domingo, agosto 13, 2023

Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa

 

Hoje o dia foi especial. Aquilo de que não se deve voltar onde já se foi feliz, afinal, não é forçosamente bem assim.

Não sou saudosista e, em geral, página virada é página esquecida. Mas, lá está, também há aquilo do nunca digas nunca. 

Assim, hoje fui visitar uma pessoa que, em tempos, foi queridíssima amiga. A vida levou-nos por caminhos distintos e, quando andamos muito atarefados a criar filhos, a trabalhar, a construir uma vida, pouco tempo sobra para o que vai ficando para trás.

Mas nunca me esqueci dela. Enquanto eu sempre fui de ter muitas ideias, muita vontade de fazer coisas, amores intensos, ela sempre foi a serenidade em pessoa, a companhia perfeita e justa, a que ouvia e aconselhava. Nunca uma palavra de julgamento ou censura, nunca um gesto de deslealdade. Nunca. Sempre a presença amiga, autêntica, amável.

Fui, em tempos, muitas vezes a casa dela, na cidade, e passei muitas tardes, belíssimas tardes, na grande casa que tinham no campo, no sopé da serra.

No lugar dessa grande casa há agora duas belas casas, uma dela, outra de uma das irmãs. O que antes era campo, é agora um dos limites da cidade. A casa dela está agora envolta noutras casas. Está na cidade mas com vista para a serra, com a acalmia do campo. 

Abraçámo-nos com emoção, um abraço muito amigo. E conversámos como se a conversa nunca tivesse sido interrompida. O seu olhar doce é o mesmo. A compreensão com que antes me ouvia é a mesma. A afabilidade é a mesma. Com ela continuo a sentir-me aceite, acarinhada, apoiada como antes me sentia.

E a casa, que eu não conhecia, é uma casa acolhedora, ampla, de uma beleza delicada, generosa, repleta de memórias, de afectos. Vê-se que é a casa de quem costuma acolher amigos, uma casa que nos abraça. 

Falámos das nossas famílias, falámos de nós, falámos do nosso reencontro.

Estava com medo que o urso cabeludo se atirasse a ela mas, estranhamente, foi como se a reconhecesse. Fez-lhe, imediatamente, uma festa, pôs-se em duas patas como se lhe quisesse agradar, como se quisesse abraçá-la. Ficámos admirados com aquela reacção.

E isto foi de tarde. Agora à noite estive à conversa com ela e com outros queridíssimos amigos. 

A vida sabe tão melhor quando é vivida em torno de afectos, de afinidades, de compreensão perante as diferenças, de admiração perante o que, nos outros, é bom.

Sempre tive vontade de, quando me reformasse, ter uma vida nova, ter um recomeço numa outra direcção. E é o que está a acontecer. E sinto-me muito agradecida, muito feliz. 

Amor Como Em Casa
| Poema de Manuel António Pina com narração de Mundo Dos Poemas

Desejo-vos um belo dia de domingo

Saúde. Afecto. Paz.

sábado, agosto 12, 2023

Irrelevantes tropeços. Auspiciosos recomeços.
E uma casa para lá de linda

 

O senhor que veio consertar o que tinha desarranjado na véspera felizmente veio cedo e, felizmente, ao fim de hora e picos, aparentemente resolveu a situação. Digo aparentemente pois, quando o tema envolve artolas, viro pessimista.

Mas tive um outro contratempo. Ao querer fazer uma simples operação num banco, em casa, não consegui. Começou por me aparecer a mensagem de que o site estava inoperacional, para tentar mais tarde. Quando tentei, consegui entrar mas não concluí a operação pois apareceu-me a mensagem de que era preciso actualizar alguns dados. Não percebi quais. Liguei. Fui aconselhada a dirigir-me a uma agência. Fui (convencida de que o site estava ensarilhado). Depois de algum tempo à espera, o funcionário disse que o problema, no último caso, não era treta informática mas, sim, que era mesmo preciso actualizar os dados profissionais e a morada e que tínhamos que ter comprovantes. E não tínhamos. E já não deu tempo a ir a casa e voltar antes das 15.

De vez em quando tenho o feeling de que há-de chegar o dia em que me verei aflita para coexistir neste mundo cada vez mais digital mas, cada vez, mais complicado.

E depois há isto: porque é que para movimentar o meu dinheiro (meu, m-e-u) me vejo obrigada a dar informação ao banco da minha situação profissional ou dar cópia de documentos que atestam tudo o que afirmo?

Estas coisas maçam-me. Maçam-me mesmo. Fazem-me perder tempo e desgastar a paciência.

E hoje não me dediquei a uma das tarefas a que me tenho dedicado nos últimos dias: organização de coisas que tenho escrito, coisas dispersas a que quero dar alguma unidade. Não tive tempo e, diga-se, muita paciência. 

De tarde, enquanto os meninos viam televisão ou se entretinham no jardim, andámos, eu e o meu marido, a cortar ramos secos do farto jasmim amarelo (que agora não está florido) e, depois, a apanhar a porcaria que ficou no chão. Coisas assim. 

Ou seja, estou naquela fase de gestação em que sinto que qualquer coisa pode estar para começar a aparecer mas em que retardo o momento pois sei que não é fase para poder dedicar-me como a situação exigirá. 

E em princípio vou reencontrar uma pessoa com que não estou há bastante tempo e estou radiante por isso ir acontecer. E há pouco, ao trocar mensagens com uma outra, falei-lhe em ela vir cá a casa e penso que ela ficou contente, e isso alegra-me bastante.

Tal como sempre esperei, estou a entrar num novo capítulo da minha vida e a perspectiva de novos recomeços sempre me aliciou.

Quanto à actividade por que tanto esperei, estou a dar os primeiros passos no caminho das pedras. Estou informadíssima de que é missão praticamente impossível. Os editores não gostam de arriscar em quem ninguém conhece. Percebo-os muito bem. Mas isso não me desmotiva. Quanto mais difíceis as batalhas, mais eu desejo ganhá-las.

Sei que talvez tenha que equacionar a adopção de um plano B. Mas, por enquanto, ainda estou focada na concretização do plano A.

Tirando isso, vou partilhar convosco o vídeo daquela casa extraordinária de que ontem falei. Espero que gostem. Sintam-se em casa.

Inside Bernardette's Lush Green Paradise

 This massive villa sits next to a serene river, surrounded by the beauty of natural jungle and vibrant greenery. From the local art paintings and pit fire pizza oven to the lap pool, this villa is the perfect haven to escape the hustle and bustle of everyday life.



Um belo sábado
Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, agosto 11, 2023

A excepcionalidade dos Chibi Unity

 

Se há coisa que deteste é gastar um dia, à espera.

No outro dia pedimos que viessem cá arranjar uma coisinha de nada.

Veio no outro dia. Tínhamos combinado que vinha cedo pois às onze, no máximo, teríamos que sair. Apareceu perto das onze, não fez nada e deixou uma coisa estragada. Combinou que vinha hoje acabar e que estaria cá entre as dez e as onze.

Eram onze e não tinha aparecido. Nem atendia o telefone. Toda a manhã à espera.

Só atendeu perto da uma. Disse que vinha às duas.

Veio e trouxe um ajudante. O que havia para fazer era mínimo. Não sei o que fez mas só saiu depois das seis e disse que não tinha acabado, que teria que vir amanhã.

Toda a tarde nisto, o cão preso, a ladrar, nós em stand by. Não podíamos sair porque andava fora e dentro e, sem o conhecermos de lado nenhum, não íamos deixá-lo sozinho.

Não consigo perceber. Dá ideia que é daqueles atrapalhados que cria problemas a ele próprio. E não consegue descrever o que se passa. 

Fico entediada, furiosa, arreliada com coisas destas. Só me apetece mandá-lo bugiar mas não faço ideia da trapalhada que ele arranjou e temo estar pior do que quando pedimos para cá vir. Aliás, não lhe pedimos a ele pois não o conhecíamos. Falámos com outro que ia de férias e disse que mandava cá este.

