No post abaixo já falei de um senhor capaz de resolver a problema do défice de natalidade num ápice. Bem se poderia pôr o senhor Tchicuteno, angolano, a fazer por cá umas sessões de coaching para os garanhões portugueses verem o que é um povoador em acção Com ele ou usando a sua técnica, nas aldeias onde não nasce uma criança há séculos, até as velhas e as pedras desatavam a ter filhos!
Bem, mas isso é a seguir - e o sultão até explica qual a alimentação que o ajuda na tarefa. Aqui, agora, a conversa é outra.
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Na Covilhã, trabalho de Artur Bordalo (aka Bordalo II)
Sou apreciadora de graffiti ou, mais em geral, de street art e ando pelas ruas a ver desenhos, ditos, pinturas. E fotografo. A minha frustração é quando vou de carro e não dá para parar e fotografar, acho um desperdício ter visto e não ter podido registar.
Mas não gosto de ver riscos à toa, letras trapalhonas, sobrepostas, uma poluição visual, coisas que dão ar sujo e abandalhado às cidades. Mas gosto dos apontamentos de poesia, humor, irreverência e arte em geral que pontuam as ruas das cidades. Por todo o lado deveria haver muros para os artistas de rua poderem oferecer às cidades (e vilas e aldeias) a sua arte.
As esculturas flutuantes, 3D, de Odeith
Acho que a arte, toda ela, é estimulante, motivadora, traz felicidade, e a arte de rua é, por excelência, uma das formas de arte mais democráticas e inspiradoras. Ela pode ser um grito de revolta, um alerta, um murro no estômago, uma provocação, uma experiência, um voo, um sonho, uma viagem, um delírio. Seja o que for. Mas é sempre uma interrupção na monotonia, na acomodação.
Já aqui falei várias vezes de Banksy que admiro muito. Mas hoje quero mostrar também alguns dos nossos artistas.
Murais de Odeith, EIME, Bordalo II e Vhils estão entre os melhores do mundo
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E, permitam. um vídeo com obras de Banksy.
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E desçam, por favor, até ao grande Tchicuteno, o homem que gere 43 mulhere na maior limpeza. E que já deu ao mundo (à data da reportagem) nada mais, nada menos do que 152 filhos. É obra.
Enviado por um estimado Leitor a quem agradeço, aqui vos deixo um verdadeiro artista que faz concorrência ao Futre. Afinal para quê tanto Viagra, tanto Libidum Fast...? Basta comer milho e outros produtos da lavra e lá vai ele. Um autêntico povoador. Eu, se fosse ao Costa, quando for primeiro-ministro, deveria trazer para cá o Tchicuteno para dar um valente avanço na demografia.
Diz ele que agora são só 43 mulheres mas que já foram 54. Para os fracotes que se queixam que não conseguem dar conta de uma, recomendo que ponham os olhos neste sultão.
As mulheres não se importam e o que se vê é que aquilo é uma alegre comunidade, tudo feliz, todo o mundo ri na maior liberdade e alegria. Uma festa.
Ocorre-me perguntar: será que existe uma comunidade deste género mas ao contrário? Uma mulher e 43 maridos? E será que a festa seria a mesma? Os maridos na maior irmandade? Gostava de ver. Tinhosos como os homens são, haviam de se pegar uns com os outros, na maior rivalidade e ciumeira.
(Bem mas, nesse caso, reconheça-se que o efeito prático não seria o mesmo, tanto filho seria impossível).
No post abaixo já falei dos dois comentadores pimbas que arrebatam audiências com tiradas populistas, insinuações deixadas cair como que por acaso, sorrisos matreiros, pretensamente sedutores na forma como sorriem e se bandeiam: nas horas de maior audiência, em horário nobre aos fins de semana, eles aí estão procedendo a diligente lavagem ao cérebro dos portugueses: Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, vou falar de outra coisa. Em tempos tinha pensado escrever sobre pessoas cujas vidas tinham deixado uma marca em mim. E comecei por escrever sobre a pessoa sobre quem vão ler. Mas não encontrei o registo certo. Detive-me. Várias outras vezes pensei voltar e, de cada vez, me arrependia a meio.
Vou hoje tentar de novo. Uma vez que é uma pessoa de verdade, não quero subverter o que dela me lembro nem quero ser demasiado explícita pode alguém reconhecer e achar que não estou a ser justa. Vamos ver se hoje levo mesmo até ao fim o meu propósito.
Esta é a história verdadeira de um optimista romântico. Tinha todas as razões para ser um pessimista mas, pelo contrário, até ao ponto em que dele tive conhecimento, nunca desmoronou. Belo rosto, senhor de um charme natural e de um optimismo que ninguém percebia de onde vinha, tentou sempre enfrentar a má sorte com determinação e pensamento positivo.
Pouco depois de eu começar a trabalhar conheci-o: era bem mais velho que eu e estava nos escritórios centrais mas guardava a nostalgia da altura em que tinha um cargo operacional chefiando centenas de pessoas.
Este meu colega, que eu conheci como simpatizante socialista, e que me contou ser socialista desde antes do 25 de Abril (aliás, pertencia a uma família ligada ao partido socialista e que ocupou os mais altos cargos nacionais, coisa de que ele pouco falava e de que nunca usufruiu qualquer tipo de vantagem), tinha sido saneado das suas anteriores funções na sequência de um plenário no verão quente de 75, quando, por aquelas bandas, praticamente toda a gente que tivesse cargo de direcção era apodado de fascista e, logo, liminarmente afastado.
Pela grande injustiça e porque dizia ter sempre mantido uma relação de respeito e defesa pelos direitos dos seus colaboradores, esse saneamento era uma coisa da qual lhe ficou uma grande mágoa.
Nessa altura em que o conheci vivia ainda um outro problema. O casamento era já apenas uma fachada, há muito que ele e a mulher não faziam vida conjugal. Ela era toda esquerdista e, segundo ele, um bocado agressiva. Tenho ideia de que era investigadora mas que pouca atenção dedicava à investigação porque, a maior parte do tempo, andava a preparar a revolução.
