terça-feira, janeiro 24, 2017

Coisas verdadeiramente inenarráveis



Kristen Stewart é conhecida, na actualidade, não apenas por ser uma boa actriz ou por ter um rosto fotogénico que a torna apetecível por parte de marcas como a Chanel, mas também por ser uma tomba corações.

São vários os que já estilhaçou e deixou, partidos, pelo chão.






Um dos que fez correr mais tinta foi o segundo de que se fala depois de começar a ser conhecida, Robert Pattinson. (O primeiro de que se ouviu falar foi Michael Angarano). Casal na tela, casal na vida real, a surpresa, quando Kristen rompeu o romance com Robert, foi geral. Ali havia química. Mas contra factos não há argumentos: o romance chegara mesmo ao fim. De Robert Kristen passou para Rupert Sanders. A partir daí os romances mudam de contornos. Quem se segue não é um senhor mas uma senhora: Soko. Seguiu-se Alicia Cargile de quem já se falava tempos antes de 'assumirem'. Quando o mundo estava a habituar-se à ideia e a pensar que Alicia era a mulher da vida de Kristen eis que aparece com  St. Vincent, a ex de Cara Delevingne. Mas ela não é de sossegar (ia dizer: sossegar a passarinha como diziam lá na minha terra) e, perto do fim do ano, nova surpresa.  Agora é Stella Maxwell, uma das anjinhas da Victoria Secret que mais câmaras faz disparar, a cair nas garras da felina Kristen.

Nada disto interessaria não fosse dar-se o caso de Trump, na altura em que ela se separou de Robert Pattinson, ter resolvido comentar publicamente, via tweet, a situação. E com isto percebemos, ainda melhor, a craveira do bicho. Que homem é este que assim se mete na vida privada de jovens artistas...? Fico banza com isto. Juro que fico.


Estávamos em 2012 quando Donald Trump decidiu recorrer ao Twitter para comentar a vida pessoal de Kristen Stewart. "Robert Pattinson não deve aceitá-la de volta. Ela traiu-o como um cão e fá-lo-á outra vez. Vão ver. Ele consegue arranjar muito melhor", escreveu na altura o recém-eleito presidente dos EUA, pouco depois de ter sido descoberto o envolvimento da atriz com o realizador Rupert Sanders.

Pois agora, cinco anos depois, Stewart reagiu publicamente ao ataque. "Ele estava zangado, estava mesmo obcecado comigo há uns anos, o que é de loucos. Nem sequer consigo perceber. É um conceito tão fora que nem quero acreditar que aconteceu, é de malucos", frisou, numa entrevista à Variety, que decorreu horas depois da tomada de posse de Trump, esta sexta-feira.
Questionada sobre como se sentiu depois do tweet do multimilionário, Stewart desvalorizou a situação. "Naquela altura, ele era apenas uma estrela de reality TV. Não lhe dei importância", garantiu.
Sabendo da forte presença de Trump nas redes sociais, Stewart apercebeu-se rapidamente de que esta sua intervenção poderá, uma vez mais, despertar a atenção do agora chefe de Estado. "Ele vai, provavelmente, fazer um tweet sobre isto", brincou. 

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Este Donald é o homem que, por enquanto, ainda tem mais poder no mundo.
E digo por enquanto pois imagino que rapidamente alguém há-de arranjar maneira de o tirar de lá.

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segunda-feira, janeiro 23, 2017

Poesia com flores e outras coisas que brilham




1.
Para ler poesia é preciso estar presente e saber que há um tempo de tudo, há um tempo de tomar café antes de ir trabalhar e há um tempo de abrir uma rosa. Quem lê poesia precisa do tempo da rosa. Os versos não são prosa, que, como o nome sugere, tem um tempo corrido de conversa. A poesia é lenta, ela não tem pressa. Respire e aproveite o seu momento de agora com o poema.

