segunda-feira, dezembro 19, 2011

Miguel Sousa Tavares no Expresso desta semana, um artigo a não perder. E, a seguir, para me ajudar a esquecer Passos Coelho (que me põe nervosa), Bleu de Chanel e, depois, Paris-Bombay Métiers d'Art 2011/12, une merveille


Recomendo vivamente a leitura do artigo de Miguel Sousa Tavares (MST) no Expresso deste sábado.

Só vou comentar o artigo, não o autor
 (a Teggy deve ser uma fera quando se zanga)

É uma análise factual, objectiva, que descreve como chegámos até aqui, de como os responsáveis pela grave situação portuguesa são muitos, vêm bem de trás, de décadas. Relembra como foi com Cavaco Silva que a economia maior desbaste sofreu, relembra também como Sócrates herdou um défice grande dos governos PSD, como conseguiu reduzi-lo, como a UE - na sequência da grave crive financeira que sucedeu à queda do Lehman's - deu orientações para que se injectassem recursos na economia para ver se se evitava a recessão até ao dia em que as sacrossantas agências de notação financeira decidiram que isso era mau e aí o paradigma mudou, recorda como o PSD criticava Sócrates por sacrificar os portugueses com tanta austeridade, recorda que Sócrates foi derrotado pela esquerda e pela direita porque não queriam aumentos de impostos, sacrifícios.

Relembra ainda MST que um governo PSD queria várias linhas TGV's, e relembra tantas e tantas coisas para mostrar como é absurdo transformar Sócrates no bode expiatório de tudo o que de mau aconteceu ao País.

Relembra que a crise que se verifica aqui não é só daqui, tal como não era da só Grécia, tal como não é da Bélgica, da Itália, da Alemanha, da França. É uma crise generalizada que mostra a fragilidade do modelo europeu face à desregulação de mercados financeiros que actuam por forma a conquistar empresas ao preço da uva mijona, por forma a obter rendimentos elevados em tudo o que puderem, e o mais que se sabe.

Concordo na íntegra com este artigo de Miguel Sousa Tavares (... e, cá para mim, não consigo deixar de pensar se ele falará de política em casa... é que ele e a Teresa Caeiro não podiam ter visões mais antagónicas).

Como tantas vezes aqui tenho referido, governar sacrificando a população, empobrecendo-a, não é inteligente, não é sério, não é justo. Sacrificar uma população, dizendo aos que não têm trabalho para irem tentar a sorte noutro País (isso é coisa que se diga, ó senhor passos coelho, iswso é coisa que se diga...?!!!? Shame, shame on you!). Baixar ordenados e, ainda por cima, fazê-lo ao mesmo tempo que aumenta impostos para além do decente, aumentando taxas, tarifas, preços, é atirar para a miséria com parte da população. Governar destruindo a economia é retirar a esperança aos jovens, é retirar a segurança a todos, é retirar algum resto de conforto aos velhos. É imoral, indecente, indesculpável.

O reequilíbrio das contas não pode servir de desculpa para a destruição do País. Este governo, que actua como servo de Angela Merkel, é o que está a fazer: está a destruir o País. Vai vender a componente nacional das nossas melhores empresas a empresas estrangeiras, grande parte delas empresas estatais estrangeiras - o que é o mais descabelado absurdo; vai levar à falência com um elevado número de pequenas e médias empresas, vai levar ao descalabro irreversível do que resta do tecido empresarial português.

Aumenta as portagens, mal se pode já circular nas estradas do País, aumenta o preço das consultas médicas, aumenta o preço dos transportes, da electricidade, de tudo. Um Portugal de repente muito mais pobre, desesperançado, espoliado. 

Este governo está a puxar Portugal para baixo, para trás. Não consigo ficar calma quando penso nisto.

Não pode ser. Não podemos ter 4 anos disto.


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Não posso sair daqui assim, mal disposta. Como é que hei-de espairecer? Deixa lá ver...

Talvez esteja na horinha Chanel, não ...?

Ok, vamos lá então ver roupinha bonita, glamour, pessoas que adivinhamos que estão todas cheirosinhas só de as vermos. Venham daí comigo, vamos ver o Bleu de Chanel e depois, meus amigos e minhas amigas, que elegância, que coisas requintadas, verdadeiros métiers d'árt. Paris-Bombaim. Chanel, what else?





 



E que tenham, meus amigos e amigas, uma bela semana - é o que eu vos desejo.

 

domingo, dezembro 18, 2011

Eduardo Lourenço - o eixo Franco-Alemão, o Reino Unido e a Europa; Miguel Esteves Cardoso sobre Portugal, à conversa com Rui Ramos; Jiri Kylian coreografa Black and White; e Cesária Évora e Marisa Monte, cantam que É Doce morrer no Mar


Há pessoas que dá gosto ouvir. Umas porque são lúcidas, uma visão cirúrgica, uma argúcia luminosa, uma leitura a um tempo transversal e profunda do mundo, um verbo claro e directo; outras porque reparam nos pequenos pormenores, porque são deliciosamente caseiras, o amigo divertido que anima o serão com o seu humor de proximidade, um humor inteligente e carinhoso.

Assim são Eduardo Lourenço, o nosso Pessoa 2011, e Miguel Esteves Cardoso, o nosso MEC. Trago-vos hoje as suas palavras.

A seguir trago-vos uma presença assídua aqui no Um Jeito Manso, Jiri Kylian, um coreógrafo que ousa sair da normalidade, coisa que especialmente aprecio. Os seus bailados são sempre inusitados e, pelo menos a mim, levam-me para uma outra dimensão.

Finalmente, despeço-me de Cesária Évora. Uma fotografia cheia de cor e alegria a ilustrar uma vida que sempre perdurará, e a sua bela e quente voz entoa, a par de Marisa Monte, que é doce morrer no mar.













E tenham, meus queridos Amigos e Amigas, um belo domingo!

 

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Eduardo Lourenço, Prémio Pessoa 2011 - o esplendor no caos


Quando fiz o meu curso de Grafologia no Centro Nacional de Cultura, uma das escrita mostrada pelo professor, o Dr. Alberto Vaz da Silva, foi a de Eduardo Lourenço. Uma caligrafia forte, musculada, 'engajada', apaixonada mesmo. Corresponde ao que se conhece da peronalidade do mestre (como não pode deixar de ser - a grafologia não engana, tenho-o comprovado).

Num aparte, confidenciou o Dr. Alberto: "Ele (Eduardo Lourenço) é um homem vigoroso, e apaixonado, nomeadamente com as mulheres. A mulher dele é que o traz de rédea curta..."



Tem graça e acho que deve ser bem verdade.

Mas interessa agora dar aqui um cheirinho da sua inteligente, lúcida, lúcida escrita. Pego num livro seu e transcrevo:

'Se o que está acontecendo no mundo é da ordem da fatalidade natural - do género das cheias do rio Amarelo ou das pestes da Idade Média - ainda nos resta a saída pelo telhado: tentar "pensar" o que, com aparências de irresistível, nos ameaça. Pensemos, pois, a crise, a famigerada crise diagnosticada como inevitável e iminente (...)

As grandes companhias de aviação, que se identificavam com nações e culturas, sucumbem nos braços de companhias rivais e abdicam da sua identidade como meros clubes de segunda divisão. (...) Pode pensar-se que esta vulnerabilidade das empresas e das indústrias mais sofisticadas não difere senão pelo grau de obsolescência dos seus produtos da que já afectava os negócios familiares do ilustre Gaudissart balzaquinao. E que os nossos empresários estão para os invisíveis actores dos mecanismos supranacionais que condicionam a economia mundial como o mísero herói de Balzac estava para os Nucingen do seu tempo.

