terça-feira, abril 19, 2022

Há um planeta B...?
Quando destruirmos este e nos destruirmos a nós próprios, se tivermos a sorte de ter sobrado um homem e uma mulher (... e uma flor...), será que há um outro planeta onde se possa começar tudo de novo?

[Com o apelo de Aneeshwar Kunchala de 7 anos]

 

Se uma guerra é justificada por outras, nunca vai deixar de haver guerra. Se os erros passados vão sempre justificar erros futuros, nunca aprenderemos a ser melhores.

Se aceitamos que haja quem cruelmente cave a dor no peito dos outros, não nos admiremos que o desejo de vingança se metastize pelos sobreviventes.

Se, perante a destruição, arranjamos razões que desculpem o agressor, novos agressores irão germinar como térmitas em madeira prestes a virar pó.

Se, para acabar com a agressão e com o terror, advogamos a rendição, os terroristas sentir-se-ão livres para continuar a espalhar o horror -- e os próximos a ser agredidos, violados e mortos somos nós.

Se condescendemos em que as cidades sejam transformadas em escombros, que as árvores sejam queimadas, os pássaros reduzidos a uma longínqua memória, que as pessoas sejam dizimadas como inúteis objectos, que se exterminem todas as formas de vida -- que mundo estaremos a deixar para o último homem, para a última mulher, para a última flor? Um mundo feito de pó, de negrume, de solidão?

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Aneeshwar Kunchala é um mini David Attenborough e o que ele diz e a forma como o diz são comoventes


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Parem tudo! Qual Tony Ramos, qual carapuça... Peludo, peludo é o Emmanuel Macron! Puxa...

 

Está uma pessoa todo o dia a trabucar, envolta em avaliações e em planeamentos, pontos de situação, qui-pi-ais e outras coisas que tais quando, no final da jornada, ao espreitar as notícias, dá de caras com uma peitaça peluda, coisa só vista nos épicos tempos do Tony Ramos.

Uma pessoa pisca e catrapisca os olhos, incrédula, dizendo para com os seus botões: Uóta-faque?

E, então, constata que não é alucinação, não senhor, está mesmo diante da mais improvável das situações: a peitaça é do Emmanuel e a frondosa pelagem preta também.

De perna aberta, todo sorridente, o manganão mostra-se assim ao mundo: jovial, quase informal, bonito, pronto para ofuscar, sem hesitação, a amiga do Putin. 

Depois desta fotografia não sei de que é os franceses, em especial as francesas, vão falar: se da idade da reforma se da inesperadamente cabeluda campanha de Macron.


Força, Macron! Dá-lhe!

segunda-feira, abril 18, 2022

Um grande homem

 

Fala como um homem normal mas o que diz é sábio, inspirador e comovente. Há nele uma coragem enorme. Mas não é uma coragem feita de bravatas, é uma coragem alicerçada no amor aos outros e no respeito pelo amor do povo do seu país à liberdade. E não se vê ali prosápia. Face a tudo o que se passa, face aos riscos que tem corrido, face à incrível resistência que tem surpreendido o mundo, poderia haver nas suas palavras alguma jactância. Mas não. Não há ostentação. Pelo contrário, todas as palavras são muito terrenas e humildes. Sente-se que são palavras que sofrem com a tragédia, com o sofrimento. Mas as palavras não vergam e a coragem também não.

Ouço-o e, uma vez mais, penso que estava, antes, tão estupidamente errada, tão indesculpavelmente mal informada. Também preconceito. Pouco ou nada sabia mas, na minha ignorância, era alguém com um curriculum feito exclusivamente na televisão, um cómico armado em político, alguém na base do tiririca. 

Também andava desatenta quanto à Crimeia. Lembro-me de alguns desencontros de ideias, uns a dizerem que os russos tinham ido buscar o que era deles e eu, sem perceber bem, 'mas era deles porquê?' mas, ao mesmo tempo, um bocado desinteressada. A gente, às vezes, tem tamanhos problemas ou redemoinhos na nossa vida que parece que algumas coisas nos passam ao lado. Talvez tenha sido isso. 

Agora fico perplexa como não me apercebi do mau prenúncio que foi aquilo da Crimeia nem das sérias ameaças afinal tão evidentes que vinham dos lados do Putin. Quando me penitencio, o meu marido diz: não era a ti que competia aperceberes-te, era aos serviços secretos.

Mas mesmo quando, recentemente, os americanos alertavam para o risco iminente de invasão da Ucrânia pela Rússia, eu achava um exagero, um nonsense, uma conversa da treta a que as televisões, que gostam de drama, andavam a alimentar. Não sei onde tinha eu a cabeça. Estava tão longe de que uma alarvidade destas fosse possível -- que um país invadisse outro, que um mitómano psicopata ousasse destruir cidades, matar pessoas e querer impor a sua rendição -- que não prestava atenção.

E que um tiririca desta vida se elevasse e fizesse um valente manguito a Putin e não vergasse perante as suas ameaças terroristas, que soubesse estar à altura da vontade do povo que dá a vida pela liberdade do seu país, foi coisa que não apenas me surpreendeu como, desde o primeiro minuto, me comove.

Sabendo do risco de vida que corre, com uma ímpar coragem física e anímica, Zelenskyy consegue manter-se informado, consegue falar todos os dias aos ucranianos e ao mundo, consegue ter o discernimento para falar perante os parlamentos deste mundo, consegue dar entrevistas, consegue sorrir, consegue manter a esperança e a coragem. Vê-se que está cansado, mal dormido. Mas a vontade de manter a honra ucraniana é inabalável.

Está a lutar pela sua Ucrânia mas está a lutar por todos os que amam a democracia e a liberdade. Devemos-lhe -- a ele e a todos os que perderam tudo o que tinham e estão determinados a continuar a lutar, a todos os que perderam filhos, irmãos, maridos, pais e que, apesar disso, continuam firmes, a todos os que perderam a vida -- o nosso agradecimento. Lutam por nós, por todos os que amam a democracia, o humanismo, a liberdade.

No vídeo abaixo, Zelenskyy fala dos filhos e fala do que o move. Uma trecho muito interessante --- e muito humano -- da entrevista.

Zelenskyy speaks about his children

Desejo-vos uma boa semana

Agradecimento. Respeito pela liberdade.

domingo, abril 17, 2022

Marina, Dima, Inna e Eli

 

Marina e Dima têm duas filhas pequeninas e vivem na Holanda. Não suportaram viver na Rússia debaixo de um regime totalitário. Têm sorte. Vivem em liberdade e gostam de falar da sua vida, partilhando dicas sobre como viver no estrangeiro, entrevistando pessoas e trocando experiências. Para isso têm o canal Expat Family Live. Desta vez, o teor do vídeo é outro: como russos, falam da situação actual, falam de Putin e da invasão da Ucrânia, falam dos riscos que correm.

Inna é também muito jovem, é casada, tem um canal no Youtube, Speak Ukrainian, no qual ensina a língua e fala da cultura ucraniana. No vídeo que partilho fala, quase em estado de choque, da invasão, ainda mal acredita, descreve o que se passa. Num vídeo posterior já saiu do apartamento e fala a partir de uma outra casa, numa zona da Ucrânia que pensa estar mais a salvo. Resiste como pode.