Tinham 3 filhos, na altura adolescentes, dois mais velhos, já universitários, e uma miúda então ainda no liceu, e, apesar do sacrifício, ele pretendia esperar que estivessem todos já mais ou menos ‘encarreirados’ para se separar da mulher pois sabia que a mulher, naquelas andanças revolucionárias, pouca atenção lhes dedicava e temia desestabilizá-los e, de alguma forma, prejudicar o seu futuro. Pelo que ele contava, a mulher odiava-o como odiava todos os ‘vendidos’ ao capital (classe na qual incluía o coitado do marido). Além disso, manipulava os filhos contra o pai de uma forma que o deixava revoltado e, sobretudo, muito triste.
Durante os muitos anos que lidei de perto com ele, sempre o achei uma pessoa trabalhadora, muito sincera, pura, sensível, mesmo boa pessoa.
Ele, entretanto, tinha ‘arranjado’ uma senhora viúva, que vivia no mesmo bairro e que tinha um filho também universitário. Ele gostava muito dela, dizia que era boa pessoa, calma, dedicada à casa, atenciosa, carinhosa – tudo o que a mulher não era. Contudo, existia um grande senão naquela relação: por ele ser um ‘homem casado’, a senhora não assumia a relação perante ninguém, muito menos perante o filho. Por isso, ele tinha que entrar em casa dela furtivamente, pelo cair da noite, para, muitas vezes, ter que sair logo a seguir, não fosse o filho chegar. Essa senhora pressionava-o muito para que ele se divorciasse da mulher mas, não apenas a mulher lhe dizia que nunca lhe daria o divórcio com ele próprio achava por bem aguardar, pelo menos, até que a filha entrasse na universidade e que os outros acabassem os cursos.
Foram anos de discussões com a mulher, e de desgaste com a outra senhora, mas, sobretudo, anos de espera.
Entretanto, os dois filhos mais velhos licenciaram-se. E a miúda entrou na universidade.
Nessa altura, apesar de a mulher continuar a recusar o divórcio, ele assumiu perante os filhos o fracasso do casamento e anunciou que ia sair de casa. Viviam numa boa casa mas abriu mão de qualquer contrapartida pois era ele que ia sair de casa e aí viviam também a sua filha e o filho do meio e ele nunca os quereria afectar (além disso, a mulher já o tinha avisado que não esperasse outra coisa pois, caso contrário, acusá-lo-ia de adultério com abandono de lar e entrariam numa disputa judicial)
Pensava ele que, assim, a ‘outra senhora’ o aceitaria sem reservas mas teve um inesperado dissabor. A senhora achava que perante o filho, perante os amigos e vizinhos não podia acomodar na sua casa um ‘homem casado’ e disse-lhe que, perante ela, a situação se mantinha a mesma: teria que continuar a entrar às escondidas, sair às escondidas, ter que sair à socapa pelas traseiras caso pressentisse que o filho pudesse entrar sem aviso, etc.
Foi um balde de água fria. Mas em casa não podia continuar.
O filho mais velho vivia desde há algum tempo num apartamento próprio, um T1. E então ele, imaginando que seria uma boa coisa aproximar-se do filho, dividir despesas e que, também, seria por pouco tempo, propôs ir viver com ele.
No entanto, as coisas não correram bem. Entrou então num novo e difícil período da sua vida. O filho tinha hábitos de jovem solteiro e um grande pé atrás em relação ao pai, dado ter sido, desde sempre, manipulado sistematicamente nesse sentido pela mãe. De modo que tratava o pai como um quase indigente a quem estivesse a dar abrigo por comiseração.
Sendo a casa um T1, o filho, que antes dormia no quarto, apesar do pai ter ido viver lá para casa, não o cedeu. Ou seja, o pai dormia no sofá-cama da sala. Todos os dias, o meu colega fazia e desfazia a cama e pendurava a roupa em cabides nuns fios que tinha colocado na varanda e a restante guardava numa mala e em sacos. O filho também não tinha disponibilizado espaço de roupeiro ou gavetas.
Depois o filho entrava tarde e fazia barulho, acendia luzes ou, se estava em casa, via televisão na sala até de madrugada e o pai, coitado, de favor, não o podia impedir disso. Das poucas vezes que protestava o filho dizia-lhe secamente que ‘quem está mal é que se muda’.
Tamanho foi o desconforto geral por toda a nova situação, o stress, que a relação com a ‘outra senhora’, que tinha durado anos, também acabou por não resistir e ele viu-se sozinho e sem esperança.
Mas isso não durou muito tempo. Uma vez, foi ao lançamento de um livro e viu lá uma mulher muito interessante, sexy, vistosa. No fim, dirigiu-se ao metro e o mesmo fez a sexy lady. Vinham os dois com o livro na mão e naturalmente meteram conversa. A voz dela fascinou-o, era quase rouca, sensual. Combinaram novo encontro. E assim começou uma nova relação.
Lembro-me dele nessa altura: apaixonado, leve, alegre, um menino. Passado pouco tempo já eram mais as noites que ele passava na casa dela do que as que passava na casa do filho.
Reformou o guarda-roupa, ele que era um homem bonito de meia idade, remoçou, todo ele se ria. E quando ela lhe ligava, todo ele se derretia. No fim, dizia invariavelmente, com ar rendido: “Ai esta voz…”.
Mas há pessoas que não nascem para ter vida fácil. Passado algum tempo, o semblante começou a andar sombrio.
Eu fui, durante todos esses anos, sua amiga e confidente.
O que se passava, então, agora?
A senhora, dizia-me ele, escolhendo as palavras, ‘é muito inteligente, muito culta, move-se nos meios da cultura, os amigos são escritores, jornalistas, artistas, gente do teatro, e parece divertir-se no meio deles mas a verdade é que sofre de crises de ansiedade e, de facto, nunca nada a satisfaz, parece até que se recusa a dar-se por satisfeita, porque o seu estado é o de procura, e então gera-se dentro dela uma tensão enorme e tem, imagine só, crises de histeria. Quem a veja na rua não percebe mas, na intimidade, é um desassossego. A todos os níveis, percebe?’. Eu percebia.
Aconselhou-a a procurar médico. Depois de meses de insistência, conseguiu, foram os dois. Mas ela, a mulher sexy e aparentemente feliz, era de facto uma pessimista congénita, uma infeliz, com pesadas depressões e, durante as crises de histeria, tornava-se insuportável. E agora acusava-o de não a compreender, de achar que ela era maluca, e o clima foi-se deteriorando.
