quarta-feira, agosto 05, 2015

Petição "Queremos o Maçães na selecção de The Worlds Dumbest People". Todos a assinar, vá, para aumentarmos ainda mais o ego do nosso Maçanitas [Para já, já conseguiu que se referissem a ele assim: "what a funny Clown this Bruno is, Philippe. Tell me this Guy is a satirical project". Boa, Bruninho, boa!]


No post abaixo falei de um casamento real que quase fez sombra ao chorudo casório do Jorge e da Sandrinha-with the big boobies: o de Beatrice Borromeo e Pierre Casiraghi. As fotografias mostram as elegantes farpelas dos participantes. 

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, volto ao humor.

A paródia é generalizada face às chalaças do próprio (e digo às chalaças para não dizer às palhaçadas a que the only and only Bruno Maçães se presta nas redes sociais ).


Foi tema durante o dia e, portanto, não dou novidade nenhuma. Podia passar à frente, eu sei. Mas tanta ternura tenho por este nosso tesourinho deprimente que tenho que lhe dar aqui o devido destaque. A questão é que o nosso Brunocas, o chamado cagalhoças, voltou a fazer das dele. Deixam-no à solta e ele, danadinho para o disparate, incontinente intelectual como é mas, convenhamos, com severos défices a esse nível, vai e mete-se com quem não deve. Gosta de palco, o nosso pestinha.

Claro que, em vez de andar por jornais galácticos como no outro dia ou a desafiar gente mediática como agora, poderia exercitar os seus dotes de espécie de governante em meios mais pacatos, por exemplo provocando um papagaio que encontrasse numa loja de animais -- qualquer coisa assim:
"escuta lá. sabes que já deixámos os problemas para trás?", perguntaria ele ao papagaio
"deixaste os problemas para trás...? mas onde é que ouviste essa? ...e o papagaio sou eu?", responder-lhe-ia o papagaio
''Mas então não vês que já somos um país rico? se não vês, é porque és podre de ideólogo!', zangar-se-ia o nosso Bruninho
"ideólogo da treta és tu, ó cagalhoças!"
"assim não brinco, se me chamas outra vez cagalhoças, já não discuto mais economia contigo..."
"olh'ó cagalhoças...!, agora diz que está a discutir economia..."
"estás a ser agressivo, assim não te ensino mais nada"
"vai mas é dar banho ao láparo, ó cagalhoças", remataria o papagaio.


Ou podia convencer alguma das suas fãs polacas a passarem a tarde com ele num qualquer chat, ora diz tu, ora digo eu, para ver se ganhava algum traquejo. 

Por exemplo:

"ó fofa, queres que te mostre o meu pib?"
"olh'o o cagalhoças armado em alemão...!
"ó fofa, não sejas agressiva. assim não te mostro como é que, na toca do láparo, pomos o pib a crescer..."
"olha lá, ó meu, mas tu julgas que estás a falar com quem...? com um pibezinho desse tamanhinho estás para aí armado em bom para quê?"
"olha, ó fofa, se continuas a ser ideológico-agressiva não te mostro o tamanhão do bicho"
"desculpa...?! do bicho...? olha-m'este..."
"ai, enganei-me, sorry, queria dizer do pib"
"olha lá, ó cagalhoças, mas porque é que não vais dar banho ao láparo ou ao pib ou ao que quiseres?", concluiria a polaca.

Podia exercitar-se assim. Mas não. Com aquela desfaçatez tão própria dos indivíduos destituídos, não mede a sua dimensão e resolve meter-se com qualquer um.

Desta vez foi com Philipe Legrain e, claro está, não tardou estava a ser ridicularizado por todo o lado. Toda a gente se interrogava se aquele proto-palhaço seria mesmo um governante português.

Era. Cá em Portugal temos um governo formado por artistas de circo, cada um a fazer a sua especialidade. A deste é andar pelo twitter a armar-se em bom.

Transcrevo:

Bruno Maçães volta a agitar o Twitter


O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, voltou a envolver-se numa discussão via Twitter, desta feita com Philippe Legrain, antigo conselheiro de Durão Barroso.


Agosto é, normalmente, mês de férias para a política portuguesa mas, para Bruno Maçães, isso não é impedimento para continuar a discutir assuntos económicos nas redes sociais.