Na verdade, mudámos de dimensão e de mundo. Os Gaudissart, pequenos ou médios empresários, só têm uma realidade onírica. Não são 'ilustres', nem têm identidade. Mesmo os grandes capitalistas, aqueles que supomos serem ainda 'os donos' das empresas multinacionais, são simples figurantes de um sistema de estrutura estritamente financeiro-comunicacional que, pela primeira vez, funciona como um war game, mas sem precisar de ter, e ainda menos de 'ser', um conglomerado de patrões de direito divino, como na mitologia do antigo discurso anticapitalista. Por isso, é tão difícil mobilizar-se, a nível simbólico e efectivo, contra este 'monstro', que não tem outra regra além da autojustificação em termos de conquista (partes do mercado) que permita ao sistema funcionar. Mesmo que para isso seja necessário retirar do mercado de trabalho a humanidade inteira."


Poderia continuar a transcrever de tão actual que é. Eduardo Lourenço descreveu toda a presente situação avant la lettre - este texto foi escrito em 1996. Ou seja, teve a perspicácia de antever tudo o que a realidade tem vindo a revelar à saciedade. Isto acontece com os pensadores escorreitos, inspirados, dotados.


"Pode discutir-se se a desordem em que estamos mergulhados - desde a económica até à da legalidade e da ética - releva ou não, em sentido próprio, do conceito do caos. Do que não há dúvidas é de que o habitamos como se fosse o próprio esplendor." (1997)

- Transcrições de 'O Esplendor do Caos' de Eduardo Lourenço, edição Gradiva de 1998.


Prémio justíssimo.
E que bem lhe fica ser Prémio Pessoa. Eduardo Lourenço diz que este prémio é o que faz mais sentido para ele. Claro que é!

Muitos Parabéns!
 

Os livros da vida de Manuel António Pina e Mário de Carvalho e Claire by Helmut Newton

   
Uma vez mais fora de casa, longe de Lisboa, o dia inteirinho sem saber de notícias, sento-me aqui no quarto do hotel e já passa da 1 da manhã.

Tenho sono, estou cansada e apenas aqui quero deixar-vos uma lembrança. Gosto muito de ler biografias, entrevistas, cartas de escritores, tal como gosto de ver as casas dos escritores, ver onde escrevem, como gostam de se rodear.

Em primeiro lugar é uma entrevista com o Prémio Camões deste ano, Manuel António Pina, de quem aqui já várias poemas coloquei (aqui e no Ginjal).

A seguir podemos ouvir Mário de Carvalho, um escritor de histórias, um homem interessante e que aqui conversa que dá gosto ouvir.

Espero que gostem.








E por hoje, meus Amigos, é isto.

Claire with Moosewings by Helmut Newton

Uma boa sexta-feira!

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Olhar para seios femininos durante 10 minutos por dia faz bem à saúde. Segundo o New England Journal of Medicine pode prolongar a expectativa de vida em 5 anos. E, assim sendo, podem começar já o tratamento (Victoria Secret e Armani Underware para uso tópico)


Deixou-me ontem um leitor, a propósito do meu post referente a saúde e boa disposição, um link para uma curiosa notícia. Fui verificar e parece ser verdade - estudo de 5 anos, dois grupos para análises comparadas, etc e tal. Para além do link deixado no comentário, podem validar também  aqui, por exemplo

Ou seja, uma contemplação de seios durante 10 minutos equivalerá a 30 minutos de aeróbica. Baixa a tensão arterial, reduz os riscos de problemas cardíacos e mais não sei o quê.

Acho isto uma coisa extraordinária.

Como não ando com paciência para perder tempo com o Passos Coelho (pobre homem, ao fim de 4 ou 5 meses e já é vaiado como se cá andasse há 5 anos...)  e olho para a Merkel e sinto que 'já era', acho que mais vale aproveitar aqui o meu tempo de antena para divulgar descobertas científicas e cuidados de saúde.

E, assim, aqui vos vou deixar com um filme que vai ajudar os senhores a prolongarem a sua vida. Como o filme é de apenas 3 minutos e picos, fazem o favor de o ver 3 vezes para atingirmos os 10 minutinhos, está bem?

Mas o filmezinho é também para senhoras. Por um lado, para as que gostam de uma bela lingerie - está na altura do Natal pelo que, fazem favor, escolham e escrevam o modelito que querem na cartinha ao Pai Natal. Por outro lado, as senhoras que gostam da letra L talvez também consigam, com isto, suprimir as aulas de ginástica. Só vantagens, portanto.



(Preview Victoria Secret 2012 - filminho de há cerca de 1 mês, ou seja, ainda está quentinho)

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E, então, as minhas amigas achavam que eu não ia também cuidar da vossa saúde? E os meus amigos alegres acham que eu também os ia esquecer...? Mas claro que não.

Este filme aqui abaixo não é tão recentíssimo, é até um pouco vintage, já que tem quase uns 2 anos, mas não faz mal nenhum. Armani male underware, pois então, com um Kerry Degman quase indecente de tão giro que é.


Então, meninas, vamos lá a ver este filme 5 vezes para fazermos os 10 minutinhos e vivermos também mais uns 5 anos. Certo?


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E, por hoje, é isto, minhas Amigas e Amigos - sempre a pensar na vossa saúde, como vêem.

Tenham um bom dia, está bem?

E haja saúde!

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[PS: Esperem, esperem, não se vão já embora. Alguém me diz que é feito do Álvaro?! Hoje até o Relvas vi a falar de emprego, de trabalho e mais não sei o quê... Mas e o Álvaro, senhores, o Ministro do Emprego e da Economia ou lá o que é que ele é, onde é que anda metido? Encolheu? Desapareceu? Fugiu? Alguém me diz? Isto é que está aqui um mistério...]


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quarta-feira, dezembro 14, 2011

Cubanos descobrem e testam vacina terapêutica contra o cancro do pulmão; vacina contra o cancro da mama pode estar disponível em três anos; e investigadores do CERN próximos da localização da 'partícula de Deus, o bosão de Higgs. E mais!


Hoje algumas boas notícias. Não limitemos a nossa visão ao que as televisões nos mostram em prime time. Há vida para além disso, olá se há...!

1. Trancrevo: "Uma equipa de investigadores cubanos anunciou que foi patenteada a primeira vacina terapêutica contra o cancro do pulmão. A comunidade científica internacional está atenta a estes estudos e na América Latina já são vários os países que se preparam para registar a vacina."


A notícia completa pode, por exemplo, ler-se aqui. Claro que há a prudência habitual, mas o estudo dura há bastante tempo, já estão a ser efectuados testes em mais de mil doentes sem danos colaterias e já se está a estudar a extensão do tratamento a outros tipos de cancro e outros países já estão a preparar-se para o adoptar, nomeadamente o Brasil e a China.

Ou seja, ainda não é oficial, mas a esperança aumenta para quem está a passar por momentos de susto e a esperança é meio caminho andado para que a energia positiva combata o bicho.


2. Transcrevo: "Uma vacina para o cancro da mama pode estar pronta em três anos depois de terem sido alcançados surpreendentes resultados experimentais. Uma partícula que treina o sistema imunitário para destruir tumores resultou em 90% dos casos dos testes laboratoriais."


Excelentes notícias para todas as mulheres. Os testes devem começar em 2013. A notícia completa pode ver-se, por exemplo, aqui.


3. Transcrevo: "Os cientistas do CERN dedicados à procura do misterioso Bosão de Higgs, também conhecido como a "partícula de Deus", anunciaram hoje terem dado passos importantes para localizar a que é considerada a mais elementar das partículas atómicas constitutivas do universo." Estamos, pois, no domínio da física da matéria, das partículas elementares, tema que me interessa, tema que me emociona. Falamos daquilo de que tudo é feito, de que somos feitos, de que o universo inteiro é feito. Falamos de partículas cuja existência é comprovada através do rasto que deixam quando são aceleradas.



