segunda-feira, outubro 27, 2014

O Poeta e o Alentejano (O humor que os Leitores me enviam - Parte 1, com Alberto Caeiro, Samuel Palmer, Van Gogh e Don McLean à mistura )




Em noite de feroz inspiração, o poeta foi passear pelo campo e, topando com um alentejano que contemplava o luar, disse-lhe:

- És um amante do belo! Acaso já viste também os róseos-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno?

- Ultimamente, não!... respondeu o alentejano pasmado. Há mais de um ano que não me meto nos copos...!

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Já agora, e agradecendo ao Leitor que me enviou a graça acima, deixem que junte um poema, uma outra pintura, e, já agora uma canção.


O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.


[O Luar de Alberto Caeiro in 'O Guardador de Rebanhos']


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A primeira pintura é A Cornfield by Moonlight with the Evening Star de Samuel Palmer, 1805-1881

A segunda pintura é Starry Night de Vincent van Gogh, 1853-1890


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Vincent (Starry Starry Night) por Don McLean


[A slideshow of Vincent Van Gogh's work set to the song "Vincent" by Don McLean. It's part of an art and creative writing lesson plan for the patients at Mississippi State Hospital at Whitfield. Compiled by artist Anthony DiFatta, who also suffers from mental illness and teaches art to other adults with mental illness. ]

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domingo, outubro 26, 2014

Picasso e algumas das suas mulheres-musas: Fernande, Olga, Marie Thérèse, Dora Maar, Françoise Gilot, Jacqueline


Depois de ter falado do Láparo Dominatrix a açoitar desapiedadamente os jornalistas e comentadores que não acham que ele seja o salvador da Pátria e de ter mostrado uma maviosa balada entoada por Carlos Mendes e dedicada a essa lusa sumidade que dá pelo nome de C-Rato, aqui, agora, mudo de registo. Cenas de bondage político (ou de qualquer outra espécie) não são a minha praia (embora aquele número musical de Carlos Mendes me tenha tocado).


Se estiverem de acordo, vamos com música.

Picasso e a Dança. Parade, 1917




Diaghilev's "Ballets Russes" - Ballet "Parade" - 1917

Cenários e Figurinos - Pablo Picasso; Música - Erik Satie; Cenário - Jean Cocteau
Coreografia - Leonide Massine




Este sábado, 25 de Outubro, fez uma data de anos que Picasso nasceu. Picasso é um dos meus pintores de eleição e muitas vezes já aqui esteve, de visita ao Um Jeito Manso, tal como vive in heaven, na intimidade da minha casa e, no campo, rodeado de verde e de luz.


Transcrevo:

Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor espanhol, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo que passou a maior parte da sua vida adulta na França.


Feérico, jovem, exultante, solar, imperfeito, apaixonado, descarado, imenso, Picasso produzia freneticamente, copiava os outros, reinventava os outros, retratava os seus amores, transformava-os, tornava-os intemporais e eternos. As mulheres deixavam-se seduzir pelo seu olhar vibrante, pelo seu corpo impudico e ele amava as mulheres. Desejava-as, amava-as, deixava-se vencer por elas, vencia-as, fazia-as sofrer, sofria por fazê-las sofrer, mas seguia em frente, a vida sempre gloriosa demais para ser vencida pelas lágrimas do desamor.


Com pequenas legendas a partir do que se lê na Wikipedia a propósito de cada uma, mostro algumas das suas musas.



Fernande Olivier (de nome original Amélie Lang; 1881–1966)  era uma artista francesa e modelo, mais conhecida por ser modelo e amante de Pablo Picasso,que pintou cerca de 60 retratos dela.

Viveram juntos sete anos, sete anos de uma paixão pontuada pelos ciúmes, pelas brigas. Ambos temperamentais e apaixonados, jovens e desacomodados, separaram-se sem que Picasso olhasse para trás.















A ucraniana Olga Khokhlova (1891 – 1955) era uma bailarina russa mas mais conhecida por ser a primeira mulher (oficial) de Pablo Picasso e mãe do seu filho Paulo.

Olga, justamente, era bailarina no ballet Parade que acima mostro, cujos figurinos e cenários estavam a cargo do seu futuro marido.



Marie-Thérèse Walter (1909 – 1977) foi a amante francesa e modelo de Pablo Picasso de 1927 até 1935, e foi a mãe da sua filha, Maya Widmaier-Picasso. O seu relacionamento começou quando ela tinha dezassete e ele 45 anos e ainda vivendo com a sua mulher, Olga.

Acabou quando Picasso se entregou à sua próxima amante, Dora Maar.




Henriette Theodora Markovitch (Tours, França, 22 de novembro de 1907 - Paris, 16 de julho de 1997), mais conhecida pelo pseudónimo Dora Maar, foi uma fotógrafa, poeta e pintora francesa descendente de croatas. Foi a quarta das sete mulheres de Pablo Picasso.

A sua relação com o pintor catalão durou aproximadamente nove anos.



Françoise Gilot (Novembro, 1921) é uma pintora francesa e reputada best-seller. Também é conhecida por ser amante a musa de Pablo Picasso entre 1944 to 1953, e a mãe de Claude Picasso ePaloma Picasso. Gilot foi mais do que a amante de Picasso: era mãe, organizadora, musa, companheira de conversas, anfitriã, artista e crítica de arte.

Gilot tinha 21 anos quando conheceu Pablo Picasso, que tinha então 61.  Dora Maar ficou devastada quando isto aconteceu. Françoise e Pablo estiveram juntos durante 10 anos.

Desde 2002, Gilot vive entre New York e Paris, trabalhando para o Salk Institute na California, e continua a exibir o seu trabalho internacionalmente. Teve uma exposição em 2012 na Gagosian Gallery em New York City e na Vincent Mann Gallery em 2011 em New Orleans.



A francesa Jacqueline Roque (1927 – 1986) foi a segunda mulher (oficial) e musa de Picasso. O casamento durou 11 anos até à morte de Picasso.

Durante esse período ele fez para cima de 400 retratos dela, muito mais do que fez de qualquer outra das suas paixões.