Até que ele não aguentou mais e separaram-se. E não suportou mais viver de favor na casa do filho. O mais novo, com quem teve sempre um excelente relacionamento e de quem falava sempre com grande ternura, era professor, estava colocado longe, só vinha a Lisboa ao fim de semana. Portanto, alugou um quarto, creio que ali para as Avenidas Novas. Ele, que já tinha vivido numa bela casa, que em tempos tinha tido um importante cargo de chefia num grande grupo, ia agora viver para um quartinho alugado. As voltas que a vida dá. Mas, sem dramas, lá foi.
Entretanto, nova crise pairava no ar. A filha começou a namorar um ‘sujeito’ muito mais velho, divorciado, ligado à música e que, segundo ele, era mal encarado, tinha ar de consumir drogas. E, como se isso não fosse suficiente para preocupar o pai, resolveu largar o curso da universidade e inscrever-se num grupo amador de teatro experimental. Tinha então perto de 20 anos e nunca, até essa data, tinha manifestado qualquer aptidão para a representação. Na família próxima havia uma actriz bastante conceituada e o contraste não podia ser mais gritante. Mas a miúda não via isso, a mãe tinha mais que fazer e o namorado achava que ela devia seguir o seu próprio destino sem se importar com os velhos do Restelo.
O pai quase chorava com o que a filha andava a fazer: Imaginava-a abandonada pelo ‘malandro’ – que era mais o tempo que não fazia nada que o que trabalhava – qualquer dia grávida e sem dinheiro, sem profissão, sem um curso.
De notar que quer ele, a mulher e os filhos, bem como toda a família é gente de boas profissões, de cultura, tudo gente com cursos superiores, mesmo os mais velhos, pelo que ele imaginar que a filha não ia ter um curso e se ia meter numa aventura de representação, sem qualquer aptidão ou preparação para isso, o deixava transtornado. Depois o ‘sujeito’, dizia ele, parecendo quase da mesma idade que ele, levando a filha para uma vida de borga e leviandade, estava a dar cabo da vida da sua menina.
Os telefonemas que ele tinha com a miúda – em que, quase sempre, acabavam a discutir, e ele, depois de desligar o telefone, quase a chorar – eram constantes.
Até que aconteceu a gota de água. A miúda saíu de casa da mãe e foi viver com o namorado. Ele foi lá com a ideia de a convencer a voltar atrás mas veio derrotado: aquilo é um tugúrio’ dizia ele, ‘e a minha filha deixou de ouvir a voz da razão’.
Ele dava uma pensão à filha e, para além da verba estipulada, passava a vida a dar mais dinheiro, para roupas, para sapatos, para livros, para ir aqui, para ir ali. Mas desde que ela tinha deixado de estudar e especialmente depois de ir viver com o homem ‘quase com idade para ser pai dela’, as discussões sobre dinheiro eram também frequentes.
Até que depois de muitas discussões (‘fazes o que quiseres, quando fores dona da tua vida’, ‘enquanto for eu a pagar, deves-me respeito já para não falar em obediência’, ‘se ele acha muito bem, então pede-lhe o dinheiro a ele’, etc), num dia de cabeça perdida e muitas lágrimas, ‘a minha filha está transformada, foi mal criada, ofendeu-me', resolveu suspender a mesada.
Seguiram-se os telefonemas ameaçadores da ex-mulher, seguiu-se a preocupação dele, dando a um dos filhos dinheiro para que ele ajudasse a irmã mas sem lhe dizer que era dele o dinheiro. O filho do meio apoiava-o e compreendia-o mas vivia longe, e o mais velho, dizendo que não estava para se meter no meio de chatices, sempre se pôs de fora. Dias de agonia para ele, sem saber qual a melhor forma de acautelar o futuro da filha.
Mas as coisas podem sempre piorar.
E pioraram. Um dia recebeu uma notificação. A filha tinha-o processado por incumprimento dos deveres de pai. Ia morrendo de dor. Andava branco, quase sem voz.
Pediu se eu e outro colega podíamos ser testemunhas dele. Claro que sim.
Um dia lá fui então. Foi no Palácio da Justiça da Marquês da Fronteira. A filha chegou com o advogado e nem o cumprimentou. Ele aflito.
Quando chegou a minha vez (a primeira e única vez que me vi neste papel), entrei nervosa. Fiquei de pé em frente do juiz. O juiz fazia-me perguntas secas e tendenciosas. Se eu respondesse afirmativamente sem enquadrar e sem explicar o contexto, entalaria certamente o meu colega. ‘Ouviu o Senhor Fulano de tal dizer que ia suspender a pensão à filha?’, ‘Ouviu o Senhor Fulano de Tal ameaçar a filha de que se não abandonasse o curso que ela tinha escolhido e o namorado que tinha escolhido, a castigaria suspendendo a pensão?’.
Mas sempre que eu começava a explicar o contexto, e o amor dele pela filha, a preocupação pelo seu futuro, etc, o Juiz interrompia-me bruscamente ‘Sim ou não? Limite-se a responder ao que lhe pergunto. Sim ou não? Vou ter que lhe lembrar outra vez que não está aqui para falar sobre o que lhe apetece mas para responder ao que lhe pergunto? Sim ou não?’ e eu ‘ Sinto que se me limitar a responder sim ou não, estarei a induzi-lo em erro, contribuindo para uma ideia distorcida. Deixe-me acrescentar uma explicação.’ E ele, ‘Não tenho tempo para explicações, tenho muitos assuntos para tratar’ e depois, no fim, quando eu pensei que finalmente ia poder fazer um enquadramento explicativo: ‘Pode sair’
Saí de lá com a noção de que o tinha prejudicado. O mesmo aconteceu com o outro meu colega que também tinha ido testemunhar.
E assim aconteceu: foi condenado. E humilhado.
Mas, estranhamente, este meu colega, a quem a vida corria tão mal, não era um pessimista e sempre achou que melhores dias haveriam de vir.
Costumava, ao fim da tarde – como a sua casa agora se restringia apenas a um quarto e como o único filho com quem se dava vivia longe – ir-se sentar num banco de jardim, ali para o Príncipe Real, jardim tranquilo, e lia o jornal ou um livro. Ou ia para a esplanada, comia uma tosta e um leite que lhe serviam de jantar.
