Apesar de não ser utilizadora nem grande conhecedora de alta costura, aprecio a arte seja sob que forma ela se manifeste.
Apesar de não ser utilizadora nem grande conhecedora de alta costura, aprecio a arte seja sob que forma ela se manifeste.
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Desejo-vos uma boa semana, a começar já por esta segunda-feira
Alegria. Bons ares. Bons passeios. Boa disposição. Coragem para ir em frente.
Há pouco, depois de jantarmos, ao sentar-me aqui, adormeci. E não estou a conseguir pôr a máquina em funcionamento. Um sono... Vou tentar mas não sei se isto vai dar a algum sítio.
Let's go. Let's see. Se não for dar a lado nenhum, por favor, relevem.
[Isto não está fácil... Debato-me... Ao fim de semana o meu corpo pede algum descanso mas hoje não havia margem para me levantar mais tarde. Por isso, acordei com despertador e vi logo que ia passar o dia a sentir que precisava de descansar. E eu, certamente padecente de alguma debilidade mental, em vez de ir dormir, estou nisto...]
O little teddy bear fica numa alegria com a minha mãe, tal como ela o fica com ele. Amor mútuo. Tirei-lhes fotografias à beira-mar. Já lhe mandei. Agora que tem o tablet e que se habituou a receber mails, já é outra coisa.
Enquanto passeávamos, contou-me que não tem paciência para ver debates ou o que quer que seja relacionado com a campanha. Diz que não consegue ver 'aquela gente' que, em vez de se mostrar agradecida com a forma como este governo tem conseguido gerido o país debaixo desta pandemia, nem falam nisso e só sabem é dizer mal. 'Como se eles alguma vez fossem capazes de fazer a mesma coisa...' e acrescenta com ar de desprezo: 'Estúpidos...'. Dou-lhe razão.
Depois fomos ao supermercado. Fui sozinha pois o meu marido ficou a passear no parque de estacionamento com o cabeludo que, segundo ele, ficou muito intrigado ao ver-me ir sozinha lá para dentro.
No outro dia, uma das pessoas mais entendidas nesta raça, alertou: 'Têm que ter mão nele pois é um cão áspero'. A conversa era com o meu marido e ele pediu que ela explicasse. Que é teimoso, possessivo, territorial, que quer ser o pastor, o macho alfa da matilha. Se não lhe mostrarmos que somos nós que mandamos iremos ter problemas. De facto, é isso tudo.
Mas converso com ele e ele entende-me. No outro dia, ao caminharmos, ia só a querer arrancar a luva que o meu marido levava calçada. Punha-se de pé, dava saltos, apanhava-lhe a luva. O meu marido já estava passado com aquele desassossego. Quanto mais se zangava, mais ele o desafiava. Ia com trela curta mas tentava morder a trela. Um desacato. Eu parei e disse-lhe muito calmamente: 'Queres ir-te embora? Se não te portas bem, vais para casa. Porta-te bem. Vai no chão'. Ouviu-me atentamente, sacudiu a cabeça e, a partir daí, foi a andar tranquilamente.
Se subo até ao piso de cima ele vem comigo e fica a ver o que vou fazer. Eu digo-lhe o que vou fazer e digo para ele esperar um bocadinho. Ele senta-se e fica à espera. Quando me despacho, digo-lhe: Vá, já está, vamos embora' e ele vem comigo para baixo. Quando apanha alguma porcaria na rua e não a quer largar, antes tentávamos e ele rosnava. Agora dizemos: 'Queres um biscoitinho?'. e ele imediatamente larga o que tem na boca. O pior mesmo é quando ao fim do dia tem um pico de energia que custa conter. Quer brincar, mordisca-me o braço para eu brincar com ele, quer saltar para o sofá para tentar arrancar-me o travessão que tenho a prender o cabelo, poe a patorra peluda no computador. É uma luta. Tenho que ter uma boa dose de biscoitinhos. Digo: 'Senta' e mostro um biscoitinho. Recua, senta-se e fica à espera. Segundos depois volta a fazer o mesmo. E eu faço o mesmo. Ao fim de umas quantas vezes já nem digo nada que ele se senta quieto só de imaginar que o vou mandar sentar.
Depois de almoço, já era tarde, comecei a cozinhar.