Quem vive na santa terrinha (e digo santa terrinha sem qualquer condescendência pois há terras que são mesmo santas e é um privilégio lá viver) e conhece mil jeitosos e faz-tudos nem sabe a sorte que tem. Uma pessoa viver num lugar em que não há ninguém para fazer o que quer que seja e termos que nos sujeitar a coisas destas é do pior que há.

Não faço ideia do que me espera esta sexta-feira mas até tremo.

Há pouco adormeci profundamente. Custou-me a acordar. Como habitualmente, fui ver as novidades. Vi uma casa em Bali que me deixou perplexa. Nem sabia que podia haver casas tão incríveis. Tinha pensado partilhá-la convosco. É de uma simplicidade fantástica mas de um tal bom gosto, de um tamanho fascínio pela natureza que fiquei rendida.

Contudo, agora vi este vídeo do America's Got Talent e também fiquei sem palavras. Que coisa, que intensidade, que extraordinária interpretação do que são os tempos correntes. Achei uma verdadeira maravilha. E se estou a exprimi-lo em palavras quando tinha dito que tinha ficado sem elas é apenas porque é por escrito pois, se lá estivesse, estaria sem saber o que dizer.

Golden Buzzer: Chibi Unity delivers "the PERFECT AGT audition" 

| Auditions | AGT 2023

Desejo-vos uma bela sexta-feira

Saúde. Paciência e boa disposição. Paz.

quinta-feira, agosto 10, 2023

Alice Neel por ela mesma e Fran Lebowitz, a propósito de Alice Neel (e não só)

 

De vez em quando, ao ver algumas das telas que pintei, fico admirada. Não estou a dizer que as acho excepcionais, note-se. Estou a dizer que me espanto por aquilo ter saído de mim. É como quando, às vezes, leio coisas que escrevi há muito tempo e fico admirada por aquilo me ter ocorrido.

Nunca tive vontade de aprender a pintar tal como não me ocorre frequentar um curso de escrita criativa. Tenho a ideia, porventura errada, de que estas coisas ou saem genuinamente do nosso íntimo ou não vale a pena. Tenho também a ideia de que a aprendizagem tem que ser às nossas custas: experimentar, falhar, tentar de novo.

Na pintura, sempre me senti tentada pela abtracção ou, quando é figurativo, que o objecto da pintura seja inexistente. Pessoas inventadas, flores irreais, casas imaginárias, caminhos impossíveis. Talvez me aproxime do surrealismo. 

Poderia pensar que é uma defesa contra a falta de perícia. Sei que se quisesse retratar fielmente uma pessoa iria falhar. Por isso, pintando coisas inexistentes, não há o risco de virem dizer-me que a boca na pintura é mais carnuda do que a real ou que o joelho saiu bicudo demais. Mas não é (só) isso pois, ao apreciar arte alheia (em galerias ou museus) nunca é a pintura figurativa, realista, naturalista, etc, que me seduz. Prefiro aquilo que apenas existe porque o pintor o criou a partir da sua imaginação ou capacidade de abstração.

E uma coisa de que gosto é de ver/ouvir pintores, não os conceptualizam muito mas os mais prosaicos, menos dados à auto-promoção ou a armarem-se em intelectuais da coisa.

Confesso que não conhecia Alice Neel.

Mas esta porta aberta para o mundo, presente, passado e futuro, que é a internet leva-me a descobrir o que de outra maneira talvez nunca descobrisse.

Cativante esta Alice Neel na forma simples e directa como fala que parece ser o espelho da forma como pintou. O auto-retrato (acima) ou o retrato de Andy Warhol (abaixo) são disso exemplo.

Os vídeos estão traduzidos mas, aviso já, a tradução não é das melhores, deve ser tradução automática. Em tudo em que, em inglês, o género é neutro a tradução sai no masculino mesmo que se esteja a falar de mulheres. Mas, enfim, para quem não domina bem a língua inglesa, sempre será melhor que nada.

Alice Neel, 1978

Alice Neel entrevistada por Barbaralee Diamonstein-Spielvogel, para o programa de televisão Inside New York's Art World, 1978.


Engraçada também a entrevista com Fran Lebowitz sobre, justamente, Alice Neels (e não só). Fran Lebowitz é uma daquelas carismáticas figuras nova-iorquinas, diz o que lhe apetece, conhece meio mundo dos meios artísticos e boémios, tem sentido de humor e é inteligente.

Fran Lebowitz on Alice Neel | PROGRAM

Fran Lebowitz discute a vida e a obra da pintora Alice Neel, vivendo em Nova Iorque nos anos  70 e o que significa ser artista -- entrevista com Helen Molesworth. 


Desejo-vos uma boa quinta-feira
Saúde. Boas vibes. Paz.

quarta-feira, agosto 09, 2023

Eduardo Antonio Trevino, o novo Joselito...?

 

Quando eu era pequena, tenho ideia que bem pequena, era costume ir,  creio que ao domingo, com os meus pais, à matinée. Era todo um programa. Se a minha memória não está a retocar as recordações, diria que vestia os melhores vestidos, calçava os melhores sapatos e o cabelo era cuidadosamente penteado, talvez com um laço no que era apanhado em cima ou talvez com tranças. No que respeita a sapatos, eu tinha predilecção por sapatos encarnados e ainda me lembro de andar de sapataria em sapataria a prová-los.

Encontrava lá amigos da escola e os meus pais encontravam também os seus. Portanto, mais do que uma simples ida ao cinema, era um momento de convívio.

Tenho também ideia, mas como posso garantir que seja verdade?, que aproveitávamos para visitar os meus avós, almoçando ou jantando lá. A minha avó paterna era muito boa de tempero e ainda recordo as suculentas canjas com galinhas da capoeira deles. Levava hortelã pelo que o perfume era excelente. Tinha sempre miudezas e ovinhos que eu adorava. Fazia também iscas com batatas fritas estaladiças e eu também adorava, nomeadamente molhando o pão no molho espesso e saboroso.

Para sobremesa, fazia frequentemente arroz doce com desenhos de canela em cima. Eu deliciava-me com aqueles almoços e jantares.

No cinema, tenho ideia que passava de tudo e ainda me lembro de ver um Rasputine que recordo entre o fascinante e o tenebroso, eu miúda, miúda, a ver um filme que não devia ser minimamente para a minha idade.

Mas o que recordo que seria mais reincidente seriam os filmes com a Marisol ou com o Joselito. Pelo menos foi o que retive. Cantavam bem. Preferia a Marisol porque me identificava mais com ela. Ou melhor, talvez quisesse ser um pouco como ela. Mas Joselito, o rapazinho miúdo que cantava com uma voz afinada e cheia de salero, também tinha a sua graça.

Lembrei-me dele ao ver este rapazinho simpático e afinado que cantou no America's Got Talent. Ora vejam.

Early Release: 11-year-old Eduardo Antonio Trevino impresses the judges! 

| Auditions | AGT 2023


Joselito, el pastor


Um dia feliz
Saúde. Boas memórias. Paz.

terça-feira, agosto 08, 2023

A ciência do amor

 

Termos planos matinais e aparecer-nos uma pessoa que nos boicota completamente os planos. Depois. apanharmos temperaturas acima dos quarenta e não apenas não conseguirmos estar na rua como termos uma tremenda falta de energia. Acresce o céu toldado de fumo. E acresce ainda uma vontade de não fazer nada. Acresce que, mesmo que quiséssemos fazer alguma coisa, tal o calor, não o conseguiríamos.

Poderia ter lido, e tenho o livro aqui ao meu lado, mas pus-me a ver o Task-Master e a chorar de tanto rir, que não me ocorreu sequer abrir o livro. Mas também não sei se o calor não derreteu as letras.

Antes do Task Master, para fazer tempo para ver se a minha cabeça entrava nos eixos, estive a ver vídeos sobre o cérebro. Intriga-me o que se passa dentro da minha caixa preta pois desconheço os mecanismos do seu funcionamento, não apenas no que se prende com a sua capacidade de processamento como com a sua memória e com os mecanismos de aquisição de sinais enviados pelos sensores externos. E, por mais que tente aprender, mais convicta fico que é um universo infinito que me transcende.

Não vou aqui, agora, em pleno e quente Agosto, pôr-me a partilhar coisas que terei que ver e ouvir com mais cabeça para ver se melhor as compreendo antes de as partilhar.

