quarta-feira, janeiro 28, 2015

A maldade humana 70 anos depois (perante a nossa indiferença - apesar de sermos tão bons, tão solidários)


No post abaixo mostrei um anúncio que foi banido da televisão: trata de preservativos mas não foi por isso que foi banido, foi por outra coisa. Mas, se querem saber, deverão ver a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra.

Eu, no Um Jeito Manso, devia arranjar maneira de ter separadores para os temas não se misturarem. Devia ter um separador para política, outro para culinária, outro para poesia, outro para maluquices, outro para coisas sérias e por aí fora. Tenho que ver se descubro e se testo mas, se o fizer, a coisa só ficará arrumada daí para a frente pois até fazer isso ficará este lençol de assuntos misturados.

Estou com esta conversa porque estou com vontade de falar sobre um assunto muito sério mas está a custar-me enfiá-lo entre anúncios de preservativos e o que vier a seguir. Parece até falta de respeito. Mas que hei-de eu fazer se na minha cabeça as coisas se sucedem, sem tapumes entre elas?

Enfim, vamos lá. E, por favor, não tomem por ligeireza porque o não é.








Não sou muito de me alinhar, especialmente em momentos de comoção, quando quase todos se unem no louvor, na condenação, no aplauso, no lamento. Não critico quem o faz, apenas não me dá para me juntar. Por isso, apesar de ter visto nas televisões, jornais e blogues palavras e imagens recordando o horror de Auschwitz, não fui capaz de me juntar ao coro e dizer aqui que Auschwitz nunca mais ou recordar a desgraça acontecida décadas atrás para que as tenhamos bem presentes e não voltemos a permitir que se repitam.

Durante uns tempos, o abismo da maldade suprema atraíu-me e li alguns livros sobre campos de concentração. O que mais me custava perceber era que os principais responsáveis por aqueles brutais atentados contra a humanidade fossem pessoas normais, com família. Lembro-me de ler que um saía do campo e ia para casa ouvir as filhas tocar piano, comovido e terno perante a doçura das meninas. E o cão, quando o via, saltava-lhe ao encalço e ele derretia-se, fazia-lhe festas, todo ele carinho para com o animal.

Todos eles, os mandantes e os mandados, olhavam para aquele processo de extermínio como uma tarefa normal, uma profissão. Alheados da dor humana, quais psicopatas, cumpriam ordens, infligiam sofrimento, e, o horário cumprido, iam para casa, exemplares pais de família.

Mas não eram apenas eles. Era toda a população não abrangida pela perseguição que era conivente. Não sabiam, não desconfiavam, nunca poderiam imaginar. E, no entanto, estava ali, ao seu lado.




Enchem-se agora os meios de comunicação, blogosfera incluída, de afirmações de que nunca mais e tal e coisa.

Fica bem dizer isso uma vez por ano ou quando o aniversário é mais redondo. Mas uma coisa é certa: um dia depois já ninguém falará do assunto. Lavou-se a consciência, está feito.

Pois eu, sabendo disso, não consigo. É que não consigo ignorar que sei que por esse mundo fora, hoje, milhares de pessoas estão aprisionadas em campos que são também atentados à dignidade humana . Podem as motivações ou as formas de manutenção dentro dos campos ser outras mas a base é a mesma: a ideologia fanática, o desprezo pelo outro, a maldade animalesca – e a indiferença de quem não é afectado.

Pense-se em todas as frentes de guerra por esse mundo fora, na destruição de cidades e aldeias, na expulsão das suas casas, nos campos de refugiados, na situação de suprema barbaridade na Nigéria e na desgraça, no extermínio, na indignidade imposta aos seres humanos que tiveram a infelicidade de estar nos lugares onde a alma parece ter abandonado os que se acham ungidos por poderes divinos e com direito a decidir sobre a vida ou morte de outros seres humanos - e é a mesma coisa.

É certo que não é à nossa porta, os seres humanos afectados vivem nos confins do mundo, às portas do inferno, não aqui neste nosso mundo civilizado e higiénico. Mas são seres humanos e o sofrimento limite por que passam é tremendo. E, no entanto, fazemos de conta que não sabemos ou dizemos que não podemos fazer nada, e mudamos de assunto. Ou mudamos de canal.

Por isso, sabendo-me indiferente, egoísta, conivente com toda a barbaridade que grassa por esse mundo fora hoje, Janeiro de 2015, sinto-me incapaz de dizer Auchwitz nunca mais.

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Hoje, 70 anos depois da libertação de Auschwitz, o maior campo de concentração nazi, ainda há coisas assim (por exemplo):



A vida em família num campo de refugiados sírios: 'A mother must be stronger than a mother'




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Fugindo do ISIS no Iraque - Refugiados falam das perdas e da tragédia


Refugees from Mosul have told Sky News of the terror they experienced at the hands of ISIS militants.
Middle East correspondent Sherine Tadros reports from a newly-built refugee camp in the northern area of Dohuk.

 

A maldade humana 70 anos depois.

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O primeiro vídeo mostra nazis a interpretarem Beethoven, o Final da 9ª Sinfonia. O maestro era Wilhelm Furtwängler  e a gravação foi feita durante a celebração do aniversário de Hitler em 1942.


Transcrevo o texto que acompanha o vídeo no Youtube:
At the end of the performance, we can see the conductor shaking the hand of Joseph Goebbels, Reich Minister of Propaganda in Nazi Germany from 1933 to 1945. Goebbels was one of Adolf Hitler's closest associates and most devout followers. When Hitler dead, Goebbels and his wife, Magda, killed their six young children. Shortly after, they both committed suicide.
Besides Beethoven's Ninth Symphony lyrics talk about fraternity, love and uniting all people in universal brotherhood, this concert was dedicated to war and death.

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Claro que não me sinto bem, depois desta conversa pesada, ao relembrar a cena da experimentação, ao vivo e a cores, de preservativos. Mas, também, mal não faz. Diria mesmo que a fazer mal, será o menor dos males.

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Experimentar os preservativos na farmácia para poder escolher o modelo. A marca é Four Seasons, o que revela que são bons em todas as estações, e a gama é Get Naked, o que parece também apropriado.


Tenho uma amiga farmacêutica, investigadora e professora universitária. Tem uma farmácia, que já era de família, e, de vez em quando, trabalha lá, especialmente quando a farmácia está de serviço.

Agora não sei, talvez já tenha ganho mais juízo, mas antes ela divertia-se com uma das empregadas sempre que aparecia algum homem meio atrapalhado a comprar preservativos. Era certo e sabido que o praxavam. Quase apostavam entre elas que o pobre ia cair como um pato.

Contava ela que era normal o cavalheiro aproximar-se do balcão e, como quem não quer a coisa, discretamente pedir preservativos, geralmente pelo nome da marca. Por exemplo, 'Queria uma caixa de Durex...'. Aí ela sorria, atenciosa, e perguntava com ar também discreto, como que cúmplice da situação, 'Com certeza. Mas diga-me... qual é o tamanho?' Contava ela que era certo e sabido que o cavalheiro, ainda mais atrapalhado, assumia '... É médio...'. Ao que ela respondia com ar admirado: '.... Eu estava a falar do tamanho da embalagem..!' deixando o pobre capaz de se enterrar pelo chão abaixo.