O meu marido aproveitou para se deitar no sofá a ver qualquer coisa. Ou seja, a dormir.
A seguir fui terminar o cozinhado, levar o tabuleiro ao forno, arranjar as coisas, lavar a louça, arrumar a cozinha.
E saímos. Já passava das sete e era de noite. Um friozinho muito cortante. À noite a temperatura cai. A casa arrefece durante a noite. Acho que a caldeira deve ficar ligada durante a noite. O meu marido não concorda. Não gosta de ir dormir e deixá-la a funcionar.
Este sábado fomos a casa da minha filha. Um dos meninos está positivo.
Este domingo iremos fazer a mesma coisa em relação ao meu filho. Um dos meninos também está positivo.
Não entramos. Eles do lado de dentro, de máscara, nós do lado de fora, de máscara. Só deixarmos umas coisas, vermo-nos. O dog doido, a puxar, quase a estrangular-se de tanto puxar. Gosta tanto deles e não o deixamos ir para a farrinha do costume. Percebo-o. Também me apetece abraçá-los, dar-lhes beijinhos.
Estão bem. Um deles esteve como se estivesse com gripe mas já passou. O outro, nada. Os irmãos e pais parece que nada. A ver o que dão os testes. Mas felizmente, até ver (e, noc-noc-noc, já bati três vezes na madeira) estão bem.
Depois regressámos.
Mais algumas coisas para fazer. Acabámos de jantar por volta das dez.
E, ao aterrar aqui, como já o disse, adormeci profundamente. De vez em quando, a minha cabeça põe o interruptor para baixo. Off.
Acordei com frio e sem conseguir pôr os neurónios a laborar.
Tinha fotografias do passeio de domingo passado e do campo na quinta-feira mas não consigo energia para as passar para o computador. Por isso, preguiçosamente, vou usar fotografias aqui do jardim, já feitas no outro dia.
E, como é bom de ver, não vi televisão nem faço ideia se o Rendeiro ainda está com febre, se o Rio já não está a deitar sangue pelo nariz ou se as sonsas do Bloco e os marafados do PCP continuam focados em dizer mal do PS, fazendo tudo para abrirem a porta à direita. Por isso, sobre essas matérias, nada poderei dizer.
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Desejo-vos um belo dia de domingo
Mais uma reconfissão. No carro, depois das 19, é na Antena 3 que gosto de vir. Sou fãzaça do Alvim. Acho-o um daqueles malucos inofensivos que trazem alegria às nossas vidas. Vir a ouvir o Prova Oral era daquelas coisas boas quando diariamente vinha do trabalho depois dessa hora. Claro que tinha os telefonemas à família mas geralmente arranjava maneira de me divertir um bocado com o Fernando Alvim.
Esta quinta-feira calhou, ao virmos do campo, passar das 19. Portanto, claro que ali nos posicionámos. Tinha faltado a convidada, covid oblige, e, portanto, o programa foi de tema livre. Quando isso acontece é do melhor que há. As pessoas ligam para lá e falam do que querem. E querem tudo. Piadas, provocações, desafios -- aparece de tudo. Por vezes é maluqueira atrás de maluqueira. Outras vezes, no meio daquilo, alguém liga para falar a sério. E isso ainda me dá mais vontade de rir.
Mas isto para dizer que, já nem sei a propósito de quê, alguém disse que tinha experimentado responder 'neutro' em relação a todas as perguntas do Votómetro do Observador e que a conclusão tinha sido que aquilo era uma tanga, que lhe tinha dado que o partido com o qual tinha mais afinidade era o Chega e, logo a seguir, o PSD. Achei curioso. Ainda percebo que uma pessoa que não tenha opinião sobre nada, às tantas, vote no Chega. Mas... o PSD em 2º lugar....? Hummm....
E então tocou uma campainha. A mim tinha-me dado o PS com 80% de afinidade e, inesperadamente, a seguir o PSD. Tinha achado aquilo um puro nonsense mas, num esforço de compreensão, até poderia perceber porquê.