Nada nos é mais interior, nada nos é mais comum e, no entanto, nem nos lembramos de que não sabemos ainda como foi formado o universo, não sabemos ainda de que matéria somos feitos, quais as partículas sub-atómicas que justificam a massa, ou a atracção dos corpos.

Os cientistas estão optimistas e confiam que 2012 será um ano inesquecível,  o ano da descoberta do enigma primordial. Assim o espero.

A notícia completa pode ser, por exemplo, aqui.


4. Podia por aí continuar mas estou perdida de sono e o que há de bom para dizer é imenso. Até para as gordas (e para os gordos) a solução parece estar a caminho - está a ser testado (em macacos) um medicamento que se dirige às células de gordura branca, as mais prejudiciais ao organismo. ..!


 
Por isso, meus amigos, para quê essa neura toda?

O Passos Coelho só diz patetices sem nexo? O Álvaro continua desaparecido e nem na Autoeuropa o vimos? Andam à toa sem saber o que andam a fazer? Estão a afogar a economia e nem se apercebem do dano que andam a causar? A Europa está numa deriva suicida? Tudo mau, tudo mau?

Não, meus amigos. Estas patetices têm os dias contados. Aos poucos as pessoas vão pressionar para que ísto pare. A governação não pode estar eternamente entregue a tecnocratas de vistas curtas, sem noção do que é governar olhando para séries longas e não para pequenas amostras temporais de 4 ou 5 anos, sem noção do que é a história, do que é a vida das pessoas. Um dia as pessoas vão acordar e vão dizer que têm apenas uma vida para viver e que essa única vida não pode ser passada a expiar a culpa de uma meia dúzia de especuladores, de gananciosos, que estoiraram com isto tudo. Vão acordar e vão dizer que a vida é para viver a olhar para a frente, a construir um futuro e não a expiar penas do passado, que querem viver bem, com perspectivas, com esperança.

Esse dia não está longe.

E, meus amigos, não nos esqueçamos que entretanto o mundo está em progressão, a ciência avança, as boas notícias existem. Saibamos vê-las, saibamos vivê-las.

Para a frente é que é caminho!

E que toque a música, ora essa!


E agora, meninos e meninas, vamos lá a arranjar par e vamos mas é dançar. Por una cabeza. Tango, pois claro. What else? É um bis, aqui, mas que mal tem isso se eu gosto tanto...?

PS: Não se arranja par para o tango com essa facilidade...? Não tem problema. Pegue numa vassoura e avance para a pista. Sem medo. E que toque a música outra vez.



Bom dia!!!!

terça-feira, dezembro 13, 2011

TINA (There Is No Alternative) - and all the things they say are true and much, much more... (assim diz a Uma)

 
O que esta crise demonstra é que, ao terem querido convencer-nos de que não havia alternativa, ao repetirem até à exaustão que os dinheiros públicos só serviam para engordar alguns funcionários egoístas e incompetentes, que apenas o mercado e as empresas privadas permitiriam criar a dinâmica necessária a uma retoma do crescimento, os liberais montaram uma gigantesca golpada. (...) Contudo, ao primeiro alarme, estes cruzados do capital abandonaram os seus princípios sacrossantos e foram pedir socorro ao Estado. É que agora era o seu património a estar em perigo! Para salvarem os haveres, as poupanças, as stock options, estavam dispostos a tudo, mesmo a ajoelhar perante aquele Estado que tinham rejeitado e que profundamente detestavam. Se fosse ainda necessário demonstrá-lo, isto serviria de prova de que o combate que tinham travado não visava o bem comum, mas fora puramente ideológico e de natureza material e egoísta. Os liberais são raposas em liberdade no galinheiro. A aplicação das sucessivas 'reformas' exigidas pela internacional das classes dirigentes, pelas organizações patronais, pelos economistas e ensaístas liberais, tinha - e continua a ter - por único objectivo a satisfação da sua inesgotável cupidez e da dos seus accionistas. O liberalismo é o 'triunfo da cupidez', para referir o título de uma obra de Joseph Stiglitz.


(excerto de 'Não há alternativa' de Bertrand Rothé e Gérard Mordillat)


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E agora que já tive o meu momento intelectual, deixem-me passar para o meu momento Schweppes (and no personal questions, ok?).





Enjoy, my friends!

!!! Be happy !!!

segunda-feira, dezembro 12, 2011

O primeiro ministro egípcio Kamal el-Ganzuri desatou a chorar numa conferência de imprensa. Mas o que vem a ser isto? Este mundo está a ser governado por meninas?!?!?!?! Mas talvez os homens estejam a caminho. Nick Clegg e Dominique Villepin, minhas senhoras - prestem atenção...


Depois da Ministra italiana do Trabalho e dos Assuntos Sociais, Elsa Fornero, ter desatado a chorar, não conseguindo verbalizar a palavra sacrifícios (que era suposto pedir à população), agora chegou a vez do Primeiro Ministro do Egipto. Numa conferência de imprensa em que descrevia a situação económica do país como perigosamente grave, atribuindo-a aos inumeráveis desvios do anterior regime, ao ver, via satélite, um cidadão egípicio pedindo ao governo que garanta segurança às crianças antes de lhes dar uma fatia de pão, não conteve as lágrimas.

Ah pois é...!

Que as mulheres não são de ferro já era sabido e, por isso, o mundo pasmou apenas ligeiramente com as lágrimas de Elsa Fornero.

Mas agora também os homens...? Está certo que a expressão, na verdade, é ' um homem não é de ferro' e não uma mulher - mas, ora bolas, não era costume aplicar-se a expressão noutras mais entusiasmantes circunstâncias...?

Já viram bem isto...? Olha se agora desatam todos a ser piegas, todos meninos da mamã, tudo na choraminguice...? A irem para as conferências de imprensa com caixinhas de Kleenex...?

Que maçada. (Já para não falar na concorrência desleal que seria às telenovelas da TVI, em que a filha da outra, afinal é prima da tia, que quer matar o padrinho do primo, que é filho da avó e neto do empregado - e que já pouco fazem chorar)

Ai, minha nossa... O mundo está mesmo virado das avessas...!

!  ?  !


No entanto, aqui e ali, começo a ver alguns homens a despontar. (Digo homens como podia dizer mulheres - o sexo não é relevante, relevante é que os tenham no sítio - and, please, pardon my french)

Por exemplo? Ora bem: com os ingleses o baile está armado.

Nick Clegg, a surpresa que Cameron não esperava
- ainda por cima, um homem bonito

Eis que apareceu o Nick Clegg a dizer que Cameron fez mal, muito mal, que o isolamento em que colocou o Reino Unido não é bom para o crescimento do país, não é bom para as famílias, não é bom para ninguém (nem sequer para a City a quem, supostamente, Cameron quis proteger). Loud and clear, ainda por cima com um british accent de dar gosto. Perante isto, irá a coligação aguentar-se...?! Irá o governo sobreviver...?!

+   !   +

Dominique de Villepin, outra surpresa que veio de onde não se esperava
- e outro homem bonito, com muito charme

Em França o baile que já estava a ser ensaiado, ganhou um inesperado glamour. Eis que agora um cavalheiro com uma grande pinta veio a terreiro dizer que vai a jogo - Dominique de Villepin, ex-primeiro-ministro, ex-ministro dos negócios-estrangeiros e ex-várias-outras-coisas, rival de partido de Sarkozy. Nem mais. Já há uns anos partiu a louça ao afirmar-se contrário à invasão do Iraque. Agora veio afirmar-se inquieto com toda esta trapalhada, que não gosta nada de ver a França humilhada pelos mercados, vergada ao peso de mais e mais austeridade, que isto não é caminho e que quer que 2012 seja o ano da coragem e da verdade. Belas palavras. É, pois, candidato às eleições presidenciais francesas. Hollande é sensaborão, Sarkozy um vendido. Dominique de Villepin não aceita que não haja alternativa e isso, para quem quem tem que escolher alguém que lute por ideiais, que afirme os interesses das pessoas antes dos interesses dos mercados, é meio caminho andado, é música para ouvidos sedentos de uma bela melodia. Além do mais, estando as mulheres em maioria na população, meus amigos, digam-me lá quem é que parte para a corrida já com uma estrelinha, quem é...?

