terça-feira, junho 25, 2013

Uma fofoca: estavam três pessoas muito importantes no seu (soi-disant) pequeno almoço de trabalho quando...


Não me peçam pormenores. Há uns dias estava um ex-ministro, um ex-banqueiro e um grande empresário a  conversar numa esplanada à beira do rio. 




Eis que passam umas senhoras em passo apressado, caminhada matinal. Reparam naqueles três, abrandam. Depois prosseguem, passo rápido.

Passado um bocado estavam de volta, rápidas e decididas. Páram e gritam-lhes: 'Malandros! Vão trabalhar! Não têm vergonha! Malandros!'. E seguem todas agitadas.

Os três ficam embatucados, não estavam à espera duma destas.

Passado um bocado, o ex-ministro pergunta ao ex-banqueiro 'Para quem seria aquilo? Se calhar era para si, não...?'. O outro não disse nada. Aliás, nenhum dos outros disse nada. Um deles, o que me contou, pensou, 'Elas falaram no plural. Pelo menos para dois era.'.

Não posso acrescentar o resto, apenas que me fartei de rir. 

Aliás, não garanto que daqui a nada não venha aqui apagar esta inútil fofoca.

**

Mais uma festa de anos e, de novo, um bocado atrasada e, outra vez, não sendo eu a aniversariante. Seja como for, permito-me convidar-vos: não querem descer um pouco e virem juntar-se à festa?


segunda-feira, junho 24, 2013

Muitos parabéns (ainda que um pouco atrasados) para a Erinha! Que conte muitos e bons e sempre rodeada pela sua maravilhosa família!




harmonia
a luz no corpo
é a lua




*

NB: Não era bem esta música que eu queria ter aqui mas, a que eu queria, do Rodrigo Leão, não dava para incorporar aqui no blogue. Mas esta também é bonita. Espero que goste.

As flores são uma fotografia de Robert Mapplethorpe.

E aquele pequeno poeminha é de Abel Neves e é só para ir abrindo o apetite para o livro que hei-de ler da fantástica Poetisa que é a Era uma Vez. Estou à espera - mas agora já acredito que esteja para breve.

Beijinhos à carangueja de primeiro dia!

E parabéns às mimosas Patanisquitas por terem uma  Avó tão especial.

E parabéns aos manos M., ambos tão simpáticos e tão dotados e que enchem a nossa casa com a sua alegria e talento, por terem uma Mãe tão especial.

E, já agora, parabéns também ao marido que é, certamente um homem de sorte, pela mulher tão inspirada e pela família extraordinária que tem.


Onde vos conto do meu 'encantamento do mundo', e do meu 'amor à natureza, aos animais, da compaixão social, e da noção dos perigos sociais que resultam da prosperidade' (palavras de Pedro Mexia no Expresso na sua crónica 'Francisco'), para concluir que, se calhar, tenho alma de franciscana. Tudo isto em noite de S. João, de lua muito cheia, de fogo de artifício sobre o Tejo, e depois de um dia muito quente in heaven em que pintei um pequeno quadrinho e em que descansei ao pé de uma das mulheres de Magritte, perto dos cavalos azuis e dos dançarinos em volta


No post abaixo, mostro:

  • como alguns patos descerebrados embarcaram num navio desconchavado sem perceberem onde se estavam a meter (digo eu que não perceberam mas, se calhar, perceberam mesmo: há gente que tem um prazerzinho perverso em exercitar práticas sádicas) 

  • e como, agora, os condutores do dito navio - vendo que, depois de esbarrar em tudo e mais alguma coisa, está a meter água à força toda, afundando-se rapidamente - estão ao murro uns aos outros, acusando-se mutuamente da autoria da coisa, 

  • e como, curiosamente a suposta pregadora-mor desta ideologia está a prometer exactamente o oposto aos seus eleitores... 


Seria de gargalhada se os alvos das práticas sádicas não fossemos nós, que - e falo por mim - não somos masoquistas.

Mas isso é mais abaixo. Aqui a conversa é outra.

/\

É dia de S. João e à meia-noite, sobre o rio, soltou-se a luz. Da minha janela vi, encantada como sempre vejo, mil estrelas, um céu iluminado que se reflecte no rio escuro. Uma festa.



Uma chuva de mil pontos dourados na minha janela


Um pouco afastada, do lado direito mas ainda sobre o rio, lá estava a bela lua branca, grande, também enfeitada por pequenos pontos de luz e por veios brancos irradiando de um ponto que parece o olhinho de uma laranja macia, feita de luz prateada.



A lua grande e branca já não in heaven mas sobre o rio que corre aqui sob o meu olhar sempre deslumbrado


Já não estou in heaven. Hoje, por lá, esteve um calor abrasador. O tempo lá é extremado, verificam-se sempre das temperaturas mais excessivas do país. Terra de tojo, pedras, figueiras, grandes calores, grandes frios, grandes vendavais (- um dia ainda vos vou contar uma coisa e perceberão porque a minha casa in heaven é como é). 

Percorri aqueles meus caminhos perfumados tendo quase apenas o sol a cobrir-me a pele. Os pássaros e os coelhos já não estranham, sabem que gosto de sentir a luz como uma seda macia sobre o meu corpo encalorado.



Uma das mulheres de Picasso in heaven, desnudada, prendendo o cabelo -
a aprontar-se para enfrentar melhor estes dias de calor


De manhã, mal me levantei, fui abrir as portadas da sala. O chão estava todo molhado. Pensei: afinal os pequenos seres lunares, ou os cavalos azuis ou os bailarinos sempre cá estiveram e devem ter estado a brincar com água. Ou então algum fez chichi no chão.



Cavalos azuis, dançarinos em roda -
e o banco onde me sento a vê-los desfrutar a sombra fresca da grande figueira
(Franz Marc e Matisse in heaven)


Mas não. O meu marido contou-me depois que, quando se levantou (ele, claro está, como qualquer pessoa normal, levanta-se a horas decentes), viu o chão da sala cheio de formigas e que, então, para as espantar, deitou água no chão.

Aquela sala, aliás, é um verdadeiro recinto zoológico: formigas, bichos de conta, aranhas, aranhiços, centopeias. Quando lá chegamos há de tudo. Apanham-se sozinhos em casa e chamam os amigos, grandes orgias, reproduzem-se. Depois, chegamos nós e estragamos-lhes a festa. 

