quinta-feira, setembro 25, 2014

Passos Coelho, Primeiro-Ministro, diz que agora, com isto dos fundos europeus, não se podem cometer os mesmos erros do passado. Pois, pois, bem prega Frei Tomás. E é que ele sabe bem do que fala. Veja-se o que fez com os ditos fundos no âmbito da Tecnoforma e da ONG que formou.




O Primeiro-Ministro falou sobre os fundos europeus para 2014-2020


Passos Coelho garante a correcta utilização dos fundos europeus


Pedro Passos Coelho, considerou também, na sua reflexão sobre os fundos europeus de convergência, que Portugal nos últimos anos, desperdiçou oportunidades criadas por esses fundos e afirmou que o Governo pretende investi-los melhor, assegurando que têm retorno para a economia, incluindo no caso das infra estruturas.

(...)

Segundo o Primeiro-Ministro, isso significa que “nem todo o financiamento que foi colocado à disposição de Portugal para convergir com a média dos seus parceiros europeus foi bem-sucedido”, o que “obriga a tirar conclusões”, algumas delas muito negativas.

(...)

Passos Coelho concluiu que Portugal precisa de “investir melhor esse financiamento do que aconteceu no passado” e de “não desperdiçar as oportunidades” que os fundos europeus apresentam.



[Excertos do Povo Livre, jornal do PSD, datado de Fevereiro de 2014]


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Pois, pois. Recuemos no tempo. Vejamos o que andou ele a fazer com os ditos fundos europeus não apenas enquanto deputado em regime de exclusividade como, depois, enquanto administrador dessa próspera e bem gerida empresa que dava pelo nome de Tecnoforma.


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Passos Coelho criou ONG financiada apenas pela Tecnoforma


Pedro Passos Coelho foi o principal impulsionador, em 1996, de uma organização não governamental (ONG) concebida para obter financiamentos destinados a projectos de cooperação que interessassem à empresa Tecnoforma. 

A organização, denominada Centro Português para a Cooperação (CPPC), funcionava em Almada, na sede daquela empresa de formação profissional, da qual Passos Coelho se tornou consultor em 2002 e administrador em 2006. Entre os seus membros figuravam Marques Mendes, Ângelo Correia, Vasco Rato, Júlio Castro Caldas e outras destacadas figuras do PSD.

A organização tinha por objecto “o apoio directo e efectivo a programas e projectos em países em vias de desenvolvimento através de acções para o desenvolvimento, assistência humanitária, protecção dos direitos humanos e prestação de ajudas de emergência”.

No entanto, os três únicos projectos por ela promovidos que o PÚBLICO conseguiu identificar foram desenvolvidos em Portugal entre 1997 e 2000 e foram financiados em cerca de 137 mil euros pelo Fundo Social Europeu (FSE) e pela Segurança Social.

Apesar da escassa actividade de que há registo público, a associação ocupou desde 1996 e pelo menos até 2001 um amplo escritório da Tecnoforma em Almada, pagando a empresa uma remuneração regular a alguns dos seus dirigentes e pondo ao seu serviço várias viaturas, nomeadamente um BMW e um Audi



[Excertos de um artigo da autoria de José António Cerejo publicado em Dezembro de 2012 pelo Público.]


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O Pedro é que abria as portas todas



[No fim do ano passado, Fernando Madeira, o ex-sócio maioritário da empresa Tecnoforma, foi ouvido como testemunha no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que está a investigar projectos de formação profissional pagos à empresa com fundos comunitários. Com 69 anos, o empresário reformado respondeu às perguntas do Ministério Público (MP), que quis sobretudo saber os pormenores da criação do Centro Português para a Cooperação (CPPC), uma organização não governamental (ONG) financiada pela Tecnoforma e que foi dirigida nos anos 90 por Pedro Passos Coelho.]



Porque é que decidiu fundar em 1996 o Centro Português para a Cooperação, uma organização não governamental? 
Nós, na Tecnoforma, trabalhávamos sobretudo em Angola e começámos a sentir que havia problemas em avançar com alguns projectos na área da formação profissional. Pensámos que poderíamos resolver esses problemas se abríssemos uma ONG, pois estas organizações eram mais baratas em termos de pessoal e tinham mais facilidade de acesso a verbas e a financiamentos da então Comunidade Europeia. Na altura, falei com o sr. Sérgio Porfírio, que era meu director comercial na Liana [empresa do grupo Tecnoforma] e ele disse-me que tinha umas pessoas que podiam estar eventualmente interessadas em participar. Quem é que depois o Sérgio me apresentou? O advogado João Luís Gonçalves [ex-secretário-geral de Pedro Passos Coelho quando este dirigiu a JSD entre 1990/95] e depois o sr. Pedro Passos Coelho. 

O senhor não conhecia Pedro Passos Coelho nessa altura? 
Não, nada, nada. 

Mas sabia que ele tinha dirigido a JSD e que era deputado do PSD? 
Sabia, claro. 

E quando é que falaram pela primeira vez? 
Tivemos um primeiro encontro, acho que em 1996, num restaurante no Porto Brandão [concelho de Almada]. Almoçámos e falámos do que é que se pretendia. 


Marques Mendes (na foto) esteve na escritura do CPPC?
Sim, esteve lá. A única coisa que lhe digo é isto: paguei muitos almoços e jantares. Eu estava com o Pedro talvez de 15 em 15 dias ou uma vez por mês. Ele também aparecia na sede da Tecnoforma, mas era mais em restaurantes. Ou então íamos beber um copo. Ele vivia ainda em Campo de Ourique com a Fati [Fátima Padinha, do grupo as Doce e primeira mulher de Passos Coelho]. 

Também se encontrava com ele na Assembleia da República? 
[Pausa] Encontrei -me com o Pedro várias vezes no parlamento, acho que era no grupo parlamentar do PSD. 

Quando convidou Passos Coelho para presidir à ONG prometeu-lhe um ordenado, uma avença ou qualquer outro pagamento? 
Vou pedir-lhe para parar a gravação. 

Reinício da gravação (13 minutos depois). 



Pedro Passos Coelho era remunerado pela ONG ou pela Tecnoforma? 
Eu não me recordo de remunerações, não me recordo. Só posso dizer que as despesas que envolviam os custos do CPPC eram todas pagas pela Tecnoforma. 

Ele não tinha remuneração oficial, é isso? 
Não havia contrato nem nada. 

