terça-feira, maio 10, 2022

Zelenskyy, para o futuro e pro memoria

 

Os dois vídeos que aqui tenho não serão novidade para quem por aqui passa. Contudo, neste caso, é para mim que aqui os deixo. Deixo-os para que não caiam no meu esquecimento ou para que, daqui por algum tempo, quando quiser mostrar aos meus netos o que é um homem inteiro e intrinsecamente livre, o tenha aqui, presente. Deixo-os para que eles possam ver um homem que foi eleito para defender o seu país e os seus habitantes e tem honrado os votos que recebeu arriscando a própria vida, dando a voz a todos quantos também dão ou deram a vida para continuarem a ser ucranianos, para poderem decidir por si, para continuarem a sentir que são livres.

Por todos os que já morreram, perderam familiares e amigos, perderam os empregos e as suas casas, Volodymyr Zelenskyy, agora com 44 anos, mantem-se de pé, nas ruas, dando a cara, tendo sempre as palavras adequadas a cada situação, falando para os seus e para o mundo, interpretando a vontade dos seus conterrâneos. 

Zelenskyy foi eleito para ser presidente da Ucrânia, para defender a liberdade e a democracia, para combater a corrupção. E é isso que tem feito. No meio de bombardeamentos e de tentativas de assassinato, longe da família, sabendo que a sua terra natal está a ser atacada, assistindo à destruição do seu país, correndo todos os riscos, ele mantem-se determinado e corajoso. Não cederá território, não desonrará o sangue dos que deram a vida por um país íntegro e livre.

E com essa coragem que impressiona, ele e todos os ucranianos têm conseguido, apesar de tudo, travar a sanha assassina e depravada (concordo com John Kirby quando usou a expressão) de um doido varrido e da seita que o apoia. E, mesmo sem água, sem gás, sem eletricidade, quase sem comida, debaixo de tortura e violações, a brava gente ucraniana tem conseguido travar o rápido avanço russo e, mesmo, recuperar algumas terras que os russos lhes tinha roubado.

A Ucrânia, de uma forma ou de outra, mais tarde ou mais cedo, ganhará esta guerra absurda, injustificável e selvagem e voltará a ser um país desenvolvido e pacífico. É inevitável. 

Contra todos os que, hipocritamente apregoando a defesa da paz, apelam à rendição, Zelenskyy, tal como todos os ucranianos que arriscam tudo pelo seu país, mantem-se de pé e destemido, defendendo a integridade e a liberdade do seu país. Ficará para a história como uma das mais carismáticas e corajosas criaturas, alguém com enorme carisma e indómita coragem, alguém que se bate contra um psicopata mitómano corrupto e assassino que se porta como um nazi com ímpetos imperialistas.

Zelensky releases video on day of remembrance: 'We hear "never again" differently'

Ukraine’s President Volodymyr Zelensky released a video statement on May 8, the UN’s designated “Time of Remembrance and Reconciliation for Those Who Lost Their Lives During the Second World War,” in which he reflected on the phrase “never again”.


Um homem desarmado 
(em vez de um homem cercado de tanques de guerra)

Address by Zelenskyy on the Day of Victory over Nazism in World War II

We are fighting for our children freedom, and therefore we will win. We will never forget what our ancestors did in the World War II, which killed more than eight million Ukrainians. Very soon there will be two Victory Days in Ukraine. And someone won't have any.

We won then. We will win now. And Khreshchatyk will see the victory parade – the Victory of Ukraine! 
Happy Victory over Nazism Day!
Glory to Ukraine!

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Slava Ukraini

segunda-feira, maio 09, 2022

Dias em família -- e eu à espera de um milagre
(e não me refiro a arranjar um amante mais novo)

 




O Verão chegou antecipadamente, todo ele calor, corpo a pedir pouca roupa, cheiro a terra quente e cheiro a mar, meninos em cima uns dos outros, adultos numa boa onda, todos na brincadeira, dias a crescerem, o ursinho felpudo a brincar e a receber carinho, uma luz doce no ar.

Estive com todos, cozinhei para eles, vi-os a comer de gosto, sentei-me à sombra, ouvi os passarinhos, vi as flores, vi como os meninos crescem de dia para dia, vi como o afecto entre eles se mantém.