Mas vou partilhar um interessante sobre a ciência do amor. 

É um tema interessante, cheio de enigmas. O que leva a que alguns relacionamentos funcionem e outros não?

Apesar de apenas me ter casado uma vez e de o casamento durar até hoje, não consigo construir teorias.

O que posso é dizer que assentou em amor à primeira vista, ou seja, apaixonei-me antes de conhecê-lo. Achava-o bonito e queria que ele fosse meu, queria cair nos seus braços e tê-lo nos meus. Queria beijá-lo, queria mexer-lhe. Isto sem saber se era boa ou má rês, sem saber sequer quem era. Mas não tinha dúvida: ele era aquele. E ele a mesma coisa embora não expresso por este tipo de palavras (quando mais tarde me disse em que pensava quando me olhava daquela maneira, a resposta foi muito mais prosaica e minimalista). Depois, quando nos conhecemos, ou seja, quando começámos a falar, aprofundámos bastante esse conhecimento pois estávamos juntos todo o tempo que conseguíamos. Andámos nisto, em namoro pegado, pegadíssimo, quase um ano e meio. Quando casámos, já nos conhecíamos muito bem, já conhecíamos as famílias um do outro, já conhecíamos amigos, já tínhamos passeado, partilhado, experimentado, ido ao cinema, ao teatro, à praia, a museus e etc. Como já disse muitas vezes, casámo-nos pois, na altura. não nos ocorreu viver juntos sem casarmos. Se fosse hoje, provavelmente viveríamos juntos e apenas mais tarde, se calhar quando viessem os filhos ou se houvesse condições financeiras ou fiscais mais vantajosas por algum motivo que não bulisse com as nossas convicções, nos casaríamos.

Seja como for, porque nunca fomos de promessas de amor eterno ou compromissos absurdos, o casamento também não tem estorvado.

Agora uma coisa é certa: eu e ele somos muito compatíveis a nível de visão da vida, temos gostos afins, investimos os dois por igual no relacionamento, na família, na profissão. E não temos queixas um do outro. Aliás: temos queixas, sim. Mas insignificâncias ou, então, coisas que têm a ver com a nossa maneira de ser que ambos mutuamente respeitamos. Marimbamo-nos e desvalorizamos as diferenças (que, por acaso, nos habituámos a aceitar pois são mesmo pouco importantes) e festejamos aquilo em que nos encontramos. Volta e meia discutimos. Discutimos ou, sobretudo, desentendemo-nos. Mas é sempre sol de pouca dura. Ajuda eu ser distraída e primária: esqueço-me de que me zanguei ou, se me lembro, esqueço-me do que causou a zanga.

Mas, mais interessante do que o meu insignificante caso, é o que a Helen Fisher explica, o funcionamento do cérebro no andamento das relações.

Está legendado.

The science of love | Dr. Helen Fisher

Todos nós queremos ter um relacionamento bom e estável com alguém, diz a Dra. Helen Fisher. Portanto, é importante entender como o amor romântico intenso afeta nossos objetivos de longo prazo.

Sentimentos intensos de amor desligam as partes do nosso cérebro envolvidas na tomada de decisões. É por isso que, de acordo com a Dra. Helen Fisher, você deve passar muito tempo com alguém antes de se casar.

O Dr. Fisher acredita que casos de uma noite, "amigos com benefícios" e coabitação de longo prazo antes do casamento são sinais de uma mudança saudável na atitude em relação ao amor. As pessoas têm tanto medo do divórcio que querem experimentar antes de se estabelecerem.

Enquanto o casamento já foi o início de um relacionamento de longo prazo, hoje é o final.


Desejo-vos uma boa terça-feira
Saúde. Amor. Paz.

segunda-feira, agosto 07, 2023

Há uma inteligências escondida?
As células pensam?

 


Tive um colega com quem me dava muito bem. De vez em quando, lá nas empresas, apareciam modas em que meio mundo queria embarcar, gastando pipas de massa para coisa nenhuma, apenas para não ficar para trás, porque todas as maiores empresas já tinham embarcado e ninguém queria aparecer como os que ainda não tinham implementado aquela metodologia, adoptado aquele processo ou contratado aquelas sumidades.

Eu, como sempre, não sou de embarcar à toa ou encarneirar e, portanto, levantava muitas questões. Esse meu colega também. Claro que olhavam para nós como os que estavam ali só para chatear.

Ele, brasileiro, com aquela forma divertida de falar, dizia-me de forma a que ninguém o ouvisse: 'nós dois somos mesmo a turma do baldinho'. O 'baldinho' era o balde de água fria que nós atirávamos para cima para esfriar os ânimos.

E assim me sinto eu hoje ao trazer aqui um tema que não está com nada. A bem dizer não tem a ver nem com os mega ajuntamentos da JMJ (e com a organização que fez com que tudo corresse lindamente) nem com o calorão de ananases que esteve. Também não tem a ver com mais uma da minha mãe que, em vez de curtir a provecta idade e o bom estado físico em que se encontra, agora panica com qualquer espirro, incapaz de perceber que o problema é o estado de ansiedade em que fica. 

Não. O post de hoje não tem mesmo nada a ver com nada de nada disso.

Não quero retomar a prática do baldinho de água fria que, por acaso, hoje até que talvez não caia mal tamanhas as quentes baforadas que nos têm assolado. Mas, sinceramente, estou exausta (fisica e psicologicamente) e a única maneira de descansar a cabeça é ocupá-la com coisas que me fazem pensar.

Portanto, com vossa licença, deixem que partilhe um vídeo que me parece muito interessante. Talvez explique muitas coisas. Muitas, muitas. 

Tem a vantagem de estar legendado. 

Can cells think? | Michael Levin

Sabemos que os humanos são uma espécie inteligente. Mas este biólogo decompõe a inteligência de cada uma de nossas células – e isso é surpreendente.

Michael Levin, biólogo do desenvolvimento da Tufts University, desafia as noções convencionais de inteligência, argumentando que ela é inerentemente coletiva e não individual.

Levin explica que somos coleções de células, com cada célula possuindo competências desenvolvidas a partir de sua evolução a partir de organismos unicelulares. Isso forma uma arquitetura de competência multiescalar, onde cada nível, de células a tecidos e órgãos, está resolvendo problemas dentro de seus espaços únicos.

Levin enfatiza que reconhecer adequadamente a inteligência, que abrange diferentes escalas de existência, é vital para compreender as complexidades da vida. E essa perspectiva sugere uma mudança radical na compreensão de nós mesmos e do mundo ao nosso redor, reconhecendo as habilidades cognitivas presentes em todos os níveis de nossa existência.


Desejo-vos uma boa semana
Saúde. Bons pensamentos. Paz.

domingo, agosto 06, 2023

A (des)propósito de quem andou metido em apertos e calores e vai dormir ao relento... um massagista com umas santas mãozinhas

 

Sou absolutamente avessa a ajuntamentos. Ver muitos milhares de pessoas em cima umas das outras é algo que me perturba. Se calhar sou bicho do mato. Não digo que não. 

À hora de almoço vi milhares de pessoas a passo de caracol, ao sol, ao monte, numa estrada a caminho do local junto ao Tejo. A impressão que aquilo me faz. Parece-me um rebanho insano. Qual o sentido, a utilidade, o propósito daquilo? Juro que não percebo. 

Que, numa de fazer bem aos mais desfavorecidos, se tivesse arranjado maneira de aproveitar toda a boa vontade dos jovens e os pusessem a construir parques, casas, a plantar árvores, a fazer qualquer coisa de útil para os pobres ou para o país ou para o planeta, eu ainda percebia. Agora desaproveitar tanta energia para andarem apenas de um lugar para o outro, com cantiguinhas infantilizadas, com conversinhas pueris... acho uma oportunidade perdida. E todos os voluntários a mesma coisa. Acham-se úteis a fazer coisas e mais coisas em volta de uma grande inutilidade. Não sei como dizer isto sem parecer uma desmancha-prazeres perante pessoas que andam cansadas e felizes por fazerem o bem mas, na verdade, tudo me parece uma coisa frustantemente absurda.