Eli, uma jovem viajada, tem o canal Eli from Russia no qual mostra as maravilhas e as particularidades do seu país e da sua cultura. Mas desta vez fala sobre a situação acual que se vive no seu país e na Ucrânia. Por isso, no vídeo que partilho diz que não sabe se será o seu último vídeo pois, como é crítica da guerra, está sujeita à nova lei que a pode prender e/ou impedir de continuar a publicar os seus vídeos.

São vozes que, de certa forma, se tocam. Não percebem, não querem, condenam esta guerra. Querem viver a sua vida e o seu futuro, anseiam pela paz e pela liberdade. São jovens que deveriam viver tempos de esperança e tranquilidade e não viver, de perto, a triste realidade da guerra e da loucura totalitária.

We're Russian and WE WANT TO TALK!


WAR IN UKRAINE. Russians invaded us. What is going on and how to support Ukraine?


How the 'special operation' changed our life | Q&A from Russia



Queiram descer para ouvir Harari sobre o momento que atravessamos: Notícias terríveis para a espécie humana

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Um feliz dia de domingo 

Esperança. Paz.

Notícias terríveis para a espécie humana

 

Poderia dizer que Yuval Noah Harari é muito cá de cá de casa mas não estaria a ser bem sincera. Todos os seus livros habitam esta casa mas quem os lê não sou eu. Contudo, de vez em quando, enquanto os lê, o meu marido fala-me do seu conteúdo. E não só enquanto os lê. De vez em quando, a propósito de algumas situações, diz 'O que aquele tipo, o Harari, diz é que... (isto ou aquilo)'. E gosto de ouvir. 

O meu filho já o lia antes de haver as traduções. Tenho ideia que, enquanto ia e vinha para um dos países onde, na altura, trabalhava, ia lendo, em língua inglesa, o Sapiens. 

Eu é mais vídeos. Gosto de ouvi-lo. Mas, um dia que tenha mais tempo, hei-de pegar nos seus livros. É inteligente, perspicaz e sensato, e, por escrito, admito que as suas ideias ganhem ainda mais solidez.

Já aqui o tive várias vezes via youtube e hoje cá está outra vez, e está pois fala dos sérios riscos de que Putin leve ainda mais longe a barbárie, escalando-a para patamares inimagináveis. Putin fala com demasiada frequência e demasiada ligeireza no uso de armas nucleares. 

Esperemos que nunca avance para esse nível ou porque alguém o trava ou porque, num assomo, ainda que fugaz, de racionalidade, perceba que está a matar demasiados inocentes e a cavar um fosso incomensurável entre a Rússia e o resto do mundo -- e isso a troco de nada.


We may be in the 'most dangerous moment' since the Cuban missile crisis, says Yuval Noah Harari

Author and historian Yuval Noah Harari discusses the Russia-Ukraine conflict and says "nuclear war is suddenly a possibility — still not very likely, but a possibility."


sábado, abril 16, 2022

Depois de um tranquilo dia de verão in heaven, dois vídeos que recomendo.
O primeiro mostra um homem normal que já não chora há muito tempo e que tem muita dificuldade em adormecer.
O segundo mostra um homem que viveu por dentro os tempos do holocausto e que, aos 102 anos e com o coração devastado, se recusa a desistir de conseguir um mundo melhor

 


O meu dia foi tranquilo. Era para sermos mais a passar o dia in heaven mas as suspeitas de um caso de covid fizeram com que o agregado sob suspeita ficasse em terra e fossemos apenas nós os dois. Por isso, aproveitámos para trabalhar. O meu marido armou-se de roçadora e foi-se ao tojo e às silvas e eu, com vassoura de arame e pá metálica de cabo alto, fui-me à caruma e às folhas e pinhas caídas pelos caminhos.

Na quinta ao fim do dia, fui ao supermercado e, em casa, à noite, fiz uma jardineira. De manhã, embalei-a e, portanto, ao chegar ao campo, não tive que ir a correr para a cozinha. Pude ir passear, ver a primavera em flor, a fera peluda aos saltos e a correr, feliz da vida.


Depois de almoço, instalei-me no sofá e pus-me a ler o zonas de baixa pressão do António Guerreiro, livro que sempre leio de gosto. Aliás, leio António Guerreiro sempre de gosto. Agora ia dizer que é uma pessoa brilhante, com uma visão iluminada que vai dos clássicos aos colunistas mais fajutas da actualidade, mas lembrei-me no que ele escreveu sobre os que escreveram sobre Agustina quando ela morreu. Diz ele que todos louvaram Agustina esquecendo-se de falar sobre a sua obra. Por isso, não falo do António Guerreiro, falo da sua escrita. É clara, inteligente, informada, irónica. Ofereci este livro pelo Natal, espero que quem o recebeu também tenha gostado.

Mas estava a ler, deliciada com a leitura e com o agradável ambiente que me envolve quando estou aqui e, ao mesmo tempo, a pensar que deveria era ir lá para fora, varrer. 

O meu marido também já se tinha equipado com caneleiras e óculos de protecção e tinha abalado para o campo. Escuso de dizer que tenho que me auto-controlar ferreamente para não ir atrás dele para ter a certeza que não corta os orégãos que estão a despontar nem o rosmaninho, nem o tomilho, tão frágil, nem o alecrim, nem a sálvia. Mas já consigo dominar-me. Confio que ele há-de ter algum cuidado e não fazer aquilo que naturalmente faria: cortar tudo a eito.

Depois de ele ter ido, mais me motivei a ir também à minha vida.

Penso por vezes nisto: um dia que não tenhamos nada que fazer, o que faremos?

O meu marido tem andado cansado. Tem muito trabalho, por vezes horários complicados. Naturalmente, tendo oportunidade, deveria ter vontade de não fazer nada. E, no entanto, num dia que era para ser animado e acabou por ser calmo, em vez de aproveitar para descansar, foi de máquina ao ombro, para o mato.

E eu, que não ando menos cansada, sempre com trabalho e afazeres complementares, também não descansei enquanto não fui varrer caruma, fazer montes, apanhá-los e despejá-los, até que, por fim, já me doíam as mãos. 

E acabei e senti-me realizada, contente ao ver os caminhos mais limpos.

Não sei o que é estar sem fazer nada. Tratar da lida da casa e, no máximo, ler parece-me pouca coisa. Parece que tenho que ter sempre mais coisas para fazer do que o tempo de que disponho. E estava a varrer e a olhar para as árvores com vontade de, a seguir, ir buscar o podão para desbastar ramos baixos. Tenho que me tratar deste mal. Não fazer nada é capaz de ser coisa boa.

E, estando na sala, ocorreu-me, uma vez mais, que é uma chatice já não ter onde pôr carpetes de arraiolos pois estava mesmo a apetecer-me voltar a atirar-me a eles, bordar, ver aparecer os desenhos. Claro que haveria de ser uma festa com o urso peludo a ensarilhar os novelos de lã. Quando aqui está, passa a vida a sair a correr, a ladrar, para investigar cada pequeno barulho ou ladrar ao longe. Depois, chega aqui e cai perdido de sono. Mas é um sono leve, está sempre en garde.

Foi, pois, um dia tranquilo, banhado por um sol suave e dourado. Um dia de paz, a paz que deveria ser um direito indiscutível, universal (mas, claro, não a paz da rendição, a paz da cedência aos agressores e aos tiranos que violem o direito internacional, querendo anexar outros países).

