Obviamente que a saída do Rui Borges não é o assunto do dia.
O que releva verdadeiramente hoje é a enorme incompetência, o provincianismo e a falta de bom senso do governo e, sobretudo do Montenegro, que devido também aos tiques de autoritarismo que sempre demonstrou conseguiu transformar uma manifestação, cujo fim estava anunciado, numa situação bastante difícil.
Mas também releva a forma, na minha opinião completamente desproporcionada, como a polícia carregou várias vezes sobre os manifestantes numa tentativa de intimidação injustificável num estado democrático seguindo, seguramente, indicações do governo.
Mas, como sou sportinguista e tenho bastante simpatia pelo Rui Borges, vou referir-me à rescisão pré anunciada e hoje concretizada como treinador do Sporting.
A grande maioria dos sportinguistas nunca terá perdoado ao Rui Borges a derrota na final da Taça e quiseram fazer-lhe rapidamente "a folha". Uma parte de comunicação social sempre o tomou de ponta e revelou uma animosidade que não consigo justificar, e que só serviu para acirrar ânimos e desestabilizar a relação do treinador com a massa adepta. O Rui Borges nem sempre tomou as decisões acertadas nos jogos e na gestão do plantel, o que foi sempre aproveitado para o criticar, geralmente de forma exagerada.
Mas, na realidade, o Rui Borges conseguiu vitórias muito significativas como a dobradinha ou os quartos da Champions, o que raramente aconteceu com outros treinadores. Agarrou o Sporting num momento dificílimo e demonstrou muito mérito nos êxitos que conseguiu nessa época e na época seguinte, na qual, tirando a final da Taça, as coisas não correram mal.
Esta época a coisa não engrenou. Mas será que a responsabilidade é do Rui Borges?
Há esclarecimentos sobre várias aspectos que ajudariam a esclarecer quem deve ser responsabilizado por este sofrível início de época.
A primeira é sem dúvida saber quem teve a ideia peregrina de vender uma equipa e comprar um conjunto de jogadores com o objetivo de construir uma equipa nova. Só com uma sorte nunca vista seria possível transformar um conjunto de jogadores numa boa equipa de futebol em poucos meses. Quem terá acreditado nesta quimera?
E as lesões, o que se passa com as lesões? Como é possível tantas lesões e tão prolongadas?
É obvio que o Varandas, sendo presidente, é o grande responsável pelo que se passou com a troca do plantel e também pela manifesta incompetência do departamento médico. Mas, como é costume, quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão. O mais fácil foi correr com o Rui Borges encontrando um bode expiatório para a incompetência que tem que ser atribuída à governação do clube.
O Rui Borges parece-me um homem bom, honesto, humilde e trabalhador com quem sempre simpatizei e que me deu muitas alegrias como sportinguista. Desejo-lhe a melhor sorte porque, sem dúvida, merece. Quanto ao Varandas devia analisar os erros que cometeu e admiti-los, revelando alguma humildade que só lhe ficaria bem e sobretudo não fazer novas asneiras. Vai ser difícil e, ainda por cima, não tenho grande fé no Paulo Fonseca. A ver vamos.
Viva o Sporting!
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