Vem isto a propósito de um vídeo que Leitor a medo e confessando-se embaraçado me enviou. Trata-se de um anúncio australiano a uma marca de preservativos, Four Seasons - Get Naked, que foi banido na televisão mas que está disponível no youtube.

A mim não me faz confusão e nem vejo mal nenhum, apenas graça. Parece-me até bastante razoável que os clientes, não percebendo a diferença entre os diferentes modelos, os possam experimentar na própria farmácia (até porque, se os levarem e não ficarem satisfeitos, não os devem poder trocar).




Contudo, para quem não goste de cenas destas, aqui fica o aviso: se acha que pode sentir-se com urticária, por favor, não faça play


Get Naked: Preservativos Four Seasons



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terça-feira, janeiro 27, 2015

Que bom que é esperar uma carta e saber que ela há-de chegar


No post abaixo falei e mostrei Yanis Varoufakis, um homem com pinta e que fala como se estivesse a dar o peito às balas. Dele se diz que vai ser o Ministro das Finanças da Grécia e, olhando para ele, acho que promete.

Mais abaixo ainda, mostro um casal a falar e exemplificar algumas posições sexuais. Não fujam porque não mete medo. Pode ser útil, tem graça e não ofende.

Mas, enfim, isso é a seguir. Aqui, agora a conversa é outra.








Há mil anos atrás, estava na praia quando chegou uma família inglesa com uma miúda da minha idade. 

Tinha um fato de banho curioso e toda ela era diferente. Alta, espigada, muito branca, cabelo quase branco de tão louro, cortado a direito pela nuca. Teria eu talvez uns onze ou doze anos, ou talvez fosse nas férias em que fiz treze. O que me chamou a atenção não foi tanto o fato de banho que tinha um folhinho à altura da anca, parecia um modelo antiquado ou cinematográfico, nem sei, sei que, na altura, a achei muito diferente de mim. Mas o que mais me surpreendeu é que não sabia nadar. Por essa altura estava eu farta de saber nadar e de gostar de ir para fora de pé. Mas ela não. Sendo tão alta, parecia na água uma criança pequena.




O pai, enorme e bem mais velho que o meu, punha-lhe o braço por baixo da barriga e ela deitava-se sobre o braço e depois riam-se e ela desequilibrava-se. Para a incentivar o pai chamava-lhe a atenção para mim, menina do mar, que por ali andava nadando, contornando as rochas mais afastadas da beira de água. Depois o pai perguntou-me como é que eu me chamava e que idade tinha e chegámos à conclusão que eu era da idade da filha. Chamava-se Jill. Às tantas já andávamos as duas a brincar, eu incentivando-a a trepar às rochas mais pequenas e mais perto da areia, levando-a a saltar comigo, rindo. Durante alguns dias encontrámo-nos sempre no mesmo sítio e, claro, acabámos amigas. Quando nos separámos, trocámos moradas e passado algum tempo éramos pen friends.




Sempre gostei muito de escrever e era para mim um prazer escrever-lhe a contar o que fazia, o que lia, contar-lhe dos meus amigos. Depois recebia na volta um envelope de avião como o que eu lhe enviava mas num tipo de papel diferente e com selos da família real inglesa. Na letra típica dos ingleses, ia sabendo de uma outra forma de viver a adolescência, ela numa liberdade natural e eu tendo que disputar a minha. Fomos crescendo, tendo vários amores e íamos descrevendo como eram eles, o que dizíamos, as nossas descobertas e aventuras, as nossas brigas com os nossos pais. Pelo menos uma vez por semana eu enviava uma carta e recebia outra. Era sempre uma alegria quando o carteiro trazia uma carta da Jill. Também enviámos de vez em quando fotografias uma à outra. Ela ia-se fazendo uma adolescente alta e magra, sempre com o mesmo corte de cabelo, bonita. Acho que interrompemos a correspondência quando começámos a ter namoros absorventes, não havendo tempo de sobra.

Houve outra situação.




Nem sei bem que idade teria, talvez uns treze, quando fui com um grupo de amigas acampar numa quinta frondosa não me lembro bem onde, talvez para as bandas do Lumiar. Acho que fomos com a professora de Educação Física e talvez com outra mas não tenho ideias precisas a propósito das professoras, tenho sim das colegas. Não sei a que propósito foi isso. O que sei é que a quinta era densamente arborizada, muito bonita e que lá fomos encontrar outras miúdas de outros liceus. A maioria seria de Lisboa mas também Cascais, Leiria, Setúbal,  Porto e provavelmente de outras localidades. Montámos tendas e fazíamos as refeições, à noite havia lareira e nós todas sentadas à volta a cantar, we are my sunshine, my only sunshine, e levámos pick ups e discos e algumas de nós dançámos em coreografias que ensaiávamos de tarde. Uma festa, em suma. Nunca fui dos escuteiros nem ligada a actividades paroquiais pelo que não faço ideia do que lá se passa, talvez haja festas similares. Mas eu sempre gostei de conhecer gente e de estar em sítios desconhecidos pelo que, para mim, tudo aquilo era uma alegria.

Depois na despedida houve abraços, antecipação de saudades e, claro, troca de moradas. Fiquei a corresponder-me com uma menina do Porto e outra de Leiria. Tornámo-nos mesmo muito amigas. Durante anos durou aquela correspondência. Com a do Porto, a São, então, escrevíamos cartas imensas uma à outra.




Por isso, todos os dias era com impaciência que eu esperava pelo carteiro ou, quando a hora não o permitia, vinha do liceu já na expectativa do que me esperaria na caixa do correio. Que alegria.

Sempre adorei ler como já aqui falei várias vezes mas, entre os livros, havia a alegria da leitura das cartas que recebia. Vivia a minha vida e a vida difícil da menina do Porto que tinha muitos irmãos e uma casa pequena demais para tanta gente, vivia a vida complicada de uma menina rica de Leiria que tinha uma casa enorme mas uma mãe que vivia deprimida e a fazer curas de sono e vivia, também, a vida de uma menina inglesa que me falava de costumes e liberdades nos antípodas das nossas.




Depois, anos mais tarde, tive um namorado dado à escrita e à poesia. Um mês por ano ele ia de férias com os pais para a casa da família no Algarve e eu ia com a minha família para Porto Covo ou Curia. Por vezes, o mês dele não coincidia com o meu pelo que podíamos passar mais de um mês sem nos vermos. Esse distanciamento era compensado através de palavras escritas. Não havia mail nem sequer telemóvel. Quando estávamos fora de casa, tínhamos horários combinados. Eu ligava do hotel para casa da avó dele, por exemplo. Parecem outros tempos. Mas, sobretudo, havia as cartas dele sempre belas e apaixonadíssimas, por vezes com poemas.

Às vezes, tomávamos o gosto às cartas e, mesmo depois de férias, calhava escrevermos cartas de amor um ao outro. Acho que as dele eram mesmo de amor. As minhas, acho que eram mais de amor à escrita do que a ele – mas isso digo eu agora. Na altura, acho que não sabia distinguir.