Agora, à noite, quando ligámos a televisão, vimos uma multidão de jovens preparados para dormir ao relento. Felizes da vida, claro. O Sudoeste ou o Meco (mas em versão pia pois provavelmente não há charros nem sexo; e, pelo menos por esse lado, os pais podem estar descansados). Woodstock new age. Peace and love.

Que não se pense que acho mal os jovens estarem em acampamentos. Não acho. Acho piada a ver jovens juntos, a curtirem o convívio e a night, é bom. Mas a verdade é que para eles é capaz de ser uma experiência fantástica, muito convívio, muita hormona junta, noitadas ao relento sob as estrelas é do mais romântico e fixe que há. Mas, muito racionalmente falando, tirando isso, é conversa fiada. Milhõe$ gastos (em vez de serem gastos em obra social ou em acções a bem da natureza), horas de televisão à desgarrada (só aflorei, não vi). quando, na verdade, nada de concreto e útil se fez nem nada de especial  há a dizer.

Claro que o Papa diz muita coisa acertada e apela à inclusão e ao amor e, é certo, ainda bem que não é um fanático, radical, fundamentalista. Mas, em concreto, tudo espremido, o que é que aqueles milhares de jovens vão fazer com o que ouviram? Bola. Sorriem com ar beatificado, é certo. Mas, de concreto, isso vale bola.

E que não se pense que quem participa nisto ou quem vai à missa é melhor que os outros. Melhor que eu, por exemplo, Dos maiores sacanas que conheço -- gente sectária, cínica, indiferente perante as dificuldades -- são católicos praticantes, beatos, todos de missas, retiros, peregrinações. Se calhar é coincidência mas é verdade.

Não quero dizer que são todos assim. Conheço outros que não são assim, que são simplesmente alienados, entretêm-se com cursos para casais e coisas do género, coisas completamente fúteis, banalidades ditas como se fossem grandes ensinamentos.

Portanto, tomara que os jovens, os portugueses e os de todo o mundo, se dediquem à aprendizagem, que gostem de ciência e de arte, que sejam humanistas, que sejam bondosos, que sejam inclusivos, que tenham a mente aberta, que lutem que nem doidos pela liberdade e pela democracia e pela defesa do planeta e que não se dispersem com coisas que servem apenas para fazer de conta.

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Charlie Chaplin vai levar uma massagem...?


Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Boas aragens. Paz.

sábado, agosto 05, 2023

Um futuro Senhor Dom Marcelo...?

[A palavra ao meu marido]

 

O Presidente Marcelo consegue sempre surpreender-me e sempre pela negativa, o que voltou a acontecer nas JMJ. 

A forma com o Presidente tem acompanhado a visita do Papa -- desde a tentativa que fez para "desconjuntar" Sua Santidade quando o cumprimentou pela primeira vez, passando pela presença contínua, com ar  enlevado, nas diversas cerimónias e culminando hoje (veremos o que mais fará o Sr. Presidente até ao fim da visita Papal) com  a subida a pé o Parque, dando autógrafos e tirando selfies -- revela um provincianismo e uma constante ânsia de protagonismo que ultrapassam o razoável. 

Sendo Portugal um estado laico, parece-me impossível que estas manifestações de conluio com  a Igreja Católica sejam feitas como Presidente da República; e, se são feitas a nível individual, como cidadão com opções religiosas legítimas, isso deve ser devidamente esclarecido e publicitado. 

Não podemos nem devemos esquecer as mais do que infelizes declarações do Sr. Presidente sobre os abusos sexuais na Igreja numa tentativa, felizmente, frustrada, de tentar minimizar as responsabilidades da Igreja.

Se é verdade que o Papa tem algumas posições interessantes sobre vários temas e parece tentar combater o que de mais errado acontece no seio da Igreja, não é menos verdade que o Papa é o atual chefe da Igreja Católica, a qual cometeu inúmeros e gravíssimos erros que ocorreram continuamente ao longo de séculos, pelos quais é naturalmente corresponsável.

Ouvindo algumas frases dos discursos do Papa e verificando a presença constante do Sr. Presidente junto de Sua Santidade, resta a esperança de que o Sr. Presidente enverede por um caminho diferente, praticando o bem de forma virtuosa, respeitando  a verdade e os outros, não se deixando cair na tentação da constante notoriedade, enfim, exercendo a Presidência de outra uma forma mais próxima dos ensinamentos de Cristo. Também é possível que Sr. Presidente, após a visita Papal, sinta um chamamento, o qual deverá seguir, escolhendo uma Ordem Religiosa que imponha o silêncio e o retiro espiritual.

Já agora a afirmação do Sr. Presidente de que as JMJ são o acontecimento mais importante do Portugal democrático é de gargalhada ou resulta de insolação. Basta, por exemplo, recordar a importância das primeiras eleições livres e comparar com o que representa  a JMJ para o Povo Português.

...   ...   ...

PS: Na contabilidade feita pelo Presidente Marcelo enquanto subia o Parque e fazia selfies, referiu ele para a televisão que tinha encontrado gente de muitos países embora tivesse encontrado poucos italianos que, segundo ele, estavam em Portugal.

Posso sugerir uma ida à Costa Caparica onde encontrará certamente muitos peregrinos, quiçá alguns dos italianos em falta.


sexta-feira, agosto 04, 2023

Benfiquistas e sportinguistas. Casamentos. Paris Hilton e Marcelo. E etc.

 

Um dos meninos fez anos. Entre caranguejos e leões há sempre festejo pois são de seguida. Corrijo: entre lampiões e leões. Uma alegria. Hoje foram todos visitar os interiores do Estádio da Luz. Os benfiquistas convidaram os sportinguistas. Adoraram, quer uns, quer outros.

Depois, lá entre eles, foi bowling, jogos virtuais, almoço, etc. Um programão que os deixou felizes. 

Só depois vieram para cá, todos na maior animação. 

O bolo de anos foi uma saborosa camisola de benfiquista que cá vieram entregar, encomendada pelos pais. Uma surpresa e uma alegria para o jovem aniversariante.

Pouco fiz pois a comida veio toda cá parar. Por isso, se calhar não deveria sentir-me cansada. Mas sinto-me. Continuo a achar que, depois da covid, me canso mais do que o normal. Fico sem energia, com sono. A continuar assim, haveremos de ter que investigar esta coisa. Sou eu e o meu marido. Iguais. Sempre mais cansados e com mais sono do que seria natural.

Estive aqui no sofá e não consegui sequer ver notícias. Não faço ideia do que disse o Papa nem se já apareceu o milhão e tal de peregrinos que ia encher a cidade. Já não sei se foi ontem ou hoje à hora de almoço que vi de raspão um ajuntamento mas que, vendo de perto, era na maioria formado por padres e, pareceu-me, voluntários. No conjunto, creio que os peregrinos deveriam estar em minoria. Do pouco que vi parece-me tudo uma coisa deslocada no tempo, no espaço, desfasada do mundo real. 

É bom haver muita juventude junta mas melhor seria se tivessem objectivos concretos e não apenas uma conversa fiada, peace and love em versão pia. Acaba isto da JMJ e não fica nada. Nem eles terão feito nada pelo país ou pelo mundo em geral nem sequer por eles próprios. Divertiram-se, foram para os copos, conheceram-se uns aos outros. Uma experiência de tipo inter-rail e, na realidade, nada mais. Uma experiência divertida.

Provavelmente, o Marcelo continua eléctrico, atrás das saias de Francisco. Não faço ideia do que vai na cabeça dele mas também começo a crer que está em parafuso, que já não se passa grande coisa dentro daquela cabeça.

Mas, dizia eu, não tive paciência para notícias ou para comentadores a mastigarem as ditas. Fiz zapping e parei não sei onde. E pus-me aqui na conversa com pessoal amigo. 

Quando dei por mim estava a Paris Hilton na televisão, nervosa com a mãe e a tratar do casamento com um fulano estranhíssimo. 

