sexta-feira, junho 24, 2016

E agora, Caro Leitor, que já pode saber a sua idade mental, saiba também qual o seu grau de beleza.
Faz-se o teste num instante -- e é infalível.
Também já fiz. No fim logo vos digo o resultado.


Pois, bem sei, bem sei. Escusam de criticar, de mostrar o vosso desdém. Devia falar do referendo e estou nisto. Devia. Mas com o sono com que estou eu quero é que os ingleses de duas uma: ou que tenham muitos meninos ou que vão dar banho ao cão. Sei que isto é capaz de soar a coisa de loura burra e não sou eu que vou desdizer alguém. Loura burra, cabeça de alho chocho, feliz e pobre de espírito, por causa de gente como eu é que o mundo está como está... e todas essas verdades, verdadinhas, que eu sei que, a esta hora, estão vocês aí a pensar.

Certo. Quem sou eu para contrariar quem assim pensa? Ninguém. Se acham, então acham muito bem.

Mas que hei-de eu fazer, poor me, se, a esta hora, não tenho pachorra para mais do que isto...? Podia dissertar sobre se é de agora ou de sempre que os povos e as nações e os ingleses e os outros têm todos cabelo cor de palha como o bizarro ex-mayor ou boca em forma de biquinho como o totó do Cameron, que se meteu nisto e agora treme que nem varas verdes, e se uns queriam mas disfarçavam ou os outros diziam que sim mas afinal talvez -- ou se a raça humana tem vindo a perder neurónios pelo caminho e agora só está bem a armar baderna. Podia. Mas isso era se tivesse pachorra. Ora quero cá eu saber de carnavais. Só se forem dos bons, agora disto...?

Não dá. Falem-me de palermices que talvez eu me interesse. Agora de brexits ou de auditorias à CGD só se for a outra hora. A esta é o que sabem.

Abaixo já vos mostrei o teste que facilmente poderão fazer e através do qual poderão conhecer a vossa idade mental. 

Este agora aqui também é simples e, pelo menos a mim, deu um resultado que não me pareceu muito disparatado (se eu quiser ser sincera): 230 (e, caso tenham curiosidade, logo lá verão a que é que isso corresponde, que o importante é saber o que vos dá a vocês)

How beautiful are you?



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Andei à procura de um poema que falasse de beleza e de homens e mulheres, lido pela voz quente do Tom O'Bedlan, um bem romântico, por exemplo, She walks in beauty ou coisa assim; mas esta minha driving force, que me conduz para o lado maluco dos caminhos, leva-me a escolher outro.

Este não é bem um poema no sentido tradicional do conceito: será mais uma lição para todos os homens que não fazem ideia de como lidar com uma mulher:

"When a Woman Loves a Man" de David Lehman (lido por Tom O'Bedlam)

Leia-se, por exemplo:

(...)
And when she says, "I'll never speak to you again,"
she means, "Put your arms around me from behind
as I stand disconsolate at the window."

He's supposed to know that.
(...)

___

Desculpem eu não responder, uma vez mais, a mails ou comentários. Talvez para a semana eu já esteja mais aclimatada. Mas, enquanto não, estou aqui mais a dormir que acordada, uma desgraceira que só vista. Hoje nem peguei num livro (mas, também, cheguei a casa já passava das onze; da noite!)
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As mulheres com sombras vegetais foram fotografadas por Emilio Jiménez

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Por isso, apenas consigo recomendar-vos que tentem descobrir a vossa idade mental através de um teste muito rápido e eficaz. É só descerem.


Qual a sua idade mental?
- Faça aqui o teste. Rápido, fácil, certeiro.


Então e eu não sei? Se eu sou da área em que nada se pode afirmar sem que a hipótese da coisa ser verdade tenha primeiro sido testada, validada, justificada... Alguma vez se pode embarcar no que quer que seja sem que mil anos de estudo e reflexão sejam vertidos em cima da validação de qualquer hipótese...? Que nada. Sei disso, sei muito bem. Toda eu estou formatada para ser assim: toda eu sou interioridade, estudo, comprovação e recomprovação.
(Faz de conta. )

Ou não. Vou ser sincera.

É que, na verdade, eu sou de comportamentos desviantes, isso já é mais que sabido. Se eu sei que devia fazer isto, então a tentação é fazer o oposto, aquilo.

Bem, também não é bem assim. Não sou uma rebelde sem causas. Sou mais de achar graça a parvoíces. Descansa-me a cabeça.

E depois há coisas que são de bom senso, ou que se podem testar pela demonstração.

Uma coisa como esta que aqui divulgo é daquelas que meia dúzia de inteligentes, cada um vendo as coisas de sua perspectiva, bem podem gizar um teste, depois submetem-no a ensaio, olham os resultados e, daí, inferem uma conclusão -- e não devem falhar por muito. Sobretudo, se o temperarem com algum humor, a coisa passa na boa.

Fiz o teste, claro. Sou lá eu de perder qualquer testezeco?

E deu-me um resultado que acho que vai bem com a minha própria auto-análise: idade mental entre 29 e 55 anos.

Sugiro que o façam. Se bater certo, o teste é dos bons. Se não bater, vocês é que estão desenquadrados, não o teste. Lamento, mas as coisas são o que são.
(E só espero que toda a gente que me lê consiga perceber a ironia sem eu ter que encher isto de smileys, ehehehe ou outras vulgaridades. Aqui só cenas bué elevadas.)
Bem. Bora lá?

Qual a sua idade mental?


Are you young at heart or wise beyond your years? Do you laugh at childish jokes or scorn at them? Find out where you rank in this quiz! Find out your real mental age now!


Então? Que tal?

Bom para ir para a pré-primária?
Evadido de um lar de terceira-idade...?

Conte, conte.

...

quinta-feira, junho 23, 2016

História de um coração que parece de gelo mas que é capaz de emoções calorosas




Uma vez mais, adormeci. Depois de ter escrito o post sobre o futebol, sobre Gabor Kiraly, o carismático guarda-redes húngaro, e sobre a bela caracolada, deslizei até ao sofá e pus-me a ler sobre alguém que conheço bem. Não sei como é que conheço tão bem, mas conheço. A cada página, encontro um comportamento que identifico e quase poderia adivinhar a forma como vai reagir. Sei o que faz, sei o que pensa, sei como reage. E, no entanto, não é porque seja igual a mim. Pelo contrário: é o meu oposto. Mas é como se o conhecesse tão bem que poderia reproduzir, um por um, os seus passos. Ou melhor, não os seus passos, mas os seus pensamentos. 


