sábado, abril 13, 2024

O mentiroso
- A palavra ao meu marido -

 

Sempre achei e sempre disse que quando olho para o Montenegro tenho a certeza que ele me vai enganar. Aquele riso  cínico de quem está sempre a gozar com a malta não engana. De facto, não me enganei. 

Depois da bandeira da campanha eleitoral e do programa do governo ser o choque fiscal, o Montenegro mandou à RTP um ministro, que tem ar de aluno bem comportado de um colégio da Opus Dei, dizer que afinal o aclamado pelo PSD, pelo CDS, pela comunicação social, pelas "antiguidades" da direita,...,  choque fiscal era o choque fiscal do governo do António Costa. 

Para todos os que o ouviram foi, isso sim, um choque frontal com a verdade. 

O Montenegro e todos os que fizeram campanha pela AD mentiram descaradamente para ganhar o voto dos portugueses e, mesmo com esta, e, pelo andar da carruagem, com outras mentiras, ganharam por  muito poucochinho. 

Que credibilidade tem o Montenegro e os ministros que o acompanharam numa campanha suportada numa mentira descarada para governarem o País? 

Quem acreditará naquilo que dizem e prometem? 

Que credibilidade terá junto dos parceiros Europeus um PM sobre o qual o diretor do principal jornal português escreve que deixou de acreditar? 

A direita dizer uma coisa na campanha eleitoral e fazer outra não é inédito. O Passos Coelho fez a mesma coisa, por exemplo, com os impostos. Já antes Durão Barroso também o tinha feito. 

Mentir despudorada e repetidamente em campanha eleitoral pensava eu que era apanágio do Chega. Afinal a AD fez exatamente a mesma coisa. Indesculpável e chocante.

Os diretores da CNN e do Expresso e outros jornalistas vêm rasgar as vestes quais virgens ofendidas. Preocuparam-se em fazer o trabalho de casa quando se dizia que alguma coisa não batia certo no programa económico da AD? Não, apenas se preocupavam em promover a AD e dizer mal do PS. 

Azarinho, saiu-lhes o tiro pela culatra. 

E o CDS, nomeadamente, o Paulo Portas que tenta sempre passar uma imagem de grande ética, o que pensa desta trapaça? 

E Marques Mendes? Como é que vai tentar defender esta impostura? 

E o Aníbal, com a sua postura inqualificável, como vai justificar ficar ligado a este logro? 

E os ministros da propaganda do PSD, omnipresentes nos vários canais televisivos, vão ser tão ou mais mentirosos que o Montenegro? 

Finalmente o Marcelo, que foi quem causou esta embrulhada,  vai voltar, agora com razão, ao discurso do "ramo podre"?

Será que alguém que repetidamente mentiu descaradamente aos portugueses pode ser PM?

&

Acabo agora de ouvir o Comunicado que o Governo publicou, na prática chamando estúpidos todos os Portugueses, de A a Z, e, em vez de revelar alguma humildade, mantém o tom acintoso, arrogante e provocatório que o tem caracterizado. 

Lamentável. Preocupante. Indesculpável. 

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Texto escrito na sequência da onda de perplexidade que atravessa o país depois de o Ministro das Finanças ter sido desmascarado na RTP ao ter, de fininho, assumido que a redução de IRS deverá rondar apenas os 200 milhões de euros. Os 1,5 mil milhões de euros anunciados por Luis Montenegro abrangem a redução de IRS em vigor, aprovada pela anterior maioria socialista. Em termos concretos não é nada, trocos pelos quais ninguém dará.

Chico-espertos? Aldrabões? Reincidentes patológicos? Simplesmente parvos...?

 

É só o que pergunto, e, na minha perplexidade, repito: 

São chico-espertos? Aldrabões? Reincidentes patológicos? Simplesmente parvos...?

Ou quê...?



Redução de IRS deverá rondar apenas os 200 milhões de euros. Os 1,5 mil milhões de euros anunciados por Luis Montenegro já abrangem a redução de IRS em vigor, aprovada pela anterior maioria socialista... [No Expresso]







[Vídeo no link]


[Vídeo no link]


Mas que estupidez vem a ser esta?

Julgam que estão a lidar com mentecaptos ou quê?

Montenegro julga que vale tudo?

Que pouca vergonha vem a ser esta?????

E Marcelo? O que tem a dizer disto? Acha bem ter deitado abaixo um governo de maioria absoluta para lá ter agora um governo que, ao que parece, actua na base da charlatanice?

Montenegro está a entrar com pé esquerdo, está a começar mal. Em menos de uma semana perdeu totalmente a credibilidade. 


Reacção do Expresso da sequência de notícia anterior, não desmentida


Inédita a reacção do Expresso, ("Nota do diretor: É mais do que um embuste. É mentir aos portugueses") com João Vieira Pereira revelando, por uma vez, que os tem no sítio  -- o que revela bem a gravidade do que está a passar-se.


