Trump é um comediante. É um misto de Bruno Nogueira, com um humor virado para o insólito, para o desbragado, para o politicamente incorrecto, e de Claude Verneuil, o personagem racista interpretado por Christian Clavier que deixa toda a gente desconcertada com as suas tiradas xenófibas e inconvenientes.
Não só Trump sabe conduzir as emoções da plateia, como tem o sentido certo do momento em que deve falar ou ficar em silêncio, e da entoação adequada para levar ao rubro os que o ouvem. Sem qualquer filtro, diz o que lhe vem à cabeça. Improvisa, imita aqueles contra quem invectiva, inventa, insulta, ameaça, promete benesses -- o que calhar. Não tem receio de ser desmentido, não tem receio que os tribunais o condenem, não tem receio de nada. Tem a escola toda. Sabe-a toda, e tem grande parte da Justiça nas mãos. Nunca vi ninguém tão descarado, tão tresloucado, tão desconcertante. Dizem-no demente. Talvez. Talvez em cima do narcisismo, da crueldade, da estupidez e ignorância natural, haja mesmo aquele sintoama típico da demência: ausência de filtros.
E tem inimigos de estimação por quem manifesta raivas obsessivas, uma coisa tão excessiva que mais parece uma criança parva, mal educada.
Uma das pessoas que ele insulta, apouca e ameaça é Ilhan Omar, a democrata somali americana. Uma das coisas que ele não se ensaia nada para continuar a apregoar nos comícios é que ela casou com o irmão e teve filhos com ele. E, embalado com a conversa, derivou para si próprio. Inventou que lhe perguntaram se tinha casado com alguma irmã e, fazendo vozes e gestos, jurou que não tinha casado com nenhuma irmã e, sabe-se lá porquê, resolveu levar a conversa ainda mais longe, dizendo que nunca sentiu atração por nenhuma delas nem as pediu em casamento.
Como sempre, os Magas aplaudiram com entusiasmo. Diga ele o que disser, mostre-se racista, goze com defcientes, com árabes, com somalis ou seja com quem for, os Magas aplaudem sempre.
'Juro que não fiz isso': Trump diz que foi questionado 'no início' da sua campanha se tinha casado com a sua irmã.
Porque é que a Casa Branca de Trump está prestes a ficar muito feia | Dentro da cabeça de Trump
Michael Wolff e Joanna Coles abordam as eleições intercalares com uma análise das disputas que se intensificam em torno de Donald Trump. Wolff partilha uma atualização sobre a sua batalha judicial com Melania Trump e, de seguida, os apresentadores discutem o alegado acordo de 50 milhões de dólares assinado entre a ex-advogada de Trump, Alina Habba, e o seu conflito com Trump sobre dinheiro e influência. Wolff defende que a disputa pode ser um sinal precoce de uma corrida mais ampla entre as pessoas próximas do presidente. Avaliam também candidatos vulneráveis do movimento MAGA, questionam se a queda das audiências da Fox News indica problemas para Trump e consideram o que os resultados de terça-feira podem significar para o seu domínio sobre o Partido Republicano.