Para já, as perguntas daquilo são simplistas e, algumas, parvas. Por exemplo, eu defendo em absoluto o SNS e a Educação Pública. Contudo, para os melhorar, não acho que a solução seja despejar-lhes em cima mais dinheiro. Acho que o que faz mais falta é reorientação, reorganização, simplificação, revisão de processos e procedimentos. Portanto, à pergunta: "A despesa pública em educação e saúde deve ser aumentada?" eu respondo que não. É que a pergunta é estúpida e destinada a enviesar resultados. A pergunta correcta deveria ser: "A educação e a saúde públicas devem continuar a ser uma prioridade?" E aí eu responderia que sem dúvida que sim.
Ou seja, provavelmente a minha resposta é usada pelo algoritmo para me aproximar do PSD quando isso é errado. Mas, enfim, se consigo identificar quais as minhas respostas que, por deficiente e enviesada formulação das perguntas, foram usadas para isso, já não consigo perceber que uma pessoa que responda 'neutro' a todas as perguntas tenha também o PSD como 2ª opção, o CDS em 3º e a IL em 4º.
Fiz outra experiência: à vez, escolhi como resposta 'neutro' e 'sem opinião'. Pois bem. Qual a conclusão do Votómetro do Observador?
Aqui está.
A seguir troquei: onde antes tinha escolhido 'neutro', agora escolhi 'sem opinião' e vice-versa. Conclusão...? Ora adivinhem...
Cá está. Novamente os mesmos partidos nos 4 primeiros lugares: PSD, CDS, IL e Chega.O que concluo é que o algoritmo está viciado, tentando indiciar opções de voto puxadas à linha editorial do Observador. Se isso for mesmo assim, será manipulação pura (para ser branda no que digo). E o Observador, ao albergar tretas destas, perde ainda mais a cara como imprensa de confiança. Mostra-se à descarada como uma agremiação de direitolas, de farsolas, de chicos-espertos sem dois dedos de testa.
Mas uma coisa é o que eu, leiga na matéria, concluo. Mas deve haver maneira de validar isto.
Não sei quem deverá zelar pelo rigor das supostas ferramentas de apoio à decisão na escolha da opção de voto divulgadas pelos órgãos de comunicação social mas alguma deve haver e, havendo, deverá agir atempadamente: auditar, validar e, se for mesmo treta, denunciar e proibir.
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Não sei se já aqui o confessei mas, pelo sim pelo não, aqui fica a confissão: tenho coisas que irritam um bocado os mais pragmáticos. Por exemplo, em algumas situações -- aliás: em frequentes situações -- entre a estética e o conforto, opto pela estética.
Dou um exemplo: a casa in heaven, apesar de ter paredes que, numa parte da casa, excedem o metro de espessura e, na outra, são duplas e supostamente energeticamente eficientes, no inverno é um gelo. Está numa zona desabrigada e em que as temperaturas são extremadas. Quer nos dias muito frios quer nos dias muito quentes, ali as amplitudes térmicas são sempre destemperadas.
Acresce que, não sendo, na maior parte do ano, uma casa habitada diariamente, se arrefece durante a noite e não está lá ninguém durante o dia para fazer entrar o sol, quando chegamos, o frio penetra-nos até à medula.
Ainda ontem. Fomos trabalhar para lá. Um frio, um frio de rachar. Frio, frio, frio.
Pois bem. Temos uma lareira na sala maior, que é simultaneamente de estar e jantar, e temos uma salamandra numa das salas mais pequenas, aquela em que vemos televisão. Mas o resto da casa não tem nada. Colocar caldeiras, obrigaria a abrir as paredes para passar tubagens. Fora de questão. Por isso, durante anos, a família queria pôr ar condicionado. Recusei-me. Não conseguia conceber o desconchavo de ali ter aparelhos na parede, quer dentro quer fora. Pareceia-me esteticamente aberrante. Durante anos esta luta.
Até que este ano cedi. Pusemos na cozinha, que é grande e onde frequentemente tomamos as refeições, pusemos na sala grande e na sala da televisão.
São aparelhos discretos, ficam num canto, e a bem dizer a gente nem dá por eles. E o conforto daquilo é uma coisa fantástica. Apesar disso, estando lá só um dia, apesar de ligarmos os três aparelhos não dá tempo a que o resto da casa aqueça. Saímos ontem de lá meio enregelados apesar de completamente encasacados.
Pois hoje, ao folhear à hora de almoço alguns onlines, chego também à conclusão que, tal como levei anos a perceber que devia pôr ar condicionado em casa, também provavelmente tenho enganada quanto ao vestuário adequado.