Tal como vos contei na madrugada de sábado para domingo, estava com vontade de pintar. Assim fiz este domingo de manhã. Uma tela de pequenas dimensões. É uma liberdade tão grande, coisa de criança mesmo, usar pincéis, tintas, pintar sem propósito, apenas o prazer de ver aparecer a cor numa tela em branco. Não tenho qualquer pretensão, nem quero ter aulas ou ler livros sobre técnicas de desenho ou pintura, não quero que nada condicione o gosto infantil que tenho. Apenas pintar, é o que quero. Esforço-me por não me deter em detalhes, não quero fazer coisas perfeitinhas, evito reproduzir alguma coisa concreta. Não: quero apenas deixar a mão livre, e que a mente observe a mão, sabendo que não lhe deve dar quaisquer instruções.

No entanto, como estava com vontade de pintar uma coisa em tons claros, tenho que dizer que não fui espontânea, foi mesmo um esforço, a todo o momento olhava para as tintas quentes que são as cores que correm dentro de mim. Mas forcei-me. Foi, pois, uma coisa um bocado contra natura. Mas, ainda assim, um prazer. Fazer uma coisa sem objectivo, sem censura, sem ambição. Como uma criança a quem dão tintas e uma parede e total liberdade: faz o que quiseres.




Aqui está o meu pequeno quadrinho.

Aqui, neste recanto fresco, onde uma mulher de Magritte repousa,
repouso também eu muitas vezes.
Por cima desta mulher, que bem poderia estar a apanhar banhos de sol ou de lua,

 em letrinhas pequeninas, está o poema de Sophia


Há sempre um deus fantástico nas casa

em que eu vivo, e em volta dos meus passos 

eu sinto os grandes anjos cujas asas

contêm todos os ventos dos espaços









Sinto. Sinto mesmo que há um deus fantástico nas casas onde vivo, e que há grandes anjos em volta dos meus passos. E sinto um 'encantamento do mundo', espanto infantil perante coisas recém-criadas ou recém-descobertas.

Em itálico, estou a usar palavras de Pedro Mexia da sua crónica 'Francisco' no Actual do Expresso. E, se usar também estas outras, agora citando Chesterton, o amor à natureza, o amor aos animais, a compaixão social, a noção dos perigos sociais que resultam da prosperidade e mesmo da propriedade - fico a pensar que, na volta, o que sou mesmo é uma franciscana.


Talvez por isso, quando estou in heaven, sinta que aquele espaço é habitado por uma paz como nunca ouvi antes ou depois - talvez idêntica à que Pedro Mexia sentiu quando esteve em Assis, nas colinas da Úmbria, nos lugares onde Francisco viveu.



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Depois disto, talvez não seja sequer delicado da minha parte convidar-vos a descer até ao post seguinte onde falo de assuntos tão desagradáveis. Farão como entenderem.

Mas convido-vos, isso sim, a virem comigo até ao meu Ginjal onde a minha boca é uma amora madura que o navegador solitário não conseguiu comer. Fui pelas palavras de Abel Neves. A música que me acompanha  por aquelas bandas é especial: Shostakovich pelo Simón Bolívar String Quartet.


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E nada mais. Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira.

1. Marcelo Rebelo de Sousa diz que a estapafúrdia reunião do Governo de Passos Coelho no Mosteiro de Alcobaça, toda pompa e circunstância, foi coisa nenhuma, uma reunião às escuras, mais um tiro nos pés. // 2. A troika entra em crise devido às tensões entre Bruxelas e o FMI // 3. Durão Barroso é o carburante da FN", diz um ministro francês // 4. E, enquanto tudo isto se passa, Angela Merkel, a guru dos luso-talibãs da austeridade, promete dar mais subsídios e não aumentar impostos. // E agora, em que ficamos, ó grandes defensores da austeridade e do empobrecimento?!?!?!?


Para reflexão, aqui deixo quatro pontos que, de certa forma,  ilustram o estado das coisas.


1.


Marcelo Rebelo de Sousa, habitualmente uma no cravo, outra na ferradura,
uma verdadeira bailarina em pontas,
já sem conseguir disfarçar o incómodo que lhe causa a incompetência  absoluta deste desGoverno


Sobre o inexistente desGoverno de Passos Coelho que, ou não faz nada ou, quando actua, ataca ferozmente a população, tentando destruir o futuro do país, transcrevo da boca de um ex-secretário geral do PSD e influente comentador:

Marcelo Rebelo de Sousa teceu este domingo fortes críticas ao Governo por causa da reunião do conselho de ministros de sábado em Alcobaça, considerando que foi «uma reunião às escuras» e que se traduziu em «mais um tiro nos pés» do Executivo.


No habitual espaço de comentário na TVI, o antigo líder do PSD disse que a reunião, organizada «com pompa e circunstância» para assinalar os dois anos do Governo e para discutir o guião para a reforma do Estado elaborado por Paulo Portas deu em nada.

«Cada cavadela sua minhoca! O que é que aconteceu? Nada!», exclamou.


2.



A troika desavinda: os desastrosos efeitos da política de austeridade
(que, ó senhores!!, é coisa diferente de 'rigor')
estão a pôr a nu a incompetência desta gente que tem feito de pessoas de verdade autênticas cobaias



Sobre a qualidade e validade da droga de políticas que têm estado a ser postas em prática, já todos, incluindo os que as têm posto em prática, reconhecem a porcaria que está a ser feita. 

Todos?!?! Ou disse todos?? 

Enganei-me. Ainda há uns quantos indivíduos de cuja inteligência já poucas dúvidas temos, que ainda não perceberam e continuam a defendê-las, Ou então, parvinhos, acham que podem manter a mesma política e limitar-se a mudar o palavreado que as envolve (consenso, esperança, investimento, bla, bla, bla). transcrevo um excerto::


As tensões que têm vindo a público entre Bruxelas e o FMI, devido aos problemas nos resgates a vários países, podem ditar o fim da troika, noticia este domingo o diário espanhol El País.


Na manchete do jornal lê-se «A troika entra em crise devido às tensões entre Bruxelas e o FMI», com o jornal a citar várias fontes comunitárias para quem a equipa constituída por Comissão Europeia (CE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE) tem os dias contados.

Segundo «fontes próximas do FMI», a Europa «continua em Estado de negação com a Grécia», que necessita de uma nova reestruturação da dívida, e também «com Portugal e Irlanda», que vão precisar de outro tipo de apoios e «algo mais no caso português». Quanto ao Chipre, diz a mesma fonte, está no «caminho do desastre».


«Morte à troika» resume de forma mais dura um alto funcionário de Bruxelas, que diz que este vai ser o resultado dos erros cometidos nos resgates aos países da periferia europeia, sobretudo na Grécia e no Chipre e, em menor medida, em Portugal e na Irlanda.

Por estes motivos, diz o El País, o casamento entre Bruxelas e o FMI está à beira do divórcio, talvez porque começou mal.

