segunda-feira, janeiro 09, 2012

Nova Receita de Homem ou aquilo que as mulheres devem requerer de um homem - Os 10 mandamentos e o tão desejável bónus

 
Que sejam os homens a declarar o que, em sua opinião, torna uma mulher interessante.

Mas sobre o que uma mulher prefere nos homens vou aqui dar a minha opinião, ou melhor, vou fazer um refreshment (em tempos escrevi uma Receita de Homem, Aula Teórica e Casos Práticos e uma Adenda e até hoje tenho imensas visitas a essas páginas (devem ser os homens a ver se aprendem a lição).

Pode rever aqui. Desse post poderá saltar para os outros dois que o precederam (poderá encarar-se como uma sessão de coaching em três actos).

Agora não vou ser muito original porque penso o mesmo há muitos anos. Talvez varie a minha tolerância ou intolerância mas, no essencial, a coisa mantém-se quase inalterável. De qualquer forma, vou escrever livremente e nem vou ver o que escrevi há um ano atrás, para não me sentir condicionada.

Vou ilustrar com figuras ligadas ao cinema e espero que volte a ser um colírio (vidé um dos comentários da Dona da Casa)  para os olhos das meninas (ou de alguns meninos - tanto se me dá).

As fotografias são, na sua maioria, da Annie Leibovitz, claro; também há uma uma de Irving Penn e há outra cujo autor não identifiquei.

Mas então cá vamos.

.1.

Clint Eastwood por Annie Leibovitz

A inteligência é talvez o mais importante e é absolutamente indispensável. O amor, tal como a paixão, tal como o sexo, é una cosa mentale. Nunca se esqueçam disso.


.2.

James Gandolfini, Tony Soprano, por Annie Leibovitz

O sentido de humor, que é uma manifestação superior e saudável da inteligência, talvez venha logo a seguir. Um homem que faça rir uma mulher está no bom caminho. Se você que é homem, é desprovido de sentido de humor, esqueça.

.3. 

Johny Depp por Annie Leibovitz

Ter um q.b. de malícia, de preferência uma malícia requintada (e não me pergunte o que é isso porque é indizível) é muito importante. Saber olhar, saber mostrar que quer, saber dizer que quer – sem ser vulgar, maçador, cola – é indispensável. Se você que é homem, é um tímido incorrigível, se tem vergonha de olhar, se tem medo de dizer, esqueça.


.4.

John Malkovich


Ter interesses, de preferência interesses inesperados, é um plus que não se dispensa. Se você que é homem não é capaz de se interessar por coisa nenhuma, se não consegue ter uma conversa de jeito, esqueça.

... Ter interesses, sim, mas nada de exageros, nada de obsessões porque se monopolizar uma conversa com citações, nomes de autores, nomes de livros, anos de edições, pormenores fastidiosos quando desfiados com ar erudito, ou nomes e hábitos de passarinhos, ou se souber tudo o que há para saber de marcas de carros, motores, cilindradas, provas de condução, ou quaisquer outras manias levadas ao exagero, esqueça.


.5.

Sean Connery por Annie Leibovitz


Ser razoavelmente culto, com curiosidade por aprender e com consciência das normais limitações de qualquer ser humano, gostar de partilhar generosamente os conhecimentos e as dúvidas ou as perplexidades, são coisas imprescindíveis. Gente ignorante, gente que acha que já sabe o suficiente ou gente que não tem noção de que o que sabe é uma infinitésima parte do que há para saber, gente que não gosta de ensinar ou discutir humildemente, ouvindo as opiniões alheias, é coisa que não se pode suportar.


.6.

Daniel Day-Lewis em The ballad of Jack & Rose

Ser carinhoso, afectuoso, meiguinho (mas não carente, melga, pegajoso) é obviamente indispensável. E deve perceber que a vida a dois deve ser uma relação win-win. Não é uma luta corpo a corpo, olho por olho, dente por dente. Amizade, afecto, compreensão, respeito, tolerância são as buzz words a fixar. E deve perceber que deve ser capaz de olhar com doçura, ter um abraço aconchegante, ter um beijo insubstituível.


.7.

Jamie Foxx por Annie Leibovitz
 
Vestir-se bem é muito importante mas, apenas, se tiver o cuidado de não se perceber que tem cuidado com isso. Um homem que vista um fato de riscas com camisa de riscas ou quadrados, ou uma camisa assim e gravata às bolinhas, ou um homem que use uma gravata shining cor de rosa ou amarelo bebé, ou que use alfinetinhos de gravatas, ou um anelinho no dedo ou uma pulseirinha ou outras coisas do género, só se tiver como target uma mulher desesperada que esteja por tudo. Um homem quer-se sóbrio, discreto, deve fazer-se notar por si mesmo, quanto muito pela forma como a roupa lhe cai bem e não pela roupa em si. Homens com manias de modas, de marcas, todos com coisinhas, são para esquecer. Já agora que saibam que calças desportivas, de sarja de algodão ou bombazina não se usam com vinco, please...


.8.

George Clooney por Annie Leibovitz



Os homens não devem ligar mais do que o socialmente tolerável a gadgets. Os que os exibem a torto e a direito, já viram o meu iPad?, já viram o meu relógio?, já viram a minha caneta? já sabem da minha mota? - só me fazem lembrar aquelas meninas parvinhas com estojos cheios de lápis, canetinhas, apara lápis, tudo da Hello Kitty. Meninas fujam dessas fracas cabecinhas!


 .9.

Alex Atala, um chef, por Annie Leibovitz

Homens que saibam cozinhar têm uma óbvia vantagem sobre os outros (desde que preencham os pré-requisitos anteriores, claro...!). Se, então, souberem fazer uma comida requintada, gourmet, isso será ouro sobre azul mas há que não querer o impossível.

Por isso, se souber fazer uma coisa simples já se aceita. Mas se nem isso, ao menos que faça uma salada decente, bem apresentada. Ou que saiba, no mínimo, preparar uma tábua de queijos ou, vá lá, ao menos apresentar um prato de pão devidamente cortadinho e organizado. Mas alguma coisa deve ser capaz de fazer. Se você que é homem, não está nem aí e é daqueles que, chegada a hora, se apresenta, todo lampeiro, para papar, quase que para lhe darem a papinha à boca, esqueça - será descartado na primeira oportunidade.

.10.

Damien Hirst por Annie Leibovitz

Um homem deve ainda portar-se mal de vez em quando, dizer disparates injustificáveis (de vez em quando), deve ser capaz de se rir de si próprio, deve ter um toque de louca imprevisbilidade, deve, sobretudo, ser capaz de mostrar que é humano e imperfeito. Meninos da mamã, tozés-seguros e outros betinhos que tais, são uns maçadores sem pitada de graça.


 .11.
(Bónus)

Al Pacino que dançou um dos melhores tangos da história do cinema
aqui por Irving Penn

Já agora, uma coisa que faria toda a diferença mas aí já eu acho que, nós, mulheres, temos que condescender - seria a cereja em cima do bolo se soubesse dançar tango com garbo, sensualidade, malandrice.

