Quem por aqui me acompanha há mais tempo talvez saiba que estou acomodada no sofá mais estúpido de que há memória. Para poder estar minimamente confortável tenho que o reclinar, numa posição de chaise longue. Se não fizer isso, não chego com os pés ao chão, o que me deixa numa posição mais do que incómoda. Tudo resultou dos stresses do meu marido. Há uns anos, fomos a uma grande loja que tinha infinitos sofás. Eu também não gosto de fazer compras quando há tal profusão. Acho que só resulta se formos com vagar para experimentar os que estritamente nos agradam. Mas com o meu marido as coisas não funcionam assim. E também não era coisa que eu escolhesse sozinha pois trata-se do sofá em frente da televisão e, nesta sala, pela sua configuração, é aqui que ambos nos sentaríamos. Ou seja, não dá para ter um para mim e outro para ele Temos mais dois mas estão noutra ponta da sala, não dão muito jeito para ver televisão.
Acontece que eu queria de pele ou afim para ser mais ou menos pouco sujável, queria claro, queria grande e queria que desse para reclinar. Mas obviamente também queria usar não reclinado. Só que eram tantos sofás que ele começou a ficar farto. A senhora, apesar de eu lhe pedir que nos mostrasse apenas os que cumpriam os requisitos, fazia questão de ir mostrando outros. E nós os dois, sem apoio, naquela babel de sofás não nos orientaríamos pois sabia-se lá onde estavam os botões ou se dava para mexer à vontade.
O meu marido bufava e, de cada vez que ela mostrava um, dizia 'pronto, vai esse'. Mesmo que fosse de uma dimensão inviável, de um feitio inapropriado ou num material desajustado. Eu própria já estava desorientada pois entre a calma catatónica da senhora e o aceleramento stressado do meu marido já mal conseguia raciocinar. Até que vimos este. Bonito, material perfeito, cor nos conformes, dimensão certíssima. Disse ao meu marido que se sentasse a ver se o achava confortável. Não quis, disse que era bom com certeza, que despachássemos o assunto. Acho que ainda me sentei num canto para ver se era agradável em termos de estofo. Mas tenho ideia que já ele se dirigia para o pagar. Não me apercebi do resto.
Quando o montaram cá em casa, ficou perfeito aqui onde está, parecia feito à medida. Só que, sentando-me normalmente, não chego com os pés ao chão. O meu marido claro que desvalorizou, disse que não tinha culpa que eu fosse anãzinha. Ora posso não ser gigante mas também não sou pequenininha, o sofá é que foi concebido para se reclinar até ficar uma cama, aliás, em duas camas pois reclina separadamente em cada uma das pontas, e, para se reclinar assim, tem que partir de uma base alta. E isso é chato.
Portanto, aqui, ou estou quase deitada ou tenho que ir para os outros sofás. Só que os candeeiros de leitura e as mesinhas de apoio que me dão mais jeito estão aqui. Ou seja, não sei quantas vezes já tive vontade de empandeirar este sofá. Limita-me a mobilidade, chateia-me, obriga-me a estar para aqui feita inválida, quase deitada, o tempo todo.
Mas, enfim, reclamações à parte, tenho a dizer que fomos almoçar fora, à tasquinha de uma aldeia aqui perto. Pasmei, como sempre pasmo, com as quantidades brutais que a maioria destas pessoas come. Até gente gorda, obesa mesmo, enfarda como se não houvesse amanhã. E coisas que engordam. Quase dá vontade de ir às mesas deles dizer que tenham juízo, que o que estão a comer é um puro disparate.
Por aqui, o meu marido andou a pregar ninhos para chapins no tronco de alguns pinheiros. Ele leu, e confirmou isso com uns técnicos de conservação da natureza, que, para combater a lagarta do pinheiro, o melhor é haver chapins por perto, uns passarinhos pequenos que as comem. Tem que se colocar os ninhos lá bem em cima no tronco, virados a leste. Então levou a escada grande, e eu cá em baixo, com a bússola, confirmava a posição correcta e passava-lhe os ninhos, e, em alguns casos, segurava a escada que nem sempre podia ficar excelentemente apoiada e uma queda lá das alturas não era coisa que se recomendasse.
Se forem ao meu Instagram poderão ver, na story, imagens quer dos ninhos quer do acto da sua colocação. Aqui mostro um acabadinho de colocar.
Vamos ver se resulta. Odeio aquelas bichas ordinárias que causam alergias e são um perigo para o nosso cão que já uma vez ia indo desta para melhor por causa delas.
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Também me fartei de comer medronhos, docinhos, docinhos.
Quando resolvi ir varrer já se estava a pôr um frio dos diabos. Por isso, fica para este domingo.
Andei foi, de gosto, como sempre a caminhar, passarinhando, fotografando. As cores do outono são lindas.
Outubro, em especial, traz-nos as maravilhosas cores de fogo, cores de fruta madura, cores de sol ensandecido, cores esplêndidas que não me canso de louvar e agradecer aos deuses.
Quanto ao expediente, continuo, claro está, limitada ao telemóvel. Portanto, auto limito-me na prosa. Pequenos espaços não são compatíveis com a minha pulsão torrencial.
Estava com vontade de partilhar as conclusões de umas pesquisas que fiz para tentar perceber o que há de comum entre Portugal, Espanha e todos os países em que a falta de casas está a deixar as populações ao rubro. Por cá pode falar-se numa lei dos solos demasiado restritiva que já devia ter sido revista há muito tempo ou na ausência de investimento em habitação pública, nomeadamente social. Mas aconteceu o mesmo, ao mesmo tempo, em todos os países em que, de repente, todos parecem ter acordado para um défice de centenas de milhares de casas? Pouco provável, não é? Pois, e o que concluí é interessante e, para ultrapassar esta crise danada em tempo útil (leia-se, enquanto dura a democracia) será requerida uma abordagem multi factorial sólida, inteligente, pragmática. E onde estão políticos com cabedal e pedalada para isso? Não se divisam, infelizmente.
Mas não é aqui neste rectângulo minúsculo do telemóvel que posso desenvolver um tema destes. Gaita para estas limitações que me tolhem a agilidade de escrita (e até a mental, acho eu).
,..,.........
Desejo-vos um feliz dia de domingo



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