quinta-feira, janeiro 26, 2012

Jane Fonda e o Terceiro Acto; Criatividade ou boa gestão; Pep Guardiola é eleito o treinador mais sexy e bate José Mourinho: os estranhos homens do Benfica (exemplo: Jorge Jesus e João Malheiro); Passos Coelho fala e os juros disparam para valores aterradores; e Kirí Jilián, Helmut Newton e Luís Pedroso para isto acabar bem



Diz Jane Fonda (e aconselho francamente que a ouçam) que o mais condiciona a vida de uma pessoa não é tanto o que lhe acontece mas a forma como reage ao que lhe acontece. Eu não podia estar mais de acordo.

Há pessoas a quem surgem oportunidades fantásticas e que, por uma série de indecisões ou más decisões, acabam por passar ao lado do que poderia ser uma vida feliz e realizada.

Há outras a quem acontecem insignificantes contratempos e arrelias e que se deixam enredar de tal forma em equívocos, mal entendidos, reacções extemporâneas, que acabam submersas em coisas que poderiam e deveriam ser coisa de nada.

Em contrapartida há pessoas que seguem em frente, dispostas a não desgastar energias com o efémero que pulula no dia a dia, nem a comprometer o rumo do seu caminho a troco de coisa nenhuma.

Diz Jane Fonda, com a autoridade de quem está nos 74 com um aspecto fantástico e uma vida preenchida e realizada, que a vida é melhor, que a longevidade pode ser usufruída com muito maior qualidade se soubermos manter o propósito de sermos felizes. 

Digo eu que a vida faz mais sentido se não nos desviarmos dos nossos propósitos à primeira contrariedade. Tantos exemplos que conheço de pessoas que, por dá cá aquela palha, viram as costas ao destino. Depois, mais tarde, reconhecem que erraram, que exageraram na reacção mas já é tarde demais, o mundo já seguiu a sua trajectória.

...


Discute-se agora nos meios ligados à gestão se para um progresso (ou sucesso) sustentado, é preferível a inovação e a criatividade ou a boa gestão.

Depois de muitos anos a divulgar-se e a incentivar-se a criatividade como o motor de sucesso de tudo, eis que começam a levantar-se vozes em defesa da qualidade da gestão.

E são dados exemplos de ideias de grande criatividade que por lhes faltar as bases mínimas em termos de gestão acabam por soçobrar e, em contrapartida, ideias que apesar de nada terem de inovador, se tornam sucessos fantásticos.

Defende-se e demonstra-se que a criatividade será sempre uma coisa de nichos, uma coisa de pequenos grupos, não massificada; pelo contrário a qualidade da gestão pode advir de se pegar numa dessas ideias, inovadora ou não e implementá-la de forma sustentada, com bons processos internos, com uma boa ligação ao cliente.

Que cada um de nós, na nossa vida quotidiana, não se exaspere se não descobrir aquela fantástica ideia luminosa que acontece uma vez na vida de uns quantos iluminados - a vida pode ser boa na mesma se nos limitarmos a fazer aquilo de que gostamos, com a competência possível, com os meios ao nosso alcance.

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Prosseguindo na senda dos assuntos de interesse geral, faço agora questão de aqui dar conta de um inquérito levado a cabo junto das leitoras da revista Hola relativamente a qual o treinador que consideravam o mais sexy.


Pois venceu Pep Guardiola (3.360 votos), seguido de longe por José Mourinho (apenas 1.226).

Tenho alguma dificuldade em perceber pois, à vista desarmada, o nosso special one é bem mais giro, tem mais malandrice. 


Mas, talvez, no momento de votar, as leitoras tenham avaliado de outra forma. Defensores que são do que é deles, a primeira motivação das leitoras (espanholas na sua maioria) pode muito bem ter sido dessa ordem, ou seja, com algum chauvinismo à mistura elegeram um espanhol. 

Depois, talvez tenham pensado que o José Mourinho tem um bocado de mau feitio, tem talvez alguma malandrice a mais e, daí, talvez tenham preferido o Pep que tem ar de bom rapaz, malandreco mas um malandreco inocente.  Nestas coisas, nenhuma mulher quer um santinho mas um indivíduo um bocado arrogante e quezilento pode ser uma carga de trabalhos. Por isso, por via das dúvidas, devem ter votado no Pep.

Uma outra razão – mas, claro, tudo isto é mera especulação - pode ter a ver com o cabelo. Dizem que é dos carecas que elas gostam e isto tem uma razão de ser e, como sempre, radica no lado mais animal do ser humano em que, como qualquer animal, a fêmea procura o macho que mais garantias dá de ser um bom procriador. Ora deve ter ficado gravado no DNA da espécie que os carecas são melhores reprodutores. Isto deve-se a que a testosterona é uma das principais causas de calvície. Claro que há outras causas para a calvície e claro que o que não falta são homens que desmentem a teoria, cabeludos e viris, mas enfim, são coisas que vêm dos primórdios, nada a fazer.

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E por treinadores. Há pouco estava a ver, na TVI 24, a Constança Cunha e Sá e, nisto, passou para o noticiário e quem é que eu vejo? De repente quase me parecia a própria Constança com uma voz mole mas, depois, vi com atenção - e, imaginem, era o magnífico treinador do Benfica ou melhor, o treinador da magnífica cabeleira. 


Esta fotografia não lhe faz juz. Agora o cabelo está maior, mais escadeado, uma beleza. 


Estava tal e qualzinho o cabelo da Constança. Ia para o jantar de anos do Eusébio. Quanto ao que ele disse não dá para transcrever nem é relevante - estive o tempo todo estarrecida a olhar para a extraordinária cabeleira. Só visto, mesmo.

Mas, nessa reportagem vi outra coisa igualmente perturbante. 


João Malheiro, aquele cavalheiro que tem uma voz estranha, acho que era o relações públicas do Benfica (mas porque será que no Benfica os homens parece que são assim para o estranho...?), dizia que, para ele, o Eusébio era melhor que o Natal, e enfatizava 'Eu há bocado dizia: ó Maior (porque é assim que eu trato o Eusébio), ó Maior tu para mim és mais melhor que o Natal'. E eu fiquei à espera de uma explicação para metáfora tão profunda mas a explicação não veio e eu ainda aqui estou a pensar que aquele João Malheiro deve ter uma grande confusão naquela cabeça ou então sou eu que não entendo a metafísica da coisa.