O que não quer dizer que não lhe pagasse.
Eh pá, isso já não me recordo. É um bocado arriscado estar -lhe a dizer e era grave. Não me recordo, já foi há tantos anos. 

Acabaram por fazer algum projecto em África ou em Portugal? 
Negativo. 

Depois de tantos almoços e ideias, porque é que isso não aconteceu? 
Existe um processo de maturação nas empresas e nas organizações. Penso que na altura em que havia condições para o fazer, foi quando vendi a empresa. Este género de coisas não se faz logo, demora tempo. 

Depois de vender a Tecnoforma em 2001, e de Passos Coelho ter sido contratado para consultor e depois para presidente da empresa, a facturação da Tecnoforma aumentou bastante em Portugal. Um dos projectos responsáveis por isso foram as acções de formação financiadas pela União Europeia, como o programa Foral, um caso que está a ser investigado hoje pelo Ministério Público (MP). 
Disso já não sei nada. 



[Excertos do artigo de António José Vilela da Sábado de Maio de 2014]


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Um Best of - Passos Coelho em acção (mentiras, mentiras, mentiras)




E o senhor primeiro-ministro não quer uma enxadinha, troloro, troloro?

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Sim, como?

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quarta-feira, setembro 24, 2014

Passos Coelho enganou a Assembleia da República? Enganou o fisco? Foi consultor pago pela Tecnoforma e, apesar disso, recebeu um subsídio como se tivesse sido deputado em regime de exclusividade? Não sei e duvido que alguma coisa se prove. O que não é grave pois grave é outra coisa.


No post abaixo já falei do terceiro e último debate entre António Costa e António José Seguro, um debate que deixou a nu a natureza mesquinha e inesperadamente sinistra deste último. Para quem idealize um regime assente no respeito, na dignidade, em alguma elevação moral e estética, na liberdade e na democracia, terá ficado ainda mais claro quem deverá ser sumariamente afastado da liderança do Partido Socialista e, mesmo, do panorama político português.

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra e é igualmente séria. 

Refiro-me às suspeições que estão na ordem do dia relativas a Passos Coelho.






Ele há coisas que só não existem porque não se fala delas. No dia em que algum dos que sabe ache que tem mais a perder se não disser do que se falar, aí rebenta a bronca e as coisas passam a existir.

Pode também acontecer que as coisas venham a lume mas passem despercebidas, talvez as pessoas andem preocupadas com outras coisas. Mas é difícil esconder cadáveres no armário. Ao fim de algum tempo, o seu cheiro volta a ser notado.

Só que, ao falarmos nisto, estamos em piso escorregadio. Ninguém se arrisca a andar à vontade em piso assim.

Tantas coisas de que há tanta gente que as saiba e que, no entanto, é como se não existissem. Quem, quanto, quando. Mas umas já prescreveram, outras quem é que quer dar a cara e meter-se em trabalhos? Onde é que estão as provas? Na maior parte das vezes não há. Dinheiro que é pago por fora, que não deixa rasto, como se vai depois atrás dele? Não vai. Dificilmente vai.  Quem denuncia ainda acaba metido em sarilhos, acusado de difamação. Manda a prudência que, quem sabe, pense duas ou três ou cem vezes antes de falar.

Se uma empresa pagar luvas a alguém, nos registos da empresa isso aparecerá como despesas confidenciais ou outras rubricas, ofertas a clientes, despesas comerciais, despesas de marketing, deslocações, etc, e não há nada escrito que relacione o gasto com o seu destinatário. Ou outro caso, não luvas mas alguém receber por fora, fuga ao fisco: a coisa pode ser feita através da apresentação de despesas que são contabilizadas como despesas variadas da empresa e nada as relacionar fiscalmente com quem as apresenta e com quem recebe o respectivo pagamento. E estou a falar dos casos mais decentes. 
Mas quantas empresas não terão ainda o célebre 'saco azul', dinheiro em notas num cofre, dinheiro que entra e sai sem registo contabilístico e fiscal? 
Em qualquer dos casos, contudo, ninguém conseguirá provar o que quer que seja (a menos que alguém, logo na altura em que as coisas ocorrem, faça gravações, obtenha fotocópias de algum recibo manual - coisa que geralmente também não haverá -, obtenha prova de depósitos bancários em numerário sem explicação natural. Tudo coisas improváveis, especialmente, quinze anos depois.


No caso vertente - em que o próprio dono da Tecnoforma diz, preto no branco, que houve pagamentos a Passos Coelho mas não diz de que forma - como se pode chegar a uma conclusão inequívoca? Só através de testemunhos, e aí será palavra contra palavra. 


Não conheço o caso pelo que, o que eu disser, apenas o posso dizer a título geral, em abstracto, referindo-me a quaisquer pessoas em iguais circunstâncias.

Se uma pessoa não estava ‘registada’ na empresa como funcionária ou avençada e, por exemplo, recebesse 'por fora' (isto é, por exemplo, como pagamento de despesas, sem ser detectado fiscalmente), como prová-lo agora, tantos anos depois? Podem recolher-se testemunhos - mas provas factuais, tantos anos depois, já não deve haver, aliás deve ser quase impossível que haja.

O que nós, espectadores da situação, detectamos são contradições. E contradições que incomodam. Se Passos Coelho estava como deputado em exclusividade, não poderia ter recebido dinheiro da Tecnoforma.  Se recebeu, não deveria ter pedido a verba de reintegração (dinheiros do estado, claro) alegando que estava em exclusividade. E, se recebeu, deveria ter declarado para efeito de impostos. Ou seja, dá ideia de que, de uma forma ou de outra, prevaricou. Pode dizer-se que naqueles meios, então no PSD daqueles anos, coisas dessas eram mato. Pode a esta distância falar-se em escrúpulos? Não diz o senhor de Tecnoforma que ele, Passos Coelho, conseguia o que queria, que se mexia bem? Entre o Relvas, o Marques Mendes, o Ângelo Correia, o Isaltino, e outros do género, a coisa estava bem oleada e o Pedro estava lá mesmo para isso. Receber ou não receber dinheiro da Teconforma era pormenor no meio de todas aquelas movimentações, daqueles esquemas.


Transcrevo: O projecto precisava também da aprovação de Isaltino, era o presidente da Câmara de Oeiras. O Pedro desbloqueou isso, fez o papel que se esperava dele.

Uns assim, outros assado, todos se iam orientando – e bem. A chatice é que este menino, o Pedro, é o mesmo que, ordenado primeiro-ministro, enche o peito de ar e vem clamar moralidade, dizendo que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, que têm que empobrecer, que têm que deixar de ser piegas. E que, à pala de toda essa moscambilhada moralidade, deu cabo do País.