Mas não é apenas a Comunicação Social a manifestar espanto e desagrado:


[Ouço jornalistas e comentadores nos diversos canais e a reacção é unânime: isto é de enorme gravidade, deveras embaraçoso, é um embuste, é uma fraude, uma pantomina, um logro, uma trampolinice, uma desonestidade para com os portugueses, a montanha a parir um rato, amadorismo, ridículo, apropriação de uma medida anterior, manipulação grosseira, é gato por lebre, e não vale a pena dizer que o país todo percebeu mal. Por exemplo, enquanto escrevo, ouço agora o Pedro Sousa Carvalho na RTP 3 a dizer que parece que a AD fez campanha eleitoral com base numa mentira, prometendo um choque fiscal que, agora, pelo que se vê, não passa da redução fiscal que o governo PS já tinha posto em prática]


Não me lembro de uma habilidade (ou melhor, desonestidade) desta monta levada a cabo por um Governo. 

Montenegro não vai longe assim. Não vai, não. 

[E não vou aqui falar no tom trauliteiro, arruaceiro e descabido usado pelo Rangel ou pelo Hugo Soares. Não vou falar apenas porque não quero desviar-me do tema principal deste post.)

sexta-feira, abril 12, 2024

Quando os betinhos, os que se pelam pela 'identidade e família', se juntam para ir, felizes e contentes, em peregrinação

 

Há uns quantos anos, íamos de carro a caminho de Lisboa quando nos aproximámos de um grupo que ia em sentido contrário, na direcção de Fátima, em peregrinação. 

Nada de mais. 

A questão é que o grupo, provavelmente auto-designado grupeta, tinha um ar super bem (leia-se, supébem). Todos vestidos de igual como é normal nestas andanças, tshirt colorida e boné igual, um com uma bandeira na mão, também igual. Iam a cantar, com ar empolgado. Nitidamente iam motivados e, provavelmente, sentiam-se orgulhosos pelo seu feito.

Quando nos cruzámos, vi -- sem grande surpresa -- que o líder do grupo era um bem conhecido meu, católico até dizer chega, daqueles que andam sempre metidos nestas cenas ou a organizar grupos de reflexão, retiros, ou coisas assim. Tenho quase a certeza que pertence à Opus Dei. E é daqueles que ocupam lugares de topo nas empresas sem serem nenhuns craques mas por serem uns fofos, sempre a espalhar o bem e sorrisos, com crucifixo em cima da secretária. 

Fiz-lhe adeus e ele respondeu, todo santificado, mas sem ver quem eu era, estava naquela de cantar e de ir feliz a acenar a toda a gente, como se a sua fé e a alegria de a ter devesse ser disponibilizada a quem quisesse deixar-se contagiar.

Não é um dos nomes que figura na capa do livro, mas a mulher lá está. A ela não a conheço pessoalmente. Mas deve ser como todos os outros que conheço e lá estão e como outros que são assim mas que não foram respingados pelo Láparo. 

As generalizações são perigosas e eu evito fazê-las. Há lá um, pelo menos um, que é culto, inteligente, espírito aberto. Destoa ali. Não devia ali estar. Mas, tirando esse, do que conheço, de forma geral, os betos beatos são gente pouco culta, gente que não faz ideia do que é a vida, do que é o mundo, gente que não lê. Gente que, para dizer a verdade, em contexto profissional ou mesmo social, não apenas são um bocado limitados como até não são muito de fiar. Mas, com os fracos recursos intelectuais de que dispõem, acham que sabem muito e que são superiores aos outros, em especial aos incréus. Por isso, organizam coisas com forte componente católica para a qual convidam todos, convencidos que vão catequizar os outros mesmo que seja quase à força, olhando de lado para quem não adere, como se nem percebessem o que passa pela cabeça dos que pensam de maneira diferente.

Por isso, se tiverem poder, são até um bocado perigosos.

Pela parte que me toca, sempre me mantive a milhas. Digamos que sempre consegui ter estatuto de excêntrica, de marginal. Não fui convidada nem frequentei alguns inner circles em que estaria inevitavelmente metida caso fosse na cantiga. Mas como esses inner circles sempre me cansaram até à exaustão e, no balanço do deve e haver, sempre achei que o que perdia era muito inferior ao saudável sentimento de liberdade e limpeza de espírito, a minha opção sempre foi a de guardar distância.

Por mim, prefiro ver a peregrinação aqui abaixo. Uma coisa que parodia bem o que são estes betinhos beatinhos.


quinta-feira, abril 11, 2024

À atenção do Gonçalo, da Pureza, das Isabelinhas, dos Pedrocas, dos Joões, do Paulinho e dos outros fofos que o Láparo juntou naquele livrinho que cheira a mofo:
o que têm a dizer da família Lena & Paulo?
Têm cabimento na nossa sociedade ou devem ser mandados para o gheto?

 

Cá para mim os senhores jornalistas deveriam convidar aquela turminha da vida airada e passar a entrevista inteira a mostrar-lhes vídeos como este aqui abaixo e a pedir-lhes para comentarem. O programa todo. Não deixá-los esticarem-se, nem divagarem sobre os temazinhos deles. Ná. Só poderiam comentar os vídeos.

Por exemplo, com o Paulo que é gay e a Lena que é lésbica. A entrevista que eu fazia...  Isto de não termos jornalistas a sério dá nisto, nunca há entrevistas como deve ser. Qualquer dia ainda faço um canal do youtube e vou fazer entrevistas malucas.

'Ó Pureza, diga lá o que acha da Lena...'

'Ó Pureza, já pensou se lhe acontece descobrir que também é lésbica?'

'Se fosse lésbica assumia ou disfarçava...? Conte lá, Pureza...'