Ciumenta, possessiva, impediu os filhos dele, Claude e Paloma, de irem ao enterro do pai. Não suportou a ausência de Picasso e, devastada pela solidão, suicidou-se aos 59 anos.







Tentei também incluir aqui um vídeo raro com Picasso mas a incorporação não é permitida. Por isso, sugiro que cliquem aqui para o verem directamente no YouTube, é muito interessante.

É um encontro com Pablo Picasso em 1966  (transcrevo: Rare interview télévisée de Pablo PICASSO suivie d'un reportage à Mougins au lieu-dit "Notre-Dame-de vie" dans la maison de Pablo PICASSO et de sa femme Jacqueline.Images intimes de PICASSO fumant dans un fauteuil, de Jacqueline dans l'atelier de l'artiste où sont accrochés de très nombreux tableaux, de PICASSO discutant avec le peintre Edouard PIGNON, de PICASSO prenant la main de Jacqueline, de PICASSO dans un atelier avec PIGNON et Jacqueline, arrangeant la disposition des peintures.)


O Museu Picasso reabriu este sábado ao público depois de ter estado fechado durante 5 anos em obras e eu estou desejando lá ir. Mas, enquanto não vou, aqui está um vídeo onde se mostra a preparação para a abertura e uma breve visita, explicada pelo seu presidente, Laurent le Bon.





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Depois de Picasso é até heresia pronunciar o nome do láparo que nos desgoverna. Por isso não o vou fazer. Vou apenas alertar que o que se descreve no post já a seguir é assim como que uma cena de punição. O protagonista é o dito láparo e as vítimas são os jornalistas e comentadores que não lhe agradam. Junto um filme sado-masoch para ilustrar a cena e para que estejamos preparados para o que se vai passar numa próxima ida ao parlamento pois, cá para mim, as próximas vítimas serão os deputados, a começar na Heloísa ou na Catarina. Sempre que elas o provocam, vê-se naquela cara raivosa dele que só lhe apetece açoitá-las e, cá para mim, já esteve mais longe de o fazer.

No fim desse post juntei, a posteriori, um vídeo com Carlos Mendes, a gozar que nem um perdido com o Crato e com quem lá o mantém e com a Bela Adormecida de Belém. Até versejei.

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A ver se este domingo tenho ocasião para vos mostrar os belos cogumelos que pululam in heaven, uma coisa do além. Era para o ter feito agora (era mesmo Olinda!) mas alonguei-me com o Pablito e agora já mal me aguento acordada. 


Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.



Passos Coelho acha que os jornalistas e comentadores são preguiçosos, marias vão com os outros, não estudam as matérias, dizem coisas patéticas e deviam pedir desculpa ao País. Ora bem, temos, portanto, Passos Coelho em versão Dominatrix. Ui. ///// E que dirá ele da versão de Carlos Mendes sobre "O Crato"?... Será que vai também exigir ao Carlos Mendes que peça desculpa ao País...? Ui... que o Carlos Mendes já deve estar aflitinho da vida.




Vinha eu no carro e, às horas certas, pusemos o rádio na TSF. Pois não é que lá estava Passos Coelho, voz empolgada, a perorar contra os mandriões que invadem a comunicação social a dizer que a sua governação tem sido um fracasso? Que nada, tudo melhor, a dívida um miminho, o desemprego ainda melhor, o PIB ora, ora, de vento em popa, a confiança dos empresários também do melhor, a situação do ensino, da justiça e de tudo o resto boa, boazona como nunca antes... e esses calões a papaguearem a conversa uns dos outros. Patético. Deviam ter a humildade de pedir desculpa.


Transcrevo uma parte do que o Público descreve:

O momento mais inflamado do discurso – que encerrou as jornadas parlamentares da maioria PSD/CDS – aconteceu quando o primeiro-ministro atacou comentadores, depois de se ter referido a jornalistas também. “Todos os comentadores e jornalistas podem olhar para os números e saber o que eles dizem”, afirmou, para logo lamentar: “Pena que para neste exercício de coerência muitos sejam preguiçosos e às vezes orgulhosos. Têm-se dito no debate público inverdades como punhos”.

(...)

“Chega a ser patético verificar a dificuldade de gente que se diz independente tem de assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou, não comparou, que não se interessou, a não ser em causar uma boa impressão de dizer ‘Maria vai com as outras’, o que toda gente diz porque fica bem”, afirmou, arrancando uma forte salva de palmas.


Passos Coelho no seu melhor, portanto. 

Ora eu já estou como o Der Terrorist: também acho que grande parte dos jornalistas e comentadores são preguiçosos, papagueiam o que os funcionários e assessores dos gabinetes comunicação dos ministérios dizem. Mas não era a esses que ele se referia. Cá para mim referia-se, isso sim, a Manuela Ferreira Leite, a Pacheco Pereira, a Pedro Marques Lopes, ou a Nicolau Santos, a Pedro Santos Guerreiro e a todos quantos ousam desdizer o discurso oficial.

Já no Expresso tinha lido que a chefe dele, a Pinókia, se tinha apresentado no outro dia no Parlamento toda mandona, castigadora, dominadora, dando ralhetes aos deputados e tudo.

Depois das cenas de Perdoa-me que mandou o C-Rato e a Cruzes-Canhoto fazerem, eis o Láparo de volta ao seu número preferido: ele e a sua Mestra como um grupo de castigadores, cada um armado em dominatrix. Cuidado com eles.


Estão danadinhos para distribuirem tau-taus a torto e a direito. 

Ui....




E nada de serem piegas, senhores jornalistas e comentadores. Apanhem e mostrem que gostam.


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Recebi agora por mail um vídeo com Carlos Mendes a dedicar uma canção a Nuno Crato e a outras adjacências. Vou já divulgá-lo embora receie que o Láparo Dominatrix ainda um dia destes dê uma desanda no Carlos Mendes, umas chibatadas verbais, e o obrigue a ajoelhar e pedir perdão.


Por isso, en garde, Carlos Mendes.