...  !  ...

 

Quem sabe 2012 não vai, afinal, ser um ano cheio de inesperadas surpresas? Quem sabe não será um ano fantástico?

[Quem sabe não desatam a despontar por aí, de onde menos se espera, por todo o lado? (Já seria demais querer que fossem todos assim tão giraços mas, enfim, sonhar não custa...)]

Tomara, minhas Amigas (e meus Amigos, claro).

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Ah, é verdade, tenho andado a esquecer-me de vos desencaminhar. Lembram-se que no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair, há todas as semanas um 'tema' musical?

Depois de nas duas últimas semanas ter tido Chopin e Schubert, esta será a semana Mozart. Uma festa de imaginação, criatividade, exuberância. Como sempre, o apontamento musical encontra-se intercalado com poesia que selecciono, com fotografias minhas, com pequenos textos que me são inspirados pelos poemas.

Pois aqui estou hoje, de novo, a convidar-vos a visitá-lo e, como amuse-bouche - que é como quem diz, para vos abrir o apetite - aqui vos deixo o trailer do fantástico Amadeus.




E tenham, meus amigos, uma bela semana!

 

domingo, dezembro 11, 2011

Têm tomado o comprimido de Murti-Bing em doses excessivas e adoptam o modo de vida Ketman vezes demais. Quem? Grande parte da classe política actual, dos comentadores, dos jornalistas.


Continuo a transcrever de O Chalet da Memória de Tony Judt.


Referindo uma descoberta de Milosz num 'romance obscuro' de 1927 de um tal Witkiewicz, Judt relata: 'Os habitantes da Europa Central que estão perante a hipótese de serem subjugados por hordas asiáticas, não identificadas, tomam um comprimido, o comprimido de Murti-Bing, que lhes tira o medo e a ansiedade; encorajados pelos seus efeitos, não só aceitam os seus novos governantes como estão contentíssimos por recebê-los.'

A seguir, continua Judt, voltando a referir uma outra descoberta de Milosz, desta vez num livro de Gobineau, que descrevia um fenómeno: 'Os que interiorizaram o modo de vida designado por Ketman podem viver com as contradições de dizer uma coisa e acreditar noutra, adaptando-se à vontade a cada novo requisito das suas regras, ao mesmo tempo que creem ter preservado em si mesmos a autonomia dos livres pensadores - ou, pelo menos, um pensador que escolheu livremente subordinar-se às ideias e imposições de terceiros.'



Desta forma, Judt retrata o que ele designa por 'cínicos servidores', os que vivem em estado de 'servidão', os que comodamente afirmam que 'não há alternativa'.

Referindo os que defendem cegamente 'os mercados', ou os que defendem cegamente 'a austeridade', Judt estabelece uma comparação: 'Foi precisamente nestes termos que o comunismo foi apresentado aos seus beneficiários após a II guerra Mundial; e foi por a História não apresentar alternativa aparente ao comunismo que muitos dos admiradores estrangeiros de Estaline foram arrebatados para um cativeiro intelectual'.

Antes, Judt tinha dito: 'A nossa fé contemporânea no 'mercado' segue os mesmíssimos trilhos da sua sósia radical oitocentista - a crença cega na necessidade, no progresso e na História. Tal como o infeliz chanceler trabalhista britânico entre 1929-1931, Philip Snowden, desistiu perante a Depressão e declarou que não valia a pena contrariar as leis inelutáveis do capitalismo, assim os dirigentes da Europa de hoje se refugiam à pressa em medidas de austeridade orçamental para acalmar 'os mercados'.


[Hoje não transcrevo mais para não vos maçar mas há muito mais passagens que gostaria de aqui vos trazer. Talvez amanhã ou outro dia]

Tony Judt nasceu em Londres em 1948 e morreu, o ano passado, em Nova Iorque (no início de 2008, tinha-lhe sido diagnosticada esclerose lateral amiotrófica; um ano e tal depois perdeu os movimentos do pescoço para baixo; daí até à sua morte, prisioneiro dentro do seu corpo, passou a ditar as suas ideias e memórias pois já não conseguia efectuar qualquer movimento). Historiador, especialista em História Europeia, Tony Judt foi professor universitário em várias instituições (Cambridge, Oxford, Berkeley, Nova Iorque), fundador do Instituto Erich Marie Remarque, foi ensaista, investigador, foi galardoado em 2007 com o Prémio Hannah Arendt, em 2008 com o Prémio do Livro Europeu, em 2009 com um Special Prémio Orwell  for Lifetime Achievement. Foi até ao fim uma mente livre, uma voz lúcida, um inteligente intérprete da realidade.


sábado, dezembro 10, 2011

O amor segundo Tony Judt e Rilke. Pablo Neruda, que cantou o amor como poucos e Andy Garcia que lê (o poema 20) e Keira Knightly que interpreta. Joaquín Cortés vibra em Suaran Flamenco e, porque as cores assim o sugeriram, talvez o meu arquitecto preferido, Luís Barragán. E mais.


Das memórias de  Tony Judt que estou a ler, O Chalet da Memória', retiro este pequeno excerto em que ele diz que 'o amor é aquele estado em que somos nós próprios com mais satisfação'. A seguir refere Rilke: 'o amor consiste em deixar aos amados espaço para que sejam eles próprios, ao mesmo tempo que se lhes dá a segurança no seio da qual esse eu possa florescer'.

Nem mais.

E agora espaço para os poetas, actores, bailarinos, arquitectos - aqueles que, com a sua arte, nos proporcionam uma vida mais feliz. Enjoy, my dear friends.











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(Quase Rothko, em azul e nuvens, ou eu voando over the mountains.)


Secretamente
espreitamos-nos
como caminhos
à beira
de atraentes abismos.


(excerto do poema Secretamente de Virginia Schall)


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E tenham, meus Caros, um belo sábado.


(PS: E a cimeira? - perguntarão vocês... Pois: mais do mesmo. Pouco, coisinha pouca. Estamos mal entregues e não se vê escapatória. Agora talvez só quando o papagaio da popota perder as eleições, quando a própria popota também as perder. Até lá, vai ser isto, andando no fio da navalha, um sufoco permanente. Estão a ver porque não quis falar nisto...? É que já chateia.

Não fiquem agora, no fim, com esta sensação desagradável; por favor, voltem ao princípio que a voz do Andy Garcia ajudá-los-á a ficar bem dispostos de novo. If you please.)
   

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Como não sei o que vai sair da Cimeira Europeia de hoje, vou já aqui deixando um calendário de 2012 para, ao menos, sabermos a quantas andamos. Mario Sorrenti fotografa, a Pirelli sponsoriza e um grupo de belas mulheres proporciona fotografias de grande qualidade. Vejam o making of.


Dá gosto ver Mario Sorrenti em momentos de grande cumplicidade, intimidade mesmo (a 'cena' com a Kate Moss é espantosa, aquela troca de olhares é uma coisa...), dá gosto ver a encenação, ver como ele se transforma num caçador ao qual as presas, fascinadas, se oferecem. O filme é longo, cerca de vinte minutos, mas vale bem a pena, especialmente para quem gosta de fotografia.

Mario Sorrenti tem 40 ano, é napolitano, mas vive em Nova Iorque  e é um talentoso fotógrafo, podendo os seus trabalhos ser vistos na Vogue e na Harper's Bazaar. É conhecido por gostar especialmente de fotografar nus e por captar a alma dos corpos que fotografa.