Como livro, posso dizer que acho um bom livro mas não é daqueles que me levem pela mão por entre labirintos ou jardins na ânsia de conhecer os próximos passos, ou que me detenham, uma mão aberta no meu peito, suspendendo-me a marcha e forçando-me a reler cada palavra para que veja como a beleza pode descer sob os nossos olhos na forma de palavras cerzidas como sumptuosos bordados ou delicadas pinturas. Está bem escrito, claro, mas talvez porque não me traz novidade ou porque não existe aquela pitada de humor de que preciso como condimento em todas as parcelas da minha vida, dou por mim à espera que aconteça um sobressalto, que o coração do personagem se estilhace, que caia por um poço sem fim, que um lobo de verdade entre no quarto e o devore, letra a letra, desencanto a desencanto. 

À página 168 adormeci. Minutos, apenas, acho eu. 

Acordei com o calor.

Estive agora à janela. A lua está branca, reflecte-se no rio. A aragem já refrescou. Poderia estar ali à janela um bom bocado, com vontade de que uma gaivota viesse de novo até à minha varanda. Mas, de noite, as gaivotas não se aventuram em voos fugidios. Só de madrugada, por vezes, as ouço gritar, parecem aflitas.


Há dias em que sinto algumas saudades. Recebi um mail, alguém que nunca se esquece de mim. Um afecto que perdoa as minhas ausências. E eu sou tanto de ausências. Vou substituindo umas pessoas por outras, umas vão saindo da minha vida, outras vão entrando. Não há espaço para todas. Esqueço-me de datas de aniversários. Nunca tomo nota de nada, não me apetece carregar com compromissos, obrigações, fio-me que o importante se manterá vivo na minha memória. Mas não mantém. Quando dou por mim já passaram as datas que eu não deveria ter esquecido. E penso, por vezes com alguma auto-recriminação, que eu deveria arranjar espaço na minha vida para manter acesos os vínculos que foram importantes. Mas sei que me esqueço, que o que passa perde relevância. Apenas uma ou outra pessoa persistem, e dessas eu sinto saudades.

Li o mail, tão querido, querendo combinar um encontro para este verão e eu fiquei a olhar, enlevada. Não respondi logo, quis pensar no que responder. Passado um bocado, no meio de tantos afazeres, já me tinha esquecido. Depois, como o mail estava lido, já não o vi quando voltei a ver os mails. Só ao fim do dia me lembrei. Achei-me, uma vez mais, desligada. É como se fosse caminhando, e não apenas deslizando, em cima do tapete rolante do tempo, deixando para trás os que acompanham o movimento normal do tempo.

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Por estes dias aprendo um novo léxico, conheço novos lugares, novas pessoas. De vez em quando na minha vida acontece-me isto: parece que bastam dois passos ao lado para entrar num mundo que desconhecia. Tudo novo.

Visito lugares em que já antes estive, várias vezes até, e porque me dão a ver uma outra realidade, eu vejo agora que tinha estado como que cega para aquilo que antes, por não estar alerta, pura e simplesmente ignorava, não via, juraria que não existia.

Entra, pois, na minha vida, uma outra vida, junta-se às anteriores. Depois, ao voltar a dar os tais passos ao lado, reentro na anterior e, de repente, aquela que antes me preenchia como sendo total e única já me parece apenas metade. E quase parece que, no espaço de dias, me transformei por dentro.

Poderia isto ser uma sensação única, extraordinária. Mas não, já me aconteceu várias vezes na minha vida. Depois entra na normalidade, a minha nova vida passa a ser esta. Até que volte a acontecer uma nova descoberta.

Escusado será dizer que gosto disto. Parece que me vou desdobrando, percorrendo caminhos quase paralelos, vivendo várias vidas.

A depois, a meio ou ao fim do dia, ou à noite como agora, enquanto penso naqueles que em mim pensam e de quem tenho saudades, procuro as águas que em mim correm, livres, limpas e nelas banho, com prazer, os meus pensamentos e sonhos.


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Talvez nem venha a propósito (mas eu gosto do que não vem a propósito, especialmente porque geralmente até vem). Para não darem por perdida a vossa vinda aqui, convido-vos a ver uma sessão fotográfica fantástica.

A Moncler Icelandic Fairytale by Annie Leibovitz


The moral of this story of icy snow and warm emotions? It is this: even the hardest, seemingly impenetrable ice can guard the warmth of the purest form of love. Layers and layers of ice can conceal the secret and harmonious sense of a profound emotive link. One which is worth fighting for, when necessary.

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As fotografias das terras frias da Islândia que usei para dar alguma graça ao texto são de  Pawel.

Lá em cima era Ludovico Einaudi a interpretar "Elegy for the Arctic"

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E, aos que aterraram agora aqui, convido a virem ver uma pessoa com muito estilo. Não será das calças nem do penteado: mas é um quelque chose que se sente à distância.


Gabor Kiraly, o guarda redes húngaro,
tem um grande estilo, aquelas ceroulas são absolutamente stylish
[E sobre o 3-3 do Portugal-Hungria não tenho assim muito mais a dizer.
Mas estou contente e os caracóis estavam mesmo bons.
E consta que os peixinhos estão a gostar do microfone que o Ronaldo sacou à CMTV
]


Nani e Ronaldo 3 golos no Portugal-Hungria

Claro que toda a gente se juntou a vibrar por Portugal. Fizeram-se apostas. Se não saísse era para uma instituição que precisasse. Se alguém ganhasse, faria o que entendesse. Acho que ninguém ganhou.

Depois vieram as cervejas. 

Primeiro o desconsolo, não se aguentava nós ali todos prontos para vibrar e aqueles atarantados sem se polarizarem.

Depois veio o entusiasmo, as explosões em uníssono. As palmas - apesar das críticas. Os golos de Ronaldo, o quanto tardavam, o até que enfim! pelo qual se esperava.

CR7, 2 golos num dia difícil

Não sei o suficiente para me aventurar a criticar a marcação de cantos, as tabelinhas, o André Gomes e sei lá que mais nem para sugerir que entrasse o Rafa ou este ou aquele ou o outro. 

Mas reparei no guarda-redes húngaro. Muito estilo. 