Via Twitter, o secretário de Estado dos Assuntos Europeus envolveu-se, esta segunda-feira, numa troca acesa de "twits" com Phillippe Legrain, economista britânico e antigo conselheiro de Durão Barroso, que defende uma "Primavera Europeia" e explica, numa obra, por que razão a economia e a política que se faz na Europa têm de ser mudadas.

A discussão parece ter começado com a partilha, por parte de Maçães, de um artigo do Wall Street Journal, com o secretário de Estado a usá-lo como prova de que os países europeus em crise "já deixaram o pior para trás". Legrain respondeu à partilha, garantindo que a "economia de Portugal está 7.5% mais pequena que há sete anos". "É a isso que se refere quando diz que já deixaram os seus problemas para trás?", questiona.

Maçães responde, garantindo que as previsões de Philippe estão erradas e que "Portugal está a crescer sem dívida pela primeira vez em 40 anos", o que motiva Legrain a continuar o diálogo, assegurando que "Portugal está num buraco terrível". "Chamar a uma economia mais pequena do que há sete anos um sucesso é um disparate. É pior do que na Grande Depressão dos anos 30. Crescimento fraco, dívida sufocante, elevado desemprego, emigração em massa" são alguns dos argumentos que o economista britânico utiliza. (...)



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Uma paródia. Por isso, vos digo: se fizermos uma petição junto do Youtube, acho que o incluem no vídeo abaixo: The world dumbest people



Então o nosso Brunocas não tem mais do que direito a integrar este elenco, ora essa?

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Caso queiram lavar a vista e ver como é que a beautiful people se aperalta, sigam até ao casamento de mais um elemento da família real do Mónaco.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira. 
E já sabem: votem no Bruno. E riam à grande e à francesa.
Ou melhor: à polaca. Ou à alemã. Para fazer o gosto ao Bruninho.

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Beatrice Borromeo usou Armani Privé num dos casamentos com Pierre Casiraghi. Não sei quais os costureiros que vestiram Carolina e Stéphanie de Mónaco e respectiva prole mas aqui mostro as fotografias do casamento onde podemos vê-las produzidas à maneira.


Eu achava que elas eram bonitas, felizes, que viviam num palácio cheio de sol e flores, que tinham vestidos elegantes, uma mãe lindíssima, permanentemente radiosa, e um pai todo pacholas. 

Depois as coisas começaram a não dar certo. Pior, então, foi quando começaram a vir as desgraças, umas a seguir às outras. Acidentes, mortes, divórcios, álcool, violência, abandono, tristeza. As famílias reais, volta e meia são dadas à tragédia -- o que também não é pior para as revistas.

De cada vez que acontecia alguma nova tragédia, eu tinha pena de Carolina. Era tão bonita, ela, tinha um sorriso de quem ia ser feliz para a vida toda e, afinal, parece que tudo lhe corria sempre mal.

Da Stéphanie nem sabia bem o que dizer: um bocado andrógina, rebelde, sempre apaixonada por guarda-costas, artistas de circo, coisas assim, e sempre também metida em problemas.

O mano Albert sempre se manteve um bocado ao largo, fazia o que queria, copos, noitadas, mulheres. Agora que nasceram gémeos da sua nadadora triste, a filha Jasmim Grace (que parece a Lady Gaga e que é da idade da madrasta) anda por aí a fazer-se fotografar para a Harper's e a falar da avó Grace.

Sempre umas cenas.

Mas não é altura de falar em tristezas, desacertos, desatinos.

Já ontem aqui aflorei um outro casório de arromba. E hoje cá vai mais um, o do último filho solteiro de Carolina que, embora sogra e avó, mantém a aura de glamour. Pierre e Beatrice deram o nó pelo menos duas vezes e sempre belíssimos e num cenário de filme.



Belíssimos, os noivos




O noivo e os amigos esperando pela bela Beatrice

O mano Andrea

A bela mana Charlotte e o marido

Carolina de Mónaco

A tia Stéphanie e a prima Pauline

O casal Beatrice e Pierre
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E vivam os noivos!

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terça-feira, agosto 04, 2015

Pornografia?... Ná, hoje não... Fico-me pelos inocentes jogos de amor.