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Volto de novo a este mail para lhe juntar o início do artigo de Nicolau Santos no Expresso online de segunda-feira a que ele deu o título de : O dr. Passos nunca errou. Só ele é que vai com o passo certo.




Ao dr. Passos não lhe bastam a cumplicidade entusiástica do dr. Marques Mendes, porta-voz oficioso do Governo. Ou o criticismo benevolente do Prof. Marcelo e do dr. Morais Sarmento. Ou os elogios firmes do dr. João Carlos Espada. Ou a cobertura científica dos professores João Cantigas Esteves e João Duque. Não. O dr. Passos é ambicioso. Queria mais.


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sábado, outubro 25, 2014

Blind eyes could blaze like meteors and be gay; Rage, rage against the dying of the light.


Agora já estou no campo. Cheguei cansada a casa, à cidade, quilómetros de autoestrada depois de dois dias de reunião, grande parte em inglês, com almoços, jantares, cocktails e coffee breacks sempre com conversas de trabalho. E na noite de quinta para sexta dormi mal. Não consegui ler, a luz era fraca. Ora, acostumada que estou a ir para a cama já a dormir, ali arranjei uma espertina que não vos digo nada. Quando cheguei, perdida de canseira, o meu marido achou que o melhor era jantarmos fora e assim fizemos e, de seguida, ala moço que se faz tarde, heaven com eles.

Pelo caminho vinha a tentar não adormecer, mas só a muito custo não me deixei tombar; depois estive a ver a telenovela da SIC, a D. Constância toda derretida com o neto escurinho ao qual mandou dar o nome de um filho que perdeu em pequeno. Bonita esta telenovela brasileira que se chama Lado a Lado.

Entretanto, agora, enquanto tento escrever, tenho isto na TVI, 4 brilhantes comentadores a falarem da Casa dos Segredos. A Fanny, tatuada e veterana, disserta sobre a estratégia do jogo dos outros, outro, bicha assumida e de quem agora não me lembro do nome, um com colete e lacinho ao pescoço, parece ser o intelectual do serviço mas na versão 'bicha intelectual da moda e dos big brothers', outra é a Carla Pinto, bonita e simpática, e a moderadora é aquela que também esteve no Big Brother e se casou com o Marco do pontapé, uma Marta que antes era morena e agora está loura.


Falam de coisas que não percebo, intrigas insignificantes, de um Odim, que me parece que é um de cabeça rapada que ali está com uma crista esquisita, de uma Daniela e de uma tal Agnes mas tudo o que ouço dizer parece desprovido de sentido. No meio do comentário, passam uns bocados da vida dentro da gaiola e as conversas são também de anedota.

Antes tinha espreitado a net e vi que o Carrilho e a Bárbara andam outra vez na capa das revistas a acusar-se mutuamente de violência, directamente ou por interpostas pessoas, um vómito. 


E eu penso que a vida em Portugal está a tender para a ópera bufa. Nem é miserável, é apenas ridícula, rábula barata.

E eu perdida de sono. Não sei de nada sobre o que falar pois tenho a cabeça vazia. Nem consigo ir à procura de nada pois não faço outra coisa senão bocejar enquanto tento não me deixar cair a dormir.

Ontem ao jantar, mesa quadrada para 12 pessoas à larga, uma de várias mesas da sala, perguntava-se a um colega inglês se conhecia escritores portugueses. Nem fui eu que puxei essa conversa, apanhei a conversa neste ponto. Nenhum. Não fazia ideia. Saramago?, perguntou um dos convivas. Nunca tinha ouvido falar, Sorry. Outra insistiu: ... Prémio Nobel? Zero. Camões, Pessoa? Nada.

Perguntei: E inglês? Não percebeu. Esclareci: E algum escritor inglês, conheces...? Atirou-se para trás na cadeira. Se eu estava a gozar com ele, e riu desconfiado. Insisti: Nomes. E ele insistiu também, Kidding me...? E eu, Names, please. Os outros calados. Pensei, conhecendo-o bon vivant, todo dado a ténis, golfe, futebol, viagens, que literatura era coisa que não lhe assistia. E ele sorrindo, como que a querer virar o jogo: De que época? Esperto, a ver se me apanhava. Qualquer. Nomes. E então, picado, desatou a dizer. Vários e dos bons. E sorriu olhando para mim e para os outros, querendo colher os louros. Os outros sorriram, ele tinha ganho um ponto e merecia a recompensa de um sorriso.

Lembrei-me, então, das minhas personagens femininas. Imitei-as: E um poema? E ele muito admirado: Um poema? Os outros calados, sorrindo, a ver onde ia parar a conversa. Confirmei: Sim. um poema. Um. Vá.

What? Queres que eu diga um poema?. Respondi, Sim. Um. Mas, entretanto, pensei, Se a mim alguém agora à mesa me pedisse para dizer um poema provavelmente não me lembrava de nenhum ou, mesmo que me lembrasse, não me estava a ver a recitar numa mesa cheia de colegas. Mas deixei-me de rebuços e insisti, Vá. Um poema, estamos à espera.

Então, como se é isso que queres, prepara-te porque vai ter, chegou a cadeira para trás, afastou o corpo mas com o braço esticado em diagonal e com a mão apoiada na mesa, pose de bardo, começou a dizer Dylan Thomas. 

Pensei, que não era possível, que aquilo não estava a acontecer. O alto e bronzeado inglês, todo dado a paródias e boa vida, ali estava declamando um inesperado poema.

Poderão vocês, meus Caros Leitores, achar que estou a divagar mas juro, é verdade.

A mesa em silêncio, estupefacta, e ele 

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,

Because their words had forked no lightning they

Do not go gentle into that good night.



Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.




Dylan Thomas reads "Do Not Go Gentle Into That Good Night"




A vida passa a vida a surpreender-me e cá estou eu pronta para ser surpreendida.

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Tirando este pequeno episódio não me ocorre mais nada. 