Ou seja, vi hoje que a milionaríssima modelo Kendall Jenner se desloca na neve com um reduzido biquini e umas botas quentinhas. E parece que está bem disposta e bem encarada. Olha-se e não se percebe que esteja a bater o dente. Na volta, o segredo para combater o frio está nos pés.
Mas, curiosamente, parece que não é caso inédito. Já a fogosa Dua Lipa se tinha mostrado ao mundo dessa maneira.
E vi que Nabilla Vergara, uma daquelas influencers de que nunca tinha ouvido falar e que faz parte do grupo dos excêntricos gurus dos novos tempos, também já se tinha feito fotografar nesses mesmos curiosos preparos.
Portanto, quem esteja aí desse lado a ler-me cheio de casacos e mantinhas, toca a largar tudo isso. Façam o favor de seguir o exemplo destas meninas. E depois mandem fotografia para ver se a coisa viraliza e se conseguem transformar-se também em influencers. Combinado?
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Já agora, como será que a Philippine Leroy-Beaulieu encara os dias frios? Cá para mim, é menina para acrescentar um plus ao outfit. Acrescentar ou retirar...
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E até já.
Ela é a Sylvie Grateau da Emily in Paris. E, na série, o que veste e como se porta talvez a tornem mais apelativa do que a personagem principal daquela série da Netflix. Vivendo a vida de uma mulher livre que não tem satisfações a dar, irreverente, segura de si e elegante, ela mostra-se como uma mulher interessante a quem o facto de não ter a tenra idade da Emily, o facto de não fazer uso de redes sociais como a Emily, o facto de ainda ser casada e o facto de, profissionalmente, estar a perder autonomia face às regras da casa mãe (americana) em que trabalha não atrapalham quaisquer movimentos. Sylvie ousa em toda a linha.
Aparentemente também é (quase) assim na vida real. E se não é a primeira vez que aparece despida nas passadeiras vermelhas desta vida, esta última vez deu que falar. Ao assistir -- e ter lugar na 1ª fila -- do desfile outono inverno 2022/2023 da griffe Ami Paris, apresentou-se orgulhosamente transparente.
Está a caminho dos 60, é verdade. E daí?
Claro que eu não teria coragem para tal mas, confesso, tenho pena de ser tão betinha como sou. Tenho também pena de não ter o peso ideal que ela tem. Olho para Philippine e acho o máximo. Tomara eu conseguir fazer o mesmo.
A idade é, sem dúvida, uma coisa psicológica.
Ou melhor... também é física. Não precisa é de ser castradora. Pelo contrário, faz sentido que seja é libertadora. Uma pessoa fazer o que lhe dá na bolha, ousar, ousar à descarada, ousar à grande e à francesa, e não estar nem aí para o que digam. Isso, sim, deve ter uma coisa absolutamente fantástica.
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Já agora
Para quem queira aprender a andar com uma mulher fatal, aqui está Sylvie Grateau | Philippine Leroy-Beaulieu em Emily in Paris
Nas eleições, seja para a escolha de Deputados, de um Primeiro-Ministro (que, nas Legislativas, é um dos factores determinantes), de um Presidente da República, da Direcção da Associação de Estudantes ou do Delegado de Turma, só há uma regra válida: escolhe-se a que nos parece a melhor opção.
Podemos não nos identificar a 100% mas devemos escolher o que achamos mais competente, mais confiável, que tomará melhor conta do recado, que melhor nos representará, que mais provavelmente agirá de forma a merecer o nosso apoio.
Portanto, toda esta conversa da maioria absoluta que assola a comunicação social e a campanha eleitoral é puro nonsense, é conversa de gente desfocada ou desocupada, treta saída da cabeça de jornalistas, de comentadores e gente fútil dos partidos que gostam é de armar confusão e inventar caso.
Obviamente não tenho pitada de perfil político para me meter em partidos ou a fazer qualquer tipo de campanha. Mas, se um dia sofresse uma valente pancada na cabeça e me metesse nisso e se me visse com um bando de jornalistas à perna a moer-me a paciência sobre se eu queria a maioria absoluta, acho que não me conteria: 'Não chateiem, pá. Desgrudem. Vão dar banho ao cão! Xô! Melgas...'