2.
Os silêncios fazem parte, encontre os silêncios nos versos, encontre a cadência na sua voz. As palavras têm som e o som é música. Leia, leia outra vez, leia em voz alta. E leia de novo depois, lembrando que não é um texto, talvez seja imagem e música. Às vezes é um quadro, uma cena, uma paisagem, uma passagem.


3.
Um verso muitas vezes depende da nossa experiência. Se eu falo de uma melancolia castanha, a Lara pode lembrar do moço bonito e triste que conheceu; e a Marina pode fazer a imagem da tristeza que passou naquele dia. Por isso é tão difícil um manual de como ler poesia, porque ela não é só técnica, é também o imaginativo, o afetivo. A obra poética sempre estará sujeita à inúmeros corações, inúmeras mentes, sendo assim, nunca será codificada – com um significado pronto para ser entregue em uma caixinha. É mais simples do que isso: sujeite o seu coração aos versos, ele é uma das tantas caixinhas.


4.
A poesia está para ser sentida. Ela não é feita para ser interpretada de acordo com as intenções do autor. Não. A poesia só existe com os sentimentos do um e do outro. A imagem do verso quem faz é quem lê. O sentido é construído nessa via de mão dupla entre quem escreve e quem lê. Como diz Dámaso Alonso, meu teórico estilístico preferido: “O escritor é um artista que expressa e o leitor é um artista que se impressiona."

5.
E se algumas vezes você encontrar um verso que te faz sentir algo inexplicável, que é impossível de ser interpretado com essas nossas tão recentes palavras, não se desespere, não procure decifrar. Isso foi porque a poesia te alcançou, ela te chamou pra passear nesse mistério infinito de atingir o não dito. Fique com a beleza do que não pode ser dito, isso também é descoberta.

O que a poesia faz é tentar encontrar os caminhos de volta pro que a gente quer.







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Adélia Prado dá corpo às ideias.

As flores já nem me lembro onde as vi -- mas achei-as lindas e resolvi trazê-las aqui para vos oferecer, meus Caros Leitores.

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NB: Não posso falar da entrevista do Marcelo porque, enquanto decorria a entrevista, os meninos falavam animadamente, fazíamos o jogo da forca (com a nossa menininha mais linda), um jogo agora em versão app, no telemóvel, que é coisa óptima para desenvolver a aprendizagem da escrita e da leitura, ou arranjava mais uma bolacha de sal e água com queijo para o mais pequeno que é um máquina devoradora. Antes tinham estado todos, estes que cá estão de pernoita e os seus animados e irrequietos primos, a fazer os seus belos festivais que implicam desarrumar a casa antes para criar o ambiente. Portanto, a situação não anda propícia à observação atenta a entrevistas nem a escritas muito longas.


Portanto, via que a conversa com o infatigável Marcelo devia decorrer animada mas não faço ideia do que falaram. É certo que devem, depois disso, ter repetido e comentado até à exaustão mas, já na sala, estivemos com a Anabela Mota Ribeiro, a Matilde Campilho, o Pedro Mexia e o Frederico Lourenço -- embora deva confessar que a atenção que lhes prestámos também não foi extraordinária. Por isso também não poderei falar sobre tais assuntos de cultura geral. Depois a conversa continuou e, agora que aqui estou a escrever, estou na 2 a ouvir não sei bem o quê, música africana, boa para dançar, mas não sei de onde. Cabo Verde, será? De resto, confesso que ando um pouco afastada. 


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Putin fala aos americanos


Vladimir Putin Cold Open - SNL


Russian President Vladimir Putin (Beck Bennett) and Olya Povlatsky (Kate McKinnon) assure Americans that everything will be fine under President Donald Trump.




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Obama cares, trump scares.
Think before you tweet.
It is 2017, not 1817.
History has its eyes on you.
Bridges, not walls.


Dizem as notícias que mais de um milhão de pessoas, maioritariamente mulheres, veio para a rua, nos States, para protestar contra as vis intenções de Trump.