A esta distância o que me recordo é do prazer de escrever e de ler. Mas de ler de fresco, pela primeira vez.

Quando saí de casa não quis trazer uma única carta, que nunca reli, e devem ser centenas. A minha mãe ainda as lá teve ter. Se calhar leu-as. Sempre me foi indiferente. O que é do passado, deve ficar no passado. Apenas me interessa o rasto que as coisas deixaram em mim e interessa-me enquanto perdura. Quando esqueço, não me interessa repescar. Por isso não participo em jantares de curso, em encontros dos alunos da turma não sei quantos, dos colegas de empresa de quando estávamos não sei onde. Quero lá eu saber disso. O tempo mal me chega para o que quero descobrir quanto mais andar a desperdiçá-lo com o que ficou no passado.




Mas, voltando ao ponto que me trouxe aqui: escrever, receber cartas. Já não as escrevo nem recebo em papel. Mas escrevo e recebo mails. Alguns são especiais. Por vezes, num flash descobrem-se afinidades imprevistas. Outras vezes fica-se perto de quem se admirava de longe. Outras vezes parece que falamos entre irmãs, amigas de verdade, com quem a gente se preocupa e a quem quer bem. Outras vezes as respostas tardam, inquieto-me, o que será feito? Estará tudo bem? E tenho vontade de escrever, saber se a vida profissional vai bem, se a vida pessoal também, e gostava de me sentir surpreendida, de receber boas notícias.
O tempo é-me muito curto. Tenho vinte e dois ou vinte e três dias de férias por ano, nem sei ao certo quantos são agora. Trabalho cerca de oito horas por dia ou mais. Para além disso tenho a hora do almoço e as horas para as deslocações. E tento fazer uma hora de caminhada por dia. Se levo a máquina fotográfica, essa hora dilata-se. E tenho as compras e as coisas da casa para tratar. E tenho uma família a quem sou chegada e por quem me distribuo. E ainda tento ler e tento manter disponibilidade para o cinema e para alguns passeios. Se pudesse passar sem dormir, ajudava - mas todos os dias algumas (poucas) horas de sono são inevitáveis. Todos os dias gosto de escrever aqui e como sabem, estico-me, escrevo, escrevo. 

Ou seja, não consigo responder a todos os mails que me enviam mas há alguns que, quando os vejo, me enchem de expectativa, mal abro a caixa de correio já vou na esperança de os ver e tomara eu ter todo o tempo do mundo para lhes responder logo de seguida, de conversar, de perguntar, de comentar o que disseram e de não ter receio de ser maçadora e perguntar, perguntar, na esperança que, nas respostas venham palavras raras, recordações sinceras como histórias de criança, ensinamentos, notícias de outras terras, de outras vidas, para eu me poder sentir transportada para jardins silenciosos ou casas frescas onde o sol se esconde por detrás de espessos cortinados. E eu misteriosa, oculta na sombra que o sol desenha no canto mais secreto da casa, a ouvir, encantada.

Gosto de conhecer pessoas, gosto mesmo muito de conhecer pessoas, de lhes descobrir a alma. No fundo, acho que tudo se resume a isso.




(Tanta conversa para uma conclusão tão simples, não é?)

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As fotografias são de Tim Walker

Antony and the Johnsons interpretam Bird Gerhl

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E eu permito-me relembrar que, a seguir, há mais dois posts, um sobre um homem com muita pinta que eu faço votos para que meta o Schäuble no bolso e outro sobre posições sexuais.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.

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Yanis Varoufakis deve ser o próximo Ministro das Finanças da Grécia e a mim palpita-me que vai dar luta, oh se vai, porque tem punch, muita pinta, muito carisma.


Bem, agora que, no post mais abaixo, depois de ter soltado umas copiosas lágrimas à conta do sofrimento do Kasper, já espaireci e já me animei mostrando algumas posições sexuais jeitosas (embora seja conveniente que, na hora, não haja tanta risota como no vídeo), aqui, agora, quero mostra-vos um fulano com punch. Convicção e carisma topam-se à légua e este Yanis Varoufakis parece ter para dar e vender.

Quando se fala de alguém que eu não conheço, gosto de os ir ver, de ver como falam, perceber se estão a construir um boneco ou se aquilo que dizem vem de dentro. 

E este tem pinta. Yanis, 53 formado inicialmente em matemática e estatística, professor de economia, tem pinta de lutador. E de sedutor.




Parece que vai ser o ministro das finanças do governo grego e, ou muito me engano, ou vai dar que falar. Claro que sabe do que fala, vê-se bem que sabe ao que vai mas, sobretudo, vê-se que irá até ao fim do mundo para levar a dele avante.

'Greece can start breathing again, growing' - Yanis Varoufakis | Channel 4 News



Yanis Varoufakis, set to become the next Greek finance minister says "this is not a chicken game" but Otto Fricke, former German MP says "Greeks must reform their country, somebody has to pay something."

Yanis Varoufakis explica



Só lhes desejo a eles, gente do novo governo da Grécia, bem como a toda a gente da Grécia, muito boa sorte para que, muito em breve, voltem a sentir-se donos do seu próprio futuro inspirando com o seu exemplo toda a velha Europa.

(E que se marimbem para todos os calcinhas desta vida que se acham melhores que eles e que tudo farão para lhes dificultar a vida)
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Permitam-me: sobre posições sexuais adequadas a casais já não especialmente ginasticados mas, ainda assim, amigos de uma voltinha à maneira, é descer, por favor, até ao post já a seguir.

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Quais as vossas posições sexuais preferidas? [E calma! Não sou eu a perguntar-vos que eu cá não sou de intrigas. É o realizador de um vídeo a perguntar aos pais]


Depois de já ter estado quase num pranto com os momentos finais do episódio do Borgen de hoje por causa daquela cena do Kasper Juul cá fora enquanto a Katrine descobria o seu segredo, fiquei mesmo a precisar de me rir. Bolas que está série é mesmo do caraças.

E, pronto, já me ri. O realizador de um pequeno vídeo pergunta aos pais, casados há 36 anos, quais as posições sexuais preferidas. 

A surpresa dos pais, as gargalhadas da mãe e o riso mais moderado do pai são contagiantes. Ora vejam e, de caminho, quem sabe não aprendem alguma coisita.


Sexy Charades: Genie & Ralph



Uma graça.

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segunda-feira, janeiro 26, 2015

Pela palavra mais limpa procurarei as ruas mais floridas, os caminhos mais frescos e perfumados


No post abaixo já disse, a quente, o que pensava do resultado das eleições gregas. Escrevi-o enquanto ouvia o datado (datado, não dotado) Marcelo Rebelo de Sousa, sempre cheio de truques na argumentação, tacticismos puídos, habilidades verbais esfiapadas. Ouço-o e já me parece uma caricatura dele próprio. Para comentar a vitória do Syriza engendrou uma narrativa que metia amigos a telefonarem-lhe e mais a teoria do dominó e a teoria já nem me lembro de quê, mas é indiferente porque o Alexis Tsipras se está nas tintas para as teorias dos amigos do Marcelo e porque, a bem dizer, a gente já começa a estar farta de tanto rodriguinho opinativo. O mundo é outro, as pessoas estão fartas de tanta conversa fiada. Falo no plural e devia falar por mim mas a verdade é que acho que este é um sentimento generalizado.