E passeei com a minha mãe à beira mar, e fomos às compras e conversámos. Está cada vez mais jovem, veste-se agora como não se vestia quando tinha trinta anos: calças frescas, túnicas claras, ténis brancos, bolsinha no tom. Viu um casaquinho todo aberto em verde entre o alface e o pistachio e logo o agarrou, o provou e comprou. Gosta agora de se vestir com cores alegres e luminosas. O meu marido admira-se por desatarmos a falar quando nos encontramos e seguimos conversando até que nos despedimos. Acho que mais ela que eu. E espanta-se porque isso também acontece entre mim e a minha filha. Não percebe como temos sempre assunto. Ele pergunta: 'Tudo bem?' e, pela resposta -- que pode ser apenas 'tudo' -- ele já se dá por contente. E a verdade é que percebe se é mesmo 'tudo' ou não. Mais do que isto já lhe parece conversa a mais. Outras vezes o cumprimento é ainda mais minimalista: diz apenas o nome da pessoa. Mas a verdade é que às vezes presta atenção à minha conversa com os outros pois ao fim do dia ou no dia seguinte vem perguntar-me o que é que estávamos a dizer sobre algum assunto. Mas é assim. Como espectador à distância ainda vá que não vá. Para mais do que isso já não tem muita paciência.

O urso felpudo a andar em duas patas para tentar ver o cão que ouve na casa dos vizinhos do lado


No sábado a minha filha organizou com a miudagem um Taskmaster. Uma das várias tarefas que foi inventando era ver qual deles me punha a rir mais depressa. Só dela ter essa ideia já me deu vontade de rir. Ainda eles não tinham tentado já eu me desfazia a rir. O que me deu mais vontade de rir foi eles verem-me a rir ainda eles não tinham feito nada. E só de pensar nisto já estou a rir-me. 

Não tentem perceber. Não há explicação. Rio-me só de pensar que queriam fazer-me rir e que, antes de terem começado, já eu estava quase a chorar de rir -- o que os deixou desconcertados sem saberem como superar a prova. E isto dá-me imensa vontade de rir (que querem que eu faça...?)

Portanto, desistiram. Então a minha filha teve uma nova ideia: não era fazerem-me rir a mim, era fazerem rir o avô. E aí a coisa fiou mais fino. O que me ri. Eles a contarem piadas, a fazerem palhaçadas... e  o avô impávido e sereno. Por fim lá assomava um sorriso. E eles queriam que ele risse mesmo. A minha filha disse que o sorriso chegava, que era o máximo que iam conseguir dele. O que me ri...

No outro domingo eu tinha-lhes dado a grande novidade: tínhamos descoberto um programa e tínhamos ambos estado o tempo todo a rir. Claro que eu rio e ele sorri mas, lá está, isso para mim é igual a riso. O Taskmaster. E eles todos: 'Mas está já a acabar! Isso já dá há umas semanas. Não perdemos um episódio. Fartamo-nos de rir.' -- e isto quer do lado da casa da minha filha quer da do meu filho. E, portanto, pelos vistos toda a gente conhecia o programa menos nós dois. Vimos a semana passada e vimos esta, de facto o último episódio. A ver se vem aí nova série pois é divertidíssima. Também tem a ver com o sentido do humor dos participantes. Estes eram mesmo boa onda.

A minha menininha mais linda tinha descoberto uma app que via o match entre um casal. Pensava eu que seria por signos, por algum questionário, qualquer coisa. Mas não, apenas a partir do nome. E, então, estava a mostrar à tia como era e a fazer o exercício com casais conhecidos. No meu caso salvo erro deu oitenta e tal por cento com o avô. Pareceu-me bem. E, por acaso, até acho que os nomes são relevantes. O meu primeiro namorado tinha o mesmo nome que o terceiro, aquele com que me casei. Dois grandes amores. O do meio tinha um nome que não me dizia grande coisa. Ou melhor: que feria a minha sensibilidade. E, no entanto, é um nome normal. Mas uma pessoa com aquele nome não podia ter sido feita para mim. No caso do meu marido, quando a namorada dele da altura estava a descrever o namorado, pela descrição, achei que só poderia estar a falar daquele que me trazia enfeitiçada. E quando lhe perguntei o nome dele e ela o disse, tive a certeza que era ele. Na verdade, ao tê-lo visto e ao ter pensado que era o homem da minha vida, sempre soube que não poderia ter outro nome. Por isso, e não quero cá saber de coisas, também acho que os nomes são determinantes na vida de uma pessoa e na probabilidade de alguma coisa vir a dar certo entre duas pessoas. 

Com estes esoterismos e conversas malucas pode parecer que estou a renegar a minha vida de pessoa racional, dada à ciência e a rigores. Mas não estou. Simplesmente há coisas que não têm explicação.

