terça-feira, setembro 22, 2026

Por favor diz-me quem és tu, de novo?

 

Não sei se é a lei da vida. Se calhar, é. Se calhar há mesmo que aceitar que não há corpos imortais. Se calhar há que reconhecer que muito aguentam alguns corpos, se calhar há que aceitar que há sempre aquele momento em que o corpo esgota a sua capacidade de gerar energia.

Morreu Jorge Palma. 

A notícia fere-me.

Bem sei que, como acontece aos criadores cuja obra se acolhe no coração de muita gente, ficam as suas belas canções e a memória da forma como as interpretava. Bem sei.

Não duvido: ficam, ficarão talvez para sempre. Muita gente as interpretará de novo, muita gente entregará a sua emoção ao lembrar-se dele, ao dizer as suas palavras, ao tocar a sua múvica, e nós relembrá-lo-emos também com emoção, com pena que ele se tenha libertado já da lei da vida. Não duvido.

Na nossa memória, Jorge Palma junta-se a Luís Represas, ao Zé Pedro, ao Bernardo Sassetti, aos nossos melhores. Temos o privilégio de termos partilhado com eles uma parte importante do nosso tempo. Partiram antes de nós. Ficamos com o dever de manter viva a sua memória.

Mas com que saudade. 

Somos feitos de pé da estrelas, todos. A esta hora Jorge Palma já flutua no espaço. Amanhã já habitará o corpo de um pássaro, as pétalas de uma flor, já será o sopro do vento, uma estrela do mar. Já estará a apontar-nos o caminho melhor do que qualquer estrela.

Não duvido.

E, no entanto...

O meu olhar tem razões que o coração não frequenta

Por favor diz-me quem és tu, de novo?

E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão do deslumbre?

Quando o tecto se escancara e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela

Por favor, diz-me que és alguém, de novo?
Talvez a minha preferida:

Jorge Palma | Quem és tu, de novo?

 (ao vivo com orquestra)


Toda a verdade é coisa incerta e tão vasta

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