O circo permanentemente armado em que Trump se sente bem e em que, simultaneamente, é o mestre de cerimónias, o palhaço, o ilusionista, o tipo que vende os bilhetes, o patrão e, ao mesmo tempo, o que não resiste a meter parte do dinheiro ao bolso, faz com que meio mundo tente interpretar os seus actos e as suas palavras ou as suas verdadeiras motivações. Pouca coisa bate certo nele. O que diz no início da frase pode ser oposto ao que diz no fim, o que faz pode ser dissonante face ao que anuncia. Desconcerta, causa repulsa e, ao mesmo tempo, atrai atenções.
Tenho visto o que diz a sobrinha, o biógrafo, o antigo colaborador, jornalistas experientes, congressistas batidos -- e uma coisa é comum a todos: sempre que falam, a emoção envolve o raciocínio. As pessoas mostram-se chocadas, horrorizadas, outras vezes quase divertidas.
Mas não Jake Auchincloss, congressista, democrata, com um CV irrepreensível e, ao contrário de grande parte dos congressistas democratas que estão quase a cair da tripeça, apenas com 38 anos.
Como escrevi no título, Jake Auchincloss faz-me imenso lembrar um colega. Depois de ter saído, para a reforma, o director experiente e altamente confiável que o antecedeu, a empresa recrutou uma empresa internacional de head hunters para arranjar alguém a quem se pudesse entregar uma área muito crítica e que fosse bem aceite pelos colegas, gente muito sénior e experiente que formavam uma equipa coesa.
Apareceram-nos com um 'puto'. Menino bem, diríamos que beto, alto, magro, bonito, elegante, sóbrio até dizer chega, certinho da cabeça aos pés, sempre com aquele ar muito lavadinho de quem acabou de sair do banho. Olhámos para ele um pouco cépticos. Fosse qual fosse o assunto, mesmo em situações em que o antecessor ferveria, usaria metáforas ou exigiria que rolassem cabeças, este mantinha a frieza, o vocabulário íntegro e bem alinhado, o tom de voz inalterado. Sorria mas era um sorriso educado, bem comportado. Não dizia piadas nem se exaltava. Ouvíamo-lo até enervados, tal a contenção, à espera que um dia lhe saltasse a tampa. Nunca saltou. Pelo menos, enquanto lá estive isso nunca aconteceu.
Aqui passa-se o mesmo. Joanna Coles bem puxa por ele. Mas Jake Auchincloss não se desalinha. Responde a tudo com exemplar racionalidade, com uma frieza de análise que quase passa ao lado do facto de Trump ser um lunático, um demente, um narcisista fora do prazo de validade. E, no entanto, não foge a nenhuma questão, nem se pode dizer que seja estritamente politicamente correcto. Um fantástico exercício de contenção, é o que é.
Eu sei qual é a próxima artimanha doentia que Trump tem na manga | Podcast do The Daily Beast
O deputado Jake Auchincloss junta-se a Joanna Coles para abordar o caos em torno dos ataques de Donald Trump ao Irão, alertando que o presidente pode estar a travar uma guerra sem uma estratégia clara e sem a aprovação do Congresso. O ex-fuzileiro questiona a liderança do secretário da Defesa, Pete Hegseth, pede a demissão do secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., por alegados conflitos de interesses e explica porque é que os democratas já se estão a preparar para a possibilidade de Trump tentar minar as eleições intercalares de 2026. A conversa abrange desde a luta do Partido Democrata para resgatar o patriotismo e definir a sua mensagem económica até ao poder político de titãs da tecnologia como Elon Musk e a ameaça à segurança nacional representada pelo TikTok, antes de terminar com perguntas persistentes sobre os Arquivos Epstein.
Sem comentários:
Enviar um comentário