Por isso mostro-vos apenas interiores que vão bem com o Outono e maquilhagens que vão bem com o que se veste, Vi-os na Harpar's Bazaar. Não tem nada a ver com o que tinha estado a escrever mas também, a bem dizer, não tinha escrito sobre nada em particular.


















































E agora só sei que tenho que me ir deitar. São quase duas e meia e eu dou por mim de olhos fechados.


Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.


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sexta-feira, outubro 24, 2014

Rapariga com brinco de alarme em vez de pérola numa noite fora de casa, ou seja, com Banksy a fazer-me companhia, enquanto reflicto sobre a PT, sobre o capitalismo e sobre outras governanças





Como sempre nesta altura do ano (e noutras também), estou fora, dois dias no meio do nada. Para ser um retiro espiritual faltam-lhe apenas os momentos de meditação e oração, se bem que, se alargar o conceito, quase se poderia dizer que também o fazemos. 

Parte do público alvo está alojado num hotel da cidade mais próxima e um pequeno grupo está alojado na guest house existente no próprio local onde decorre o encontro. Por isso, a esta hora presumo que parte dos meus colegas ande a bater perna pelos bares da cidade enquanto eu estou aqui, nesta casa maravilhosa (e só não tiro fotografias para vos mostrar porque, parecendo que não, ainda tenho algum juízo nesta cabeça) a escrever-vos.

Por aqui, durante o dia e até à hora de jantar, fala-se de estratégia, de concorrência, de negócios, de como as dificuldades não são dificuldades mas sim desafios, de como os contratempos não são contratempos mas sim oportunidades. 

Não há lugar para temas luminosos como os que envolvem a ética ou o amor como critérios de gestão nem temos oradores convidados. Nem há lugar para divagações ou angústias, o mundo real não deixa tempo para frescuras. De vez em quando o clima adensa-se, algum lá sai do registo de salão mas logo a coisa se compõe e tudo prossegue como previsto, focado, um objectivo comum. Claro que nos coffee breaks ou cocktails os grupos sussurram private jokes ou não é difícil adivinhar que alguns se dedicam ao corte e costura, metendo as inevitáveis alfinetadas. Mas isso não tem mal, não é nada de mais. As organizações são compostas de pessoas e as pessoas não são máquinas.

Amanhã às 9 horas os trabalhos recomeçam e eu tenho que fazer uma apresentação. Claro que talvez pudesse estar a aqui a ensaiar, quando há cenas destas com dezenas de pessoas e convidados a assistirem, alguns dos meus colegas ensaia. Eu não o faço. Fiz a apresentação, sei o que lá está e, no momento, falo de improviso. Sempre assim o foi e sempre assim o será.

De resto, não sei nada do que se passou hoje. Há bocado quando falei com o meu marido, perguntei-lhe o que se tinha passado no mundo. Disse-me que, por cá, nada, tirando a trapalhada do IRS. Claro. Gente sem tino arranja lenha para se queimar (e, depois de tudo estar a arder, ainda aparecem com cara de tontos a pedir perdão pelos transtornos e o chefe ainda aparece a elogiá-los, dizendo que a situação só prova que os escolheu bem pois não fugiram a sete pés da baderna que armaram). Se esta gente trabalhasse numa empresa, ao fim de meia dúzia de meses levava-a à falência. Nunca vi tamanha incompetência.

Agora dei uma volta pela internet e li que a queda da PT no precipício está a levar várias empresas também ao charco. E muitas mais irão. Muitas, muitas. A queda da PT vai dar um abanão do caraças na já de si tão débil economia nacional. Mas devo confessar que me fiquei pelo título: ler uma miséria destas deixa-me angustiada. Como, de repente, uma empresa que era das mais valiosas do país, que emprega umas 10 ou 11.000 pessoas e dá trabalho indirecto via outsourcing a mais umas 16.000 e ainda a mais uns milhares de pessoas em empresas fornecedoras de tudo e mais alguma coisa, uma empresa que era 'vendida' como de sofisticada governance, comete erros crassos que não tem como corrigir e se vê devorada pela fome encarniçada dos mercados sem que ninguém levante um dedo para a salvar. 

Isto é o capitalismo selvagem na sua insanidade mais acabada. Claro que não são só os mercados, tenho que ser objectiva: muito do que era excelente governance não era excelente coisa nenhuma, era espuma, cagança, faz de conta, show off, servilismo perante o dono, palermas endinheirados armados em bons. Mas se isso se aplicava a uma vintena de iluminados, o resto das pessoas era esforçada, dedicada, competente. Mas, claro, o problema está sempre nas elites e em Portugal, salvo honrosas excepções, as elites são muito fracas e, ainda por cima, deslumbradas.

Não quero falar mais disto. Preocupa-me, assusta-me. Somos frágeis e vulneráveis. Conheço pessoas que trabalham na PT, belos empregos, belos níveis de vida, orgulho por trabalharem numa empresa sólida, numa das poucas empresas de bandeira do país. E, de repente, vêm pela ribanceira abaixo, uma derrocada brutal que, na queda, arrasta outras empresas.

Muito deveria ser repensado depois do descalabro do BES e agora da PT. Tanta auditoria, tanta consultoria, tanta compliance e, ainda por cima, sendo empresas cotadas, sujeitas a todo o tipo de escrutínio. E, no entanto, mais vulneráveis que uma mercearia de bairro.

Não basta lavar as mãos como Pires de Lima o fez, ao dizer que os prémios de gestão obtidos por Zeinais e Granadeiros e outros que tais são comprados (toda a gente sabe disso) e que, portanto, com as empresas nas mãos de gente assim, vou ali e já venho. Não basta. Há que ir mais longe e perceber que modelo de gestão e de economia é que queremos para o país um dia não acordar e estar feito em pó, com chineses e angolanos a tomarem conta do que sobrar.

Mas, enfim, estou a maçar-vos com isto, falo e volto a falar no mesmo e isso deve ter maçador para vocês.