Depois do tema do amor e do vídeo do post abaixo, para me fazer passar por inteligente e superior às petites choses du coeur, fiz mais uma tentativa, a sério que fiz: percorri os jornais económicos, vi as aselhices fiscais do governo, todas as outras que são de todas as espécies e feitios, li sobre o pagode que são os cartazes do PS (e digo pagode porque aquilo mais me parece coisa chinesa, do tempo do Mao, para aí, uma coisa pirosa todos os dias), e percorri os jornais generalistas -- e nada -- e as revistinhas pink, tudo -- e nada -- tentando descobrir temas onde pudesse vir para aqui dar-me ares. Mas a verdade é que ou sou eu que estou desinspirada ou é o mundo que anda meio sem graça. 
Claro que há temas sérios, horrendos, mas desses eu só falo quando tenho sossego para rodear as palavras de silêncio. Por isso, espero sentir-me com a gravidade certa na ponta dos dedos para falar nisso e, não sendo hoje, passo à frente. 

Ainda pensei falar de obscenidades. Pornografia. Hardcore, coisa da pesada mesmo: cerca de meio milhão de euros o casório do Jorge Mendes e da sua bem amada Sandra, a ilha grega oferecida pelo Ronaldo, Serralves transformada em sala de baile para futebolistas, treinadores e suas bem arraçadas esposas, advogados e suas coloridas madames, as ruas do Porto cortadas para o grande desfile do dinheiro. Por exemplo. 


O rico casalinho: Jorge e Sandra

O Jorginho e a generosa Sandrinha, aqui à civil

Cristiano Ronaldo entre altas cilindradas e seguranças

Lobo Xavi€r e S€nhora - of cours€, as usual


Tanto que haveria a dizer se hoje estivesse numa de porno... Mas hoje estou mais para o romântico do que para a pornochanchada e, portanto, passo por cima desse happening jorge-e-sandra-mendista regado a milhões e volto-me de novo para o amor.

Mas, dissertar sobre o amor, hoje não, não estou muito fluente. Para falar a sério teria que ser científica, sistemática, e não estou a sentir-me com paciência para me manter no trilho do rigor e do bom comportamento.

Por exemplo, deveria compartimentar os diferentes tipos de amor ou as diversas formas de se manifestar: o amor das mulheres mais novas por homens com patine, ou de mulheres velhas por inexperientes pupilos ou de mulheres introvertidas por homens histriónicos ou vice-versa, ou de mulheres feias por mulheres bonitas ou de intelectuais de esquerda por beatos conservadores ou de homens machões por homens machões. Podia, claro. Até podia falar sobre o amor no ambiente de trabalho sobre o qual acabei de ler que é frequente e que até faz bem à conjugalidade (Flasher sur un collègue peut booster votre couple!). Mas não me está a dar para isso, estou preguiçosa.

Por isso, com vossa licença, abrevio razões e avanço para as fitas.


Jogos proibidos 

(cenas do Paciente Inglês)



Though it's forbidden for my arms to hold you
And though it's forbidden, my tears must have told you
That I hold you secretly each time we meet
In these forbidden games that I play


A liberdade sonhada

(cenas de Lady Chatterley)




O amor à solta

(cenas de A insustentável leveza do ser)




'Não beijo estranhos'

(uma cena de Closer)



Ora bem. Sim, senhor.

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Relembro que, no post abaixo, continua o climinha: amor.
Para que serve o amor? 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira. 
De preferência com muito amor, muitos beijos, muito romance. 
(Mesmo que não saibam para que é que isso serve).

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Mas afinal para que serve o amor?


Não sei se há quem se faça essa pergunta, não sei se há quem genuinamente ache que vive melhor na mais desolada solidão do que com o coração a palpitar. Não sei, admito que sim, as circunstâncias ou a maneira de ser explicam muitas opções. Mas a minha experiência de vida não é essa e eu falo do que sei.

Desde que me lembro que tenho o coração ocupado. Algumas paixões foram mudando, outras ficando.
Que ninguém entre nisto do amor querendo que seja para sempre: os amores são eternos enquanto duram. Podem duram cinquenta anos ou cinquenta mil mas também podem durar apenas cinco - ou cinco dias. Portanto, regra básica: nada de planeamentos e, muito menos, de dramas. 
Mas, mais do que as oportunidade que foram surgindo, acho que, em mim, é uma questão genética. Sinto necessidade de me sentir apaixonada. Apaixono-me por um autor, por uma paisagem, por um poema, por uma voz, por um olhar, por um filme, por fotografar, por pintar, por escrever, pelo sorriso brejeiro e irresistível do meu amor. 