E aí conheceu uma senhora, segundo ele com ar de senhora de família. Começaram a falar, não me lembro como. Ela era viúva, tinha um filho casado, netos. Trabalhava como modista para um costureiro da sociedade. Tomaram-se de amores. Era uma senhora serena. Ele passou a, volta e meia, ir jantar a casa dela, a senhora cozinhava muito bem, tomava-lhe conta da roupa, passou a ir lá ficar muitas noites, às vezes também ao fim de semana.
Até que nova tempestade se desenhou no horizonte.
Pelo meio de todas as crises anteriores, a mãe dele morreu. Ele herdou a casa, a casa onde ele tinha vivido até vir estudar para Lisboa. Cheguei a visitar essa casa: era relativamente simples, mas com vários quartos, com um terreno razoável e numa zona turisticamente muito valorizada. Desde há vários anos, ainda em vida da mãe, ele vinha reabilitando anexos, arranjando a casa e não tencionava, nem por sombras, desfazer-se da casa. Era o único património que teria para deixar aos filhos. Além disso, por ser no sítio que era, alimentava a esperança de que os filhos, e mais tarde os netos, viessem a juntar-se naquela casa, afinal tão perto das praias. Tinha o sonho de voltar a reconstruir o espírito de família com os filhos.
Eis senão quando a ex-mulher, reclamou para si o direito a metade da casa por a herança ter ocorrido enquanto casados em comunhão total. Não me lembro como é que as coisas se passaram, mas sei que ela lhe moveu um processo, exigindo direito a metade do valor da casa, depois de a ter mandado avaliar. O valor era muito mais do que o que ele possuía pois a casa encontrava-se no coração de uma zona turística, altamente valorizada. Só lhe poderia dar a verba pedida, se vendesse a casa - e isso ele jamais faria. Era o que lhe restava de seu, eram as suas recordações, era o que ele queria deixar de herança aos filhos.
No entanto, para seu grande desgosto, foi o que teve que fazer. Obrigado a isso, vendeu a casa da mãe e deu metade do dinheiro à mulher. Morreu um pouco nesse dia.
Mas ficou ‘rico’ dizia ele algum tempo depois, tentando consolar-se. Por achar que essa verba era indesejada, resolveu dividir a verba entre ele e os filhos e, no fim, acabou com pouco. Mas a senhora com quem namorava a isso também o aconselhou e ele acabou por se ficar a sentir de bem com a consciência porque afinal teve a possibilidade de ajudar os filhos, permitindo a herança em vida.
Nessa altura mudou-se para casa da senhora que entretanto passou a trabalhar em casa.
Entrou numa fase mais aquietada da sua vida. Reformou-se.
Nessa altura perdi o contacto regular com ele.
Algum tempo depois soube que essa fase aquietada durou apenas até ao dia em que o pior aconteceu. O filho do meio, o seu suporte e o único carinho filial com que sempre contou, inesperadamente morreu. Um aneurisma fatal que clandestinamente vivia no seu cérebro como uma bomba-relógio, sem aviso prévio, levou-o num dia que parecia normal.
Não voltei a saber dele. Tomara que tenha encontrado a paz e a felicidade que sempre tanto procurou.
Não sei porque os vejo. O meu marido insurge-se, 'vou tirar este gajo daqui', mas eu insisto, quero sempre ver o que dizem estas pessoas que têm mais de um milhão de pessoas a vê-las, quero sempre ver até onde são capazes de ir.
Manipuladores, macacos de rabos pelados, fazem de conta que são isentos, conduzem a conversa de forma a estabelecer empatia e, depois, pelo meio, lá vão ardilosamente levando a água ao seu moinho.
No sábado, foi aquele Marques Mendes que tem uma habilidade de se lhe tirar o chapéu. Volta e meia aparece ligado a coisas pouco abonatórias mas, na maior limpeza, aproveita o púlpito para as sacudir de cima, e aí vai ele, ladino, sorrisinho laroca, a fazer de conta que não é de cá, e lança um veneninho aqui, insinua uma coiseca ali, ensaia uma mordidela acolá. Enquanto o ouve, a Maria João Ruela sorri com ar derretido. Não sei que raio de programas são estes.
Ontem, no meio de gracinhas, sorrisinhos, lá espetou ele mais uma farpa envenenada. Começou por mostrar desdém por Ricardo Salgado - não há cão nem gato que agora, do alto da sua cobarde pesporrência, não se dê ao luxo de dar um pontapé no corpo caído por terra em que, aos poucos, Ricardo Salgado se vai tornando - e, logo de seguida, não resistiu a comparar Ricardo Salgado a José Sócrates. E sorriu, um sorrisinho alarve.
Uma vergonha. Eu acredito que, tal a lavagem ao cérebro a que as pessoas são submetidas - Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem, um discurso moralista que se vende como justicialista, e tudo se mistura, os maus de um lado, os que querem viver à grande, os que não pedem desculpa, os que ainda bem que todos lhes caem em cima, e que apodreçam na prisão, e nós, os comentadores, os deputados, os juízes, os amorins, todos a cuspir-lhes em cima - que, se chega a um ponto em que já tudo parece normal, em que já parece razoável que se enlameiem todos, a mesma lama, o mesmo gozo alarve.
E não há um Provedor da Decência que impeça estas lavadeiras de roupa suja de por aí andarem a espalhar veneno.
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Hoje a mesma coisa: o meu marido não queria ouvir o Marcelo e eu, outra vez, 'mas deixa lá ver'. E, logo de início, a conversa mole do costume, as pessoas escrevem a pôr-lhe perguntas como se ele fosse aquela senhora do tarot ou o zandinga. E ele dá-se a todos os desfrutes. Seja sobre o que for, aí está o Marcelo a opinar, a fazer previsões. Hoje perguntavam-lhe ou foi o José Alberto Carvalho, já nem sei, sobre a reportagem da TVI que mostrava os dois senhores que vivem debaixo de uma ponte no Jamor. Vi a reportagem e de facto fiquei impressionada com a generosidade, coragem e dignidade daqueles dois amigos. Vi depois que se gerou uma onda de solidariedade em volta daqueles dois. Mas, ó senhores, como aqueles dois há mais mil e cada um tem a sua história, os seus motivos. Mas mal se vê uma coisa destas parece que logo se desperta a tentação generalizada de quase adoptar as pessoas quase como se fossem cães abandonados e como se todos os males do mundo estivessem naquelas específicas pessoas. E tanto é com estas pessoas como foi um cão maltratado ou um cão que era para ser abatido.
