Por vezes leio trechos escritos há cem ou mais anos em Portugal ou num outro país e as palavras descrevem um desconsolo grande, um desacreditar no futuro, um grande desconforto perante a regressão qualitativa dos novos políticos e dirigentes em geral. Dá ideia que desde sempre há a percepção de um caminho descendente, de uma decadência que é fatalidade.
Por isso, tendo a tentar relativizar o pessimismo com que encaro a incompetência e indigência cultural e ética de Montenegro e da maioria da sua equipa ministerial, tal como tendo a querer desdramatizar as desgraças e os retrocessos civilizacionais a que se assiste um pouco por todo o lado (Estados Unidos, Rússia, tendências do Reino Unido, em França, na Alemanha, no Brasil, etc).
Identicamente, sei que, sempre que há uma fractura tecnológica, a sociedade reage com um medo existencial: e, no entanto, apesar dos sobressaltos e do grande número de vítimas, o mundo tem seguido adiante. Com a Inteligência Artificial, em que, na realidade há riscos de dimensão incalculável e razão para fundados temores, também quero convencer-me que apesar de vir a haver vítimas, muitas, em primeiro lugar a nível de emprego, mas, acredito, também a outro nível, o mundo, depois de solavancos e erupções, saberá reencontrar o seu ponto de equilíbrio e seguir adiante.
Não sei se por isso ou se porque quero manter a minha disposição estival e despreocupada, a verdade é que, apesar das múltiplas barracadas a nível interno, algumas, para mim, insustentáveis, e apesar da gravidade de tantas coisas a nível internacional, tento manter-me na minha própria bolha de peace and love e seja o que deus quiser. Bem sei que, por outro lado, há em mim um grilo que me alerta 'fia-te na virgem e não corras, não...' mas, em vez de, por exemplo, vir para aqui zurzir nas palhaçadas que vários membros do governo e da AR nos têm proporcionado ou fazer-me eco dos alertas de mais um dissidente da Open AI ou da Anthropic sob os reais riscos para a humanidade do crescimento desenfreado, desregulado, dos modelos de Inteligência Artificial, ou vir lamuriar-me sobre o tiro no pé que deram os pobres, desfavorecidos e ignorantes que votaram na AfD sem conhecerem o seu programa, venho, antes, falar de coisecas da minha vidinha.
A saber: Apesar de pelo telefone eu ter dito que, do que já sabia, seriam, muito provavelmente, necessários dois motores com comando para os estores, o senhor que cá apareceu só trouxe um, e, além disso, apesar de já cá terem vindo várias vezes e saberem que estes estores são barra pesada e de eu o ter lembrado por telefone, em vez de dois, como é costume, veio apenas um que percebeu que sozinho não conseguiria lidar com os bichos. Portanto, educadamente, pediu para ver tudo o que estava carecido de intervenção e que voltaria com um colega e o material necessário. Resultado: zero. Tudo na mesma. Tínhamos posto tudo a jeito para poderem trabalhar, afastado coisas, retirados outras, etc, e, tivemos que voltar a pôr no sítio sem que nada se tivesse alterado. A ver quando é que agora cá aparecem de novo.
E já o contei: o meu marido meteu na cabeça retirar a banheira da nossa casa de banho, e digo nossa porque é a que 'serve' o nosso quarto, e substituir por um duche. Já dei de barato. Mas só de pensar na chatice de ter gente que, em vez de aparecer num dia, só aparece depois porque têm sempre contratempos, que em vez de trazer o material, vai e volta a ir buscar o material, perdendo tempos infinitos, que me há-de deixar a casa de banho numa confusão sabe-se lá durante quanto tempo -- tudo isso me faz ter vontade de atrasar isto lá para as calendas. Quando tirar a banheira não deve ter mosaicos no chão por debaixo nem azulejos por detrás. Depois não deve haver material igual. Os enxertos devem ficar uma porcaria. Falta-me a pachorra para isto.
No entanto, ao mesmo tempo, recordo-me que, na nossa primeira casa, na primeira mesmo nossa, resolvemos remodelar a casa de banho principal, pôr uma bancada grande em vez do lavatório que tinha, acabar com o bidé, mudar azulejos e mais não sei o quê. Tínhamos duas crianças pequeninas, trabalhávamos, e, no entanto, nada me assustava ou chateava e tudo se fazia. Agora não me parece indispensável fazer isto e a perspectiva de obras dentro de casa maça-me à brava.