Quem, como eu, sempre achou que a política seguida nos últimos três, quatro anos é uma palhaçada que só ia dar em pobreza e que só ia contribuir para aumentar a sacrossanta dívida, é com revolta que olha para o desperdício que foram estes tempos.

Para os incautos e ingénuos que acreditaram que era com uma dose cavalar que se ia curar a saúde nem sei do quê, deve ser uma decepção perceber como foram enganados.

Para todos que ao longo destes anos andámos a ouvir o que as televisões nos vêm impingindo, com justificações rocambolescas que justificam uma coisa e o seu contrário, acho que já chega.

Por isso, é mais do que tempo de virar a página e tomara que tenha mesmo sido a Grécia, a democrata e bela Grécia, a dar o primeiro passo.

Mas, enfim, sobre isso falo no post seguinte.

Aqui, agora, a conversa é outra. Rêveries.


 Jardín de Monforte em Valencia, Espanha


Se estiverem de acordo vamos com Sonia Wieder-Atherton
Song In Remembrance Of Schubert




Caminho sob um céu de flores e a rua está empedrada e as pedras já polidas de tão percorridas e a sombra está perfumada e a temperatura está amena e há um braço de homem que me ampara e não é de amparo que falo é de cumplicidade porque uma sombra perfumada numa rua empedrada convida a um abraço e eu quero percorrer todos os caminhos com um braço em volta dos meus ombros, uma presença que não precise de palavras e uma pressão dos dedos na minha anca e eu saberei sempre o que significa essa pressão e quero-a sempre junto a mim.

E eu não me lembro. Onde foi isto? Terá sido numa aldeia dos Picos da Europa, numa esplanada numa quente tarde de verão, ou em Saint-Malo, tanto que eu gostei de estar sentada à sombra junto às muralhas de Saint-Malo, ou no sul de França, quente, perante um mar azul, e o alfazema tão fresco e perfumado, ou naquela rua estreita de casas brancas onde no Balcon de la Virgen se bebia vinho e se ouviam histórias de todo o mundo? Não me lembro. Talvez tenha sido em todas. Mas, também, não me importa a geografia das memórias.

Não preciso de alibis para trazer a paixão para os dedos que escrevem estas palavras porque eles são livres tal como livres são as minhas memórias e os sonhos do que está ainda por ser vivido.


Spello, Itália


Não me detenho no passado. Se penso nele, logo quero que se mantenha presente e logo quero viver no futuro outras sensações, iguais ou ainda mais ternas.

Itália no verão. Florença. Quero lá estar num próximo verão. E Espanha. Voltar uma e outra vez a Donostia, San Sebastian, terra da felicidade, ou a Barcelona para comer pão com azeite e tomate à beira dos mares do sul. Ou a França. Comer ostras frescas, a saber a ondas salgadas, em Dinan. Ruas frescas, vasos suspensos nas pontes e nas paredes, flores, sorrisos, a leveza da aragem perfumada.

Hei-de visitar outras cidades e logo procurar pelos seus jardins e passear sob as sombras das suas grandes árvores porque é nas árvores que se guardam as memórias do tempo que passa e hei-de procurar as ruas estreitas, e as casas antigas em cujo coração se guardam segredos e tesouros, e os caminhos gastos porque por ali passaram aqueles que, como eu, querem da vida o mel, o riso, os abraços e beijos, as palavras partilhadas, ou simplesmente intuídas, adivinhadas. E hei-de olhar as janelas entreabertas onde se vivem mistérios, amores clandestinos, ou onde famílias se sentam em volta de grandes mesas, conversando alto, rindo, fazendo planos, recordando outros tempos.

Hei-de esperar por cartas, por palavras desconhecidas, hei-de conhecer o que a vida tem guardado para mim, hei-de ir lá, aos quartos frescos e perfumados, às esplanadas que se escondem sob um céu de flores, onde uma mão sobre a mesa agarrará a minha, onde um olhar se afogará no meu, cúmplice, tão cúmplice.


Molyvos, Lesvos, Greece


E eu, que não sei soletrar a palavra saudade, bebo a água fresca do tempo presente querendo sempre que ele me leve até aos caminhos onde hei-de descobrir um sopro ainda mais suave, um arrepio gostoso na base da nuca, um afago doce no braço, um deslizar de dedos pelas costas, um indecente roçar a pele sob o cabelo que se espalha nos ombros, e que esses gestos se gravem em mim até ao fim dos meus dias e que a palavra mais limpa me apareça escrita como se tivesse sido inventada só para mim.

Para encontrar essa felicidade tão simples percorrerei todos os caminhos, irei até onde a brisa me traga notícias de ruas cobertas por flores, de esplanadas afáveis, de pedras do chão polidas por muitas mulheres procurando palavras, mulheres sonhadoras como eu, ou por desconhecidos solitários procurando um abrigo para os seus sonhos.


Nafplio, Peloponnese, Grécia


Para receber a palavra mais sentida, a lágrima mais verdadeira, o abraço mais amigo, o beijo mais verdadeiro percorrerei todos os caminhos, procurarei a sombra de todas as ruas cobertas por glicínias lilases ou buganvílias de cores indecentes, espreitarei os mais secretos jardins, ouvirei contar histórias de anjos inventados e amantes voadores, sonharei os mais loucos sonhos, soltarei palavras ao vento, deixarei que se vão os pássaros loucos, que se apaguem tristezas, saudades, sentar-me-ei com um livro, com mil livros se necessário for, escutarei as vozes de quem passa ao longe e esperarei que se acerque de mim quem venha com palavras limpas, verdadeiras com a alma de uma criança.


Jerez, Espanha

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As fotografias foram obtidas aqui numa página onde se podem ver as 15+ Of The World’s Most Magical Streets Shaded By Flowers And Trees. 
The Japanese observe the spring blossoms as a part of hanami - the appreciation of the transient beauty, pode ler-se lá.
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Relembro: sobre a vitória do Syriza falo no post seguinte.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

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Vitória do Syriza na Grécia. Um abanão dos valentes na apatia burocrática da Europa. Quanto tempo é que Passos Coelho, Paulo Portas, o cão com pulgas e todos esses de quem a gente se lembra bem do que têm andado a dizer, vão demorar até mostrarem contentamento com a vitória do Syriza e dizerem que 'Somos todos a Grécia'? Cá para mim, descarados como são, não vai faltar muito.


