domingo, novembro 01, 2026

Ele jura que não se casou com a irmã, com nenhuma das duas, e diz que nunca se sentiu atraído por elas nem nunca as pediu em casamento

 

Trump é um comediante. É um misto de Bruno Nogueira, com um humor virado para o insólito, para o desbragado, para o politicamente incorrecto, e de Claude Verneuil, o personagem racista interpretado por  Christian Clavier que deixa toda a gente desconcertada com as suas tiradas xenófibas e inconvenientes.

Não só Trump sabe conduzir as emoções da plateia, como tem o sentido certo do momento em que deve falar ou ficar em silêncio, e da entoação adequada para levar ao rubro os que o ouvem. Sem qualquer filtro, diz o que lhe vem à cabeça. Improvisa, imita aqueles contra quem invectiva, inventa, insulta, ameaça, promete benesses -- o que calhar. Não tem receio de ser desmentido, não tem receio que os tribunais o condenem, não tem receio de nada. Tem a escola toda. Sabe-a toda, e tem grande parte da Justiça nas mãos. Nunca vi ninguém tão descarado, tão tresloucado, tão desconcertante. Dizem-no demente. Talvez. Talvez em cima do narcisismo, da crueldade, da estupidez e ignorância natural, haja mesmo aquele sintoama típico da demência: ausência de filtros.

E tem inimigos de estimação por quem manifesta raivas obsessivas, uma coisa tão excessiva que mais parece uma criança parva, mal educada.

Uma das pessoas que ele insulta, apouca e ameaça é Ilhan Omar, a democrata somali americana. Uma das coisas que ele não se ensaia nada para continuar a apregoar nos comícios é que ela casou com o irmão e teve filhos com ele. E, embalado com a conversa, derivou para si próprio. Inventou que lhe perguntaram se tinha casado com alguma irmã e, fazendo vozes e gestos, jurou que não tinha casado com nenhuma irmã e, sabe-se lá porquê, resolveu levar a conversa ainda mais longe, dizendo que nunca sentiu atração por nenhuma delas nem as pediu em casamento.

Como sempre, os Magas aplaudiram com entusiasmo. Diga ele o que disser, mostre-se racista, goze com defcientes, com árabes, com somalis  ou seja com quem for, os Magas aplaudem sempre.

'Juro que não fiz isso': Trump diz que foi questionado 'no início' da sua campanha se tinha casado com a sua irmã.


Mas nada como ver a dupla Joanna Coles e Michael Wolff a dissertar sobre o momento, nomeadamente o que esperam (e desejam) após as intercalares de 3 de Novembro.

Porque é que a Casa Branca de Trump está prestes a ficar muito feia | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles abordam as eleições intercalares com uma análise das disputas que se intensificam em torno de Donald Trump. Wolff partilha uma atualização sobre a sua batalha judicial com Melania Trump e, de seguida, os apresentadores discutem o alegado acordo de 50 milhões de dólares assinado entre a ex-advogada de Trump, Alina Habba, e o seu conflito com Trump sobre dinheiro e influência. Wolff defende que a disputa pode ser um sinal precoce de uma corrida mais ampla entre as pessoas próximas do presidente. Avaliam também candidatos vulneráveis ​​do movimento MAGA, questionam se a queda das audiências da Fox News indica problemas para Trump e consideram o que os resultados de terça-feira podem significar para o seu domínio sobre o Partido Republicano.

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Entretanto, enquanto escrevo, as televisões estão a salivar à espera de mais um ensaio de pancadaria em Lisboa e no Porto, para haver de que falar nos próximos dias. Os manifestantes foram avisados de que deveriam levantar o acampamento. Mas os manifestantes não estão ali para cumprir ordens policiais mas para agir segundo a votação das assembleias populares. Acho que nem no PREC. Vamos ver no que dá. Podia ir espreitar as notícias mas não estou para isso. 

Por toda a Europa alastra a instabilidade. Os problemas são comuns. Enquanto Putin e Trump esfregam as mãos, gostava de aceditar que alguém está a equacionar medidas rápidas para apoiar os sectores mais vulneráveis da sociedade. Sendo certo que uma crise tão grande levará muito tempo a resolver, seria importante que houvesse quick wins, medidas de curto prazo e com impacto palpável para acalmar os ânimos, para trazer esperança. Uma sociedade sem esperança, entrega-se às promessas vãs do populismo.

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Desejo-vos um feliz dia de domingo