Parecia-me que estava de ceroulas. Primeiro até me parecia que seriam abaixo do joelho. Mas depois reparei que não, que as usa enfiadas nas meias. E, já percebi, são a sua imagem de marca. Gostei.

Parece que é o mais velho do Euro 2016 e o charme da idade salta à vista. Todo ele é estilo. 


Cá está o Gabor com o que parece ser o Ronaldo
(o CR7está tão escuro, tão marroquino,
que tem alturas que me custa reconhecê-lo)

Ao ir à procura dele na net, li: Gabor Kiraly, Hungary’s veteran goalkeeper who looks more like a portly pub landlord these days.


Noutro site li:

Is Gabor Kiraly the true progenitor of fashion’s biggest trend in 2016: athleisure?


Well, put it this way, he was turning up to work in tracksuit bottoms 20 years ago. Like all true trendsetters he found a look that worked and made it his own.
Gábor Király
um húngaro de 40 anos com muito estilo
So why shouldn’t the 40-year-old cash in on his status as a sartorial icon as he approaches the twilight years of his career? That, in fact, is exactly what the European Championships oldest-ever player is doing, and now you too could wear the sort of grungy joggers that permanently look like they’re in need of a wash. 

E num outro:

“Fans came from Munich to Craven Cottage wearing grey jogging bottoms,” said Kiraly of his trademark attire. “My son was a goalkeeper for the under-11s at Fulham, José Mourinho’s son was also there playing in goal for the under-15s. We bumped into each other a couple of times and chatted as two parents. He is a really straightforward and nice guy.”

Ou seja, o meu olhar clínico não me enganou. O Gabor tem mesmo carisma e pinta.
Ponham-me uma fiada de homens à frente que eu, em três tempos, digo logo qual é que tem pinta. E não me perguntem o que é isto de um homem ter pinta porque, na verdade, estamos mesmo a falar daquele je ne sais quoi que faz toda a diferença. Os cientistas talvez falem em feromonas ou na rápida capacidade de apreensão de que está li um bom reprodutor. Mas isso são os cientistas, não eu. É que eu não sei nada disso, só sei o que acho e mesmo assim que ninguém queira explicações porque não as saberei dar.

Tirando isso, fiquei contente com os golos de Portugal, nomeadamente com os do Ronaldo e por termos passado aos oitavos de final.

Depois do jogo, fomos para uma caracolada e o dia ainda me soube melhor. Uma bela tarde de verão apesar do calor tropical. Agora sobe do rio uma aragem que parece querer tornar-se fresca à medida que a noite amadurece.

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Quanto àquilo do Cristiano Ronaldo agarrar no microfone da CM TV e o ter atirado ao lago não sei que diga: o que o Correio da Manhã pratica está a milhas de ser jornalismo. Por isso, percebo que uma pessoa que se sinta sucessivamente ultrajada e perseguida por um grupo de gente acéfala a mando de um bando de gente desqualificada, se enfureça e o manifeste. Ataque à liberdade de imprensa não é, pode é ser um excesso. Mas não é tema que me inspire.



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

Felicidades a todos.


quarta-feira, junho 22, 2016

Why Britain Joined the European Union
-- O humor de Yes Minister


E, para terminar a minha jornada, nesta noite de verão que, tanto o calor, transpira por todos os poros, hesitei entre cenas escaldantes ou divertidas. É certo que uma noite caliente puxa mais ao sexo do que à diplomacia mas, com vossa licença, permitam que eu, agora, me porte bem.

Já no post anterior, dedicado ao photoshop malandreco, tinha temperado a alma com ironia  e, no anterior, levada pelo sono com que estou (sono, sono, sono -- nem vou conseguir responder aos comentários!) , optei por uma cadeira-design, coisa ao alcance de umas happy few bolsas.

O meu dia foi bom mas sem um minuto livre -- e eu, quando não posso intercalar de vez em quando, nem que, pelo menos, uns cinco minutos de manhã e outros tantos a meio da tarde, já para não falar ao almoço, deixando a mente vaguear uns instantes pelas suaves arestas do perfeito nulo, chego ao fim do dia a precisar de me enfiar numa piscina que esteja por minha conta. Ora piscina não tenho aqui em casa e ir bater à porta de um hotel, a esta hora, para me deixarem ir dar um mergulho ou meter-me debaixo de um forte jacto de água, também não me dá jeito. 

Por isso vou mas é de mergulho para a cama e imagino que entrei numa piscina virtual. Braçadas não darei para não acordar o belo adormecido e, de resto, só espero que não esteja do meu lado da cama, coisa que faz todos os dias apesar de saber que odeio. Chego à cama e tenho o meu lado a ferver. Fúria.


Mas, pronto, nem tudo são rosas. E, assim, pedindo desculpas pela indelicadeza de não agradecer as palavras que me deixaram, vou apenas partilhar o oportuno vídeo que o Leitor Bob Marley aqui deixou a propósito do referendo no Reino Unido. Gracias, Bob.


Yes Minister — Why Britain Joined the European Union



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E queiram descer até ao post seguinte e deixem-se levar para o mundo maravilhoso do photoshop. 
Não querem mandar uma foto vossa para o James? 


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Cuidado com o photoshop....


Ok. Depois de ter estado repimpada numa bela chaise longue que, enfim, não é feita de pauzinhos como o belo objecto de design do post abaixo mas de vulgares fofuras macias, volto aqui para mostrar alguns efeitos perversos do photoshop.


A cena explica-se em meia dúzia de palavras.  James Fridman é mestre na arte do photoshop, tanto que as pessoas lhe enviam fotografias pedindo que ele as transforme de certa maneira -- e explicam exactamente o que querem.

O engraçado é que o bom do James gosta de se divertir e, volta e meia, leva o pedido à letra. Faz o que lhe pedem e junta um comentário (como já puderam ver na fotografia acima).

É o tipo de ironia que me tira do sério.
Se é que me entendem. 

Bora lá ver mais. Mas vamos com música. Ok Go?

















Mas, às vezes, em vez de photoshop levam é uma chazada. 

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Love, love, love.

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E sigam, por favor, até ao post abaixo para verem um objecto bom para se sentarem em cima dele.

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Ora aqui está a cadeira de que eu estou mesmo a precisar
Versáil. multi-usos, simples, gira, cómoda. Pena é não ser lá muito barata mas, para quem goste e possa, um bom investimento



Gosto bastante de objectos cujo design têm mão de artista, ou melhor, de um profissional criativo.