A propósito do post abaixo em que falei de pessoas que mentem com todos os dentes, mentem descaradamente, mentem sem se darem ao trabalho de disfarçar que são mentirosos e em quem, surpreendentemente, meio mundo acredita, a Leitora Rosa Pinto deixou o seguinte comentário:

A mitomania é uma distúrbio de personalidade onde o paciente possui uma tendência compulsiva pela mentira. Esta doença é também conhecida como mentira obssessivo-compulsiva.
Uma das grandes diferenças do mentiroso esporádico ou "tradicional" para o mitómano, é que no primeiro caso o indivíduo não tem resistência em admitir a verdade, enquanto o portador da compulsão por mentir usa a mentira em proveito próprio ou prejuízo de outro de forma imoral e insensível sem sentir necessidade de desfazer o engano.
O mitómano é o indivíduo que mente compulsivamente. Algumas vezes são pequenas mentiras, enquanto que outras vezes são pitorescas, elaboradas detalhadamente, que induzem o próprio mentiroso a acreditar nelas. Na mitomania o paciente usa a mentira de forma consciente para enganar pessoas e tirar vantagens, ele nunca admite suas mentiras embora tenha plena consciência de que são histórias imaginárias, e também não se constrange quando suas mentiras são descobertas.

Nem de propósito. Conhecemos todos muito bem alguns, todos os dias nos entram pela casa dentro. Estou a ver o noticiário e estou a ver um deles.

Pois bem, esta introdução feita, e ainda sem saber os resultados das eleições da Grécia mas sabendo-se já que o Syriza obteve a maioria dos votos, só posso dizer que os Gregos mostraram que são gente que preza a liberdade e a democracia, e que os tem no sítio. Sempre os tiveram, mesmo quando lhes não restava outra alternativa que não vir para a rua gritar, encher as ruas, chorar a plenos pulmões. Foram roubados, humilhados, sujeitos a toda a espécie de espoliações. Mas não deixaram que lhes roubassem ou espezinhassem a dignidade.




Quando surgiu a crise que começou por afectar dramaticamente a Grécia, numa altura em que qualquer pessoa com dois dedos de testa o que deveria ter feito seria cerrar fileiras e formar um cordão de solidariedade em torno dos mais frágeis, os cobardes lavaram as mãos. Por cá, a seita de Passos Coelho e Paulo Portas demarcou-se, marcou ainda mais funda a divisão, deixou que os urubus quase devorassem os gregos. Nós não somos a Grécia! - gritaram. E passaram anos a dizer isto. Ainda há pouco tempo, o pantomineiro-mor aí andou a apregoar: Nós não somos a Grécia!

Estúpidos, não viram que isso era o pior. Com essa cobarde atitude, não foram apenas os gregos que ficaram isolados, entregues à sua sorte, a carne viva a ser debicada pelos que se aproximam mal lhes cheira a carniça: foram também os portugueses e todos quantos viriam a ser vítimas desta austeridade absurda.

Se, na altura em que os juros da dívida na Grécia começaram a disparar, a UE mostrasse que estava ali para defender os seus e o BCE tivesse feito o que agora anunciou que vai fazer, não teriam sido precisos todos estes biliões. Com muito menos, comprando parte da dívida grega, teriam afastado os abutres e nada do que se veio a passar nestes últimos quatro anos se teria verificado.




Por isso, hoje, numa altura em a Grécia uma vez mais mostrou o que é um povo livre, sempre quero ver se todos os apoiantes da actual coligação, PSD e CDS, - que nos últimos dias, quais descarados pirueteiros, vieram aplaudir a medida de Draghi - têm igual falta de vergonha na cara para virem também aplaudir a vitória do Syriza. Não me espantaria pois nada me espanta já naquela gente.





NB: Não conheço bem o programa do Syriza. Do que tenho lido, parece-me ousado e fracturante embora tenha vindo a observar o abrandamento nas opções, mostrando que, na política, a arte do equilíbrio é uma virtude. Vamos ver como vai Alexis Tsipras avançar para não defraudar as expectativas do eleitorado e, ao mesmo tempo, não dar passos maiores que a perna. 


Quem diria há uns anos atrás que Alexis Tsipras (40 anos, engenheiro civil, juventude formada nas fileiras comunistas,  dois filhos) ia estar onde está hoje?
A Grécia, uma vez mais, vai à frente e mostra que a Europa ainda não está morta


De qualquer forma é sempre positivo pois é um abanão no status quo europeu, um abanão nos acomodados desta vida, nos que vão na cantiga de qualquer pantomineiro, nos cobardes que se agacham de cada vez que a bardajona da Merkel arreganha o dente. 

Contudo, para não me acontecer a decepção que tive com o Hollande em quem depositei esperança e que veio, afinal, mostrar não ser mais do que um insignificante frango do aviário da Merkel, vou esperar para ver.

Mas, independentemente disso, mesmo que não venha a ser o motor de arranque de um grande movimento de mudança de rumo que eu desejo nesta Europa amorfa e decrépita, esta vitória já vale por si - nem que seja apenas para mostrar que, contra o desânimo e a coluna vergada, há sempre a possibilidade de levantar a cabeça, cerrar os punhos, manter a coluna bem direita, caminhar sobre os próprios pés, traçar os próprios caminhos, caminhar em direcção ao futuro. 


Democracia é isto.

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domingo, janeiro 25, 2015

Pode um puto marado fazer-se passar por quem não é e enganar meio mundo? Pode, então não pode...? As pessoas andam sempre desejosas de ser enganadas, qualquer bicho careta o consegue.


No post a seguir a este já falei na moda dos calções e calças de crochet para homem e para mulher e mostrei uns modelitos para inspirar os menos criativos.

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra.


No prédio onde morei antes de morar na casa onde vivo agora, habitava, no andar por baixo do nosso, um casal com uma filha da idade da minha. A miúda volta e meia ia brincar para minha casa. Em contrapartida, a minha filha nunca queria ir brincar para casa dela pois dizia que não gostava dos pais dela, achava-os estranhos.

Os pais eram altos, porte erecto, ele de cabelo muito louro e muito curto, ar germanófilo, e ela era idêntica, loura, cabelo forte e curto, uma autêntica sargenta das SS. Mas o pior não era isso. O pior é que, volta e meia, a casa quase vinha abaixo com as discussões entre ambos. Gritavam um com o outro até mais não poder, atiravam portas, ouvia atirarem coisas que se partiam, um pavor. A voz dela ouvia-se em surdina mas o que ela dizia deixava o marido de cabeça perdida. Gritava-lhe com voz desesperada, furibunda, 'Oh Luísa! Tu não me digas isso!'. E lá ia mais uma coisa contra a parede. Outras vezes corriam um atrás do outro, deitando abaixo os móveis que se lhes atravessassem no caminho. Se fosse hoje, acho que chamava a polícia mas, nessas alturas, só me preocupava com o mal que aquilo deveria fazer à criança. Ficava eu e o meu marido muito calados, a ver o momento em que deveríamos intervir. 

Mais do que uma vez, ao chegar ao prédio, vi a miúda no hall, junto aos elevadores, ar meio perdido. Quando lhe perguntava o que estava ali a fazer, dizia que estava ali enquanto os pais conversavam. E, ao sair do elevador no meu piso, ouvia logo que tipo de conversa estavam eles a ter: mais um daqueles arranca-rabos em que metade dos bibelots ia à vida. Contudo, invariavelmente, quando os via na rua, ia o calmeirão com o braço por cima dos ombros da calmeirona, lampeiros, conversando e rindo como se fossem um casal feliz. 