Ela toda enervada, meio esvaziada, super ocupada, sem ser capaz de tratar daquelas coisas todas que hoje envolvem a indústria dos casamentos. E a mãe a querer meter-se em tudo. E o namorado do mais fútil e palerma que existe. Ao mesmo tempo, tudo cheio de glamour. Há mundos e mundos e mundos a coexistirem. Uma pessoa nem imagina que haja tanta artificialidade, tanta futilidade. E que exista uma indústria de entretenimento que viva disso. O casamento é agora um programa de entretenimento. Acho isto é uma chachada.

Quando me casei, fomos os dois ao registo, sem ter dito a ninguém, e marcámos para o primeiro dia disponível. Num dia, isto é, num único dia, devemos ter feito a lista de convidados. Quanto ao convite, não me lembro. Se calhar fomos a uma tipografia. Não faço ideia mas não foi nada de complicado, isso é certo. Para o copo de água, fomos ver uns quantos lugares e, provavelmente, em dois ou três dias estava escolhido. Para a roupa, andei a experimentar vestidos de noiva e, olhando-me ao espelho, achei que parecia mascarada de noiva. Desisti. Por isso, fui uma vez com a minha mãe e a minha tia (que iria ser minha madrinha) à boutique do Augustus. Num instante ficou escolhida a toilette: uma túnica branca, quase transparente, bordada a branco, umas calças brancas, justinhas. 

E acho que não houve mais nada. Em vez de bouquet, resolvemos que seria uma única rosa que o meu marido traria (oferecia-me uma, todos os meses, no dia do mês em que tínhamos começado a namorar e pensámos que teria graça que encerrássemos o namoro, levando-me ele a rosa que eu teria na mão, ao casar-me). 

Como fotógrafo, foi um colega da faculdade que gostava de fotografar.

O casamento foi apenas 'pelo registo', em casa dos meus pais. Depois fomos para um local bonito para as fotografias, depois foi o copo de água e dali partimos para lua de mel, isto é, férias. Tudo simples, sem stress.

Vendo os preparativos, os nervos, a produção de tudo em todas as vertentes, por que uma Paris Hilton e muitas outras mulheres passam, imagino que o casamento comece logo desgastado. Um mau começo.

É como os pedidos de casamento. 

Quando vejo o que fazem, fico doida. Para quê tudo aquilo? Querem ser criativos. Mas a mim parecem-me pirosos, fúteis, despropositados. Parece-me sempre um mau prenúncio. Quando uma relação começa a sedimentar-se em cima de um disparate parece-me que terá grandes probabilidades de que venha a dar para o torto.

Nem me lembro de como foi comigo, nem do dia nem onde estávamos. Provavelmente, em conversa, veio à baila um 'e se nos casássemos...?'. Não sei qual de nós o disse primeiro nem vejo que isso tenha relevância. 

Enfim.

Vou ver se durmo pois sinto que precisaria de passar um dia inteiro a dormir. Sorry se não consigo dizer mais que isto.

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Uma boa sexta-feira

Saúde. Boas ondas. Paz.

quinta-feira, agosto 03, 2023

Pesadelos que desencantam angústias do passado

 

Quando deixei de fumar nunca recaí. Mas, por várias vezes, sonhei que estava a recair. Eram sonhos muito reais. Sentia o prazer de fumar, sentia o cheiro e o sabor, desfrutava a aspiração profunda e a longa expiração. Depois, sobressaltava-me, irritada por ter recaído e me ter esquecido de que já não fumava. Acordava atarantada, muito aborrecida por ter estado a fumar... e custava-me a perceber que tinha sido um sonho. 

Provavelmente é qualquer coisa de semelhante que me acontece agora ao ter pesadelos horríveis em que tenho reuniões e em que, pelo trânsito que apanho pela frente, por não arranjar lugar para deixar o carro, por não me lembrar onde deixei o carro e não conseguir pôr-me a caminho, seja pelo que for, vejo o tempo a passar e percebo que não vou conseguir chegar a tempo.

Eu, na pontualidade, sou germânica. Se é 9:30 é 9:30, nem 1 minuto a mais nem um minuto a menos. E, portanto, sendo eu assim, imagine-se como fico doente quando sou eu a chegar atrasada. E, pior ainda, quando era eu a convocar a reunião e, afinal, deixar todos plantados à minha espera.

Muitas vezes as pessoas admiravam-se de eu não me stressar com situações que deixavam outros ao rubro -- trabalhos que corriam mal, reivindicações salariais absurdas, reclamações ridículas aquando das avaliações, gente falsa que atira a responsabilidade dos seus erros para cima dos outros ou que quer afirmar-se pisando os outros. Não me stressava com nada disto. Mas ficava doente quando ia atrasar-me e não conseguia evitá-lo.

Presumo que seja isso que me faz ter pesadelos como tive a noite passada. Sonhei que tinha uma reunião às 10:30, que já tinha marcado mais tarde para garantir a pontualidade, e tudo me corria mal. Nos meus pesadelos, em volta disto há ainda outras recorrências: vou com miúdos e com sacos com roupa e comida para eles. E eles depois estão com sono, cansados, arrastam-se, não querem ir e eu tenho que puxá-los. E não consigo levá-los ao colo. E tudo me corre mal, vou dar a sítios que não conheço, não encontro quem saiba dizer-me o caminho, depois perco-me, a seguir apanho escadas, precipícios, tudo. E o tempo a aproximar-se e eu a ver que vou chegar atrasada. E os miúdos têm fome, querem ficar sossegados a brincar e eu puxo-os, preocupo-me que caiam e se magoem, preocupo-me porque devia dar-lhes de lanchar ou vestir-lhes um casaco e, atrasada e exausta como já estou, não consigo.

Acordo, numa angústia. Levanto-me, vou à casa de banho, tento assimilar que foi um sonho. Mas primeiro que o coração volte ao normal é um castigo.

E isto das crianças só pode ter a ver com a angústia que me apertava o coração quando tinha que ir buscar os miúdos à escola e as reuniões não acabavam, ou estava muita chuva e o trânsito não andava, ou havia um acidente que parava o trânsito e já não se conseguia voltar para trás para escolher um caminho alternativo. 

Mas há quanto tempo isso foi... E ainda estou com isto... Deve ter sido tão traumatizante para mim que ainda labuto contra o pesadelo que era para mim saber que os miúdos estavam à minha espera e eu não conseguia ir a correr para chegar cedo como gostaria.

E ultimamente tenho tido vários destes maus sonhos. Quando me deito já vou com receio de os ter. E a chatice é que, quando acordo, estou tão sobressaltada e preocupada que me custa imenso voltar a adormecer.

Ontem tinha visto um vídeo sobre pontes (e eu gosto imenso de apreciar a elegância do seu desenho) mas aquelas eram tão vertiginosas que interrompi a meio com receio de ter pesadelos com elas. Afinal, tive mesmo um pesadelo e nada teve a ver com pontes que dão vertigens.

Portanto, vou arriscar. E vou partilhar convosco. São extraordinárias obras de arquitectura e, sobretudo, de engenharia, obras que, certamente, nasceram do sonho de quem as concebeu.

Here’s The Bridge That Gives Drivers Panic Attacks When They Go Over It

Bridges are marvels that unite people and places, spanning over rivers, canyons, and other formidable barriers. But beware, because there are bridges that defy the very notion of safety, haunting even the boldest heart. Whether it's their towering heights, treacherous narrowness, or the relentless forces of nature they endure, these bridges have earned a notorious reputation as the most bone-chilling spectacles ever witnessed. In this video, we’ll take a look at some of the most mind-boggling and spine-chilling bridges in the world. 

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Uma bela quinta-feira
Saúde. Sonos descansados. Paz.

quarta-feira, agosto 02, 2023

Entrar numa igreja para que o casamento se dê... mas com os pés dentro de água

 

No outro dia, pouco depois de me deitar, por volta das duas e meia da manhã, ouvi movimentos que me pareciam perto da janela do quarto, nomeadamente no corredor que vai do portão até ao telheiro sob o qual costumamos deixar o carro. Passado um bocado, ouvi abrir as portas de um carro e, depois, um carro a avançar devagar, a curvar e a arrancar. Parecia mesmo que, sendo tão perto, só poderia ser o nosso. Mas parecia-me improvável.