A coisa vem em pauzinhos que se podem montar de diferentes maneiras. Mais do que apenas uma peça de mobília é também um jogo, um desafio. É obra da imaginação e labor do lituano Mindaugas Žilionis.

Mesmo para quem tenha melhor destino para um bom punhado de euros (quase 2.000), ver o vídeo abaixo é um prazer.

Spyndi - A Really Innovative Chair that Makes Your Life Better




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terça-feira, junho 21, 2016

Porque é que amamos?
- Os filósofos respondem





No post abaixo deu-me para me fustigar. Pimba, pimba, pimba, eu quase em sangue. Não sei que coisinha má é que me passou pela cabeça para me pôr para aqui a falar de uma espécie que eu pensei que fosse rara mas que, afinal, começo a perceber que pulula por aí: os vencidos da vida, aquelas macambúzias criaturas que preferem ocupar os seus dias a enfiar a cabeça nas próprias vísceras enquanto
se afadigam na ânsia de auto-esmorecer,
de desfazer a alegria alheia,
de decapitar os que da vida tentam colher a felicidade
e que, de caminho,
vão soltar bílis nos blogs, contra quem se ri, quem fala em praias, quem fala em livros, quem não se queixa do amor,
para logo, acto contínuo, a seguir se desmancharem em migas, ehehehes, DDDD e smiles
e, tendo dinheiro para tal, irem moer a paciência a pscicoterapeutas, psiquiatras, quiçá até a tarólogas, cartomantes
ou, ok, Rita, lapso meu, tem razão, aos padres que as aturam em chatérrimas confissões.
Mas isso foi um vaipe qualquer que passou por aqui a alta velocidade. Neste momento, depois de, durante um bocado, ter trazido a meus braços o perturbado Harry (leio deitada, já o disse) e que volto aqui para mais uma inofensiva charla, já nem me lembro porque é que passei os meus delicados dedinhos por tão quezilentas e intragáveis criaturas. E vou, antes, dedicar-me a um tema mais ao meu gosto. O amor. 


Poderia escrever um tratado, eu. Aliás, se se derem ao trabalho de compilar os textos aqui dedicados ao tema, constatarão que estão na presença de uma cátedra, uma sofisticada pos-doc, um douto canhenho, uma sustentada teoria que muito bem poderia ombrear com a dos mais reputados deuses, vivos ou mortos, da Academia.

Ah, o amor. Tão bom o amor. Mas para quê? Sim, para quê o amor? E o que fazer quando o amor bate à nossa porta e nos invade as entranhas? Sim, o quê? Morgadamente procriar? E se já não der para tal... fazer o quê? Teorizar? Poetar? Filosofar? Ah, tantas dúvidas, tantas.

Pois bem. É para responder a estas e outras incandescidas questões que eu, desilustrada criatura, ouso socorrer-me dos mais ilustres gurus sobre o tema. E, atenção, não me refiro à Cristina Ferreira, ao Tony Carreira, ao Manuel Maria Carrilho ou à mais recente estrela pop, o pinga-amor Prof. Marcelo. Esses são uns práticos. Falo mesmo dos teóricos, que esses é que a sabem toda.

O texto que apresenta o vídeo que abaixo se mostra reza assim (e veja, Rita, como já me converti. Viu que até escrevi 'reza'?)
Ah, romantic love; beautiful and intoxicating, heart-breaking and soul-crushing... often all at the same time! If romantic love has a purpose, neither science nor psychology has discovered it yet – but over the course of history, some of our most respected philosophers have put forward some intriguing theories. Skye C. Cleary outlines five of these philosophical perspectives on why we love.
[Lesson by Skye C. Cleary, animation by Avi Ofer.]

Why do we love? A philosophical inquiry




Se algum dos Leitores tiver uma explicação filosófica mais inteligente do que as que aqui ficaram plasmadas, queira, pois, partilhá-la connosco. Agradecemos.
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As fotografias de um casal apaixonado são da autoria do fotógrafo Tomasz Laskowski e a Maria Bethânia interpreta o hino que todos os apaixonados deveriam conhecer: É o amor


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E para conhecer um mestre no tratamento do olho gordo, da dor de cotovelo ou de corno ou qualquer outro padecimento, queiram descer até o post que se segue. Muito útil.

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ANÚNCIO
Mestre-Psicoterapeuta com muita experiência e competência
- para todos os que não atinam nem encontram motivos de alegria nesta vida



Quando a coisa não dá certo há quem recorra à psicoterapia, há quem recorra à meditação, outros aos grupos de leitura, outros à dieta à base de sementes de goji, e outros, ainda, à cartomancia. Já para não falar nos que ligam para a SIC, quer para a Maria Helena quer para a tal taróloga que aconselha que respondam com meiguice aos agressores, nos casos de violência doméstica. Há de tudo.

Eu, por mim, quando a coisa dá para o torto, faço por me distrair até me esquecer e, como sou lélé da cuca, ao fim de cinco minutos já estou na boa, nem me lembro de qual era o problema mesmo. Mas isso sou eu -- e sei sei que sou bicho aéreo e imponderado.

Gente inteligente não é assim, gente inteligente não ignora os negrumes que derrubam qualquer um.

Tenho uma colega que até é relativamente nova mas a quem, na minha cabeça, vejo como uma velha rabuga. Vive de mal com ela e com o mundo: acha que o mundo é um antro de sacripantas, que as cidades são um coito de corruptos, as empresas um covil de lacraus e a copa um lugar onde se juntam todas as invejosas que, a pretexto de beberem café, não fazem senão lançar olho gordo sobre tudo o que mexe. Digo-lhe que não, que não pense nisso, que faça uma limpeza à aura, que afaste a nuvem negra que tem pousada na cabeça, que, em vez disso, se entretenha com metáforas ou que veja a poesia que há na normalidade dos dias, que não coloque as expectativas tão altas. Que nada. Quase lhe vejo o profundo desprezo por me sentir tão levezinha, a minha cabeça sempre desocupada de arrelias e chiliques. Depois diz-me que só não ganha o euromilhões por acaso, que, tirando isso, passa a vida a adivinhar que vão apanhar um farmacêutico a aviar receitas falsas, um advogado a aconselhar os clientes a optimizar a carga fiscal ou um treinador de futebol a negociar patrocínios em vez de estar a treinar os coitadinhos. Rio-me, digo-lhe que assim, só a pensar no lado perverso da vida, se vai fazer velha sem ver a beleza dos raios de luz ou o pipilar dos passarinhos. Range os dentes, diz três palavrões e prossegue, escorrendo fel e agrura, quais raios de luz, não há cá raios de luz nenhuns, só relâmpagos, tempestades. Aconselho que se trate. Mas não me ouve, acha que nada do que digo se aproveita. Gosta de viver no fundo do poço e percebo que acha que é lá que se juntam os cultivados desta vida. 