Mas aquilo deve ter provocado uma pancada das valentes na miúda porque, já eu não morava lá, estava uma vez numa ourivesaria, entra a rapariguita, talvez tivesse uns quinze ou dezasseis anos. Não me viu e ainda bem. Dirigiu-se ao dono da ourivesaria, com voz de menina mas com ar convicto, e pediu para ver uma gargantilha de ouro que estava na montra. O senhor tirou a bela jóia, mostrou-lhe, ela mirou, remirou, ar entendido, ajustou-a ao pescoço, viu-se ao espelho. Depois, com ar igualmente confiante, disse: 'Obrigada, é muito bonita. Não vou levar agora porque não vim prevenida'. E saíu, passada forte, desenvolta.

Fiquei perplexa. Uma fedelha armada em mulher feita, sem se dar conta do ridículo. Contudo, para minha surpresa, o senhor que a atendeu não pareceu chocado com aquilo. Não se desatou a rir quando ela saíu, não disse 'há com cada maluco!', nada. 

Lembrei-me disto ao ler, há bocado, que um rapazito de 17 anos se fez passar por ginecologista num hospital durante um mês. Um mês! A coisa passou-se em West Palm Beach, na Florida, Estados Unidos e apenas um médico achou estranho que ele fosse tão novo. Mas até lá ninguém achou impossível que um puto já fosse médico, e ele andou a enganar todos quem com contactava na maior das facilidades.

Faz-me lembrar aquele outro rapazolas de quem muito se falou há uns três meses, o pequeno Nicolas, que enganou meia Espanha, apresentando-se como um influente homem de poder, bem relacionado. E, no entanto, olha-se e o que se vê é um puto. Como foi possível ter enganado tanta gente?

Transcrevo:


Francisco Nicolás Gómez-Iglesias, um burlão de 20 anos, fez-se passar por assessor do Governo e chegou a frequentar festas da realeza. Foi detido. 


O médico diz que tem uma personalidade delirante e megalómana.



Francisco Nicolás Gómez-Iglesias tem 20 anos, mas movimentava-se nos círculos do Partido Popular (PP) espanhol como um «peixe na água». 


Apresentava-se sempre bem vestido e bem-falante e talvez por isso ninguém tenha desconfiado. 


Dizia-se tão bem relacionado com o poder espanhol que até conseguiu estar presente na coroação de Felipe VI e apertar-lhe a mão. Mas agora descobriu-se que tudo não passava de um embuste. Francisco Iglesias foi detido a 14 de outubro, após cinco anos a inventar uma vida paralela e a enganar toda a gente. No rol de acusações constam suspeitas de falsificação, usurpação de funções públicas e esquemas fraudulentos.


Francisco Iglesias sonhava ser famoso e, para realizar esse desejo, colecionou fotos onde aparecia ao lado de figuras como o ex-primeiro-ministro José María Aznar, a autarca de Madrid, Ana Botella, a antiga presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, ou até mesmo, como já foi dito, a cumprimentar Felipe VI no momento da proclamação como rei de Espanha, à qual assistiu. 

Assistiu também a jogos na bancada VIP no estádio do Real Madrid ou no do rival Atlético, ao lado de Radamel Falcao, quando este ainda jogava no clube espanhol. 

(...)

Frankie, como o tratam os amigos, apresentava-se a quem ia conhecendo como alguém que ocupava um alto cargo numa qualquer instituição, fosse como assessor do Gabinete Económico do Palácio da Moncloa (a sede da Presidência do Governo de Espanha e a residência oficial do primeiro-ministro), dirigente do Partido Popular, ou representante das direções da Guarda Civil ou agente dos serviços secretos. 

Fê-lo sempre sem apresentar qualquer documentação.

(...)



E o artigo continua e nós pasmamos: mas não era óbvio que, com aquela idade (e aquela cara), o puto nunca poderia ser quem se dizia ser? Mas não. Por inacreditável que possa parecer, todos se deixaram enganar. 


Vídeo com: El pequeño Nicolás y el CNI




Vendo casos como estes, em que as pessoas aceitam acefalamente embustes tão facilmente desmascaráveis, percebe-se que se deixem igualmente enganar quando lhes dizem que foram culpadas pela crise financeira internacional ou que devem deixar os filhos partir para o estrangeiro, ver os ordenados ou reformas diminuídos, ou aceitar ficar a viver sem dinheiro, agradecendo o assistencialismo que lhes fornece a sopinha dos pobres. Aqueles dois casos de que falei (excluindo o caso da miúda minha vizinha) passaram-se respectivamente nos EUA e em Espanha mas poderiam ter-se passado em qualquer outro lugar onde os valores estejam virados do avesso e onde as pessoas tenham sido atacadas por essa estranha forma de cegueira que não tem origem em factores clínicos. A pior cegueira é a de quem não quer ver - é é bem verdade.


PS: E espero que hoje a Grécia dê uma lição aos palermas desta vida, especialmente aos que tão estupidamente têm passado estes anos de chumbo a apregoar que 'nós não somos a Grécia'.

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Aos poucos a vida vai voltando a entrar nos eixos e, depois de, este sábado, ter feito mais uma visita aos meus pais, este domingo vou ter de novo a casa cheia de pimentinhas e respectivos pais; e o riso dos meus meninos vai, de novo, soar e a desarrumação vai de novo tomar de assalto a minha casa que tão arrumadinha tem andado. Por isso, e porque tenho que preparar a amesendação para aquele bando de comilões e porque antes ainda farei a minha caminhada matinal, não posso agora dedicar-me a outros assuntos mais estimulantes, tenho que me ficar por aqui para me ir deitar.

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Bem. Relembro que modelos de calções e calças em crochet para todos, incluindo para homens, é já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

E, a propósito de um belo dia de domingo, para vós uma canção que, há mil anos atrás, gostava de ouvir nas manhãs de domingo. Ouvíamo-la alto e bom som e cantávamos também alto e bom som, muitas vezes enquanto nos balançávamos ou dançávamos. Nessa altura, tínhamos com frequência uns amigos lá em casa ao fim de semana e ele era um pândego, agarrava-se à mulher, a quem tratava por Mariazinha (apesar de o nome dela ser outro), cantando-lhe também a plenos pulmões este Um dia de Domingo.

Um dia de domingo - Tim Mais e Gal Costa


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A nova moda para homem: calções em crochet. Coisa indicada para esposas devotas e namoradas prendadas fazerem elas próprias para oferecerem aos seus mais-que-tudo.


Durante anos, enquanto via televisão, entretinha-me a fazer tricot. Fiz camisolas e casacos para os miúdos, pullovers para o meu marido, blusas fantasiosas para mim algumas das quais ainda visto quando estou in heaven. Inventava modelos, misturava cores, uma fartura.

Pelo meio fazia também crochet: colchas de renda, mantas de lã, panos de tabuleiro, toalhas de chá. 

Isto foi antes dos Arraiolos que fiz em barda, tapetes, tapetinhos, carpetes e carpetezonas. Pelo meio ainda bordei pequenos desenhos em cetim de várias cores, prendendo e esticando os tecidos em bastidores redondos, com linhas de seda de cores vibrantes, e que depois exibia em pequenas molduras. Ia desenhando enquanto bordava, desenhos abstractos, ou pequenas flores igualmente abstractas.

