Uma alegria.

Escolhemos um conjunto de mesa, aparador e quatro cadeiras, em branco e tampo cor de madeira, assentos beige. Aproveitarei os cadeirões que eram da minha avó para ficarem nas cabeceiras. Acho que este conjunto vai ser também um lampejo de luz na sala.  A ver se consigo quem dê um jeito na mesa que fica desconjuntada quando está aberta. Talvez até a pintemos para a colocarmos sob o alpendre do barbecue.

Depois, no campo, aproveitámos aquela absoluta tranquilidade. Está-se sempre tão bem, lá. Até o cãozinho do vizinho entrou e veio pôr-se à porta da cozinha enquanto lanchávamos. Lembrou-se de nós. Achámo-lo mais entrado, menos irrequieto e malandro.

Às tantas, a minha filha lembrou-se que ali era um bom sítio para se juntarem em lutas de paintball. O que ela foi dizer. O entusiasmo dos meninos foi ao rubro. Logo ali, consultaram o tio, grande apreciador dessas batalhas, e logo ali começaram a avaliar o investimento e a discutir alternativas. Antevêem-se tempos bem animados.

Já não viemos de lá nada cedo.

Este domingo, foi cá em casa. Juntámo-nos todos para festejarmos com os leõezinhos aniversariantes. Fui buscar a minha mãe e, pouco depois de chegarmos, chegaram as trupes alegres e ruidosas. Foi aquela festa. As crianças brincaram, alguns dos mais crescidos também, houve jogo de raquetes, jogos de pontaria, jogos de bola, jogos de lutas, lanche. Os meninos também brincaram ao Got Talent, uns a cantarem, outros a serem o júri. A alegria deles por estarem juntos é para mim motivo de felicidade maior.

Imagino que a minha mãe, ao chegar a casa, caiu na cama como sempre cai quando vai daqui: como uma pedra. A algazarra que fazem faz-lhe lembrar o ruidoso chilreado dos recreios, dos tempos em que dava aulas. Vai daqui sempre cansada, só de os ouvir, só do receio que se magoem. Diz que dorme horas a fio e até manhã alta (ela que geralmente acorda com as galinhas).

Para o lanche, fizemos sandes de ovo mexido, sandes de alheira, sandes de queijo fresco com salmão fumado. Eram trinta carcaças e, no fim, acho que sobraram duas. E tinha morangos. E a minha mãe trouxe crepes e creme de chocolate para os rechear e bolo de cenoura que serviu de bolo de anos. 

Como sempre, separamo-nos em mesas, por agregado familiar, e a comida é também distribuída por mesa. Toda uma logística meio parva. Mas estamos ao ar livre, as mesas estão relativamente perto umas das outras e conseguimos conversar uns com os outros. É que os momentos de refeição sempre foram momentos de partilha e conversa animada (e, por vezes, cruzada) e este protocolo agora atrapalha um bocado. Mas, enfim, é o que é, covid oblige

Quando vínhamos de regresso a casa, depois de termos ido levar a minha mãe, já era de noite. 

Os dias começam a ficar tristemente mais pequenos. Fico sempre levemente angustiada quando constato que estamos a aproximar-nos dos tempos em que a noite cai cedo demais e em que os burocratas do tempo ainda fazem a gracinha de lhe roubar uma hora. Gosto de dias grandes, gosto de luz.

O meu marido queixou-se: 'um gajo não descansa', queixa que nele é recorrente. Confortei-o: 'deixa, está quase a começar mais uma semana de trabalho'. Ele não reagiu apesar de por vezes dizer que o menos cansativo na nossa vida é o trabalho. Pelo menos acho que não teremos que ir amanhã ou depois ao supermercado. Fomos no sábado, fomos no domingo. Ir ao supermercado e virmos carregados é um bocado cansativo. Poderíamos encomendar mas não seria a mesma coisa. Assim, in loco, vejo, avalio, tenho ideias. Mas não apenas estimula o consumismo como cansa. E depois ainda persistimos nos cuidados covideanos, limpezas, lavagens -- o que chateia e dá trabalho.

Esta semana, pelo menos à partida, também não tenho nenhuma ida ao médico nem exames a fazer. É verdade: na semana que passou, também tive óculos para actualizar, até porque, para ajudar à festa, se partiu uma haste dos óculos escuros e, assim como assim, sabendo que a graduação precisava de ser ajustada, aproveitei para uma revisão. Portanto, a semana passada foi puxada a todos os níveis. Só não digo que esta se antevê tranquila porque parece que dizer coisas boas atrai os maus espíritos e eu, nestas coisas, começo a aprender a ser prudente. É certo que começo a semana com uma reunião das boas mas, enfim, optimista que sou, prefiro ter esperança em que o resto decorra em verdadeiro espírito quase estival.


E é isto.
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Pinturas de Robert Boyer.
Victory Brinker, 9 anos, interpreta Juliet's Waltz

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Desejo-vos uma semana feliz a começar já nesta segunda-feira.
Saúde. Força. Motivação. Alegria. Boa onda. Tudo de bom.

sábado, julho 24, 2021

Um dos pimentinhas já é teen -- e o dia foi de festa, pá

 




Só para dizer que estou para lá de pedrada. Os dias têm sido demasiado matutinos o que desestabiliza esta noctívaga que vos escreve: um dia são os que estão a fazer um arranjo no jardim que chegam antes das oito, fazendo uma algazarra em que não se acredita, outro dia sou eu que vou fazer análises em jejum e, porque tenho reuniões a seguir, tenho que ir à hora a que as galinhas sacodem a noite, outro dia é o meu marido que está com espertina e mexe-se e remexe-se não me deixando dormir sossegada. Um karma.