Não sei o que dizer a pessoas assim. Não é que me peçam para dizer alguma coisa já que gente com esta estirpe de inteligência não quer cá misturas com os felizinhos desta vidinha.

Mas eu sou assim, o meu adn diz que tenho costela de calcutá. E, por isso, fico preocupada. Ajudá-los como...? Não sei. Só se os aconselhar a que procurem este psicoterapeuta que aqui abaixo se vê, que este é dos bons. Ou ele ou a adjunta que fica no lugar dele, quando ele tem que se ausentar. O remedinho que ela dá aqui parece maneiro.

Transcrevo o texto que acompanha o vídeo:
A relação entre terapeuta e paciente é um dos pontos mais importantes da terapia, sendo que a transferência tem papel fundamental nesse processo. A transferência pode ser onde as emoções inconscientes são expostas dirigidas à figura do terapeuta. Ou quando seu terapeuta não aguenta mais ouvir você e te transfere para a pessoa mais próxima. No final da sessão, vai ser tudo culpa dos seus pais mesmo. 
Ora bem. Vejamos então:

Tédio  segundo  a Porta dos Fundos



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segunda-feira, junho 20, 2016

Livros, vidas, espelhos, novos começos, canções à lua


Comecei a escrever este post no sábado à noite. Mas estava a escrevê-lo a meio do sono, não lhe dei um fio condutor nem consegui acabá-lo. Ou melhor, tive dúvidas se o que estava a escrever fazia sentido e resolvi deixá-lo em banho-maria. 

Agora é domingo e, depois de ter visto um macaco porcalhão e de o ter mostrado em acção, essencialmente para que se veja bem que no melhor pano cai a nódoa -- se é que o pano alemão é coisa que se cheire -- vim aqui espreitar o que ontem deixei a meio. Foi isto que a partir do vídeo com a talentosa Laura Mvula se vê.



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Adormeci a meio da tarde, não sei por quanto tempo dormi. Estava quase a acabar um livro de que estava a gostar mas o calor e o sol levaram-me para outro lado. Gosto de estar a ler e sentir que vou adormecer, é como uma queda lenta num espaço de suave silêncio e sombra.

Entretanto, já acabei a leitura.

Grande livro. Ao princípio não estava muito convencida mas depois, aos poucos, foi ganhando espessura, a empatia com aquele homem foi crescendo. Por vezes, momentos de diversão pura - e quase me lembrei do Murphy. Outras vezes momentos de perplexidade. Outras de profunda melancolia. Outras de pesado desalento.

Gostava de ser capaz de descrever o Oliver. Ocorreu-me dizer que é um vencido mas isso seria redutor. Não sei se é um vencido. Também o Stoner poderia ser descrito como um vencido e, no entanto, isso estaria longe de ser uma boa descrição. Talvez o Oliver tal como o Stoner sejam simplesmente homens normais.

A vida de uma pessoa é feita de opções, a cada momento temos que optar: dizer ou não dizer. fazer ou não fazer. Por vezes, uma palavra basta para nos afastar de uma pessoa ou de um caminho. Todos os dias isso acontece. Mesmo que nada aconteça, o não acontecer é uma opção. Poder-se-ia sempre fazer acontecer alguma coisa, procurar alguém, percorrer um novo caminho.

A vida de Stoner é a vida de um homem que, por vicissitudes e circunstâncias diversas e pela sua maneira de ser, pode ser descrita como uma vida frustrada. Mas a vida de grande parte das pessoas que conheço é isto: podia ser diferente, mas é apenas o que é. A vida de Oliver Orme também. A partir do momento em que ele fala connosco, é uma sucessão de insignificantes acontecimentos que lhe provocaram turbulências interiores mas turbulências que ele enfrenta em estado de negação, ou quase desinteresse ou, sem força ou saber para fazer de outra forma. E, digamos assim, com contenção de esforços. Contudo, por tudo o que se passou, grandes acontecimentos tiveram lugar na vida dos que, directa ou indirectamente, estiveram envolvidos naquele período da sua vida. Grandes acontecimentos para os próprios, fait divers na comunidade em que viviam. Nulos, quando postos numa perspectiva mais ampla. Não conto mais porque não tem graça contar histórias de livros ou filmes.

A verdade é que é uma escrita tão perfeita, tão por dentro dos personagens, que, à medida que o livro avança, já somos nós, leitores, que nos aproximámos deles. O livro, de que, por exemplo aqui, já falei, é A Guitarra Azul, John Banville.

Entretanto, chegámos a casa. Já se jogava a segunda parte do jogo Portugal-Áustria. A primeira parte viemos a ouvi-la no carro. Estava com preguiça, deixei-me ficar a ver o futebol. Uma decepção, e também já disse aqui falei.

Depois de uma bela pizza (de frango desfiado, queijo de cabra, nozes e manjericão, que temperei com um fio de mel), de arrumações, de afazeres e tal, regressei ao bem bom. Já não era a boa espreguiçadeira ao pé da figueira gigante na qual tinha preguiçado de tarde, desta vez o poiso foi o sofá, e já com outro livro, e outro de que também estou a gostar, desta vez sobre um Harry. Um torturado Harry. Talvez o autor se estivesse quase a descrever a si próprio, e talvez que, por esse mundo fora, outros Harrys errem pelo mundo da mesma forma solitária e inconsequente. Talvez alguns ao lerem o livro sintam que estão a ver-se ao espelho e, na companhia da sua imagem reflectida nas páginas de um livro, se sintam menos sozinhos. Talvez. Não sei.

Só que, enquanto lia, com o sono atrasado que acumulo durante a semana e com o calor, aqui reclinada no sofá, com a luz do candeeiro em cima, fui de novo transportada para o reino dos sonhos.