Depois o meu filho ofereceu-me um cavalete e tintas e desatei a pintar. Pintei telas de todo o tamanho e feitio, enchi a casa de quadros, pintei para os meus filhos, para os meus pais, cheguei a oferecer e ainda tenho um armário cheio deles. 

Pelo meio, algures no tempo, parei com esses labores pois já não tinha destino a dar a tanta coisa e desatei a escrever. Punha-me, então, ao computador, e enquanto todos dormiam, escrevia como se não houvesse amanhã. Por segurança, guardava em disquetes. Agora os computadores já não lêem disquetes nem eu sei onde elas param e os computadores dessa altura já foram à vida. Ou seja, grandes romances perdidos por aí.

Até que, mais recentemente, resolvi virar-me para isto da escrita nos blogues e o que era uma mera curiosidade virou um hábito que me prende diariamente. E, por isso, agora já não tenho tempo para as outras criações artísticas.

Contudo, ao ver a nova moda que aqui vos vou mostrar, não sei se não vou abrir uma excepção. Estou bem capaz de fazer um intervalo nisto do blogue e atirar-me de novo ao crochet.

Já estou até aqui a pensar numas cores e num modelitos jeitosos para fazer para o meu marido, para o meu filho e demais rapaziada da família.

Ora vejam as minhas amigas se não deveriam seguir o meu exemplo para também fazerem uma surpresinha aos vossos queriduchos. E os meus leitores homens não se acanhem: peçam a alguém para vos fazer uns calçõezitos destes, ou encham-se de brios e façam-nos vocês mesmos. As meninas também os poderão usar, bem entendido. 


de Schuyler Ellers na Etzy


Também estou capaz de fazer umas calças giras para o Passos Coelho ou para o Paulo Portas - já que são uns descarados vira-casacas, é bom que tenham roupa para mudarem de visual para mostrarem que os que por aí andaram a desfazer o país, a empobrecer os pobres, a passar as maiores empresas a patacos não era eles, eram outros, uns enfatuados que se faziam passar por eles mas que eram outros.

Estas aqui talvez assentem bem no vice-irrevogável Paulo Portas, giras, à boca de sino, todas fashion:




E estas para o Láparo-mor, essa sinistra criatura que matou e esfolou e que agora é mais um dos descarados que diz que a medida do Draghi é possível porque ele fez o trabalho de casa. Santa ignorância.




E pronto, é isto. E agora mãos à obra que quero ver os machões da minha terra todos vestidos à moda, lindos, fofos.


sábado, janeiro 24, 2015

Carrilho quis matar a família e suicidar-se a seguir? O filho de Manuel Maria Carrilho ajudou a Bárbara Guimarães? O ex.ministro tirou fotografias à ex-mulher quando ela tomava banho (nua, claro) e ameaçou-a de publicar essas fotos em sites pornográficos? E mais...? A baixaria vai até onde? O ódio tem que ser exposto assim junto da opinião pública? A violência tem que ser banalizada desta forma? - Ninguém os trava?


Se no post abaixo falei das contas públicas e dos efeitos colaterais da eficiência desgovernativa desta seita que nos desgoverna, no seguinte tento desanuviar partindo para a revelação do segredo do milhão de dólares, a razão da separação entre o CR7 e a curvilínea Irina.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, vou ter que falar uma vez mais num assunto que me incomoda e de que maneira.

Full Moon and Empty Arms

(Bob Dylan -  Shadows in the Night)



And next full moon
If my one wish comes true
My empty arms will be filled with you



Já não é a primeira vez que aqui falo deste assunto e tinha decidido não voltar a ele. Acontece que, tendo estado há bocado a fazer as compras semanais no supermercado, vi a Bárbara Guimarães e o Manuel Maria Carrilho nas capas das revistas e foi com alguma apreensão que constatei que o ódio entre ambos vai subindo de tom.


Curiosa, fui agora ver na net se havia mais notícias

E há. Ele a defender-se usando o facebook dela, novas acusações de agressões com o namorado dela a defendê-la, e agora o filho dele já é usado contra o pai, e depois o filho a desmentir, e graves acusações sobre o que ele terá feito e que envolve facas, ameaças de morte, ameaças quase de chantagem e sei lá que mais.



Este sábado a história de Bárbara e Carrilho, do amor ao ódio sem limites, é capa de jornal no i.


Transcrevo:

Em 2005, a família feliz e perfeita era, assumidamente, um dos trunfos da campanha de Carrilho na corrida à Câmara de Lisboa.


Quase uma década depois, a meticulosa gestão da exposição mediática do casamento entre o antigo ministro da Cultura e a menina dos olhos da SIC desabou. Carrilho, que acabou por não ganhar as autárquicas, tem dado entrevista atrás de entrevista sobre o lado negro da relação com Bárbara Guimarães. Já falou do suposto alcoolismo da ex-mulher e até da morte do cão da família. Revelou segredos do passado e nem os sogros escaparam às acusações de problemas com o álcool. Se é impossível determinar a origem do amor, mais difícil ainda é adivinhar como irá terminar um dia. E a história de Bárbara Guimarães e Carrilho – escrutinada na imprensa por se tratar de duas figuras públicas – não é em nada diferente de milhares de outras, anónimas e que terminam em violência.

E mais.


Lê-se e não se acredita: fotografias, ameaças de enviar as fotografias para sites pornográficos. E tudo os jornais reproduzem. Não sabemos quem fala verdade já que contam versões contraditórias. Tento não fazer juízos precipitados. Por exemplo, pergunto-me: isto das fotografias, não teria sido brincadeira dele numa altura em que ainda estivessem bem e que agora esteja a ser usado para o denegrir ainda mais? Ou será mesmo verdade? Será ele um perigoso psicopata? Ou ela uma paranóica? E é normal que Portugal inteiro saiba destas coisas? Para que andam eles a revelar ao mundo estes sórdidos aspectos da sua vida pessoal?



Depois de uma aparente acalmia, assiste-se a um novo reacender da fúria devoradora que parece ter tomado conta deles. E, uma vez mais, as 'informações' chegam de ambos os lados aos jornais e revistas. Denúncias, acusações graves, revelações que assustam. E de toda a roupa suja as revistas e jornais são estendal.


E eu interrogo-me: quando a Bárbara Guimarães ou o Manuel Maria Carrilho divulgam junto da imprensa estas vergonhas, não pensam nos filhos? Não lhes ocorre pensar no sofrimento que isto deve ser para as crianças? E mesmo que a menina, por ser pequena, ainda não se dê conta, não tarda saberá ler ou alguém lhe dirá o que se passa.

Que há muitos casos assim, de amores que derrapam e acabam transformados numa incontida raiva e num ilimitado ódio, sabemo-lo bem. E muitas vezes o desenlace é fatal.

Mimi, assassinada pelo marido, vitima de violência doméstica

Ainda esta semana mais uma mulher foi morta a golpes de faca pelo marido que não queria aceitar a separação. Sabemos também agora que Maria Pinheiro, a mulher de Setúbal, já antes tinha apresentado queixa na Polícia. Foi considerado um caso de baixo risco e voltou para casa. Mãe de dois filhos universitários, Maria Pinheiro sorri na fotografia que o jornal utiliza ao divulgar a notícia.