Hoje foi um misto de quase tudo isso acrescido de uma reunião que começou à primeira hora e que durou até à hora de almoço, deixando-me exaurida.

Quando, finalmente, me calcei para ir para a caminhada, toca-me o telefone. O meu marido, que queria almoçar cedo para ir comprar umas peças e estar de regresso a horas de expediente, ficou passado, que eu despachasse o telefonema. Impossível. Ele ia de férias, tínhamos que pôr a conversa em dia. Conversa demorada, muita coisa a combinar.

Fiz sinal ao meu marido que fosse indo. Meia hora depois fui eu. Liguei-lhe. Caminhámos na direcção um do outro e ainda fizemos um pouco do percurso juntos. 

Depois foi tudo a despachar, mails e mais mails, telefonemas e mais telefonemas -- até que chegou a trupe da minha filha e depois a do meu filho. 

Como tinha concentrado tudo até essa hora e sabia que haveria de concluir algumas tarefas ao fim do dia, consegui ir com os meninos e as meninas grandes para o parque. 

Quando se encontram, os meninos têm sempre coisas a contar: a minha menina linda, que anda com os olhos muito mais claros, contou que fez surf, que anda a ter aulas -- e demonstrou como é --, os primos, que sabem como é porque já tiveram aulas e praticam com o pai, rebateram, ela disse que não, depois comentaram a tshirt futebolística que o aniversariante recebeu e falaram de outras coisas que mal percebo. O menino mais pequeno, sempre tão querido e tão bonito, faz-me perguntas sempre oportunas e perspicazes e voltou a lembrar-me aquilo do super-herói. 

Por enquanto, ainda ficam todos na maior alegria ao brincarem juntos no parque. Mas acredito que dentro de um ou dois anos, pelo menos os mais crescidos hão-de distanciar-se das brincadeiras mais infantis. Aliás, hoje, os três rapazes mais crescidos ou jogaram futebol ou fizeram uma coisa que não sei se dá pelo nome de slide mas que são coisas que já nada têm a ver com escorregas, baloiços ou coisas afins.

E depois voltámos a casa, lanchámos, cantaram-se os parabéns a você, ainda dançámos (os que são de pé leve), ou seja, estivemos juntos que é o melhor e mais importante. 

Os meninos crescem e mantêm-se amigos, unidos, e acredito que se sentem amados e felizes. 

Abraço-os, beijo-os. Estamos de máscara e ao ar livre pelo que os meus abraços e beijos são covid free. O meu marido lamenta-se: 'já não digo nada'. Não acha bem. A minha nora diz que um deles deve estar carregadinho de covid, que teve um menino com covid na sala. Mas preciso destes abraços e beijos e tenho cuidado pois abraço-os pelas costas e beijo-os na nuca. Penso que eles sabem que a sua Tá não passa sem eles, meus meninos mais queridos.

Quando, ao fim do dia, ficámos só os dois e arrumámos o que havia a arrumar, fui ligar à minha mãe e fotografar a minha exuberante brugmansia suaveolens que, desde que foi aparada, deu em over reacting desatando a parir uma chuva de flores que, ao fim da tarde, quando exalam aquele aroma alucinogénio, atraem abelhas e abelhões que se atiram de cabeça inebriados por aquele perfume sedutor.

A seguir, como não tinha que fazer jantar -- e a bem dizer, também não tínhamos fome para jantar -- pusemos The Crown e eu resolvi vê-la reclinada. E, claro está, imediatamente a coisa se deu. Quando dei por mim foi quando chegou uma mensagem. Disse: bolas, estava quase a dormir. O meu marido disse: quase...? estás  dormir há meia hora!

Acho que exagerou. Mas que me tinha apagado, tinha.

Entretanto, já despachei o que me faltava. Não gosto de ir para fim de semana com pendências. Mas, confesso, estou que já não me aguento: não faço outra coisa senão estar para aqui só a bocejar. O meu marido, claro, já dorme a sono solto.

Pelo menos não precisamos de ir ao supermercado neste fim de semana pois fomos na quinta ao fim da tarde, e bem puxado foi.

O meu marido há pouco estava um bocado aborrecido comigo: que não vejo a tensão há vários dias, que ando outra vez a trabalhar demais, que voltei a ir para a cama tarde demais. Diz que parece que não aprendi nada. Não respondo pois receio que tenha razão. Mas não quero que seja assim, tenho que meter travão às quatro rodas.

Este sábado talvez seja relativamente tranquilo. Contudo, antes das oito devo estar a ser acordada e isso não é bom para mim pois preciso dos fins de semana para repor as baterias do sono. Mas, enfim, nada a fazer.

Ou melhor, o que há a fazer é, em vez de carpir, curtir -- estar na boa, partilhar a boa onda.


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E, por falar em boa onda e em pé de dança, deixem que partilhe convosco um tango dançado com graça e entrega. Vejam, por favor, pois vale muito a pena: é inesperado e muuuuiiito divertido.

Pasha and Aliona  - America's Got Talent 2021


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Desejo-vos um dia feliz
Peace and love