Estes são os meninos que ainda por aí andam, uns no governo, outros nas televisões, a pregarem contra os pobres desgraçados reformados que nas bocas deles é como se vivessem como uns lordes, contra os desempregados que deveriam era sair da sua zona de conforto e irem morrer longe, em vez de quererem a esmola de uns trocos para sobreviver.

Estes são os meninos que acumulam o lugar de deputado com toda a espécie de movimentações, uns a trabalharem em bancos, outros em escritórios de advogados, outros em administrações ou conselhos fiscais de empresas, pagos com senhas de presença ou prebendas não declaradas, que usam a Assembleia da República como uma plataforma onde se estabelecem contactos e se ajeitam leis para deixarem brechas interpretativas para poderem dar para isto e para o resto.

Passos Coelho diz agora, peito feito como sempre, que vai pedir à PGR que investigue a sua situação na altura e que, consoante as conclusões, saberá retirar consequências e ilações. Pode dizê-lo tranquilo. Ele sabe tão bem quanto eu, que, tantos anos depois, será impossível provar factualmente, documentadamente, se fez ou não o que não devia.

Leio o que o dono da Tecnoforma diz e penso que percebo o que ele quer dizer:

Estou convencido de que ele recebia qualquer coisa, mas não posso falar em valores porque não posso provar nada. Agora se era para pagar deslocações, telefonemas ou coisas parecidas, não sei.

Ou seja, pode ter sido aquilo de que falei: facturas de deslocações (dele ou da família), de viagens, de restaurantes, de gasolina, de telefones, de compras diversas, até perfazerem os montantes acordados, Ou seja, se for isso, impossíveis de rastrear como sendo dele já que são registadas na contabilidade de forma despersonalizada. Além disso, leio que o contabilista da Tecnoforma dessa altura já morreu. Impossível de obter provas do que quer que seja. Pedro Passos Coelho sabe disso. Esteja ou não inocente, ele sabe que nada se provará. Por isso, está à vontade.

Contudo, para mim - e por isso já aqui disso falei antes pelo menos duas vezes e hoje volto a falar - o que mais me incomoda é o seu papel como facilitador privado, abrindo portas, agilizando processos, oleando circuitos de decisão, obtendo negócios. Estava como deputado (ao que ele invocou para receber uns milhares para 'reintegração', em regime de exclusividade) e, conforme noticia a Sábado e agora todos os jornais, e segundo diz o dono da Tecnoforma, ao mesmo tempo a arranjar negócios para uma empresa que vivia de verbas públicas arranjadas por um amigo, por amigos do partido.

Repito o que já transcrevi no outro dia:

Em entrevista à Revista Sábado, Fernando Madeira diz que o objectivo de Passos Coelho em rodear-se de personalidades influentes era "abrir ou facilitar a vinda de projectos para a ONG no âmbito da formação profissional e dos recursos humanos, e que depois esses projectos pudessem ter a participação da Tecnoforma".
O ex-sócio maioritário da Tecnoforma refere que o actual primeiro-ministro chamou para fazer parte dos órgãos sociais do Centro Português para a Cooperação - uma organização não-governamental (ONG) financiada pela Tecnoforma - "pessoas com influência", como o então líder parlamentar do PSD, Luís Marques Mendes, e os também social-democratas Ângelo Correia e Vasco Rato (nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana). 
 O empresário garante que Passo Coelho sabia que a ONG era criada com esse intuito e conta pormenores de um encontro com o então comissário europeu João de Deus Pinheiro e de um negócio fechado com Isaltino Morais.
O ex-dono da Tecnoforma, antigo patrão de Passos Coelho, admite que criou uma ONG com o objectivo de candidatar projectos a financiamento comunitário, que depois teriam a participação da sua empresa. Passos abria "todas" as portas para estes negócios, garantiu à Sábado
Grave é termos um deputado como era Passos Coelho que, ao mesmo tempo que era deputado, a ser verdade o que o ex-patrão disse, era pago por essa empresa porque abria "todas" as portas para os negócios (até parece que estamos a ouvir falar de uma outra face oculta), grave é haver deputados que, em vez de estarem a representar quem os elegeu, estão ao serviço de empresas que lhe pagam para se movimentarem entre gente influente que desbloqueia processos, arranja financiamentos, gente instalada em lugares públicos (autarquias, comissão europeia, etc), uma promiscuidade fétida, gente que, mais tarde, vem bater com a mão no peito enquanto insulta a honestidade e hombridade dos outros. 

Isso é que é grave.

Grave é termos a comunicação social cheia de influentes comentadores que sabem demais e que se fazem passar por isentos e impolutos, manipulando a opinião pública. 

Grave é sermos um povo de gente trabalhadora e honrada que é governada por um grupo de gente desclassificada.

Grave é haver tanta gente desempregada e emigrada, tantos velhos na miséria, e termos um primeiro-ministro que despreza o povo que governa, que despreza o saber, que se refere ao sistema de ensino como uma salsicha educativa, um primeiro ministro que nos envergonha de todas as maneiras, que nos prejudica, que compromete o nosso futuro. Um primeiro ministro que, não fossem nefastas as consequências dos seus actos, seria uma anedota. Isso é que é grave.


Mas tomara que seja por muito pouco tempo e que, não tarde, Passos Coelho se veja forçado a sair da sua zona de conforto e que vá para longe, para onde a gente se possa rapidamente esquecer dele,


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Relembro: já aqui a seguir poderão ver fotografias e a minha opinião sobre o último debate entre os Antónios (que, apesar de irem vestidos de igual, são diferentes e imiscíveis como a água e o azeite), um debate com uma inusitada crispação. E com uma revelação: Seguro é ainda pior do que pensávamos.

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As imagens foram obtidas na internet e desconheço a sua proveniência original excepto da última, que provém do blogue 77 Colinas.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira.


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Último debate entre António Costa e António José Seguro, na RTP, com este último a mostrar o lado mais baixo e negro da natureza humana, o lado mesquinho, o lado vingativo, indigno. Tem razão António Costa: uma pessoa assim envergonha os que simpatizam com ideais democráticos, humanistas, republicanos. Neste debate, António José Seguro traçou o fim da sua inglória carreira política.