'Ó Zabelinha, e o que acha do Paulo? Não gostava de também ser casada com um gay como aqui o Paulo...? Sabe que se diz que um dos seus colegas de livro é gay e que, lá em casa, é a mulher que tem tomatoes....? O que acha disso?''

A entrevista toda. Tirá-los do sério. Ver como ficam quando estão tirados do sério.

Por acaso, uma que eu conheço sei bem como é que ela fica quando se passa dos carretos. Mas cala-te boca.


Talvez perguntas a parecer que são perguntas a sério mas depois ser tudo assim como as que a Philomena faz aos seus convidados:


quarta-feira, abril 10, 2024

Será porque também é como o outro que, por se achar de linhagem superior, dizia que não largava pêlo que o Láparo agora anda de cabeça rapada?
Pergunto.

 

Na sequência do que ontem escrevi, abstendo-me de perder tempo e cansar a minha beleza a comentar as aberrantes e trogloditas afirmações daquele que já tanto mal fez ao País e que agora deu em desenterrar-se para nos vir assombrar, ocorreu-me agora a dúvida expressa em epígrafe: será por querer ser da mesma superior linhagem do coelhinho que se gabava de não largar pêlo...?

Será...?

É que se é por isso, alguém faça a caridade de o informar que a sua sorte pode ser idêntica à do outro, isto é, pode não servir para outra coisa senão para higienizar a componente anal dos ursos. E que eles por aí andam bem activos, lá isso andam

Só isto. Quem avisa, amigo é. Salvo seja.

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Ou, numa outra versão:


Mas, também, porque é mais fácil de limpar,  se calhar também é por isso que agora anda todo rapado

Não comento o que Passos Coelho disse no lançamento do livro "Identidade e Família" nem na alegria que ele e o Ventura mostraram ao conversarem um com o outro pois sinto um profundo desprezo pelas criaturas e pelas ideias que defendem

 

Foto de Tiago Miranda

Talvez haja uma maneira adequada para lidar com esta ressurreição de ideias retrógradas, ultramontanas, pior do que conservadoras, absurdas, ultrapassadas. Mas eu não sei qual é.

Só sei que, quando sinto um desprezo profundo, tenho a maior dificuldade em fazer conversa em volta disso. Só me apetece pôr-me a milhas.

Claro que me assusto, e muito, ao pensar que há muita gente que se revê em tamanho atraso de vida, uns por ignorância, outros por ressabiamento, outros porque são mesmo mal-formados, más pessoas. Mas receio que haja muitos jovens que se achem rebeldes ao apoiar estes reaccionários cujas ideias já deviam, há muito, ter morrido de morte natural.

Talvez os psicólogos, os sociólogos, os antropólogos saibam como lidar com pessoas ou grupos de pessoas que se deixam influenciar por ideias e pessoas que são contrárias ao desenvolvimento, à felicidade e ao bem comum da população. Eu não sei. Por isso, não vou falar mais do que isto que acabei de escrever.

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Convém não esquecer que antes de Ventura lançar a ideia da candidatura presidencial de Passos Coelho (com um apoio conjunto, PSD + Chega), já Marcelo tinha lançado a ideia da dita candidatura. Vale a pena fixar este dia, disse Marcelo nos idos de Fevereiro de há um ano. Não nos esqueçamos.

A direita não brinca em serviço.

terça-feira, abril 09, 2024

Basco à francesa

 

Maison Adam


Não fui visitar o Chillida Leku. Também não visitei nem conheço o Parque Garaio ao lado de Argomaniz.

O passeio obedeceu ao requisito de não transbordar das férias escolares e de conter motivos de interesse que fossem apelativos para os miúdos, na verdade já adolescentes ou a caminho disso. 

Por essa razão, por exemplo, incluiu uma visita guiada a um estádio de futebol... E fomos ao Parque de Atracciones Monte Igueldo... Até eu andei no barquinho que se desloca (... naturalmente sobre a água) numa espécie de ribeirinho que dá a volta, com uma vista extraordinária a toda a volta.

Mas, ao ir agora pesquisar para tentar perceber de que tipo de museu se trata e como é o parque, imediatamente fiquei com vontade de lá voltar para ver o que ainda não vi. 

Quanto a La Concha, estivemos na praia, sim, claro, e em fato de banho e a apanhar banhos de sol pois estava mesmo bastante calor. E molhei os pés, claro. E não passou dos pés pois a água estava fria.

E, tal como ontem referi, fomos também à parte francesa do País Basco. Saint Jean de Luz, Biarritz, Bayonne. Já conhecíamos e identicamente tínhamos ficado com vontade de voltar.

Saint-Jean-de-Luz é uma pequena vila, bonita e tranquila, mimosa, em que a qualidade de vida deve ser inquestionável.

Se Biarritz tem aquela patine que exala burguesia e uma beleza natural que apetece ver e fotografar, já Bayonne tem a vibração alegre de um povo que vive a rua, que se junta, que conversa alto e que canta nos cafés e nas ruas. Apetece estar.

Se fosse mais perto, para o mês que vem estava outra vez lá caída. 

Mostro algumas fotografias que não sei se fazem justiça à alegria destas terras. Tomara que sim.




