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E por coisas delirantes: sobre a notícia que dá como certa que Portugal necessita de um segundo programa de resgate, Passos Coelho falou aos jornalistas. Que não, que não precisamos nem de mais dinheiro, nem de dilatação de prazo. Mas que, se por condições externas, acontecer alguma coisa, a Europa não vai deixar de nos valer.

Reacção dos mercados: juros batem record. A conversa titubeante de Passos foi entendida como o reconhecimento de que alguém vai ter que valer a Portugal. Os juros atingem valores assustadores e eu nem os vou escrever aqui para não ter pesadelos porque, saindo daqui, quero ir dormir descansada. Mas podem ver aqui.

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E agora, para isto não acabar excessivamente mal:

Yesterday is history,
tomorrow a mistery
but today is a gift.
That is why they call it
'the present'

Jirí Kylián (um dos meus coreógrafos preferidos)



Jiri Kílián, Petite Mort-Africa guzman, Joeri de Korte
NETHERLAND DANS THEATER


por Helmut Newton

Reuni uma companhia de actores,
um carnaval delirante.
Simulo que poderei escapar a essa negra
matemática.
A essa deposição de flores sinistras.


Sob mantos de musgo, nada resta.
Sob líquenes e séculos
uma rupestre lua,
um pêndulo cristalino.
Uma manhã submersa.



(Cronómetro I, de Luís Pedroso in Criatura)


E tenham, meus Caros, um bom dia!

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Moralismos numa hora destas? E outro plano de resgate para Portugal? ... O ano está a começar bem, está... Valha-nos a poesia de Golgona Anghel e a fotografia de Jeanloup Sieff


Andei na catequese até aos 9 anos.

Fiz a primeira comunhão quando devia ter uns 6 anos, aperaltada com um vestidinho curto, rodado, de renda branca e devia ir toda enfeitada de florzinhas (ou, então, era a capela que estava toda enfeitada de florzinhas e cheirava a rosinhas e a velas derretidas e a soalho encerado e eu adorava aquele cheiro).


Depois continuei na catequese até à comunhão solene à qual compareci vestida de freira, uma veste singela de um tecido espesso branco sujo, um cordão à cintura, um véu do mesmo tecido cobrindo o cabelo comprido. Vejo-me numa fotografia tirada por um fotógrafo profissional a olhar para o alto, de lado, aparentemente compenetrada. Mas lembro-me dessa sessão, de como me senti parvinha, a trocar de roupa para a sessão, o fotógrafo a querer que eu me empertigasse, a ajeitar-me pelos ombros para ficar a três quartos, a rodar-me a cabeça, a levantar-me o queixo (e tinha a mão fria, ele), e a minha mãe a observar, a querer que eu ficasse bem.

Enfim, momentos incompreensíveis da nossa existência.

De facto, nunca percebi nada daquela cena. Porque é que para a primeira comunhão ia radiosa, rendinhas brancas, vestidinho curto e para a outra já fui naqueles preparos, armada em ascética freira?

Mas a questão nem é essa, a questão é que nunca me identifiquei com o que lá aprendia. Era pequena e tudo aquilo me parecia forçado, muito drama para ser ensinado a crianças pequenas, muita culpa, muita punição. Já uma vez aqui falei nisso. Todas as sextas feiras íamos à capela (ou seria só em alturas especiais?) e tínhamos que nos confessar. E eu lembro-me de ficar sentada no banco cá atrás a puxar pela cabeça e a ver o que é que, daquilo que eu tinha feito, poderia ser considerado pecado – e achava que tudo era uma coisa pouco natural, sem lógica nenhuma, e depois, como desde pequena que tendo para a criatividade, chateava-me ter que ser repetitiva e, se na semana anterior confessava que tinha feito alguma maldade, na seguinte já me sentia compelida a descobrir algum pecado de natureza diferente. Depois, se tinha aprendido os pecados capitais, sentia-me ridícula por ir maçar o padre com minudências insignificantes em vez de aparecer a confessar coisa que se visse. E, então, ali ficava a dar a vez aos outros, contrariadíssima, a ver se, entretanto, me ocorria alguma coisa de que me sentisse culpada. 

Felizmente sou uma criatura destemperada e esse sentimento de culpa não deixou marcas dentro de mim.

Se tenho dúvidas, sopeso, analiso e aconselho-me antes de agir; se a minha consciência aprova, faço; se a consciência não aprova, não faço – é simples. Se verifico que errei, corrijo, se for caso disso, peço desculpa ao eventual lesado. Não pauto a minha actuação por preceitos radicados na culpa ou na potencial culpa ou no receio do julgamento por parte de terceiros (mesmo que os terceiros sejam Jesus Cristo e a Igreja católica).

Mas encontro sentimentos de culpa a toda a hora nas pessoas mais atiladas, provavelmente naqueles a quem a catequese produziu efeito.

Penso que grande parte do que se está a passar a nível das medidas para ultrapassar a crise radica aí. É como que um package punitivo. 

Quem fez dívida para além da conta tem que amargar de todas as maneiras possíveis e imaginárias: mais impostos, coisas mais caras, menos segurança, ameaças, medos, ou isto ou o apocalipse, arder no fogo eterno, e tem que rezar cem pais nossos e duzentas ave marias, ou seja, pagar mais juros, muito mais juros, e mais comissões à troika, e mais os ordenados de três mil assessores do governo e mais trezentas chibatadas todos os dias (tantas quantas as vezes que somos fustigadas com as aparições da Merkel ou, por cá, do Relvas, do Passos, do Gaspar, do pequeno Álvaro). Um kit punitivo, portanto. 


E as pessoas, coitadas, acríticas, aceitam arrependidas, esperam que após tamanho sofrimento venha o perdão.

Pois eu acho tudo isso uma carnavalada sem sentido. Mas uma carnavalada perigosa - e aí a coisa deixa de ter graça.