Em 2010, explica o jornal, com a Grécia em graves problemas, a Comissão Europeia apresentou aos Estados-membros o esboço de um Fundo Monetário Europeu para gerir resgates, mas a Alemanha negou de imediato. Berlim não confiava na CE devido à sua inexperiência em resgates e receava os riscos de politização.

No entanto, lê-se no El País, a excelência técnica da troika acabaria por não surgir o que levou recentemente a acusações mútuas entre a CE e o FMI, com o BCE a estar semiausente da discussão

No início de junho, o FMI fez mea culpa, num relatório em que admitiu «erros notáveis» na abordagem do programa do primeiro resgate financeiro à Grécia (2010), o que foi visto como um ataque a Bruxelas.

O Fundo veio ainda dizer que é impossível lidar com uma miríade de primeiros-ministros, ministros das Finanças, comissários, funcionários do Eurogrupo e falcões do BCE e que o programa de ajustamento feito em Atenas se baseou em pressupostos irrealistas.

Bruxelas não gostou da deslealdade e, a 7 de junho, o comissário europeu para os Assuntos Económicos acusou o FMI de «lavar as mãos e deitar a água suja para os europeus».

Apesar destas palavras duras, em público, Olli Rehn continua a afirmar que os programas seguem no bom caminho, mas já em privado, escreve o El País, fontes comunitárias assumem que o resgate à Grécia «não funciona» e preveem uma nova reestruturação da dívida como pede a instituição liderada pela francesa Christine Lagarde. E dizem que também os resgates de Portugal e da Irlanda deixam muitas dúvidas.


3.



Durão Barroso:
a mulher chamou-lhe cherne,
os franceses chama-lhe camaleão,
a Merkel chama-lhe incompetente,
outros dão a entender que não passa de moço de recados
e todos o mandam ir dar uma grande volta


Sobre a opinião que começa a generalizar-se sobre a actuação da Comissão Europeia, em particular sobre a actuação do cherne-camaleão, transcrevo:

A votação na extrema-direita ronda os 47 por cento numa eleição legislativa parcelar e os franceses andam com os nervos à flor da pele. 


"Durão Barroso é o carburante da FN", disse esta tarde o ministro francês da Indústria, Arnaud Montebourg, a propósito da polémica sobre as declarações do presidente da Comissão europeia sobre os "reaccionários" que defendem a excepção cultural nas negociações comerciais entre a UE e os EUA.


O ministro francês acha que a principal causa da subida da FN em França não são os escândalos, nem a subida do desemprego, nem os problemas com o poder de compra, nem os escândalos, nem os conflitos provocados pelas religiões. "A UE exerce uma pressão considerável sobre os Governos democraticamente eleitos, é inaceitável, temos um presidente da Comissão que diz 'todos os que são contra a mundialização são reacionários'... temos uma UE imóvel, que não mexe, que não responde às aspirações populares dos europeus, que dá força aos partidos nacionalistas, aos anti-europeus da UE", explicou Arnaud Montebourg.


4.


Angela Merkel:
incensada, amada, odiada
Perante os nabos e servis que encontra pela frente, ela vai fazendo o que quer


E para ver se os palermas e parvinhos que ainda não perceberam o que se passa e continuam a achar que austeridade, aumento de impostos e ser pobrezinho é que é bom, aqui vai um valente balde água fria. Merkel, a guru dos luso-talibãs da austeridade, promete dar mais subsídios e não aumentar impostos. Ouviram, seus parvalhões que para aí andam a dar cabo da vida a toda a gente a troco de coisa nenhuma? Transcrevo uns excertos, para ver se percebem.:

A chanceler alemã, Angela Merkel, prometeu aumentar os subsídios para os agregados familiares e restabelecer as reformas das domésticas, em caso de vitória nas eleições legislativas de 22 de setembro.


No documento, de cerca de 130 páginas intitulado «juntos pelo êxito da Alemanha», a União Cristã-Democrata (CDU) e o pequeno partido irmãos da Baviera, a CSU, definiram também que o modo de cálculo do imposto sobre os rendimentos deverá beneficiar progressivamente as famílias com crianças, apesar de não esquecer o rigor orçamental.

Para a líder conservadora, que vai lutar por um terceiro mandato de quatro anos, a família constitui «o coração da sociedade» alemã, comprometendo-se a não aumentar os impostos, garantindo que este programa eleitoral «não implicava uma nova carga suplementar nem para os cidadãos, nem para o mundo económico».


«Acreditamos que ao motivar o nosso setor das Pequenas e Médias Empresas, ao motivar as nossas famílias, a possibilidade de chegar a um aumento dos rendimentos fiscais são maiores, do que se criarmos a desmotivação através de um aumento dos impostos», garantiu.



A chefe do governo alemão lembrou também os cinco milhões de desempregados quando chegou ao poder, em novembro de 2005. «Hoje temos menos de três milhões (de desempregados)», disse.

Angela Merkel, que goza de uma popularidade recorde, vai ser ser o centro da campanha eleitoral dos conservadores alemães.

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As imagens, inspiradas como sempre, provêm do blogue We Have Kaos in the Garden

(A ver se ainda cá consigo voltar hoje)

domingo, junho 23, 2013

Uma lua branca nos céus, aqui in heaven. Não uma superlua, não sei se no seu perigeu lunar, mas branca e macia. E, para que os pequenos seres lunares que de lá me observaram saibam onde estou quando descerem, aqui lhes deixo fotografias da minha casa e dos caminhos que os podem trazer até mim


No post a seguir a este falo sobre a eventual homossexualidade do ministro. O ministro é gay? O lobby gay pôs mais um ministro no governo? - perguntas que as pessoas colocam. Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra.




A lua branca que me ilumina agora aqui, in heaven


Há bocado fui à rua à procura de uma lua grande. Pensei que pudesse estar pousada sobre um muro, à minha espera no banco que está aqui à porta, talvez sobre as árvores. Pensei-a próxima, quase ao alcance da minha mão.

Afinal estava no céu, luminosa e branca, distante. Como sempre.

Fotografei-a mas o zoom recusou-se a funcionar nos limites. Ando pouco persistente, não gosto de forçar os objectos, não querem, não querem. Por isso, a definição da imagem não é extraordinária. 

Ao olhá-la, reparo agora como os limites estão imprecisos, mas talvez seja mesmo assim este planeta: impreciso, macio, cinzas brancas, memórias.

Talvez os nossos espíritos nos observem de lá. Quem nos garante que somos só o que pensamos que somos? O que vemos ao espelho? Eu não sei. Admito como muito natural que uma parte de mim, aquela que costuma andar a sobrevoar-me, livre e imaterial, esteja por lá quando a olho. E, se não uma parte de mim, talvez, então, aqueles que se ausentaram da minha vida mas que vivem ainda no meu coração. Não sei.