Kate Moss, Lara Stone, Malgosia Bela, Joan Smalls, Saskia de Brauw, Milla Jovovich, Guinevere Van Seenus, Isabeli Fontana, Rinko Kikuchi, Margareth Mad são as modelos que figuram no calendário Pirelli 2012.




Tenham uma boa sexta-feira!

 

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Estou acima das nuvens, bem junto ao céu, somewhere over the rainbow. Comigo estão os pássaros e Polina Semionova e Vladimir Malakhov, magníficos em Caravaggio


Depois de abaixo ter escrito sobre as dívidas de Sócrates e sobre as dívidas de meio mundo, agora é altura de colocarmos um pouco de música para acompanhar o que se segue.

Podem carregar no play, por favor, e seguir em frente?


Pois é, meus queridos amigos. Sou urbana, executiva, supostamente eficiente e cosmopolita - às vezes. Outras, sou rural, camponesa, podo árvores do campo, construo caminhos, e sou fazedora de tapetes, ou pintora acidental.

Outras sou eremita, bicho do mato mais profundo. É assim que estou agora - recolhi-me à montanha, procurei as alturas, o Portugal mais antigo, mais isolado, mais no meio de nada. Aqui em cima sou o pássaro que gostava de ser, estou perto do céu, longe do ruído, longe da confusão. Aqui há um silêncio absoluto, há uma luz límpida, cristalina, um ar frio e puro, selvagem.

A cerca de 1.100 metros de altitude, hoje acordei e o que vi foi isto.


Um mar de límpido algodão a meus pés. Nem queria acreditar. Parecia uma sucessão de lagos brancos e macios e, no meio, os cumes dos montes, azuis, perfeitos, quase abstractos.



Por cima, um céu azul, limpo, nu, imaculado. Só então percebi que estava acima das nuvens. Somewhere over the rainbow skies are blue. Ah aqui não há crise do euro, não há merkel, durão, passos, nada disso.

Aqui há pureza, rochedos imensos, árvores orgulhosas, gente verdadeira, oxigénio, aviões que deixam um risco branco no céu, um frio que limpa os pulmões.


E este branco limpo que parece gelo e não é, que é o mundo visto de cima das nuvens, um mundo transparente, secreto, em que as aves passeiam e cantam junto a nós, e depois levantam voo. E eu voo com elas, livre, liberta.

Mais tarde, as nuvens desfizeram-se, talvez tenha chovido lá em baixo - não aqui. Aqui esteve sempre sol. E então a paisagem revelou-se de novo, mulher despida, sem vestes de veludo branco.


E, para terminar, apetece-me dançar, voar.

Fiquem comigo um pouco mais. Convido-vos a ver Polina Semionova e Vladimir Malakhov (Staatsballett Berlin) em Caravaggio, qualquer coisa de sublime.




Tenham um bom dia, meus Amigos.

 

quarta-feira, dezembro 07, 2011

José Sócrates em Paris e as virgens ofendidas - Pagar as dívidas todas é coisa de criança? Claro que é!

 
Por uns dias afastada da cidade e das notícias, ouvi apenas há pouco a indignação de alguns políticos e comentadores sobre o que Sócrates disse num encontro ou numa palestra em Paris (não percebi o que era aquilo).




Dizia eles que isto de querer pagar a dívida toda de uma assentada é coisa de crianças pois dívida é coisa que sempre há.

A língua portuguesa é traiçoeira e, do que acabo agora de ver nos vários canais da televisão, logo várias virgens saltaram para a arena, ofendidas, chocadas, para ver se o destruíam de vez.


Vejamos, então. Dívida numa empresa, numa organização, numa casa, num estado, é coisa que sempre há e sempre haverá. Paga-se a dívida atrasada e já nova se constituíu. Numa casa, se você paga a electricidade, a tv por cabo, a água, etc, no fim do mês, está a liquidar uma dívida que se constituíu pois foi consumindo ao longo do mês e apenas paga depois.

Nas empresas ou no estado é a mesma coisa em larga escala. Contrata fornecimentos e paga x dias (ou meses) depois da factura ter sido emitida e isto é o normal (é o normal se se pagar de acordo com o contratado...). Da mesma forma, quando se vende o que quer que seja a clientes, também não cobra logo, geralmente só cobra ao fim de um determinado período.

Qualquer empresa, por exemplo, tem departamentos de pagamentos a fornecedores e de cobrança de clientes. Pagam-se ou cobram-se umas facturas e já novas estão a entrar. Gerir o fundo de maneio, gerir o cash flow, são coisas normais em qualquer organização.

Ensina(va)-se nas universidades todas que o bom é receber o quanto antes, e pagar o mais tarde possível pois isso gera uma almofada de cash que permite investir sem penalizar outras rubricas, ou seja, libertam-se fundos para investir na actividade.

Isto é gestão e não tem mal nenhum, ou seja, é boa gestão. E, do que ouvi, era a isso que Sócrates se referia.

O que está mal é ter sistematicamente mais contas a pagar do que contas a receber. É o tal défice. O que está mal é atrasar pagamentos para além do contratado. Isso estrangula a economia pois causa dificuldades nos fornecedores.

Agora ter dívida (dívida controlada) não tem mal nenhum. É assim mesmo. Da mesma forma que é normal não cobrar no acto de entrega da factura ao cliente. No caso dos impostos também é enviado um aviso e apenas é cobrado algum tempo depois.

Todos os países têm dívida e isso é normal. Anormal é quando as coisas de desquilibram.

Por exemplo, Portugal tem uma dívida pública que é 106% do PIB (é muito, claro). Mas no caso do Japão estamos a falar de 233%, na Itália é 121%.

E se falarmos em dívida externa (pública e privada - e, sejamos, claros a dívida privada, que não é responsabilidade do Governo, em Portugal é enorme...! - então teremos que em Portugal ela é 251% do PIB (e é este indicador, conjugado com o anterior e conjugado com a estagnação do desenvolvimento económico que faz temer a bancarrota) mas na França é 235% , na Espanha é 284%, em Inglaterra é 436% (!!!!) e na Irlanda (o tal caso de sucesso com quem Passos Coelho diz que nos devemos comparar) é 1.093% (!!!!!!!!).

Ou seja, queridas virgens, vamos lá a recolher ao convento que não é caso para tanta agitação.
 

Vozes que envolvem: Melody Gardot e Jeremy Irons. Corpos que contam histórias: Akram Khan e Sidi Larbi. E, de resto, 'não esperes que te caia do céu'

Nestes tempos de incerteza e desesperança, adocemos a nossa existência com bons momentos. Desfrutemos com vagar e prazer as vozes que nos envolvem, deixemos que o nosso pensamento voe com os belos corpos que se desdobram, que deslizam, que falam. Ao menos que estes momentos nunca se percam.








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De resto, meus Amigos, fiquem-se com esta imagem que colhi na rua e que é todo um programa de vida:



E tenham um bom dia, meus Caros. Enjoy (if you can).

terça-feira, dezembro 06, 2011

A Popota vai tomar conta de nós, que bom. O Papagaio sorri e acha bem que os mal comportados levem umas valentes chicotadas da Dominatrix Popota. (Isto no dia em que Merkel e Sarkozy anunciam que vão rasgar o Tratado de Lisboa e fazer uma casinha para eles e na qual poderão receber os que gostarem da festa)


Ah, meus amigos, que bom, que boas notícias tivémos ontem - a Popota vai tomar conta de nós. Ufff, já me sinto mais descansada.