Agora, acordada e vagueando entre sonos, apeteceu-me voltar a escrever mas estou a escrever quase deitada, o computador em cima de mim, a fazer-me calor. Tinha pensado transcrever um excerto deste livro mas não vejo como, nesta posição.

Pensei, então, em escrever sobre a calamidade que grassa pelo Brasil, a humilhação pública, o descalabro, a confissão de que estão sem dinheiro para acabar as obras para os jogos olímpicos, que alguém faça alguma coisa, o desespero expresso perante a comunidade nacional e internacional. Uma vergonha sem tamanho, coitados. Depois, o governo a dizer que ajuda. E uma pessoa pensa: mas então aqueles malucos lançam uma bomba daquelas sem antes se articularem com o governo? Pensar que o Brasil, não há muito, era um eldorado prenhe de amanhãs que cantavam... Mas custa-me falar disso. É daquelas situações em que certamente toda a gente prefere 'entregar para deus' e esperar que, mesmo sem saber como, tudo se resolva.

Também pensei que devia ir passar as fotografias de hoje para o computador. Vi uma coisa que me perturbou e fotografei ao de leve mas agora estou na dúvida. Não me apetece falar nisso. Nunca tinha visto tal coisa, incomodou-me mesmo.

Aliás, acho que agora vou dormir. Vou guardar isto e logo vejo se apago se publico.

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E foi aqui que fiquei na madrugada de sábado para domingo, seriam talvez umas duas e tal da manhã, nem sei.
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Entretanto, este domingo fomos à praia. Muito boa a praia, boa, boa mesmo. Caminhámos pela beira da água, a água nada fria. Havia um cheiro intenso a maresia. Um banho de vitalidade. E algumas fotografias. Mas continuo preguiçosa, sem passá-las para o computador. Apetece-me ir ler um pouco mais, ficar por aqui a descobrir os transtornos do Harry.

Mas foi um dia muito tranquilo, este domingo. 

A semana que me espera está cheia de enigmas e eu tenho cada vez menos tempo livre. Não sei como vou conseguir continuar a escrever como até aqui, como se não houvesse amanhã. Se calhar terei que abrandar. Talvez vão notar alguma diferença. Não será desinteresse nisto de escrever no Um Jeito Manso, será pura necessidade de descansar um pouco mais.

Naquilo das bifurcações de que a vida é feita, eu opto geralmente pelos caminhos mais arriscados, de preferência desconhecidos, e gosto de entrar sem manual de utilização, sem recomendações, sem quaisquer preconceitos, livre de influências, Talvez também por isso, ande quase sempre motivada -- como quando, aos quatro anos, entrei para a pré-primária e conheci muitos meninos e meninas, professoras, brincadeiras novas, ensinamentos inesperados, e tudo me interessava, tudo me seduzia. Ainda é assim.

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Novos começos

[Dedicado a todos quantos ainda não sabem que todos os dias são bons dias para novos começos]


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Lá em cima Laura Mvula interpreta Sing to the Moon

As fotografias que escolhi para ilustrar o texto pertencem à série "Glas" de Ingar Krauss

O bailado é New Beginnings pelo New York City Ballet, a partir da coreografia After the Rain de Christopher Wheeldon. A música é talvez a que já aqui mais vezes figurou, Spiegel Im Spiegel de Arvo Pärt, que vem bem a propósito das fotografias e, de certo modo, com parte do texto. Os bailarinos Maria Kowroski e Ask la Cour dançaram ao nascer do sol no terraço de um 57º andar em Manhattan,

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E um aviso:
evitem estragar o climinha bom com o post abaixo, onde a coisa não é especialmente perfumada.
Aquele Joachim, o treinador alemão, faz coisas inenarráveis.

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Porque é que toda a gente que aperta a mão a Joachim Löw, o treinador alemão, deve antes calças luvas
- Ou como há quem descenda dos simiescos ancestrais em linha directa


Eu sei, eu sei. Já ontem me entreguei ao tema do futebol e da falta de testosterona do onze em campo da Selecção Portuguesa e até um Leitor se admirou ('perde tempo com isso...?'). Tem razão Leitor, tem. Mas, que quer, sou humana, tenho este meu lado que, de vez em quando, me faz descer das alturas celestiais a que gosto de me alcandorar para ouvir violino, para estar uns tempos cá em baixo, junto de quem se entretém com algumas das banalidades com que o sector mais popular do género humano gosta de se ocupar. Não se pode ser sempre um exemplo da mais etérea essência do ser. Era bom - mas não pode.

Bom. Adiante. Se nos últimos dias aqui coloquei vídeos relacionados com o ADN, hoje trago um sub-produto do assunto. Numa daquelas rondas rápidas pelos jornais online dei com um daqueles vídeos que se tornaram virais e, ao vê-lo, tive uma epifania. Conto:
Há criaturas que descendem em linha directa de um único primeiro ascendente. Podem ter passado milhares e milhares de anos que o ADN se mantém certinho, direitinho, o mesmo do primordial enésimo-avô, o macaco original.

É o caso do treinador alemão, Joachim Löw de seu nome. À vista desarmada pode não ser demasiado evidente mas o comportamento não engana.

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Aviso: as imagens seguintes são chocantes e não devem ser vistas por gente sensível.

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O enésimo-avô de Joachim



E, agora, o badalhoco do Joachim Löw




Depois disto acho que ninguém vai, de ânimo leve, apertar-lhe a mão. Credo. Eu não o faria. Nem com luvas. Que porcalhão. Será que a Merkel costuma apertar-lhe a mão? Ou os jogadores no fim do jogo? Bolas. A seguir deve ir tudo a correr desinfectar as mãos. E alguns a acharem que os alemães são a tal raça muito superior, de gente muito lavadinha. Credo. Pior que o enésimo-avô este porcalhão deste Joachim.

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Bom. Adiante.

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domingo, junho 19, 2016

O que é que está a faltar a Portugal no Euro 2016?
Com vossa licença: em minha opinião, está a faltar testosterona!





Não percebo nada, eu sei. Ainda há bocado me vi aflita para que alguém me explicasse porque é que o golo não tinha valido, não me parecia nada que fosse fora de jogo. Acham que já explicaram vezes de mais. Mas pronto, lá vi na repetição enquanto ouvia a explicação e percebi. Mas, mesmo sendo uma naba nas regras daquilo, há coisa que eu sei reconhecer. Sei reconhecer quando há homens em campo.