Branca, com pequenos pontos de luz, quase prateada, lá estava a lua de sempre, nem muito grande, nem muito próxima. Mas se calhar só se aproxima quando não estamos a olhá-la. Eu podia ir agora lá fora, outra vez, ver se a apanhava desprevenida. Mas já estou aqui sozinha, o resto da casa dorme, tenho medo de ir à rua de madrugada, não sei se sobre as árvores não andarão pequenos seres lunares, transparentes, se no chão escuro não andarão gatos silenciosos, com olhos perfurantes. Não saberia como reagir se os visse.

Por isso, como não tinha imagens surpreendentes de uma lua gigante pousada à minha porta, andei pela casa a fotografar pequenos recantos. Não sei porquê. Talvez seja para que os pequenos seres que há pouco me olharam da lua quando eu tentava descobri-los, vejam como é a minha casa por dentro para que, se vierem daqui a nada, quando eu estiver a dormir, saibam que esta é a minha casa, que é aqui que estou.



Menina feita com sombras lunares


Tenho meninas, santos, galos, candeeirinhos antigos que parecem de brincar. Aqui, na minha casa, as crianças gostam de estar, têm um mundo de coisas diferentes por descobrir. Estou sentada num sofá repleto de almofadas às cores, para onde olhe só vejo cor. Os pequenos seres transparentes que voem da lua para aqui vir brincar talvez queiram variar, vivem num mundo branco, sem peso, flutuam entre cinzas - aqui encontrarão muita cor, muitos seres coloridos e felizes.



Casal trabalhando no campo
(oferta da minha mãe, para gozar com o facto de eu  e o meu marido andarmos sempre nas nossas lides)
e uma vela em forma de galinha gorda.
Por cima, alguns quadros pintados por mim, coloridos como sempre


Há algum tempo que não pinto, a ver se amanhã o faço, tenho saudades. E tenho sempre aquela vontade de tentar pintar com cores claras, suaves, brancas, lunares. A ver se amanhã o consigo, a ver se, quando der por mim, não estou a pintar encarnados, laranjas, amarelos quentes.



Um galo elegante que é um mealheiro, em cuja ranhura enfiei umas hastes de alfazema cheiroso
Na mesa por baixo está um outro galo campestre e garboso mas quase não se vê na fotografia


Hoje, quando cheguei, já a tarde ia avançada. Como sempre, andei a passear, a fazer o reconhecimento, a ver se os figos já estavam grandinhos, a ver se das figueiras já me chegava aquele perfume fresco e sensual de que tanto gosto. Ainda não, as folhas estão ainda muito jovens, os figos ainda rijos e pequenos. A sensualidade maior chega na idade madura.



Figo pingo-de-mel ainda não pronto para eu me atirar a ele - mas talvez já não falte muito


Numa zona de mato compacto, absolutamente intransitável, imaginei um caminho, há muito tempo que o imaginava. No outro dia, nós dois desbravámos o tojo, abrimos espaço, fomos andando, cortando. Depois pedimos ajuda. Hoje já estava com jeito de caminho, já andei a caminhar por ele. Agradecida e feliz, até um pouco emocionada. Imaginei tanto isto quando, há uns anos, o terreno era apenas mato rasteiro e pedras. Lutei tanto para que os pinheiritos sobrevivessem, uma luta, por cada muitos plantados, lá sobrevivia, e a custo, um ou dois. Reguei-os a garrafões de água, como se estivesse a amamentar um raposinho selvagem.



O caminho faz-se caminhando

Quando o verão aquecer, à tarde aqui vai sentir-se um dos melhores perfumes do mundo, um perfume de pinheiro misturado com alecrim, sálvia, esteva, orégãos.

Ao andar por aqui de vez em quando ouve-se uma agitação: é um coelho que foge à nossa frente. E ouvem-se os pássaros, os mais genuínos habitantes deste espaço. Cantam, brincam, voam. Por isso ando devagar, em silêncio, a ver se me reconhecem como igual. Quero aprender com eles a ser inocente e feliz; mas sei que não vai ser uma aprendizagem fácil. Fácil é aprender o que vem nos livros, fácil é saber coisas que não interessam para nada. Difícil é aprender a simplicidade da natureza.



A delicadeza das pequenas flores que nascem de entre o solo rochoso

(Mas será delicadeza ou, de facto, uma bravura muito feminina?
Se nascem e resistem no meio desta adversidade...)


E agora vou deitar-me. Podia deixar a porta aberta mas, claro, não o faço. Em vez dos pequenos seres brancos, transparentes, que flutuam, talvez ainda com as suas asas macias cobertas de cinzas lunares sei lá se não entrariam os cavalos azuis de Franz Marc, os bailarinos de Matisse, o galo gigante de Chagall, gatos bravos, coelhos, pássaros gigantes?





LUA BRANCA (Chiquinha Gonzaga) - Cristina Motta

**

TODOS
falam da lua de ontem vinte e dois
maior, mais brilho, mais encanto
saudando o primeiro dia de Verão
deslumbrando deslumbrando...

POUCOS
sabem uma coisa comesinha
enquanto as princesas me cantavam
e eu fechava os olhos num desejo
e os risos ali me aconchegavam

silencioso o Tejo se apagava
e a lua enorme imensa era SÓ MINHA



['Vaidade', poema de Era uma Vez, num comentário aqui abaixo]


***

Permitam que relembre que sobre se temos ou não ministros gays no Governo de Passos Coelho falo no post a seguir a este (mas vou já avisando que a minha opinião é que a sexualidade dos ministros é o que menos interessa para a qualidade das nossas vidas).

***

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um domingo muito bom.


O ministro é gay? Foi o lobby gay que meteu mais um no Governo?




Hoje não apenas um comentário num post lá mais para baixo como muitas questões colocadas no google sugerem que há mais do que um ministro gay no desGoverno de Passos Coelho. 

Não sei. Nem isso me interessa. Um ministro ser gay ou não ser é-me completamente indiferente. A orientação política das pessoas não tem nada a ver com a sua orientação política ou com o seu desempenho profissional.

Em tempos trabalhei com uma pessoa já de uma certa idade e mente aberta que me dizia que nunca quereria ter um homossexual na sua equipa. A primeira vez que me falou nisso, fiquei escandalizada mas ele explicou-me as suas razões: é que geralmente, porque tendem a pretender esconder a sua orientação, se tornam dissimulados, e desconfiados. E que, por receio de virem a ser descobertos, tendem a coleccionar segredos dos outros para os poderem usar em caso de necessidade e que isso os torna perigosos. Eu encolhi os ombros, não acreditava. Ele respondeu-me, acredite, sei do que falo.