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Agora, à noite, procuro as notícias. Vi televisão, li, vi vídeos. Os regimes totalitários são um perigo. Putin vive há meses fechado num bunker. Vive fechado para o mundo, para as pessoas. Ocupa a mente a forjar armadilhas, mentiras, a ouvir quem não lhe faz frente, a instruir a punição dos que o enfrentam (mesmo que apenas por segurarem uma folha em branco). Vive enredado na teia demencial que, ao longo de anos, foi tecendo. 

As atrocidades que ele e os que lhe obedecem cegamente estão a levar a cabo, com o apoio de uma população manipulada, são de uma pessoa ficar doente. Aquilo a que o mundo assiste está para além de maldade. É a total insensibilidade, a gente de Putin vive numa realidade alternativa, uma realidade desabitada, distópica.

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O vídeo abaixo mostra uma pessoa extraordinária e o que diz e a forma como o dia são também extraordinárias.

'I am heartbroken': Last surviving Nuremberg prosecutor on war in Ukraine

Benjamin Ferencz was just 27 when he successfully prosecuted 22 defendants for war crimes. Now he tells Amanpour it pains him to once again see atrocities in Europe


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Este segundo vídeo também é impressionante. O que aqui vemos é um homem normal que se vê apanhado na armadilha de um louco, de um psicopata. Zelenskyy envelheceu muito em dois meses. Não consegue chorar, não consegue dormir. Mantém uma racionalidade e um humanismo invulgares para quem vive o tormento que ele vive. 

Zelenskyy On Biden, Hating Russia, And Sleepless Nights

Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy talked about the emotional toll of the Ukraine war and his feelings towards Russia and Putin in an exclusive video interview with German newspaper BILD

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Coragem. Paz.

sexta-feira, abril 15, 2022

Algumas pessoas pensam que as notícias e as imagens de crianças mortas na Ucrânia são falsas -- mas não são

 


Dirão alguns que a culpa é das crianças. Ou dos pais que quiseram fugir com elas, tentando alcançar um lugar longe dos mísseis. Ou do avô que tentou proteger a criança com o seu próprio corpo e não conseguiu. Ou dos ucranianos em geral que não querem abdicar da sua nacionalidade. Pode ser. Quem, perante as maiores atrocidades, não consegue condenar o agressor, arranjará sempre outros culpados. Não vale a pena. O maior cego é aquele que não quer ver. E depois, como diz Dugin, o 'cérebro de Putin', não existe verdade, o que existe é a interpretação da verdade.

Quando o jornalista dizia, numa das entrevistas que partilhei ontem, que um avião que deixava cair uma bomba em cima de uma casa matando as pessoas, civis, que lá estavam dentro era uma coisa factual, o ideólogo Dugin retorquiu que não, que se pode questionar porque é que o avião deitou a bomba justamente ali ou lançar outras questões e que essas questões são também, segundo os russos, uma verdade. Ou seja, em vez de relatarem o que factualmente aconteceu, lançam dúvidas, espalham a confusão. Em bom português diz-se atirar areia para os olhos. Provavelmente diriam que naquela casa se escondiam armas. É a técnica russa: escamotear a verdade, lançar suspeições, distrair atenções.

No outro dia, li um artigo muito interessante no Guardian: Understanding Vladimir Putin, the man who fooled the world. Ali é relatado um episódio que parece insignificante mas que não é, ilustra bem alguns traços de Putin. 

Putin estava incomodado com os jornalistas que lhe colocavam questões incómodas. Um estava a irritá-lo particularmente. Quando esse jornalista lhe fez uma pergunta, Putin disse que antes de responder, queria questioná-lo sobre o anel que ele estava a usar. Toda a sala olhou, intrigada. Putin continuou perguntando porque é que a pedra era tão grande. A sala já ria e o jornalista dava mostras de estar incomodado. Putin continuou dizendo que o jornalista não se deveria importar que ele o questionasse pois, se estava a usar aquele anel, era porque queria dar nas vistas. Toda a gente na sala se ria. Já ninguém se lembrava da pergunta. Diz o jornalista que escreve este artigo que foi uma verdadeira masterclass de distração e bullying. 

O que tem estado a acontecer com a invasão da Ucrânia e a chacina que barbaramente os russos estão a levar a cabo tem dado lugar a muitas masterclasses do género: os russos negam as evidências, lançam a dúvida, insinuam conspirações, espalham a confusão, põem uns quantos a propagar essas dúvidas -- e a condenação, junto de alguma opinião pública, dilui-se. 

Na própria Rússia, sem possibilidade de terem acesso a meios de comunicação independente, é mais fácil. Os testemunhos são incontáveis: pessoas debaixo de fogo cerrado na Ucrânia, com as casas destruídas, falam com familiares que vivem na Rússia e estes não acreditam em nada disso, acham que são fake news. 

Mesmo quando lhes dizem que já foram assassinados milhares de pessoas, incluindo crianças, muitos russos não acreditam. 

Brianna Keilar, conhecida jornalista-âncora política da CNN, enuncia o nome de algumas das muitas crianças ucranianas mortas nesta guerra feroz e, por diversas vezes durante a notícia, não consegue suster as lágrimas. Aliás, tem acontecido com alguma frequência aos jornalistas que, no terreno, testemunham o sofrimento dos ucranianos: quando noticiam o sofrimento, as feridas, as amputações e as mortes das crianças, não conseguem controlar o choro.

Também eu, ao saber destes casos, me emociono. Penso na dor das famílias. Penso na gratuita crueldade de tudo isto. Porquê isto...? Para quê isto...? Não contenho as lágrimas.

Keilar: Some Russians think images of killed children are fake. They are not


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Lá em cima, Sasha Ivanov toca piano. Tinha 18 anos e foi morto com um tiro na cabeça e dez no peito. Ia no lugar do passageiro. O que lhes aconteceu está descrito  aqui: ’Collect my parents or collect my son’s body’: a Kyiv family’s tragic plight. O fim do artigo é este: Sveta said: “There are some families who the war hasn’t touched. But the war touched our family like nothing else. My mother is disabled, my father is disabled, I’m disabled, and I buried my son.” Lê-se e imagina-se a aflição, o medo, o sofrimento desta e de tantas outras famílias. Não são histórias falsas -- o sofrimento é verdadeiro. Há jornalistas de todo o mundo a verificar no terreno e a divulgar o que está a passar-se.

Um dia haverá livros e filmes sobre estes tempos de horror. Muitos dos que os viveram já não estarão cá para o testemunhar.

A fotografia lá em cima mostra Danyk Rak, um menino de 12 anos, (por enquanto) um sobrevivente, que segura o seu gatinho no meio dos escombros da sua casa destruída por bombardeamentos russos. A fotografia é da autoria de Evgeniy Maloletka/AP

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Mensagem dirigida a Vladimir Putin por uma mulher ucraniana que perdeu o filho em Bucha 


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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível
Saúde. Discernimento. Esperança. Paz.

quinta-feira, abril 14, 2022

A palavra a Alexander Dugin, o chamado 'cérebro de Putin'.
Ambos seguem a mesma lógica e usam as mesmas palavras: a invasão da Ucrânia era 'inevitável'. Ambos acham que o império soviético não se pode reconstruir sem a Ucrânia. E vão até às últimas consequências mesmo que isso signifique acabar com a vida humana sobre a Terra

 

A Rússia não é comunista, Putin não é comunista. 