Se a maioria das pessoas votar na Lista A e a Lista A obtiver a maioria absoluta tudo bem, será o que a maioria das pessoas mostrou querer. O absurdo seria as pessoas quererem maioritariamente a Lista A e, ao votarem, votarem na B e, no fim, ainda haver o risco de ganhar a Lista B. Só se as pessoas forem parvas é que votam assim.
Pois eu, pela parte que me toca, tanto se me dá. Gostava que ganhasse o PS e gostava que não fizesse acordo com as sonsas, hipócritas e desleais do Bloco nem com os fracos do PCP que, entre servirem o País e servirem a ala reaccionário do partido, optam por fazer o que os fundamentalistas da velha guarda querem.
Se o PS tiver que fazer algum acordo, que seja com gente de bem, gente confiável, democrata, madura, leal. Mas se conseguirem governar com o seu programa e sem terem que andar à babugem de agradar a uns e outros que usem isso para chantagear o Governo, também tudo bem.
E por isso mesmo, porque não há pachorra para tanta parvoíce, não vi televisão. Não sei por onde andaram os candidatos, o que fizeram, o que disseram nem, muito menos, o que andou por aí a dizer essa praga dos comentadores.
Entre trabalhar, cozinhar, caminhar (debaixo de um frio de rachar), brincar com o urso felpudo, telefonar, ler e sei lá mais o quê não sobrou disponibilidade para me maçar. Só se fosse masoquista... -- e eu posso ser muita coisa, muita maluca, mas masoquista não sou.
Ou melhor, geralmente não sou. É que, de vez em quando, para confirmar que as modas não saem do mesmo sítio, cedo à tentação de ver. Não me aguento muito mas, por pouco que seja, acabo sempre por confirmar que, se a maioria dos partidos parece andar à deriva sem saber a que porto aportar, pior ainda é o que a comunicação social faz deles.
E, assim sendo, mal dormida e perdida de sono, ao sentar-me hoje aqui à noite, foi com agradável surpresa que vi que o meu amigo algoritmo me tinha presenteado com vídeos com macacos. Gente boa os macacos. Chimpanzés, orangotangos, tudo gente inteligente e com sentido de humor. Melhores que Catarinas, Rios, Venturas e por aí vai. Estes aqui são uma ternura, uma graça. Que bom vê-los.
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Pinturas de André Derain na companhia de Cat Power a interpretar These Days
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E, para si que está aqui ao pé de mim, um belo dia
Uma boa onda. Uma boa notícia. Uma boa saúde.
No dia em que o pai teve o AVC eu estava fora de Lisboa, num evento que tinha sido eu a impulsionar e organizar. A minha mãe, ao início da manhã, ligou-me e contou-me que o meu pai se tinha sentido mal de madrugada, estava no hospital, em observação. Mas tranquilizou-me, disse-me que ele estava estável e que não valia a pena eu ir para lá pois ele não recebia visitas. Fiquei inquieta. Custava-me abandonar aquele evento, logo no início, mas estava preocupada, não sossegava. Passado um bocado, vim cá fora e voltei a ligar. A minha mãe disse-me que já estava ao pé dele e que ele estava bem, lúcido, e que já mexia um pouco o braço. Fiquei ainda mais preocupada pois antes ela não me tinha dito que o braço tinha estado paralisado. Embora insistisse que não valia a pena eu ir, fui mesmo.
Ao chegar ao pé dele, apercebi-me que não me via. Explicaram-me depois que tinha perdido metade do campo visual. Percebi que mal mexia um dos lados e constatei que tinha dificuldade em falar. Ficou emocionado ao ver-me e penso que, sobretudo, ficou triste por perceber que uma parte da sua vida anterior tinha sido interrompida. E senti a sua tristeza também pela sua fragilidade perante mim. Até ali ele tinha sido o meu pai, um homem forte. Mas, naquele momento, o meu pai sentia que isso tinha acabado, que, naquela altura, ele era o elo mais fraco.
Mas uma das coisas que mais me impressionou foi quando, nesse dia, ao chegar a casa com a minha mãe, ela me disse: 'Acabou'. Não percebi. Além disso, nestas situações, a minha mãe é muito fatalista, tem medo de tudo, antecipa sempre o pior. Perguntei-lhe o que é que tinha acabado. Disse: 'A vida que tínhamos'. Achei que, de facto, estava a ser pessimista. Eu estava, nessa altura, a acreditar que o meu pai ia recuperar-se e que aquilo do campo visual era de somenos e custava-me que a minha mãe não acreditasse nisso. A minha mãe não foi em conversas: 'Acabou. A vida que tínhamos acabou'.