Tenho aqui comigo, trouxe para ler à noite - e já estive a dar-lhe uma voltinha e a ver se, antes de adormecer, leio mais um pouco - uma edição especial da National Geographic dedicada a Einstein com subtítulo A Teoria da Relatividade, O espaço é uma questão de tempo. Encanto-me com isto, leio como quem passeia no espaço ou como quem lê um poema invadido pelo silêncio.


Estive a ver se dava para transcrever umas passagens maravilhosas mas não dá. Estou com internet móvel, a pedal e, pior, volta e meia a pen desengonça-se do computador e fico sem internet. Estive a ver se descobria um vídeo interessante sobre Einstein mas isto fica a remoer e ainda não consegui que o youtube se mexesse. Depois o quarto tem uma luz débil, se aponto para o livro quase deixo de ver o computador. 

Por isso, fico-me por aqui.

Escolhi imagens relativas às provocações de Banksy apenas porque sim. A primeira, lá em cima, é a sua última obra.


O artista Banksy atacou de novo e desta vez deixou a sua versão do quadro A Rapariga com Brinco de Pérola numa rua de Bristol, Inglaterra. O mural, a que Banksy chamou Girl with Pierced Eardrum (Rapariga com Tímpano Furado) surgiu segunda-feira na zona portuária da cidade.


O trabalho parece ter sido vandalizado na manhã de terça-feira, com uma mancha de tinta preta.

Banksy incorporou uma caixa de alarme no mural, no lugar do icónico brinco no quadro de Johannes Vermeer. O antes e depois da pintura da parede pode ser visto na página de Banksy, assim como vários ângulos do mural visto da rua.


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E agora vou entregar-me à relatividade. 

(Se isto estiver cheio de gralhas, por favor, relevem. 
Com a internet neste estado e com pouca luz não estou a atinar com isto)


Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira.

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quinta-feira, outubro 23, 2014

IRS em 2015, cláusula de salvaguarda, regime à escolha do freguês, casados com ou sem declaração conjunta e também à vontade, etc, etc. Só inovações, só facilidades. Não querendo estragar a festinha, o UM JEITO MANSO pergunta daqui ao ministro Paulo Núncio, à sua ajudanta Albuquerque e ao subordinado dela Passos Coelho: quem é que vai gerir todas estas alterações informáticas no Portal das Finanças? A louríssima Paula Teixeira da Cruz? A tal do Citius em baixo e dos tribunais num caos? E quem é que vai harmonizar as fórmulas subjacentes à fantástica calculatória apregoada? O inteligente C-Rato? O das cratinas colocações? Contem-me coisas, contem, vá lá, make my day.


No post abaixo já vos mostrei um vídeo feito pelos Verdes europeus na despedida do cherne. Fartam-se de gozar com o peixe balofo, tadinho dele, que até já estou com saudades do nulo-zeo. Agora em quem é que a Merkel vai limpar os pés quando se apresentar em Bruxelas? E será que o Juncker já apagou o número de telemóvel dele? Aposto que sim. Para que é que o Juncker ia precisar de falar com um cherne fora de prazo?

No post mais abaixo fiz-me eco de uma notícia que corre na rádio alcativa e que tem a ver com o regresso do saudoso Relvas.

Mas tudo isso é a seguir.

Aqui, agora, vou inquietar-me com mais outra que estes inconscientes que nos desgovernam, se não forem travados a tempo, podem estar a preparar-se para fazer.



Inquietação - Camané




Poema e musica de José Mario Branco
 Camané interpreta com Dead Combo; 
Animação de Ryan Woodward; 
Edição Rui Ramusga




Com a ligeireza de quem não sabe nada na vida, vão fazendo e desfazendo, não deixando pedra sobre pedra. A Albuquerque até, sem querer, já deixou cair que vão ser precisos não menos de 10 anos para reconstruir o que têm vindo a destruir. Desta feita, a propósito do OE 2015, deu-lhes para anunciarem alterações no regime do IRS em cima do joelho e umas atrás de outras. 

À medida que os jornalistas e consultores vão fazendo simulações e exprimindo dúvidas sobre o que saíu da pornográfica sessão contínua de 18 horas, eles vão tirando laparotos fiscais da cartola. Tudo facilidades. Simulações, vários regimes disponíveis para cada um experimentar qual o regime que melhor lhe assenta, uma limpeza.

Ouço isto e só penso: tal como não perceberam a origem da crise nem porque é que a receita aplicada não resultou, também não perceberam porque é que o Citius baqueou e porque é que a contratação para a bolsa de escolas deu o berro em toda a linha.

E, portanto, não sendo capazes de somar dois e dois, continuam a anunciar coisas que implicam muito trabalho e trabalho bem pensado, provavelmente investimentos cuja concretização leva tempo, como se fosse canja de galinha; pela burrice que toda a conversa revela, temo que, na altura, nada daquilo esteja a funcionar.

Poder-se-ia pensar que, com esta minha preocupação, só posso ser masoquista. Pois não sou. Apesar de largar mais de metade do que ganho em impostos e contribuições, sei bem que é por eu (e todos os que podem) pagar impostos é que os que não podem pagar poderão usufruir de escola e saúde públicas, ter segurança nas ruas, etc. Por isso, eu quero pagar impostos, sim (embora, queira pagar muito menos, se faz favor). 


As vozes já se começam a ouvir. Transcrevo:


Rui Morais, que liderou o grupo de trabalho da Reforma do IRS, acha que a cláusula de salvaguarda no IRS anunciada ontem por Passos Coelho vai ser uma "salganhada".


Rui Morais garante que este mecanismo de cláusula de salvaguarda compromete um dos pilares do novo IRS, que é a simplificação do imposto, e defende que uma reforma tem de ser feita a pensar no universo dos cidadãos a quem se dirige e não tendo em conta casos particulares.




Também o presidente do Sindicato dos Impostos tem “sérias reticências sobre a exequibilidade” desta cláusula. Paulo Ralha lembra que a idade média do parque informático do Fisco é de 12 anos e que a medida prometida pelo governo irá exigir maiores necessidades de processamento do sistema informático. E se o sistema já agora sofre quebras dificilmente terá capacidade de responder perante as necessárias alterações de programação que o tornarão ainda mais pesado. 