O fim da União Soviética foi um drama. A União Soviética tem que se reconstruir para poder constituir-se como um pólo forte no combate ao mundo ocidental. A ideia é a construção da Eurásia

A Ucrânia foi retirada à Rússia para a enfraquecer, é absolutamente indispensável conquistar a Ucrânia. A Ucrânia não conseguiu tornar-se um Estado Soberano pelo que a Rússia teve que ir salvá-la. 

Quando há uns anos a Rússia ocupou a Crimeia fez mal, deveria era ter tomado toda a Ucrânia. 

E, sim, a Rússia está a fazer coisas erradas, a violar o direito ocidental, a ser brutal, a ser sangrenta -- mas teve que ser. Era inevitável.

Sem a Ucrânia o império soviético não pode ganhar força para se reconstituir e para avançar para a Eurásia.

Depois disto, a Europa vai ficar melhor, mais esclarecida. Vai perceber que, apesar do massacre levado a cabo pela Rússia, a Nato não fez nada. Por isso, a Europa vai querer criar as suas próprias forças e sair da Nato. 

Trump é populista, Putin é absolutamente populista

Sim, Putin tem a posição de um monarca ou de um imperador, um monarca natural, não apenas porque ele o quer mas porque a Rússia quer que ele o seja. É uma monarquia popular.

Esta guerra é uma guerra aos Estados Unidos e ao liberalismo ocidental.

A verdade é relativa, a verdade é uma questão de crença, é uma questão de interpretação. A Rússia tem a sua própria verdade.

A Rússia não aceita a ideia de não ganhar esta guerra pois se não ganhar, deixará de haver Putin, deixará de haver Rússia, deixará de haver mundo. É preciso prestar atenção ao que Putin diz sobre a possibilidade de se avançar para uma guerra nuclear caso haja uma ameaça da Nato. A Rússia vai ganhar pois apostou tudo nesta operação e estará nela até ao último sopro. A Rússia vai ganhar ou usará o arsenal nuclear e o mundo acabará. Caso o mundo queira continuar a existir deverá aceitar a Rússia como um superpoder soberano.

Palavras do ideólogo de Putin, o ultra-direitista Alexander Dugin [Aleksandr Gelyevich Dugin, 60 anos] a quem chamam o cérebro de Putin. 

De facto, por diversas vezes, Putin já usou os mesmos argumentos que Dugin tal como reconstrói a história da mesma forma que Dugin o faz. E os actos de Putin têm vindo, na realidade, a seguir o 'guião' Dugin. Por isso se diz que, para conhecer o pensamento de Putin, o que há a fazer é ouvir e ler Dugin.

Já ontem divulguei o vídeo no qual ele, em 2017, já confirmava que Putin seguia as suas ideias: anexar a Ucrânia, encorajar o Reino Unido a sair da União Europeia, tornar o Irão um aliado, dar os passos necessários para dar corpo à Eurásia.

E, à medida que me vou informando, mais confirmo que tudo isto é diabólico. Há nesta gente uma lógica imperialista que a mim me parece demencial. 

Alexander Dugin diz que o ocidente anda indignado com tantas mortes, tanta violência, tanta destruição mas que o que, segundo ele, interessa discutir não é isso: o que interessa é discutir a geopolítica, a necessidade da Rússia ganhar força para fazer frente ao 'ocidente'. 

A insensibilidade ao sofrimento humano destes dementes é um perigo, talvez um perigo maior do que pensamos. Mas não é um perigo apenas para a Ucrânia -- é um perigo para o mundo. 

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Lamento que os vídeos (de onde extraí os excertos acima, a itálico) não estejam legendados mas, apesar de ter pena que quem não perceba a língua inglesa não possa ajuizar por si, partilho-os na mesma. Acho importante que se conheça o que pensam e o que motiva estas demoníacas criaturas, nomeadamente no que respeita à sangrenta invasão da Ucrânia e à sanha destruidora de que parece estarem possuídos -- e à criminosa e assumida determinação de levarem a chacina até às últimas consequências.

Alexander Dugin speaking on the Ukraine conflict

The founder of the Russian geopolitical school, Alexander Dugin, at a meeting with Western journalists, explains the geopolitical background of the conflict in Ukraine. 03/04/2022.




Russian Philosopher Alexander Dugin: In Ukraine, Russia Is Fighting the Liberal World Order

Prominent Russian philosopher Alexander Dugin said in a March 19, 2022 interview on Al-Jazeera TV (Qatar) that Russia will either win in Ukraine and be accepted as a sovereign superpower, or “there will be no Putin, no Russia, no world.” He said that any NATO intervention will be responded to "in kind," including the use of nuclear weapons if NATO launches a nuclear attack against Russia. He emphasized: "The decision to continue with the operation to our last breath has been taken." In addition, Dugin said that Russia's war in Ukraine is not against Ukraine as a country, but against "American hegemony" and the "global liberal elites who are trying to take over the world." He also said that Putin is so popular that the people have effectively made him Russia's "natural monarch.” 

Bernard-Henri Lévy vs. Aleksandr Dugin Debate– On Ukraine (2019)


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Aleksandr Gelyevich Dugin (em russo: Александр Гельевич Дугин; nascido em 7 de janeiro de 1962) é um filósofo russo, analista político, professor e estratega conhecido por pontos de vista amplamente caracterizados como fascistas.

Considerado pelo Ocidente como o "cérebro de Putin" ou o "filósofo de Putin", acredita-se que Dugin tenha sido o cérebro por trás da anexação da Crimeia pela Rússia como parte da defesa de Dugin para que a Ucrânia se tornasse "uma parcela puramente administrativa do estado centralizado russo", que ele se refere como Novorossiya. Acredita-se também que Dugin tenha fornecido a cartilha de Putin sobre a invasão russa da Ucrânia em 2022. Dugin clama por um Império Russo totalitário iliberal para controlar o continente eurasiano de Dublin a Vladivostok para desafiar a América e o "atlanticismo" [...]

Tem sido comparado a Grigori Rasputin.

quarta-feira, abril 13, 2022

Só espero que nunca lhe passe pela cabeça que temos por cá uns quantos malucos saudosistas do nazismo... senão o psicopata vai dizer que é inevitável vir cá libertar-nos. E é que já sabemos como é que ele liberta as populações: despovoa os territórios, ou seja, elimina a vida e arrasa os edifícios e as infraestruturas*.

Já para não falar nos passos que está a dar para dar corpo à ambição de Aleksandr Dugin, o ultra-direitólogo que o inspira: dar corpo à Eurásia

 

Putin, o criminoso, já o declarou claramente: acha que a Ucrânia não existe como estado independente, quer anexá-la. Depois, inventou a narrativa para convencer o público interno (a população russa) de que a Ucrânia está tomada pelo nazismo e que a Rússia tem que ir lá libertá-la. Depois, e também já o anunciou, antevendo a sua vitória sobre a Ucrânia, e podendo anunciar que baniu a governação nazi, diz que ficará a Ucrânia desgovernada. Portanto, a seguir, tem ele que lá pôr um governo. Ou seja, um governo fantoche.