E estava certa. Na realidade, nesse dia o meu pai iniciou o seu longo, doloroso e lento caminho para a morte. Nem ele nem a minha mãe voltaram a ter uma vida normal.
Assisti de perto, por dentro, o que foi esse percurso. Mas, apesar de tudo, eu não estava lá a viver o dia a dia, as noites, os sustos, as perplexidades, os cansaços, os desalentos.
Nem fui eu que deixei de ir de férias, de ir ao cinema, de fazer o que antes fazia e de que tanto gostava. Durante todos os muitos anos em que o meu pai esteve em casa, dependente, a minha mãe não quis fazer o que ele não fazia. Apenas saiu de perto dele quando foi operada. De resto, éramos nós que íamos lá, tentando que se sentissem sempre acompanhados. Mas sei que a minha mãe, para além do desgosto por ver o lento declínio do meu pai, sentia também desgosto por ter perdido a vida que antes tinha.
Quando o meu pai morreu, a minha mãe sentiu desgosto, claro, um grande desgosto, mas não foi um choque. Era uma morte anunciada e, na verdade, todos sentimos que era um descanso merecido para o meu pai.
Até que, inesperadamente, uma vez à tarde, ela me disse que tinha ficado preocupada com um telefonema que tinha recebido dele: tinha-lhe dito que não se tinha sentido bem e tinha ido para casa. Ela dizia, o coração inquieto, que isso nunca tinha acontecido, que, para ele, o trabalho era sagrado. Sair a meio da tarde era coisa que nunca tinha acontecido. Tentei descansá-la. Passado um bocado, veio dizer-me que estava intrigada, preocupada, e que também se ia embora para ver o que se passava. Fui com ela até ao elevador. Ela estava numa ansiedade: 'Estou preocupada. Passa-se alguma coisa. Estou com medo'. Era uma sexta-feira. Eu disse-lhe que podia ser stress, qualquer coisa, mas que vinha aí o fim de semana, era bom, ele ia descansar e ficar bem. Mas ela sentia que alguma coisa se passava, estava inquieta.
No dia seguinte, sábado, tínhamos ido passear com os miúdos e com os meus pais ao campo. E então recebi uma chamada de um amigo comum. Disse-me: 'Tenho uma notícia triste. Morreu o Rui.'. Como sempre me acontece nestas circunstâncias, nunca sei de quem se trata. Instintivamente, tento lembrar-me de alguém que eu conheça com aquele nome e que pudesse ter morrido. O meu amigo ajudou-me e disse que se tratava do marido da nossa amiga. Fiquei sem acção. Como era possível tal coisa? Não estava doente. Tinha cinquenta e poucos anos. Ele esclareceu-me: tinha tido um ataque cardíaco.
Dias depois, foi ela que me contou. Ao fim da tarde, o filho, adolescente, tinha percebido que algo estava a acontecer, quis perceber o que o pai sentia, parecia que estava engasgado, com dificuldade de respirar. O pai, sempre tão delicado, tinha soltado um grito rouco: 'Chamem uma ambulância! Estou a morrer, porra!'. A minha amiga diz que tinha sido a primeira vez que ele tinha falado assim com o filho. Quando os do inem chegaram, já ele estava inanimado e ela aflita, a chorar. Foi na ambulância com ele. No percurso, ele acordou, olhou para ela, suspirou e fechou os olhos. Ela disse-me que achava que ele tinha morrido naquele instante. No hospital tentaram reanimá-lo mas já não foi possível. No enterro, ela estava absolutamente debilitada, num estado de grande fragilidade, quase irreconhecível de tão transtornada que estava. Tinha que estar amparada e, quando o caixão desceu à terra, desmaiou. Saiu de lá ao colo de um dos sobrinhos.