Eu não sei. 

Por isso, repito: se o dito ministro também é ou não gay, tanto me faz. O que já me chateia é que seja incompetente, que não faça o que devia fazer e que, ainda por cima seja parvo, parvinho, armado em espertinho, que sob a capa de ser moderninho revele uns suspeitos tiques anti-democráticos. Isso é que mesmo muito mau.

Apesar de as questões colocadas no google trazerem todas o nome do dito ministro, obviamente não o coloco aqui. Que se apontem questões políticas, éticas ou morais sobre o exercício do desempenho de governantes é uma coisa, mas que se centre a discussão na sua orientação sexual é coisa na qual não alinho.


sábado, junho 22, 2013

1. Leanne Rowe, australiana, depois de sofrer um acidente de carro, acordou a falar com sotaque francês. A tia do meu amigo acordou a falar espanhol // 2. Segundo o 'garganta funda' Edward Snowden, a agência de espionagem britânica, a GCHQ, obteve acesso secreto às redes telefónicas e de internet do mundo inteiro (operação com nome de código Tempora) // 3. 'Governo cria encontros diários com a imprensa e lança novo site para cidadãos', mais uma iniciativa inteligente de Passos Coelho e do seu verdinho de estimação - digo maduro, digo Poiares Maduro. // 4. Rosa, ó Rosa! Rosa! Rosa Oliveira, mulher! Anda cá outra vez. Deita aqui em cima um pouco da tua Cinza...!


Estive afastada das notícias durante dois dias. Dois. Apenas dois. No entanto, de volta a casa, eis que constato que o mundo deu algumas reviravoltas sobre si próprio. Bem, alguns - mais coca-bichinhos - até são capazes de pensar que não sei que é suposto que o planeta dê uma ou outra voltita. Mas não é aos movimentos normais que me refiro. Refiro-me mesmo a cambalhotas. E não me refiro ao planeta, refiro-me mesmo ao mundo. Não sei se, no fim, ficou no mesmo sítio, se avançou um pouco, ou se retrocedeu um pouco mais, mas que andou para aqui às cambalhotas, lá isso andou.

Vamos ver.

(Nem sei por onde começar. Gosto de dar uma certa lógica às coisas. Em linguagem de consultor, diria que gosto de evidenciar o racional da coisa. Bem, os consultores não dizem 'da coisa', diriam apenas 'o racional').

1. Já sei. Começo por uma notícia quase pacífica. Enfim, pacífica, pacífica, não o será completamente já que envolve uma pancada na cabeça e uma reacção estranha, mas, enfim, trata-se de uma coisa acidental que pode acontecer a qualquer um. Ou seja, vou começar por Leanne Rowe, a senhora australiana que, depois de sofrer um acidente de carro, acordou a falar com sotaque francês.






Tenho ideia que, algures por aí, já falei no que vou contar (mas adiante porque acho que foi num comentário de outro blogue, não aqui): apesar de ser um síndroma raro, tenho um amigo médico a cuja tia aconteceu o mesmo. A senhora, pessoa de idade, teve um AVC. Esteve em coma, mesmo mal. Até que acordou, toda fresca, nada de boca de lado, nada de paralisia dos membros, nada. Só que... acordou a falar espanhol, com um salero espampanante, um sotaque perfeito. Toda a gente de boca aberta, e ela própria também. Os familiares e amigos nem queriam acreditar, iam todos ver o fenómeno.

Lembrava-se que, em criança, tinha convivido, ainda por muito pouco tempo, com uma tia ou uma empregada (agora não me lembro) que era espanhola mas que, mesmo nessa altura, ela própria não falava em espanhol com essa tal pessoa. Mas isso teria sido há mais de oitenta anos.

E agora ali estava, a falar como uma castelhana dos quatro costados. Quando esse meu amigo me contou isso, e imitava-a, que ela no tom de voz, nas expressões, era uma autêntica espanhola, eu achei uma história mal contada, uma anedota. Como sou de riso fácil, quando ouço uma história mirabolante, temo sempre que estejam apenas a fazer-me rir. Mas ele explicou-me que era a sério, que acontece, ainda que muito raramente, na sequência de acidentes cerebrais.

Pois bem, deve ter sido o que aconteceu a Leanne Rowe. Enfim. Ela está toda aborrecida e, de facto, é desconcertante mas há coisas piores, não é?

Adiante.


2. Pior é o que li a seguir. Barra pesada mesmo. A coisa é muito feia. Ou não? Ou será que é normal e certo? Não sei. A mim parece-me que o mundo está em derrapagem, é o que é.






Afinal, não são apenas os americanos da NSA (Agência de Segurança Nacional) a espiar meio mundo. A agência de espionagem britânica, a GCHQ, obteve acesso secreto às redes telefónicas e de internet do mundo inteiro, segundo noticia o jornal inglês «The Guardian». 


Os dados privados são passados posteriormente à parceira norte-americana, a NSA, segundo informações obtidas pelo jornal junto de Edward Snowden, o garganta-funda que denunciou o processo de espionagem da secreta dos EUA.


O «The Guardian» escreve que a inovação tecnológica na GCHQ tem sido fulcral para este «Big Brother» à escala do Planeta. A agência tem capacidade para assimilar e guardar quantidades gigantescas de dados obtidos através de fibra-ótica durante 30 dias.

O acesso secreto a dados de Internet e telefone corresponde a uma operação que tem como nome de código Tempora, e que decorre há cerca de 18 meses.


Na operação Tempora, «as chamadas telefónicas são gravadas, os e-mails são lidos, bem como as entradas no Facebook e o registo histórico de toda a navegação na Internet», escreve o jornal.


Não é que seja novidade: sei que isto acontece, sei que acontece com uma facilidade que dá medo, mas, quando o leio em letra de forma, é como se me arrancassem a roupa e me mandassem para a rua em carne e osso. Credo. 

Que raio de mundo este. 

Será que, a esta hora, está algum palerma a ler a minha caixa de correio? A mim talvez não porque, felizmente!, não devo merecer o interesse de nenhum piolhoso mas sabe-se lá, palermas como são, se não suspeitam que tenho planos secretos de ir para a Galeria da Assembleia da República atirar farófias à cara do ex-Doce ou laranjinhas de plástico (para serem mais baratas) à cabeça dos Jotas Ésses Dês... Não estou, claro. Já gastei dinheiro demais com eles, era o que faltava ainda ir fazer farófias ou comprar laranjas de plástico para lhes dar. E, sobretudo, não estou para o correr o risco de, depois de levarem com uma coisa na cabeça, caírem para o lado e acordarem a falar alemão. Ou a zurrarem, sei lá.