Manifestações com iguais propósitos ocorrerram em cerca de 60 países. Não serve de nada...? Serve. Serve para que se veja que há um grupo de pessoas que não está disposta a encenar o número dos carneiros de Panurgo, afogando-se inutilmente no charco fétido em que Trump está em vias de transformar o espaço por si governado.

Na sequência deste meu outro post, aqui ficam imagens da manifestação e uma canção dos Ok Go devidamente adaptada aos tempos presentes.
































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domingo, janeiro 22, 2017

Emily Ratajkowski



Emily Ratajkowski tem mais de 10 milhões de seguidores no Instagram e é um símbolo sexual dos tempos que correm. Mas, leio, quer que a olhemos para além do seu corpo. Por exemplo, é activista e as redes sociais onde está (e está em todas) mostram-na nesse comprimento de onda.



Ou seja, os veículos que Emily usa para se promover, acentuam essa sua atenção: o que lá se vê tem, segundo ela, pouco corpo e muito intelecto.

O seu site pessoal que dá pelo nome de emrata é disso um bom exemplo. 

Idem o tweeter: Emily Ratajkowski (@emrata) | Twitter



Idem o Instagram: https://www.instagram.com/emrata/


Agora uma coisa é certa: o filme feito para a Vogue espanhola tem graça.




E este aqui abaixo também.

Emily Ratajkowski Walk Around In Lingerie On NYC Streets




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Stephen Colbert -- So Here We Are: Donald Trump Is Officially The President


Trump e a sua big gravata

Kellyanne Conway, uma das mulheres influentes junto de Trump
com uma toilette muito bonita para a tomada de posse


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Moda para Homem
- segundo a Vogue francesa


Escusado será dizer que prefiro quem não andar à moda. Não sei se há homens normais, com a cabeça no sítio, que gostem de se aperaltar desta forma -- mas tenho dúvidas. 

De todos os exemplares que aqui figuram só há um que me agrada -- e está ali por acaso. É o senhor grisalho da esquerda da última fotografia. os outros, coitados.

A moda de rua segundo Haider Ackermann


Brincos, piercings, colares - a moda da bijuteria a chegar aos homens

Comme des Garçons

Parka tipo Pneu Michelin


O que dizem as mulheres que se levantam para gritar os seus direitos,
sejam elas brancas, pretas, mestiças, católicas, muçulmanas, nascidas onde vivem ou num outro país


Bem podem alguns dos meus Leitores chamar-me a atenção para os malefícios da era Obama, bem podem falar-me de cestos no alto dos mastros. Não me demovem. A cada momento avalio o menor dos males e acho que só quem não quer ver é que não vê que os Estados Unidos começaram a andar perigosamente para trás. Os Estados Unidos não são o mundo - é verdade. Mas são um dos mais potentes motores do mundo. 

Por isso, lamento que Leitores meus não vejam o perigo que é ter um estafermo como Donald Trump à frente dos EUA.

As mulheres do mundo manifestaram-se e ainda bem. É bom que mostrem que, sempre que é preciso enfrentar o perigo, as mulheres estão na linha da frente.

Transcrevo:

On January 21, 2017, an estimated 500,000 women in pink hats gathered at the Women's March in Washington D.C. for the largest public rally for women's right in recent history. The historic event kicked off at 10 a.m. on Independence Avenue SW and 3rd Street with about three hours of speakers and musical performances. The lineup included a bevy of inspiring women, including celebrities like America Ferrera, Ashley Judd, and Scarlett Johansson, President of Planned Parenthood Cecile Richards, civil rights activist Angela Davis, ELLE's Editor-at-Large, Melissa Harris-Perry, filmmaker Michael Moore, and many other notable activists for women's rights, civil rights, and LGBTQ rights.

Ashely Judd delivered one of the many passionate speeches, which, she said, were the words of a 19-year-old from Tennessee. She invoked the term "nasty woman" again and again, a reference to the label Donald Trump gave Hillary Clinton during their third presidential debate — a term that Clinton supporters embraced.