Sobretudo, há uma tremenda falta de mão de obra e não conhecemos ninguém de confiança em quem possamos confiar para nos aconselhar na escolha das melhores soluções. O meu marido, como é seu hábito, é meia bola e força. Para cada potencial problema que eu identifico, arranja uma solução que, em meu entender, ficaria um despropósito. Com ele, e é ele que quer avançar com isto, ainda não começou e já quer é acabar. Se não há mosaicos iguais para o chão, faz em fibrocimento e já está. Se não há azulejos iguais, põe não sei o quê por cima naquele sítio e está a andar. Ou seja, uma coisa improvisada e mal parida. Não quero. Portanto, estamos nisto e eu sem grande vontade de ultrapassar o impasse.
Há também a suspeita de que pode estar uma telha partida no telhado e, portanto, temos que arranjar quem lá vá inspeccionar e, se for caso disso, trocá-la. Lá no campo, até há algum tempo, o meu marido ia ele lá acima, limpava o telhado e tratava disso. Agora já não queremos arriscar. A limpeza de algumas caleiras a que chega com a escada ainda vai, mas lá mais para cima, não. O telhado desta casa tem que se lhe diga, há zonas muito altas e uma queda seria muito perigosa. Quando vieram cá cortar árvores e pedimos para também limparem as caleiras, os rapazes treparam e andaram lá por cima na maior descontração. Não sei se é destreza se é inconsciência, mas, enfim, é o que é. Seja como for, temos que desencantar alguém antes que venham as chuvas.
De resto, o que mais dizer? Nada de especial. Ginásio, religiosamente. E continuo sem encontrar um livro que me encha as medidas. Tenho vários para começar mas não tem estado a correr de feição.
E mais?
Só se for que fiz um estufado de legumes -- cebola, alho francês, tomate, alho, salsa, cenoura, feijão verde, beringela e batata doce -- com uma mistura de carne picada, porco e vaca. Tudo cozinhado a baixa temperatura, apuradinho. Estava mesmo bom. Comidinha de conforto, cheirosa e saudável. Ficou com um molho bom. Ensopei uma fatia de pão que me soube mesmo bem. Por mim, teria ensopado uma meia dúzia, adora pão ensopado em molho. Mas como quero ver se me mantenho nos cinquenta e nove e picos, esforço-me por não abusar. Antes de férias, não chegava aos cinquenta e nove. Depois das férias e dos mil aniversários estava nos sessenta e um e tem sido um castigo para descer dos sessenta. Estes quilos a mais quando se instalam é um caso sério para uma pessoa se ver livre deles. Caraças.
E é isto. Enquanto falo destas coisitas, não queimo neurónios com coisas que não consigo controlar. O mundo anda perigoso. Mas será que alguma vez não o andou?
Desejo-vos uma feliz quinta-feira.
8 comentários:
Olá Ujm, há bases de duche do tamanho exacto das banheiras para não ter remendos no chão, e pode mudar os azulejos da parede a toda a altura na zona do duche marcando uma zona diferente. Assim não parece remendo.
Alguem amigo um dia comparou a manutenção de uma vivenda á criação de um filho. Uma constante preocupação. E aumenta á medida que os anos passam . Há seis meses ,também passei pela renovação da casa de banho . Parece que todos os da nossa idade sentem essa necessidade. Aqui com arquitectos na família a coisa correu bem, embora o incomodo fosse demasiado. Passou pela descontinuacao dos materiais com trinta anos,azulejos e louças. Foi toda de novo. E quando chegou ao fim tive uma empresa de limpezas pós obra durante três dias pós o pó apesar dos cuidados, infiltrou se por todo o lado. Agora que já passou sabe bem. Desejo lhe sorre e paciência
UJM.
É engraçado, a postura do seu cara-metade, é um pouco igual à minha, isto é, deixa andar amanhã logo faço, e depois lá vem a “cigarra” de que só faço o que me apetece coisa e tal.
Quanto a telhas rachadas, há em qualquer bricomarché, fitas adesivas de alcatrão da cor das telhas que, depois de colocadas a tapar integralmente as rachas ou fissuras, impermeabilizam as telhas, e resolve a questão, até porque quanto mais calor está na telha e na atmosfera, mais o alcatrão da fita adere na superfície, evitando as humidades e entradas de água nas lajes dos telhados.