Quem pecou não foram os que estão a ser agora tão duramente penalizados. Quem pecou foram os especuladores financeiros, os políticos fracos e incompetentes que ao longo de anos e anos a fio não souberam governar os países, quem pecou foram os gananciosos que usufruíram de lucros fáceis e especulativos, tantas vezes criminosos. Quem pecou foram muitos dos que agora erguem bandeiras a favor dos cortes nos ordenados, nos subsídios, a favor da austeridade, da necessidade de despedir e penalizar os trabalhadores. E se muitos de nós pecámos foi por sermos tão submissos, aceitando ser governados e manipulados por tão fraca gente.

No dia em que a imprensa estrangeira refere que Portugal pode ter que recorrer a novo programa de ajuda, numa altura em que os juros alcançados atingem valores incomportáveis, numa altura em que o serviço da dívida sorve recursos que deveriam ser canalizados para a economia, num dia em que o FMI censura a forma como o Governo está a conduzir este processo mascarando o défice com medidas extraordinárias e pontuais e não efectuando medidas de fundo, num dia em que várias vozes se levantam no sentido de não se insistir numa austeridade que estrangula de morte a economia, transcrevo de um artigo de antes de ontem no Expresso: 

"Christine Lagarde, num discurso no Conselho Alemão de Relações Externas em Berlim, criticou esta segunda-feira 'uma tendência preocupante em diversos meios - de verem a política orçamental como um jogo de moralismo entre liberalidade e responsabilidade'.

Como conclusão, a directora-geral do FMI repete o seu conselho: 'medidas credíveis que impliquem e ancorem poupanças no médio prazo ajudarão a criar espaço para acomodação de crescimento hoje (sublinhado de Lagarde) - permitindo um ritmo mais lento da consolidação'.

Lagarde, num discurso que abordou extensivamente a situação na zona euro, considerada o 'epicentro' dos problemas, bem como o 'resto do mundo', salientou que estava nas mãos dos políticos evitar 'um momento do tipo dos anos 1930'. 'O que temos todos de compreender é que este é um momento de definição. Não se trata de salvar este país ou região. Trata-se de salvar o mundo de uma espiral económica descendente', referiu. 'Podemos evitar um tal cenário. Digo-o por uma razão simples: sabemos o que tem de ser feito', sublinhou ainda. Terminou citando o poeta alemão Goethe: 'Não basta saber, tem de se aplicar. Não basta querer, tem de se fazer'.

Tomara que ainda se vá a tempo.

[Face à gravidade do que está em jogo, não me apetece tecer comentários sobre o que para aí vai à volta dos dislates e da falta de jeito de Cavaco Silva. Não foi ele igual a si próprio? Claro que foi. Sempre foi assim. E quanto ao afastamento do jornalista Pedro Rosa Mendes, ao que por aí corre, a mando do inefável Relvas? Qual o espanto? Não é Relvas igual a si próprio? Quem não votou neles, não se espanta. Quem votou, porque se espanta?]

Adiante, meus amigos.

por Jeanloup Sieff

                                           (...)

                                           Quantas madrugadas,
                                           quantos passos,
                                           quantas vidas,
                                           quantos medos serão ainda precisos
                                           para que estas ruínas acabem de se despedir?


                                          (excerto de poema de Golgona Anghel in Criatura)

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Uma boa quarta-feira, meus Caros! 

E nada de desanimar que isto um dia destes vira ou este não fosse o ano do dragão (e consta que, por cá, o dragão até tem três gargantas: deve ser dos bons!)



terça-feira, janeiro 24, 2012

Carolina de Mónaco tem 55 anos - breve história da bela princesa que não tem tido sorte com o amor


Carolina de Mónaco fez ontem 55 anos. A bela Carolina que acompanho desde a minha infância tem 55 anos.


Vejo a fotografia dela e apetece-me ir a correr, aflita, olhar-me ao espelho. Envelheceu e, o mais certo, eu com ela. Cresci a vê-la, elegante, bonita, urbana, em tudo o que era revista. Carolina, a princesinha de Mónaco é agora esta mulher que parece ter perdido o brilho.


Grace Kelly, a mãe, era linda e ela herdou a sua harmonia de feições, temperada pelo ar mediterrânico do pai. 


Eu era criança e gostava de a ver de bailarina ou muito arranjadinha com os manos e com os pais, ela pequena senhorinha, tantas vezes com um gentil bouquet nas mãos. 


O mano era louro, sossegado e bonitinho, a mana era engraçada, irreverente e andrógina e ela era feminina, sedutora, rapariguinha pronta a ser seguida pelos fotógrafos que a adoravam.

Depois, quando começou a viver mais à solta, estudante, caíu na esbórnia (como dizem os nossos irmãos brasileiros) e passou a frequentar a noite de Paris. 


Rapariguita desenvolta, arejada, com resmas de pretendentes, dinheiro com fartura, costureiros a quererem vesti-la, fotógrafos a fazerem-na sentir bela e desejada, eis que cai de amores por um homem perto dos 40, bon vivant, com fama de incorrigível mulherengo. 

Grace fica destroçada, queria um príncipe das melhores casas europeias para a sua menina linda e sai-lhe uma coisa totalmente diferente. Mas Carolina é persistente e, aos 22 anos, casa-se então com Philippe Junot que tem, então, 38. 


O vestido é Christian Dior e na assistência pode ver-se a fina flor de Hollywood ao tempo do áureo período de Grace.

No entanto, o sol é de pouca dura e, dois anos depois, o casamento chega ao fim. Philippe gosta da noite, das farras, das aventuras. 

Depois de um tempo de luto, eis que Carolina parte para a desforra e enceta um período fértil para as revistas do coração. Bela, livre, filósofa, bronzeada e bem vestida, ela é disputada e fotografada por onde quer que passe.

Romances, affaires, desmentidos, comprovados, testemunhados. Uma agitação, um frenesim, e Carolina sempre sorridente e bela, uma menina ainda.


Carolina na neve, Carolina a bordo, Carolina à noite, Carolina às compras, Carolina sozinha, Carolina acompanhada. Robertino, o filho do amor louco de Roberto Rossellini e Ingrid Bergman ou Guillermo Villas, o tenista profissional argentino, ocuparam o seu coração durante esse período de azáfama sentimental. Parece não conseguir acertar-se com ninguém, alguma coisa parece sempre correr mal mas os pretendentes são muitos e ela nem tem tempo de parar para pensar.