Mas a isso já eu estou habituada. Agora ver o Professor Marcelo a dissertar sobre o assunto, a dizer que telefonou ao presidente da Câmara de Oeiras, o Vistas, e lhe perguntou se não dava para construir um casinhoto ilegal debaixo da ponte... Bolas. E digo bolas para não dizer um palavrão. Onde chega a demagogia, o populismo mais barato e miserável. Construir um casinhoto, ilegal, junto à água, debaixo da ponte? Ridículo, absurdo. Vá lá que o presidente lhe disse que não podia abrir esse precedente.
Mas fiquei chocada - para não dizer enojada - com aquela conversa, com ele ter a lata de telefonar a um presidente de Câmara a sugerir uma parvoíce daquelas.
Uma coisa é lutar pela dignidade de todos, pela defesa do direito ao respeito por parte de todos, pelo trabalho, pela assistência aos meus desfavorecidos. E assim, sim. Agora descer ao ponto de querer fazer barraquinhas debaixo das pontes para alojar os desabrigados da vida?
Um populismo, uma vergonha, uma pimpalhice descarada.
Provavelmente o milhão e tal de pessoas que o ouvia comoveu-se com os instintos caritativos desta demagógica criatura... E um dia destes ainda corremos o risco de termos este manipulador e fazedor de factos políticos, este populista, em Belém. Gaita para isto.
O que vale é que a minha filha me ligou nessa altura e, como sempre, o telefonema foi longo e, portanto, não vi mais nada. Quando acabou, perguntei ao meu marido que mais tinha dito o Marcelo, ao que ele respondeu que obviamente tinha logo mudado de canal. Fez bem.
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As imagens provêm de We Have Kaos in the Garden
A música só podia ser Desgarrada entre Quim Barreiros e Canário.
Não sei se a primavera começou hoje ou ontem. Pensava que era a 21 mas agora parece que é 20. E há o dia da Árvore o dia da Poesia e não sei se coincidem ou não. E eu que gosto tanto de árvores, de primavera e poesia, não sei se já foi se ainda é. Mas também não faz mal porque todos os dias o são.
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também
E hoje o meu dia teve tudo: primavera, poesia, árvores. E um rio grande como um mar.
De manhã andei rente ao rio. O dia estava um pouco cinzento mas junto ao rio a beleza é permanente. Olhar o rio traz-me paz, traz-me voos, traz-me saudades.
Levantai-vos, amigo, que dormis nas manhãs frias;
todas as aves do mundo diziam:
Alegre ando eu.
Levantai-vos, amigo, que dormis nas manhãs frias;
todas as aves do mundo cantavam:
Alegre ando eu.
Duas gaivotas chegaram-se à beira da muralha e eu, imóvel, segui os seus movimentos. São felizes as gaivotas. Vejo-as muitas vezes contemplando as águas que correm. Têm todo o tempo do mundo, têm total liberdade, as suas enormes asas levam-nas a atravessar o espaço, a cruzar o horizonte. Acho que um dia ainda hei-de ver duas gaivotas abraçadas, a cabeça de uma encostada no ombro da outra, silenciosamente sentindo o prazer de estarem juntas.
Todas as aves do mundo diziam;
do meu amor e do vosso tinham no pensamento.
Alegre ando eu.
Todas as aves do mundo cantavam;
o meu amor e o vosso recordavam.
Alegre ando eu.
Mais à frente, dois veleiros brancos seguiam com o vento, e eu pensei que talvez fossem as duas gaivotas que se tivessem transformado, que deslizassem para bem longe onde poderiam sonhar com praias desertas, tardes de sol e silêncio, noites de cumplicidade.
Depois fui até onde a primavera já se anuncia em festa. In heaven a natureza resplandece, as árvores crescem, e eu olhei a gaivota que voa sempre junto a mim, ou dentro de mim.
O meu amor e o vosso tinham no pensamento;
vós lhes arrancastes os ramos em que se sentavam.
Alegre ando eu.
O meu amor e o vosso recordavam;
vós lhes arrancastes os ramos em que pousavam.
Alegre ando eu.
Os pássaros andam felizes por lá, a terra é toda deles. Ando em silêncio e só a minha respiração os faz levantar, numa agitação de asas, numa alegria, e eu fico contente por cada vez mais os sinto próximos de mim. Outras vezes são os coelhos que saltam, correm, e eu penso que era assim que eu queria ser, e se calhar já quase sou, quase livre, a respirar o ar da terra tal como respiro o ar do rio, próxima dos bichos que os habitam.
Vós lhes arrancastes os ramos em que poisavam;
e lhes secastes as fontes em que bebiam,
Alegre ando eu.
A rocha está muito suave, azulada na sua ternura, e dela saem rebentos, pequenas flores esguias, delicadas. E eu passo a mão pela pele da rocha, e estava quase morna, o sol manso tinha estado lá a repousar. Gosto tanto destas pedras. Depois de chover ficam húmidas e, no sítio por onde a água mais escorre, ficam mais escuras. Mas agora, que não chove, estão apenas descansadas e belas na sua infinita sabedoria, acolhendo estas efémeras e belas flores cor de rosa.
Vós lhes arrancastes os ramos em que se sentavam;
e lhes secastes as fontes onde se banhavam,
Alegre ando eu.
O alecrim está todo florido, há um intenso perfume lilás no ar e o tojo também já floriu, amarelo, carregado de luz. Percorro o caminho muito devagar, sozinha, aspirando o ar, e constato que não vou a pensar em nada, penso que vou em processo de meditação. É como se todo o céu, todos os sonhos, todos os abraços inventados, todos os olhares imaginados, todas as palavras que em segredo deixo voar, me envolvessem. À minha frente, rente ao chão, vai a minha sombra, silenciosa também, e eu sei no que ela vai a pensar. Mas ela não mo diz e eu não lho pergunto. À terra, ao rio, às gaivotas, às rochas talvez todos os segredos se possam confiar. No coração da terra ou no fundo do mar, a sombra que se desprende de mim esconde os seus segredos mais puros, sabendo que um dia alguém os há-de ir lá buscar.