3. Enfim. De coisa extraordinária em coisa extraordinária, e por falar no ex-Doce, li que teve mais uma ideia brilhante: comunicar melhor. Ou terá sido ideia do Relvas em versão Verdinha? Digo 'madurinha'...? Que meninos tão inteligentes, estes.



O verdinho Maduro aqui todo derretido com o seu patrão ex-Doce,
enquanto o Tio  Nobre Guedes sorri com a alegria do novo Miguelito


Transcrevo de novo - e já me estou a rir:

O executivo pretende estabelecer uma rotina de briefings diários com os jornalistas, a ter lugar na Presidência do Conselho de Ministros.


Nestes encontros, explicou fonte governamental, a assessoria do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, funcionaria como uma plataforma para todo o Governo e os encontros - que poderão funcionar em on ou off the record - teriam por objetivo responder a dúvidas dos jornalistas sobre temas da atualidade ou questões setoriais.




O verdinho Miguelito Poiares Maduro (aqui em versão Wahrol)

 que vai fazer ditados aos jornalistas para ver se eles dão as notícias certas

(tirei-lhe esta fotografia no outro dia, assim,
biquinho, ar de tadinho
e hoje repesquei-a e tingi-o para ver se ele ganha alguma graça)


Isto é de gargalhada. Os assessores do pequeno-verdinho-maduro que devem ser todos do mesmo género - imagino-os assim a modos que um híbrido entre um lombinha e um verdinho-maduro, ou então, talvez, uma menina espertinha, toda eficiente, toda cheia de boquinhas em off, uma fofa, muito íntima dos mídia (escrevi assim à brasileira para ficar mais a combinar com a assessorette ou com um lombinha qualquer desta vida) - a fazerem prelecções, a induzirem notícias, a manipularem os jornalistas que, sabemos bem, vão atrás de qualquer engodo.

Mas atenção - todos os dias menos à quinta-feiras que é quando a casa fecha: meninas (e meninos) ao salão!




O pequenito com a Miss Prada do Parlamento
e, em primeiro plano,
o secretário adjunto lombinha todo contente porque o Tio Cavaco lhe deu um passou-bem


Isto é a oficialização da Propaganda em versão ministerial. Dirão que a Casa Branca também tem destes hábitos. Pois. Mas entre os assessores de imprensa da Casa Branca e os assessores do verdinho mal amanhado do Poiares vai um século de diferença.

Parvoíces umas trás de outras. É como lá irem fazer mais um Conselho de Ministros extraordinário (extraordinário?! tantas vezes o fazem que já me parece do mais ordinário que há) e, para cúmulo da parvoíce, parece que vão para Aljubarrota ou para a Batalha, nem sei bem - tenho ideia que resolveram ir poluir a História com a sua presença.

Portugal às cambalhotas, a rodar sobre si próprio, a ver se cheira o próprio rabo, é o que isto me parece.


**

Pois é. Não fora o adiantado da hora e eu estar mais morta que viva, tanta a canseira, continuaria por aqui a desfiar um rosário de notícias estranhas ou aberrantes ou mal cheirosas.

Assim, chamei outra vez pela Rosa Oliveira e ela, amorosa, veio aqui deixar um pouco de Cinza. De três poemas distintos, vejam o que aqui assentou.



                                            alguém sem voz continuava a respirar
                                            entre nuvens de piolhos
                                            afundado na lama


                                            a vaca sagrada do declínio está gorda e descorada
                                            no estábulo ninguém está seguro
                                            uma telha partida
                                            um vidro espetado no ânus
                                            cheiro a despojos humanos entranhado na memória
                                            três gerações de analfabetos com opiniões sobre tudo
                                            de cinco em cinco minutos grunhem o inútil


                                            estamos atados 
                                            pelo síndroma locked-in
                                            o estado mais póximo
                                            de ser enterrado
                                            vivo



Pensamento profundo que dedico a todos os palermas e estúpidos,
em especial àqueles que tanto se têm esforçado por merecer esta e outras dedicatórias do género
(tenho carradas delas)

*

Embora eu não seja a aniversariante, caso queiram aparecer numa festa de anos, é só descerem até ao post seguinte.

E,  se vos apetecer lavar a cabeça (por dentro, claro, que eu aqui não lavo cabelos), convido-vos a virem daí até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa. Hoje por lá há uma fantástica orquestra com os sons de Lisboa. A ideia foi do compositor Pedro Castanheira. Salvé. Uma maravilha, é o que vos digo. Ainda há gente decente, que faz o mundo andar em frente.


**

E é isto. Resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, um sábado mesmo muito bom. 
(E, se derem cambalhotas, que sejam das que deixam uma pessoa bem disposta.)


sexta-feira, junho 21, 2013

Uma pizza? Salsichas? Uma salada? ... Que tal? ... Não...? E se forem preparadas pelo sexy man dos molhos Zesty? É melhor conferir antes de dizer que não... Ok, enquanto resolve e não resolve, aqui vão umas flores muito bem comportadas. (Presente para uma menina que é quase crescida)


Eu faço uma alimentação tentativamente racional. Aliás gostava mesmo era de ser bem comportada em tudo. No entanto, como tenho uma certa dificuldade em resistir a tentações, abro uma ou outra excepção. 

Por exemplo, se, no meu aniversário que é daqui por algum tempo, me enviassem a casa o Anderson Davis ("The Zesty Guy"), assim, tal e qualzinho o podemos ver aqui em baixo, para me preparar em exclusivo um dos pitéus em que é especialista, talvez me esquecesse de fazer as contas às calorias.






Também joguei no euromilhões. Sou uma crédula: a taluda do euromilhões e o Zesty Man. Não queria mais nada? - estarão vocês a pensar.

Ok, pronto. Flores. Flores é um presente que também cai sempre bem, especialmente se durarem dois meses e vierem com uma música à maneira.




Estas flores foram filmadas durante 2 meses e a música é ColourBlind (Counting Crows).



No entanto, como não sou eu que faço anos hoje, só espero que a Menina Margarida que está de parabéns e que é certamente mais atilada que eu, aprecie algum dos presentes.

Parabéns e um vida longa e feliz!!!!


Onde é que se acende a luz neste quarto? E onde é que posso ligar a ficha do computador?... - perguntas difíceis de responder. É quase uma coisa de tipo caça ao tesouro. Ou então sou eu que não tenho sofisticação à altura deste hotel.