Relações e mais relações e ralações e mais ralações para a pobre Grace a quem a filha mais nova também não dá descanso. E é nessa altura, em 1982, que Grace, a bela, ao volante do seu automóvel e com a filha mais nova ao lado, sofre um acidente de viação, despenhando-se fatalmente. Dizem depois que teve um AVC enquanto conduzia. Stephanie fica internada durante algum tempo e sofre um choque emocional profundo.

Grace não chega portanto a ver o casamento de sonho de Carolina, profundamente apaixonada por um belo rapaz italiano, um rico herdeiro, um desportista simpático. Na altura toda a gente dizia que era apenas mais um, um meninão rico, mais uma brincadeirinha de Carolina. Com Rainier contrariado,  casam-se no final  de 1983, Carolina, sabe-se depois, já grávida. 


Stefano Casiraghi é quatro anos mais novo que a deslumbrante Carolina o que ainda mais realça a beleza do casal. O casamento é civil dado que, na altura, o Vaticano ainda não tinha concedido a anulação do primeiro casamento. Sorrisos, enamoramento e as crianças a aparecerem, de seguida. Um amor que frutifica, e o jovem casal resplandece com os braços repletos de crianças.


Andrea, Charlotte, Pierre. Crianças bonitas, Carolina feliz, Stefano louro e bronzeado do ar do mar. Mas Stefano não é apenas o menino família que gosta de barcos. Não, Stefano é um empresário de sucesso, e progressivamente toda a gente o aceita e respeita.


E estão apaixonados. Podemos vê-los em todas as revistas: abraçados, cúmplices, beijam-se, há um carinho que os une. Dá gosto ver um casal jovem e bonito assim. Uma história feliz com uma princesa moderna e elegante e um belo príncipe encantador. 

Até que um dia, ao participar numa prova para defender o título de campeão mundial  em corrida de barcos a motor, há uma explosão a bordo. Stefano escapa à morte. Carolina que o costuma acompanhar passa por sufocos e o marido promete retirar-se mal veja consagrado o título. As imagens mostram-na com a mão a proteger a vista do sol, Carolina de boné, Carolina com belos chapéus, alta e dedicada, Carolina na praia com Stefano, namorados, jovens amantes, amigos.


E, então, o imprevisto acontece. Umas semanas depois, em competição, novo acidente. As televisões mostram o barco virado, teme-se o pior. E é assim que aos 30 anos morre o segundo marido de Carolina. Depois de um divórcio, agora a viuvez. Carolina não tem sorte com o amor. Podemos vê-la, então, nas revistas: devastada, apoiada no pai, triste, triste.


Seguem-se anos de afastamento. Carolina passa anos de profunda tristeza, deprimida, decai, isola-se. As crianças crescem, os rapazes parecem-se imenso com o pai, Charlotte parece a mãe quando era pequena.

No baile da Rosa ou noutras cerimónias oficiais Carolina reaparece, magra e triste.

Mas todos os sofrimentos têm prazo de validade e alguns anos depois Carolina volta a reencontrar-se com a vida. As revistas começam a mostrar-nos Carolina com o príncipe Ernst de Hanover. O príncipe era casado com Chantal, amiga de Carolina, mas divorcia-se para se poder voltar a casar.

E é assim que em Janeiro de 1999 Carolina, grávida, se torna Sua Alteza Real Princesa de Hanover.


Em Junho nasce a sua filha Alexandra de Hanover, uma menina bonita mas cujas feições já evidenciam os traços mais fortes de Ernst.

No entanto, aquela felicidade radiosa que se via no semblante de Carolina quando era casada com Stefano, já pouco se volta a ver, agora que vive com o seu terceiro marido.


E os jornais começam a dar conta dos problemas de álcool por parte de Ernst, os fotógrafos apanham-no uma vez a urinar na rua, outras vezes fala-se de violência, e Carolina começa a parecer em público sozinha, diz-se que Ernst fica a dormir, a curtir a ressaca da bebedeira da véspera.

Parece que separaram em 2009 e as revistas já o mostraram, depois disso, com outra mulher.


Carolina, a bela e desejada, tem sido infeliz no amor e isso vê-se no seu rosto, no seu corpo. Está de novo sozinha, magra, encurvada, enrugada.

A beleza sensual parece ter passado toda para a jovem Charlotte, agora o alvo de todas as atenções, tal como em tempos passou de Grace para ela, Carolina.



Só lhe desejo, a ela que não me lê, que volte a ser feliz, que volte a sorrir. Gostava de voltar a vê-la bela e sorridente, alteza sereníssima, para não a ver assim, princesa triste, para a ver realizada e contente no meio dos filhos e com um novo amor na sua vida, um amor que, desta vez, dê certo - e que a bela Charlotte não herde a pouca sorte da mãe. Que ao menos, neste mundo decadente e em crise, as poucas princesas que restam consigam ser felizes.

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Hoje deu-me para isto, meus amigos. Nada do que é habitual, não é? Mas é assim, tem dias. Amanhã outro galo cantará. Tenham, meus Caros, um belo dia!

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Passear nas ruas de Lisboa (Chiado, S. Pedro de Alcântara, Tejo), fazer fotografias de rua - uma receita para tempos de crise. E fado com António Zambujo e dança com a Companhia Nacional de Bailado .


Este sábado depois de almoço, a caminho do heaven, fomos dar um passeio pelo Chiado que é um dos sítios mais bonitos, mais felizes e mais sagrados de Lisboa. Como sempre, estava uma animação - muitos jovens, casais elegantes, grupos de raparigas alegres e ruidosas, música, uma burguesia desempoeirada, vários casais de gays, escuteiros, estrangeiros, intelectuais provavelmente de esquerda. 



A Lisboa cosmopolita está ali, com o rio a espreitar lá de baixo.

E eu vou passeando, gosto de ouvir pontas de conversas, de ver sorrisos, gosto de ver quem passa, gosto de fotografar. Mais de cento e cinquenta fotografias. Depois seguimos, devagar, vendo montras. Seduzem-me os antiquários, com peças especiais, objectos delicados.

Antiquário na Rua da Misericórdia

E há imensa gente a fotografar a cidade, e as casas que começam a aparecer arranjadas, com a dignidade devida a uma capital europeia.

