Num certo sentido, talvez um sentido até prevalecente, estou-me bem nas tintas para isto. Tudo personagens que, na minha óptica, são de opereta, bufões, gente desclassificada, ignorantes até à medula, gente estúpida que vinga à conta de outros ainda mais estúpidos que eles. Por isso, para falar a verdade, o que sinto por esta gente é desprezo. O mais profundo desprezo.
Contudo, não posso ignorar que esta gente que, de certa forma, protagoniza o que de mais horrível tem o capitalismo sem ética, o liberalismo de braço dado com populismo, conseguiram chegar a uma posição em que têm uma influência no mundo inteiro.
E se o narcisista maligno, um estupor que já foi condenado não sei quantas vezes, um burlão, um burro que já levou várias vezes as empresas à falência, conseguiu convencer milhões de americanos a votar nele depois de já ter demonstrado à saciedade o que é, como é e o que iria ainda fazer, já da mulher não se sabe bem o que dizer. As notícias têm traçado o seu roteiro desde que chegou aos Estados Unidos, como modelo pouco conhecida, passando pelos meios em que estas elites do dinheiro fácil assente em ética nula se divertiam uns com os outros e com jovens de tenra idade à mistura, até que começou a acompanhar Trump e até que, finalmente, acabou casada com ele. Isto quando, quem os conhece, jura que vivem separados e que ela o odeia. Aliás, dizem que, desde há algum tempo, ele já está na fase pós-sexo, já só vai para a cama com hamburgueres.
Acontece que a insólita conferência de imprensa de Melania, que apanhou todos de surpresa, incluindo a Casa Branca em peso, Trump incluído (passe a redundância), negando evidências e apelando a algo que o marido tem feito tudo para impedir, veio colocar ainda mais os holofotes sobre a bizarra relação entre ambos. E, ao tentarem decifrar o que é que ela tencionou fazer com aquilo, há uma teoria que parece ganhar pontos: a de que ela foi ali ameaçar o marido.
Há quem diga que ela o tem na mão, que ela sabe demais e que pode, se achar necessário, tirar-lhe o tapete a qualquer momento. Um mina que pode rebentar quando menos se esperar. Ou seja, uma ameaça, e, dadas as funções dele, uma ameaça não apenas para ele, como, até, uma ameaça para a segurança nacional. Ou seja, há quem alegue, que, se calhar, a ideia da inesperada e incompreensível conferência de imprensa, foi um aviso que não deve ser menosprezado.
Mas há também quem diga que, para além disso, supostamente estará agora a querer preparar o seu futuro para o day after, para quando ele se for, ou desta para melhor ou, simplesmente, quando for corrido. Ou seja, não apenas não quererá ver-se metida em sarilhos por causa dele, os problemas de eventuais maus comportamentos são dele e não meus, como quer ganhar dinheiro à custa de ser quem é, uma mulher bonita, elegante, famosa.
Acontece que ela própria está a ser apertada não apenas por Michael Wolff que talvez consiga sentá-la no tribunal, levando-a a testemunhar sob juramento e a ter que revelar muito do que nem ela nem o marido querem que se saiba, como pela ex-amiga Amanda Ungaro, que tem estado a colocar a boca no trombone e ameaça divulgar muitos esqueletos que Melania quer fechados a sete chaves. Ora uma mulher contrariada, agastada, agoniada e a sentir-se acossada pode tornar-se deveras perigosa.
Mas vá lá saber-se.
Agora uma coisa é certa: estando o palhaço cor-de-laranja debaixo de fogo internacional por causa da estúpida guerra que está a lançar o caos nos mercados, nomeadamente, no mercado dos combustíveis, derivados e consequentes, encurralado pelos iranianos de um lado e pelos israelitas de outro, sem saber como sair da armadilha em que caiu, e debaixo de fogo interno pela situação da saúde, dos imigrantes, da não criação de emprego, da inflação, da perda de apoio de parte da sua base de apoio, apertado pelos testículos se calhar por muita gente (pelos israelitas? pelos russos? por ela, Melania?), alguma coisa me diz que, um dia destes, algum contratempo, algum estoiro, o retirará do poder antes do fim do seu mandato.
Não tardará o tempo em que começarão a aparecer, como cogumelos, documentários e filmes de todos os géneros sobre este período sinistro (e que, apesar de trágico, tem um lado muito cómico): os personagens, aos olhos de quem não tenha assistido, ao vivo, a este período, parecerão improváveis, implausíveis, demasiado caricaturais: Trump, ordinário, desbocado, boçal, ignorante, cruel, mais a sua galeria de filhos esquisitos, mais as suas mulheres (uma das quais enterrada num dos seus campos de golf para ele pagar menos impostos), a sua guia espiritual, uma farsante que é de gargalhada, os seus médicos que parecem ter saídos de um manicómio, os seus 'amigos' - tudo gente do mais freak que há.
Mas ninguém melhor que Joanna Coles e Michael Wolff para discutirem sobre o assunto. Convido-vos a assistirem a mais uma gostosa cavaqueira.
Eu sei como Melania ameaça Trump: Wolff | Por dentro da mente de Trump
Michael Wolff e Joanna Coles revelam os bastidores do relacionamento mais enigmático da política americana, dissecando o estranho e transacional casamento entre Donald e Melania Trump e o que isso pode significar para a sua presidência à medida que a pressão aumenta de todos os lados.
Desde a sua ausência física da Casa Branca e a sua suposta vida separada em Nova Iorque até ao esforço calculado para construir a sua própria marca multimilionária, os autores traçam como Melania poderá estar a redefinir silenciosamente o papel de Primeira-Dama, ao mesmo tempo que se distancia dos escândalos do marido — incluindo a sombra persistente de Jeffrey Epstein.
À medida que Wolff revela detalhes do seu processo explosivo e a possibilidade de forçar um depoimento sob juramento, surge uma questão mais volátil: se a própria Melania se tornou um passivo político, ou até mesmo uma ameaça potencial, detendo uma influência que poderia abalar os alicerces da imagem cuidadosamente construída de Trump e expor verdades que os seus aliados prefeririam manter enterradas.
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