Paulo Ralha admite mesmo um cenário similar ao bloqueio que afetou recentemente o sistema Citius do Ministério da Justiça.


O fantasma do colapso informático foi também levantado por José Tribolet, conselheiro do governo na área informática. Em declarações à TSF, o professor universitário revela que já avisou para o risco de colapso e exaustão do sistema informático do Fisco. Mas que estes alertas não foram até agora acolhidos. “Falar com a autoridade tributária é como falar com uma parede”.





Paulo Núncio, o actual chefe do governo em exercício

(de um governo em roda livre)




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E se pensam que estou a ser pessimista, que estou a exagerar, eu e todos os que antevemos mais uma porcaria em preparação, se acham que não há cisnes negros e coiso e tal, então vejam, por favor, o vídeo abaixo.




Black Swan 

Saturday Night Live (com Jim Carrey)



E que o humor nunca nos falte.

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Relembro: já a seguir tenho a festa de despedida ao Cherne Barroso e as boas vindas ao Senhor do Esquentador (que, segundo ele informa, vem aquecer os motores da Europa).

Mais abaixo, tenho de volta ao UJM o Vai-estudar-ó-Relvas. Momento grande.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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Durão Barroso disse adios, adieu, auf Wiedersehen, goodbye, adeus, e a malta, de pé, feliz, retribuíu: adeus, ó vai-te embora e não voltes a aparecer-nos pela pela frente! Juncker, esse, gritou-lhe aos ouvidos: Tanta austeridade ia rebentando com a Europa, ó cherne de uma figa! e, em alemão, gritou para a Merkel: “A consolidação orçamental, por si só, não traz crescimento”. E os Verdes, esses queridos, na despedida do cherne, fizeram-lhe um vídeo e tudo. 'Bref, Barroso, bon débarras' (que é como quem diz, 'Resumidamente, Barroso, boa viagem').


No post abaixo já vos dei conta da nova que a rádio alcatifa anda a divulgar: Relvas está de volta. Estará? Para onde? O que é que vai mudar na sociedade portuguesa com a vinda de tão ilustre doutor?

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, fala-se de um outro que sai sem deixar saudades.





Nunca percebi como foi possível que uma criatura como Durão Barroso tivesse ido para a frente da Comissão Europeia. Que provas tinha ele dado para que alguém tivesse tido tão peregrina ideia? A sério, não percebi. E, todo este tempo decorrido, continuo sem perceber.

Lideranças fracas são uma desgraça. Se a gangrena dá para avançar não é um peixe balofo que lhe vai fazer frente. 

A Europa esfarelou-se nas mãos deste zero à esquerda. Só fez porcaria. Maria vai com as outras, acobardado, capacho da Merkel, permitiu de tudo um pouco. Aquele ideal de Europa que os europeístas alimentam (crescimento, conhecimento, liberdade, democracia, etc) quase feneceu às mãos (que devem ser papudas, moles, suadas) deste mal encarado.


Sou uma optimista. Estou sempre pronta para embarcar junto de quem olha de frente e parece olhar no mesmo sentido que eu.

Juncker não é um perigoso comunista e eu, até ver, estou a gostar do que o ouço dizer.



Seja por isso, seja porque a fria realidade dos números — quer dizer, da economia — se está a impor, a verdade é que os dogmas até agora dominantes no pensamento e na acção da superstrutura política europeia parecem estar a ceder. Essa mudança ficou mais clara ontem, com o discurso de Juncker, mais preocupado com o crescimento e a resolução dos problemas sociais do que com a consolidação orçamental.  Draghi está cada vez mais acompanhado na sua determinação de contrariar as orientações de Berlim. Não vai ser fácil, como ainda a semana passada provou a chanceler alemã no Bundestag, quando, contra todas evidências, mostrou a mesma inflexibilidade de sempre quanto ao abrandamento das políticas de austeridade. 

Mas, aparentemente, o presidente da Comissão não se intimidou e, em jeito de resposta, mudou o discurso do francês para o alemão, para avisar: “A consolidação orçamental, por si só, não traz crescimento”. O tempo dirá se este discurso é para ficar.





Juncker voltou ainda a insistir na sua "bandeira", dizendo ser sua prioridade avançar com um plano europeu de investimento de 300 mil milhões de euros em três anos. "O nível de investimento na UE diminuiu em cerca de 500 mil milhões de euros, ou seja 20 %, após o seu último pico registado em 2007. Confrontamo-nos com um défice de investimento que devemos ultrapassar".

A Europa, acrescentou, "pode contribuir para que tal aconteça". "Como é do vosso conhecimento, pretendo apresentar um ambicioso conjunto de medidas de investimento no montante de 300 mil milhões de euros para relançar o emprego, o crescimento e a competitividade. Não posso anunciar desde já todos os elementos que este pacote integrará" mas, acrescentou,  "se nos derem o vosso apoio hoje, apresentaremos esse conjunto de medidas até ao Natal". "Não se trata de uma promessa, é uma afirmação", asseverou.




Podem chamar-me optimista, até mesmo teenager inconsciente, que eu, para já, não quero saber. O que agora sei é que, entre os Jingle Bells e outros sininhos cantarolantes, espero bem poder dizer pelo Natal: Temos homem! Temos Europa!


Entretanto, a delegação Europe Ecologie no Parlamento Europeu fez um pequeno vídeo para parodiar a triste figura que ia dando cabo do sonho europeu e que, finalmente, vai de asa, esperemos que para bem longe de nós. Resumidamente, Barroso, boa viagem!





Bref, Barroso, bon débarras por EurodeputesEE


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Os dois cartazes que ilustram o texto provêm do blogue We Have Kaos in the Garden

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Relembro: o Relvas vem já aí.

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Miguel Relvas está de volta? De volta para onde? E será que agora já é mesmo doutor ou ainda é o Vai-estudar-ó-Relvas? - Não sei, só pergunto.