Um debate marcado pela crispação, por momentos de grande tensão
A coisa correu muito mal a Seguro, muito, muito mal
Agora os dados estão lançados.
António Costa vai vencer e estou em crer que a vida política nacional vai mudar



A coisa parecia estar a ir bem, ambos falando cordatamente. Eis senão quando António José Seguro voltou a descer da chinela: pôs a mão na anca e desatou na peixeirada. Os mesmos ataques pueris e ridículos, a mesma atitude ressabiada. Porta-se como se o que se estava ali a passar fosse apenas uma desfeita que Costa lhe tivesse feito, ele tão preparado para ser primeiro-ministro e mesmo ali quase a chutar à baliza e agora apareceu um menino que lhe quer tirar a bola. Patético.


tozero piu piu


António Costa não se ficou e, de facto, por muita evangélica paciência que tenha, há coisas que não se aguentam. Voltou a explicar-lhe que fáceis foram os tempos em que o Governo estava a tomar medidas duras e que a oposição poderia ganhar automaticamente a adesão da população (coisa que, de resto, não conseguiu fazer); difíceis vão ser os tempos daqui para a frente, com o Governo a lançar medidas eleitoralistas e populares. Difíceis serão também os tempos de governação com o país em cacos (esta já é minha).




Mas o pior veio perto do fim, quando o João Adelino Faria questionou o Seguro sobre o que quer ele dizer quando insinua que Costa é a continuação da mistura entre política e negócios. Com aquele ar de delator rasteiro, Seguro nomeou um apoiante de Costa, insultando-o, e dando-o como exemplo de promiscuidade. António Costa ficou perplexo e incomodado, tal como eu aqui em casa o fiquei mesmo sem conhecer pessoalmente a pessoa de quem ele falava.




De entre os milhares de simpatizantes, pega-se num, fala-se no nome da pessoa como sendo um exemplo de promiscuidade...? Pode alguém de bem fazer isso? Parece uma coisa pidesca. Ora se se fosse passar a pente fino a vida pessoal dos simpatizantes de Seguro e, em público, se expusesse uma delas ao enxovalho púbico? Uma coisa indigna, chocante.

Suponhamos que há um gatuno que simpatiza com Seguro. Faria sentido António Costa nomeá-lo ali na televisão e dizer que, por isso, Seguro personifica a ladroagem na política?

Bolas. Este Seguro é mau demais. 




António Costa disse-lhe que o que ele estava a fazer era muito feio e, no final, confessou à jornalista que o esperava à saída que não conhecia esta faceta do Seguro.


Também eu não. Nunca foi pessoa que me inspirasse mas tinha-o mais por beato, palerma, nunca que fosse uma criatura perigosa, daquelas que enlameia os outros.




Quanto ao conteúdo político do debate, pouco acrescentou em relação aos restantes e mostrou que estes debates são nefastos para a imagem da política junto da opinião pública. Política não é isto. A política, quando no palco está uma criatura de baixa estatura moral, parece uma coisa rasteira. Ora a política é das actividades mais nobres que há. É urgente dignificar a política, a defesa da causa pública, a nobre arte da generosidade na dádiva aos outros

Mas a vida tem destes hiatos em que, criando-se buracos negros, parece que a natureza é sugada. Foi o que aconteceu no PS pós-Sócrates, com António José Seguro. Felizmente António Costa apresentou-se, ofereceu a sua disponibilidade e, como ele diz, em breve esta página negra será virada.




A política, a social democracia tal como o PS pode corporizar, a democracia evoluída, o humanismo, a liberdade são fundamentais para Portugal tentar sair da cauda da Europa - e António Costa tem demonstrado ter capacidade e vontade para conduzir uma governação de qualidade.

Não sou militante no PS porque o meu espírito é livre demais para eu me arregimentar onde quer que seja. Não me inscrevi como simpatizante porque acho que a escolha do secretário-geral de um partido deve ser escolha dos seus militantes (e, de resto, também não alinharia em jogadas de secretaria como foi esta manobra dilatória do Seguro).

Pode ser que a escolha através de primárias venha a provar-se uma boa coisa. Contudo incomodam-me as campanhas eleitorais em geral, da forma como são feitas, e, por isso, acho que já bastam as campanhas para eleições legislativas, autárquicas, europeias ou presidenciais. Estar a arranjar eleições de cariz nacional por motivos internos de um partido, com o desgaste que isso provoca, parece-me uma canseira, uma maçada. António José Seguro fez questão nisto, tal como fez questão nestes debates. Não me revejo em nada disto. Para mim, tudo isto só serviu para que víssemos bem a miséria que é a maneira de ser de António José seguro e a isso ele poderia ter-nos poupado.


Só espero que, com o Partido Socialista a ser conduzido por António Costa, voltemos a ter esperança no futuro do nosso pobre País. Estamos todos tão precisados de ter esperança,


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terça-feira, setembro 23, 2014

Paula Teixeira da Cruz e Nuno Crato, concorrentes na Casa dos Desgovernos, vão ao confessionário contar à Teresa Guilherme o que andam a fazer respectivamente com a salsicha jurídica e com a salsicha educativa. É capaz de não ser coisa deles, é capaz de ser missão ditada pela Voz (que, pelo tom de barítono, se suspeita ser Passos Coelho em pessoa)





Na Casa dos Desgovernos, Teresa Guilherme chama ao confessionário Paula Teixeira da Cruz.



- Paulinha, filha, então como tem passado?
- Bem… 
- Bem? Não me parece...
- Bem… Tem razão: bem, bem não será. Alguns transtornos.
- Transtornos? Não me diga que esteve com o TPM, querida.
- O que é isso, Teresinha…?
- Ó filha, não me diga que não sabe… Toda a gente sabe o que é o TPM, querida. Ora veja lá se adivinha, puxe lá pela cabecinha.
- Ai Teresinha, como é que quer que eu adivinhe uma coisa dessas… TPM… TPM... Totó do Primeiro Ministro…? Não me faça rir, Teresinha. Está-me a perguntar se eu estive com o Totó do Primeiro Ministro…? Ai Teresinha, não seja assim, tão mazinha.
- Não, filha! Transtorno Pré-Menstrual, filha.
- Ai Teresinha, que ideia. Não, nada disso. Estive foi com alguns transtornos na salsicha.
- Credo, filha! Repita lá! Na salsicha...?!
- Sim, Teresinha, na chamada salsicha jurídica.
- Jurídica? Salsicha jurídica...? Ai filha, essa eu nunca lhe tinha ouvido chamar.
- Ai Teresinha, sempre a pensar no mesmo: sexo, sexo, sexo. 
- Ai filha, que assim ainda mais ajuda a dar mau nome às louras, filha. E não era para revelar já o seu segredo… Ai, todos tão burrinhos. Vá-se lá embora, querida. Para que é que já foi falar na sua salsicha? Ai, cabecinha oca... Olhe, querida, quer mandar beijinhos?
- Quero, Teresinha! Beijinhos para os senhores juízes, para os senhores advogados, para os réus, para as testemunhas, para todos, todos tão amigos dos seus amigos, e quero pedir desculpa pelos transtornos que a minha salsicha jurídica tem causado. nunca pensei que ela fosse engrossar tanto, juro, juro, Teresinha, nunca pensei, juro pela saúde do meu laparoto de estimação.
- Vá lá, filha, vá lá. E chame o Nuno.