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Desejo-vos uma boa terça-feira

Saúde. Boa disposição. Paz.

segunda-feira, abril 08, 2024

Donostia

 


De todas as vezes que estive no País Basco sinto-me encantada e com vontade de regressar com mais tempo. Tenho ideia que este enamoramento vem do tempo em que lia os livros da Menina Aguaceiro da Berthe Bernage e em que pelo menos uma da história se passa lá. Não sei se os avós dela eram bascos e ela ia lá visitá-los pelas férias ou se sonhei. Já tentei pesquisar na net para ver se confirmo a minha ideia mas não encontro. Acho que esses livros estão in heaven. Tenho que ver se os descubro e se encontro alguns passados entre os bascos. 

Para mim é como se fosse uma terra de magias, de segredos. É um lugar de grande beleza natural, em que as pessoas mostram ser muito felizes, em que o convívio parece permanente, onde todos se mostram sorridentes e conversadores. E onde se vêem mais crianças na rua. É impressionante como há parques infantis nos locais de passeio e como estão sempre cheios de chilreios felizes e ruidosos. A demografia em Donostia deve ser motivo de tranquilidade para quem gere os sistemas de segurança social e, para as restantes zonas em que a população envelhecida prevalece, deveria ser inspiradora.

Portugal deveria tomar Donostia como um case study e analisar o que leva a população a reproduzir-se tão abundantemente.

Ao fim do dia, as ruas enchem-se ainda mais e há miudagem e adolescentes como não vejo em qualquer outra cidade.

[Abro um parêntesis para um aspecto que, aqui no texto, vai parecer a despropósito mas que é um tema que trago latente em mim. 

Durante muitos anos sentia receio em afastar-me de casa pois parecia antever que, mal chegasse ao meu destino, iria ter que regressar para acudir a alguma crise do meu pai e, depois, da minha mãe. Aliás, mal eu estava a pensar afastar-me um pouco, eu sentia que a minha mãe ficava ansiosa, com receio que houvesse alguma e que ela não me tivesse por perto para encaminhar ou resolver o que aparecesse.

Por isso, aos poucos fui-me adaptando a, no máximo, ir fazer uma semana ao Algarve ou uma semana ou dias avulsos a locais próximos, em que, se necessário fosse, ao fim de duas ou três horas estaria cá.

Agora já não existe essa condicionante. Contudo, quando o nosso cérebro se enleia em preocupações e cuidados, é difícil, num curto prazo, vermo-nos livres deles. Por isso, cá no fundo de mim há sempre uma pequena ansiedade latente como se, a qualquer hora, alguma coisa fosse surgir que me atalhe as férias. 

Mas isto já vem de antes. Ainda antes dos meus pais eram os meus sogros. Ainda me lembro de estar em Lagos e o meu sogro estar a ligar para o meu marido a querer que ele fosse com ele ao médico e ele a fazer uma ginástica, a dizer que ia na segunda-feira seguinte e o meu sogro a querer que ele fosse no dia seguinte. Eu ouvia aqueles telefonemas sempre no receio de ter que fazer as malas e regressar. 

Claro que a nossa mente fica formatada... 

Mas sei que, aos poucos, isto me há-de ir passando.

Mas ocorre-me também, frequentemente, que está na hora de ligar à minha mãe ou que não posso atrasar-me senão faz-se tarde para ligar. Claro que logo penso que é pensamento desfasado mas, nessa altura, parece que sinto a falta de ter a quem contar os meus passeios, o que os meninos fizeram, as notas que tiveram, como são as lojas ou os preços. Não digo nada. Falar nestas coisas causa apreensão nos outros, acham que alguma coisa não está bem connosco. Também, falar para quê? Mais vale encarar com naturalidade e seguir adiante.

Há cerca de um mês, quando fui a uma consulta de rotina, queixei-me ao médico que parece que ando com o sono alterado. Ele disse que isso era normal nos processos de luto. Nessa altura, contrariei-o: 'Acho que não deve ser isso, já passou um mês...' Ele riu-se e disse: 'Um mês nestes processos de luto não é nada. É normal durar meses.' Agora já passaram dois meses e meio. De facto, foi há pouco tempo. E estou bem melhor.]

Andar em locais de grande beleza, com a família, em ambiente boa onda, faz-me bem. Nenhum lugar poderia ser mais adequado a esta lavagem de alma do que o País Basco.

Por muitas vezes que esteja em Donostia, por mil vezes me sentirei encantada. Tudo tão bonito, tudo tão feliz.

Depois há o lado francês, Saint-Jean-de-Luz, Biarritz, Bayonne. Mas amanhã as mostrarei.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Alegria. Paz.

domingo, abril 07, 2024

Os três da vida airada: cocó, ranheta e facada

 

Continuo a desviar-me do meu rumo. Ando por lugares belíssimos, tenho imensas fotografias e vídeos que poderia partilhar, gostaria de vos contar como há tantos sítios maravilhosos e felizes por onde passear... e, no entanto, quando espreito as notícias, dou com situações que me tiram do sério e me fazem ter vontade de aqui vir pronunciar-me.

Dizia-me hoje a minha filha que, com tanto que tenho para falar, estou a perder tempo com isto.

Além disso, pergunta-me ela: porque falo no aspecto em vez de falar nas competências?

Pois, compreendo.