Se alguém me perguntasse para que serve o amor - que, para mim, é a paixão em estado estabilizado -- diria que a mim me serve para me sentir viva.

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Andando sem vontade de molestar as minhas pequenas mãos com assuntos pafientos, pus-me para aqui a visitar sites onde abundam as coisas ligeiras. E eis que vim parar a um lugar mesmo bom. 

Transcrevo tal e qual porque o amor e o romance soam mais agridoces, quando não apimentados, quando soletrados em francês:

Cinquante-trois ans après qu’Edith Piaf et Theo Sarapo (son second et dernier mari) aient chanté « à quoi ça sert l’amour ? », Victor Habchy y a tenté de répondre à cette question en vidéo. Ce jeune photographe parisien a en effet publié le 25 juillet dernier sa version romantique de l’amour avec un grand A.  
Pour un micro budget de 40 euros, le jeune artiste a su retranscrire avec brio les sentiments passionnés, les déchirures, les retrouvailles qui font une histoire d’amour. « Pour le réaliser, il s’est inspiré du magnifique film d’animation de Louis Clichy qui avait aussi pour bande-son la chanson de Piaf. Les plans se ressemblent beaucoup mais ici, c’est du live action », décrypte Konbini.fr.   
Reste que ce clip étonnant nous entraîne dans un univers romantique et délicat qui nous donne envie de croire que l’amour ça dure toujours.

Amour toujours


 

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segunda-feira, agosto 03, 2015

Génesis. Uma viagem à dignidade humana e ao coração da Terra.


Depois do almoço de que falo no post abaixo (que acabou perto das 16 horas - porque fomos tardíssimo) e do passeio pela zona do Príncipe Real (post ainda mais abaixo), o destino era o inadiável. Parece impossível que sendo uma ida obrigatória a tivéssemos deixado para o último dia. Não está nos nossos hábitos deixar as coisas para a última mas tantos são sempre os programas que preenchem cada fim de semana que deu nisto.

Ou seja, apesar do calor que estava e apesar do corpo andar a pedir descanso, sendo este domingo o último dia da exposição Génesis de Sebastião Salgado, não houve como não ir.


Lá fomos e, claro, a fila dava a volta ao edifício. Contudo, desistir estava fora de questão. 






Somos grandes admiradores da obra de Sebastião Salgado. Tenho-o aqui ao meu lado, sorrindo, olhar franco, sorriso puro. Está na capa do livro Da Minha Terra à Terra que, no Um Jeito Manso, já referi. Não fora o adiantado da hora e a quantidade de fotografias que quero mostrar, falaria um pouco da vida deste economista, funcionário do Banco Mundial, que resolveu abandonar essa promissora carreira profissional para ir atrás do seu destino. 

O livro autobiográfico impressionou-me muito e fiquei a gostar ainda mais dele. Sebastião Salgado, apoiado pela sua mulher Lélia Salgado (sem a qual talvez ele não tivesse caminhado da forma livre como caminhou), é uma figura ímpar no mundo. Homem de paixões e de causas, ele capta o mundo no que ele tem de melhor e pior e fá-lo sempre com o coração aberto e com um olhar absolutamente límpido.

A fotografia não é um activismo, não é uma profissão. É a minha vida. Adoro a fotografia, adoro fotografar, estar com a câmara na mão, fazer o meu enquadramento, brincar com a luz. Adoro conviver com as pessoas, observar as comunidades, e agora, os animais, as árvores, as pedras. A minha fotografia é tudo isto, e não posso dizer que são decisões racionais que me levam a olhar para isto ou aquilo. É algo que vem de dentro de mim. O desejo constante de fotografar leva-me a voltar a partir. A descobrir outros lugares. Procurar outras imagens. Tirar sempre novas fotografias.
[Assim termina o livro que aqui tenho ao meu lado da autoria de Sebastião Salgado]

Não sabia bem se havia de aqui colocar apenas duas ou três fotografias ou mais. Claro que, imoderada como sou, vou colocar uma porção delas. Penso nos meus leitores que não viram a exposição: as imagens são tão de um outro mundo, um mundo longínquo, não conspurcado pela civilização, que acho que devem ser vistas pelo maior número possível de pessoas. Depois foi minha opção deixar que algumas mostrassem o reflexo da sala, de certa forma poluindo as próprias fotografias. É uma opção que certamente não será consensual mas foi a que me apeteceu fazer: a obra misturada com quem a vê.




