Há qualquer coisa de dramático, quase borderline, nas exibições de Ilia Malinin. Dizem que desafia as leis da física, e eu acredito. Tenho visto imagens em slow motion dos seus saltos e das posições em que o seu corpo se coloca e, na realidade, não sei sob que eixos se move nem que tração ou rotação imprime aos seus movimentos para não se despenhar nem sair a voar para uma qualquer outra órbita.
Mas há uma outra dimensão. Se Alysa Liu dança e rodopia em plena alegria, já Ilia parece entregar-se a uma dimensão na qual as emoções o ferem e o transportam para um ambiente de piedade pelos que morreram, para a compaixão para com os que sofrem. Numa das suas interpretações foi a sua voz, grave, profunda, em palavras ditas sobre a música, que o acompanhou. E havia qualquer coisa de iminentemente trágico nos seus voos, como se a física não suportasse tanta emoção.
Nesse dia a força da emoção levou-o ao desequilíbrio: caiu duas vezes, pareceu finalizar a sua actuação em desequilíbrio e, tal o desalento, não conteve o choro. E quase tive vontade de chorar com ele.
Mesmo quem não aprecie muito a beleza da patinagem artística poderá maravilhar-se com as imagens que abaixo partilho: é vê-las sob a lente das leis da física.

Sem comentários:
Enviar um comentário