Andávamos para aqui, no nosso rectângulo de plástico (de plástico para ser mais barato, claro, que os tempos estão de crise - e já o O'Neill o aconselhava), a ficar cada vez mais pobrezinhos, à mercê deste grupinho que nos anda a ir ao bolso dia sim, dia sim, a ver a desgraça a aproximar-se a olhos vistos, com o cherne-mor a dormir nas suas águas profundas, incapaz de nos defender (a todos) do grupo organizado de homens sem rosto que nos ataca sem dó nem piedade, e andava para aqui eu a queixar-me da falta de lideranças e eis que hoje a Popota estendeu o braço, elevou-se na sua bota alta e estabeleceu que, a partir de agora, é ela que manda e desta vez é às claras e a sério. Até aqui andou a ensaiar, a ver se alguém se opunha, a ver como é que a maltinha reagia. Dado que ninguém se importou, então, ela sai do armário, assume a sua veia germânica e vai tomar conta disto tudo.

De que estou eu a falar, perguntam-me vocês?

Então não ouviram que finalmente a Popota mais o seu Papagaio amestrado chegaram a um acordo? Que já sabem como é que ela, com ele pela trela, vão governar a Europa...? Não ouviram? Ah, se não ouviram, perderam um grande momento, um momento histórico.


Dizem eles que vão rasgar o mais depressa possível o Tratado de Lisboa (aquela do 'porreiro, pá...' não lhes caíu bem, expressãozinha mais suburbana, mais sulista, credo), que já estão a começar um novo tratado europeu, que terão todo o gosto em receber lá na casinha que vão fazer quem quiser juntar-se a eles, que as regras vão ser na base do chicote, quem se portar mal levará logo uma valente chicotada (que ela, a Popota gosta de usar bota alta, decote generoso e um certeiro chicote na mãozinha gorda; ele, o Papagaio, já recebeu umas valentes chicotadas e gostou).

E, pronto, parece que é isto. Parece que vamos ser governados pela Popota. E já sabemos o que nos espera.

Aqui, no nosso rectângulo, para que não tenhamos ideias abstrusas, até nos vão tirar o dia da Restauração (Restaurações?! Que é lá isso? Restaurantes? Isso tem a ver com a subida do IVA?) e já há por aí quem acorra a prestar vassalagem. Tudo fazem e tudo farão para fazer parte do corpo de baile - ou melhor, do coro - da Popota. São uns verdadeiros artistas.

Ou seja, meus amigos, não sei se é porque estamos quase no Natal ou por qualquer outra razão mas parece que vamos ter a Popota Merkel no sapatinho.



E agora que já viram o filmezinho para crianças, deixo-vos aqui um outro filmezinho, este de uma Dominatrix, para nos irmos habituando ao género. Nota: Este filmezinho já não é para crianças, certo? É para gente mais crescidinha e tem um carácter meramente didáctico, está bem...? A qualidade não é extraordinária mas, como este é um blogue de família, tive que arranjar um que fosse minimamente decente.




E divirtam-se meus Amigos. Coração ao alto, cabeça erguida. E sorriam que é do melhor que há! Ou melhor, riam, riam alto e bom som!


E tenham um bom dia!
    

domingo, dezembro 04, 2011

Senhor Governador do Banco de Portugal Carlos Costa isso são maneiras de tratar um Deputado? Chamar-lhe ignorante?! Que falta de maneiras. Está certo que também não gostei daquele grande piercing a meio da orelha do João Galamba mas isso é uma coisa cá minha


Ando bissexta - já para não dizer alentejana, que os prezo muito e não acho nada que sejam lentos. Mas vi na televisão uma cena já há uns dias, talvez na sexta-feira, e só hoje a vou comentar. Na sexta não escrevi aqui nada, acho eu, e ontem deu-me para a arte. Vai hoje, que ainda vai a tempo.

Mas então, dizia eu, que vi na televisão o Senhor Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa de seu nome, destratar grosseiramente, usando um desagradável tom de superioridade intelectual, um deputado do PS, João Galamba.



Passou-se isto numa sessão parlamentar e Carlos Costa, perdendo a sua habitual lentidão na articulação verbal, dirigiu-se com irritação a João Galamba, usando expressões como ' Deixe-me acabar porque isso é de uma ignorância total', 'Se não sabe, vá aprender', etc. Não gostei.

Nem sei de que estavam a falar porque apenas apanhei um curto excerto (crowding out e mais não sei o quê) o mas isso também não interessa porque o que me parece ser relevante é que as pessoas devem saber comportar-se como um mínimo de civilidade. Sendo os deputados os representantes do povo, pelo menos em teoria, e sendo a Assembleia da República a Casa da Democracia, exige-se que quem ali vá prestar explicações saiba comportar-se, respeitando a Casa em que está e as pessoas a quem se dirige.




No entanto - e agora num aparte - ao ver o grande plano do deputado João Galamba, não pude deixar de ficar desiludida. Tão bonitinho que ele é, do melhorzinho que por aquela Casa tem passado, e com um vulgar e inestético piercing na orelha?! Ainda se fosse um brinquinho pequenino, discreto, quase invisível... agora uma coisa daquelas tão feia, tão vulgar....? Muito mal. Visto num relance quase parece que tem um inestético sinal ou que um bug ali se alojou, que coisa feia. Claro que é um pequeno pormenor que quase não desmerece o resto mas distrai-nos, desfoca-nos, introduz ruído. Faça o favor de o tirar Senhor Deputado.

Ele ofendido com a deselegante investida de Carlos Costa, todo enervado, ar atarantado, quase ruborizado, e a trocar-se todo ('Gostava que me pedisse um pedido de desculpas'...), e eu a reparar no piercing...

Mas pronto, não falo mais do João Galamba.

Gostava mesmo é que o Governador do Banco de Portugal mostrasse a boa fé intelectual que diz apreciar mas, a par disso, mostrasse respeito pelas instituições, mostrasse boas maneiras, e, se achasse que era o caso, fosse capaz de ser didáctico sem ser ofensivo.

Tenho dito.

sábado, dezembro 03, 2011

Mulheres de uma certa raça - escondem segredos e falam do prazer, usam o corpo como se dissessem poesia, voam e riem e cantam (exemplifico: Maria Teresa Horta, Sylvie Guillem, Patricia Petibon)


Com que palavras ou que lábios
é possível estar assim tão perto do fogo,
e tão perto de cada dia, das horas tumultuosas e das serenas,
tão sem peso por cima do pensamento?
 




Pode bem acontecer que exista tudo e isto também,
e não só uma voz de ninguém.
Onde, porém? Em que lugares reais,
tão perto que as palavras são demais?





Agora que os deuses partiram,
e estamos, se possível, ainda mais sós,
sem forma e vazios, inocentes de nós,
como diremos ainda margens e como diremos rios?
 





[O poema de Maria Teresa Horta, uma mulher on fire, chama-se Segredo e é lido por Pedro Lamares; a mulher de longos cabelos e corpo de intangível pássaro é Sylvie Guillem; a mulher ardente como costumam ser as ruivas é Patricia Petibon interpretanto Giulio Cesare de Antonio Sartorio; e o poema é 'Passagem' dedicado a Inês de Manuel António Pina in 'Como se desenha uma casa']



Tenham um belo fim de semana! Divirtam-se!

(E que ninguém se sinta só)

sexta-feira, dezembro 02, 2011

O triunfo dos porcos: governam e parecem pessoas mas - reparemos bem - não são! E, mesmo que achem que não tem nada a ver, recordemos o Novecento (1900) de Bernardo Bertolucci e, coisa puxa coisa, façamos coro com os escravos hebreus e gritemos 'Va, pensiero sull'ali dorate'


Hoje não estou para grandes palavreados porque há tanta coisa estúpida a acontecer, cá e mundo fora, e vejo tanta gente estúpida a fazer disparates à tripa forra achando-se empossado para tal (e, caraças! - de facto, foram-no porque quase tudo o que de pior se vê a acontecer, acontece no mundo civilizado, democrático, em que os governantes são eleitos pelo voto popular), que vou deixar-vos com três clips que dão gosto.