E, portanto, sem mais palavras e ao som de On Earth as it is in Heaven (Ennio Morricone), eis algumas das fotografias de Sebastião Salgado da série Génesis.





























Para melhor conhecer a obra de Sebastião Salgado, entrem, por favor, em Amazonas Images


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Permitam que relembre que, a seguir, há mais dois posts que são duas sugestões.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira. 
Dias felizes e cheios de saúde e alegria.

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Atalho Real na Embaixada


Dia sem afazeres atribulados, destinado, portanto, ao lazer. Manhã na praia, caminhada junto à água. Depois, já mais para a tarde, ida a uma das zonas de afeição de Lisboa: Príncipe Real.

O destino era um restaurante a que íamos com alguma reserva já que a especialidade são as carnes e desde há algum tempo não comemos muita carne. Mas, enfim, o local era bonito, supostamente a comida era boa: fomos.







Sem ter qualquer participação no restaurante, permito-me falar dele não propriamente para aumentar os seus lucros mas porque gostei imenso. O restaurante é o Atalho Real no edifício Embaixada. 

O edifício é uma maravilha. Começa a haver em Lisboa edifícios de prestígio aproveitados para fins comerciais e, portanto, de uso livre. Mesmo quem não queira consumir, pode usufruir deles. E este merece uma visita.




O centro do edifício é um amplo espaço que funciona como esplanada coberta, em torno da qual existem as galerias com as lojas.




O restaurante fica em baixo, junto ao jardim. Tem uma esplanada exterior, no Jardim Botânico, e tem pequenas salas interiores muito bonitas, bem preservadas e decoradas, com amplas janelas abertas para o jardim.




Na sala em que ficámos, toda ela agradabilíssima e com curiosos apontamentos decorativos -- por exemplo, nas paredes algumas gavetas serviam de escaparates -- achei um piadão ao candeeiro.




Reparando em pormenor, vê-se de que é feito: canetas BIC.




A música ambiente é agradável, cool. Uma das que se ouvia, foi a que estão a ouvir agora: Don't think twice it's all right - Bob Dylan

E a comida muito boa. Pedimos uma salada de salmão fumado com alface, rúcula, maçã e nozes, que dividimos. A seguir veio bife do lombo grelhado com batatas gratinadas e salada de couve branca, maçã e cenoura com maionese, que também dividimos. Tudo bem servido e com qualidade.

De sobremesa, veio tarte de alfarroba com sorvete de manga e bolo de chocolate com sorvete de framboesa. Deliciosas.

Os preços são bastante aceitáveis dada a qualidade e quantidade da comida e a beleza do lugar.

Portanto, aqui fica a sugestão: para uma refeição num lugar romântico e recatado ou para uma refeição de grupo num lugar agradável, acho que é uma opção a considerar. E proporciona uma ida a um dos lugares bonitos de Lisboa.

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No post abaixo podem ser vistas duas fotografias nas imediações, uma música belíssima e um poema também muito bonito.

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Medo











 acredita em mim: é só um rumor.

não sei escrever o vento,
nem sei como se nasce outra vez.
nunca soube como se tece
no piano a face vazia do tempo.

por favor, não perguntes:
pois eu não sei como germina um poema,
nem quantos dias cabem no teu rosto.
E como se conjuga a cidade com o adeus?

Perguntas, mas eu não sei o que é a morte.






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As fotografias foram feitas da zona da Rua da Escola Politécnica para baixo, vendo-se ao fundo a Basílica da Estrela.

A música, lindíssima, é um dueto: Júlio Resende no piano com Amália Rodrigues, na interpretação de 'Medo'

O poema é o XXIX de Espera Vigilante de Ricardo Gil Soeiro.

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domingo, agosto 02, 2015

Os PaFs querem voltar a aboletar-se no governo depois das próximas legislativas e, para isso, apresentaram com empáfia e circunstância um programa vazio e uma mão cheia de PaF-Paf-candidatos. Pois não tenho nada a dizer porque tudo aquilo é uma mão cheia de nada, uma coisa pafonada por uma linha de água rasa, um zero acabado. Mais diz Miss Wendy, a cadela do ventríloquo Marc Métral, em 3 minutos do que aquelas empafiadas criaturas todas juntas durante a sua vida inteira.


