sábado, outubro 31, 2026

Habemus computador!
Por isso, a conversa hoje é mais do que vadia.

 

É difícil explicar porque é que as coisas acontecem assim, mas acontecem. De repente, tudo acontece ao mesmo tempo. Estava na cama e o telemóvel já a tocar, para saberem se estávamos em casa e podiam cá vir. Não é que não os quisesse -- queria. O que queria é que avisassem com antecedência. Perguntei: a que horas? Resposta: já; estamos a cinco minutos daí. Enfiei uma roupa à pressa e fui ver se descobria o meu marido, para prender o cão. E estava eu a pôr-me mais apresentável, tudo a correr, e o meu marido a isolar o cão, e já eles estavam no portão. E, mais uma vez, o telefone a tocar, outro com mais uma questão. Com isto tudo, só conseguimos ir à ginástica muito em cima do que seria a hora de almoço. 

A seguir ao almoço, abateu-se-me uma vontade de dormir que nem vos digo nem vos conto. Mas eis que chegou uma mensagem: podia ir levantar o computador.

Avisei o meu marido, que soltou uma interjeição que não reproduzo. E vociferou: logo hoje que tínhamos pensado que seria um dia calmo, sem trabalhos cá em casa nem idas aqui e ali, é que até a p... do computador havia de ficar pronto. Respondi-lhe que poderíamos não ir. Mas ele, já mais refeito da fúria momentânea, disse que, pronto, lá teria que ser. E que aproveitaríamos para ir comprar tintas para retocar quer cá dentro, quer lá fora, nos sítios afectados pela instalação do ar condicionado. E aproveitava também para ir comprar biscoitos para os treinos com o cão. 

Portanto, lá fomos. Mas porque nunca é à velocidade que queremos, acabámos por chegar a casa já de noite, o que, de resto, com os dias a pequenar à força toda, já não é de espantar.

E aqui tenho que abrir um parêntesis porque também fui eu que aproveitei para ir ver como funciona a 'cena' das fitas led. Com o bichinho das renovações com que andamos, estou com vontade de colocar fitas led numas prateleiras. Mas não sabia como é que se põem à medida que se quer, se dá para cortar, como vem o fio da tomada, que está cá em baixo, até à prateleira que está lá em cima, e como se acende, fui informar-me e ver com os meus próprios olhos. Afinal não há que temer coisa alguma: tudo previsto, medidas variáveis, fitas preparadas para serem cortadas, com comando, etc. O meu marido, por ele, já trazia também uma lata de tinta e um rolo e começava já a pintar as paredes do quarto a que chamaos das meninas. Isto sem ainda termos assentado jogo. Eu quero fazer riscas na parede, ele não quer, eu quero colar papel de parede, ele não quer. Portanto, pintar o quê? Ainda nem decidimos nem a cor e já ele se quer despachar. Nos tempos em que havia telefonistas, a telefonista da empresa brincava quando, falando comigo, o imitava. Ela atendia e ele disparava bom dia ou boa tarde e, sem espaço de permeio, dizia o meu nome e se faz favor, de rajada. Ela diz que nem tinha tempo para o cumprimentar, e quase se via a correr a passar a chamada, tamanha a urgência que ele parecia demonstrar.

Mas isto para dizer que já o tenho aqui ao meu colo (ao pc, claro, não ao meu marido que esse já dorme o sono dos justos, na cama, não ao meu colo), já posso escrever com as duas mãos, quase sem olhar para o teclado. Há muitas pessoas que têm esta pontinha de velocidade quando escrevem no telemóvel, quase só com os polegares. Eu, no telemóvel, não consigo essa destreza, mas nem pouco mais ou menos.

E já estive a tratar de alguns assuntos que requeriam computador e que estavam a aguardar. No outro dia, pediram uma declaração assinada. Sem computador, a hipótese mais viável foi escrevê-la à mão. Pois, acreditem, quase parecia uma totó, já desabituada de escrever à mão, a letra horrível,  e as linhas um bocado a subirem. Depois enganei-me numa letra e emendei por cima, ficou feio.

No outro dia, um amigo, muito dado às escritas, dizia que, todos os dias, quando se levanta, vai escrever. Diz que tem montes de cadernos. Diz também que o seu processo de escrita passa forçosamente pela escrita manual. Escreve, reescreve, volta a escrever, tudo à mão. Quando está já na versão final, escreve então no computador. Dizem que isso preserva melhor as capacidades mentais, mas a mim parece-me um desperdício de tempo, escrever no computador é outra rapidez e um outro asseio, muito mais prático. Do que lhe conheço, acredito que ele tem a esperança de que no futuro alguém se entreterá a ler os seus cadernos, talvez os queiram publicar. Talvez ele mesmo os queira publicar. Esqueci-me de lhe perguntar se são diários. Talvez tenham uma certa piada, embora, desbocado como é, talvez sejam também um perigo.

Eu sou o contrário: escrevo aqui, sempre sem pensar antes de escrever, sem emendar, sem rede. E, mal acabo de escrever, carrego na opção publicar e aí vai disto, logo tudo disponível para quem quiser ler. 

Por exemplo, agora enquanto escrevo, verifico que estão muitas pessoas a ler o blog, algumas a ler posts escritos há imenso tempo. O que se vê aqui nesta imagem é parte do que eu vejo, uma grande lista de posts a serem lidos neste preciso instante

Quando vejo isto, geralmente tenho que carregar no título do post para ir ver sobre o que é, já não me lembro. Nem sei como é que as pessoas dão com isto que estão a ler. 

Quando tive a ideia peregrina de tentar extrair parte do manancial gigante que já escrevi aqui, para organizar por temas, acabei por desistir. Mesmo recorrendo à inteligência artificial, é quase impossível. Tanta, tanta coisa. Por exemplo, extraí todos os posts que, internamente, etiquetei como tendo a ver com 'heaven', a nossa casa no campo. Não direi que são infinitos, mas para lá caminham. Impossível lê-los a todos, não há capacidade humana para tal. Despejei-os para o Claude e pedi para escolher os melhores. Coisa estúpida, pois o gosto é mais do que subjectivo, e ser um algoritmo a escolher uma coisa destas é completamente abaixo de estúpido. Mas ser eu ler tudo e seleccionar, daria cabo de mim. O algoritmo ia dando em doido. E fomos fazendo por etapas. Por exemplo, excluindo aqueles em que falava do heaven mas em que o tema central não era o heaven. Ou que eram textos curtos e tinham muitas imagens. Eu ia dizendo critérios e 'ele' ia cortando. Mas, depois de dias e dias nesta monda, e tendo chegado já a uma selecção de uns quarenta textos, ao lê-los, fiquei com a sensação que o gosto do algoritmo não tem muito a ver com o meu. Desisti. Não tenho pachorra.

Agora imagine-se o que é alguém ter um armário cheio de cadernos escritos à mão... Mas, enfim, pelo menos, se tiver que escrever uma declaração à mão não se sente completamente desabituado, sem jeiteira nenhuma.

Bom. Vou dormir que bem preciso. Com o entusiasmo de voltar a ter o meu lindo computadorzinho a funcionar bem, tenho estado para aqui a escrever já nem sei bem sobre o quê e já são quase três da matina, que parvoíce a minha. Como tenho que dar um título ao post, acho que vou dizer que estive para aqui a vadiar.

E a ver se este sábado consigo dormir descansada, nomeadamente se o cão não anda a correr e a saltar e a ladrar feito maluco, que, quando não são telefonemas, mensagens ou compromissos, é ele que não pára calado, um chato de primeira.

Desejo-vos um belo dia.

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