Tudo isto é público e, se não fosse triste e ridículo, seria de gargalhada. É que os russos, coitados, que estão fechados ao mundo e apenas têm acesso informação falsa, talvez acreditem nesta narrativa lunática.

Mas todos nós, que vivemos num mundo livre, conseguimos cruzar informação de muitas proveniências e facilmente conseguimos validar o que é verdade e desmontar o que é mentira.

O que é bizarro é vermos pessoas que habitam em Portugal, onde a net é livre e se pode aceder a todo o mundo, onde temos acesso a órgãos de comunicação social de todo o mundo, paparem, com incompreensível ingenuidade ou doentia cegueira, a propaganda russa.

Mesmo aquela conversa das 14.000 almas (ou 15.000) que circula por entre os comunistas e pró-putinistas é falsa e absurda e facilmente desmontada

Da mesma forma é de loucos culpar a Ucrânia ou a Nato da invasão da Ucrânia pela Rússia. A Rússia invade a Ucrânia e viramos a história do avesso para culparmos o invadido e não o invasor? A Rússia arrasa a Ucrânia e mata ucranianos aos milhares e os culpados são os ucranianos?  É de loucos. Só mentes perturbadas podem acreditar nisto.

Sei que, ao escrever isto, estou a habilitar-me a continuar a receber comentários ofensivos e mal-educados. De cada vez que me mostro intrigada com o apoio do PCP e outras pessoas a Putin, recebo comentários assim. Ou seja, não é apenas Putin que é como é, violento, brutal, animalesco: também os seus apoiantes o são. 

Contudo, em tudo há que ver o lado positivo (ainda que seja um positivo manchado de sangue): neste caso fica claro o que é o regime putinista e, por cá, o que é o pensamento comunista. 

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Imagens da Ucrânia destruída por Putin

A rescuer walks during a search operation for bodies under the rubble of a building destroyed by Russian shelling in Borodyanka, Kyiv region, Ukraine April 11. REUTERS/Zohra Bensemra


SENSITIVE MATERIAL. THIS IMAGE MAY OFFEND OR DISTURB Medical workers assist evacuated and wounded people that arrived by special train from Bakhmut and Slovyansk for treatment, amid Russia's invasion of Ukraine, in Lviv, Ukraine April 10, 2022. REUTERS/Roman Baluk


Residents stand with their belongings on a street near a building burnt in the course of Ukraine-Russia conflict, in the southern port city of Mariupol, Ukraine April 10, 2022. REUTERS/Alexander Ermochenko


A man looks out of his window that was broken during Russian shelling in Borodianka, Kyiv region, Ukraine, April 11. REUTERS/Zohra Bensemra

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E esta é a narrativa de Putin, é assim que Putin fala da chacina que está a levar a cabo

Vladimir Putin has described the invasion of Ukraine as 'inevitable' during a visit to the Vostochny cosmodrome in Russia's Amur Oblast region. The Russian president also repeated his previous remarks about Nazism, which have dominated Russian state media as a justification for the military campaign, as well as saying his country could not be isolated from the rest of the world 

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E aqui está a cartilha que Putin está a seguir: anexar a Ucrânia, encorajar o Reino Unido a sair da União Europeia, tornar o Irão um aliado. Dar os passos necessários para dar corpo à Eurásia.

Aleksandr Dugin: o teórico da ultra-direita que está por trás do plano de Putin


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* Sobre a forma de actuar russa:

[E pode ser que o assassino queira anunciar a vitória a 9 de Maio mas com que custo o anunciará? Só desejo que lhe saiam trocadas todas as voltas e que saia da Ucrânia o mais tardar por essa altura mas que saia derrotado, humilhado e, se possível, desmascarado perante a população russa]


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terça-feira, abril 12, 2022

Como se defende a paz quando um assassino, armado, brutal, desumano, nos entra dentro de casa? -- pergunto aos que não conseguem condenar Putin, por acharem que condená-lo é entrar numa lógica belicista

 

Sou pela paz. Totalmente.

A título pessoal o que posso dizer é que nunca peguei numa arma e que sou defensora acérrima da paz e, portanto, acerrimamente contra a guerra. Temos uma caçadeira herdada do meu sogro que quero sempre muito longe de todos e na qual nunca peguei. O meu filho, já crescido, gostava de praticar tiro às latas e às garrafas e eu odiava essa brincadeira. 

Nesta casa, algum tempo decorrido de cá vivermos, ligou-me a antiga proprietária: tinha-se esquecido cá de uma pistola. Fiquei perplexa. Toda a gente circulava por toda a casa e ninguém a tinha descoberto. Disse-me onde estava e... lá estava mesmo. Era pequenina, mais pequena que a palma da mão, uma arma até bastante bonita. A casa tinha estado entregue a uma equipa de pintores durante dias. Podiam circular e mexer onde quisessem. Felizmente ninguém a tinha levado e felizmente estava no lugar onde a tinham deixado. 

Quando cá veio buscá-la, a anterior proprietária andava com ela na mão, no seu estojinho elegante, enquanto conversava comigo e enquanto eu lhe mostrava as minhas decorações. Não sei quanto tempo mas provavelmente mais de uma hora de conversa, ela de pistola na mão.

Não sei se, nessa altura, tivesse entrado um ladrão que nos ameaçasse, ela empunharia a pistola. A mim não me imagino de pistola em riste, disposta a atirar. 

Mas sei lá, as circunstâncias moldam os nossos comportamentos.

Mas imaginemos que estou aqui em casa com filhos, netos, com a minha mãe, e que entram uns bandidos tresloucados, psicopatas assassinos, conhecidos por destruírem tudo à sua passagem e matarem a sangue frio sem dó nem compaixão. Aí que faria eu, eu que sou da paz? Entregar-me-ia e entregaria os meus para que nos torturassem, violassem e matassem à vontade? 

Ou empunharia uma arma e tentaria defender-me e, sobretudo, defender os meus? 

Creio não ter dúvidas.

Mais: se eu soubesse antes que vinha aí um bando de assassinos para nos roubar e destruir a casa e matar-nos a nós, não apenas pediria protecção como imploraria que me dessem meios para nos podermos defender.

É o que se passa com a Ucrânia.

Como pode alguém, nomeadamente as pessoas que ainda partilham as opiniões do PCP, dizer que defende a paz e, em simultâneo, não condenar Putin? 

E como podem não concordar que, não podendo a Nato defender os ucranianos, mais não se pode fazer do que fornecer-lhes armas para se defenderem?

Claro que também devemos ajudá-los de mil outras maneiras (com medicamentos, com alimentos, com meios para poderem fugir, com equipamento médico, geradores, com mediação política, com apelos à negociação, etc). Mas como não lhes dar armas para tentarem defender-se dos assassinos que estão a destruir o seu país, as suas casas, as suas famílias?

Que hipocrisia ou cegueira é esta dos apoiantes do PCP para continuarem a pôr-se ao lado de um regime corrupto, oligárquico, tirano, assassino?

Como podem não se pôr ao lado de um país que quer ser livre e democrático?

Juro que não compreendo.

E não vale a pena virem dizer que na Ucrânia há fascistas. O que sei é que a extrema-direita teve menos de 2% nas eleições. Mas, mesmo que haja fascistas, isso justifica que venha um outro país arrasar a Ucrânia para dar cabo desses fascistas? Em Portugal também os temos. Vamos aceitar que a Rússia nos invada para os eliminar? 