A questão é que ainda não começaram a trabalhar. Mudar logótipos não é trabalhar, é apenas mostrar qual a noção que se tem das prioridades e, no caso, de que é que a casa gasta.

É certo que hoje recebemos mais uma mensagem de quem conhece um dos artistas convidados para Secretário de Estado, gozando com a sua falta de conhecimentos (académicos e profissionais) na área. Chega a ser doloroso.

Ontem à noite deu-me para conseguir descobrir um canal português. No caso, a SIC N. Mas não durou mais que 5 segundos pois quem apareceu foi a Maria João Avillez a dizer que tinha ficado pessoal e agradavelmente surpreendida por tanta gente querer ir para o Governo. O meu marido imediatamente entrou em fúria e instou-me a tirar aquilo dali. De facto, ou a senhora não está boa da cabeça ou está mal informada ou julga que somos parvos. Então não percebeu que, se calhar na maioria, aquilo é gente que acha que lhe saiu a sorte grande por ir para o Governo não tendo a consciência mínima que não tem condições para as funções? Poderá haver um ou outro caso em que há competência, é certo. Mas sobre um já ouvi dizer (e eu não costumo aqui citar quem não sabe do que fala) que esse foi para o governo pois estava em fim de linha no lugar onde estava. Outros serão arrivistas, pimpões, intelectualmente pouco dotados, sei lá. Mas, do que se vai sabendo, assusta.

Mas, enfim, sobre eles pouco mais tenho a acrescentar para além do que já aqui falei: se ainda há jornalistas competentes, sugiro que investiguem, questionem, compilem informação, informem o público.

Compreendo que provavelmente não arranjam gente competente, sabedora, experiente. Percebo isso. Tem razão quem enumera essas razões. Só com um pacto de regime, provavelmente entre o PS e o PSD, se poderá alterar toda a legislação e todas as condições que rodeiam a nomeação de quem quer que seja para funções públicas. Mas também não resultaria pois a comunicação social está empestada de gente que quer imitar todo o esgoto a céu aberto que empesta as redes sociais. Não sei como se ultrapassa uma coisa destas. Agora uma coisa é certa: o País irá de mal a pior se à frente das pastas estiver gente incapaz. 

De qualquer forma, agora só posso falar do que é concreto, factual, do que está à vista de toda a gente. 

Cinjo-me ao galheteiro aqui abaixo.

Excerto de foto daqui
(Não consegui descobrir quem foi o fotógrafo)

A body language e o dress code são importantes e indiciadores do que vai por dentro. Pode dizer-se que é gente que não tem noção, que há que dar desconto. Mas como podem eles apresentar-se em público, em lugares em que a apresentação é relevante...?

Por exemplo, veja-se os três mais importantes do Governo.

  • O Montenegro com calcinha justa, slim fit, mais parecendo que está com um modelito de toureiro, daqueles que evidenciam mais do que devem... Porquê...? Para quê...? 
  • O Rangel de calça castanha e casaco azul (ainda por cima, abotoado até abaixo!). Todo ele um despropósito. Vai apresentar-se assim nas diversas instâncias em que todos -- todos, menos ele -- sabem estar? Pode dizer-se que o vestuário é irrelevante quando o conteúdo é bom. Só que sabemos que o conteúdo é o que é e o histrionismo como é apresentado ainda mais piora tudo, ou seja, nem um nem outro são os mais recomendáveis. Agora imagine-se ainda por cima aparecer nestes preparos. Alguém vai levá-lo a sério? Lamento, não vai.
  • Quanto ao Sarmento até dá pena... Mas o que é aquilo...? É que nem sei definir bem o que é que ali está mal. É o penteado? São os óculos pequenos de mais para a cara que tem? É o casaco num modelo e num tamanho que estraga ainda mais o conjunto? É a forma como põe os bracinhos para a frente...? Não sei. A sério que nem sei. O que sei é que assim não vai conseguir que o levem a sério. Impossível.

Muito sinceramente, só espero que alguém faça a caridade de os ajudar pois assim não irão longe. Já basta o que basta. Para quê ainda piorar as coisas? Alguém, se faz favor, pode ajudá-los a vestir-se, a arranjar-se, a estar...?

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Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Boa disposição. Paz.

sábado, abril 06, 2024

Mais um pouco e o nosso Luisinho tinha dado uma de Rubiales...

 

Continuo out. Não posso pronunciar-me sobre o que disseram ou fizeram nas tomadas de posse porque não vi.

Li sobre a corajosa medida que o Luisinho e a sua turminha tomaram logo, assim de rajada, para que todos ficassem a saber ao que vêm: tiriris e modernices não são com eles. Pimbas. Alto e para o baile, as sardinhas de volta para o prato, e que se reinstale o velho logótipo. 

Por mim, não vou já gastar chumbo grosso com eles. Já o disse e volto a dizer: o primeiro milho é para os pardais. Apenas refiro, e é de passagem, que fica crystal clear que o cantinho cerebral bimbo do nosso primeiro parece ser maior do que devia. Seria bom que numa futura entrevista o questionassem sobre o tipo de arte que aprecia (pintura, música, etc). Cá para mim, sai pimbalhada e menino da lágrima que é um mimo.

E que fique claro que gostava que este governo governasse bem, com cabeça, tronco e membros, com visão, com tino, com equilíbrio e ponderação. E estou a falar a sério. Quero o melhor para o meu país e se aquilo que eu acho que é o melhor vier pela mão do Montenegro, cá estarei para felicitá-lo.