Tendo andado um bocado afastada e desinteressada das vacuidades pafientas, aproveitei a noite de sábado para tentar suprir tão grave lacuna. E, vai daí, fui investigar o que se propõem fazer as desclassificadas criaturas que nos têm andado a desgovernar. 

Permitam que transcreva:

PSD e CDS-PP prometem rever os feriados em 2016, alargar a ADSE a outros trabalhadores, permitir aos funcionários públicos trabalhar para lá dos 70 anos. O plafonamento voluntário da Segurança Social, o alargamento do quociente familiar em sede de IRS e a Tabela Única de Suplementos voltam a constar da lista de propostas


Só coisas boas, portanto. Os mais descarados e mentirosos de que há memória e que têm andado a dar cabo do país, aí estão de novo em acção, vendendo banha da cobra a prestações. 

Quem não os conhecer que os compre.

Mas, tolerante que sou, não fosse dar-se o caso de os jornalistas estarem a escamotear informação relevante, dei-me ao trabalho de ler o programa dos PaFs. Num instante se lê porque mais parece uma redacção feita por jotas a quem foi ministrado um curso de escrita técnico-vazia a la minute. 

Retiro uma ou outra pérola:

Aprofundar a vertente de apoio à comercialização da política de promoção, de modo a que a promoção do destino possa servir também para apoiar e complementar o esforço comercial do sector privado, através da atuação junto de operadores turísticos, de canais de distribuição dos mercados externos, de workshops, farm trips, etc.
Ou seja, um arrazoado que não diz nada, com farm trips à mistura.
ou 

Uma Saúde moderna, competitiva e com liberdade de acesso     
Saúde moderna? O que é uma saúde moderna? É um estilo? Não saúde barroca, não impressionista, não contemporânea, não abstracta? Saúde moderna, portanto. 
ou

Reforçar a transversalidade das políticas de JUVENTUDE
E o que é isso da transversalidade das políticas? Não políticas para nichos? Não para guetos? Não para elites? Não para a ralé? Não? Transversalidade nas políticas. Boa.

Tretas.

Acho que, perante um documento em que nada é fundamentado ou quantificado e tudo não passa de conversa para encher chouriços, a única atitude sensata é passar por cima, ficar à espera que apareça alguma coisa a sério. Enquanto os empafiados andarem nisto, de atirar com folhas cheias de conversa da treta para os olhos dos crédulos, é de nem lhes dar troco. Que continuem a abraçar-se uns aos outros, a cantarem em coro como se estivessem na igreja evangélica do reino dos paf-pafs e que nos deixem em paz que a gente tem mais que fazer que aturar artistas de quinta categoria.

Ora vejam, por favor, no vídeo da apresentação do Programa Eleitoral da Coligação dos PaFs - Agora Portugal pode mais - como as bocas dizem uma coisa, as vozes dizem outra, e nada daquilo bate certo porque é tudo uma conversa vazia, da mais pura propaganda vendilhona. E aquelas caras, senhores, aquelas caras que preferiríamos ver longe de nós, bem longe, onde não pudessem prejudicar-nos mais... é que estão lá todos caídos outra vez... Não há pachorra.




Melhor que eles sabe Miss Wendy fazer. E é peludinha e fofinha ao passo que por ali só vejo mal encarados e até um mal afamado cão com pulgas que por aí ainda anda à solta (e sem coleira).


O ventríloquo Marc Métral e a sua cadela Miss Wendy  na Semi-Final 4  de Britain's Got Talent 2015



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Se apenas pudesse votar na dupla pafiosa Passos Coelho & Paulo Portas ou em Miss Wendy, obviamente votaria em Miss Wendy. De certeza que faria menos mal ao país do que a dupla canora Láparo & Vice-Portas.

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Permitam: se vos apetecer ouvir o Bolero de Ravel com os pés dentro da piscina, desçam, por favor, até ao post seguinte.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

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Todos para a piscina, todos para a piscina...! (Bolero incluído)


Há tempos, estava eu num jantar temático (digamos assim) quando, de repente, uma jovem se levantou de uma das mesas e começou a cantar uma ária. De seguida, de outra mesa, um jovem levantou-se a começou a acompanhá-la e, pouco depois, de outra mesa, um outro. A seguir, começaram a circular entre as mesas numa cantoria que só vista. Foi uma festa. A jovem era atrevida e, numa das árias, proporcionando-se o jogo da sedução, andou de mesa em mesa desafiando, e de que maneira, aqueles com quem mais engraçava, deixando uns ao rubro e outros encabulados de dar dó.