Depois de já ter recebido a informação através de um comentário, eis que hoje tinha um mail com o texto que abaixo transcrevo e que está tal e qual o recebi, com maiúsculas e tudo. Não faço ideia de que se trata e já pedi informações. Certo, certo é que quem enviou a novidade é pessoa que se tem mostrado sempre bem informada, nunca falha uma. 

As coisas que eu tenho sabido... hábitos novos, hábitos antigos, segredos cabeludos que só visto. 

Mas adiante que hoje o que me despertou atenção foi esta novidade sobre o regresso do Relvas:


Já mandou vir o RELVAS para lhe injectar diarreia na cabeça e colocar-lhe as extensões pois o cabelo está ralo e já se vê o coiro cabeludo. Desde que o Relvas saiu, só se encontravam às escondidas, para o MARIANI de Belém não saber. Coitado, a pintura do cabelo era diferente todas as semanas Agora o RELVAS VAI PÔR TUDO NA ORDEM.


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Imagem do saudoso We Have Kaos in the Garden

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quarta-feira, outubro 22, 2014

O Porto ganhou e o Sporting, coitado, perdeu. O Quaresma salvou o FCP e o Sporting perdeu nos descontos. Coisa da Champions, parece. E mais não sei dizer, não percebo muito de futebol, não daria para comentadora desportiva, não poderia ter uma carreira como a bem fornecida Marika Fruscio, fervorosa adepta do Nápoles. Depois do calendário dos Deuses do Estádio para quem aprecia belos corpos de homem, agora tenho um presente para os apreciadores de bola(s) - se é que me entendem.


No post já a seguir a este mostro um calendário cujas receitas revertem para um fim meritório. E, se os fins justificam os meios, então posso assegurar-vos que os meios são do mais meritório que há - uma rapaziada desnudada e bem alimentada que deixa qualquer um(a) de olhos arregalados. Em tempos, quando eu andava na rua, ouvia, de vez em quando, dizer: 'É só saúde!' e é o que agora me ocorre dizer a propósito daqueles belos pedaços de homem.

Mais abaixo ainda tenho um conjunto de fotografias que mostra o antes e o depois de Renée Zellweger que agora parece a Sarah Jessica Parker ou a Robin Wright ou qualquer outra que não ela mesma.

Mas, enfim, isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra e vou ser rápida.


Começo por dizer uma coisa em que não vão acreditar, sei que parece não bater certo face ao que se vai seguir, mas juro que é verdade verdadinha. Vim para aqui com a pia intenção de me debruçar sobre o Livro de horas IV da Maria Gabriela Llansol e sobre o Bach de Pedro Eiras para escolher parte de um, parte de outro (ele, no livro dele, fala dela). E ia pôr Bach como fundo. Coisa fina, portanto. Tenho um lado bem comportado, juro que tenho.

Mas, antes de abrir o blogue, espreitei a caixa do correio e, entre outras coisas, tinha o vídeo que agora vos vou mostrar, depois espreitei as notícias e dei com o calendário dos Deuses do Estádio e com a maluca da Renée e, pronto, saltei dos carris. Lá está, é a tal driving force que puxa por mim e me leva para maus caminhos. 

Ainda pensei, vou portar-me mal mas, a seguir, entrego-me às artes e lavo os pecados todos. Às vezes tento redimir-me assim, não sei se já repararam.

Marika Fruscio, a nova versão da
The Fallen Madonna with the Big Boobies




Mas com o sono com que ando e passando já da uma da manhã, acho que não vou a tempo de me fazer passar por intelectual. Por isso, abreviando razões, vou directa ao assunto e vou apenas aqui deixar a recomendação aos senhores da SIC, TVI e RTP - que contratam uns comentadores que são uns chatos, de quem nem consigo fixar o nome, talvez apenas o do filósofo futebolístico Rui Santos - para porem os olhos na Marika Fruscio.  (Vista assim, aqui nesta fotografia, até parece a Ana Malhoa e as suas big tits).


A propósito dela, um amigo meu, num dia de almoçarada e alegre convívio que durou até às tantas da noite, estando já bem bebido, deu-lhe para dizer que era grande admirador da Ana Malhoa. E queria explicar porquê mas toda a gente o atalhava já que há detalhes que escusam de ser revelados. Mas ele, quando está assim animado, dá-lhe para ser insistente e, então, esteve o tempo todo com aquela conversa da Ana Malhoa.
Mas adiante que não é da Ana Malhoa que vou falar até porque não lhe conheço dotes de comentadora ou adepta desportiva. Vou falar é da Marika.

Aquilo sim. Aposto que fideliza a audiência cá de uma maneira... Aposto que os espectadores (a propósito: deverei dizer espectadores ou espetadores?) devem estar todos, o tempo todo, a ver quando é que o mamilo lhe salta cá para fora. Aliás, ela vai cuidando de ajeitar o decote de modo a que ele esteja ali bem quase a a espreitar.

Depois de, mais lá para baixo, ter falado de plásticas e de implantes, olho para o despautério mamário da Marika e não faço ideia de se aquilo ali é de origem ou se são enxertos. Diria que ela se apanhou com duas bolas da rapaziada do post a seguir e as escondeu ali mesmo, debaixo das de origem, mas, enfim, isso é pormenor (e, se me alongo com isto, ainda alguma voz maldosa se vai pôr a dizer que eu tenho é inveja). Mas confesso que a mim me parece coisa exagerada, quase do além. Diria mesmo que lhe deve dar cabo das costas, aquilo parece coisa para uns quantos quilos cada, mas acho prudente não dizer nada. Gostos não se discutem.


Marika Fruscio e as suas potenciais Mamonas Assassinas




E, portanto, sem mais conversa, passo aos factos. Eis a estonteante Marika, uma desenfreada madona em acção. 

E um conselho aos Leitores: tentem, se fazem favor, portar-se como os bem comportados colegas de painel da Marika. Nada de ficarem de olho à procura do mamilo da menina.




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E, portanto - sem literaturas, nem laparadas, nem cagarradas, nem deseconomias, nem buracos nas finanças, nem cratinices, nem zeinaladas, nem salgalhadas, e, muito menos, com Bach - hoje fico-me por aqui.