Quando eu andava a estudar, adorava percorrer estas ruas, andar pelos alfarrabistas e pelas livrarias. (Uma vez encontrei o Fernando Namora na Sá da Costa e ali, de súbito, peguei num livro dele, pedi-lhe um autógrafo e, parva, depois ofereci esse livro autografado ao namorado da altura. Paciência, já era.)

Vi, com pena, que a Pórtico está em liquidação, montras cobertas, ar de coisa que acabou. Tantas coisas que lá comprei para a minha casa. A Pórtico tinha várias salas, e subia-se e por trás das escadas havia outras salas e tantas coisas lindas e com preços bastante razoáveis. E comprava lá presentes para pais, sogros, cunhadas, tantas coisas bonitas. Fiquei mesmo entristecida.

Mas, em contrapartida, há lojas novas, galerias, espaços bonitos, uma qualidade requintada.


Estava uma tarde amena, um sol muito suave, as pessoas deslizavam sorridentes, conversando, uma primavera antecipada. E os passeios de calçada tão característicos, as ruas estreitas e cheias de gente e tudo tão animado como se este belo país não estivesse ameaçado por esta crise, como se uma gente impreparada e servil perante a troika e perante a Alemanha de Merkel não andasse a destruir a esperança num futuro decente. Nem eu, nem nenhuma das pessoas que ali andava, leve, pensava certamente nessas coisas maçadoras.

Galeria muito elegante
na R. Nova da Trindade

Lisboa, este sábado, era pois um sítio civilizado, feliz, um dos melhores sítios para se viver. Um pouco mais abaixo, no Marquês, concentravam-se as pessoas para mostrarem a sua indignação e mais um pequeno grupo que quis também lá ir dizer qualquer coisa, não sei exactamente o quê. Provocaram-se, arreliaram-se e vi, à noite, na televisão que chegaram a vias de facto. Nada de grave, nada de importante. Movimentos informes e sem um projecto conceptualmente bem definido não passarão nunca de grupos de catarse colectiva, nada mais que isso - e não é disso que se precisa. Mas mal também não faz, desopilam e isso é sempre bom.

No miradouro de S. Pedro de Alcântara

De seguida, subimos um pouco mais, apetecia-me reviver o ambiente e a vista de S. Pedro de Alcântara. Tanta gente ali, um jardinzito que, como jardim, até pode não ser extraordinário mas que vista, que vista...! Tantas vezes dali avistei Lisboa e, de todas, me deixo ficar assim, deleitada, este espaço limpo, estes telhados ao longo das colinas, e a Sé e o Castelo e o rio. Impossível ficar-se indiferente a tanta beleza. 

E se vos parece que isto está um texto sem jeito, descaradamente turístico, então deixem que vos desiluda um pouco mais porque já aqui abaixo vou colocar um fado (claro, não é? Pode falar-se de Lisboa e não referir o fado, ora essa?). Então, por favor, silêncio que António Zambujo vai cantar o fado, o 'fado da vida bela' (whatelse, no meio dum texto como o que estou a escrever...?)




Mas a coisa não fica por aqui porque a seguir fomos junto ao rio, e foi outra maravilha - gente a tocar viola, gente abraçada, gente a passear, miúdos a fazerem skate, gente a passear de bicicleta, gaivotas, veleiros, um rio escandaloso de tão belo, um céu limpo, velhos a dormir ao sol, crianças a correr, uma tarde feliz. 

Passeio rente ao rio entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço

Eu sei que tanta felicidade pode cansar mas, meus Caros, tenho este defeito, que querem? Não padeço de spleen que é uma maleita que tanto enfeita de erudição os putativos ou os recém-intelectuais. 

Sou uma criatura básica, que fica radiante  perante coisas assim ou que fica fula da vida com a parvoíce alheia (com a minha já aprendi a conviver). 

E adoro cidades. Mas é que adoro mesmo. E adoro pessoas. Fotografar pessoas nas cidades, então é uma coisa que faz o pleno.

(Ah, deixem-me contar-vos. Ando pela rua sempre à procura de pessoas que possa fotografar. É uma adrenalina porque, se a situação se proporciona, naquele mesmo instante tenho que apontar, focar, enquadrar minimamente, disparar - e tudo sem que a pessoa dê por isso, senão estraga-se o momento e, sobretudo, corro o risco de a pessoa não achar graça nenhuma. 

No outro dia, ia eu na rua muito descansada, naquela altura estava sozinha, e ouço uma voz de homem atrás de mim:  'Olhe! Quem é a senhora? Faz favor de se identificar!" e eu já atrapalhada: 'Mas porquê?". E o homem, ar enervado, "É que a senhora esteve a tirar fotografias aos meus empregados e eles vieram-me dizer."

Percebi. Do outro lado da rua, mais abaixo, estavam uns homens, jeitosos por sinal, jovens, ar de leste, blusas de alças, uma coisa tipo anúncio coca-cola, carregando ao ombros grandes baldes de entulho e eu, discretamente, a fotografá-los. 

Então lá me justifiquei :" Ando a passear, estive a tirar fotografias lá em baixo e vi-os e apeteceu-me fotografá-los mas, se há problema, apago. Quer ver?" O homem espreitou e eu mostrei a última das fotografias, que apaguei à frente dele. E ele ainda zangado "é que se quer tirar fotografias, tem que pedir primeiro" e lá foi irritado, mas descansado. 

Deviam ser trabalhadores clandestinos, está bem de ver. Desta vez foi fácil mas estou sempre com medo do que pode algum dia acontecer. Andar a tirar fotografias à sorrelfa comporta alguns riscos.)

Mas, enfim, continuando: Lisboa à beira Tejo estava uma maravilha e então, para encerrar isto, lembrei-me de vos mostrar um excerto de um bailado da Companhia Nacional de Bailado com música de Bernardo Sassetti , 'Uma coisa em forma de assim'. Tenho ideia de que, já uma vez, aqui o divulguei mas não faz mal, vale bem a pena.




Coreografias de Clara Andermatt, Francisco Camacho, Benvindo Fonseca, Rui Lopes Graça, Rui Horta, Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Madalena Victorino e Vasco Wellenkamp


E, então, depois disto tudo, qual a moral da história? Simples: passear, desfrutar a cidade, olhar as pessoas, gostar das pessoas, ouvir música, ler livros, dançar, amar. Não custa dinheiro, encaixa-se bem em orçamentos apertados e proporciona um bem estar fantástico.