Mas isso, se há homens que cumprem com estes 11 requisitos, quem os descobre, fecha-os a sete chaves. Nunca vi nenhum. Consta que há uns quantos enclausurados em caves, tipo Natasha Kampush, não vá alguma outra mulher deitar-lhes logo a mão. Eu deitava.


&&&&&&


E é isto, meus Amigos do sexo masculino (e que gostam de agradar a mulheres), aprimorem-se, treinem.

E vocês, minhas Amigas casadoiras, sujeitem os candidatos a um testezito psico-técnico para não levarem um gatinho mal amanhado em vez de uma lebre ou melhor, (não vá as lebres serem todas do sexo feminino), em vez de um tigre.


Divirtam-se e tenham uma boa semana!

 

domingo, janeiro 08, 2012

Que palavras posso eu usar para vos contar o que sinto quando estou aqui in heaven?

 
Depois de nas últimas semanas não ter conseguido sair da cidade, eis que, finalmente, estou in heaven. Pouco mais de vinte e quatro horas vou poder cá estar mas, enquanto estou, cada minuto é vivido com prazer redobrado.

Chegámos já ao princípio da tarde.

No campo ao lado faziam uma fogueira, queimavam mato. Juntamente com o cheiro das árvores e arbustos, havia, pois, aquele cheiro a fumo ao longe que não me desagrada.

Aqui, à porta de casa, havia algumas laranjas no chão e muitas nas laranjeiras, e havia um sol suave que dourava estes frutos reluzentes, e havia sombras nos muros, e flores pequenas que começam a antecipar a primavera. Pelos recantos que inventei, rente às árvores que plantei, junto ao mato que aqui nasce livremente, andei deleitada - esta é a minha terra, estes são os meus caminhos.

E, deslumbrada como se fosse a primeira vez, andei a descobrir motivos para fotografar. Mil vezes os mesmos motivos mas o tempo vai inscrevendo a sua passagem, vai deixando as suas marcas e eu vejo tudo como se estivesse a percorrer um sonho nunca antes vivido. Tudo me parece de uma beleza simples e límpida, intocada, pura.

A casa estava fria, com aquele odor desolado que as casas fechadas sempre têm. Mas, neste momento, algumas horas depois, a casa já tem o calor, as almofadas aconchegadas num canto, a desarrumação, o cheirinho das casas amadas.

Aqui sinto-me eu como em nenhum outro lugar do mundo. Não tenho o azul do largo rio que enche as minhas janelas da cidade, não tenho a praia de mar bravo dos passeios de alguns dias, não tenho o cheiro a maresia nem as gaivotas que às vezes voam até à minha varanda para me fazerem ter ainda mais vontade de voar. Mas tenho o mato selvagem, as árvores que se erguem orgulhosas à medida que o tempo passa (estão a ganhar corpo para acolherem sob a sua copa os meus meninos pequeninos), tenho o canto dos pássaros que aqui vêm fazer ninho, tenho a terra brava prenha de grandes pedras, tenho o ar puro dos grandes espaços, tenho a vista da grande serra que se estende ao longe, imponente e azul.

Não vos quero maçar mostrando-vos cada pequena coisa. Quem muito ama alguma coisa por vezes nem se dá conta que, aos outros, isso pouco diz.

Pudesse eu sair do vosso computador, dar-vos o braço, trazer-vos até aqui, passear convosco e ir dizendo 'aqui é onde Sophia se senta ao pé de mim, confidenciando-me: pudesse eu não ter laços nem limites, ó vida de mil faces transbordantes, p'ra poder responder aos teus convites, suspensos na surpresa dos instantes'; ou convidar-vos a sentarem-se aqui comigo à sombra do grande pinheiro que faz sombras maravilhosas neste muro em que duas figuras aparentemente se ignoram e em que se lê que les plus grands secrets se cachent dans la lumière; ou levar-vos até ali onde Eva, mulher apaixonada, toma para si as palavras de Natália e diz: eis-me sem explicações, crucificada em amor: a boca, o fruto e o sabor: ou simplesmente levar-vos a olhar o azul inocente deste tão grande céu ou, agora que é noite, a olhar as estrelas neste céu tão limpo.

Tomara que vos pudesse ter aqui, ao pé deste fogo tão acolhedor, bebendo um chá quentinho, tomara poder ouvir a vossa voz, ver o vosso olhar, e deixar-vos que percorram estes meus caminhos, que vejam estes recantos nos quais o sol desenha figuras, que descubram porque gosto tanto de estar aqui, nesta terra que me escolheu.


















Tenham, meus Amigos, um belo domingo.

E tentem ser felizes gozando cada breve instante - apesar das circunstâncias
(que, para alguns de vós, eu sei, são pesadas, senão mesmo dolorosas).


sexta-feira, janeiro 06, 2012

A Loja Maçónica Assembleia da República; o caso dos seios PIP; Mrs Burge, a Barbie Humana; Elin ex-Woods, que também precisava de se internar; e, finalmente, a opinião de George Soros sobre a alarmante situação na Europa.


Hoje estou com vontade de vos trazer as reflexões de gente que sabe, Soros, Solana, Stiglitz, mas antes tenho que puxar aqui à boca de cena dois ou três pequenos apontamentos.

1. Então é mesmo verdade que aquele edifício ali ao pé de S. Bento é uma Loja Maçónica?! Uma das bigs?! Resmas de maçons, resmas!

Ali todos sentadinhos a fazerem de conta que mal se conhecem ou que se dão mal uns com os outros e afinal são quase todos 'irmãos'...! Seus malandrecos...!

Assembleia da República - deve estar carregadinha de triângulos, compassos, ...

Pareceu-me ouvir há pouco na Quadratura do Círculo que se diz que cerca de 80% dos deputados são maçons...! Bolas, bolas, bolas! Tantos?!

Mas fiquei também a saber que uns pertencem a lojas decentes, de gente bem intencionada, defensores da moral e dos bons costumes e que há outras, formadas por dissidentes, em que pululam os esquemas, as negociatas, a distribuição de lugares, jogos de influência, autênticos 'gangs' - dizem os maçons verdadeiramente fraternos tal como, por exemplo, Vasco Lourenço.

Ao que parece, agora que a Loja Mozart caíu nas bocas do mundo, os maçons daquela mal afamada loja estão todos a querer sair de lá a correr, ninguém se quer comprometer em tão más companhias. Ao que dizem, só ficará lá o rebotalho, espiões, ongoings e pouco mais. Mas isto sou eu a papaguear, que eu não sou nem mata-hari, nem amiga de nenhum ex-sied.

Ridículo, tudo tão ridículo isto.

Mas sejam lojas decentes ou lojas indecentes, pergunta a minha ignorância (e já várias vezes aqui o perguntei) - se nada do que lá fazem é ilegal, ilegítimo ou caso de polícia, de que coisas é que eles afinal lá tratam que aquilo tenha que ser uma sociedade secreta? Que sentido faz uma coisa destas, cheia de rituais e outras coisas bizarras, nos tempos de hoje? Alguém me explica?


