Há uns meses fui a uma nutricionista. Fez-me um interrogatório que me obrigou a fazer uma regressão, não até eu ser outra, numa outra encarnação, mas até à saúde de pais e avós ou até a problemas de saúde de que já não tinha registo na memória activa. Viu-me as orelhas, a língua, os olhos, as unhas. Pesou-me, mediu-me. Depois mostrou-me esquemas científicos para me explicar algumas conclusões e, no fim, prescreveu o regime. Aconselhou-me que caminhasse mais, que dormisse mais, que abolisse açúcares e grande parte dos hidratos de carbono, produtos lácteos, pão de trigo, vinho, e que, por outro lado, introduzisse ou reforçasse um conjunto de alimentos tais como beterraba, alface e rúcula. E, é verdade!, para meu desgosto, que não comesse tanta fruta. E etc.
Levei à risca durante um ou dois meses. Perdi seis quilos e reduzi, creio eu, uns dez centímetros no perímetro abdominal. Fiquei toda feliz. Blusas e calças justinhas de volta, toda eu me senti recompensada.
Mas, hélas, não nasci para ser obediente, bem comportada, sofredora. Não gosto de resistir às tentações. Portanto, aos poucos, fui voltando a um ou outro bocadinho de pão (descobri o de espelta e matcha que é uma delícia), ao queijo (e cada vez gosto mais de queijo), ao vinho (ainda hoje, um Burmester branco geladinho a acompanhar a caldeirada), risotto, pizza, fruta em larga escala, etc, etc... e, também, uma ou outra sobremesa.
Mas não abuso. Não sou do estilo de 'enfardar'. Mas petisco. Só que petisco aqui, petisco ali... e os quilos já devem estar todos de volta e os centímetros idem. Não me tenho pesado para não ficar frustrada. Todos os dias penso que, no dia em que me encher de motivação, ponho de novo o travão às quatro rodas e volto à figurinha mais a preceito. Mas esse dia ainda não chegou. Talvez quando os figos se acabarem.
A verdade é que também não sou do género de, ao pequeno almoço comer croissant a transbordar de gordura, a meio da manhã um paltel de nata e a meio da tarde uma bola de berlim. Doces só à sobremesa e, mesmo assim, não gosto de doces muito açucarados, nem gosto de muito de cremes gordos e doces como o chantilly ou o creme pasteleiro. Gosto de laranja com casca caramelizada por cima, gosto de gelatina com frutas por dentro, gosto de tarte de limão merengada, gosto de clafoutis de maçã, gosto de ananás caramelizado com raspinhas de lima, gosto de pão de ló de Alfazeirão, gosto de sopa fria de papaia. Coisas assim.
E também me deixo impressionar pela arte ao serviço da doçaria. Já aqui o referi: até não há muito, não se viam em Portugal bolos 'artísticos'. Quando noutros países, eu ficava encantada a ver as montras de algumas pastelarias. Obras de arte.
Agora por cá já começa a ver-se e, sobretudo, começaram a aparecer pessoas que os fazem em casa vendendo a amigos e conhecidos. Do que percebo, o facebook é o grande veículo para este tipo de actividade.
Contudo, não tenho conhecimento de que tenhamos por cá artistas como os que aqui, no blog, já tenho referido. E hoje refiro outra pasteleira cuja arte na confecção de bolos é extraordinária. Leslie Vigil inspira-se, sobretudo, em flores. E o resultado é fantástico. Claro que dará pena comer aquelas flores tão bonitas e, lá está, nem sei se não serão de massapão muito doce ou de creme de manteiga, coisa de fazer engordar uma tonelada, mas, enfim, só de ver já a gente fica feliz. E ser feliz é coisa apetitosa.
Bon appétit.
Este até parece um bouquet de noiva.
...................................
E, justamente, porque estou numa de 'eu é mais bolos', permitam que vos convide a espreitar os fantásticos outfits que a FLOTUS usou na visita a solo onde deixou todos de cara à banda.









