Por exemplo, o Seixal, um dos últimos bastiões comunistas, teve uma percentagem considerável de votos do Chega. Imagine-se que a Rússia resolvia bombardear, esmagar casas e gentes, ocupar o Seixal com o pretexto de dar cabo dos apoiantes do Chega. Faria isso algum sentido? Aceitaríamos isso? Ou, em nome da paz, aceitaríamos ceder o Seixal à Rússia? 

Que cegueira é esta das pessoas que inventam mil pretextos para não condenar inequivocamente Putin?

Só há duas alternativas para voltar a haver paz na Ucrânia: ou a Rússia se retira voluntariamente ou é travada pela Ucrânia -- ou os próprios russos ou o mundo.

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Mulheres indefesas que só querem a paz

Liubov Khomenko reacts as she walks through her destroyed house in the village of Andriivka, in the Kyiv region, Ukraine, April 7, 2022. 
REUTERS/Marko Djurica

Mariya, 77, whose daughter and son-in-law died under the rubble of a building destroyed by Russian shelling, cries in Borodyanka, in Kyiv region, Ukraine April 8, 2022. 
REUTERS/Gleb Garanich

Zinaida Makishaiva, 82, reacts as she recounts how Russian soldiers treated her in Borodyanka, Kyiv region, Ukraine April 11, 2022. Zinaida said "They came to my house and said go to the basement, "bitch".  She put a sign on her house reading "there are people here" Soldiers started to shoot around her to scare her. "God saved my life". 
REUTERS/Zohra Bensemra


Natalia Titova, 62, walks as she shows her house, which was destroyed by Russian shelling, amid Russia's Invasion of Ukraine in Chernihiv, Ukraine April 9, 2022. Natalia and her family were staying in the basement, "When the rocket hit our house, we ran into the street, it was very scary" she said. 
REUTERS/Zohra Bensemra

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Histórias de violência sexual contra mulheres ucranianas por parte dos militares russos - BBC News


As more Russian troops head to eastern Ukraine, horrors are being uncovered, in the villages and towns close to the capital, Kyiv.

The Ukrainian authorities have said they're investigating cases of women being raped by Russian forces during their occupation of parts of the country.  

They're documenting the alleged crimes, which are among hundreds of cases of atrocities against civilians.
  
The Kremlin denies that its troops have committed such offences.  

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Violar, torturar, assassinar. 

Até a estátua do poeta Shevchenko apresenta as marcas de uma bala na testa

Teen sisters 'raped' as horrors from Ukrainian town cut off for 35 days emerge | ITV News

Ukrainian army engineers had built a pontoon bridge reconnecting this small town with the outside world. The relief of those who’d endured 35 days of Russian occupation was obvious - but it’s only when you hear what they’d gone through that you can understand.

Maryna is the deputy Mayor here - and has heard grim accounts of how Russian soldiers treated women in the area.

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É possível não condenar Putin?

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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível

Saúde. Esperança. Paz.

segunda-feira, abril 11, 2022

E é só preciso criar a dúvida

 

Todos ficámos chocados com as imagens de Bucha. Que significado tem este momento nesta guerra? Pode ter sido um momento decisivo?

Pode e é decisiva. Bucha só veio confirmar aquilo que era expectável num conflito deste tipo. Era uma questão de tempo para quem conhece a natureza de base do exército russo, o estado moral, a desorganização e a corrupção que existe e até a forma como algumas das unidades foram enviadas para a frente, não podíamos esperar outra coisa.

Não sei se estaríamos à espera que acontecesse precisamente em Bucha, mas era uma tragédia à espera de acontecer e que não ficará certamente por aqui.

Pode alterar a estratégia russa?

Acho que a Rússia vai ser mais cautelosa. Tomaram logo medidas de contrainformação no sentido de lançar confusão para criar a dúvida sobre a autoria do massacre.

E é só preciso criar a dúvida. Mas não me parece que funcione. Ou só funcionará junto das pessoas que, ou são caixas de ressonância da mensagem russa, ou querem ser, ou têm uma visão paralela que pode conduzir a uma aparente neutralidade.

Sabem que em tempos de guerra para reunir uma comissão de investigação independente para ir lá é complicado.

É óbvio que não foram os ucranianos a matar 400 ucranianos. Não passa pela cabeça de ninguém. Só mesmo alguém que esteja perturbado.

O que interessa à Rússia, ao lançar esta dúvida, é evitar um agravamento das sanções e que as caixas de ressonância da mensagem russa continuem ativas.

Europeus e americanos não perceberam que este regime russo é como um cancro. É um cancro que devora tudo aquilo que não se assemelha a ele e que tem de crescer, porque se não crescer estagna e morre. Não tem mais que enganar.

E como é que se estanca esse cancro?

Infelizmente, e sendo absolutamente cínico, estanca-se com a resistência da Ucrânia, com as mortes ucranianas. Estanca-se com o drama que está a ser vivido pelo povo ucraniano que está a lutar também por nós, o trabalho pela Europa.

Se não fosse o povo ucraniano e a resistência das Forças Armadas ucranianas, que ninguém tenha a mínima dúvida que o tempo que mediou 2008, da Geórgia até 2014 na Crimeia e daqui até 2022, passaria a ser mais curto - e atingiria a Geórgia novamente, o resto da Ucrânia, a Arménia e depois os países, que na alucinação geo-estratégica de Putin, são considerados seu espaço de influência.

As pessoas tendem a esquecer-se rapidamente, mas o que o presidente Putin fez, não tem defesa possível: intimidar a Suécia, a Finlândia, países que nunca fizeram nada e ele não hesitou em passar aviões com armas nucleares pelo espaço aéreo da Suécia, um autêntico bully.

Aquilo que me espanta é algumas pessoas que defendem a posição russa serem quase como alguém que defende o agressor sexual. A culpa é da mulher porque anda com uma roupa provocante.

Só que esta provocação - sendo discutível se a Ucrânia provocou ou não - é o exercício da liberdade.

É um país independente com vontade própria que conhece melhor do que ninguém o que se pode esperar do regime russo. Sei que há países mais fortes do que outros, mas não posso admitir uma ordem internacional que continue a assentar na força.

É por isso que lutamos pela democracia, pela liberdade das pessoas e dos povos. O que o presidente Putin quer é que se privilegie a força.

Admira-me como pessoas de países democráticos, sobretudo os mais pequenos, estejam a defender que o regime russo terá alguma razão porque estaria a ser provocado.

 

[Excerto da interessante entrevista ao Diário de Notícias de Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e antigo chefe da "Casa da Rússia", a unidade de contraespionagem para os países da ex-URSS]

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Algumas imagens do The Guardian

Chervonohrad, Ukraine
Myroslava Mamchuk holds a picture of her godson, Ukrainian soldier Dmitry Zhelisko, during his funeral at the Church of St Volodymyr in Chervonohrad. Zhelisko died fighting the Russian army near the town of Kharkiv.
Photograph: Joe Raedle/Getty Images
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Bucha, Ukraine
A man, who said that Russian soldiers broke his arm, stands outside his house in Bucha. Russia stands accused of ‘terrible’ war crimes, as western leaders condemned the killings of unarmed civilians in Bucha and the surrounding areas of Kyiv in alleged atrocities that prompted fresh demands for tougher action against Moscow.
Photograph: Alkis Konstantinidis/Reuters
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Bucha, Ukraine
Tanya Nedashkivs’ka mourns the death of her husband, killed in Bucha.
Photograph: Rodrigo Abd/AP

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domingo, abril 10, 2022

Se deixares de ter medo, tornas-te um perdedor. O medo é um dom de um deus. Temos que saber como usá-lo. Ele motiva-nos incrivelmente, torna-nos mais rápidos, mais espertos, melhores.