2. Passo ao outro tema que ocupa a comunicação social - e aqui tenho que me conter para me portar bem porque a coisa não é para rir.


[Como pratico uma actuação responsável e longe de mim correr o risco de magoar algum dos meus queridos leitores, antes de a colocar aqui reduzi a dimensão da fotografia da Susana da Casa dos Segredos (Susana esta que também colocou implantes nos glúteos e aumentou o volume dos lábios) não fosse algum dos seios saltar do computador e algum de vocês ainda levar com ele na cara. Credo!]

Apelo de novo à mesma unidade de medida - resmas - para dizer que resmas de mulheres, resmas, colocam implantes mamários. Umas porque existem razões médicas que o justifiquem, outras porque não gostam de ter seios pequenos, outras, parece que a maioria, em Portugal, porque querem ter seios iguais aos da Soraia Chaves e outras porque querem ter seios XXXXXL. Nada a dizer.

O que há a dizer é que os fabriquem com gel indistrial (marca PIP), implantes que para além de, por vezes, vedarem mal (e tenho que aqui trazer outra vez a Judite de Sousa que, quando o médico dizia que alguns implantes babavam, especialmente de noite, concluiu que as mulheres acordavam com os seios molhados, esquecendo-se que os implantes estão enfiados debaixo da pele, não se 'babam' para a barriga), podem provocar cancro. Ou seja, as mulheres podem ter que ser submetidas a nova cirurgia. Coitadas. Que susto devem estar a passar. Espera-se que os fabricantes (franceses) sejam penalizados.


3. Mas doida varrida mesmo é a inglesa Sarah Burge, conhecida por ‘barbie humana’ (porque já fez tantas cirurgias plásticas que parece uma boneca) - e que, em conjunto com o marido, dirige um clube de swing, coisa que, em boa verdade, nem vem aqui ao caso - que ofereceu, este natal, à filha de sete anos um vale de 7.000 libras para fazer uma lipoaspiração quando for mais velha.

Sarah e Poppy Burge
(Não mostro aqui uma fotografia de grande plano e decotada de Sarah
porque, por muito que reduzisse, não caberia aqui,
de tal forma avantajados são também os poitrines)

No aniversário da criança já lhe tinha oferecido um voucher de 6.000 libras para colocar implantes mamários depois dos 16 anos.

Custa a crer em tamanho disparate. Coisa de doidos.

 
4. Outra maluca é Elin Nodergren que, não gostando da casita novinha e maravilhosa, a mandou demolir para a fazer de novo. Contextualizando: a casita tinha mais de 2.700 metros quadrados, tinha custado 12 milhões de dólares, era nova e dizem que espectacular. Mas Elin não estava afim, não curtia.
 
Elin Nordergren - e agora que estou a olhar
parece-me ver um par de PIP's

Quem é Elin?, perguntam vocês. Pois bem, Elin é a ex de Tiger Woods o qual, para se divorciar dela, teve que desembolsar cerca de 100 milhões de dólares. Entretanto, a temperamental Elin já contratou nova equipa de arquitectos para um projecto brand new e dizem que também já arranjou novo namorado, filho de um multimilionário. Não brinca em serviço.
 
Está certo que o Tiger era mesmo uma tigreza no masculino mas deixem estar que, em termos de maluquice, ela não lhe deve ficar nada atrás.
 
 
Bom.
 
Como até já parece mal andar sempre a prometer e nada, e porque a situação financeira na Grécia é dramática e, se não se resolver, a Europa é sugada para um buraco negro situado lá no mais recôndito do menos infinito, aqui vos deixo finalmente um bocadinho da opinião de George Soros, publicada em 30 de Dezembro, que pode ser na íntegra aqui sob o título 'O ano da indecisão na Europa'. Peço-vos para lerem porque o texto está claro, fundamentado e realista. Se conhecerem alguém na Grande Loja Maçónica da Assembleia da República ou, em especial, se conhecerem alguém do Governo, também era boa ideia dar-lhes a ler. Pode ser que percebam onde nos estão a tentar meter.
 


Como é sabido, George Soros é “chairman” do Soros Fund Management e do Open Society Institute e estou a resumir de forma mais do que minimalista o seu curriculum.


"A alarmante situação económica na qual a maior parte do mundo rico mergulhou em 2011 não foi meramente resultado de forças económicas impessoais, tendo sido grandemente criada pelas políticas levadas a cabo, ou não levadas a cabo, por parte dos líderes mundiais. Com efeito, a extraordinária unanimidade que prevaleceu na primeira fase da crise financeira que teve início em 2008 e que culminou com o pacote de resgate no valor de um bilião de dólares acordado conjuntamente na reunião do G-20 em Londres, em Abril de 2009, há muito que se dissipou. Agora, as lutas burocráticas internas e os conceitos erróneos são galopantes.

As medidas introduzidas pelo BCE deram um forte contributo para aliviar os problemas de liquidez da banca, mas nada foi feito para reduzir os enormes prémios de risco sobre as obrigações soberanas. Uma vez que os prémios estão intimamente ligados às deficiências de capital dos bancos, não basta haver uma meia solução. Se a dívida soberana da restante Zona Euro não for sucessivamente controlada, um incumprimento da Grécia poderá levar ao desmoronamento do sistema financeiro mundial.

Mesmo excluindo um tal cenário de pesadelo em 2012, a cimeira lançou as sementes para futuros conflitos – em torno do aparecimento de uma Europa a duas velocidades e da falsa doutrina económica que orienta o pacto orçamental proposto para a Zona Euro. Essa doutrina, ao impor austeridade num período de aumento do desemprego, ameaça mergulhar a Zona Euro numa viciosa espiral de dívida deflacionista da qual será difícil de escapar."



A ver se amanhã arranjo maneira de também partilhar convosco a opinião de Solano, Stieglitz e outros pois vão todas no mesmo sentido e é tudo gente isenta, inteligente e descomprometida. Hoje não que o texto já vai longo e eu estou perdida de sono, está bem?
 
E é isto. Thanks God, it's friday!
 
 
&&&&&&
 
 

!? Que é lá isto, ó gente ?!

Bem, isto é o que me parece uma escrita em que às palavras faltam letras.

Por isso, enquanto não me sentir pré-histórica, vou continuar a escrever marimbando-me no Acordo Ortográfico. Não me levem a mal.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Eu, mulher feita de palavras, eu com livros à minha volta

 
A minha estreita relação com as palavras vem de muito cedo. Com seis meses comecei a falar, pregando um valente susto à minha mãe. Fui também precoce na aprendizagem da leitura. Não guardo memória de alguém me ensinar a ler ou escrever (só podem ter sido os meus pais, mas não me recordo) mas lembro-me de que, quando entrei para a escola infantil, com 4 anos, já o sabia fazer com facilidade. Ler era para mim uma coisa muito intuitiva, tenho ideia de que não precisava que me ensinassem para que eu conseguisse perceber os sons e os significados associados às palavras. Não que isso me tenha trazido qualquer vantagem sobre qualquer outra pessoa mas, se o refiro, é para tentar explicar esta minha precoce paixão pelas palavras.