Teresa Guilherme com Nuno Crato no confessionário


- Então Nuno, conte-me coisas.
- Sim, Teresa, diga lá o que quer que lhe conte. Mas antes deixe que lhe diga que está uma brasa, esse vestido fica-lhe a matar. Olhe, aqui só para nós, se a apanhasse à mão de semear, papava-a toda. E o babete capaz de até dar jeito. 
- Credo, filho, que me deixa sem jeito. Papanços são dentro da casa e é para se despacharem que a gente quer é cenas que dêem canal. Mas só o vejo a engonhar. A ver se passa à acção, ouviu?
- Ouvi, Teresa, mas com quem?
- Ai isso eu não sei, com qualquer uma ou qualquer um. Olhe, não gosta da Paulinha...? Mas já lá chegamos. Agora vamos começar pelo principio. Então, conte-me coisas: como é que tem passado?
- Bem, Teresa, sempre na maior. Sabe como é…
- Sei filho…? Não sei. Conte lá…
- Já sabe que eu sou um engatatão, ninguém escapa ao meu mamar doce.
- Alto! Pára tudo!
- Então, Teresa, o que foi…?
- Mamar doce? Conte, conte, que estou a gostar. Quem, quando, onde? Conte-me tudo. Não me poupe aos pormenores sórdidos. Tudo!
- Espere aí, Teresa, em que é que já está a pensar? 
- Eu, querido? Eu, nada. Você é que disse.
- Era uma maneira de dizer, Teresa, não sei bem o que aquilo quer dizer mas sua-me bem.
- Não é sua-me, querido, é soa-me.
- Se a Teresa o diz. Mas então, o que eu queria dizer e que já comecei a fazer lóbio.
- Lóbio? Mas o que é isso, Nuno? Eduquês?
- Fazer lóbio é facilitar, lubrificar, não sei se está ver, Teresa.
- Não querido, não estou a ver. Conte lá: quem é que você lubrificou?
- Mandei uma boneca com cara de Avoila ao Nogueira, mandei uma bandelete ao Santana Castilho, mandei alpista para os papagaios da televisão e, a títalo simbológico, mandei uma chamada salsicha educativa ao Fiolhais.
- Credo, filho! A títalo? Simbológico? Cruzes. E ao Fiolhais?! Ao Carlos Fiolhais? Uma salsicha? Mandou uma salsicha ao Fiolhais? 
- Esse mesmo. Mandei a mando da Voz mas mandei entregar em mão. Em mão, não. Pela goela abaixo, a ver se o gajo e os outros todos se calam com essa gaita da investigação e da avaliação e de andarem sempre a pegar no meu pé, que já nem os posso ouvir. Chiça! Cambada de pica-miolos!
- Ai, filho, que você é mesmo mauzinho.
- Não sou nada mauzinho, Teresa, a salsicha era pequenina. Já era antes mas, nas minhas mãos, ainda mirrou mais.
- Mas mesmo assim, e mesmo que seja missão ditada pela Voz, você é mauzinho. Andar a maltratar o pobre do Fiolhais e os outros cientistas, investigadores, professores com salsichas educativas, por muito mirradas que sejam, é ser mauzinho, ó Nuno.
- Não sou mauzinho, sou é maoista.
- Maoista, querido? Mas disse isso aqui....?! Esse não era o seu segredo? Ai, credo, que burrinho me saíu, todos tão burrinhos, parece que foram escolhidos a dedo, credo. Olhe, quer mandar beijinhos, filho?

- Não, Teresa, que eu sou muito macho, só mando caneladas  e encontrões, por minha vontade mandava era implodir esta merda toda. E preciso é de me despachar daqui porque parece que a Voz quer que eu vá aumentar o tamanho de algumas salsichas para as mandar entregar não sei bem onde, parece que é ao Palácio das Laranjeiras e ao de Belém. 
- Ai, credo, filho, diga mas é à Voz para ir ao psicanalista. Que é que se terá passado com ele, no passado, para andar com essa pancada das salsichas e de aumentar salsichas, credo? Ele devia era tratar-se,
- Está bem, Teresa, vou já e eu digo-lhe que a Teresa disse para ele ir a um médico de tarados.
- Não disse bem isso, mas isso também agora não interessa para nada, diga o que quiser, querido. Até amanhã. Dê lá beijinhos aos seus colegas da Casa. E vá mas é consolar a Paulinha que me apareceu aqui quase a chorar, a queixar-se de transtornos na salsicha.
- Está bem, Teresa, vou ver se a meto no citius.
- Vá lá, filho, vá, Beijinhos!




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E, já agora, se falamos em aumentar salsichas, em Passos Coelho ou na Casa dos Segredos, let's Think Dirty


(Marty Feldman e a Hot Dog lady - Sexy, Funny, Saucy)





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E, assim sendo, desçam até ao post a seguir, meus Caros, que já aqui abaixo poderão espreitar pelo buraco da fechadura e assistir à sessão de psicanálise da Voz (digo, do putativo barítono Passos Coelho). Vamos ver de onde lhe apareceu esta da salsicha.