Não se recompôs do desgosto. Ficou sempre triste. Perdeu a juventude, perdeu o sorriso. Deixou de trabalhar ao fim de não muito tempo pois não conseguia seguir uma rotina da qual o marido já não fazia parte. Nem queria ir para a casa tão bonita na costa vicentina nem queria saber que o filho, de quem era tão chegada, fosse para fora. Desinteressou-se. Aos poucos, depois, foi retomando alguma actividade mas nunca mais foi a que era. Uma parte dela morreu quando o marido a olhou para nunca mais.
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E se me ocorreu evocar estas memórias foi porque comecei a ver o documentário sobre Joan Didion (Joan Didion: o centro não consegue suster-se) na Netflix. Ainda não vi muito mas estou a gostar bastante. Como geralmente faço, para ver se me agrada, fui saltitando a espaços. É o que faço com os livros. Folheio ao acaso. Se gosto, volto então ao início e vejo direitinho.
E agora, ao escrever este post, lembrei-me de ir ao Youtube ver o que encontrava sobre ela. Partilho convosco os excertos que aqui partilho (texto de um dos livros de Joan Didion, justamente aquele em que ela descreve como, num dia, sem aviso prévio, o marido morreu deixando-a em estado de total desamparo). As desgraças na vida dela não se ficariam por aí mas foram tão mais difíceis de suportar quanto ela não o tinha a seu lado para a amparar.
"The Year of Magical Thinking" by Joan Didion
Vanessa Redgrave
Por sugestão da mãe de uns dos meninos, enviei-lhes uma selecção de vídeos para ver se fazia rir em especial um deles. Enquanto os escolhia, fartei-me eu de rir. São vídeos que não me canso de ver e que sempre me fazem rir.
Imaginei o menino a rir a bom rir, a pôr o vídeo do início uma e outra vez.
Enviei vários e este aqui abaixo não foi um deles. Mas este, icónico, é tão fantástico que me apeteceu partilhá-lo agora convosco..
Depois, estava a jantar, recebi uma mensagem a ver se não queria juntar-me ao meet para ver se animava os meninos, sobretudo o que estava digamos que menos animadinho. Claro que, de imediato, interrompi o jantar. E juntei-me a eles.
Estavam a jantar, separadamente, enquanto confraternizavam por estas novas vias. Perguntei se tinham visto os vídeos. Só o mais novo tinha visto. Para meu espanto disse-me que achava que não tinham piada. Não quis acreditar, impossível não achar engraçado. Diz-me ele: Não me ri uma única vez...
O avô, ao ouvir a conversa, disse que eu achava graça porque o actor era moço do meu tempo, que devíamos ser da mesma idade.
A mãe disse que era uma cena geracional. E, para se perceber melhor qual o tipo de humor da mais nova geração da família, pediu então que o menino partilhasse connosco um vídeo a que achasse graça.
E ele assim fez. Pediu um tempo, escolheu um e partilhou-o.
Foi este que aqui abaixo vos mostro.
Desconcertante, vou já prevenindo...
Foi um dia atípico e sobre ele não vou falar.
Falarei antes das florzinhas que aparecem agora por todo o lado. Até uma planta grande que está num vaso grande do lado de fora de uma das portadas da sala está em flor. Não me lembro de o ter visto florido anteriormente. Deve ter estado mas não me lembro. Aparecem florzinhas como se fosse primavera. Hoje, quando a pequena fera, ao passear, queria cheirar cada ervinha, o meu marido, impaciente, puxando-o, disse que ele antes não ligava às ervas. Tentei uma explicação: 'Se calhar é porque está tudo a despontar, os cheiros da primavera despertam-lhe a atenção'. O meu marido respondeu: 'Mas... já é primavera? julgava que ainda estávamos no inverno...'. E é verdade, parece que não mas ainda estamos no inverno. Só que a natureza parece que anda com o calendário desprogramado.
Na horta, a tangerineira que o ano passado esteve carregada este ano nem uma tangerina tem. Em contrapartida, uma outra em que o ano passado não me lembro de ter reparado, este ano está cheia delas. Não sei porque é isto. Se calhar, as tangerineiras frutificam ano sim, ano não. Mas são umas tangerinas rijas e pouco doces. Não sei se ainda vão amadurecer ou se são mesmo assim, de raça pouco doce.
A árvore das limas parece que se converteu definitivamente em limoeiro. Dá uns limões de casca lisa e que fica amarelinha. E não há dúvida que sabem a limões. São limões sumarentos e pouco ácidos.