Havia, na escola infantil que frequentei, uma cartilha de João de Deus em tamanho gigante, colocada num suporte na parede e a professora, de imaculada bata branca, dava uma página por aula.

Brincávamos também com barro, com plasticina, fazíamos dobragens com serpentinas ou papel de lustro, dançávamos, cantávamos, tocávamos tambor, pandeireta ou ferrinhos, mas uma parte da manhã era sempre reservada à aprendizagem da leitura e da escrita. De início, a escrita reduzia-se a fazer risquinhos entre linhas que tinham uma linha intermédia. Eu fazia os risquinhos todos e depois escrevia o nome completo e o mais que me viesse à cabeça. A aprendizagem da leitura pela Cartilha era um momento engraçado, era um verdadeiro ritual iniciático. Ela lia e nós tínhamos que repetir em coro.


As letras, os ditongos, depois as sílabas, depois aqs palavras - ela dizia e era como se representasse e mostrava como deveríamos colocar os lábios, a língua, mostrava os sons dominantes, e nós repetíamos fazendo os mesmos trejeitos.

Embora a leitura para mim já não oferecesse dificuldade, aqueles exercícios de dicção eram engraçados. Mas a professora deve ter percebido que a matéria tinha pouca novidade para mim e, então, comecei também a aprender francês e aí é que eu já gostava mesmo porque havia o efeito novidade. O meu avô, que em novo tinha andado por França, falava-me, por vezes, dessas suas aventuras e eu pedia-lhe que ele me ensinasse palavras em francês. A que eu gostava mais era fourchette para garfo, e aquele arranhar do R soava-me divertido. Depois era o u a ler-se iú e a fazer biquinho. Por isso, na escola, aprender a dizer mais palavras e ver como se escreviam, agora numa língua diferente, era aliciante.

Quando entrei para a escola primária, tinha a sensação de que já sabia tudo aquilo de que a professora falava mas, apesar disso, era uma experiência agradável. Na mesma sala havia a 1ª, a 2ª e a 3ª classes, separadas por filas. Quando a professora ensinava uma coisa a uma classe, estavam as outras a fazer alguma actividade (cópia, redacção, contas, etc). A professora era amiga da minha mãe e quando se juntavam eu ficava cheia de medo porque à noite lá vinham as recriminações. Dizia-me a minha mãe que a professora se queixava que eu não parava sossegada, sempre virada para o lado ou para trás. Mas a questão é que eu nem me dava conta que eram várias classes, prestava atenção a todas como se tudo me dissesse respeito, sempre com curiosidade.
Lembro-me que uma vez levei umas fotografias para mostrar aos meus colegas e à professora e numa delas eu estava sentada num sofá a ler uma Crónica Feminina, coisa que eu adorava ler.


Era uma revistinha pequenina, cheia de temas variados e interessantes. Eu devia ter, na altura, 6 ou 7 anos e lia a revista de trás para a frente com muita curiosidade e sem qualquer dificuldade. E, então, a Professora disse-me ‘podias era ler coisas melhores e mais apropriadas à tua idade’. Aquilo soou-me a censura e fiquei um pouco incomodada, sem perceber que mal é que aquilo tinha. Lembro-me que contei em casa e que notei que os meus pais trocavam impressões sobre o assunto, muito sérios, quase como se avaliassem a justeza do remoque.
Nunca achei piada nenhuma aos Tio Patinhas. Daquilo, apenas gostava das histórias que envolviam os Irmãos Metralha. Mas, em geral, não me despertavam grande interesse.

Uma amiga minha que tinha uma irmã muito mais velha, talvez uns 10 anos mais velha, costumava ter em casa revistas com as fotonovelas da Corin Tellado e eu, quando lá ia lá a casa delas, devorava-as.


Aqueles romances de mulheres sedutoras, às vezes chorosas, traídas ou traidoras, insinuantes e com belos vestidos, reclinadas na cama, homens a abrir a porta do carro com ar másculo, ou sensíveis, ar sofredor, tudo aquilo era para mim um pitéu. Não devia perceber nem a décima parte do que lia mas acho que antevia que havia um mundo de romance e ilusão por descobrir. Não faço ideia se a minha mãe sabia que eu lia aquelas coisas mas acho que ela há muito que tinha desistido de controlar o que eu lia pois sabia que eu lia tudo o que apanhasse à mão.

Pelo contrário, nunca achei piada à Anita - era muito bonita, muito certinha. Anitas ou Mulherzinhas ou demais meninas comportadinhas que faziam travessuras insignificantes, foi coisa que nunca me despertou curiosidade. Gostava era muito de uma colecção de que já não recordo o nome mas que tinha livros de uma autora que eu adorava, a Berthe Bernage, que escrevia muito bem (tanto quanto recordo) e que contava histórias sobre uma menina que tenho ideia que se chamava Brigitte (nome que eu achava lindo) e a quem chamavam Menina Aguaceiro e lembro-me que havia a Menina Aguaceiro na Côte d’ Azur, na Holanda, na Bretanha – e o que eu gostava desses ambientes longínquos…


E gostava também muito de um livro que era A Princesa da Lua de Patrick Saint Lambert, um livro que também me fazia sonhar. O meu pai, na brincadeira, às vezes até me chamava princesa da lua, coisa que me encantava porque achava que tinha tudo a ver comigo.

Quando entrei para o liceu, as minhas redacções eram muito apreciadas e eu achava que o mérito não era meu, que o que se passava era que eu tinha incorporado a escrita Berthe Bernage ou Patrick Saint Lambert.

E cada vez queria ler mais e mais. Os livros que havia em casa não me chegavam. A minha mãe tinha uma amiga cujo marido era médico e que tinha a colecção das obras completas de Fernando Namora, também ele médico como é sabido. Eu via na estante aquela fiada de livros da mesma colecção, escrita por um médico-escritor, e tinha uma vontade enorme de lhes deitar a mão. Até que essa amiga disse à minha mãe que aquilo era capaz de não ser do mais indicado para uma miúda de 12 ou 13 anos mas que, olha, se ela já lê de tudo, mal também não deve fazer. E então começou a desdobrar-se perante mim um mundo novo. O mundo dos rapazes numa República em Coimbra, o mundo dos médicos de província, o mundo dos amores e desamores dos adultos, tudo já escrito numa linguagem mais elaborada. Li então a obra completa, até à data, do Fernando Namora.

Entretanto em casa lia tudo o que havia, O Jogador de Dostoievsky que me marcou imenso, Werther de Goethe, A morte de Ilan Ilitch de Tolstoi, vários de Edgar Allen Poe que me deixavam transida de medo mas que não parava de ler, geralmente noite fora (desde miúda que sou noctívaga; os meus pais passavam-se quando acordavam a meio da noite e reparavam que a luz do meu quarto ainda estava acesa). Quando estava sozinha em casa ou de noite temia que saíssem mãos ensanguentadas das paredes, que houvesse gente emparedada, quase me parecia ouvir gemidos de trás das portas. Mas eram livros tão bem escritos…

Até que um dia entrei na Biblioteca do Liceu. Estantes de livros pintadas de um verde água muito claro, quase branco, com portas de vidro, estantes até quase ao tecto, tantos, tantos livros, aquele cheiro característico das bibliotecas. O céu.