 

Quando vejo testemunhos de ucranianos -- sejam os que perderam entes queridos, sejam os que viram amigos ou familiares a serem torturados e assassinados a sangue frio pelos soldados russos e que depois os viram a começar a ser comidos pelos cães, sejam os que têm familiares mortos dentro de casa e não têm como retirá-los dali e enterrá-los, sejam os que se aguentam em casa enquanto soam as sirenes e à volta tudo arde, sejam os que pegam nos filhos pequenos e vão, com quase nada, para o desconhecido, sejam os idosos que querem é morrer em paz -- não apenas fico com lágrimas nos olhos e com o coração apertado como me espanto. 

Que coragem têm... Como conseguem força para tamanha capacidade de resistência?

Ao ver a entrevista aos irmãos Klitschko feita já há 18 anos, penso que percebi um pouco melhor a coragem ucraniana. 

A par do amor que têm à liberdade e ao seu país, têm medo de vir a ficar sob o jugo putinista e, certamente, medo do que a guerra está a fazer às suas casas, às suas famílias, às suas vidas. E o medo move-os. Motiva-os. Torna-os mais ágeis, mais argutos, mais fortes.

Vitali Klitschko, agora Presidente da Câmara de Kyiv, tem 50 anos, mede, 2,01m, 3 filhos e, quando praticava box, era conhecido por Dr. Ironfist (Dr. Punho de Ferro)

Wladimir Klitschko tem 46 anos, mede 1,98m, tem 1 filho e, quando praticava box, era conhecido por Dr. Steelhammer (Dr. Martelo de Aço)

The Klitschko Brothers: The 2004 60 Minutes Interview

Former world heavyweight champions Vitali and Wladimir Klitschko have taken up arms against the Russian invasion of their native Ukraine, where Vitali is the mayor of Kyiv. In 2004, while still fighting in the squared circle, the brothers spoke with Dan Rather about their lives.

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Os cães estavam a começar a comê-los

 


“Tivemos que implorar aos russos que nos deixassem enterrá-los. Eles disseram que ainda estava frio, pelo que não importava, poderiam lá continuar no chão. Mas os cães estavam a começar a comê-los. Finalmente, convencemo-los de que era uma questão sanitária e lá nos deixaram cavar a sepultura na igreja do Apóstolo André já que era perto do local em que estavam, da morgue e do hospital”.

in "With bloodied gloves, forensic teams uncover gruesome secrets of Bucha in Ukraine" de Bethan McKernan, no The Guardian

Sobre a fotografia, transcrevo a legenda: Natalia Lukyanenko observa as autoridades escavarem uma vala comum nos terrenos da Igreja de André, o Santo Apóstolo, em Bucha. Fotografia: Anastasia Taylor-Lind/The Observer

sábado, abril 09, 2022

Comprar livros a eito, aos 400 de uma vez, para decorar estantes

 

Uma casa sem livros é uma casa sem vida. Escusaria de dizer mas, ainda assim, digo: com isto, refiro-me, claro, a quem tem a sorte de ter casa e a quem tem a sorte de poder ter livros.

Quando estou numa casa, mesmo que involuntariamente, reparo nos livros, na quantidade e no género de livros. Uma pessoa que lê, transporta, em si, muitos mundos e os livros que escolhe falam alto sobre si.

Claro que se a pessoa mal tem dinheiro para pagar a casa, a roupa dos filhos e a comida para pôr na mesa, o mais natural é que não tenha disponibilidade para comprar muitos livros. Mas se a pessoa tem dinheiro para ricas casas, grandes carros, brutas férias e altas comezainas, se quase não tem livros em casa é porque, simplesmente, não gosta de ler. Nada contra, é o que é.

Agora o que nunca me tinha ocorrido é que a alguém passasse pela cabeça comprar de atacado 400 livros apenas para parecer bem numa sessão fotográfica. Mas passa. E ao ler sobre a insólita situação dico a saber que não é caso inédito. 

A quem tenha curiosidade, aconselho a ler:

Shelf-promotion: the art of furnishing rooms with books you haven’t read

Ashley Tisdale admitted she’d bought all her books for a photoshoot – and as Adele and Gwyneth Paltrow will attest, her hankering for a brainy backdrop is anything but novel

(...) “These bookshelves, I have to be honest, actually did not have books in [them] a couple of days ago,” Tisdale said. “I had my husband go to a bookstore, like, ‘You need to get 400 books.’” (Her husband’s alternative plan, of “collecting books over time, and putting them in the shelves”, Tisdale promptly dismissed.)

(...) According to MailOnline, Adele spent more than £1,000 in a spree at Daunt Books before the pandemic, “pulling books off the shelves without even looking at the spines or reading the blurbs”.

At least Adele bought them herself, points out Miles de Lange, an interior designer at Potterton Books, a specialist book supplier. He says interior designers are often charged with supplying books for clients. “They are props, just like you buy a little objet.”

(...) If you do have the budget to splash around on books you won’t read, there are dedicated bookshelf curators such as Thatcher Wine, whom Gwyneth Paltrow hired on finding herself some 600 books short after a home renovation.

Gwyneth Paltrow’s home library in L.A., curated by Thatcher Wine.
COURTESY JUNIPER BOOKS

Inside Ashley Tisdale's Self-Designed Family Home | Open Door | Architectural Digest

Today Architectural Digest is welcomed to Los Angeles by Ashley Tisdale for an inside look at the stunning new home she designed for her family. Tisdale and her composer husband Christopher French moved into their current home when she was around seven months pregnant, at which point the High School Musical alum dove headfirst into decorating. The talented Tisdale was well prepared for the undertaking, considering she launched her design passion project, Frenshe Interiors, last year. “I went with the mentality of falling in love with every piece,” she says. “I fully love this house. I love every piece of everything I’ve done here, and I’m really proud of myself.”


Mas a casa é bonita, lá isso é.

sexta-feira, abril 08, 2022

Estar do lado errado da História -- o que não é forçosamente o mesmo que ser gauche na vida*




Por motivos que mal compreendo, o facto de me sentir indignada com a invasão da Ucrânia por parte da Rússia e chocada e revoltada com a barbárie a que temos assistido, uma destruição e uma chacina impensáveis, tem desencadeado em algumas pessoas que por aqui me lêem reacções verdadeiramente violentas contra mim. Alguns comentários (que não publico) são abjectos, ordinários, violentos e, alguns, ameaçadores. Isto foi exponenciado pelo que escrevi ontem, espantada e incomodada que tenho andado com as reacções do PCP que, envolvendo as suas opiniões em algodão doce, na prática está ao lado de um psicopata assassino, autocrata e cabecilha de um regime de oligarcas, de seu nome Putin. Publiquei dois desses comentários mas não publiquei todos, alguns porque são excessivos e violentos e outros por não usarem linguagem compaginável com este blog.