E tenham, meus Caros, uma bela semana ! Enjoy!
  

domingo, janeiro 22, 2012

Guimarães, 'nós fazemos parte' da capital europeia da cultura. E a Orquestra 'que embala o berço'.

Estou com muita vontade de lá ir. Parece-me ser uma coisa com qualidade.



A Orquestra dirigida pelo Maestro Rui Massena - fantástica.

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Nota: Como podem ver, hoje comecei a colocar ali ao lado uma lista dos blogues que conheço e que visito. Sendo eu consideravelmente desconhecedora do quem é quem na blogosfera, tive conhecimento da grande maioria através das estatísticas do blogger dado que são blogues que costumam visitar os meus e cujo link fica registado - e atrás de quem eu fui. Se alguns dos meus leitores que têm blogues não os virem ali não fiquem aborrecidos comigo - a não inclusão na lista ali ao lado quer, com certeza, apenas dizer que não os conheço ou que, por razões técnicas,  não os consegui colocar (em relação a alguns recebi a mensagem de que não tinham 'feeds' ou coisa que o valha)

Para os identificar, não usei o seu nome próprio mas segui a ideia da Margarida que até há pouco tempo os identificava com nomes que ela própria atribuía. Assim fiz eu. Usei nomes que, na minha cabeça, associo ou aos blogues em si ou ao respectivo autor [nos casos em que autor e escrita quase se confundem (em minha opinião, é claro)]. Espero que ninguém fique melindrado com o cognome que atribuí. Se aqui coloquei estes blogues é porque gosto deles e o acto de os renomear pressupõe sempre um certo afecto.

Hoje não escrevo mais porque apenas aqui vim já muito tarde e, com a tarefa acima descrita, ainda estive um bom bocado; é tardíssimo, estou cansada.

Tenham um bom domingo, meus Amigos!

sábado, janeiro 21, 2012

Cavaco Silva, sem dinheiro para as despesas. Horta Osório, o ex deus ex machina. As insuportáveis provações dos muito ricos e, pior, muito pior ainda, as insuportáveis provações dos pobres. E Mario Testino, Natalia Osipova e Ute Lemper.

  
O tema do dinheiro ganho é, neste momento, um tema sensível.

Esta sexta feira deram brado as afirmações de Cavaco Silva que, com voz agastada, referiu os seus hábitos familiares de poupança e enunciou as parcelas da sua pensão de reforma, concluindo que a verba recebida (que os jornalistas referem ser cerca de 10.000 euros mensais) nem seria suficiente para cobrir as despesas. Vinha no carro e, logo a seguir, ouvi Fernando Nobre chocado, enumerando, em contraponto, exemplos dramáticos de quase miséria e agora, na televisão, já ouvi várias outras censuras.

Mas como não percebi qual o contexto em que Cavaco falou, nem ouvi toda a intervenção, não me vou pronunciar. Também não me vou referir aos esquemas de cálculo das pensões pois é tema que desconheço e não gosto de falar de cor.

Mas falemos de ordenados. Para quem tem de ordenado mensal 1.000 ou menos, ou mesmo 2.000 ou 3.000 euros por mês, ouvir falar em valores de 10.000 ou 15.000 ou verbas desta ordem, pode soar excessivo. São ricos, que paguem a crise, que se lhes aumente os impostos até sangrarem, que paguem a saúde, o ensino, que sejam proibidos de usar transportes públicos.

Ridículo. Ordenados da ordem dos 10.000 ou 15.000 ou mesmo um pouco mais não são nada de extraordinário e deveriam ser o padrão de uma classe média alta. E a classe média é essencial à manutenção do consumo e, por isso, da economia.

A classe alta deve ser situada para rendimentos mensais já bem acima disso. E a classe alta é também indispensável a um país pois puxa pela franja de economia atrás da qual vai a classe média alta e, atrás desta, vai a classe média e por aí fora e assim se ajuda a manter viva a economia.

Mas, dito isto, quero referir que se verbas desta ordem me parecem normais e aceitáveis, já verbas da ordem dos 50.000 euros por mês (45.000 em ordenado e 4.500 por mês para um ppr) para funções que não são executivas nem exigem trabalho a tempo inteiro me parecem exageradas, especialmente se forem usufruídas por pessoas que se fartam de pregar que os excessos têm que acabar, que tem que haver austeridade, que se têm que reduzir custos para se ser competitivo.


Não defendo (muito longe disso!) que a cada um segundo as suas necessidades; mas o contrário disso não deve a tresloucura de uns ganharem 500 e outros 50.000 - dizendo o que ganha 50.000 que o que ganha 500 tem que ser sujeito a mais austeridade. Rendimentos como aquele para funções como as referidas ou verbas que são o dobro ou o triplo disto são tão elevados que me parecem descabidos, ilógicos, atentatórios, quase uma provocação perante uma população a quem se exigem esforços, perante os desafortunados que desgraçadamente caem no desemprego e a quem agora se vai baixar o subsídio. Há qualquer coisa de imoral em coisas destas.

Mas entorpecidos que estamos por anos de coisas ilógicas e tão atormentados perante sucessivos anúncios de catástrofes, austeridade a doer e à toa, retrocessos fatais, já aceitamos, bovinamente, quase tudo.

Vem isto a propósito do endeusamento que se tem feito relativamente a Horta Osório que, por ter estado 2 meses a recuperar de excesso de stress, achou por bem abdicar de um bónus superior a 2 milhões de euros. Como é sabido, não se passou cá, passou-se no Reino Unido, no Lloyds.


Ora, quase tudo nesta história me indispõe. Não está em causa o mérito de Horta Osório. O que está em causa é a estupidez para a qual esta sociedade tem evoluído.

Horta Osório trabalhava horas de mais, sob grande pressão e, às tantas, começou a ter distúrbios de sono. Tal como ele, inúmeras pessoas em todo o mundo têm o mesmo problema. Excesso de trabalho, excesso de pressão - e acabam por cair para o lado. Nada de muito grave. Tratam-se e curam-se. Há coisas bem piores, há quem caia morto.