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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira 
- e, de preferência, sem trombas de água que é para não culparem o António Costa 
(mesmo que as ruas alagadas sejam as as Caldas da Rainha ou do Porto)


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A salsicha educativa de Passos Coelho leva-o ao divã: há que perceber as origens e a natureza do problema


- Bom dia.
- Bom dia, SôTôr.
- Ora deite-se lá, meu Caro.
- Obrigado. Já está.
- Descontraia-se. Respire fundo. Ora então diga lá o que se passa.
- Não me tome por piegas, mas tenho um problema chato. Não sei porquê, estou a falar e, do nada, sai-me a palavra salsicha.
- Como assim? Salsicha?!
- É isso. Estou a dizer uma frase qualquer e, quando dou por ela, já lá meti a palavra salsicha. Como hoje. 
- Hoje?
- Estava muito bem a falar e, sem dar por ela, saíu-me 'a chamada salsicha educativa'. Só me apercebi quando vi que toda a gente se tinha atirado para o chão, todos agarrados à barriga, a rirem à gargalhada.
 - Essa tem graça.
- Não, não tem graça nenhuma. Depois toda a gente quer saber o que é que eu quis dizer e eu não faço ideia.
- De facto, vendo bem, deve ser uma maçada.
- Sabe lá. 
- Mas então vamos lá recuar no tempo. Desde quando é que anda com a salsicha na boca?
- Salvo seja.
- Claro.
- SôTôr, agora que pergunta, deixe cá ver... Acho que foi por altura da Fatinha.
- Da Fatinha? 
- Sim, a Padinha.
- A Doce?
- Sim. A minha ex.
- Mas, então, em que momento deu por isso?
- Acho que foi por altura daquele problema da Laura.
- Laura? A D. Laurinha? A sua mulher?
- Não! A Diogo.
- Aquela do Reinaldo.
- Pois, daí.
- Ok, percebi. Reinaldo-salsicha, salsicha-Reinaldo. Entendido. 
- E agora como é que isto se cura, SôTôr?
- Fica para a próxima sessão, Iremos tentar perceber se isso é trauma ou se é fantasia.




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Nota: Aos que entrarem vindos do google directamente para aqui, informo que este episódio aparece na sequência deste outro.


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segunda-feira, setembro 22, 2014

Teresa Guilherme de vestido com babete dourado ou peitilho ou lá o que é aquilo apresentou a nova Casa dos Segredos. Tudo do pior que há, desde a toilette dela, aos trocadilhos vulgares, à pinta dos concorrentes. Para esquecer. ---- E, por contraste, o tributo a um eterno sedutor, Leonard Cohen, no seu 80º aniversário.



Tinha eu acabado de escrever o post abaixo, um post dividido em duas partes, relativo à tarde na Gulbenkian, quando, instantes depois, recebi um sms da minha filha. Pensei logo que já o tinha lido e discordava de alguma coisa já que tinha presenciado a cena descrita na parte final. 

Afinal era outro o assunto: perguntava-me se já tinha visto o outfit da Teresa Guilherme na casa dos Segredos, e acrescentava que era surreal.


Respondi-lhe que estava na dúvida, que me parecia mau demais. Para falar, teria que ser franca - como sempre sou - e depois lá iam dizer que não tenho compaixão ou que tenho é inveja, piropos que, por vezes, leio por aí. Não é que me afectem, até lhes acho uma certa graça, mas, desta vez, o dito outfit era tão estapafúrdio que até dava dó (e não gosto de falar do que me dá dó). 

Mas depois ela enviou-me outro sms a insistir que era coisa tão indescritível que merecia bem uma referência. E acrescentou que 'já para não falar nos concorrentes, todos iguais, tudo o mesmo look, tão básicos, não se consegue ver mais do que 5 minutos disto'.

Para não falar de cor, deixei-me ficar a ver, vi bem uma meia hora daquilo. De facto, é inenarrável. 


Pensar que está a passar em horário nobre uma coisa que é da ordem do lúmpen televisivo. Os concorrentes apresentam-se como se estivessem dispostos e habituados ao vale tudo, e dizem-se amigos dos seus amigos e meigos às vezes, bombásticos outras e uns gabam-se que têm várias namoradas ao mesmo tempo, elas que são fogo e que ninguém as provoque, e tudo banalidades e insinuações deste género, e a Teresa Guilherme, em cada frase que pronuncia, mostra que se espera deles que se envolvam, que haja zaragata e sexo. Uma chusma de vulgaridades que choca. E choca ver aquela gente toda produzida e contente por ir entrar para uma gaiola vigiada onde serão manipulados, emocionalmente explorados. Uma coisa aterradora e de uma vulgaridade sem limites. Tudo o que é comportamento cívico, cultura, exigência moral, ética, ali é coisa que não existe. Aliás, certamente serão exploradas, sem dó nem compaixão, a sua ignorância, boçalidade, pobreza de espírito. 


Já por telefone, durante a tarde, a minha mãe me tinha dito que já quase que só consegue ver outros canais que não os generalistas, que a qualidade destes se está a esvair a toda a velocidade. Acrescentou, vê tu que até aquela Fanny da Casa dos Segredos, uma que grita muito, que diz muitas asneiras, agora aparece a toda a hora, parece que vai ser repórter do novo programa. 


Fico passada com isto, juro. Tanta gente válida neste País, tanta gente culta que não arranja emprego, que se vê forçada a aceitar empregos menores, que se vê forçada a emigrar, e depois as televisões são inundadas de gente que não estuda, que não quer trabalhar, que tem como único objectivo na vida aparecer nas capas das revistas, fazer presenças, O mal que programas deste tipo fazem à cabeça da camada mais frágil e influenciável da população... é uma regressão permanente, uma vulgarização da boçalidade e da ignorância. Um charco.

Isto a par do empobrecimento decretado e levado à prática por Passos Coelho, do ataque cerrado à cultura e à investigação, só pode fazer mal a este país desgraçado, cada vez mais atascado num lodaçal infecto. 

Claro que no meio disto tudo, o vestido ridículo da Teresa Guilherme é um pormenor. Pode ser boa pessoa, não digo que não, não a conheço, mas presta-se a um papel que não a dignifica, o papel de alcoviteira. Pode até dizer-se que ela é o rosto do que de pior a televisão tem.


Vê isto quem quer, dir-me-ão. Mas a escolha não é muita, especialmente para quem não tem televisão por cabo. Estive a fazer zapping e não há grandes alternativas nos canais portugueses. Além disso, é sabido que programas deste género são um estímulo ao voyeurismo e, havendo um buraco da fechadura à disposição, grande parte das pessoas irão espreitar por ele.

E isto entorpece. As pessoas vão aceitando tudo, tudo. 

Por exemplo, li há pouco que Passos Coelho disse que quer demissões na Justiça. Leio: Passos Coelho disse hoje aos Conselheiros Nacionais do PSD que as estruturas intermédias que enganaram a ministra têm de ser demitidas.