De noite fica muito frio. O nosso pequeno urso felpudo agora nunca quer ir à rua à noite. O meu marido quer à viva força que ele vá, senão acorda às seis da manhã, ou antes, com vontade de ir à casa de banho (que é como quem diz). Mas às dez e tal da noite está a dormir, quentinho, e naturalmente não quer ir lá para fora. Além disso, está demasiado habituado às nossas traições. Ainda hoje, quando fomos ao supermercado, atraí-o lá para fora, comecei a brincar com ele e, quando andava a correr a brincar comigo, apanhei-o de costas e enfiei-me rapidamente em casa. Sinto-me muito mal ao fazer isso. Não sei o que sente o ursinho quando percebe que desapareci e que a porta de casa está fechada. Quando regressamos, ao ver-nos, vem de rabinho entre as pernas, a andar quase agachado, orelhinhas para trás, humilde, como se tivesse feito alguma coisa mal e estivesse de castigo. Depois, quando lhe fazemos festinhas e o deixamos entrar em casa, fica numa alegria que só vista: salta, brinca, parece mesmo que ri. Cada vez o percebo melhor e ele, então, já me conhece de ginjeira.
Hoje não vi televisão. Há pouco pensei que, dos poucos debates e dos resumos que vi, acho que nenhum candidato falou daquilo que deveria ser um dos desígnios principais de um político: conseguir que a vida dos cidadãos e a das gerações vindouras seja mais feliz.
Presumo que nem uma única vez a palavra felicidade tenha sido usada.
A felicidade tornou-se coisa vulgar, pior que babaquice viralizada entre os frequentadores do subúrbio do subúrbio, pior que pechisbeque em saldo na loja do chinês, conceito que os auto-escritores a metro pintaram de banalidade e luzinhas movidas a pilhas, selfie sempre sorridente nos instas mainstreams desta vida.
Por isso, ser feliz passou de moda junto dos bem´-pensantes. Ser feliz tornou-se sinónimo de mediocridade intelectual. Quem sabe escrever ou sabe pensar não quer ser feliz nem quer ouvir falar de felicidade, muito menos de felicidade alheia.
As televisões ajudam: toda a gente fala dos seus dramas, de vícios passados, de traumas medonhos, de infelicidades eternas.
Ser feliz saiu de moda. Pior: ser feliz virou sinónimo de ser alienado.
A sociedade aos poucos vai, assim, esquecendo uma das coisas mais básicas: se não for para sermos felizes e para ajudarmos os outros a serem felizes e para prepararmos o mundo para ser um lugar de felicidade... então qual o sentido de tudo isto?
Uma sociedade em que grande parte dos postos de trabalho se concentram nas grandes cidades, em torres longe dos espaços habitacionais, em que, para se ir para lá as pessoas gastam horas no trânsito, uma sociedade em que os pais não conseguem ir buscar os filhos à escola senão muito ao fim do dia, uma sociedade em que os mais velhos, quando perdem a autonomia, se não tiverem uns milhares mensais para pagar boas residências assistidas ou vão para lares miseráveis ou ficam em casa a definhar, uma sociedade em que os jovens adultos não se sentem confiantes ou não têm mesmo meios para terem filhos e só os têm, quando têm, tarde e más horas e, na maioria das vezes apenas sai um rebento ou, no máximo dois... é uma sociedade que se esquece de pugnar pela felicidade das pessoas.
Mudar isto deveria ser prioritário para um político.
Tenho pena de não ver alguém sensato, ponderado, racional e sincero a falar disto de uma forma aberta e obectiva. Por exemplo, gostava que algum dos que reconheço como bom político os tivesse no sítio e dissesse: estou aqui para tentar que os portugueses sejam mais felizes. E depois dissesse o que se propunha fazer para dar corpo a essa pretensão. Gostaria que conseguíssemos fazer a agulha e passássemos a louvar o que é bom, a agradecer o que de bom fazemos e recebemos, a colocar a nossa criatividade, empenho e generosidade ao serviço da felicidade, da nossa e dos outros.
Por isso, aqui chegada, o que me apetece ver são vídeos em que as pessoas sorriem, falam do que as faz felizes e se mostram agradecidas pelo que têm.
As palavras de sabedoria de Beatrice Stroud
Obert Jongwe, o homem mais rico da terra