Sem computador (porque está de novo em reparação), estou desde há dias limitada ao telemóvel. Um dia ainda hei de ganhar coragem e pegar no tablet da minha mãe. Reconheço que é absurdo estar a escrever num pequeno rectângulo quando podia ter uma superfície de escrita maior e um teclado que me permitisse escrever a alta velocidade. Mas, enfim, são coisas.
A noite passada voltei a ter um sonho quase igual a um que tive há pouco tempo e que me impressionou muito. O pano de fundo é sempre parecido: ter muito que fazer, muita gente a entrar-me no gabinete, muitos telefonemas, eu a querer despachar-me e a não conseguir. E depois, já tarde e más horas, fui ter com os meus filhos que pediram para eu levar os meus netos a casa deles. Eu tinha que ir ter uma reunião foma de Lisboa, mas não lhes disse nada, claro que fui levar os meninos. Mas eu não achava o carro, estava tudo em obras e eu não reconhecia aquilo, e resolvi ir a pé com eles. Só que o caminho era longo, íngreme, eu tinha medo que eles caíssem. E queria que fossem juntos mas uns ficavam para trás. E não passavam autocarros. E eu queria chamar um Uber mas com as mochilas e sacos desportivos deles mal tinha mãos para achar o telemóvel. Já era de noite quando cheguei a casa deles. Depois fui a correr, exausta, para minha. E estava cá a minha mãe que dizia que estava preocupada por eu chegar tão tarde e não avisar. E dizia que me tinha preparado uma mala porque eu tinha que ir para o norte de madrugada e não tinha deixado nada arrumado, e então ela já tinha despachado isso. Eu ia ver a mala e tinha montes de roupa e nada do género de coisas que me agradam, tudo muito formal. Mas não queria melindrar a minha mãe, só que estava cansadíssima e ainda ia ter que desmanchar a mala e arrumar aquilo tudo e arranjar a mala a meu gosto. E nesse ponto acordei e, mais uma vez, acordei a pensar: 'Mas que confusão é que para aqui houve? Afinal toda a gente a pensar que a minha mãe tinha morrido e, afinal, aqui está ela na maior, igual a ela própria'. Levantei-me para ir à casa de banho e tive que me focar e fazer-me acreditar que tinha sido um sonho.
Mas, enfim, isto deve ser por andar um bocado cansada.
Para além disto, atravesso um daqueles fenómenos em que, de vez em quando, parece que tudo converge. Não sei quantos telefonemas fiz e recebi, quantos mails tive que enviar com documentação. Cheguei ao fim do dia estafada.
E hoje voltei a estar parte do dia fora, só regressando já de noite. Tenho andado a frequentar sítios inusuais para mim. E, como sempre, constato que há sempre um conjunto de mundos paralelos cujo modo de funcionamento desconhecemos.
Claro que com isto, praticamente zero televisão, zero notícias. Por isso, não estranhem se não falo de nada da actualidade.
E já passei os 12 milhões de visitas aqui a esta chafarica e nem festejei. Gostava de assinalar este número extraordinário com qualquer coisa que mostrasse como vos estou agradecida. Mas isto apanhou-me nestes dias em que ando fora do meu ambiente, sem tempo ou sossego mental para ter ideias
Mas é isso: não imaginam como ainda me surpreendo com o número crescente de visitas que recebo. Fico sempre admirada, quase sem perceber porque gostam de aqui vir quando tantas vezes nâo digo nada que se aproveite. Talvez me sintam genuína, sem disfarces, próxima de vós. Se for isso, fico feliz.
Muito obrigada.
Eagora vou dormir, estou mesmo off. A ver se não faço como no outro dia em que escrevi, fechei o computador e só no dia seguinte reparei que não tinha publicado aquilo que a duras custas, os olhos quase fechar, tinha escrito.
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Desejo-vos uma happy friday
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