O meu marido dormia a sono solto e não quis acordá-lo pois sabia que iria achar que era um receio infundado. Então, devagarinho, levantei a persiana para espreitar o portão. Foi então que constatei que a cameleira -- que está tão grande e tão linda --, tapava totalmente o portão. Não consegui ver aquilo que poderia aliviar a minha inquietação.

Passado um bocado, ouvi vozes de homem na rua. Pelo que ouvia, estavam encostados à vedação. Falavam, falavam. Já eram três e tal da manhã e era uma conversa que não acabava. Nestas ruas as únicas pessoas que passam a pé fazem-no de dia. Muito menos se põem paradas, encostadas à vedação da casa de outras pessoas. Esperei, esperei que se calassem. Eu com uma espertina dos diabos... 

Então lembrei-me de ir à vidraça do primeiro andar para espreitar e tentar perceber o que se passava. 

O urso felpudo, que dorme entre a vidraça e os cortinados, levantou-se, estremunhado, e, de pé, olhava-me intrigado. Não consegui ver nada. A árvore de que tanto gosto, que fica toda florida e que cresceu tanto, não deixava ver o portão.

Claro que a decisão está tomada: vamos mesmo desbastar as duas, deixar que a copa se forme só lá mais acima.

Há não sei quanto tempo que o meu marido anda a protestar com o tamanho das árvores e eu, nature lover, sou muito adepta de as deixar seguir o seu rumo. Além disso, passa-se o seguinte: quando chegamos da rua, por muito calor que esteja, mal se transpõe a entrada do jardim, sente-se um ar deliciosamente fresco. Há, de certeza, uma diferença de uns graus de temperatura. E deve-se, não tenho dúvida, à sombra das árvores.

A salvação do mundo não passa exclusivamente pela sua florestação. Os problemas são tão complexos, tão múltiplos e díspares que, mesmo que nos puséssemos todos a plantar árvores, não iria ser suficiente. 

Mas ajuda. 

Por muito que algumas pessoas queiram subvalorizar as alterações climáticas, a verdade é que elas estão aí para nos alertar para a imperiosa necessidade de fazermos qualquer coisa para retardar o desastre global que se avizinha.

É certo que grandes chuvadas, fortes ventanias e intensos calores sempre os houve. A questão é que não tão grandes, não tão fortes, não tão intensos -- e não tão frequentes.

Até que o mundo fique um lugar inabitável, certamente os humanos irão adaptar-se. Habituamo-nos a tudo. Até que um dia, se nada fizermos, tão não será mais possível.

Veja-se o casamento abaixo. Caminham, literalmente, sobre as águas. E, no entanto, o nó foi dado. Mas veja-se e ouça-se o que aqui se diz.

Bride wades through floodwaters after Philippines hit by typhoons

he Philippines was hit with torrential rain over seven days, brought by Typhoon Doksuri and intensified by Typhoon Khanun. 

Low-lying villages to the north of the country were the worst affected, houses were left submerged in water and residents were forced to travel by small wooden boats and roads were inundated. The Philippines are an archipelago of more than 7,600 islands, vulnerable to high winds and torrential downpours.


Uma boa quarta-feira
Saúde. Alegria. Paz.

terça-feira, agosto 01, 2023

Já contei porque é que agora não consigo comer polvo?

 

Aprendi na escola e com os mais entendidos que sou um animal racional e que pertenço à única espécie que o é. Contudo, ao longo da vida a minha percepção tem-se alterado.

Vejo nos animais compreensão e sentimentos. E leio que entre as plantas há também um propósito e um entendimento.

Mas se o relacionamento com cães me tem aberto a porta do entendimento para a racionalidade e emoções dos animais, nunca me passaria pela cabeça que um animal tão distante de nós como o polvo -- distante no habitat, na composição e funcionalidades do corpo -- me trouxesse tantas descobertas.

É inacreditável. 

Que mais haverá ainda neste mundo que menosprezamos, ignoramos e que é, afinal, tão relevante e tão inteligente como nós?

Quão petulantes e estúpidos somos quando nos julgamos o centro do universo. Quantos disparates cometemos em nome de um poder que, na verdade, não temos? 

Underwater photographer Justin Hofman  offers hand to a Giant Octopus
 — You Won’t Believe How He Reacts 


Uma boa terça-feira
Saúde. Compreensão. Paz.

segunda-feira, julho 31, 2023

Onde não se fala do divórcio entre a Catarina Furtado e o João Reis
(isso fica o Expresso, esse jornal de referência)
mas sobre o que há depois da vida, segundo Einstein

 

Estamos decididamente na silly season e, por isso, deslizo pelas notícias sem conseguir fixar-me em nenhuma. É verdade que as circunstâncias também não propiciam grande paciência para com futilidades ou coisas muito déjà vu. Um dos meninos tinha feito anos já vai para uma semana e, porque, nestas alturas, se acumulam aniversários com férias dos pais, ainda não tinha conseguido festejar com a família. Por isso, foi hoje e cá o tivemos a apagar as velas num belo bolo do Sporting.

Por isso, depois de ver as cabriolices que fazem em catadupa e que me deixam sempre apreensiva e com receio que se magoem pois um faz e os outros todos querem reproduzir, incluindo o mais novo, depois dos festejos e depois de uma bela tarde em família, obviamente não me dá para coisecas que não interessam nem ao menino jesus (no pun intended).

Mas, se não tenho pachorra para sillyzices, também tenho claro que temas mais complexos não são adequados a estas alturas em que o calor aperta e a saturação se instala.

Contudo, vi agora uns vídeos que me parecem deveras interessantes. Escolhi um deles para aqui partilhar pois, parecendo que não, se calhar até tem alguma oportunidade. 

Aquilo que, segundo os crentes, é uma perspectiva animadora, a de que, quando se morre, se vai para um paraíso que é só leite e mel (isto se as portas se lhe abrirem, claro), a mim sempre me pareceu uma fantasia desprovida de sentido. Haver algures, nos confins do céu, um branco open space, cheio de finados que sorriem a todo o tempo numa de peace and love, parece-me delirante e, sobretudo, desprovido de qualquer razoabilidade lógica e científica. Claro que ficam na nossa memória, embalados pelo nosso afecto. Mas, do ponto de vista, físico, material, a conversa é outra.

Numa de que as partículas elementares de que somos feitos podem desagregar-se quando lhes faltar a energia que as mantém agregadas e, uma vez soltas, agregar-se de uma qualquer outra maneira, consigo conceber que, de certa forma, algo dos que morreram continua a pairar por aí. 

Agora nunca me tinha lembrado que se pode olhar para este complexo e perturbante tema numa perspectiva de espaço-tempo. É que, segundo essa perspectiva, o tema adquire uma dimensão que, de certa forma, traz atemporalidade àquilo a que chamamos vida. E isso é extraordinário.

Apesar da física das partículas elementares ser fascinante para mim, a verdade é que o seu entendimento não me é linear, fácil. Deixo-me levar, neste domínio, confesso, mais pela intuição e pela poética do que pela matemática. 

Por isso, não consigo pronunciar-me sobre o que aqui se diz, não consigo dizer se está certo ou se é provável. Consigo, apenas, dizer que me parece muito interessante.

Sabine Hossenfelder é uma física teórica e uma comunicadora. Fala sem rodriguinhos, sem deambulações por territórios metafísicos. 

The “afterlife” according to Einstein’s special relativity | Sabine Hossenfelder

Sabine Hossenfelder investiga as grandes questões da vida através das lentes da física, particularmente a teoria da relatividade especial de Einstein. Ela destaca a relatividade da simultaneidade, que afirma que a noção de "agora" é subjetiva e dependente do observador. Isso leva ao conceito de universo de blocos, onde passado, presente e futuro existem simultaneamente, tornando o passado tão real quanto o presente.

Hossenfelder também enfatiza que as leis fundamentais da natureza preservam a informação em vez de destruí-la. Embora as informações sobre uma pessoa falecida se dispersem, elas permanecem parte integrante do universo. Essa ideia de existência atemporal, derivada do estudo da física fundamental, oferece percepções espirituais profundas que podem ser difíceis de internalizar na nossa vida quotidiana. Como resultado, Hossenfelder encoraja as pessoas a confiar no método científico e aceitar as profundas implicações dessas descobertas, que podem remodelar a nossa compreensão da vida e da existência.

