sábado, janeiro 24, 2026

Será este o momento em que o mundo finalmente deixa de correr atrás dos bombeiros, ou será que Trump já está a acender o próximo fósforo?

 

As conversas entre Joanna Coles e Michael Wolff são sempre gostosas, divertidas, com deliciosos apartes. 

Por exemplo, Joanna Coles conta que, quando foi entrevistar Valentino, o costureiro recentemente falecido, os assessores lhe pediram para não lhe falar na guerra do Iraque. Ela pensou que talvez algum familiar lhe tivesse morrido. Contudo, ficou curiosa e quis saber qual a razão. Responderam: 'É que ele não sabe da guerra.'. Isto 3 anos depois da guerra ter começado. Explicaram que ele vivia num ambiente de beleza. Notícias más só iriam perturbá-lo.

Michael Wolff não quis ficar atrás e contou que, numa das vezes em que foi entrevistar Trump para o primeiro livro biográfico sobre ele, o Fire and Fury, estando-se a poucos dias do Brexit, puxou o assunto. Trump ficou admirado: 'Ahnnn?'. Não sabia. Quando Wolff lhe explicou, apenas disse que lhe parecia bem que o Reino Unido saísse da UE. E mudou de assunto. Segundo Wolff, Trump não sabe nada de política internacional. Mesmo do que se passa nos EUA pouco sabe. Não lê um livro, não folheia um dossier, não se informa, não estuda. Aliás, conta que Epstein dizia que Trump tem medo de Putin porque Putin tem em sua posse os seus registos académicos, que parece que são péssimos. 

Outro apontamento com piada teve a ver com a nova gravidez de Usha Vance. Ao enviar-lhe os parabéns, Joanna confessou que gostava de ter tido mais filhos (tem dois)... mas apressou-se a advertir: 'Mas não com o J.D. Vance...'. Claro. Puxa. 

Contudo, claro que o tema principal não são estes pequenos fait divers. E ouvi-los a falar do que se tem passado (Davos, Gronelândia, o absurdo Conselho da Paz que mais parece uma extensão do clube privado de Mar-a-Lago, etc) ajuda a ver os grandes temas sob a perspectiva da petite histoire. Por exemplo, comentam que Trump gosta de ter todas as atenções centradas em si. Ateia o fogo não tanto pelo fogo em si mas, sobretudo, para ver os carros dos bombeiros, as sirenes, as luzes, toda aquela emoção. Quando acaba, antes que se avaliem os danos, já não quer mais saber do assunto, já está focado no próximo fogo que vai pegar.

Mas ouçam-nos que tem piada. 

O verdadeiro motivo pelo qual Trump recuou da Groenlândia: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que as últimas manobras teatrais globais de Trump — desde a ameaça de anexação da Gronelândia até ao "conselho de paz" bilionário — nunca deveriam ter acontecido. Recorrendo a Davos, a sondagens desastrosas, à reação negativa a Minneapolis e ao talento infinito de Trump para distrair, Wolff explica como a fanfarronice sem consequências é a essência do Trumpismo: atear fogo, aproveitar-se dos alarmes e depois ir embora antes que as consequências cheguem. A questão que se mantém após o fim da questão da Gronelândia é: será este o momento em que o mundo finalmente deixa de correr atrás dos bombeiros, ou será que Trump já está a acender o próximo fósforo?

E queiram continuar a descer porque, já a seguir, Colbert faz a festa.

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