Não foram os mortos, os estropiados, os deportados, os que ficam sem casa e sem família, os que ficam desempregados, os que ficam sem apoios a nível social ou de saúde ou de alimentação e todos os demais que se incluem entre as inúmeras vítimas da crueldade e da estupidez exacerbada de Trump, e tudo isto poderia ser um filme cómico.
Já tinha visto nas redes sociais mas, como sempre que vejo coisas parvas demais, desconfio que sejam fake news e mantenho-me de bico calado. Infelizmente, nestes desgraçados tempos, a realidade anda a ultrapassar a ficção pela esquerda, pela direita, por cima e por baixo.
Quando o Guardian confirma, eu rendo-me: é mesmo verdade. Transcrevo:
Segundo os relatos, Trump presenteia os membros do gabinete e os visitantes da Casa Branca com sapatos Florsheim.
Alguns funcionários do governo queixam-se de ter de usar calçado de qualidade inferior em vez dos seus modelos de luxo favoritos.
Sentado atrás da secretária Resolute, Donald Trump fixou o olhar nos pés de JD Vance e de Marco Rubio. “Marco, JD, vocês têm uns sapatos s—xy”, disse o presidente dos EUA, consultando um catálogo e perguntando o número que calçavam. Rubio disse 11,5 e Vance 13. Trump recostou-se na cadeira e comentou: “Dá para perceber muita coisa sobre um homem pelo número do sapato.”
A história é relatada numa reportagem do jornal The Wall Street Journal que conta como responsáveis, conselheiros e aliados visitantes estão discretamente a adquirir sapatos de couro oferecidos por Trump, que lhos apresenta com o entusiasmo de um vendedor ambulante.
Reuniões do gabinete, almoços e passagens pelo Salão Oval podem transformar-se subitamente em conversas sobre calçado.
“Recebeste os sapatos?”, pergunta ele aos colegas, segundo várias pessoas familiarizadas com o ritual citadas pelo jornal. Alguns chegaram mesmo a experimentá-los no Salão Oval.
Uma funcionária da Casa Branca comentou com ironia: “Todos os rapazes os têm.” Outra acrescentou: “É hilariante, porque toda a gente tem medo de não os usar.” (...)
Donald Trump, agora com 79 anos, terá começado no ano passado a procurar algo mais confortável para usar durante os longos dias de trabalho no cargo. Depois de se decidir pelos sapatos da Florsheim, começou também a encomendar pares para outras pessoas. Segundo a Casa Branca, ele paga os sapatos do próprio bolso.
Marco Rubio e JD Vance receberam os seus Florsheim depois de uma reunião em dezembro no Salão Oval. Membros do governo como Pete Hegseth e Howard Lutnick também passaram a fazer parte do “clube”, assim como os comentadores conservadores Sean Hannity e Tucker Carlson e o senador republicano Lindsey Graham.
Diz-se que um membro do governo se queixou em privado de que o presente presidencial o obrigou a aposentar os seus sapatos preferidos da Louis Vuitton — embora poucos pareçam dispostos a arriscar ofender o chefe deixando os Florsheim por usar.
O presidente desenvolveu até um pequeno truque de salão: adivinhar o número de sapato das pessoas. Quando fica satisfeito com o palpite, instrui um assessor a fazer a encomenda. Uma semana depois, chega à Casa Branca uma caixa castanha, por vezes com uma assinatura ou uma breve nota de agradecimento de Donald Trump, relata o The Wall Street Journal.
O hábito tornou-se tão rotineiro que alguns assessores dizem que agora existe uma pequena pilha de caixas de sapatos num gabinete próximo, cada uma com o nome do destinatário. (...)
Eu sei porque é que a guerra de Trump está em desordem: Wolff | Dentro da cabeça de Trump
Michael Wolff e Joanna Coles discutem a guerra de Trump contra o Irão em tempo real, revelando um comandante-chefe que parece conduzir a guerra da mesma forma que conduz um comício: improvisando a cada instante. Do bizarro regresso da antiga ameaça de Trump de "fogo e fúria" às declarações contraditórias sobre a vitória, rendição e bombardeamento do Irão "de volta à Idade da Pedra", Wolff explica porque é que fontes internas afirmam que não há um plano, apenas improvisação. Entretanto, o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, esforça-se por explicar uma estratégia que pode nem existir, os republicanos entram em pânico com o aumento dos preços da gasolina em vésperas de eleições intercalares, e o próprio Trump parece entusiasmado com o espectáculo. À medida que a retórica se intensifica e os objectivos da guerra permanecem indefinidos, Wolff e Coles expõem o caos, as contradições e os riscos políticos por detrás de um conflito que poderá terminar amanhã ou tomar um rumo imprevisível em Washington.

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