Muito bem, eu sei que há futebol feminino mas eu disso também não sei nada. Futebol para mim é brincadeira de homens. 

E sei bem como os homens, os mesmo homens, se entregam à luta como se da vitória dependesse a vida deles.

Quando lá na empresa se organizavam torneios de futebol, eu via como alguns se transfiguravam, viravam umas feras, aquilo era matar ou morrer.

E lembro-me dos jogos de futebol nos quais o  meu pai, os meus tios, os primos do meu pai e da minha mãe, amigos e colegas, jogavam em torneios que organizavam entre empresas, e sei como se partiam todos como se aquilo fosse a sério. O meu pai partiu uma perna e ainda lá tem placas e parafusos, partiu um dedo, outra vez, na sequência de uma cabeçada, ficou amnésico, nem me reconhecia. E vibravam todos com aquilo, de uma forma limite, valia tudo para marcar golos, para vencer, era uma adrenalina inacreditável.

Ora isso não é compaginável com esgares de maria-amélia, com risinhos aturdidos, como se lhes tivessem pregado alguma partida, como se lhe tivessem escondido o apara-lápis, como se daí a nada fossem amuar ou fazer uma birrinha. A homens que estejam ali para se rasgarem todos para conseguirem o melhor resultado, não lhes ocorrerá fazer daqueles risinhos como se estivessem a ser injustiçadinhos ou sei lá o quê.

Talvez tenha havido pouca sorte, sei lá, acredito que sim, aquilo do penalti deve ter sido mesmo um mau momento. Mas houve falta de killing instinct, de bravura viril. Isso, santa paciência, mas faltou.

Estava a queixar-me que até o guarda-redes anda com uma luva de cada cor, um sapato de cada cor, só frescuras de menina pirosa que gosta de ganchinhos às cores. Ofensa cá em casa, que não, disparate, que o Rui Patrício não é maricas. Mas eu não estou a falar de orientações sexuais, quero cá saber dos gostos de cada um, eu gosto é de ver virilidade nos jogadores, não pintainhos vestidos de verde alface, com sapatinhos e luvinhas às cores. Ou trejeitinhos afectados ou risinhos de diva. Não gosto.


Estive até ao fim à espera que o Fernando Santos percebesse isso e mandasse entrar o Bruno Alves. Mas não, deve estar de castigo. Não há pachorra. A ver se não se sentia logo a diferença. A ele corre-lhe nas veias aquela febre que também corria a Zidane em que, às vezes, de forma involuntária o corpo pede uma agressividade sem razão. Deslizes que não se podem defender mas que eu, fazer o quê?, perdoo. 


E hoje, em campo, o tempo a correr e nem uma concretização, era de sangue guerreiro que ali se precisava.

Mas, claro, isto digo eu que de futebol não percebo mais do que isto que acabei de dizer. Seja como for, para quem não souber bem de que raça é que eu estou a falar, mostro alguns exemplares.

Figo: um portento, um homem feito e um senhor

Pirlo: um guerreiro, e, claro e não por acaso, um homem com muita pinta

Zidane: talvez uma pantera, não sei,
mas sei que, ainda por cima e não por acaso, um dos homens mais sexy do mundo

Bruno Alves: sarrafeiro, talvez, mas também um comboio
e, seguramente e também não por acaso, um homem também muito sexy

E pronto. É o que tenho a dizer e acho que era bom que o seleccionador me desse ouvidos.

Claro que sobre isto nenhum dos comentadores que se amontoam, em cachos, nos balcões das televisões fala. Divagam, enumeram lugares comuns, dizem tretas -- nível exibicional, graus de expectativas e trololó -- e não passam disso. Em testosterona ainda nenhum falou. Ou seja, ir ao cerne da questão cá para mim só mesmo aqui eu, a pobre coitada da UJMzinha que não percebe patavina de futebol.

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A banda sonora do Braveheart tem a ver com a espécie ilustrada nas quatro últimas fotografias.

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sábado, junho 18, 2016

A viagem do ADN
- Quais as nossas origens?


O Fernando Ribeiro, num comentário ali mais abaixo a propósito de um outro vídeo maravilhoso sobre o DNA, deixou um outro que vi com interesse e, ai mãezinha, com que vontade de ir atrás daquilo. Já o mostro lá mais em baixo.

Estive a ver. Dá ideia de que, por detrás da curiosa iniciativa, há um concurso patrocinado por uma agência de viagens: pode ganhar-se uma viagem a um dos países que consta do nosso cadastro do ADN. Nada mau.

Mas o engraçado não está aí, está na identificação das nossas origens (se é que isto se pode dizer assim - e, se não for, os cientistas que, por favor, me corrijam)

Saber onde nasceram os meus antepassados é uma coisa que a mim me desperta interesse.




Durante muito tempo, muita gente, por exemplo na rua, achava que eu seria francesa. Dirigiam-se a mim: Française? Presumo que teria a ver com o facto de eu, durante bastante tempo, ter usado cabelo rapadinho, muito a la Jean Seberg, e blusas justinhas, calças justinhas ou vestidinhos desempoeirados. 

Gosto muito de França, muito mesmo, e não só de Paris. Também de toda a Normandia, e volta e meia tenho vontade de regressar a Saint-Malo, ou o sul de França, ou aquela costa maravilhosa que se junta à de Itália, o mar muito verde lá em baixo.

E gosto muito de Itália, muito, e tenho muita vontade de ir conhecê-la melhor. Ainda recordo com espanto, e já disso aqui falei, aquela vez em Génova em que descíamos a pé as ruas empedradas até ao porto, aquelas casas banhadas pelo sol quente do entardecer, e, de uma ruela saía um canto, uma jovem mulher cantando árias enquanto, ao lado, um homem jovem tocava violoncelo. Um momento sublime na minha vida. Um momento assim passa a habitar a nossa memória de uma forma feliz e transcendente.

Também sempre me senti bem em Espanha. Até ao AVC do meu pai, ia umas duas ou três vezes por ano a Madrid, quando não mais. Agora saio cada vez menos do país, parece que não fico descansada indo para longe. Também gosto de Barcelona. Mas, de todas, a cidade espanhola de que mais gosto, mas que gosto mesmo muito, é San Sebastian, a bela basca Donostia. Difícil até explicar o quanto me atrai aquela cidade. Adoro lá andar, parece que lá é que eu deveria ter nascido. Acho que, um dia que me reforme, tudo farei para lá passar no mínimo umas duas semanas por ano. Mas não sei se é por sentir que tenho sangue espanhol. Não sinto isso.

