quarta-feira, outubro 21, 2026

Breves, duas institucionais e uma nem por isso

 

1 - O Presidente Seguro só profere discursos memoráveis. Tem sempre ideias frescas, inesperadas ou muito concretas. Nunca nada do que diz é déjà-vu nem dos dá vontade de dizer: 'Dahhhh.... e então? Qual a novidade...? Em termos concretos... o quê?' Desembucha, homem!'. Não, nunca nos ocorre nada disto.

Agora disse que, e passo a citar, "Seguro alerta para cumprimento das "regras processuais" na PJ: "É a primeira condição da legitimidade"". Ora se ele pensa isto, então, já podemos todos ficar mais descansados. Assim, sim.


2 - O menino-velho não conseguiu que o quisessem para vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu. Leio que "A derrota deixa a delegação social-democrata sem qualquer representante na liderança da bancada pela primeira vez desde 2004". Os colegas do Partido Popular Europeu não apreciam a farronca do menino-velho. Nascer-se velho é uma chatice, ninguém leva a sério, tudo parece postiço. Tadinho do Bagulho.


3 - O problema da habitação é real. Faltam casas. Faltam residências universitárias. Falta habitação social. Falta habitação pública acessível. Falta um clima de estabilidade e confiança para que os senhorios se arrisquem a arrendar casas em contratos de longa duração. Falta que o clima internacional estabilize para que as taxas de juro não estejam tão altas. Falta agilizar a aplicação da lei. Falta um mecanismo de radar social para monitorizar pessoas que, por via de alguma fatalidade, se vejam em inesperadas situações de pobreza e precisem de ajuda social pública. Falta muita coisa. Falta, por exemplo, que os partidos sejam capazes de se articular e avançar com medidas concretas, a curto prazo.

Em contrapartida, não fazem falta movimentos anarquistas infiltrados por movimentos radicais que querem desestabilizar a paz e o tecido democrático europeu. Não fazem falta as manas Mortáguas na televisão, uma com ar irado, justicialista, vingativo, e outra com ar de quem, apesar do ar condescentente e superior, não consegue disfarçar que está pronta para matar alguém a sangue frio. Nem fazem falta algumas figuras que em Lisboa ou no Porto andam de megafone aos saltos, ou de cara tapada, ou de lenço da Palestina à volta da cabeça, ou com cabelos e roupas estranhas e, muito menos, não é preciso algumas mulheres andarem de cavas exibindo um matagal preto que assusta, mais pêlos nas axilas que qualquer dos homens cabeludos da minha família. 

Poderão dizer que sou elitista e que nada disso faz mal, que tudo isso faz parte. Podem dizer o que quiserem. E eu continuarei na minha: há coisas escusadas. Não contribuem para qualquer solução. E, pelo contrário, incomodam. Para além de barulhentas, são muito inestéticas. Será que quando tentam arrendar casa se apresentam assim, com tambor ao peito, megafone na mão e uma guedelha brutal debaixo dos sovacos*? É que se este for o seu dress code usual, na volta os senhorios, só para não terem tal fauna dentro de casa, duplicam o peço das casas enquanto, no seu íntimo, sussurram 'foge...'. 

E, ok, venham agora para aqui dar-me lições de moral. Quantos são, quantos são? Make my day.

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* Desculpem a palavra usada. Nunca a uso, acho-a vulgar, mal sonante, insalubre. Mas, no caso presente, parece-me indicada.

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Desejo-vos um belo dia

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