Nem sabia por onde escolher, o coração quase batia mais rápido quando lá entrava, tamanho o entusiasmo.

Não faço ideia do número de livros que li dessa maravilhosa biblioteca mas foram muitos, muitos. Escolhia ao acaso, abria, folheava, se me agradava levava com uma fichazinha. O empregado achava-me graça, já me fazia recomendações. Se gostava, ao entregar esse, levava outro do mesmo autor até que não houvesse mais. Todos os da Pearl Buck, todos os do Somerset Maugham e o que eu me fascinava com a sua escrita bem enredada, com Liza a Pecadora, com essas vidas complicadas que envolviam sexo, rua, drama. Depois Steinbeck, as Vinhas da Ira e demais. Até que comecei a ir eu às livrarias. Deveria ter uns 15 anos quando li tudo o que havia de D. H. Lawrence. Uma fascinante descoberta. Como acontece com a aprendizagem das crianças, tudo assimilava sem que nada me parecesse chocante.

Quando fiz 16 ou 17 anos, o meu namorado da altura ofereceu-me uma coisa que me deixou nos píncaros da felicidade.

Fotografei-o ao lado de outros livros de tamanho normal
para se perceber a dimensão

A Selva de Ferreira de Castro numa edição linda, capa de pele verde, um livro enorme, ilustrações de Júlio Pomar. Adorava folhear devagarinho, tocar nas folhas de espesso papel. E deslumbrei-me também com a história fantástica da vida solitária no meio de uma selva quase opressiva, quase humana. Daí, passei naturalmente para o resto da obra de Ferreira de Castro e adorei conhecer a vida nas serras frias, a neve cobrindo a terra áspera, os lobos, a pobreza nas aldeias, as mãos gretadas, os caminhos percorridos de madrugada, noite cerrada. Logo depois Aquilino e montes de palavras que desconhecia, sempre a ter que ver o dicionário, mas era uma força telúrica que me fascinava.

Já antes, talvez pelos 13 ou 14, nas minhas incursões pelas livrarias, tinha andado a ver livros de poesia e tinha havido um que tinha achado estranho mas que, apesar disso, me tinha despertado muito interesse. Estávamos perto do Natal e então pedi à minha mãe que mo oferecesse. Assim fez. Nesse natal recebi o Poemas de Deus e do Diabo e também o Filho do Homem, de José Régio. Foi uma coisa que me marcou. Li e reli e voltei a ler, tão diferente de tudo o que tinha lido até aí. Foi o meu primeiro verdadeiro contacto com a poesia. E fiquei presa até hoje e assim ficarei até ao fim - é das poucas certezas que tenho na minha vida.

Quando entrei para a Faculdade já tinha lido imensa coisa e já estava verdadeiramente adicted to books. Preferia comer apenas nas cantinas para poupar dinheiro e ir gastá-lo em livros. Por essa altura descobri os alfarrabistas entre o Príncipe Real e o Chiado e passava horas enfiada nestas lojas escuras e cheias de pó, com livros em caixas, em montes, em estantes a barrotar. Adorava os da Rua da Misericórdia e foi de lá que quase refiz a colecção completa de Fernando Namora.

Outros momentos altos, em que me perdia e gastava todas as poupanças e o dinheiro retirado mensalmente à mesada, eram os saldos da Bertrand. Era a perdição absoluta. Passava de sala para sala e ia juntando livros. Às vezes saía de lá tão carregada que mal conseguia dar passo. Foi assim que descobri autores de cuja existência nem suspeitava alguns dos quais li na língua de origem, Miguel Angel Asturias, Violette Leduc, por exemplo. E que descobri (e passei a aceitar) lados da vida até então obscuros para mim.

'A bastarda' com prefácio de Simone de Beauvoir, edição Gallimard

E li Gorki, Balzac, Zola, Hemingway, Erich Marie Remarque, Graham Green, Tchekhov, e Augusto Abelaira, Fernanda Botelho, Irene Lisboa, e José Rodrigues Miguéis, e Jorge de Sena, e  por aí fora.

E poesia, muita, toda.

Comecei por essa altura também a diversificar os meus interesses. A teoria da relatividade, a mecânica quântica, a física da matéria, coisas que me intrigavam e que queria perceber. Livros pequenos que comprava na feira do livro, livros enormes da Universidade de Berkeley, um fascínio, coisas que lia como se lesse poesia, temas mágicos, sem me preocupar em fixar ou, sequer, em perceber tudo.

Não sou de Letras nem de Física pelo que tudo o que lia era puro prazer, nada por obrigação.

..&..

Não vos maço mais porque, por mim, continuava. Falo de livros como de pessoas. Vivo rodeada de livros, adoro livros, continuo a comprar livros mesmo sabendo que, em relação a grande parte deles, talvez nunca consiga vir a ter tempo para os ler.

E gosto de escrever.

No fundo, acho que gosto é de palavras. Gosto de pensar que estou aqui na minha sala, praticamente às escuras - em que apenas um pequeno candeeiro ilumina a mesa em que escrevo, uma mesa cheia de livros, rodeada por estantes cheias de livros - e que vocês, que não conheço, estão aí a ler estas minhas palavras. Gosto de sentir a harmonia quase aleatória, quase mágica, como as palavras se ajeitam entre elas, se combinam, se desafiam, como se enfeitam, coquettes, para seduzir quem as lê, quem as ouve.

Gostava de poder ver a vossa expressão, gostava de poder sentir pela forma como respiram ou como inclinam a cabeça, se também gostam de ler, se também gostam de palavras, se gostam das minhas palavras. Gostava de vos poder mostrar os meus livros, de poder folheá-los para vermos quem é o tradutor ou quem ilustrou a capa, qual o ano da edição, ou contar-vos onde o comprei ou onde o li.

Acho que se hoje sou tolerante, compreensiva, se aceito tão bem as diferenças, as falhas, se gosto tanto de pessoas, o devo aos livros, às pessoas que os habitam, aos muitos mundos para onde me levam. E se sou tão crítica em relação à estupidez, à ignorância arrogante, à vil ganância, acho que é porque o que aprendi nos livros me permite concluir que não há nada mais perigoso que isso.

De facto, muito do que sou devo-os aos livros que li. Por isso, lhes sou tão agradecida.
 

Álvaro (Santos Pereira) - mais redondinho, sem óculos...

 
Afinal já ficámos a saber o que andou o Álvaro a fazer enquanto nos interrogávamos sobre o seu paradeiro.

Apareceu hoje. Eu não estava na minha casa e não estava a prestar atenção à televisão. Eis senão quando ouço a sua voz mas, ao olhar de relance, vejo que a voz vinha de um outro. Quem falava era um gordinho, cara redonda, lisa, lustrosa, rosada, sem óculos.

A gravata era verde bandeira, não gostei, o sorriso amarelo, forçado, e, olhando melhor, parecia o Álvaro.