Watch Judd's speech below:

Ashley Judd FULL Speech at "Women's March" In Washington DC ‘I am a nasty woman’



But the most moving keynote speaker was the legendary feminist icon Gloria Steinem, who delivered a rousing speech that will no doubt go down in history.

Watch Steinem's incredible speech below:

Gloria Steinem RIPS Mentally Unstable Donald Trump Women's March Washington Dc FULL Speech 1/21/17


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sábado, janeiro 21, 2017

Mr. Trump, Day One: a confirmação.
Donald Trump, o novo Presidente dos United States, é um velhaco.
[Qual a tradução correcta para isso: rogue, crook, cheater]?



Vi agora na televisão. Uma vergonha. As bestas, um pouco por todo o lado, a chegarem ao poder. Parecem aqueles bichos nojentos que se alimentam da carne viva de outros animais. Há qualquer coisa de asqueroso naquele anormal.

A forma como ele falou dos tempos de governação Obama... Só me ocorre uma palavra que nunca uso. E, no entanto, é a palavra que agora me ocorre. Um javardo, aquele Trump. E como ele descreveu os Estados Unidos...? Inventou, abandalhou, achincalhou, reescreveu a realidade para se ajustar à sua conversa de vendedor de banha da cobra. 


Às tantas, fico sem saper se todas as aldrabices que para ali enunciou resultam de ser um trapaceiro patológico ou se aquele arrazoado não é senão ignorância pura e dura -- mas daquela ignorância perigosa em que o ignorante não percebe que é ignorante e decreta que o mundo é como a sua vista curta o vê.

Na véspera, um porta-voz tinha dito que o discurso de inauguração de Donald Trump seria "pessoal" e "filosófico". Veja-se bem o que aquelas alimárias entendem por 'filosófico'. Nem dá para acreditar. O que é que aquelas trapalhices soezes* têm a ver com a realidade e como é que isso pode ser a base para um trabalho honesto?

Faz-me lembrar um colega que tive. Devido a protecções que agora aqui não vêm ao caso, o sujeitinho, que era um burro encartado e um calão de primeira, foi progredindo até chegar a um lugar de topo. Ao fim de anos a trabalhar naquela empresa, pasmávamos com o desconhecimento que revelavava a propósito de tudo. O grave é que, incapaz de fazer o que quer que fosse, contratava consultores para tudo e mais alguma coisa. E, ao briefar os consultores, transmitia-lhes que naquela empresa ninguém sabia nada, tudo funcionava mal. Mais grave ainda, para mostrar serviço (e sendo o burro que era), não se ensaiava nada de dizer, mesmo em público, que tinha encontrado uma realidade caótica, em que tudo se fazia mal e que tinha sido ele que tinha dado por isso e ali estava para pôr as coisas no são.

Os outros ouviam-no siderados. Contudo, por pudor, nenhum de nós foi capaz de, com todas as letras, lhe dizer que se tratasse, que se calasse, que parasse de dizer disparates. Muitas vezes tentei dizer-lhe isso, 'Olhe lá, isso não é bem assim; aliás, não é nada assim'. Com aquela arrogância própria dos burros que misturam a indigência mental com a alarvidade, sorria, com arzinho superior 'Olhe que é, olhe que é. Mas, pronto, a sua reacção é natural. Mas temos que ter a mente aberta, não sermos reactivos face à mudança'. Muito tive eu que me conter para não o mandar para algum sítio feio. Mas as pessoas que têm um sentido de ética têm dificuldade em lidar com biltres.

A família Trump
(O filho mais novo, de facto, muito alheado de tudo)

Se o Trump, é estúpido, burro e alarve e desconhece a realidade ou se é um perigoso trafulha e um narcisista tresloucado, isso ainda não sei.


Mas sei que uma besta daquelas à frente dos Estados Unidos é um murro no estômago de quem respeita e deseja a liberdade e a democracia. E é um risco enorme. Para os Estados Unidos e para o mundo.


