Era o que faltava se agora aparecesse aqui aos saltos. Sabendo-se o que penso sobre as características da pessoa e sabendo-se que não votei nele na 1ª volta, só se fosse uma mariazinha desmiolada é que agora aqui me mostraria armada em cheerleader, a dançar, a fazer piruetas e a atirar balões ao ar.
Contudo, votei nele agora e votei com toda a convicção e votei desejando que tivesse uma votação que tirasse o tapete ao execrável Ventura.
Portanto, em coerência, aqui estou a declarar-me satisfeita com o resultado, inequivocamente satisfeita, certa de que os resultados que obteve legitimarão sobejamente a sua afirmação como Presidente da República.
Contudo, tenho que dizer que fiquei um bocado apreensiva com o número de votos que o Ventura obteve. Custa-me a perceber que haja tantos votantes que se revejam na hipocrisia, na mentira, na velhacaria, no incitamento ao ódio e à exclusão que Ventura protagoniza. E não apenas me custa a perceber como me parece preocupante. Não podemos estar orgulhosos nem viver descansados sabendo que existem em Portugal mais de 1.700.000 pessoas que se identificam com o que de pior pode existir numa sociedade.
É certo que mais do dobro disso é gente que defende a democracia e o humanismo. Mas, numas legislativas, com esses quase 3.500.000 divididos por vários partidos e os 1.730.000 concentrados num único partido, há o risco sério de que um dia venhamos a ter uma pessoa maldosa, falsa e perigosa como primeiro-ministro.
Este tema deveria merecer uma séria reflexão por parte dos partidos democráticos.
Deveria também merecer reflexão a atitude de Montenegro ao longo da legislatura: ao vergar-se, com frequência, na direcção do Chega, o que tem conseguido é validar e reforçar as causas do Chega. Com essa atitude apenas está a fazer declinar o PSD e a engrossar as bases do Chega.
E deveria também merecer reflexão por parte da Comunicação Social, que continua a andar com o Ventura ao colo, esperando-o antes da missa, depois da missa, a carregar garrafinhas de água, com um gatinho ao colo, seguindo-o e entrevistando-o por tudo e por nada. Talvez fosse oportuno perceberem que dois terços dos votantes não querem, não gostam, não podem com o Ventura.
Enfim.
Tempos difíceis para o próximo Presidente da República, portanto. Tempos difíceis a nível interno e a nível externo. Fico tranquila por ser Seguro -- e não Ventura -- a ocupar o Palácio de Belém. E espero, francamente, que Seguro se aguente. Duvido que brilhe pois, pela sua personalidade, não me parece que a sua presidência venha a ser exultante, vibrante. Mas a gente vai-se habituando a tudo e, às tantas, resigna-se a não ter um PR brilhante. E, de resto, estou aberta a que venha a ser surpreendida. Tomara que Seguro se revele um lutador, um inspirador, uma mão firme e, ao mesmo tempo, habilidosa. Se isso acontecer, cá estarei para aplaudir e agradecer.
Seja como for, gostei do seu discurso de vitória. Esteve bem. É certo que não estava à espera que trouxesse para ali temas estruturais, visionários. Por isso, talvez porque temia um discurso redondinho, acabei por gostar. Esteve bem.
E tem uma família simpática. Parece gente de bem, uma família normal, pessoas agradáveis. A felicidade e o orgulho estavam espelhados nos seus rostos, e gostei de ver isso, em particular a candura da filha, tão contente que estava.
Portanto, resumindo, foi uma boa noite eleitoral.
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| Parece que está a enviar um beijinho, não parece? (mas de todas as fotografias que tirei à televisão esta foi a melhor) |
Desejo que Seguro tenha saúde e sorte e que o seu desempenho, enquanto PR, seja exemplar e o melhor possível para Portugal, que não nos envergonhe, que nos represente, a todos, de forma decente e abnegada, que saiba puxar pelo melhor de nós, que saiba olhar para o futuro e consiga fazer a interpretação correcta das ansiedades e das ambições dos portugueses, de todos os portugueses, que não ceda ao facilitismo nem receie o murro na mesa se algum dia o tiver que dar.

1 comentário:
Votei no Seguro contra o Ventura.
Seguro não era o meu candidato, uma vez Presidente, desejo-lhe um bom mandato.
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