E às tantas os papagaios de serviço até aparecerão a elogiá-lo. E, no entanto, eu acho isto uma coisa imoral, estúpida: então o sujeito vai dizer numa reunião do partido que pessoas que trabalham em estruturas pelas quais ele é o primeiro responsável têm que ser demitidas? Isto é próprio de uma pessoa leal, responsável? Não é isto um populismo barato? Não é isto uma falta de ética?
Se achava que demitir as pessoas que andam há tempos a avisar dos riscos da instável manta de retalhos feita de programas informáticos presos com pinças que constitui o Citius, e a quem ninguém deu ouvidos, é a solução para o caos instalado na Justiça, não o deveria dizer reservadamente, junto da ministra em vez de o andar a apregoar publicamente? 

Mas perante tanta e tão permanente mediocridade, tanta banalização da nulidade, já nada parece chocante.


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Quando cheguei a casa ao fim da tarde e o sol caía sobre um rio rosado que reflectia um céu acobreado, estive a fotografar recantos da casa que estavam banhados por essa luz tão doce, recantos onde guardo livros. Queria falar disso, dos meus recantos, dos meus livros banhados pela luz, da vista desta minha janela. E fotografei o rio e o céu.

Depois pus-me a falar da Gulbenkian e agora da Teresa Guilherme e da nova temporada da Casa dos Segredos e, aqui chegada,  já é tarde para começar a escrever sobre luz, livros, recantos. Talvez amanhã.

Mas está a custar-me acabar o dia com assuntos negativos, maçadores. 

Por isso, se me permitem:


Thanks Mr. Cohen, thanks for all the good moments. I'll be here for you, as always. 
E que me continue a surpreender e a agradar como sempre o fez. 

Leonard Cohen Turns 80


Tributo da CBC





Quando a inteligência e o charme se juntam é um escândalo, uma perdição. 
E o bem que faz à saúde... Quanto mais velho está, mais bonito e interessante está.

Dance me to the end of love, Mr. Cohen.


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Relembro: no post já a seguir falo da minha tarde nos Jardins da Gulbenkian e falo de uma figura pública que lá encontrei e da estranheza que me causou o seu comportamento. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

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Tarde nos maravilhosos Jardins da Gulbenkian - e a fama, o facebook e os dinossauros


Se há lugar à superfície da terra que parece feito pelos deuses, o Jardim da Gulbenkian é sem dúvida um deles. É um lugar de harmonia e de paz.






Pode parecer estúpido eu dizer isto sabendo que a mão que o desenhou é bem humana mas, ainda assim, digo-o pois não sei se não foi a mão de um qualquer Deus que guiou a mão de Gonçalo Ribeiro Telles, o arquitecto paisagista que teve uma inspiração do além ao conceber esta sua obra fantástica.

Já contei tantas vezes: eu andava a estudar e ia passear e namorar para estes Jardins. E saía das aulas e ia para lá e, enquanto fazia horas para qualquer coisa, entrava no museu ou no lugar das exposições e perdia-me por lá. Espantei-me com Miró, não compreendia, não sabia dizer se gostava ou não, ficava perplexa, um sapato, uma cadeira e dali saía uma escultura, e quadros que eram pingos e desenhos infantis. E voltava lá para ver outra vez, presa àquela luminosa alegria, sem me compreender. E outras vezes a ver Rodin, presa, presa à pequena figura Celle qui fut la belle heaulmière. Tantas e tão boas descobertas.

E íamos lanchar na esplanada e íamos encontrar esconderijos e eu conhecia cada pequeno recanto. Preferia a beira do lago, a água sempre foi o meu elemento.

Mudei de namorado mas não de jardim.

Depois nasceram os meninos. Lugar privilegiado para as crianças. Os patos, certamente já filhos e netos dos patos de então, o lago, os recantos, os relvados para poderem correr à vontade, o almoço no self, um clássico, as bolas de esparregado, os peixinhos da horta, os ovos recheados, tudo tão previsível, permanente, tudo tão bom. E sempre as exposições, o imprevisto de tantas obras, as retrospectivas, o ambiente bom dos lugares habitados pela arte, o anfiteatro ao ar livre, os chilreios, os risos das crianças, a quietude dos que leêm.


O tempo passa e o Jardim continua lindo, os recantos são os mesmos, o self o mesmo, o bolo de gelatina com fruta dentro, o cup de frutas, as farófias, lugar maravilhoso para almoçar ou lanchar no meio da natureza, e a livraria, e o ambiente, tudo, tudo.

Os meninos cresceram e já se multiplicaram e os novos meninos continuam a adorar o local, os jardins são bosques, têm grutas secretas, tocas escondidas, os lagos escondem monstros como o de Ness e as pedras redondas são ovos de dinossauro.

E o cheiro é o mesmo, a terra fértil e húmida junto aos lagos e ribeiros, os patos, os recantos que são abrigos, o sol que nos aquece a pele, a natureza que parece virgem. 

E sempre a vontade de voltar, sempre a sensação de uma tarde bem passada. No meio da cidade.


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Nos Jardins da Gulbenkian encontram-se pessoas de todas as idades, condições sociais, estados civis. Até pela heterogeneidade é um local acolhedor. É frequente encontrar-se por lá, anónimas, pessoas com vida pública. Ninguém as incomoda. É-lhes reconhecido o direito à privacidade.

Mas hoje uma chamou a nossa atenção: uma muito conhecida apresentadora de televisão e de presença mediática muito intensa, uma das mulheres tidas por mais bonitas no nosso país, passeava-se por lá com uma amiga. Fotografavam-se uma à outra, riam, faziam selfies e até pediram a pessoas que passavam que as fotografassem entre os bambus. A seguir passaram à fase de olharem e escreverem no telemóvel, as duas, provavelmente a verem e a postarem as fotografias. Dava ideia que não desfrutavam o lugar, que se limitavam a fotografar-se e a exibirem as fotografias, provavelmente com o único intuito de dizerem que ali tinham estado. Fez-me lembrar o que li há dias, que dantes as pessoas iam aos museus para verem as obras expostas, enquanto agora vão para se fazerem fotografar lá, para poderem dizer que lá estiveram. O prazer de estar parece estar a ser substituído pela necessidade de se dizer que lá se esteve. A minha filha disse, Aposto que está a pôr no facebook. Espreitou no telemóvel e confirmou: já lá estava, a fotografia dela com a amiga no meio dos bambus com uma frase daquelas fast-filosofia.

Devo confessar que ficámos todos um bocado surpreendidos: uma das pessoas mais fotografadas no país e ainda com esta narcísica necessidade de se fotografar e de se mostrar a toda a hora, ainda por cima em momentos que se pensaria serem dedicados ao recato. 

