Noutros tempos talvez eu falasse da composição do novo governo ou do meu agrado por ver mais mulheres que homens, por ver nomes de grande competência, por ver nomes que surpreendem. Mas estes são tempos estranhos e, por isso, digo apenas que acredito que vai correr bem. Apenas uma reserva: não sou grande simpatizante de Fernando Medina; mas as razões para isso talvez sejam de somenos face ao que se lhe exige. Tirando isso, há lá grandes nomes, a começar pela Mariana Vieira da Silva e a acabar em Elvira Fortunado. Portanto, boa sorte à nova equipa e bora lá para a frente, bora lá a tornar Portugal ainda melhor.
De resto, tenho a dizer que hoje estive a conversar com um jovem muito ligado à igreja e, familiarmente, com proximidade a um membro de um governo africano com ligações à Rússia.
Bodies are buried in a mass grave on the outskirts of Mariupol, Ukraine. Photograph: Evgeniy Maloletka/AP
Nunca tinha falado com ele sobre política. É um jovem com trinta e poucos que gosta de música, que pratica desporto e muito activo na igreja, trabalhando com grupos de outros jovens. Pois bem: ao conversarmos sobre o que está a passar-se na Ucrânia, não consegui ouvir-lhe uma palavra de condenação em relação a Putin, uma única. De cada vez que eu mostrava a minha revolta pela chacina, ele vinha com a conversa típica dos que, acima do repúdio pelo assassínio em massa que os russos estão a levar a cabo, têm uma grande aversão à Nato. E, se queremos saber de que acusam a Nato, não sabem exactamente e enrolam-se em conversas abstractas e acusações pretéritas -- dizendo qualquer coisa que desvie a atenção da destruição feroz que Putin está a levar a cabo. Fiquei muito admirada. Conclui que os vínculos familiares e as afinidades com governantes de um país apoiante da Rússia estavam a falar mais alto mas fiquei chocada pois parece que isso era mais relevante do que a sua ligação à Igreja. Julgava eu que alguém tão ligado à prática religiosa ficaria chocado, esmagado, revoltado com tanto sofrimento. Mas não. Nem uma palavra sobre isso.
Fiquei perturbada com a conversa. Parece que ainda não estou refeita.
Agora, enquanto escrevo, estou a ver na RTP 3 uma interessante entrevista do Vítor Gonçalves ao Vítor Cotovio, psiquiatra. Mesmo muito interessante. A quem não viu, recomendo que, se possível, a veja. Caracteriza muito bem quer Putin quer Zelenskyy.
Entretanto, estive a ver os vídeos das últimas 24 horas. E, como sempre, a Amanpour, essa mulher de armas. Directa, sem dar abébias, sem meias palavras, atenta ao que os outros dizem, sempre com a observação ou a pergunta certa. Uma profissional de mão cheia.
No vídeo abaixo, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, cuja filha se demarcou publicamente da guerra, repete a propaganda putinesca. Mas, apesar de manter afivelado aquele sorriso meio apalermado que o caracteriza e se limitar a papaguear uma conversa que pode colher dentro de uma Rússia informativamente às escuras mas que, no mundo normal, é incompreensível e absurda, tenho para mim que estava francamente atrapalhado e envergonhado. Christiane Amanpour não o poupou mas o palerma também não desarmou. É gente presa pela barriga, habituaram-se ao luxo. Mas, não fora isso, e talvez Dmitry fosse o próximo Anatoly Chubais.
Partilho o vídeo pois não apenas é um documento interessante como me parece um exemplo a seguir pelos nossos jornalistas.
CNN's Christiane Amanpour presses Russian spokesman Dmitry Peskov on the Russian invasion and whether they are achieving their objectives in Ukraine
CNN military analyst: 'This is just war criminality'
CNN Pentagon correspondent Barbara Starr reports the US government is currently assembling evidence to potentially present a war crimes case in an international court. CNN military analyst Maj. Gen. James "Spider" Marks (Ret.) breaks down the current strategy of the Russian armed forces, arguing it can only be described as "war criminality."