Intrigada, aproximo-me. E eis que vejo que era mesmo ele, com lentes de contacto, rechonchudo, com a cara muito hidratada.

Andou, então, na engorda, a fazer peeling e a fazer habituação a lentes (ou então a fazer uma cirurgia), aquele malandreco...! E nós aqui preocupados com ele... o safadinho...!



[A fotografia não tem nada a ver com ele, claro, mas não descobri nenhuma fotografia do Álvaro no seu new look]

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Judite de Sousa está a ganhar balanço para ser a próxima Pin-Up do Hot Magazine? Luís Montenegro também usa aventalinho com o monograma da Loja Mozart? Mas que bem. Espiões, deputados, jornalistas, ministros, olha que bela mistura. E pérolas dentro de ostras algarvias. E esperma feito em laboratório. Que rica caldeirada! Só falta mesmo uma posta de safio.

 
Meus Caros, hoje estava cheia de boas intenções, juro. Queria falar-vos da situação na Grécia, da forma desastrosa como a Zona Euro está a ser gerida, queria partilhar convosco a opinião de Georges Soros, tudo assuntos prementes e actualíssimos.


Mas há pouco, enquanto jantava, vi o final do Jornal das 8 na TVI, conduzido pela Judite de Sousa. Enquanto falava e só lhe via a parte de cima do corpo, já pressenti que aquilo não augurava nada de bom. Já ontem tinha tido um arrepio quando a vi mas estava ainda sob o efeito da visão da D. Elma e relevei a D. Judite, até porque só a apanhei de relance, quando se levantou para encerrar as hostilidades. Mas agora, que reincidiu, tenho mesmo que puxar o assunto à colação. Ontem estava de mini-saia preta, meia preta, bota por cima do joelho e camisa reluzente de um encarnado vivo. Um despropósito que só visto.

Hoje estava de blusa preta cheia de pedrarias junto ao pescoço. Como está loura platinada, carregada de pintura, aquela concentração de grandes pedras sobre preto tornava o conjunto nitidamente too much. Mas o pior veio mesmo quando se levantou. Ó senhores... Estava de sainha rodada e estampada, curtinha, pelo meio da pernoca e de novo de bota alta, desta vez pela rótula. Uma coisa inexplicável. Nem sei se não estava ainda mais espampanante que a D. Elma de mãos nas mamocas e casaquinho de peles.

Não percebo o que lhe deu - é que até há pouco tempo parecia que tinha atinado com a imagem, estava mais discreta, parecia até mais bonita, mais simétrica. Agora deu-lhe para isto. Oh senhores...!

""""""""

Mas até ser vítima deste choque estético, até me estava a parecer que o dia estava repleto de notícias promissoras.

1. O dia noticioso andou à volta da Loja Mozart. Há que séculos que aqui, neste mesmo sítio, dei conta das dangereuses liaisons entre esta lojinha maçónica (70 membros mais coisa, menos coisa), o poder, o coito dos espiões (coito=lugar protegido e não coito=cópula, que é lá isso...?), a comunicação social.

De lá vem o inefável e anafado Jorge Silva Carvalho, o supostamente ex-espião do SIED - mas, ao que consta, ainda com muitas liaisons - de lá vem Nuno Vasconcelos (ou Vasconcellos?) da Ongoing, de lá, pelos vistos, vem também Luís Montenegro líder parlamentar do PSD, ao que soa, de lá vem o omnipresente Miguel Relvas, tudo gente fina. O que eles para lá congeminam, só eles sabem. Influências, jogos de poder, interesses, intrigas, espionagem à mistura, cartas na manga, fotografias em envelopes (?) - são coisas que nos podemos divertir a imaginar mas que não temos como provar. Parece que há uma Comissão Parlamentar, da qual o próprio Luís Montenegro é membro, que faz de conta que anda a investigar. Não vai dar nada como é mais que óbvio.

Mas não é essa caldeirada que agora me interessa. O que me interessa é imaginar o cenário em que aquelas reuniões decorrem.


Esta fotografia está na net e refere-se a um encontro creio que no Brasil. Será que aqui em Lisboa, na Loja Mozart, é uma coisa assim...? Todos de aventalinho muito engomadinho, cheio de gregas acetinadas, bordadinho inglês e outras aplicações mimosas? E de babete ou gola da mesma cor que os enfeites do aventalinho...? Tão giros...! Gostava tanto de os ver...! De ouvir, não, que deve ser uma coisa a atirar para o assustador. Mas, vê-los, deve ser tão enternecedor.

^^^^^^^^

2. Bom; mas as notícias interessantes não se ficaram por aqui. À vinda para casa (que é meu grande momento de absorção informativa) ouvi uma coisa mesmo empolgante. Foram encontradas pérolas em ostras algarvias do género Crassostrea.

A descoberta deveu-se ao Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) e ao Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR) e, em 750 ostras, apenas 2 estavam recheadas com 6 pérolas ao todo.


A imagem acima corresponde a uma dessas pérolas.

Fiquei entusiasmada com a notícia. Vocês, meus Caros, devem achar que 6 pérolas não são motivo de conversa. Mas, sabem, vou confessar-vos: adoro pérolas. Verdadeiras de preferência, mas também de cultura e, à falta de melhor, também de pura fantasia. É daquelas coisas intrinsecamente elegantes, que tornam interessante qualquer mulher.


^^^^^^^^^^^^^^

3. Mas o mais interessante fica para o fim. Investigadores alemães e israelitas conseguiram produzir esperma em laboratório. Dizem que os espermatozóides eram muito jeitosinhos, muito bem feitinhos, a cabecinha muito bem desenhadinha. Nadam numa solução gelatinosa muito parecida com a que se encontra nos testículos.

Por enquanto ainda são apenas experiências com ratos mas a ideia é estender a coisa aos humanos e os cientistas estão muito animados.


Também acho empolgante - pérolas nas ostras algarvias ou espermatozóides feitos em laboratório, tudo coisas que dão jeito.

Claro que os meus amigos homens já devem estar a sentir-se incomodados. Mas que não seja por isso. As mulheres não vos querem apenas para procriar (agora até me lembrei de um deputado, de seu nome João Morgado, que tinha essa ideia e que, inclusivamente, inspirou um divertido poema a Natália Correia). Procriar é apenas uma ou duas ou três vezes na vida (em média, claro). As mulheres dão várias outras utilidades aos homens, estejam descansados.

Por isso, se se portarem bem, se forem simpáticos, se forem bons e pacientes companheiros, se trocarem as lâmpadas em casa, se pendurarem quadros ou cortinados, se montarem estantes do IKEA e não andarem ofegantes e revoltados enquanto carregam os caixotes para dentro do porta bagagens, se forem carinhosos, se perceberem quando mudamos de penteado, se não se importarem de esperar que a gente se arranje como deve ser, se gostarem de andar a passear de mãozinha dada, enfim, se merecerem, talvez as mulheres não vos descartem. Capisce?!

^^^^^^^^

E pronto, meus amigos, hoje fico-me por aqui. Amanhã logo tento trazer assuntos mais maçadores, está bem? Hoje deu-me para isto, para coisas de insustentável leveza.