Les + grands secrets se cachent dans la lumière
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Lá em cima Pedro Lamares diz o poema Metade de Oswaldo Montenegro
As fotografias foram feitas este sábado.
O poema repartido sob as fotografias é de Nuno Fernandez Torneol, século XIII, e integra o livro Cem Poemas para salvar a nossa Vida, uma selecção de Francisco José Viegas
A música no final é de Ludovico Einaudi - Nuvole Bianche
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Muito gostaria que me visitassem no meu Ginjal onde Mia Couta se junta a Manuel de Falla e onde falo de quem, com os seus dedos, recolhe gaivotas no raso voo sobre o meu peito. .......
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.
No post abaixo já deixei, em vários fascículos, a minha receita de homem e já mostrei um vídeo com uma selecção premier do tipo de homem considerado mais bonito em cada um de vários países onde o casting decorreu.
Mas isso é a seguir e, se calhar, deveria ficar-me por aqui, que isto é fim de semana, não é tempo para uma pessoa se desgastar com assuntos sérios. Mas, enfim, tenho vontade de dizer o que se segue.
Várias vezes aqui falei de Ricardo Salgado, do BES, do GES e de Carlos Costa (tão elogiado pelos papagaios das televisões e jornais quando eu já aqui tão abertamente o criticava).
Sobre a gestão em empresas como as dos Espíritos, a PT e outras, que adoptam todo o tipo de modas, que estão permanentemente assessoradas por consultores de todas as cores e paladares e que recebem toda a gama de prémios de excelência também já aqui falei muitas vezes. É minha opinião que, com alguma frequência, quanto maior o aparato, menor a substância e menores as verdadeiras competências de gestão.
E que pessoas do calibre de João Duque se enganem tanto tantas vezes, também só diz da presciente inteligência, passe a quase redundância, do João Duque e das pessoas que ele gaba e a quem, uma vez caídas em desgraça, insulta.
Voltando a Ricardo Salgado (e que não diferirá muito do que acontecia com Henrique Granadeiro, Zeinal Bava e tantos outros). Pessoas habituadas a um abastado nível de vida, que se repartem entre reuniões, visitas, recepções, têm, forçosamente, que tomar grande parte das decisões apenas pela rama, confiantes de que há quem lá esteja a acautelar. Ora, não raras vezes, na prática, há uma delegação de poder muito descontrolada, muito poder disperso por outsourcings e consultorias e, de facto, deixa de haver tempo e apetência para análises cuidadas, para verdadeiramente pôr as mãos na massa. Quem acaba por pôr e dispor são muitas vezes quadros de segunda linha, gente ambiciosa que quer mostrar serviço, ainda sem grande competência e experiência e com um não muito apurado sentido ético de gestão.
Ricardo Salgado, oriundo de uma família que Portugal inteiro reconhecia como ungida pelo divino Espírito Santo, amigos de reis e presidentes, ele mais do que habituado a meter políticos e jornalistas no bolso, ter-se-á habituado, com o tempo, a tudo poder. Para tal, é sabido que sempre contou com solidariedades estrategicamente colocadas e pareceres de advogados de todas as especialidades. Através de contratos de tudo e mais alguma coisa, grande parte das empresas que lhe poderiam ser hostis estavam dominadas (empresas de auditoria, de consultoria, órgãos de comunicação social, por exemplo).
Daí até se tornar normal socorrerem-se de toda a espécie de estratagemas, grande parte deles legais (por exemplo os que são enquadrados por esse ramo da ciência que dá pelo nome de optimização fiscal) não vai passo nenhum. Faz parte. E daí até se arranjar maneira de haver prestações de serviços, para canalizar verbas para empresas dos accionistas, também não vai passo nenhum. Faz parte. Remunerar principescamente accionistas e os gestores au pair claro que também faz parte. Uns precisam dos outros.
Pôr o dinheiro lá fora, qual o mal? Trazê-lo de volta e usufruir de benesses fiscais, perfeito.
E tudo está bem enquanto vai bem.
Mas para a frente dos negócios com uma expansão razoável, em que é preciso contratar gestores para estar à frente de actividades espalhadas por diferentes geografias, nem sempre se pode garantir que é tudo gente do mais sério que existe. E neste jogo de facilitismos, toma lá mas depois abre-me esta porta, e ok, agora sou eu, amanhã és tu, começam as teias a ensarilhar-se.
E, uma vez mais, tudo está bem enquanto vai bem.
Mas eis que vem a crise, a liquidez a secar, a economia a baquear, as insolvências a multiplicarem-se, os créditos malparados a dispararem, as imparidades a imporem-se, as baixas de rating a complicarem tudo, os consequentes juros mais altos e, aí, a coisa começa a descontrolar-se. Se há, e sempre há, gestores menos leais ou menos sérios, geralmente é por aí que a coisa começa a romper-se.
Mas, até certo ponto, parecia não ser fatal: too big to fail, sempre se disse.
Mas a coisa não correu bem: as coisas a complicarem-se e o pânico a instalar-se à vista desarmada. Poderia ter havido pés na terra, sangue frio. Mas não. Na banca a confiança é o principal activo. Fazer de conta que tudo está bem para que o dinheiro não comece a fugir, parece ter sido o que norteou até ao fim Ricardo Salgado.
Para fazer de conta, mais estratagemas. E mais estratagemas para ocultar os estratagemas. A isto, como é sabida, chama-se fuga para a frente. E a fuga, neste caso, foi até ao abismo.
E tudo se passou debaixo do supostamente apertado escrutínio da troika, do Banco de Portugal e da CMVM, já para não falar dos auditores e revisores de contas, e debaixo de loas à excelência da gestão e da solidez financeira por parte de grande parte da comunicação social, da universidade, do Governo e, até, do Cavaco.
E depois tudo mudou. A queda foi súbita e descontrolada. Todos os que antes tinham avalizado o que se passava, lhe tiraram o tapete. Um grupo com um prestígio centenário ruíu debaixo da maior ignomínia, o banco foi incompreensivelmente (ainda hoje não percebo) estraçalhado, e, perante a debandada geral de ratos, um homem ficou sozinho: Ricardo Salgado.
O leopardo ficou sozinho no salão de baile.