Claro que este pormenor do logo é uma chatice pois revela uma tacanhez que não me parece um bom prenúncio mas, enfim, bola para a frente.

E agora adiante que a conversa é outra. 

A questão é que, ao ver o Expresso, dei com uma foto da Ana Baião em que tomei a liberdade de extrair apenas a parte picante, aquela em que o Luisinho se abraça, mas abraçar não sei se não é ligeiro demais para o entusiasmo que ali vejo, talvez 'atraca' uma senhora numa pose a que dantes eu ouvia chamar à Tyrone Power. A senhora até teve que se dobrar pela cintura em manobra de recuo tal a pujança com que ele a enlaçou logo ali pelo meio das costas não fosse ela fugir-lhe. E está com um sorrisinho que me parece malicioso demais, o Luisinho, não sei o que estaria ele a sussurrar-lhe ao ouvido mas boa coisa capaz de não ser. E, note-se, não os conheço de lado nenhum e até não sou de intrigas, isto é mesmo tudo na base da body language.

Não sei se o ósculo e o entusiasmo do amplexo foram consentidos. É melhor o nosso Luisinho precaver-se não vá a senhora pensar melhor e ainda meter o nosso Rubialitos em trabalhos. 

Claro que repescando outra parte da imagem inicial a gente pode ver o so called Dissolvente Marcelo, também conhecido pelo Boca-Doce, a, aparentemente, chegar os seus lábios -- que tanto amor têm para dar -- demasiado perto da boca da outra senhora. 

Mas, neste caso, não me pronuncio:
  • primeiro porque pode ser um erro de paralaxe 
  • e, segundo, porque a senhora, ao inclinar-se na direcção dele e ao agarrar-se ela a ele, evidenciou que estava afim do ósculo presidencial. 
Se calhar a menina ainda pensa que é coisa com algum valor facial, ainda não percebeu que beijo de Marcelo é daquelas commodities que por aí há a pontapé, meio mundo já apanhou com ele. 

Não me esqueço de uma colaboradora que tive, chanfrada de todo, que um dia apareceu lá toda histérica a anunciar que tinha estado com o Marcelo e que até tinha uma fotografia com ele. A malta ao princípio ainda ficou espantada a pensar que tão maluco era ele como ela para ainda perder tempo a aturar as conversas parvas e lunáticas dela. Mas depois, aprofundando, percebeu-se que calhou cruzar-se com ele num sítio qualquer, veio ele e a abraçou tendo ela perguntado se podia tirar uma fotografia e ele claro que sim', só faltando acrescentar que 'fui eleito para isso'.´

Mas, portanto, não creio que desta segunda senhora venha algum risco de ainda vir para aí dizer que aquele beijo do Marcelo não foi consentido.

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Já agora

Sobre o tema de ontem só tenho a dizer que há uma outra que é bem conhecida -- e não levem a mal mas não vou poder dizer pela parte de quem mas digamos que se apostarem que é de alguém do meu inner circle estarão quentinhos, quentinhos. 

Na Secretaria de Estado em que está o que tenho a dizer é que acho que vai ser um fartote pois o que ouço dizer é que experiência na área em que está: zero, competência; zero, perfil para a função; zero. Diz-se e desdiz-se, quer entrar à leão mas logo sai de sendeiro e tantas fez que não aqueceu um dos últimos lugares por onde passou tendo sido corrida que foi um mimo. Provavelmente foi o que aconteceu por todos os lugares por onde passou pois, sendo como é, vende-se bem mas quem a compra não demora a ver que comprou gato por lebre. Contudo, quem descreve o seu percurso profissional aponta-a como altamente expert na área para que foi nomeada. Mas é como se costuma dizer: barretes enfia-os quem quiser. 

E a maçada disto é que os casos se vão sucedendo. Mas não desesperemos, pode ser que não seja nada. Ou, como costumava dizer-se, se for que seja menina que é para não ir para a tropa.

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Um bom sábado

Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, abril 05, 2024

Parem tudo! Vão ver os CV dos Secretários de Estado!

 

Caso tenham passado no crivo do Questionário Costa, podem estes novos Secretários de Estado não estar a braços com problemas com a Justiça (sejam eles problemas reais ou inventados pelo MP) mas, caraças, isto é o quê? Pesca de arrastão entre os que se põem de bicos de pés e dedo no ar para ir para o Governo?

Confesso: não tenho visto televisão ou ouvido rádio e dos jornais apenas vejo os títulos. Por isso, hoje era para ser um post turístico com vídeos com música ao vivo e tudo. 

Mas eis que, ao chegar aqui, ao computador, começo a receber mensagens. Alguém que conhece dois dos novos Secretários de Estado a deitar as mãos à cabeça com o despropósito. Vejo o CV dos ditos e acho que das duas uma: ou quem os escolheu estava com os copos ou o Montenegro está a gozar com o pagode.

A escolha de Secretários de Estado não obedece a critérios mínimos de experiência profissional na área, de conhecimentos mínimos sobre as matérias...? Não...? Quem escolhe marimba-se para esses pormenores... e vai tudo a eito? 

E o Marcelo? Qual o papel dele? Aceita todo o rebotalho que lhe põem à frente?