Não vou conseguir escrever nada. Um dia cheio como um ovo, sem tempo para extras. Cheguei ao hotel em cima das 8 da noite, fiz o check in a correr porque a combinação era às 8 à porta para irmos jantar perto do rio, vim a correr deixar a mala no quarto, depois queria pentear-me e tirar um casaco mais quente e não consegui descobrir o interruptor da luz. A sério. Acendi a luz da casa de banho, a do corredor, a do closet, tudo a correr, mas, a do quarto, népias. Um hotel de 5 estrelas fantástico e eu nem tive tempo para descobrir o raio do interruptor (que um arquitecto sem sentido prático fez o favor de esconder). Com a pressa, lá me amanhei a correr, quase às escuras, depois espreitei no espelho da casa de banho e lá fui.

Depois foi o jantar, muito bom, bela comida e bela bebida, animado, um grupo bem disposto, contaram-se histórias, fartei-me de rir, discutimos política, acho que sou a única pessoa de esquerda ou centro esquerda, o resto vai da direita para a direita mais à direita que é possível. Mas, sendo gente civilizada, simpática, inteligente, dá gosto. Felizmente o número de mulheres vai aumentando: hoje éramos 3 mulheres e 9 homens. Não há muito tempo era sempre eu a única mulher. Assim como assim, a coisa agora já está mais equilibrada.

Há bocado regressámos, o hotel deve ser uma maravilha pelo que vejo da entrada e já não é a primeira vez que cá fico, mas nunca vi mais do que o quarto que me destinam, a sala do pequeno almoço e a entrada. Não tenho ideia de das outras vezes ter este problema com o interruptor da luz do quarto, isto deve ter sido alteração recente.

Uma das minhas companheiras disse que também tinha andado no quarto dela às apalpadelas às escuras e que o tinha descoberto numa fiada escura encostada à mesa de cabeceira (que também é escura). Os outros, tamanha a correria, nem se tinham dado ao trabalho de o descobrir.

Aqui estou, portanto, já de luz acesa. Depois quis ligar o PC à corrente mas estou reclinada na cama e não descobri nem uma única tomada. Há uma zona de saleta, com um belo cadeirão reclinável e uma secretária junto à janela e aí há tomadas. Mas aqui junto à cama? Nada. Tudo do mais moderno que existe mas, caraças!, nem uma tomada à vista. Como sou teimosa, e não queria ir sentar-me à secretária, andei por aqui às voltas de rabo para o ar, quase de gatas.

E não é que descobri umas maganas? Uma vez mais, todas camufladas, disfarçadas debaixo das mesas de cabeceira. Tive que me pôr mesmo de gatas para ligar a ficha. Acham isto normal? Eu não acho. Tenho aqui ao lado da cama uma parede totalmente espelhada, estou a escrever e a ver-me em landscape, mobiliário sofisticado, requintado mesmo, umas casas de banho todas modernas (a casa de banho está dividida em duas divisões separadas) mas depois há destas coisas... andar de gatas à procura de uma tomada ou ter que andar a tactear as paredes à procura do interruptor. Enfim.

Tenho a televisão ligada e tirando a sarrafusca que alastra no Brasil pouco mais despertou a minha atenção. Por isso, vou ficar-me por aqui, para ver se durmo um bocado porque amanhã a alvorada é antes de cedo, para começarmos a reunião ao raiar da manhã. Mais um dia completo de reunião, parte da qual falada em inglês, depois, ao fim do dia, mais umas centenas de quilómetros. Mas não me queixo. Tenho trabalho, gosto do que faço, gosto da empresa onde trabalho, gosto de viver dentro da parte da economia que ainda mexe. Tenho sorte e sinto-me agradecida por isso.

A ver é se, ao menos, tenho tempo para tomar o pequeno almoço porque isto é tudo marcado com agendas tão apertadas que nunca consigo aproveitar minimamente os locais fantásticos onde estou, nem as cidades, nem os hotéis. Nada a fazer. Há anos que é assim, não vai mudar.

««»»

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta feira muito feliz!!!!

quinta-feira, junho 20, 2013

Hugo Soares, deputado do PSD, presidente da JSD, quer saber quanto custam os sindicatos dos professores. Intrigada com a insolência do requerimento fui saber quem é o valentão. Ora bem: cá temos mais um gaiato de 30 anos. Experiência profissional, experiência de vida...? Fraquinhas, fraquinhas... Eu não vos disse já mil vezes que no PSD os escolhem a dedo? Quanto mais fraquinhos, mais trepam. (Não me admiro nada: eu se quisesse ter um bando de paus mandados a assinarem de cruz tudo o que eu dissesse também os escolhia assim) /// E, já que a conversa derrapou de novo para a mediocridade, fui buscar outra vez a Rosa Oliveira para que, por aqui, deite a sua Cinza (*) /// E, porque soube agora que morreu James Gandolfini, o Tony Soprano, a minha despedida a um homem cheio de vida



Ora aqui está ele, Hugo Alexandre Soares, o catraio (bem nutrido)
que quer saber se há-de mandar acabar com os sindicatos ou não
- para já só está a pensar nos sindicatos dos professores mas depois logo se verá o que vem a seguir



Retiro do site da Assembleia da República informação sobre a vasta e suculenta biografia do catraio Hugo Alexandre:

Em 2005, aos 22 anos, o Hugo Alexandre foi para Deputado Municipal na Assembleia Municipal de Braga onde esteve até 2009. Nessa altura foi Vereador na Câmara Municipal de Braga em regime de substituição (ou seja, não sabemos se exerceu ou não, ou se isto consta do seu CV apenas para encher). Mas uma coisa é certa: o jeito que dá ser da JSD - mal lhes caem os dentes de leite já estão em deputados e vereadores disto e daquilo...


Enquanto isso, a partir de 2007, altura em que dá ideia que acabou o curso de advogado, e até 2009, foi formador em duas empresas, a Weform, empresa que não tem site, e da qual consegui perceber, salvo erro nas páginas amarelas, que dá formação em Cursos de Práticas Administrativas, Práticas Técnico-Comercias, e a Ldn - Formação Profissional, onde se ministram cursos financiados.

Entre 2010 e 2011, fruto certamente da bruta experiência que, entretanto tinha adquirido, foi para Consultor Jurídico na Associação Empresarial de Portugal  (programa Empreender no Feminino). Fazer o quê não se sabe pois entrei no site e não consegui perceber qual a intervenção da AEP no dito o programa para além de o divulgar, pelo que não se sabe que consultoria lá teria ele feito. Uma avençazita que lhe deu muito jeito, provavelmente.