Mas Horta Osório fez um a cura de sono, pôs-se bom – e, até aqui, tudo normal.

Agora entramos nas coisas ridículas.

Depois do médico que o tratou o ter declarado recuperado, teve que ser sujeito a uma auditoria médica ‘independente’ para ver se estava mesmo em condições - como se fosse uma máquina que, antes de ser colocada em funcionamento, tem que ser inspeccionada e reinspeccionada. Depois, três administradores, à vez, foram a casa dele ver com os seus próprios olhos se ele estava mesmo bem. E ele, submisso, a deixar que o observassem, que o interrogassem, a mostrar que já estava bom.

Pergunto eu: com isto tudo, não se sentiu humilhado? Tratado como se fosse um débil mental, incapaz de avaliar por si próprio a sua própria condição física?

Não, pelos vistos achou normal.

Pergunto eu: se o mal não fosse o sono, como seria? Por exemplo, se tivessem sido problemas de próstata, iriam na mesma lá a casa e far-lhe-iam o toque rectal? E ele acharia igualmente normal?  


Depois, uma jornalista do Expresso entrevistou-o e tratou-o como se ele fosse um débil mental e ele respondeu como se, de facto, o fosse. ‘Então e o que é que aprendeu?’ e ele, menino culpado, lá respondeu que tinha aprendido uma grande lição. E ela ainda não contente: ‘E a nível pessoal , o que é que aprendeu?’ - e ele em vez de a mandar bugiar respondeu que também tinha aprendido que tem que dormir e dar mais atenção à Ana.

Ridículo, tão ridículo.

Agora, depois de ter sido inspeccionado por dentro e por fora, depois de ter pedido desculpa, depois de ter voltado a ser aceite no posto de trabalho, eis que, numa derradeira assumpção de culpa por ser tão imperdoavelmente humano, renuncia a um bónus milionário. E é o delírio!

Claro que é um gesto inédito e surpreendente. Mas mais surpreendente é que estas pessoas recebam verbas tão obscenas, mais surpreendente é que existam disparidades tão obscenas, surpreendente é que uma pessoa se sujeite a ser tratada como se fosse menos do que um ser humano, como se fosse uma máquina sem dignidade nem sentimentos, surpreendente é que se ache que tudo isto é normal.

Não é. Nada disto é normal. Isto tudo é obsceno.




A sociedade não deveria permitir nenhum destes disparates, nenhumas destas absurdas disparidades.


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Mudança de tércio

É fim de semana, meus amigos, tempo de descontrair. Nada de pensar em toques rectais ou outras coisas que tais. Tempo de lavar o olhar para ver se a lavagem chega até à alma.

Venham pois comigo até sítios em que tudo é limpo, alvo, belo.

Sienna Millher por Mario Testino

eu volto o rosto para cheirar-te quando passas
para decorar de ti algum contorno
saber por fim que lume trazes
junto ao corpo

que incêndio apagas
ou amotinas


[Lume de João Miguel Henriques in 'Isso passa']





Natalia Osipova do Bolshoi interpreta La Bayadere




Ute Lemper, a magnífica.

ooooooo

Bom sábado!
 

sexta-feira, janeiro 20, 2012

João Proença, a UGT e a CGTP, a concertação social, os trabalhadores e os desempregados em Portugal, Alberto João Jardim e o acordo impossível da Madeira - e Francesco Schettino, comandante do cruzeiro Costa Cruzeiro, um homem irresponsável, cobarde e indigno


.1.



Francesco Schettino, comandante do cruzeiro Costa Cruzeiro, aparentemente para agradar a alguém, cometeu um erro que colocou em risco a vida das pessoas que estavam à sua responsabilidade. Ao ter cometido esse erro e ao perceber as consequências, cobardemente abandonou o navio. Mais tarde, disse que tinha caído para dentro do salva-vidas e que já não tinha conseguido regressar ao navio. Cobarde, indigno.

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.2.


João Proença, secretário geral da UGT, assinou um acordo que em nada beneficia a economia e que basicamente se limita a prejudicar os trabalhadores, quer os que têm a sorte de ter trabalho (e que vão trabalhar mais por menos dinheiro) quer, sobretudo, os que vão ter a infelicidade de ficar desempregados (vai ser mais fácil despedir, os desempregados vão receber uma indemnização inferior, e vão receber um subsídio inferior e por menos tempo). Depois de ter assinado esse acordo, João Proença disse que, se não tivesse assinado o documento, seria pior (se calhar os trabalhadores seriam degolados no acto do despedimento para a poupança ser ainda maior). E agora, ao sentir a censura social, vem alegar que o fez também por sugestão da CGTP.

Soa-me a cobardia, a indignidade.

Mas vamos supor que algures no tempo, perante o que estava em cima da mesa, alguém da CGTP tenha dito a João Proença ‘Nós não alinhamos nisto. Se querem, assinem vocês’.  Foi por isto, então, que João Proença assinou o acordo? Mas é o quê? Um invertebrado? Uma maria vai com as outras? Faz o que lhe mandam e depois vem atirar as culpas para os outros? Também caíu para o salva vidas?

Ao que chegámos. A fraqueza da natureza humana a vir acima, até onde menos se suspeitava. Não era esta a ideia que eu tinha de João Proença.

  • Tal como já disse aqui tantas vezes, nunca fui sindicalizada, nem tenho especial simpatia por estes sindicatos, sempre muito instrumentalizados pelas forças partidárias e sempre com actuações muito pouco evoluídas. Defender os interesses dos trabalhadores é muito mais do que estes sindicatos fazem. Ser trabalhador não é ser inimigo do chefe ou do patrão e uma economia só progride se progredirem todos e se puxarem todos para o mesmo lado. Fazer greves, como tantas vezes tenho visto, em que fazem greve prejudicando as empresas e a economia apenas para cumprir uma agenda política, é péssimo e é muito isto que os sindicatos têm feito em Portugal. 
  • Parece-me importante que haja concertação social mas para se coordenarem todos no sentido de um objectivo comum para o país, num objectivo de crescimento, de progresso, de valorização humana. Não para isto de que agora se anda a falar.


Mas, à parte o que acabo de referir e apesar das limitações, achava João Proença um sujeito sensato, civilizado, digno.