Por cada mulher morta, quantas outras sofrem em silêncio, sorrindo para disfarçar o medo que as consome?

E, até por isto, jamais revista ou jornal algum deveria divulgar acusações como as que Bárbara Guimarães ou Carrilho fazem um ao outro. Já antes aqui o disse: o que andam a fazer é a cobrir a violência doméstica com a patine do glamour, é banalizar e quase legitimar a violência psicológica e física. A banalização do mal conduz à aceitação do mal.

Pergunto-me: não têm amigos ou familiares que os chamem à razão?

Se não conseguem entender-se de maneira nenhuma e já têm que ser os tribunais a decidir por eles, ao menos que o façam no silêncio dos gabinetes dos advogados, nas salas dos tribunais, não na praça pública. É que, a continuarem assim, olho por olho, dente por dente, vinganças atrás de vinganças, emoções descontroladas, é de temer o pior. E não é apenas pior para eles, é também para os filhos e familiares próximos e é, também, o péssimo exemplo que dão. Numa altura em que quase deveria haver um pacto entre os órgãos de comunicação social para não exporem episódios de violência de forma a que as agressões, as injúrias e as ameaças pareçam normais, o que vemos é as capas de revistas de grande tiragens a descreverem ao pormenor as acusações mais gravosas e íntimas que se podem imaginar.




A violência doméstica é uma coisa que me perturba e sei que é uma realidade complexa, dolorosa. Muitas vezes quem mata, mata-se a si próprio a seguir - uma destruição infeliz, um não-sentido, uma dor para quem fica, filhos, pais, irmãos. E sei que quem é agredido muitas vezes não sabe para onde ir ou esconde porque não quer que a família sofra ou que os amigos desconfiem ou, tantas vezes, acredita que não voltará a acontecer ou que o agressor agrediu por excesso de amor.




Mas há que arranjar soluções, procurar ajuda e, sobretudo, a sociedade tem que condenar com firmeza e veemência os agressores.

E, no caso Bárbara contra Carrilho e vice-versa, o que desejo é que cheguem a um rápido entendimento e ponham fim a esta exposição pública que deve ser um sofrimento para os próprios e para os que lhes são próximos e que é um péssimo exemplo para a sociedade e, em especial para aqueles que são propensos a actos de selvajaria. Que isto acabe e acabe bem, antes que seja tarde demais.

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Relembro que há mais dois posts por aí abaixo e não digo quais são porque já estou a dormir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado tão bom quanto possível.

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Défice de 2014 melhor do que o esperado. Palmas! Palmas! --- [... o pior são os detalhes. Como sempre o diabo está nos detalhes: quantos desempregados ficaram sem receber subsídio de desemprego? quantas pessoas tiveram que emigrar e viver longe das famílias? quantas pessoas morreram nas urgências? quantas crianças perderam o abono de família? quantas pessoas tiveram que emigrar? quantas pessoas tiveram que passar a comer a sopa dos pobres? quantos alunos do ensino especial foram postos de lado? quantos professores ficaram meses sem receber o ordenado?... etc, etc, etc.]


O que levou o Ronaldo a separar-se da Irina descobriu-o Marcelo Rebelo de Sousa - esse extraordinário e multifacetado comentador, eterno putativo candidato a qualquer coisa -  e o vídeo em que a revelação acontece está no post a seguir.

Aqui agora, embora seja sexta-feira e à sextas-feiras não costume dar-me para as coisas sérias, tenho que falar do maravilhoso resultado atingido pelas contas públicas. Sempre que hoje andei de carro - e as horas que hoje andei metida no carro! - ouvi tecer loas às maravilhas das contas, ao défice que foi menos mau do que o expectável, ao bom que isso vai ser para o futuro.

Chego agora aqui e, ao dar uma volta pelos jornais online, logo vejo também OE 2014: Défice cai para 7.075 milhões, melhor que o antecipado pelo governo

E, no entanto, não apenas muito disto foi à custa do esbulho fiscal e do empobrecimento geral junto de quem paga impostos como o investimento público foi ignorado, a saúde está no caos, há professores sem receber ordenado, foram cortados milhares de abonos de família e sei lá que mais.

Gerir assim qualquer burro sabe fazer. Difícil é gerir bem, sem roubar  gente honesta e sem dar cabo da vida de ninguém.




Leio no Observador que: Serviço Nacional de Saúde fecha ano com saldo positivo e menos dívidas aos fornecedores


Mas poderá alguém alegrar-se com isto? Para que houvesse esse saldo positivo quanta coisa foi sacrificada, quantas pessoas sofreram?


Por exemplo (a propósito de uma reportagem da TVI):

São imagens exclusivas filmadas nos últimos dias nos corredores de cinco hospitais da Grande Lisboa - Amadora-Sintra, Garcia de Orta, São José, São Francisco Xavier e Santa Maria - que mostram macas alinhadas nos corredores e doentes espalhados por toda a urgência. Nestes hospitais, os tempos de espera em alguns casos chegam a ultrapassar as 30 horas. 


Testemunhos recolhidos por uma equipa da TVI dão conta de um cenário de «campo de batalha» em pleno hospital Amadora-Sintra «semelhante ao que é visto nos filmes» e enfermeiros e médicos admitem que «não é possível dar assistência a todos os doentes».

Paulo Macedo liga ao Papa Francisco - do blog Raim
«Como temos mais de cem doentes internados em SO, uma área de ambulatório com mais de 150 doentes, é impossível chegar a todo o lado, não conseguimos dar assistência a todo o lado. Perde-se a noção dos doentes que temos, dos que são críticos, por mais seletivos que sejamos, é impossível, porque nem espaço físico temos para isso», confessa um profissional de saúde.

«Chegam-nos a passar em oito horas de turno centenas de doentes», revela outra profissional, acrescentando: «As macas estão lotadas, chegamos a ter de pôr macas dos bombeiros que estão à espera, porque já não há macas no serviço de urgência».

(...)



E uma reportagem da SIC quando o número de mortos nas urgências já ia em sete






No final de Dezembro havia 306.062 pessoas a receber prestações de desemprego, menos 70.860 do que no ano anterior e menos 663 pessoas do que em Novembro. Os números foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto de Segurança Social e mostram que mais de 57% dos 713,7 mil desempregados apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) não têm acesso a estas prestações.

(...)





E poderia ainda falar no investimento público que está parado, comprometendo a economia e o futuro. Ou da notícia do Expresso deste sábado de que num ano cerca de 40.000 crianças perderam o abono de família. Ou perguntar: não há investimento novo há quanto tempo?

Como pode haver recuperação económica e criação de emprego sem investimento nem privado nem público?

Não há uma única aposta deste governo a não ser na destruição. Não construíram nada, apenas destruíram.

Que demência esta forma de gerir um país! Que indigência moral a destes ignorantes que, a troco de nada, tem vindo a fazer sofrer tanta gente!

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Para distrair, não se esqueçam: o vídeo abaixo é muito revelador sobre o que levou Irina a dizer bye-bye ao CR7 (ou vice-versa).