E, note-se, acabei de saber de 2 casos. 2 em 41. Ou é uma coincidência do caraças logo estes serem umas nulidades ou a desgraça pode até pôr o País em risco.

Só não digo a quem me refiro pois pode ser injusto apontar baterias a estes quando, na volta, a miséria é geral.

E faço a ressalva que conheço profissionalmente um (um outro, ou seja, um que não é um dos dois a que acima me refiro), embora não em profundidade, e sei que é competente e sei que muito provavelmente vai fazer um bom lugar. Mas 1 ou 2 ou 3 que sejam bons não são nada se houver um naipe considerável de gente que não faz a mínima nem das matérias nem de chefiar equipas nem de gerir assuntos complexos.

O que espero é que, por uma vez, os jornalistas façam o seu papel. Em vez de se limitarem a papaguear acefalamente o que lhes põem à frente, façam o trabalho mínimo de compilar informação completa para que o público (leia-se, a população) saiba qual a competência (ou incompetência) de quem vai gerir os dossiers das diferentes áreas do funcionamento do País.

quinta-feira, abril 04, 2024

Primeiro retrato de grupo do governo do Montenegro

 

É ao fim do dia que espreito as notícias. 

Nada de novo a oeste tirando que, sem querer, me apareceu a fotografia de grupo do novo governo e me pareceu ver o Sarmento com um botão abotoado a mais. Vale para todos mas em especial para os que têm ventre proeminente e ar de quem come de mais e não é de boas digestões: não farão bem se não deixarem desabotoados o/s botão/ões de baixo de modo a que o casaco assente bem e que pareça que estão a l'aise. Até por isso, aquele Sarmento... não sei, não... o tempo o dirá. Cá para mim palpita-me que vai dores de cabeça ao Luisinho.

Vi, também, uma senhora que tinha o cós das calças logo abaixo dos seios e isso identicamente não me pareceu nada bem. Claro que me poderão dizer que o cós estava no sítio certo, os seios é que estavam abaixo demais. Mas não me pareceu ser o caso, acho mesmo que as comprou num modelo ou num tamanho que não se lhe aplicavam. Qualquer coisa ali me fez soar a campainha do desajustamento. A ver vai o que vai fazer. Cá por mim, não é por nada mas já vou colocá-la no meu radar.

Chamou também a minha atenção uma senhora que levou, a despropósito, bota alta até abaixo do joelho, em castanho, nada, nada a ver com o fato que me pareceu azul escuro e com uma echarpe apanhada de modo farfalhoto num tom ali descabido. Medooooo... Quem se apresenta assim no dia da tomada de posse, como é que andará nos outros dias...? Só se for para distrair a atenção da malta.

Por último, o nosso amigo Rangel. Não podia ser de outra maneira, não é? Ali está, calças compridas demais, casaco todo amarfanhado, parece que se esqueceu que devia apresentar-se decentemente, e, para culminar, não sei se de gravata branca ou quase branca. Por sorte, não se pôs com o dedo no nariz. 

Sobre os restantes não posso pronunciar-me pois não conheço grande parte deles mas só os factos acima mencionados são o suficiente para eu dizer que isto não augura nada de bom.

Li aqui e ali críticas ao discurso apalermado do Montenegro mas não posso pronunciar-me: não vi, não ouvi. Agora sobre a fotografia de grupo posso. 

Às armas! Às armas!

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Tirando isso, tinha aqui umas fotografias que mostram este lugar lindo em que estou, a maravilha das maravilhas, mas, depois de ver a fotografia de grupo da turminha do Montenegro e de ter ficado a tilintar de impaciência por vir aqui dizer o que vi, não ia, no meio, plantar belas paisagens, imponentes monumentos, lindos jardins, pessoas apresentáveis. Fica para amanhã ou para outro dia.

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Um dia bom

Saúde. Boas ideias. Paz.

quarta-feira, abril 03, 2024

E que tal se portou o Rangel na tomada de posse, agora que o puseram em ministro?
(A bem dizer é a única coisa sore a qual tenho verdadeira curiosidade)

 


Sei que o Montenegro tomou posse mas não acompanhei. Também não tive curiosidade de repescar. A única coisa que tenho pena de não ter visto é a carinha do Rangel. Ainda assim não é pena que me leve a ir pesquisar.

Quanto ao Marcelo também já desaderi. Depois de tudo o que ele fez, comecei por descurtir e acabei nisto: desaderida. Já não consigo levar a sério ou sequer dar o benefício da dúvida e, note-se, culpa dele que se deu ao luxo de queimar, um a um, todos os cartuxos que eu -- e creio que a maioria dos portugueses -- esperavam que ele cuidasse para usar criteriosa e responsavelmente quando necessário. Afinal, pelo mero gosto de se ver sempre na crista da onda do foguetório, dinamitou tudo. E reincidentemente.

Comigo já não conta. Já sei demais para o seu (seu, dele) peditório. Não é que isso lhe interesse mas aqui fica dito. 

Portanto, o que ele disse ou deixou de dizer ao menino que levou ao colo até torná-lo primeiro-ministro a mim não me interessa.