Como físico, Hossenfelder confia no conhecimento adquirido por meio do método científico e reconhece o desafio de integrar essas percepções profundas nas nossas experiências diárias. Ao contemplar esses conceitos profundos, podemos potencialmente expandir a nossa compreensão da realidade e nosso lugar dentro dela.


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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Serenidade. Paz.

domingo, julho 30, 2023

Rolo de carne com batatinhas de forno, com algumas oportunidades de melhoria

 

Já contei a história ao adormecer, já dormem. Desta fez o enredo decorreu num barco à vela, festa de anos num barco à vela. E eu, história contada e eles adormecidos, aterrei aqui no sofá e adormeci também. 

Acordei agora para contar como foi.

Logo que os fomos buscar, vi logo que havia coisa. Estavam zangados, um com o outro. Ela dizia que ficava na cama habitual e ele, o mano do meio, dizia que era ele que lá ia dormir. O mais novo disse que tanto se lhe dava. Mas os mais crescidos, picados, picados.

Cá chegados, achei que o melhor seria resolver logo isso senão o tema ia infectar o ambiente em permanência. 

Ela, de qualquer forma, mal chegou, abriu a sua mala e instalou-se no quarto do costume, incluindo colocando roupa no roupeiro. Teimosinha...

Resolvi que a cama 'dela' era a nº 1 e uma das outras a cama nº 2. Escreveu uns papelinhos e tiraram à sorte. Azar, saiu-lhe mesmo a cama nº 2. Ficou numa infelicidade.

Sugeri ao irmão que tivesse um gesto: abdicasse da vitória que tinha conseguido. Hesitou mas concordou.

Sugeri então que ela agradecesse ao irmão. Contrariada lá deixou cair um obrigada quase inaudível. Sugeri que desse um beijinho. Contrariada, deu-lhe um pseudo-beijo no cabelo. Disse-lhe que não valia. Lá deu, então, um breve beijo na cara do irmão.

Mas aí operou-se um milagre: ficaram amigos. Acho que ele ficou contente por ter sido superior e por a irmã lhe ter agradecido e ela ficou contente porque conseguiu o que quis e porque o irmão lhe fez a vontade. 

Portanto, o dia decorreu com eles na maior pacificação.

O mais novo, nem aí. Não se mete nas guerras dos mais velhos.

Para o jantar fiz rolo de carne. Como gosto é de improvisar, improvisei. Mas depois há sempre qualquer coisa que poderia ter ficado melhor.

Vou contar como fiz:

No talho escolhi 1 kg de carne de vaca e 1 kg de carne de porco. E pedi para ser contemplado meio chouriço de carne, sem a pele de fora. Pedi para moer em conjunto.

Acabei por não usar tudo. Talvez tenha usado 80%. Mas fiz a contar com o jantar e que sobrasse um bocado.

Numa frigideira coloquei azeite, uma cebola bem grande picada, meio alho francês grande cortado às rodelas e um bocado de salsa. Frigiu. Quando já estava tudo mole, juntei uma embalagem dupla de bacon migado. Ficou a fritar em lume brando e tapada. Depois passei para um copo misturador e com a varinha triturei grosseiramente. Tive este cuidado porque os miúdos embirram com cebola ou alho francês. Assim ficou um paté.

Num tabuleiro muito grande, o maior que tenho, coloquei um rectângulo de papel castanho, de cozinhar. Em cima coloquei pão ralado.

Entretanto, numa tigela muito grande misturei a carne com três ovos inteiros, um pouco de pão ralado, pouco, e um pouco de sal. Misturei tudo bem. Forrei um tabuleiro grande com essa carne moída. Alisei. Depois virei o tabuleiro sobre o papel com pão ralado. Ficou um rectângulo de preparado de carne. Barrei com o paté (cebola, algo francês, salsa e bacon). Ao comprido, ao meio, pus uma fiada alta e grossa de queijo ralado. 

Então, com cuidado, enrolei. 

Ficou um rolão grande e gordo, forrado com o dito papel. Até aí tudo bem. O pior é que me tinha esquecido do fio. Ainda pensei usar linha mas não ia dar pois o rolo era enorme demais para ir lá com linha de costura. Ficou assim, apenas enrolado no papel. E esperei que assim se mantivesse.

Antes tinha ligado o forno no máximo.

Coloquei lá o tabuleiro com o forno e baixei para os 160º.

Lá ficou umas 2 horas. Podia ter ficado menos. Não encontrámos pilha para o termómetro de interiores que o meu filho me deu e que, segundo ele diz, é infalível. Pensávamos que tínhamos pilha para ele e afinal são diferentes.

Para acompanhamento fiz massas frescas para uns e batatinhas no forno para outros.

As batatas fiz assim: 

Lavei-as bem, com pele. Cortei-as aos bocados e cozi com um pouco de sal. Quando estavam quase, tirei-as e coloquei-as no tabuleiro ao lado do rolo, cobertas com um fio de azeite e orégãos.

Fiz também salada de alface.

Balanço. 

O sabor estava bem bom. Mas estava um pouco seco. Mas o pior é que o papel cedeu um bocado e, portanto, o rolo abriu-se um bocado, ficou um cilindro meio desmanchado. Por isso, se fizerem, acautelem: passar um cordel de culinária em volta do papel para o suster. E bastará talvez hora e tal. Mas convém usar o tal termómetro. Acho que se estiver a 65º lá dentro, está no ponto.

E foi isto.

Comeram e gostaram e isso é o mais importante.

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Um bom dia de domingo

Saúde. Alegria. Paz.

sábado, julho 29, 2023

Um oásis de luxo, um bom investimento... ou um exemplo do que é o mau gosto...?

 

Como já aqui tenho falado inúmeras vezes gosto muito de conhecer casas e sou muito sensível ao ambiente que lá se vive ou, quando estão desabitadas, ao ambiente que intuo como provável.

Se há coisa de que gostei foi de andar a ver casas quando estávamos a pensar mudar de casa. 

Das vezes em que comprámos casa, o amor pela escolhida foi sempre instantâneo. Pelo contrário, pasmávamos com o mau gosto de algumas pessoas ao fazerem casas enormes, forçosamente dispendiosas, e tão feias, algumas tão estranhas.

E ainda me aflige, e quando falo em afligir refiro-me mesmo a uma aflição quase física, quando estou numa casa em que o ambiente proporcionado pela disposição das divisões ou das janelas ou a decoração é atrofiante. Casas carregadas de móveis escuros, sofás escuros, tapetes escuros, cores pesadas, quadros de mau gosto, escuros, colocados acima da linha dos olhos, perdidos no meio das paredes, tudo isso me deixa verdadeiramente atrofiada.

E, no entanto, para quem lá vive, aparentemente está tudo bem. Portanto, lá está, é tudo relativo.

Por exemplo, está a merecer destaque a casa da família Gucci, em Roma, que está à venda pela módica quantia de 15 Milhões. Vendida como uma mansão de luxo, a imagem exterior é convidativa, os jardins, as árvores, tudo parece uma maravilha. 

Contudo, ao ver as fotografias do interior, mudei de opinião. Não a queria nem dada. Só o dinheiro que teria que gastar para a arranjar e para a manter... Não, nem pensar. 

E, no entanto, deve haver muita gente (em especial, daquela que nada em dinheiros-novos) a disputá-la.

La demeure est aménagée dans un savant mélange du charme italien et une décoration de style anglais, qui découle des inspirations de la femme d’Aldo Gucci, Olwen Price, qui venait du Royaume-Uni. Dès lors, pas étonnant d’observer, sur la façade, des bow-windows, ou bien des éléments de décoration typiquement anglais, à l’instar de motifs tartan ou excessivement fleuris.

12 quartos, 12 casas de banho, salões, escritório, etc. São 1.200m2 de construção num parque com 7.000m2, a 10 minutos do centro de Roma. Mas....

Ora vejam e ajuízem (ou invistam, se puderem e gostarem...)