Depois disto fico ainda mais preocupada com a situação dos trabalhadores portugueses e do país em geral. Assim não vamos lá.

Acho de um tremendo mau gosto e um desatino que as centrais sindicais andem à bulha uma com a outra numa altura destas. Mas acho que João Proença - que acabou de assinar um documento lesivo para os trabalhadores e que vem agora dar como desculpa que, se não o fizesse, era pior e que seguiu sugestões da CGTP - está a ter uma atitude que moralmente me parecem indigente e isso deixa-me incomodada. E também me parece excessiva a reacção da CGTP, dizendo que vai interpor uma acção. Absurdo.

Por estas e por muitas outras é que uma parte tão significativa dos portugueses não está feliz com a democracia. E isto, sim, é muito preocupante.

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.3.


Dizem pessoas que pouco sabem do mundo do trabalho que as condições para despedir em Portugal eram, antes disto, muito favoráveis aos trabalhadores. Penoso ouvir isto. Quem vai para o desemprego não é um nenhum felizardo. Mas quem pensa isso, devia saber como é despedir alguém em Espanha, por exemplo. Quase impossível. Os trabalhadores portugueses e os sindicatos portugueses ao pé dos da Catalunha, por exemplo, são meninos do coro.

E sabem os grandes entusiastas desta concertação, as diferenças de salários entre Portugal e os outros países? 

Receber uns meses de salário em Portugal, como indemnização é tão, tão diferente do que é receber noutro país...!

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.4.


Numa altura em que o grave é haver tanto desemprego, tanto desemprego de longa duração, tanto desemprego jovem, é a economia estar a definhar tão gravemente, é o País não gerar riqueza suficiente para amortizar a dívida, o que menos faz falta é legislação que penalize ainda mais as pessoas que tenham a infelicidade de cair no desemprego. Dizer que isto é uma vitória é de uma estupidez inacreditável. 

Nenhum país floresce em cima do desemprego e da miséria. O país precisa é do contrário. Pobreza gera pobreza. Estamos a percorrer o caminho ao contrário. 

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Uma palavra para a situação na Madeira. Pouco se fala disto. Não aprecio, mas nem um pouco, o estilo de gestão de Alberto João Jardim. Despesista, pouco leal, escamoteou gastos, desobedeceu às leis do país, faz o que quer, porta-se como um cacique. Mas uma coisa é certa: esquecendo-se que é português e sendo de um bairrismo bacoco, defende o que ele pensa serem os interesses da Madeira (à maneira dele). Mas penso que é inegável que desenvolveu aquela parcela de território.

E compreendo que, agora, neste momento de aperto, ele, habituado à abundância, esteja desorientado. Mas percebo também que lhe custe assinar um acordo que acha inexequível. Tal como o contrato da Troika, da maneira como tudo isto está a ser conduzido, é inexequível. Não vai ser possível amortizar a dívida toda no prazo estabelecido. Portanto, Alberto João Jardim tem razão quando não quer assinar uma coisa assim, um acordo impossível que vai dificultar tanto a vida das 'suas' pessoas. Infelizmente para ele, tal como para todos nós, sem dinheiro, com a corda na garganta, vamos aceitando tudo o que nos impingem, o que faz sentido e o que não faz qualquer sentido. Vai ter que assinar, que remédio tem, mas percebo a sua angústia. 

Tenho pena dos madeirenses. Tenho pena dos portugueses.

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.6.

Lily Cole por Bettina Rheims

E, pronto, meus amigos, já desabafei. Agora vou descansar que estas ralações dão cabo da minha beleza.

O que vale é que já é outra vez sexta-feira. (Que coisa, o tempo passa a correr: outra vez sexta-feira?)

Depois de vos ter maçado tanto, até tenho vergonha de vos dizer que se divirtam. Mas, enfim, tentem - apesar de tudo. E lembrem-se: há mais marés que marinheiros. Tenham um bom dia.

  

quinta-feira, janeiro 19, 2012

A vida sexual das mulheres - evidências científicas e fotográficas


Kim Basinger, 58 anos, sedutora, sempre sexy

Um estudo publicado pelo American Journal of Medicine, realizado ao longo de anos e com mais de 800 mulheres com idades variáveis entre os 40 e os 100 anos, com uma idade média de 67 anos, demonstrou claramente que a satisfação sexual vai aumentando com a idade.

Susan Sarandon, bela e sexy, 65 anos -
aqui fotografada por Annie Leibovitz

Segundo o estudo, a frequência das actividades sexuais vai-se reduzindo mas a qualidade do prazer obtido é crescente.

Isabel Allende, 69 anos, diz que conserva
o espírito de  uma adolescente
 e o mesmo interesse sexual de sempre,
que não passa sem sexo


Talvez um pouco surpreendentemente para quem pensa que a partir de certa idade as mulheres fecham a loja, o estudo revela que cerca de 47% das mulheres mais velhas (com 80 anos, em média!) obtém satisfação sexual enquanto, entre as mulheres mais novas, a percentagem não passa de 25%.

Jane Fonda, 74 anos, diz que a sua boa forma
é atribuível a uma boa alimentação, exercício físico
e actividade sexual regular

De notar que as mulheres mais velhas têm uma percepção mais holística, digamos assim, do prazer do que as mulheres mais novas. Enquanto as mais novas, em regra, só obtêm a satisfação sexual através de actividades sexuais puras e duras (uma maneira de dizer, claro), as mulheres mais velhas que já não mantêm uma vida sexual muita activa dizem, ainda assim, atingir a satisfação - 'they may have achieved sexual satisfaction through touching, caressing or other intimacies developed over a long relationship. Emotional and physical closeness to the partner may be more important than experiencing orgasm.’ (nas palavras de Susan Trompeter, autora do estudo).


Boas notícias, portanto, para toda a gente. 

E, já agora, para uma terna diversão, uma amostra de um filme engraçadíssimo com Diane Keaton (agora com 65 anos e, no filme, com 57) e Jack Nicholson, Something's gotta give (Alguém tem que ceder).




E, assim sendo, meus amigos, hoje não vamos maçar-nos com chatices, com preocupações - nada disso, hoje é dia de diversão, de sorrisos, de boa disposição. E que viva a vida!