Hugo Alexandre,
sabendo certamente muito da vida e da história política, económica e social do país,
não hesita em cagar sentenças como a que acima se vê
 (e vocês desculpem lá o léxico mas é que não dá para a gente manter a compostura perante anedotas destas:
é que uma coisa é ser alguém com tino e conhecimentos a fazer avaliações comparadas
e outra, bem diferente, é ser um jota qualquer desta vida a dar-se ao desplante de o fazer)


E daí, com 28 anos, ei-lo a saltar para representante do Povo, passando a ser Deputado na Assembleia da República na ilustre bancada do PSD (where else?). 



Ó pr'a ele, o Hugo Alexandre, tão importante, já deputado!, rico menino

Já deputado, com 29 anos, foi eleito Presidente da JSD. Vêmo-lo nas fotografias desse inesquecível dia, babado, ao lado desse outro grande estadista que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho.


Pois bem, é este puto agora com 30 anos e que por aí tem andado, beneficiando da sua condição de Jota, que hoje resolveu encabeçar um grupo de deputados que mostraram uma vez mais qual a sua cepa.



Vocês desculpem... mas digam-me lá se este Hugo Alexandre
não tem um je ne sais quoi que faz lembrar o Tino de Rans?


Transcrevo parte de uma notícia: num requerimento dirigido ao ministério da Educação e Ciência, hoje entregue no Parlamento, o deputado do PSD Hugo Soares perguntou "quantos sindicatos existem no sector da Educação", qual o "valor transferido para os sindicatos durante o ano de 2012 e orçamentado para 2013" e como são discriminados os gastos.


O deputado justificou a oportunidade da pergunta face aos "acontecimentos recentes que impossibilitaram milhares de jovens de realizarem os seus exames nacionais", referindo-se à greve dos professores da passada segunda-feira.

Questionado pelos jornalistas, no Parlamento, sobre se sugere a redução dos custos da actividade sindical para o erário público, Hugo Soares afirmou que antes de admitir essa possibilidade, quer saber quais são os encargos.

O deputado argumentou ainda que os custos devem ser conhecidos "numa altura em que é fundamental que todos os portugueses percebam a equidade dos sacrifícios que são pedidos e que ao mesmo tempo se exigem cortes na despesa do Estado com vista a uma redução da carga fiscal".



Cá estão eles. Estão de cabeça para baixo porque pensam com os pés,
porque, nas mãos desta gente, o país está de pernas para o ar


Assusta-me pensar que a Assembleia da República - lugar onde deveriam estar os nossos representantes, gente que deveria ser do melhor que a sociedade fosse capaz de gerar - está, ao invés, ocupada por uma seita de gente perigosa. Muito perigosa.

A ignorância e a estupidez, quando ligadas a uma ambição rasteira, são um perigo. 


Como poderemos esperar que gentinha desta, impreparada, deslumbrada, mal escolada, mal formada, sem cultura democrática, caída de pára-quedas em lugares de poder, tenha condições para legislar, para monitorizar a actuação do governo, para propor alternativas, para fazer o que quer que seja que exija bases sólidas, alguma tarimba, alguma cultura, algum mundo? Impossível.

Enquanto a Assembleia da República, o Governo, as Autarquias e sabe-se lá o que mais estiverem invadidos por esta praga, como pode o País avançar? Impossível. Impossível. Desgraçadamente impossível.


Mas não nos isentemos de responsabilidade perante um descalabro destes. Somos nós que deixamos que isto aconteça. Somos nós os responsáveis por esta pouca vergonha. Votamos neles sem cuidar de saber que competências têm para lá figurar, e continuamos a assistir, impávidos e serenos, a que toda a espécie de animais assuma o comando da nossa quinta.


[Já agora: não seria, ao menos, de dizermos ao Hugo Alexandre e demais amiguinhos que temos melhor destino para os nossos impostos do que pagar-lhes o ordenado? Que não estamos para estar a trabalhar para ele e outros criançolas andarem a dizer baboseiras?

Quer-me cá parecer que um dia destes ainda meto férias para ir para as galerias da Assembleia com cartazes dirigidos aos palermas que por ali pululam.

... Mas eu não digo que ninguém me poupa, senhores...?]


*


Em presença de todo este desastre (e, desde que este miserável desGoverno tomou posse, são só desastres, retrocessos, atentados, vexames, empobrecimentos, aviltamentos) fui buscar outra vez a Rosa Oliveira e a sua Cinza , teve mesmo que ser. E ela disse.



                                          como foi possível esta longa marcha para a mediania?
                                          o que significa viver dentro de um corpo
                                          de onde a consciência se retirou há muito
                                          esta embalagem vazia?

                                          rodeados de pensamento tóxico
                                          submersos em epifanias da normalidade
                                          estamos numa guerra invisível
                                          desconhecida até hoje da humanidade
                                          sitiados por armas virtuais em destruição imparável

                                          sufocamos sob camadas de managers
                                          designers, adidos, conselheiros, assessores
                                          pequenos soldados de chumbo
                                          reclinados nas dunas da abreviatura
                                          agasalhados na linguagem religiosa
                                          da performance a todo o custo

                                          como nas hordas de lepra medieval
                                          trazemos sinos que anunciam corpos contaminados
                                          lentos, pensativos
                                          suspensos numa mudança de vírgula
                                          reescrevendo sem horário

                                          confiando na oscilação do universo
                                          lançamos toda a fortuna
                                          no princípio da incerteza




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(*) - Como é óbvio a mediocridade a que me refiro no título não tem nada, nada, nada a ver com a poesia de Rosa Oliveira. A mediocridade a que me referia era à dos medíocres a que ela se refere no poema que escolhi.

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Soube agora que morreu James Gandolfini, um artista que eu adorava ver nos Sopranos. Fico com pena.

Para além do mais, quando não estava muito gordo, achava-o um homem muito sexy, peito amplo, todo ele sensual, divertido, malicioso, caloroso.

Assim é a vida, por vezes excessivamente breve. Seja como for, deve tê-la usado muito bem. 



James Gandolfini, aqui como Tony Soprano,
fotografado por Annie Leibovitz


*

Isto está outra vez uma coisa de um tamanho impróprio, bem sei que nos blogues não se deve escrever em extensão, textos longos tornam-se maçadores. Mas distraio-me, escrevo de gosto. Vocês desculpem-me, está bem?

Mas, ainda assim, permitam-me que vos convide a virem comigo até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair. Hoje há uma certa rosa esquerda que salta das mãos de Herberto Helder para se vir acolher no meu ventre. A música é ainda de José Valente.

*

E tenham, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira. Aproveitem bem a vida, está bem?

(Uma vez mais rumo a norte e por lá fico para o dia seguinte.
A ver se, à noite, apesar do jantar certamente prolongado e da cabeça certamente em água, ainda consigo vir aqui dar dois dedos de prosa convosco.)