Divirtam-se!
  

terça-feira, janeiro 03, 2012

A Jerónimo Martins, do patriota Alexandre Soares Santos, levantou arraiais e foi pagar impostos para a Holanda? A sério? E a Elma Aveiro, uma das manas do CR7 despiu-se e aparece quase nua, em lingerie, numas poses pretensamente sensuais, na Hot Magazine? Mas o que é isto? Obscenidade atrás de obscenidade?


O ano começa envolto num clima vagamente obsceno. Dado o adiantado da hora vou ser sintética.

A primeira notícia deixou-me sem saber se havia de desatar a rir à gargalhada, se quê. Fiquei foi especada em frente das imagens.



Eis que vejo Elma Aveiro - a mana da Cátia (ou Ronalda, de seu nome artístico) e do Cristiano Ronaldo, filha da D. Dolores - quase desnuda, posando em lingerie para a revista Hot Magazine.

Olho para as imagens e, sinceramente, não sei o que me choca mais:
  • se é o facto dela se chamar Elma;
  • se é o facto de estar com uma lingerie com as iniciais do irmão (e nem vou aqui dizer que a coisa pode parecer vagamente incestuosa, que isso daria um toque despropositadamente literário à 'peça');
  • se é o piroso das iniciais CR7 serem brilhantinhos sobre uma sainha preta transparente com umas cuequinhas encarnadas por debaixo, tudo demasiado vulgar e previsível, uma coisa saloia;
  • se é o sorriso supostamente sexy mas que nada tem de malícia, tem mais um ar de uma dona de casa a fazer pirraça à cunhadinha que tem a mania de se armar em top model, aquela Irina Shayk 'metida a besta';
  • se é das unhas cor de laranja;
  • se é dos penduricalhos disparatados no fio e nas orelhas, uma coisa do além.
Não sei. Digam-me vocês o que acham. E não me venham dizer que sou preconceituosa, que Elma é um nome normal, que unhas cor de laranja é o que vem mais a calhar com casaco de peles, cuecas encarnadas e sinos nas orelhas.



Y-Y-Y-Y-Y


Mas isto da D. Elma é uma obscenidade de brincadeirinha. Nada que se compare com o que me pareceu ouvir na TSF ao vir para casa. Vou colocar tudo como perguntas para não correr o risco de cometer uma injustiça das imperdoáveis pois a notícia foi minimalista e posso ter percebido mal.

Mas então, digam-me lá vocês se estou enganada ou se o Patriota-Mor Alexandre Soares dos Santos, o grande pregador da moral e dos bons costumes que desancou no Sócrates como não há memória, pegou na Jerónimo Martins, a sociedade que detém os supermercados Pingo Doce e Recheio, e vendeu-a a uma sociedade sedeada na Holanda...?! Foi isto que aconteceu? Uma operação de optimização fiscal? A sério? Pegou na trouxa e foi pagar impostos para a Holanda onde a carga fiscal é inferior a Portugal?

É esta a nata do empresariado português, é este o patriotismo dos nossos liberais empresários? Numa altura em que pede um esforço absurdo que vai desgraçar muitas famílias, numa altura em que os portugueses são espoliados de tudo, o grande empresário Soares dos Santos marimba-se para a questão nacional e vai pagar impostos à Holanda...? E o Zé Povinho pode fazer o mesmo? Podemos todos escolher o país onde se paga menos?

Quem me dera estar enganada porque se isto é verdade só posso dizer que é imoral, um atentado à ética, um atentado ao respeito pelos seus concidadãos.


[NB: Não, meus amigos, não pertenço ao mal-afamado clube das virgens ofendidas - que isto é prática corrente, que gerir apenas na perspectiva da criação de valor para o accionista é coisa que se ensina nas universidades, que isto faz quem pode e acha que  é apenas um acto de boa gestão, que nem sei se até o Belmiro não está também já por aí, que até a CGD estava no offshore da Madeira (e que agora, face à redução dos benefícios fiscais é bem capaz de se mudar para as Ilhas Caimão) e que tudo isto é uma coisa de bradar aos céus para os pobres que não têm como fugir, é obscenidade sabida e ressabida. Mas, haja paciência para uma pessoa que andava pelas televisões falando em prol de uma política de verdade, a bater com a mão no peito, a apelar já nem sei bem a quê e que, na hora de fazer sacrifícios, levanta arraiais e vai pôr o dinheiro que tanta falta faz a Portugal na Holanda... Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz, é ou não é?

Que aprendam a lição os aprendizes de feiticeiro que por aí andam a brincar com a vida das pessoas. Uma política assente na expropriação agressiva através dos impostos dá nisto. Fuga de capitais para quem pode, empobrecimento até à miséria de quem tem que amargar até à última gota. O país ganha o quê com isto? Zero. Ou melhor, o País perde e perde muito com tudo isto.]



'Venha a mim, venha a mim', parece ele dizer, não é?


Contudo, estou aqui a mostrar-me chocada mas nem devia. A ser verdade aquilo que percebi da notícia, qual a novidade? Não é sabido que o capital não tem pátria? Não é sabido que, quando o navio se está a fundar, os ratos são os primeiros a saltar?

XXXXXX


Como não gosto de terminar com assuntos desagradáveis, refiro-me agora à terceira obscenidade, desta vez uma coisa quase beata, ou a atirar para o fofinho, ou nem isso, nem sei e não é cá.


O casal modelo Bradd Pitt e Angelina Jolie, todos ecológicos, solidários e bem comportados (e estou a falar a sério), não querem que ninguém diga asneiras lá em casa. Se forem os filhos a dizer, serão multados com trabalhos domésticos. Se os prevaricadores forem convidados, terão que pagar até mil dólares.

Mas, senhores, pasme-se, entre as coisas proibidas estão coisas como 'odeio-te' ou 'estúpido'. As crianças vão ficar umas santinhas de dar dó.


WWWWW


Resumindo, meus Caros: se alguma das duas primeiras notícias vos tiver desencadeado uma irreprimível vontade de dizer 'ai que estupidazinha, credo...!' ou, então, 'não me apareças mais na frente a pregar moralidades porque, se tiveres mesmo feito essa habilidade, quase que te odeio, oh meu grande estúpido', tenham muito cuidado. Olhem bem à vossa volta não vá o Brad ou a Angelina estarem por perto e ainda têm que desembolsar mil dólares - olha o prejuízo...!

^^^^^^

Bom. Fico-me por aqui. Até amanhã e averiguem bem isso da Jerónimo Martins e digam-me porque, a ser verdade, acho que nunca mais ponho os pés no Pingo Doce. Quanto à mana Ronalda, olhem, agora sou eu que nem sei que vos diga.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Que 2012 seja o ano das pessoas (não apenas o do combate ao défice, o da austeridade, o da recessão): o ano das pessoas!