Que houve ali graves erros de gestão e certamente alguns actos dolosos isso parece claro e os processos vão decorrer nos tribunais apropriados para ajuizar tal. E, em minha opinião, é aí que deverão decorrer, no recato normal, com respeito pela dignidade dos visados.
Ou seja, que Ricardo Salgado agiu mal parece não haver dúvidas. Mas que, com ele, muitos outros também agiram muito mal também não tenho. E que uma parte importante da responsabilidade pelo ruinoso e absurdo desfecho deve ser atribuída ao Banco de Portugal também não tenho.
Mas, como sempre acontece nestas ocasiões, aqueles que antes incensavam Ricardo Salgado, ao verem que os ventos viraram, vêm agora, quais abutres, comer a carniça, tripudiar, humilhar.
Já o disse aqui algumas vezes: não sei para que serve a Comissão Parlamentar de Inquérito. Aquilo mais me parece um julgamento popular sob os holofotes da populaça, um vergonhoso pelourinho - e carrascos não faltam.
Assistir àquilo a que assisti na sexta feira durante o bocado em que vi televisão revolveu-me as entranhas. Não gosto de ver humilhar ninguém. A forma como em especial Carlos Abreu Amorim se dirigiu a Ricardo Salgado pareceu-me uma total afronta à dignidade de uma pessoa que está a passar por momentos dramáticos. Ter 70 anos, ter perdido tudo incluindo o seu bom nome, e saber que vai passar os últimos anos da sua vida a penar pelos tribunais e provavelmente a viver numa cadeia não é coisa que se deseje a ninguém e Ricardo Salgado sabe que é isso que o espera. Será correcto que alguém aproveite tal fragilidade para o pisar, para lhe cuspir em cima?
É certo que Ricardo Salgado ainda tem a sua casa e dinheiro para garantir o desafogo financeiro dele e da família enquanto tantos inocentes ficaram sem as poupanças de uma vida. Mas, para isso, devem os culpados ser encontrados, julgados e, se for caso disso, condenados, garantindo-se na medida do possível a indemnizações às vítimas.
Expor uma pessoa à humilhação de se ver insultada, gozada, ofendida em público não resolve nada, apenas degrada ainda mais a forma como a sociedade portuguesa se vai entregando à indignidade.
Não nutro nem nunca nutri simpatia de qualquer espécie por Ricardo Salgado e claro que acho que, se se vier a provar que foi culpado de crimes, então deve pagar; mas uma coisa vos digo: se eu pudesse de alguma forma poupá-lo ao que se passou na Assembleia da República eu faria qualquer coisa para o conseguir.
E outra coisa vos digo: mais valia que, em vez de a matilha andar tão encarniçada em volta de Ricardo Salgado, houvesse uma atenção a sério para garantir que a permissividade e a balda que permitiram que isto acontecesse não ia voltar a acontecer. E isso não vejo eu.
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A música é o Adagio de Albinoni por David Garrett
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Para receitas de homens e para homens bonitos de todas as cores e feitios, é descer, por favor, até ao post já a seguir.
O meu filho enviou-me por mail um link que dizia 'o teu tipo de artigo'. Pensei: política, literatura, arte. Mas eis que nada disso: os standards de beleza masculina. Está certo. A minha fama precede-me, mesmo junto dos meus. Nada a fazer.
Ainda me lembro de uma vez em que disse que achava o Bruno Alves (jogador que era do Porto) um exemplar perfeito e que ele se desiludiu todo: 'Oh mãe... um sarrafeiro!'. Pois, que hei-de eu fazer?
Aliás, sobre o que gosto e não gosto nos homens - e não apenas a nível físico - já me pronunciei várias vezes. Diria mesmo que já estabeleci um verdadeiro caderno de encargos.
Este Padre é um homem
que eu acho que tem mesmo muita pinta.
Mas, enfim, como mulher tenho que tirar daqui o sentido
No meio de tudo o que acho fundamental num homem, claro que o aspecto físico é importante.
Aliás, apaixonei-me pelo que viria a ser meu marido só de o ver, por o achar um belo borracho (na altura dizia-se assim). Era (e é) bonito, tinha (e tem) um belo corpo, tinha um ar de desportista que me agradava, e, ainda por cima, tinha um ar que era um misto de Jesus e de guerrilheiro. Portanto, foi olhar para ele - e ser olhada por ele - e, pimbas, tiro e queda. Apenas mais tarde tive oportunidade de tirar a limpo o resto dos atributos. E aí, logo às primeiras, quando lhe disse que namorava firme (com outro, claro) e que, portanto, ele não estivesse com ideias, respondeu-me com ar indiferente que não se importava, que não era ciumento. Pronto. Fatal. Fartei-me de rir, ou seja, ainda mais graça lhe achei. Portanto, o começo foi auspicioso.
Mas, claro, que o aspecto físico não é o mais importante - até porque o aspecto físico muda ao longo dos tempos: há quem melhor e quem piore. Portanto, a coisa tem que ter raízes mais profundas.
Este Varoufakis tem também um quelque chose
e deve ser isso que encanita tanto os colegas
Vem tudo isto a propósito do tal artigo que o meu filho me enviou.
O artigo contém um vídeo onde se mostra qual o tipo físico mais apreciado pelas mulheres de vários países. Fizeram um casting internacional para identificar os vários espécimes. Em Itália é uma coisa, no Brasil é outra, na Turquia, na Austrália, tudo diferente. E, pasme-se, começam a estar na moda as cirurgias plásticas para homens. Ainda os haveremos de ver todos repuxados, beiços inflados, mal se podendo rir, estalando botox por tudo o que é poro.
Estive a ver com atenção e nem sei bem em qual votaria mas estou tentada a dizer que seria no da Nigéria, bem giro e ainda muito au naturel. Seguramente não no do Brasil, muito aparadinho, muito trabalhadinho, muito cristianinho, todos com muita mão de obra em cima o que, a meus olhos, os desvalorizam. O da Coreia, então, é cá uma coisinha, credo, que mariazinha. Mas, enfim, gostos não se discutem.
