sábado, outubro 24, 2026

Gaita para isto!

 

É aquela marezinha. Quando parecia que tudo estava a encaminhar-se, eis que o computador deixou outra vez de trabalhar. O meu marido, com a sua usual falta de empatia, goza: "Não gostou do mergulho". Aborrecida como estou, não consigo achar-lhe graça.

Na verdade, uma hora antes, quando o fui pousar na mesinha de apoio, escorregou e foi parar ao chão (refiro-me ao computador, não ao meu marido). Mas apanhei-o e continuou a trabalhar normalmente. Estava com pouca carga. Entretanto fomos jantar. De regresso, abri-o, estava a trabalhar, quase sem carga. Liguei o carregador. E, nesse preciso instante,  apagou-se. Aparentemente de forma fatal. Não carrega, não dá sinal de vida.

E não tenho sucedâneo. Estou a escrever no telemóvel o que, em termos de formatação, deixa muito a desejar (ou então eu é que sou too much naba, o que também é muito provável).

Já agora: na quinta-feira à noite estava tão KO que me aconteceu uma première: fui para a cama sem publicar o que tinha escrito. Na sexta, quando fui espreitar, não aparecia. Fiquei intrigadíssima. Mas foi isso que aconteceu, acabei de escrever e pirei-me para a cama. O estadozinho em que eu estava...

Entretanto, se há notícias escaldantes, desconheço. Não quero saber.  Está sexta-feira foi, quase..., dia de detox.

Portanto, o que posso dizer é que a terra está seca, seca. Não há sinal de cogumelos nem se avizinha perspectiva de chuva, e isso aborrece-me. Em contrapartida, mal o sol começa a despedir-se desce um frio do catano. Tive que ir buscar uma capa de lã, porque era impossível estar lá fora só de manguinha curta. 

Estivemos a ver o Interiors Design Masters que, para ambos, tem sido muito inspirador. Não perdemos um episódio. Dá-nos vontade de meter mãos à obra e já começámos a equacionar alternativas e o modo de as executar. Antes tínhamos estado a fazer zapping mas sem conseguirmos fixar-nos em lado nenhum. Claro que o omnipresente tema é o da habitação mas já chegámos a um ponto em que achamos que o único que sabe do que fala é o Isaltino. Ao que chegámos.

Ontem ouvi uma mulher que tinha ido dar o seu apoio aos jovens no Rossio, e que dizia que nos idos de mil novecentos e troca o passo o pai tinha ocupado uma casa e que era esse o conselho que tinha a dar, que ocupassem casas. As pessoas estão a desorbitar. E não percebo que raio de situação está a passar-se com o Montenegro para deixar este vazio. Desapareceu. O meu marido diz que é típico dele, fica na moita à espera que a onda passe. Não sei, parece-me que pode estar com algum problema familiar ou coisa grave do género, pois não me parece normal que, no meio deste granel, o primeiro ministro pura e simplesmente se escafunda, sem dizer água vai.

Mas isto não é bom, até porque a política, tal como a natureza, tem horror ao vazio -- haverá sempre alguma coisa que o vai ocupar. E, nisto, o que mais rapidamente lá chega são sempre os fluidos, o que, em política, dá pelo nome de populismo.

Enfim. Fico-me por aqui. Isto de escrever no pequeno espaço do visor do telemóvel, atrofia-me a pica, sinto-me de mãos atadas, a escrita parece que não tem campo para se desenvolver.

E só de pensar nisto... Lá vai o computador outra vez para a oficina, lá vou andar outra vez condicionada. Que gaita, esta.

Olhem, tenham um bom fim-de-semana, ok?

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