Outra vez não foi com cantores, foi com um casal de bailarinos. Foram para um recanto da sala, ali mesmo se despiram do traje normal, e desataram a dançar - feericamente, acrobaticamente, sensualmente - para grande surpresa dos comensais.

E isto foi o máximo a que me foi dado assistir no que a eventos artísticos inesperados se refere - nada que se compare com o que no vídeo abaixo se pode ver.

Estando os veraneantes calmamente usufruindo a piscina do Hotel Cordial Mogan Playa, na Gran Canaria, quando trinta músicos da Banda Escuela Municipal de Música y Danza de Mogán resolveram surpreender os hóspedes com a interpretação do Bolero de Ravel. Uma graça.



Parece-me bem. A ver se este domingo, na praia, me acontece uma destas.

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sábado, agosto 01, 2015

Da fragilidade da vida








Tantas vezes aqui escrevo que a vida é breve e que tantas são as coisas boas que as devemos viver até à última pinga de sumo, que já temo que me achem uma maçadora. Mas cada vez mais penso isso. Tanto que penso isso, tanto.

Breve é a vida. Quero lá saber de pequenas arrelias, quero lá saber de preconceitos, de inibições, de medos sem motivo, quero é viver a vida o melhor possível e não aborrecer os outros, e estar contente e ver contentes os que estão ao pé de mim. Quero lá saber que achem que sou isto, aquilo ou o outro, quero é não desperdiçar o dom de estar viva e de viver rodeada de beleza, de gente boa, de oportunidades para aproveitar, de coisas boas para descobrir, para aprender.
Zango-me, claro, perante mentiras infames, arruaças desavergonhadas, canso-me de desaforos de que, enganado os incautos, se aproveitam do poder que lhes foi conferido para anularem o desenvolvimento do país, para o venderem ao desbarato, para atentarem contra a dignidade da sua população. Mas isso não são coisas menores. Com coisas graves levadas a cabo por demagogos e oportunistas eu fico mesmo furiosa. Zango-me com  os vendilhões do país, zango-me com os papagaios que operam a soldo dos que manipulam e manobram os centros de decisão, zango-me com os incultos que ignoram o conhecimento e negligenciam o ensino e a cultura, e a saúde e a justiça, e a economia e a qualidade de vida e o futuro.
Mas, no que se refere a questiúnculas, ignoro-as. Nunca me envolvo em intrigas, em guerrinhas absurdas, em jogadas vis. Nunca. A vida para mim é uma coisa boa. Respeito-a sabendo que é efémera, uma flor que um dia perde as pétalas, morre. Por isso, enquanto sinto que as pétalas brilham ao sol, eu quero é falar de beleza, de luz, de alegrias.

É que sei bem que pode haver um dia em que nós, julgando que está tudo bem e que respiramos saúde e energia e alegria, afinal estejamos mal, com um bicho descontrolado a crescer dentro de nós. E então ficamos sem chão. E se sabemos o que serão os próximos tempos -- porque já vimos entre os nossos mais próximos e mais queridos que pode acontecer (quando se descobriu tarde demais ou porque o bicho é dos ferozes) que, num instante, quem antes estava forte e feliz se torne num instrumento da sua fúria, sendo consumido num ápice, perante os olhos de quem nada pode fazer para o impedir -- então percebemos que a vida grande e feliz que julgávamos ter pela frente afinal entrou num beco escuro, cheio de tormentos e medos.

Não aconteceu comigo mas está a acontecer com uma das pessoas que me são mais próximas e queridas. E o que se sente, perante o inesperado de uma notícia tão absurda e cruel, é que a força do bicho é tal que as suas garras tomam também conta de nós e apertam o nosso coração, o nosso peito, o nosso corpo todo. É um medo quase paralisante, uma angústia sem remissão. Tentamos ter coragem, superar o terror que nos tira o sono e a alegria, mas aquela garra medonha está sempre dentro do nosso corpo.

E começa-se, então, o caminho dos exames médicos e há o medo em cada exame, medo que ainda seja pior, um pavor opressivo de que já não haja nada a fazer, medo do que dizer aos que nos são tão queridos, medo do que aí vem, medo, medo.