Não acham desagradável...?

sexta-feira, julho 28, 2023

Habemus pasta -- The walk of shame
Grande Bordalo II

 




Devo dizer que me incomodam grandemente as grandes concentrações por motivos religiosos. Ainda mais quando os participantes são jovens. Aceitarei razoavelmente se andarem nisto das Jornadas para aquilo que o Cardeal Américo das Multas Aguiar diz: para a borga e para farras. Mas custar-me-á a perceber se alguns vierem numa de beatice, todos muito pios, todos muito formatados, todos numa de virem contactar de perto com o espírito do Senhor, todos disponíveis para participar em sessões que, a mim, me parecem sinistras, coisa quase de seita espírita como uma que vi ontem na televisão em que um padre, creio que americano, dizia que estavam ali em penitência.

A juventude quer-se irreverente, polémica, questionadora, alegre. Haver jovens que acreditam que nasceram pecadores, que a vida é um calvário e que têm que sofrer penitências, parece-me preocupante, doentio.

Em vez da crendice em milagres, fenómenos paranormais ou a irracionalidade de se acharem melhores que os outros, os jovens devem, antes, ser estimulados a estudar, a investigar, a adquirir mais e melhor conhecimento científico, devem ser incentivados a duvidar, a pôr em causa, a ir mais longe.

E já nem falo na hipocrisia dos canalhas que, a coberto do manto da santidade, abusam de seres indefesos ou vivem à larga à custa de nada, ou seja, à custa do dinheiro ou dos bens que os devotos lhes dão.

Gastar 1 milhão de euros como a Câmara de Cascais vai gastar nos trapinhos que a padralhada vai vestir parece-me ofensivo, vergonhoso, inaceitável.

Gastar os milhões de que se ouve falar em palcos, em tretas de toda a espécie e feitio, para que um montão de gente ande na maior ociosidade, a cantar, a sorrir e a achar-se mais santos que os outros , parece-me absurdo, ridículo e contrário ao que supostamente apregoam.

Por isso, gostei de ver a passadeira da vergonha feita de 'notas' no palco principal da JMJ.

Sei que a fé é uma coisa pessoal e, como tal, não questionável. E eu nada tenho contra os crentes. Mas a fé verdadeira é uma coisa íntima. Não é coisa que se ostente ou transaccione. E a forma como a Igreja Católica promove a 'fé' é deformada, negacionista, irracional, doentia. 

quinta-feira, julho 27, 2023

Kevin Spacey, vítima inocente

 

Era o exemplo do abusador, do assediador, de predador sexual. A sua imagem ilustrou todos os movimentos de tipo #MeToo.

Perdeu o emprego, perdeu os patrocínios. Deixou de ser convidado para o que quer que fosse. Foi banido da sociedade. A sua honra foi desfeita. Tornou-se um proscrito, um ser infame.

Apareciam os que lhe apontavam o dedo por ele se ter aproveitado da sua posição para os assediar. Lembro-me da ofendida mãe de um rapaz. Kevin Spacey era um porco imundo, segundo todos quantos lhe apontarem o dedo e lhe mostraram que o único caminho era sair de cena.

Sempre se declarou inocente.

Mas ninguém ouve os que caem em desgraça: ele era culpado, ele tinha que pagar por todos os crimes. Vários crimes, nos Estados Unidos e no Reino Unido.

E, no entanto, eis que agora veio o veredicto. Tal como nos Estados Unidos já tinha sido declarado inocente também agora, no Reino Unido, o foi.

A notícia sai pequena, sem destaque.

Ninguém quer saber da inocência dos inocentes.

quarta-feira, julho 26, 2023

Uma maneta que gosta de ver dançar

 

Continuo quase maneta. O quase advém de que mão até tenho e de que ela até mexe. O que mal mexe é o braço pois o cotovelo continua inchado, encravado e doloroso. 

Não me apetece ir ao médico pois sei que teria que fazer rx e o escambau e que, portanto, teria que ficar nas urgências a penar. Tenho esperança que, com anti-inflamatório, analgésico, pomada, gelo e imobilização (ie, braço ao peito), isto vá ao sítio. 

[Não tenho aqui Transact mas não creio que funcione neste caso não apenas porque, sendo o cotovelo, não sei se o rectângulo adesivo funcionaria (acho que funciona melhor em superfícies lisas como as costas) mas, sobretudo, porque isto deve ter sido alguma rotura de ligamentos ou uma inflamação aguda nos tendões e creio que o Transact é para coisas mais light, tipo contracturas ou distensões. Digo eu.] 

Por isso, não apenas não consegui regar, varrer ou outras coisas básicas e essenciais no meu dia a dia, como continuo a escrever sobretudo com a canhota pois alguns inocentes movimentos de mão provocam-me incomodativas dores no cotovelo.

Portanto, com as minhas desculpas, não vou comentar os comentários (nem sequer os do Mr. Implicante que, apesar de revelar algum sentido de humor, deve ser viciado em gramática e deve padecer de um défice agudo de simpatia -- simpatia ou empatia?).

Passei o dia, pois, na maior indolência, sobretudo lendo e vendo vídeos. 

Contudo, a minha natureza puxa-me para a paródia pelo que dou por mim a ver vídeos que me fazem rir e, manhoso como é o algoritmo do youtube, às tantas só me dá é disso. Então, para ver se me cultivo, ponho-me a ver tutoriais sobre maquilhagem, sempre na vã esperança de descobrir quem me ensine como, num minuto (isto é, num único minuto), se transforma uma mulher normal, madura, numa esbelta e viçosa barbie. E, às tantas, começam a aparecer-me tutoriais de toda a espécie e feitio, uns que transformam pretas em brancas, nórdicas em gueixas, outros que transformam olheirentas e papudas em frescas e fofas, outros que transformam narigudas em narizinhas. Nada de útil face às minhas expectativas.

Tem-me também aparecido muita coisa séria como as alterações climáticas mas, por estes dias, para coisas sérias já bastam as terríveis imagens dos incêndios na Grécia ou tempestades na Suíça.

Por isso, não tenho nada de jeito que possa trazer aqui à colação. Quanto muito partilho este vídeo com dois fantásticos: Leonard Cohen interpretando o maravilhoso Dance me to the end of love e o elegante e cavalheiro Robert Redford a dar corpo à coisa. 

E, vendo-o, penso: como é que eu, no estado em que estou, poderia corresponder caso me aparecesse um Redford desta vida a convidar para dançar?


PS: Começo a convencer-me que vou ter que interiorizar que o meu corpo não é o de uma atleta sempre pronto para os desafios que se me deparem. Uma maçada, isto.

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Desejo um dia bom
Saúde. Alegria. Paz.

terça-feira, julho 25, 2023

Em dia de provável lesão desportiva, fico-me pela sinalética maluca

 

Pus-me a jogar vólei com os rapazes e com a minha filha. Mas a bola era dura e pesada. Estou habituada a jogar com eles (ou melhor, mais com os primos deles do que com eles) mas com uma bola de espuma. Esta era pesadíssima. Disseram-me que era bola de vólei a sério. O que sei é que ao servir, senti que aquilo era violento. Mas continuei... e aqueles têm uma força que só vista. A minha filha desistiu, disse que aquela bola não era para ela. A mim, na altura, nunca nada me custa e, como gosto, ainda continuei um pouco. Mas percebi que, se continuasse, ainda dava cabo das mãos.

Também transportei uma alcofa com duas grandes toalhas molhadas, ou seja, pesadas. Por alguma das coisas ou pelas duas, hoje levantei-me aflita de um cotovelo. Lesionei um músculo ou um tendão, não sei. O que sei é que estou quase incapaz de escrever pois, claro, é o braço direito que está incapacitado. 

Claro que me sinto um bocado estúpida pois esqueço-me que não tenho quinze ou vinte ou trinta anos e que fazer jogadas com força com putos que gostam de estar sempre a puxar, com uma bola terrível, e, em cima disso, carregar uma alcofa pesada, só podia dar nisto. Estivesse eu treinada e habituada e talvez nada de mal acontecesse. Assim, agora estou aqui a tomar brufen, com gelo, cheia de dores, e a escrever apenas com o indicador da mão esquerda.

Portanto, isto tem que ser abreviado. Limito-me a sinaléticas tão disparatadas que merecem ser divulgadas.
















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Um dia bom

Saúde. Boa sorte. Paz.