sábado, outubro 17, 2026

Uma casa de gente doida

 

Enquanto escrevo estou a ver na Sic Notícias um documentário sobre Melania. Uma história que, a dada altura, a partir do momento em que conhece Trump, se torna numa história de interesses. 

Ao que consta, na prática, fazem vidas separadas e, também ao que consta, ela não o suporta. E ele tem medo dela. 

Mas o casamento, de fachada ou não, entre Trump e Melania, é apenas um pormenor na vida de doidos desta dupla. Nem sei se faz sentido falar em dupla. Há quem diga que, na prática, ela é empregada dele, paga para aparecer quando é conveniente. Mas há também quem diga que ela sabe muito, sabe demais, e que, além disso, aprendeu a monetizar-se, a ganhar dinheiro à custa do seu papel como mulher de Trump. E, estando a conseguir ganhar milhões, começa a sentir-se independente, com uma agenda cada vez mais imprevista, o que deixa os engraxadores que rodeiam Trump cada vez mais inquetos, em especial de cada vez que sabem que ela se prepara para mais uma das suas iniciativas, iniciativas essas sempre vazias de conteúdo, embora algumas inquietantes.

Tudo disparatado. Tudo o que rodeia Trump é absurdo. Toda aquela gente que aparece atrás dele na Sala Oval, enquanto ele dorme, faz-me lembrar aquela corte de figuras obscenas, grotescas, dos circos de Fellini. Dir-se-ia que nada daquilo é real. Não se percebe o que estão ali a fazer, parecem escolhidos a dedo, uns figurantes mal encarados.

E isso é apenas o apontamento pitoresco da coisa. De resto, tudo é muito pior. Todos os disparates que Trump diz e faz, a confusão em que lançou o mundo, a brutalidade das suas decisões, a crueldade que tem demonstrado, a ganância, a falta de vergonha, tudo isso ficará para a história como um dos períodos negros da história, não apenas dos Estados Unidos mas do mundo. 

Há muito que se fala em demência. Em cima de um narcisismo maligno, uma demência que já não se consegue disfarçar. E, no entanto, ele aí anda. Sem vergar. Todos os dias estraga um bocado mais a vida de toda a gente, coloca em risco a vida de mais gente. No meio de vídeos tresloucados que publica na sua rede social a meio da noite, no meio de bocas parvas e alarves nos comícios ou nas conferências de imprensa, no meio de decisões esparvoadas, absurdas, controversas e perigosas, ele aí anda. Alimenta-se à base de hamburgueres e engole aspirinas à mão cheia, e aí anda.

As suas decisões contra a Ucrânia e a favor da Rússia, ou nem se sabe o quê no Irão, e de Israel já nem se fala, tudo uma história de terror em que nada faz sentido, desta vez foram intercaladas com a improvisada escolha da nova porta-voz, mais uma loura conhecida por aparecer de vez em quando na Fox, e que, sem saber o que estava a fazer, apareceu à frente das câmaras e dos jornalistas. Nervosa, titubeante, parecendo mal saber ler e, muito menos, o que se passa à sua volta,  e fazendo-se passar por advogada sem o ser, nunca esperaria ser despedida ao fim de 5 dias. Mas foi o que aconteceu. O que em qualquer parte do mundo seria uma bronca, ali é apenas mais uma parvoíce, mais uma de um infinito rol de parvoíces.

Vale a pena ouvir Michael Wolff e Joanna Coles. O que eles se divertem com a cambada de doidos que para ali andam a fazer disparates na Casa Branca, disparates atrás de disparates. Como sempre aqui tenho dito, se conseguirmos abstrair-nos de todo o mal que aquele estupor causa a meio mundo, há que reconhecer a comicidade de toda a sua vida. Um palhaço. A Casa Branca, em tempos uma casa respeitável, está agora transformada numa casa de doidos.

Trump surpreende com o despedimento bombástico da secretária de imprensa Katie Zacharia

Donald Trump demitiu dramaticamente a sua nova secretária de imprensa, Katie Zacharia, após apenas cinco dias no cargo, na sexta-feira — e afirmou ter-lhe dito para "reconsiderar" a sua função. Michael Wolff conversa com Joanna Coles sobre o sucedido. 


Desejo-vos um bom sábado

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