E depois os exames mostram que afinal é só ali, que do mal o menos, e a gente fica feliz, quase esquecendo a ferocidade do bicho, e vem a esperança de que se tire um bocado do corpo e que nesse bocado vá o bicho e que o mal morra para sempre. E, então, voltamos a ter esperança e a ter vontade de procurar de novo o rio e os veleiros e as gaivotas, as ondas do mar, e as árvores, e a música, e os livros e as conversas boas e as palavras amigas e tudo de novo como se a vida estivesse aí para continuar. Afinal o que é um bocado de corpo? Tira-se e o resto do corpo aprende a viver sem o bocado que se vai tirar e pronto, daqui a nada já passou, já vai ficar tudo bom de novo e voltamos a pensar que a vida não vai já acabar, que ainda haverá muitas mil oportunidades para rirmos juntos, para tudo, para tudo.

Ninguém é eterno, a idade vai fazendo os seus estragos, um dia vai acabar, é a lei da vida - dirão quando nos formos. Mas que não acabe enquanto há vitalidade e alegria e tanto gosto em viver - é o que queremos (...como se o nosso querer tivesse força de lei).

Tenho andado aborrecida nos últimos dias. Há separações em que a gente não quer nem pensar, há dores e sofrimentos que a gente não quer ver naqueles que nos são tão queridos. Sentava-me aqui e não tinha vontade de nada, nada me interessava, aquela angústia terrível estava alojada dentro de mim. Forcei-me a escrever, a escolher músicas, fotografias, a falar como se nada fosse, mas uma ansiedade terrível estava alojada no meu peito.

Mas hoje estou mais tranquila. Haverá dentro em pouco uma cirurgia, haverá depois a recuperação, tudo correrá bem e a vida será o que sempre foi, uma sucessão de efémeros e bons momentos. Dos pequenos contratempos não nos lembraremos porque não valem um caracol furado. 

Não queria falar disto porque não gosto de falar do que me preocupa. Lembro-me que, na véspera de ser internada para ser sujeita a uma cirurgia dupla (aos dois joelhos), estive aqui à noite a escrever como se não se passasse nada. Aliás, durante todo o período que antecedeu a cirurgia, eu tinha andado aflita, com inflamações que não passavam, um dos joelhos inchadíssimo, cheio de líquido que tinha que ser extraído tal o estado em que estava, e eu por vezes incapaz de andar, cheia, cheia de dores. Mas nunca fui capaz de falar disso aqui, quanto pior estou mais faço por me abstrair, para não deixar transparecer, para que ninguém se condoa, porque não gosto de maçar os outros.

Mas hoje, contente porque um dos exames mostrou que podia ser pior, apeteceu-me festejar aqui a céu aberto. Não é só porque estou contente: é também porque sei que alguns dos meus Leitores já passaram, eles próprios, por situações destas e encontraram forças e coragem e aí estão, vitoriosos, lutadores, esperançados, e outros tiveram familiares que passaram por este terror e acompanharam-nos e ajudaram-nos e sabem bem o que isto é. E, no fundo, acho que é falando e partilhando medos e dores e tristezas mas também pequenas alegrias e laivos de esperança que nos apoiamos uns aos outros e nos ajudamos mutuamente a aprender a viver melhor a nossa vida.

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As fotografias são da autoria da AirPano e obtive-as no Bored Panda: Russian Photographers Show How Birds See Our World And It’ll Leave You Breathless. 
Os lugares que se podem ver são, respectivamente, Barcelona, Paris, Amsterdão, Quedas de Água Churun-meru na Venezuela e, nas duas últimas, flamingos no Lago Bogoria no Quénia.
Escolhi-as porque acho que esta é uma boa maneira de vermos a vida, de cima, vermos a beleza que é o mundo que nos calhou em sorte, deleitarmo-nos com o bom que é viver a vida enquanto a temos - e ignorar as pequenas e passageiras partículas de imperfeição.

A música é de Wolfgang Amadeus Mozart (Clarinet concerto in A major, K. 622 - Adagio) e faz parte da banda sonora de África Minha (filme que festejava, entre outras coisas, a maravilha da natureza e no qual o casal de amantes, enquanto voava, se deleitava vendo a beleza da terra).

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado muito feliz. 
Era escusado repetir-me mas não levem a mal que o faça: 
desejo-vos, de todo o coração, que vivam a vida com alegria, com esperança, não desvalorizando nenhum momento, por breve e insignificante que vos pareça.

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