Vamos admitir que subia a um escadote e que, por qualquer motivo, por exemplo por se partirem os degraus, tinha que me atirar lá de cima, uma altura digamos que equivalente a uns cinco degraus. Admitamos ainda que, vendo-me com medo de cair mal e de ainda me partir toda, o meu marido se oferecia para me amparar no ar, que me atirasse para os braços dele. Estou mesmo a ver-me cheia de medo... Com o medo que tenho das alturas ainda mais o drama se agravaria, qualquer metro de altura me parece um precipício... Mas, sobretudo, imaginava que ele não teria força, que, às tantas, com o impacto caía para trás e eu por cima dele. Ou que não se sincronizava e não me agarrava a tempo, caindo eu desamparada, de borco, no chão.
E se isto é uma coisa de uma distância baixa, imagine-se se alguma vez -- caso ele fosse o super homem e tivesse força para pegar em mim em peso, e atirar-me ao ar --, eu confiaria que ele estaria lá, no ponto exacto, e com força para me agarrar. Não, nem pensar. Confio nele mas não, nunca, jamais, a ponto de arriscar a minha vida acreditando que ele me salvaria em pleno voo. Ná, nunca fiando. As probabilidades de falha seriam mais que muitas.
Claro que treinando muito, muito, muitas vezes, no fim talvez a coisa corresse bem. Mas... e até lá... até estarmos coordenados...quantas quedas, quantos ossos partidos?
Por isso, vejo esta extraordinária exibição com admiração pela elegância e destreza do casal, mas, sobretudo, pela confiança incondicional que demonstram um no outro, em especial ela nele. Só por isso já merecem mil medalhas de ouro.
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