O meu avô paterno tinha um certo ar oriental. Há chineses de idade que se parecem um bocado com ele. Não que tivesse olhos rasgados mas, não sei, acho que havia nele traços orientais. E tinha uma calma oriental. Gostava de estar no jardim ou na horta, tranquilamente, a tratar das suas coisas. E gostava de ir à pesca, e ia de bicicleta. Os filhos passavam-se com ele, que era um disparate, que um dia ainda tinha um acidente. Ele não lhes ligava. Até aos oitenta e tal anos lá ia ele, na maior paz, de bicicleta para as suas pescarias. Tinha antepassados orientais, com certeza. Talvez japoneses, mais do que chineses. Não faço ideia.

O outro avô era muito alto, muito louro, olhos azuis muito claros. Descenderia dos povos das terras frias do Norte, talvez. Lembro como me pegava ao colo e me colocava às suas cavalitas, lá bem no alto.

As minhas avós eram mulheres portuguesas típicas, acho eu. Algarvias. A minha avó paterna mais conservadora, a outra muito liberal.

E isto é até onde posso dizer.

Mas se me desligar do que sei dos que conheci, e tentar abstrair-me e pensar nas minhas origens, tenho para mim muito claro que devo descender de mulheres etruscas. Sinto-o como se guardasse em mim memórias desses tempos. Quase me parece que são tempos não muito longínquos. Acho que eram tempos muito bons esses e se eu, em abstracto, pudesse escolher um ambiente em que gostasse, ainda hoje, de viver, era para a reconstituição desses tempos que eu gostaria de ir. 

Ou, em alternativa, poderia viver na beira de um rio, num bosque, ser talvez índia, andar nua, balouçar-me numa cama de rede e folhas, estar sempre feliz, a rir, a banhar-me, a apanhar flores ou a escolher sementes. Ou a fazer colares, brincos, e a brincar - ah como eu gosto de brincar.

Ou, quem sabe, a frequentar salões literários e boémios, em tertúlias e noites de perdição, inspirar poetas e pintores, ordenar que me lessem poemas, que cantassem para mim, que me massajassem os pés (bem... isto não deveria fazer parte), que me servissem chás e me ensinassem sobre mundos novos.

Mas não é que ser musa me agrade especialmente, só se for musa distante, uma allumeuse. 

Ascendentes negros ou indianos não me parece que tenha, mas, enfim, não faço ideia.

Contudo, posso ter primos venezuelanos ou argentinos (que estupidez, agora não me lembro).

Já aqui falei disto, perdão, pois, pela repetição. Um dos meus bisavôs era muito rico, tinha muitas propriedades, casas e dinheiro. Mas era um boémio que estourou tudo no jogo e com 'mulheres'. Então, um belo dia, sem se despedir, fugiu. A mulher não lhe perdoou. Criou o meu avô e os restantes filhos mantendo uma raiva àquele marido que naquele desamparo a tinha deixado. Ninguém na família mexeu uma palha para saber dele. E se ele fez alguma tentativa para saber da família, não deve ter tido sorte.

Muitos anos depois, seria já ele um ancião, alguém vindo de lá falou que ele ainda era vivo, que vivia numa quinta, na maior solidão. Ninguém se condoeu. Acho que nem foi isso, acho que, na verdade, para toda a gente era como se, ao fugir, se tivesse suicidado.

Também já o contei: se ainda ninguém lhe chamou um figo, ainda hoje deve haver um belo terreno no Algarve que nos pertence e que nem o meu pai nem o irmão se deram ao trabalho de registar. Antes, em vida ainda do meu avô, era preciso uma certidão de óbito do pai dele. Poderia ter-se averiguado junto da embaixada. Depois, já era mais do que óbvio que não estava já vivo de certeza pelo que nem a certidão de óbito era precisa. Zero. Ninguém mexeu uma palha. Depois morreu o meu avô com noventa e tal anos. Agora o meu pai e o meu tio já estão nos oitenta e tais e obviamente que já não serão eles a tratar do assunto. Para aí uma vez por ano, eu e a minha prima dizemos, olha lá, temos que ver o que fazemos àquilo lá do terreno, devíamos pedir a algum solicitador. E ambas dizemos que sim. Mas algum papel deveríamos ter para pôr o assunto a mexer. E ninguém mexe uma palha para descobrir que papel seria este.

Da minha parte, sinto que aquela terra pertence a uma história que não acabou bem e que não sinto como tendo a ver comigo. O lado monetário da coisa não me diz nada, como se o dinheiro que aquilo valerá não compense o esforço de descobrir um papel gasto pelo tempo.

A história da minha família tem sido, assim. Desfazerem-se de tudo, sem olhar para trás. Tudo gente assim. Incluindo eu.

Portanto, às tantas, descendo é de nómadas, de gente desligada, de gente que andou a cruzar o mundo sem ser de lado nenhum. Talvez seja mesmo o mais provável. E essa ideia agrada-me. Agrada-me pensar que estou de passagem e que, de uma forma ou de outra, tenho vindo passando por aí.

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Este é o vídeo de que o Fernando Ribeiro falou e que vos convido a ver:

The DNA Journey



Vamos fazer o teste e ver se somos primos? Teria graça, não teria? 

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E não vem a propósito mas apetece-me dançar. Elevar-me, voar, libertar-me da gravidade desta vida.

(Na volta, tenho é gaivotas como antecedentes)



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Apetecia-me ainda ouvir um poema em português.

Queria um poema de um homem dito por um homem ou de uma mulher dito por uma mulher. Nenhum me prendeu (provavelmente porque me estava a apetecer alguma coisa especial, só pode, já que oferta no youtube é o que não falta).

Vai, portanto, um poema de que gosto muito, de uma mulher, Maria Teresa Horta, dito por um homem que diz muito bem, Pedro Lamares:

Segredo

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Das fotografias que ilustram o texto se diz no Bored Panda:

These rare and beautiful vintage portraits of Native American girls were taken between the late 1800s and the turn of the 19th Century, yet despite being over a century old, many of them are still surprisingly clear.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma belo sábado.