Um mundo na mão de velhacos é um lugar muito perigoso.

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Uma palavra para a coragem e dignidade do casal Obama. Eu não conseguiria aguentar tanto ultraje. Certo que se apoiam um no outro e daí lhes vem parte da força. Mas ainda assim, é preciso um grande poder de encaize para ouvir tanta ofensa e conseguir engolir em seco e continuar sorrindo.

Michelle e Obama, ternura até ao último momento desta ingrata caminhada:
Obama apoiando Michelle ou tentando encontrar na mão dela o chão que devia sentir estar a faltar-lhe


That hand squeeze was not an empty gesture. It was not a political move. It was not for the crowds, or for the press, or for the TV stations. It was Barack saying, "We did this together. Now let's go home."


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Entretanto:

FACT-CHECKING DONALD TRUMP’S DYSTOPIAN INAUGURATION SPEECH
True to form, Trump’s first address as president was rife with misinformation.



If the Republican Party’s reflexive distain for eggheads and elites found its purest expression in the nomination of a former reality-TV star for president, Donald Trump’s inauguration address Friday was its crowning achievement. A dark, raw, populist dirge, Trump’s speech was the ultimate middle finger to Washington’s elite, a full-frontal attack on Republicans and Democrats alike for transforming America into a broken-down, post-industrial wasteland where “rusted-out factories” are “scattered like tombstones,” and where “the crime and the gangs and the drugs” bleed the nation’s children of their “unrealized potential.”

Needless to say, Trump’s rage-filled, “America First” battle cry was also filled with half-truths and misinformation, to say nothing of tired clichés. Here, we’ve chronicled the worst of Trump’s hyperbole and mistruths from an otherwise platitudinous campaign-style speech. (...)


Uma treta, isto.

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A Estátua de Sal tem alguma razão: o mundo real não é cor-de-rosa, e os States estão longe de ser um espaço de progresso e desenvolvimento para todos. 

Mas. 

Mas também não são o far west que o Trump descreveu, a terra de ninguém que, estando ao deus-dará é alvo de todas as investidas por parte de quem queira atacar ou explorar os americanos. Essa não. Calma aí.


sexta-feira, janeiro 20, 2017

Mr. Trump -- Day one



E não sou eu de lá; faria se fosse. Incomodada. Incomodada mesmo. Dá vontade de tentar tudo por tudo para que este pesadelo acabe antes que o pesadelo acabe connosco.

Não é que, aqui ou ali, ele não tenha uma ou outra ideia assim-assim. Só que não apenas isso é raro como, mesmo nesses casos, é pelos motivos errados e corre-se o risco de que a emenda seja pior que o soneto.

Com a filha Ivanka
De facto, por muito que algumas almas penadas queiram antever virtudes na eleição de cavalgaduras para a frente dos destinos dos povos, o que eu vejo são riscos, períodos negros, a anti-matéria a devorar tudo em que toca.

O que leva as gentes que votam a escolherem aqueles que mais os prejudicarão é algo que me perturba. Mas a comunicação social atrofiante, uma indústria de entretenimento que apenas valoriza a sacanagem e o vale-tudo, as redes sociais que embotam o raciocínio de quem delas faz a sua fonte de informação, tudo isso leva a este estado mental generalizado. Cegueira colectiva, a tal cegueira branca que contagia -- talvez seja isso.

Com a actual mulher Melania
Não sou socióloga, antropóloga, psicóloga. Faltam-me as bases teóricas para poder entender fenómenos como estes. Já por cá nunca percebi como é que tanta gente se deixou enganar por um destituído como Láparo. Sem a preparação mínima para a função, sem intelecto que o ajudasse a ultrapassar os obstáculos, sem bom senso, sem conhecimento fosse do que fosse -- eu interrogava-me como era possível. E, ainda hoje, me interrogo sempre que vejo que cerca de 30% dos eleitores ainda daria o seu voto a uma pessoa relativamente à qual já está provado à saciedade que só fez mal aos portugueses (e a Portugal, ouviu Montenegro?).