1. Já aqui anteriormente referido, O Triunfo dos Porcos ou a Quinta dos Animais do escritor inglês George Orwell foi escrito originalmente para parodiar o regime estalinista. Contudo, a alegoria foi tão bem urdida que pode ser vista como actual e adequada a muitas situações actuais.

A forma como os princípios que eram usados como bandeira antes de tomarem o poder foram totalmente adulterados logo que chegaram ao poder, as críticas aos governantes anteriores e as promessas que foram de imediato metidas na gaveta,  a forma despudorada como usam o poder para seu benefício pessoal, o desprezo que revelam pela população que vai sendo explorada e empobrecida - tudo isto é uma história que conhecemos muito bem. Snowball e Napoleon, dois porcos muito conhecidos.




2. O filme Novecento (1900) de Bernardo Bertolucci, 1976, com Robert de Niro, Gérard Depardieu, Donald Sutherland, Burt Lencaster, Alida Valli, Dominique Sanda, é um filme épico, que não se esquece, e que decorre em Itália num período de guerras, pobreza, exploração, revolta, luta pelos legítimos direitos.





3. Nabucco é uma ópera de Verdi (1813 - 1901) que conta a história do rei Nabudonosor da Babilónia, foi escrita durante a ocupação do norte de Itália pela Áustria. O 'coro dos escravos hebreus' tornou-se quase um hino, a música que os italianos sentiram como o seu grito de amor por Itália, contra os ocupantes. No enterro de Verdi muitos milhares de pessoas acompanharam a sua despedida, entoando as suas músicas e, muito em especial, este 'va, pensiero'. Vai, pensamento, com asas douradas. Vai, pensamento.




««««»»»»


E tenham, meus amigos, uma bela sexta-feira.

quarta-feira, novembro 30, 2011

A Alemanha e a França demencialmente obstinadas, a Itália no centro do medo, ou a Europa a brincar com o fogo. A isso respondo com Amor Total e Fidelidade - um Método Perigoso, sem dúvida, mas que pode trazer muita Alegria. (Poesia, Música, Cinema, Circo, Sol)


Engripada, incomodada, quero lá eu saber se os ministros europeus das finanças, todos reunidos uma vez mais e antes da cimeira de chefes de estado que terá lugar daqui a duas semanas, decidiram avançar para a alavancagem do fundo --- coisa já anunciada há meses e ainda não posta em prática porque a alavancagem é de tal monta que ninguém lá quer pôr o pescoço.

A Itália a soçobrar - o, até há pouco tempo, grande colosso económico e industrial, é agora um gigante que se arrasta, exposto ao gáudio de alguns, dos que tanto vão ganhar. Escuso de vos dizer, meus amigos, que nestas coisas, nada se perde, tudo se transforma. E que, sempre que alguém muito perde, há alguém que muito ganha.

As vozes começam a elevar-se em agonia, 'ai a zona euro a implodir', 'ai a Europa e desfazer-se', e a solução é tão óbvia que espanta como não há um homem ou uma mulher com voz suficiente forte que seja capaz de dar um murro na mesa e dizer que já chega, que mande calar o par de jarras Merkel e Sarkozy, que os mande sentarem-se sossegados, longe um do outro, na última fila, 'shiu que já chateiam, seus estúpidos, caluda', alguém que diga, 'está na hora de as pessoas com tino se chegarem à frente' e correr com esta trupe de gentinha que para aí tem andado a ver se consegue montar o circo e sem competência para o fazer, 'fora, fora daqui, chô, que se cheguem à frente as pessoas de bem, e vamos lá emitir moeda, e vamos lá a olhar para isto com olhos de gente, de gente solidária, democrata, inteligente'.

E por cá, na nossa triste e indigente politiquinha? Bem, já custa - é que até dói. Passos Coelho, mais parece um tonto, menino marrãozinho e algo destituído que segue a burra da Merkel como se fossem ambos inteligentes, o Tozé Seguro com aquele ar de pateta armado em duro, tudo o que diz e faz mais parecendo uma comédia de 5ª categoria, tudo a fingir, pechisbeque, plástico chinês, tudo demasiado mau. Dou por mim a achar acertado o que os do PCP dizem, dou por mim, vejam bem, a ouvir com agrado a Heloísa Apolónia (mas, enfim, ando engripada, quem sabe o vírus não está a fazer das suas...?).

E as vozes que antes tínhamos por algo conservadoras (Jaime Nogueira Pinto, por exemplo) levantam-se e dizem, 'estamos a ser governados por ignorantes' e o rosto demonstra a dor que lhe vai na alma. 

Tudo muito mau, muito preocupante. E eu, engripada, não me apetece mais disto, já chega, credo, como chegámos a isto, senhores...?! E só me apetece chá quentinho, palavrinhas amáveis, peace and love, if you please.

E, portanto, vamos mas é dar uma voltinha por aí, que vai ser bom. No fim, ainda volto á conversa para uma despedida especial tendo em conta que amanhã é um dia histórico.



Amor total, diz ela, sonhadora
 



Fidelidade, diz ele, e mente como todos os sedutores fazem tão bem





Um método perigoso, usam eles, deixando-se enlear nos perigosos caminhos das palavras que tão ardilosamente levam à sedução

(psicanálise, que riscos encerras....)




Eu, que de Freud e Jung aprecio sobretudo o lado inovador e o que se prestam a romances destemperados, sugiro que acabemos o passeio com Alegria, com música, movimento, magia. Cirque du Soleil e o seu espectáculo Alegria, pois claro.


/\

Boa quarta-feira, minha gente e vamos preparar-nos para gozar em festa o último 1º de Dezembro como dia feriado.

(Será que o Relvas e o seu subordinado Pedrocas fazem ideia ...? Gostava que, à sorrelfa, umas entrevistadoras daquelas 'tipo Fama Show' se aproximassem deles, os mandassem aspirar o hélio de um balão e lhes perguntassem, 'os meninos sabem o que é que se comemora a 1 de Dezembro...?'.

Sempre gostava de ver a cara deles, atrapalhados a olharem um para o outro, vozinha de falsete, a disfarçarem a hesitação como se estivessem apenas armados em engraçadinhos, '1 de Dezembro...? Bem... eu acho que é o dia de S. José... ai não que este é dos civis, .... será o dia do Viriato, aquele que foi de corda ao pescoço entregar-se ao Afonso Henriques? Ai não, que o Afonso Henriques foi antes do Viriato' e o outro, corado, 'Acho que não, acho que tem a ver com a padeira de Aljubarrota, aquela a quem raparam o cabelo e que tinha uma espada muito grande, ou será que essa era a lourinha de cabelo à rapazinho, a francesa? Capaz de ser isso, o dia da padeira mas que era bem capaz de ter um bigode maior que o de um sargento'. E as meninas, frescas e soltas, a rirem, e eles a pensarem que ainda bem que a entrevista tinha sido para o Fama Show... ufffff.

Ou seja, cá para mim não fazem ideia. Mas nem do significado dos dias, nem de coisa nenhuma.

  

terça-feira, novembro 29, 2011

Le baiser, les excentriques, le boudoir, le classique, le mâle, les mâles - Jean Paul Gaultier, bien sûr. E Renée Fleming, a Casta Diva de Bellini


No post abaixo fala-se de coisas sérias mas aqui, meus amigos, aqui mostram-se coisas importantes.

Joseph Stiglitz e de Dilma Roussef, a seguir, explicam porque são tão contrários às suicidárias políticas que estão a ser impostas à Europa. Mas isso é a seguir. Agora, meus caros, estamos na companhia de Jean Paul Gaultier. Faites vos jeux. Escolham que há para quase todos os gostos. E, no fim, receberão a cereja: Renée Fleming, elle-même, a belíssima Casta Diva.