Se coloco aqui a fotografia que lhes fiz é apenas porque toda a situação se prestou a isso e porque uma fotografia em que aparecem as duas está no seu facebook, que é público. E, para meu total espanto, vejo que já teve para cima de 4.000 likes e muitos comentários (lindas... sorrisos contagiantes... beijinhos... smiles, e coisas do género). Ou seja, enquanto blogues excelentemente escritos recebem escassas visitas diárias, uma fotografia que eu diria totalmente desinteressante recebeu mais de 4.000 visitas no espaço de 4 ou 5 horas.

A natureza humana é, frequentemente, muito incompreensível para mim.

Por vezes, quando fico admirada com os livros que estão no top de vendas ou com as opções de voto das pessoas, esqueço-me que, cada vez mais, faço parte de uma minoria. Sou eu que sou uma marginal, marginal face a comportamentos que se vão tornando virais na nossa sociedade e que, talvez porque sou osso duro de roer, ainda não me contagiaram. Mas espécies assim como aquela a que pertenço, que não se adaptam ao meio ambiente, não costumam ter grande futuro. Veja-se o que aconteceu aos dinossauros. 



domingo, setembro 21, 2014

Os pimentinhas a darem no duro - 'de pequenino se torce o pepino' ou 'o trabalho do menino é pouco mas quem o despreza é louco'


A hora vai avançada mas, antes de me atirar a este, deixem que vos diga que já vou no terceiro. Sou assim: um é pouco para mim, dois está quase lá, mas três é que é mesmo bom. O pior é o sono, senão ainda ia ao quarto.

O que se segue a este tem a ver com os lapsos do láparo que desgoverna a luso-toca. Diz que colaborará com as averiguaçõese que isto, aquilo e o outro, a voz sempre bem colocada, sempre disfarçado de bom menino, sempre, mas o olhinho já lhe vai descaindo, a marca da culpa a começar a pesar-lhe. Não tarda vem outra vez pedir desculpa, como deve andar a mandar os outros fazerem, e como fez, o descarado, na primeira vez que subiu os impostos.

A seguir a esse post, lá mais para baixo, tenho outro artista, isto hoje deu-me com força, e outro pimba: o menino da lágrima a quem roubaram o cravo. Um história lancinante: um cravo raquítico que a custo conseguiu medrar e que era para ser colhido pelo artolas que andou a regá-lo e que, afinal, vai acabar na lapela de um flausino. Ui. O biquinho que o tadinho do menino da lagrimita agora anda a fazer, ui ui, piu piu. Piu.

Mas tudo isto é a seguir a este. Aqui, agora, a conversa é outra. Muito outra. Segue-se, pois, um post verde, despoluido, amigo do ambiente. Nada de gente que só vive bem na piolheira. 


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No esfolar do rabo é que está o complicado. Quase tudo pronto mas parece nunca mais acabar. Refiro-me à casa velha-nova do meu filho. Mas todos ajudam e os pimentinhas não querem outra coisa. Os manos rapazes só pensam em ir para ajudar nas obras da casa do tio. Os filhos do dono da obra nem será tanto pela obra em si mas, sobretudo, por estarem com os primos naquele ambiente, ao ar livre, com muito por onde mexer. Pintam, apanham pedras, levam água para fazer cimento, vão buscar areia. Sentem-se úteis, sentem liberdade de movimentos. 

Este sábado, por sua alta recriação, resolveram fazer um caminho ou um murinho, não sei. O que sei é que fizeram uma cama de areia, assentaram tijolo e, no fim, decoraram-no com laranjas que tinham caído da laranjeira e que antes tinham posto num montinho.

Mas se todos contribuem, trabalham e se ajeitam lá entre eles enquanto os adultos trabalham, tenho que aqui fazer justiça. Há um que se destaca: o ex-bebé. Ainda nem completou os três anos e meio mas já é um homem de trabalho. Não apenas pinta muros, e pinta bem, como depois resolve fazer ele próprio as suas construções. Pouca conversa e muita acção. Temos engenheiro.

Exemplifico com um trabalho desta jornada. Tirei fotografias com o principal autor e fautor ao pé da sua obra, ele entre o tímido e o contente pelos meus elogios. Claro que os outros foram a correr para também ficarem bem no retrato, alegando que também tinham contribuído. É justo.

Aqui não os mostro de frente, orgulhosos, como estão nas fotografias. Mas mostro a obra e mostro-os de costas, atarefados, felizes.


Era difícil mostrar o murinho (ou do caminho?) em toda a sua extensão
sem perder a visibilidade das laranjas pelo que mostro apenas o troço final


A prima na ajuda, trazendo a areia,
sob supervisão do engenheiro, o ex-bebé e ex-Rinaldo


O primo crescido resolveu aproveitar e fazer uma obra de arte a meio da construção,
uma escultura com tijolos e cimento ,
e a prima acompanha de perto a execução da peça


O grande trabalhador equipado a rigor, como sempre atirado ao trabalho


O mais pequeno com o pai, para lá a pé, o carrinho cheio,
para cá, já montado no carrinho que já vinha vazio



Depois dos trabalhos, há lavagem de mãos com a mangueira e sentamo-nos nos degraus da escada que vai do quintal para a cozinha (a casa ainda está impraticável para convívio). Abro a geleira e tiro os iogurtes, as sandes, a broa com chouriço, os sumos. A minha filha trouxe bolos de arroz e menina plim-plim ofereceu o bolo que tinha feito de manhã com o pai, um bolo de chocolate, misto de panqueca e pizza. Quando a tia perguntou, Mas falta aqui qualquer coisa, não...?, o irmão respondeu-lhe: Mas achas que eu sei como é que se faz um bolo? Fiz como ela disse. Ela é a bonequinha mais linda que fez há pouco quatro anos. Não sei se tinha açúcar ou se tinha ovos, eu diria que não mas não sei. Mas os pimentinhas adoraram. Quando me vim embora (para vir tomar banho e depois ir a casa dos meus pais), estavam eles a comer o bolo como se não houvesse amanhã.

Dias felizes.


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Depois disto até me custa relembrar que a seguir há mais. Mas relembro embora com aviso: vão com máscara de oxigénio porque a seguir o ambiente não é lá muito puro: um láparo de má catadura e um piu-piu sonso a quem roubaram uma flor.



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A música é Light Of The World interpretado pelo African Children's Choir 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo!


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