E se isto se passa cá, num país que supostamente tem história, identidade nacional, uma cultura razoável, imagine-se nos Estados Unidos em que aquilo é uma manta de retalhos, cada qual de sua nação, uns muito ricos, outros muito pobres, outros incultos, outros isolacionistas, outros vidrados em armas e outros em petróleo, e que se lixe o clima e todas essas frioleiras.

A democracia encerra em si este perigo: o de devorar os seus melhores e ficarem no poder os algozes, os maníacos, os palhaços.

Neste momento, se há voto que possa formular é este: que o anormal que está prestes a tomar posse não dê cabo da vida de muita gente e não envergonhe os americanos.

Para já, era bom que não cumprisse parte das suas estúpidas promessas.

Donald Trump's promises for day one of his presidency



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E queiram seguir, por favor, para o post abaixo. Mete Trump mas mete, sobretudo, The Boss em dois momentos que dizem muito dele.

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Não é The Boss quem quer


Transcrevo tal qual recebi:

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Isto está muito giro. 

Durante um concerto na Alemanha um fã pediu a música "you never can tell" que não fazia parte do alinhamento e ele já não tocava há anos (fazia parte da banda sonora do pulp fiction).

O resultado é muito engraçado! E o guitarrista da fita na cabeça que está ao pé do bruce é ator dos sopranos 😁 
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Vejam, por favor.

Bruce Springsteen - You Never Can Tell



E, já agora, um outro que também acho uma ternura:

Bruce Springsteen - Save The Last Dance For Me





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Isto no dia em que é notícia:

Bruce Springsteen Needled Trump Fans Further by Giving the Obamas a Private Concert


Not even a Springsteen cover band will appear during Trump’s inauguration festivities, for fear of disappointing Bruce — but the man himself was more than happy to perform for the outgoing president. (...)


E isto numa altura em que parece que, não arranjando muitas mais que queiram dançar com ele no baile da tomada de posse, o palhaço irá dançar com Caitlyn Jenner

Does Donald Trump Think Dancing with Caitlyn Jenner Will Get L.G.B.T. People to Like Him?




Caitlyn Jenner, reality star and transgender activist, might get a moment in the spotlight with incoming president Donald Trump at his inauguration. Page Six reports that Trump’s advisers have suggested he take a turn on the dance floor with Jenner for the photo-op.




An anonymous source only identified as a Republican “member of the incoming administration,” said, “The image of Trump dancing with Caitlyn would send a strong message that he supports gay rights and trans rights. A picture is worth a thousand tweets.” (...)




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quinta-feira, janeiro 19, 2017

O que tentam dizer as árvores




Se souberes o que dizem as árvores, talvez aprendas a dar sombra para que encostado ao teu corpo adormeça o animal cansado, e nos teus braços pousem aves cujo canto replicarás com frutos, tu já metamorfoseado no vital conhecimento da resina, da cortiça, das folhas caídas como células onde poderemos encontrar, assim tenhamos ciência para tal, a raiz que nos expulsou do paraíso. (...)


(...) Talvez se souberes o que dizem as árvores saibas também dizer vento, afagando a brisa com o pólen da flor que surde majestosa na ponte de cada um dos dedos inúmeros que uma árvore oculta. Tronco onde um dia cinzelámos o verso da única medalha que alguma vez nos foi atribuída, não por mérito nem por singela participação, mas por esforço em nos mantermos de pé e verticais como a árvore ensina.


O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores, 
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência, 
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade. 
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes. 
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus 
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.




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A música lá em cima é Dream de Turlough O'Carolan

Em prosa, parte do texto de hmbf, autor de Antologia do Esquecimento.

O poema (escrito) das árvores é de António Ramos Rosa

O poema lido por Tom O'Bedlam é "The Trees" de Philip Larkin

As fotografias de árvores são minhas e foram feitas este fim-de-semana.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um dia mesmo bom.

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