Nas caleiras, utilizei rede para proteção das folhas com a agravante de estar rodeado de plátanos que me atacam as alergias com esse cretino “pó dos plátanos” que me entra por tudo o que é janelas e portas, e já nem falo dos milhares de folhas que me assolam os telhados ainda por cima de platibandas apesar das brigas que tive com o arquiteto com a porra da platibanda que no entender dele- e não do meu bolso- a arquitetura da casa exigia e um par de botas.
Já agora, mas que inveja a minha, com os seus “gordíssimos e anafados 60kg. Não digo quantas” arrobas” tenho, mas só para imaginar, há oito anos após deixar de fumar, engordei vinte e dois kg, e para me desmontar deles… porra menina rosa, os grande molhos que me deixam louco e com os quais mandava abaixo um pão de kilo a molhar e bem regados… tenho feito alguma abstinência, até porque já mudei de “XLs” duas ou três vezes com os retrocessos por garganeirice em me alambazar” perdidamente” como a Florbela Espanca nos enche o coração.
Coisas boas da vida, digo eu.
Sim, bem sei. Mas a minha banheira está encostada a uma parede baixa e larga, em que por cima tenho um pequeno armário de parede. E eu queria deitar essa parede abaixo e, nesse espaço, colocar um armário alto. Só que a banheira tem 70 cm de largura, ao passo que os armários têm, quando muito, quarenta de fundo. Portanto, pelo menos 30 cm de chão ficarão sempre à vista. E fazer uma base de duche com 2 metros de comprido é demais e inviabilizaria ter ali um armário...
Essa de manter uma moradia ser como criar um filho está bem vista, é isso mesmo, sempre novidades, sempre necessidades, sempre despesas.
E idealmente faríamos o mesmo, tudo novo. Esta casa de banho tem um formato irregular e a arquitecta que desenhou a casa aproveitou o espaço muito bem, diria que de forma optimizada. Mas para aquela realidade. Uma vez que não é quadrada ou rectangular, a versatilidade é limitada, em especial para materiais que hoje são diferentes do que eram há 30 anos. A casa de banho do corredor, não sei se foi remodelada ou se foi sempre assim, é diferente, tem duche, e é ampla e bem actual....
Já nos deu boas ideias, Ccastanho, e já vamos ao Leroy Merlin ver se encontramos os materiais de que falou. Em especial, essas fitas adesivas parecem um ovo de Colombo.
Nós por aqui, é a caruma dos pinheiros e as pequenas folhinhas do chorão. Mas também a hera que trepa por todo o lado, a glicínia que trepa e vai para os telhados (e fica linda) mas enrola-se nas caleiras... Uma trabalheira.
Eu deixei de fumar quando tinha quarenta e poucos anos e nunca mais toquei num cigarro. Felizmente nessa altura não engordei. E nunca fui gooooooorda. Mas gosto de vestir roupinhas para gente mais delgadinha e se me distraio fico logo a tender para o cheinho, pelo que tenho que me refrear, até porque apetite nunca me falta... E gosto pelas coisas boas da vida também não.
Querida U J Manso, Quando há seis meses iniciamos o processo da casa de banho, visitamos várias casas da especialidade. Todas apresentavam o mesmo tipo de material e cores, predominante o preto. Nos armários torneiras e armações das portas da cabine. Á revelia da arquiteta cá de casa, pedi ao Chat uma sugestão dando lhe medidas e preferências. O que me mandou nem tudo havia no mercado. Acabei por aceitar as ideias cá de casa e não ficou mal. Surpreendentemente em Julho encontrei num hotel antigo do norte uma cabine de duche com os mesmos materiais. Como já conhece o chat Gtp experimente expor as suas exigências a nível de arquitetura . Tem surpreendido muito. Um abraço e boas escolhas.
Sim, já comecei a tratar do assunto. No meu caso a dificuldade é mesmo a forma irregular da planta e a forma optimizada em que tudo foi inseido fazendo com que não pareça pequena. Alterar alguma coisa não é fácil. E depois há os materiais. Mas este sábado temos cá uma pessoa que 'faz casas de banho' que já nos vai dar algumas opiniões. Não quero coisas pretas. A minha outra casa de banho é em tons pastel, creme, pedra clara, tudo com aspecto 'nude' e transparente. A 'minha' é mais antiga, chão em mosaico de granito, azulejos brancos, pequenos, nas paredes. Vamos ver... O ChatGpt também já deu algumas ideias....
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