   


   



  

 




  

   




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Ok, se já estão com a alma apaziguada, desçam, então, um pouco para se atormentarem um bocadinho que isto de se viver alienado não é lá grande ideia....


E sorriam. E tenham um bom dia.

 

Segundo o Nobel da Economia, Joseph Stilglitz, políticas de austeridade como as que estão a ser impostas à Europa correspondem a um suicídio económico. No Brasil, Dilma Rousseff pede ao sector privado para investir e ao povo para consumir. Por cá ninguém os ouve - que chatice!


Do Expresso online de sexta feira passada:




Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001 e antigo vice-presidente do Banco Mundial, num encontro com jornalistas na Corunha, em Espanha, onde proferiu a conferência "Pode o capitalismo salvar-se de si mesmo?", afirmou que as políticas de austeridade constituem uma receita para "menos crescimento e mais desemprego". Stiglitz considerou que a adoção dessas políticas "corresponde a um suicídio" económico.



Por seu lado, a Presidente Dilma Rousseff defendeu que toda a crise representa também «oportunidades» e exortou os trabalhadores e os empresários a não se «atemorizarem» e a continuarem a consumir e a investir. «O que nós temos de fazer diante da crise não é nos atemorizar. Ao contrário, o que temos de fazer é avançar, garantir que o setor privado continue investindo e que o povo brasileiro continue consumindo», afirmou Dilma Rousseff num evento no Rio de Janeiro.

Dilma Rousseff garantiu ainda que, como Presidente do Brasil, não deixará que a crise internacional represente uma quebra na criação de empregos no país, e muito menos que o país «exporte mão de obra».


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Será que alguém do Governo Português os ouviu?

Tenho dúvidas. E, mesmo que ouçam, não percebem. Estamos tramados é o que é.

 

domingo, novembro 27, 2011

Pausa na crise porque 'oh gente da minha terra, é meu e vosso este fado, este destino que nos amarra' - Fado, Património Imaterial da Humanidade

  
Saibamos honrar a iniciativa da candidatura e o reconhecimento demonstrado através da atribuição do 'galardão' de Património imaterial da Humanidade ao Fado.

Não o desvalorizemos, não o menorizemos. Saibamos sentir orgulho. Saibamos valorizá-lo e, last but not the least, saibamos tirar proveito disto. Tal como Espanha tem um turismo do flamengo, tal como a Argentina tem um turismo do tango, saibamos nós fazer negócio a sério deste tão importante reconhecimento mundial.




Depois de ouvirmos Mariza, um nome grande no Fado, sentimos como a emoção que nos toma, apela ao que mais íntimo e melhor temos. Que isto não seja encarado como um fatalismo, um derrotismo. Pelo contrário, percebamos a importância de assumirmos, orgulhosos e determinados, a nossa portugalidade, a importância de nos sabermos defender, de sabermos fazer uma barreira a investidas de 'tecnocratas sem rosto, mãos invisíveis que ninguém controla' (nas inspiradas palavras de Sampaio da Nóvoa).

Não quero, agora, parecer que estou com um baldinho na mão (um baldinho de água fria); mas, porque acho importante que se compreenda o funcionamento dessa omnipresente figura que de abstacto pouco tem, os 'mercados' (que só avançam porque ninguém lhes oferece verdadeira resistência), permito-me sugerir que desçam um pouco, Wall Street está já aí. Richard Gere e Julia Roberts também dão uma ajuda na explicação.
 

Inside Job em Wall Street (e não só) e o dia em que Richard Gere levou a pretty woman Julia Roberts ao restaurante


Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.








A citação é de José Saramago e os clips referem-se aos trailers do documentário Inside Job e do filme Wall Street (Money never sleeps) e à cena do restaurante do filme Pretty Woman.

Bom domingo!

sábado, novembro 26, 2011

No mesmo dia, Durão Barroso e Cavaco Silva chamam pouco inteligente a Passos Coelho; Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, diz que estamos a ser governados por manageiros, tecnocratas. E, segundo o Expresso, Isaltino de Morais e Duarte Lima - dangereuses liaisons


Como habitualmente, é no carro, sozinha, sem ter com quem comentar, que ouço coisas fantásticas. Apercebo-me que fico de boca aberta, tamanha a estupefacção que me assola não raramente.

Hoje, de carreirinha, ouvi Durão Barroso, a discursar em Portugal, dizer que é muito pouco inteligente cortar no orçamento da Educação, da Cultura, da Ciência. Frisou: é muito pouco inteligente. E explicou que para que algum país se consiga aguentar neste mundo turbulento é nestas três áreas que mais deve apostar. Que, face à escassez de recursos, há que sopesar onde se investe e que é pouco inteligente cortar onde, justamente, se deveria apostar com convicção. Na plateia Nuno Crato ouviu calado. Não deve ter feito outra coisa senão engolir em seco.

Ouvi também Cavaco Silva, honra lhe seja feita, explicando que cortar na despesa é fundamental, que pagar a dívida é fundamental. Mas que não chega - que tem que se relançar a economia, estimular o crescimento, atacar o desemprego. E que o BCE tem que deitar a mão ao afundamento colectivo da Europa, que tem que assumir a dívida dos países, que tem que emitir moeda e que apenas quem não tem conhecimentos nenhuns nesta matéria é que, numa situação destas, pode achar que isto seria mau por favorecer a inflação.



Mas a coisa não se ficou por aqui. Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, homem com um discurso que me pareceu sereno e corajoso, disse que estamos a viver tempos de extrema incerteza, governados por manageiros, tecnocratas sem rosto, mãos invisíveis que ninguém controla. É isto mesmo.

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Agora no noticiário da meia-noite ouço o que vai ser a primeira página do Expresso - aquilo de que já tinha ouvido falar, ainda ontem ao almoço foi tema de conversa. As ligações entre Isaltino e Duarte Lima estão a ser investigadas - terrenos em Oeiras, contrapartidas, etc e tal. Diziam-me ontem: são os custos do regime, os custos de contexto. E aquele grupinho de amigos, de compagnons de route, movimentava milhões, mas muitos milhões. Achávamos muito os 6 milhões de que se falava, ao princípio, relativamente a Duarte Lima? Quais seis milhões? Quais quarenta milhões? Upa, upa, dizem.

Milhões que, em última análise, andamos todos agora a pagar através dos nosso impostos.

Tão revoltante.

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Entretanto, a degradação na Europa, qual gangrena, avança. Todos os dias avança um pouco mais.



Bélgica, Itália, Espanha, a gangrena começa a minar o núcleo duro. A Alemanha e a França já a acelerarem os estudos de retirada; a Holanda já com um grupo parlamentar a estudar o fim do euro. E os investidores, os especuladores, os homens que farejam a carniça a salivarem, vai-lhes tudo cair no colo de mão beijada. E nós no package, nós os que perderemos a soberania, os direitos, o orgulho.

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Mas é sábado, não é dia para carpir. Nem pensar. Sábado é dia de festa. Queiram, portanto, meus amigos descer um pouco mais. Tenho uma coisa à maneira para vos mostrar. Gente divertida, gente que nos diverte, e arte, meus amigos, arte, dança, música. O mundo pode despedaçar-se que nós, meus amigos, continuaremos aqui a fruir a arte. Posso contar convosco, não posso?

Desçamos, então, juntos.
 

Arte, fruição, alegria - Jirí Kylián, Nederlands Dans Theater, Mozart - Black and White


Ah o que eu gosto desta gente. O coreógrafo, os bailarinos, a alegria, a irreverência, a arte.O que eu gosto deles, senhores. Vejam-nos aqui ao som de Mozart.




Tenham, meus Caros, um belo sábado.

Divirtam-se!!!!!