Contudo, como bem devem saber, sou osso duro de roer. Por isso, de novo aqui o digo e repito: há qualquer coisa de triste na forma como os comunistas portugueses ficarão para a história, colados a um déspota, a um psicopata, a um assassino que ousou invadir um país, que ousou tentar a sua destruição, que violou todas as regras do direito internacional, que é responsável por toda a espécie de crimes de guerra em larga escala. 

Poderia acrescentar aqui o lado caricatural de tudo isto: a tareia que uma superpotência como a Rússia está a levar da Ucrânia que, apesar de ferida na carne e na alma, está a resistir e a obrigar a Rússia a bater em retirada de Kyiv e de muitos outras cidades e a sofrer pesadas perdas. Mas isso, neste momento, não é para aqui chamado, isso poderá esperar para quando ficar claro que, se a Ucrânia está arrasada, a Rússia não o ficará menos. E Putin será responsabilizado por isso. Portanto, o PCP ficará colado a um bandido assassino que ficará para a história como um segundo Hitler, um desgraçado que destruiu tudo em que tocou antes de acabar ingloriamente derrotado.

Entretanto, a par dos putinistas, dos comunistas, aparem também os negacionistas. Sempre que há qualquer tema mais relevante, cá aparecem eles. São os que se acham mais inteligentes, vendo o que todos os outros não vêem. São os que negam a existência da covid, os que sabem sempre o que o resto do mundo não sabe, são os sabem, de fonte segura, que a terra é plana. 


Psicologicamente deve haver explicação para isto: o que leva a que, perante todas as evidências, imagens, testemunhos, validação de informação por fontes isentas e diversas, algumas pessoas se agarrem a narrativas ficcionadas, inverosímeis, ridículas?

Aquando dos picos covid, fomos sabendo de negacionistas que, às portas da morte, se arrependiam das suas campanhas anti-vacinas, pedindo desculpa pelo absurdo do seu comportamento. 

Não sei se alguns dos que por aí andam, defendendo Putin* e atacando a Ucrânia ou lançando suspeições ou insultos virão a público reconhecer que se enganaram e pedir desculpa. Se calhar não. Se não conseguiram, até agora, reconhecer o assassino que foi Estaline e o rasto de pavor que espalhou, como irão agora ter a humildade de reconhecer que, uma vez mais, se puseram do lado errado da história ao apoiarem Putin?

[* E não vale a pena dizer que não estão a apoiar Putin. Estão. Ao não serem capazes de condenar inequivocamente Putin, estão a pôr-se do seu lado. )


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De novo, partilho alguns vídeos de quem, no terreno, testemunha o horror e a evidência do que têm sido as práticas das tropas russas. A crueldade humana pode ser excessiva. Em tempos de guerra, mesmo os inocentes perdem a inocência. Parece haver provas de que a violência não terá sido apenas fruto do álcool, do stress causado pelo medo misturado com a adrenalina, mas de algo premeditado para intimidar e fazer vergar a resistência ucraniana. Seja como for, é uma tragédia ilimitada.

Ukrainians say Russian soldiers used them as human shields - BBC News

Clear evidence of Russian troops rounding up Ukrainian civilians and using them as human shields has been found by the BBC.

In multiple interviews, villagers from Obukhovychi, north of Kyiv, have said they were taken from their homes at gunpoint and held in a school gym by Russians trying to stop advancing Ukrainian forces.

Local people also gave accounts of Russian troops shooting civilians and holding others captive in and around neighbouring town Ivankiv.

The BBC’s Jeremy Bowen reports from Ivankiv.

Ukrainian girl vlogs siege of Mariupol: 'My nerves collapsed'

When the Russian invasion reached Mariupol in Ukraine at the end of February, Alena Zagreba, 15, went from filming vlogs with her friends to chronicling the destruction of her home city. While most people hid in bunkers and cellars, Alena and her parents stayed above ground, and her videos are a rare insight into the intense attacks by Russian forces. Alena melted snow for water while her parents cooked on makeshift fire pits outside. The family survived by moving from house to house as shelling made their home and other shelters uninhabitable. Alena said at one point in the diary that her nerves had been 'destroyed' by the constant bombardment. After fleeing to the Ukrainian-controlled city of Zaporizhzhia, Alena and her mother moved to Luxembourg, where the teenager has resumed school – while her father is still in Ukraine as men aged 18-60 have been ordered by the government to remain in the country

The Horrors Russia Left Behind | Russia-Ukraine War

After weeks of heavy fighting in Kyiv’s suburbs, residents who had been in hiding returned to the streets to find damage and carnage — land mines, bullet holes and corpses.

On April 4 and 5, video journalists from The New York Times entered the towns of Bucha, Borodianka and Hostomel to talk with witnesses and document the aftermath of the Russian occupation.
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Ao mesmo tempo, há qualquer coisa de rudimentar e de incompreensivelmente impreparado na forma como toda esta operação militar russa se tem desenrolado. Numa perspectiva muito diferente, o que abaixo se vê é também de bradar aos céus. Os soldados russos que ocuparam a central nuclear de Chernobyl andaram a cavar trincheiras em solo radioactivo, andaram por ali como se nada fosse. Devem estar carregados de radioactividade. E o que parece é que com a mesma leviandade com que ocuparam a central, também se expuseram, eles próprios, ao risco como se totalmente ignorantes estivessem do que ali se passava.

E tão estupidamente a ocuparam como desocuparam. Não se percebe qual o planeamento e a lógica de muito do que se passa, parecendo evidenciar que não há liderança nas hostes russas, apenas desvario.

Ukraine officials survey Russian dug trenches in Chernobyl exclusion zone's radioactivity levels

'It’s already squeaking showing excess' says a Ukrainian official surveying the trenches dug by Russian forces in the Red Forest exclusion zone surrounding the Chernobyl nuclear plant.

The footage shows members of the State Agency of Ukraine for Exclusion Zone Management walking through former tank positions and trenches.

At one point one of the men can be seen measuring the radioactivity of the area. “It’s already squeaking showing excess,” he’s quoted as saying.

The International Atomic Energy Agency was investigating reports that forces had been impacted by radiation poisoning, but said on March 31 it was unable to confirm and was seeking further information.

The footage was released by Ukrainian Witness on Thursday. Russian troops took control of the plant on February 24 and withdrew weeks later on March 31.

Vladimir Putin’s troops occupied site of the world’s worst nuclear disaster, after they captured it in the early days of their Ukraine invasion.

Dozens of Russian soldiers are said to have been struck down with acute radiation sickness and were taken in seven busses back across the border in nearby Belarus.

The site of the 1986 nuclear tragedy in northern Ukraine was captured in the opening days of the war, sparking fears of a major radioactive disaster as a result of heavy fighting around the plant.

Russian troops dug trenches in the highly toxic Red Forest zone, just a few miles west of the plant, but have now retreated as part of a pull-out from around the capital Kyiv.

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* a propósito de se ser gauche na vida:

Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade) por Paulo Autran


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As fotografias foram feitas aqui em casa e transbordam de primavera 
e vêm ao som de Music for Peace in the Ukraine 🇺🇦 Schindler’s List com Edmond Fokker no violino

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Esperança. Paz.