Não gosto de olhar para o passado. Claro que guardo com carinho as boas recordações mas, de forma geral, não tenho apetência pela nostalgia. Pelo contrário, estou sempre disponível para o que é novo. Por isso nunca me interessam as retrospectivas, os balanços do ano que passou, as figuras do ano ou coisas do género. Para a frente é que é caminho.

Por isso, ao começar 2012, o que me apetece é pensar no que vai ser. Quero sempre fazer coisas novas, aprender novas matérias, descobrir novos interesses, novas pessoas. Depois, tenho esta mania de acreditar que se consegue o que se quer desde que se queira mesmo, sem hesitações, sem ambiguidades. E, assim, não sou dada a pessimismos. Há nuvens negras, assustadoras, pairando sobre nós, claro que há. E há abutres e outros necrófagos pairando, querendo comer o que restar da carniça, claro que há. Há também muita apatia, muita desistência por parte de quem teria toda a razão para bater o pé a este cerco. E há esta coisa muito judaico-cristã de aceitarmos que, à partida, somos culpados e que temos que expiar todas as culpas. Temos apenas uma vida, uma vida tão breve, e mesmo assim desperdiçamo-la a expiar culpas que não são nossas.

Mas há também uma consciência que se começa a formar e há pessoas lúcidas e informadas que começam a erguer a sua destemida voz para dizer que empobrecer, regredir, perder direitos, caminhar para a insolvência não são bons propósitos - nem bons nem úteis (porque em todo o lado em que são experimentados, resultam mal).

E, por isso e porque acredito nas pessoas, não consigo estar atormentadamente pessimista. Não estou.

Eu gosto das pessoas. Gosto, acima de tudo, de pessoas. Enternecem-me as pessoas, as pessoas simples, as pessoas boas que vivem uma vida inocente.

Arreliam-me  pessoas que se movem por esquemas, pessoas estúpidas, incultas, ignorantes, impreparadas, desumanas, gananciosas - mas, apesar de ocuparem, cada vez mais, lugares de poder, acho que o seu tempo está a extinguir-se.

Mas as pessoas com quem me cruzo na rua e que busco e que fotografo são pessoas que não fazem mal a ninguém, que vivem a sua vida conforme podem - e que devem ser respeitadas, estimadas, acarinhadas.

Na véspera de ano novo dei a minha caminhada do costume e, uma vez mais, foi com todo o carinho que andei a fotografar pessoas. Perto da meia-noite saí de onde estava e fui de novo para a rua fotografar as pessoas que colectivamente esperavam na rua a passagem do ano. É com algumas dessas fotografias que abro 2012 querendo, com isto, manifestar o meu desejo de que quem governa (o País, a Europa, os sacorossantos mercados, ou o que quer que seja que tenha impacto no destino colectivo) o faça para melhorar as condições de vida das pessoas. As pesssoas deveriam ser o primeiro e o último desígnio de quem governa (é um lugar comum, eu sei, mas de tão banalizado, acabou esquecido ou transformado num vulgar e artificial exercício de retórica).


Pessoas

As pessoas de idade que deveriam ter uma vida tranquila depois duma vida de trabalho,
as pessoas que precisam de transportes públicos e que deveriam poder usá-los com dignidade
(e que vão ter dificuldades acrescidas com o ainda maior acréscimo
de custos de transportes públicos, de bens alimentares, de tantas coisas básicas
num ano em que o valor real das pensões vai baixar substancialmente


Os jovens pais que se vêem confrontados com a possibilidade de terem que emigrar
para poderem criar os seus filhos
As crianças que deveriam ter um futuro prometedor pela frente e não sérias indefinições


Os imigrantes que procuraram Portugal (e agora começam a debandar)
e cujos hábitos enriquecem a nossa vivência (e cujos impostos nos ajudam)
Neste caso, a comunidade brasileira que tanta alegria empresta a quem com ela convive


As pessoas que trabalham por conta própria, em condições tão difíceis e precárias,
percorrendo festas, festejos, de dia, de noite, em feriados, sempre, a qualquer hora


As mães que, com tão poucos recursos, tentam dar o melhor e ainda alegria e divertimento
aos seus filhos - quando todas as coisas para criança são tão caras, tão caras...!
Leites, farinhas, fraldas, roupas, sapatos, creches - tudo tão caro, meu Deus!
Como conseguem as mães pobres criar os seus filhos?


As pessoas que, com tão pouco, com vidas tão difíceis,
arranjam maneira de se divertir, de ter alegria no seu dia a dia


As pessoas que, apesar das nuvens negras que pairam sobre o seu futuro,
conservam a capacidade de olhar com ternura, que insistem em manter viva a chama do amor,
 que persistem em inventar uma vida a dois.


Que 2012 seja, pois, um ano virado não exclusivamente para números, para rácios, para ratings mas sobretudo virado para as pessoas, para o bem das pessoas, para  a felicidade das pessoas.


E vocês, meus queridos leitores, sejam lutadores, exigentes e felizes. E tenham um bom dia!

 

sábado, dezembro 31, 2011

Olhem sempre para o lado luminoso da vida, não se preocupem: sejam felizes; brinquem; riam; beijem, beijem muito. E que tenham saúde e sorte. E que sejam muito felizes. São os meus votos para 2012!


Que o Sarkozy perca as eleições porque eu acho que isso vai ser o rastilho para que o as coisas mudem na Europa.

Que Portugal volte a ser um País com orgulho, soberano, lúcido. Que voltemos a ter esperança. Que os jovens não tenham que sair do País. Que os jovens tenham vontade de construir família e ter filhos.

Que haja trabalho, segurança, harmonia.

Que tenhamos saúde. Que sejamos bafejados pela sorte.

Que tenhamos possibilidade e vontade de ler, ler muito, desfrutar a beleza das palavras, que nos saibamos deleitar com todas as formas de arte, que deixemos que a música nos eleve até onde a felicidade é mais límpida.

Que tenhamos largo espaço para os afectos, que os saibamos receber e dar com a inocência das crianças.

E, quanto ao mais, é o que disse lá em cima. Vamos ver sempre o lado bom das coisas, vamos ter força para superar as dificuldades, não desistamos, lutemos para ser felizes. E vamos rir. Vamos rir muito.


Always look on the bright side of life pelos Monty Python


õõõõõ


O Ano Novo é altura de grandes orquestras. Cá está uma à maneira. Enjoy!


õõõõõ


Don't worry, be happy - Bobby Mcferrin diz-nos como é. Vamos fazer coro, está bem?


õõõõ



Mozart, Sechs Tänze e o aqui repetentíssimo coreógrafo checo Jirí Kylián - diversão, arte em estado puro!


õõõõõ


Beijos no cinema - para se inspirarem. Que tenham muitos beijos na vossa vida.

õõõõõ





Um abraço e tenham um belíssimo 2012, está bem?

 
[Como sabem sou polifónica... Por isso, convido-vos a ver os meus votos de Ano Novo num registo mais poético-soft no Ginjal e Lisboa, a love affair e, num registo mais minimalista, no Street Photo & Co.]

  

O Bolero de Ravel segundo Maurice Béjart - a sensualidade dos movimentos no masculino (e no feminino também). Mais logo formulo os meus votos para 2012.