No post abaixo falei da Manuela Ferreira Leite que, na TVI, deu um tareão de criar bicho neste Governo feio, porco e mau (e se o Núncio amanhã não se demitir não é homem nem é nada; e se a Marilú não aparecer com uma máscara de Salazar-dos-cofres-cheios não é mulher nem é nada; e se o Coelho não aparecer com a cara pintada de preto não é láparo nem é nada).
Mais abaixo ainda mostrei a escala da virtude que serve para homens do tempo das cavernas perceberem se a mulher quer ou não quer.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Noite de humor no Um Jeito Manso. Vamos lá.
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. 1 .
Economia paralela vai sortear um carro muito melhor pelos contribuintes que não peçam factura
«O que é que o Governo oferece? É um Audi? Um BM? Um Mercedolas? A gente oferece um Lamborghini, daqueles que abrem as portas para cima», anunciaram esta sexta-feira vários empresários ligados à economia paralela, na apresentação de um concurso que vai premiar os contribuintes que não peçam facturas.
“Factura do Azar”, chama-se o sorteio lançado por este grupo de empresários da economia paralela.
Questionados sobre a razão para lançarem este concurso e para não quererem que os contribuintes peçam factura, os empresários são peremptórios:
«É por causa da floresta, porque cada vez que se emite uma factura, cai uma árvore.»
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. 2 .
O nariztupido do Carzalbertoo
No Interior de Minas, um casal de amigos caminhava pelo pasto de uma fazenda, até que viram um cavalo transando com uma égua, e a amiga logo perguntou:
- Carzalbertoo..., o que é aquilo?
- Elis tão casalando, sô! A égua tá no cio, o cavalo percebeu isso e tá mandando brasa!
- Mais cumé co cavalo sabe que ela tá no cio, Arbertoo?
- Aaara!!, é co cavalo sente o cheiro da égua no cio, sô!
Passaram mais adiante, e tinha um bode transando com uma cabra, e a amiga perguntou de novo, e o amigo deu a mesma resposta!
Mais na frente, lá estava um boi pegando uma vaca, e ela tornou a perguntar, e ele deu a mesma resposta: que o boi também sentia o cheiro da vaca no cio.
Foi aí que a amiga perguntou:
- Ô Carzalbertoo, se eu perguntá uma coisa pr'ocê, ocê jura que num vai ficá chatiado?
- Craro que não, miga! Ocê pode perguntá!
- Ocê tá com o nariztupido...?!
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. 3 .
O Gay
Um cara foi a uma festa de fantasia com roupa de caçador.
Chegado lá, viu um gay vestido de oncinha.
O cara pra tirar uma onda com o gay pegou na espingarda e deu 2 tiros.
O gay caíu, e ficou prostrado no chão.
O cara disse:
- Esses tiros não foram de verdade, sua bicha... Pode levantar-se daí...
Ao que o gay respondeu:
-Não quero saber...caça é caça, matou, tem que comer...
......
. 4 .
Pilas comestíveis por Correio
Li também no Bored Panda que há uma empresa que envia, por um preço módico, $15, uma encomenda a quem se queira arreliar (ou agradar, não sei). Por exemplo, se alguém tem vontade de mandar outro para o c... (and pardon my french), em vez de o fazer, pede à empresa que envie uma mão cheia de pilinhas doces com um cartãozito com uma mensagem à escolha como, por exemplo, 'vai mas é comer um saco de pilas'.
Diz a empresa que isto não pode ser visto como uma ameaça e adverte: “It’s not meant to be a threat or a way to bully. If you are sending this with the intent to ruin someones day, then maybe its you who needs to eat a bag of dicks".
Um envelope normal que se recebe pelo correio
Lá dentro um saquinho de doces e uma folha com uma mensagem
Uuupsss... e agora...? Pilinhas...? São mesmo para comer...? Tantas...?
É todo um novo conceito de fazer negócio e de comunicar como se pode ver pelo site:
Dicks By Mail:
Anonymous Service Lets You Send A Bag Of Edible Dicks To Your Enemies
Remember that look of joy you got on your face on Christmas morning when you went downstairs and unwrapped a big bag of socks? Us neither. Dicks by Mail is the easy way to send that feeling to anyone in your life that deserves that feeling of sadness, disappointment and betrayal. In only a few minutes you can send a literal Bag of Dicks to that special asshole in your life. You know the one. The annoying guy at the office. Your Ex who decided to see other people before telling you. The Teacher that doesn't care about your dead grandma. The person that murdered your grandma. You came to this site for one of three reasons; 1) You know someone that is a dick, but they don't know it yet. 2) You received a package from us and are wondering why. The reason why is simple; someone thinks you're a dick. 3) you are on the wrong website.
E este é o vídeo de apresentação é este e dele diz o autor:
I would be sorry for having rendered this shit for 62 hours.
.. But now I am quite happy, since you guys have given me more than 1 million views!
(Seria numa coisa destas, pirilaus a multiplicarem-se à força toda, que a Marilú estava a pensar...? - Não sei, pergunto)
Agradeço aos Leitores que me enviaram os textos dos três primeiros pontos.
E, por hoje, já chega de boas ideias. Amanhã há mais.
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Relembro: já aqui abaixo falo da monumental coça que Manuela Ferreira Leite deu na gentinha desclassificada que se alojou no governo patrocinado pelo partido dela e, a seguir, tenho uma escala para totós.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta-feira bem animada.
Não tenho ideia de ter visto alguém dar uma tareia tão grande neste Governo indigente como a que Manuela Ferreira Leite está a dar agora na TVI com o Paulo Magalhães.
Fala com assertividade e palavras (que mais parecem punhais) da moda vigente neste Governo de sacrificarem funcionários em vez de assumirem responsabilidades políticas, na gravidade de uma máquina fiscal que protege uns e descura outros, no Secretário de Estado, o Paulo Núncio, que não é respeitado pelos subordinados e que, portanto, não tem condições para se manter em funções, na Marilú que se gaba de ter os cofres cheios quando as pessoas têm as carteiras vazias acrescentando que, felizmente, a outra estava a falar para a JSD e não para pessoas com mais de 50 anos que têm memória de outros tempos.
O Paulo Magalhães olhava-a embevecido. E, de facto, que grande tareia! Que bem me soube ouvir.
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E, se me permitem, deslizem até aos decotes, saltos altos e saias curtas do post já a seguir: uma escala para se saber o que a mulher quer... a bem dizer... Para homens palermas, claro.