Gostava que o Governo fizesse coisas boas e capazes, com propósito, inteligentes, com visão e a bem de Portugal (e, tenho que repetir, a bem também dos Portugueses). Tenho algumas dúvidas dados os little craniozinhos de alguns dos artistas de que se rodeou. Mas, para já, como antes aqui o disse, a bem da Nação, umas vezes sim, outras vezes não, cá estarei para me pronunciar.

De resto, embora o tempo não tenha estado famoso, a beleza do lugar que aqui vos trago faz com que tudo o resto sejam irrelevantes alcagoitas.

Agora estou um pouco fatigada pelo que não me alongo. Até porque estou out das novidades. 

Quando, no telemóvel, acciono o google aparecem-me notícias que me levam a crer que o algoritmo acha que sou débil mental. E não digo que, de alguma forma, não seja. Em vez de vir para aqui falar de cenas, ponho-me para a desfiar contracenas ou lá o que é. Se calhar por isso, o dito algoritmo acha que deve informar-me que alguém prevê, à base de astros, que a Cristina Ferreira ainda pode casar-se e voltar a ser mãe. Vá lá que é isto e não que vai voltar a fazer a primeira-comunhão ou que se vai armar em princesinha da Disney com o Goucha a levá-la ao colo, todo cheio de epifanias e outras alegorias. Já não digo nada. Ou isso, ou que a Inês Aires Pereira já mora numa casa nova e tem um amigo especial. Claro que o tipo (o tipo, leia-se 'o algoritmo') deveria perceber que isso não é exactamente a minha praia mas, na volta, fui eu que num dia de alucinação carreguei numa qualquer cruz escondida ou que, em vez de desaderir, como fiz com o Marcelo, ainda ali mantenho tal literatura.

Agora, para ver se me informava sobre temas que me parecem interessantes, estive a ler um artigo. Mas não é tema para aqui, iam logo dizer que estou mas é depré - sem quererem perceber que gosto de me inteirar dos avanços da ciência. Paciência, curto os meus estudos à socapa. Portanto, segue o baile. 

E se, entretanto, o Sarmento -- que deveria ser o mauzão da fita e o fiel da balança --, mostrar que eu tive razão ao notar que falta ali aquele je ne sais quoi sem o qual o menino vai patinar à força toda ou que o artista das privatizações mal feitas está outra vez armado em bom a fazer porcaria, só vos peço que me avisem, ok?

E agora mostro alguns postalitos ilustrados que fiz hoje para, sobre eles, vos escrever esta simples cartinha.


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Uma boa quarta-feira

Saúde. Boa disposição. Paz.

terça-feira, abril 02, 2024

Filigrana de pedra, o Spiritu Sancto, a suposta crise em Portugal, o IRS e etc.

 

Muito frio a partir do meio da tarde, em especial quando a aragem nos fustigou. Choveu mas muito menos do que se anunciava. À noite, frio mas, como não havia vento, talvez mais suportável.

Mas isso é pormenor. A cidade é o que se sabe: muito bonita. 

Quando lhe dá o sol mostra-se quase dourada. A pedra é macia e tem aquele tom suave do ocre tingido de patine.

O que agora me surpreende, e não tem nada a ver com as vezes anteriores em que aqui tínhamos estado, é a quantidade de portugueses. O hotel está cheio deles. Nas ruas, a todo a hora se ouve falar português. Onde anda a crise que a ex-oposição mais os seus arregimentados comentadores e jornalistas apregoavam?

Em Lisboa, quer ir-se a um restaurante, só reservando. Os concertos, esgotam quase instantaneamente. As agências de turismo dizem que nunca venderam tantas viagens como agora. Os hotéis estão cheios. E chego aqui e há portugueses por todo o lado.

Das duas uma: ou a malta que hoje é governo mais os que os apoiam ou fingem que apoiam está toda redondamente enganada, e isso é chato, ou são os números oficiais que mostram uma coisa e a realidade é outra, o que não é menos chato. Cá para mim é um misto pois não tenho dúvidas que a economia paralela faz parecer o que não é e só quem não pode fugir ao fisco é que não foge, fazendo girar muito dinheiro não declarado. 

Já agora, outra coisa. Não tem a ver com economia paralela mas com fisco. Tenho aqui defendido amplamente que o IRS deve baixar, mas isso ao mesmo tempo que deve haver uma verdadeira caça à economia paralela. Hoje muita gente não paga IRS pois recebe oficialmente pouco mas 'por fora' recebe, se calhar, outro tanto. E os que pagam, sobrecarregados e revoltados, fazem contas à vida antes de trabalharem mais. Já aqui falei de amigos médicos que dizem que continuar a trabalhar não lhes compensa. Muitos reformaram-se e, nos casos em que ainda trabalham, não fazem mais que 10 horas por semana senão ficam prejudicados. Com a falta de médicos que há... E é lógico que assim raciocinem. O que não é lógico é que os impostos para este tipo de rendimentos sejam o exagero que são. O Fisco trata a classe média como se fossem bandidos capitalistas que devem ser espoliados até ao tutano, e ala moço, vá de espetar com eles no escalão dos ultramilionários. Seria bom que este Governo agarrasse o assunto mas agarrasse a sério, sem demagogias, com cabeça.

Mas, pronto, hoje não me apetece falar mais em impostos.

Hoje apetece-me é partilhar imagens de filigrana em pedra. Tudo muito sereno e belo.








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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Boa disposição. Paz.