Mas, Caros Leitores, acreditem: isto hoje foi um vaipe que me deu. Voltem, por favor, que amanhã já devo estar outra vez encarrilada.

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Relembro que, descendo, encontrarão já aqui a seguir material de primeira escolha e, mais abaixo ainda, material recauchutado mas, apesar disso, não menos curioso.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira. 

E, já agora, boas práticas desportivas.

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Para mulheres de bom gosto e para bichas igualmente exigentes, eis que chegam «Les Dieux du Stade». Belos, robustos e, ainda por cima, cheios de boas intenções. O calendário de 2015 já vem a caminho e as receitas revertem em parte para a luta contra o Cancro da Mama. Lindos meninos.


Depois de no post abaixo ter mostrado a pancada da Renée Zellweger que parece que tanto se retocou que virou outra (e só vendo para crer!), aqui, agora, parto para outra.


Durante anos, os camionistas e os frequentadores de oficinas de automóvel babaram-se perante calendários exibindo mulheres de curvas generosas e corpos bondosamente postos ao léu enquanto os intelectuais discretamente se alambazaram com os sofisticados Pirelli de colecção. As mulheres eram objectos copiosos feitos a partir de uma costela de um homem e, portanto, para sua livre fruição.

Mas eis que as mulheres começaram a perguntar aos homens se sabiam assobiar, a tomar as rédeas do jogo sem papas na língua, a dizer piropos a preceito, e a mostrar que também apreciavam um belo corpo de homem.

E a rapaziada não se fez rogada, claro está. Parecendo que não, os homens gostam de fazer um agradinho, gostam de se sentir lindinhos, fofos, apetitosos.

E, portanto, o striptease passou a ser também masculino, os calendários passaram a exibir músculos, abdominais esforçados, poses exóticas, sugestões eróticas, homens como objecto de desejo. O ano passado, cá pelo burgo, deu que falar a rapaziada dos Bombeiros de Setúbal. Fizeram bem. A causa social deve ter sido justa e a mulherada apreciou.


Pois bem. Vejam agora vocês isto aqui abaixo.





Li há pouco que em França uns tais do Stade Français, jogadores de râguebi, já fazem o seu calendariozito há uns 15 anos. Nunca eu tinha ouvido falar em tal coisa mas não faz mal, vou ainda muito a tempo.





Transcrevo:

A edição de 2015 desse ex-libris da escultura anatómica volta a reunir fotografias de Fred Goudon. A objetiva do fotógrafo desnuda não apenas atletas do clube parisiense como Jules Plisson, Hugo Bonneval e Pascal Pape, mas também Morgan Parra, colega de equipa de Julien Bardy no Clermont, e outros convidados do Olimpo desportivo francês, como o futebolista Djibril Cissé, o judoca Loïc Piétri e os andebolistas William Accambray, Nikola e Luka Karabatic. 


Claro que não conheço ninguém desta gente mas só posso ter andado distraída. É com cada ursinho felpudo, com cada rapagão mais desenvolvido, bem alimentados, benza-os Deus (e que Deus me perdoe por o trazer para uma conversa destas mas é que uma pessoa até fica sem tento nos dedos).

E lavadinhos. Olha para eles aqui no banhinho.






Ora, façam-me o favor de ver o vídeo e depois digam-me lá se esta rapaziada não tem um ar tão saudável?

Tenho eu andado para aqui a perder tempo e a gastar o meu escasso latim com láparos, irrevogáveis, pinókias, c-ratos, cruzes e canhotas, criaturas que para aí andam a cavar buracos atrás de buracos, sabendo eu que estou a chover no molhado, quando afinal estão aqui estes jovens tão generosos, tão bonzinhos, a chamar por mim...?


Os Deuses do Estádio e o calendário de 2015






O calendário «Les Dieux du Stade» já está à venda e são 29 euros de sensualidade, virilidade, malandrice, saúde, nudez, músculos, carinhas larocas. E, atendendo a que parte da receita reverte para uma causa mais do que meritória, parece-me dinheiro bem gasto.



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Relembro: para verem o surpreendente antes e o depois da Renée Zellweger desçam, por favor, até ao post seguinte.

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Renée Zellweger, antes e depois. Plástica? Implantes? Botox? Peeling? Tudo isso junto? Ou uma estranha aventura? Era para ser assim? Ou correu mal?


Renée Zellweger apareceu e ninguém a reconheceu. Não era uma coisa como das outras vezes, ora gorda, ora magra, ora ar casual, ora ar sofisticado. Não. Desta vez não era uma variante, era mesmo outra. Quando vi as fotografias nem acreditava que fosse ela.



Renée Zellweger antes e depois da transformação radical



Já aqui estive a observar para ver se percebo. 

Li que, para além de se ginasticar afanosamente, se trata regularmente com botox e com laser e que faz peelings para ter uma pele radiosa de adolescente e que agora, para além disso tudo, aparentemente terá feito um implante no queixo e alisado a zona circundante dos olhos.

A mim, de tudo, o que mais me chama a atenção são os olhos. Eu acho que os olhos dela eram a sua imagem de marca. Tinha a pálpebra superior gorda que fazia com que os olhos ficassem apertados e com ar vagamente rasgado e isso dava-lhe um ar travesso, levemente malicioso.




Ora, parece-me que lhe tiraram o recheio da pálpebra superior e que, portanto, ficou com o olhar menos expressivo, parece que perdeu o traço que a caracterizava.





Olho para a nova Renée Zellweger e, de facto, não a vejo mais nova. Vejo-a com um ar até mais triste pois o anterior olhar apertado dava-lhe um ar maroto característico, toda ela sorria através do olhar, e, sem esse olhar que a fazia parecer inocentemente traquinas, fica apenas bonita. Da graciosa, divertida e inocente Bridget Jones já não há ali nada.


Mas, enfim, cada um sabe de si e se ela gostar de ser ver assim, tanto melhor para ela. Mas que faz impressão, faz. Quando se vê ao espelho, reconhecer-se-á?