Tirando isso, já é dia 9 e vamos ver o que nos traz. O que eu queria que trouxesse não posso aqui dizer até porque é coisa impossível. Mas gostaria que trouxesse um milagre. Não acredito em nossas senhoras encavalitadas em cima de azinheiras ou coisas assim. Mas acredito em milagres verdadeiros, sim. Existirmos, cada um de nós, é um milagre. A vida das flores é um milagre. Eu estar a pensar e escrever e vocês aí desse lado a saberem destes meus pensamentos sem saberem quem sou e sem me verem ou ouvirem é um milagre. Tantos milagres. Porque não acontecer um milagre bom que salve vidas e abra espaço para a reconstrução do futuro de todos quantos perderam tudo? 

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Mas, enfim, não dormi muito nem descansei muito neste fim de semana (e a semana tinha sido obra) pelo que passo já para a apresentação de um filme que deve ser uma graça: o amor entre uma mulher digamos que já com alguma vida vivida e um homem bem mais novo. A ver se consigo descobrir como ver este filme.

Se eu, por uma birra qualquer, me separasse do meu marido 

(coisa que me parece improvável pois toda a vida tivemos birras e sempre me esqueço delas na meia hora seguinte. Às vezes tenho a vaga impressão que teria razão para estar chateada com ele mas já não me lembro exactamente porquê. E na hora seguinte nem disso me lembro. Poder-se-ia dizer que é demência, coisa da senilidade. Mas acho que não, sempre foi assim)

e fosse uma separação para valer, acho que, para arranjar novo namorado, teria que ser bem mais novo, talvez uns vinte anos a menos. Senão mais valia fazer as pazes e voltar a aturar o velho, ou seja, o actual.

Les Jeunes amants

Shauna, 70 ans, libre et indépendante, a mis sa vie amoureuse de côté. Elle est cependant troublée par la présence de Pierre, cet homme de 45 ans qu’elle avait tout juste croisé, des années plus tôt. Et contre toute attente, Pierre ne voit pas en elle “une femme d’un certain âge”, mais une femme, désirable, qu’il n’a pas peur d’aimer. A ceci près que Pierre est marié et père de famille.

 

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Fotos feitas cá em casa, aqui na companhia de Ludovico Einaudi com The Water Diviner

Nota: Tentarei responder aos comentários durante o dia de amanhã

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

Saúde. Paz. Esperança. Um milagre

domingo, maio 08, 2022

A consciência como uma pequena vela, uma pequena luz no vazio que não queremos que se extinga

 

Não frequento o Twitter, não tenho conta, não tenho curiosidade. 

Não tenho (mas até nem me importava de ter) um Tesla. 

Não penso ir a Marte nem me apetece pensar que um dia colonizaremos esse planeta. 

Ainda não tive vontade de perceber bem o que vai ser o Optimus, o robot humanoide de que se aguarda o protótipo este ano e a comercialização para o ano que vem (talvez porque receie que venha abrir uma porta muito perigosa). 

Também nunca me debrucei muito numa hipótese que me perturba -- que sei que é uma hipótese realista e assustadora: fazer o download do cérebro de uma pessoa e integrá-lo num robot.

A Musk pouca atenção tenho, pois, prestado.

No entanto, de Musk muito se tem falado, sobretudo agora por ter comprado o Twitter. 

Contudo, penso que mais se deveria saber. 

Creio que é o homem mais rico do mundo mas ele diz que Putin é mais rico que ele. Não faço ideia. Mas que é muito, incomensuravelmente, rico, isso creio que não oferece dúvidas.

Do pouco, muito pouco que sei dele, não me tenho sentido especialmente ameaçada. Tenho ideia que pende para o lado bom das coisas. Preocupa-se com o planeta, por exemplo. Contudo, mexe com coisas demasiado perigosas. A inteligência artificial, os poderosos meios de computação de que dispõe, a indústria de topo que tem ao seu dispor, o domínio da Física que subjaz a muitos dos seus empreendimentos, o imenso capital de que dispõe, um certo lado solitário e, por vezes, rebelde, e a sua infância que certamente lhe deixou marcas -- parecem-me ingredientes de um cocktail potencialmente perigoso. Até ver, não me parece daqueles malucos maléficos que não se ensaiam nada em destruir a humanidade. Pelo contrário, tem dado mostras de se preocupar com ela. Mas creio ser uma pessoa dotada de uma curiosidade insaciável, de uma vontade imparável, de uma inteligência arguta e, por ter meios para ir atrás das suas ideias, pode aproximar-se de portas que, uma vez abertas, jamais se fecharão. E não sei se, estando perante essas portas, não será sempre tentado a abri-las. E, solitário como tende a ser, não sei se haverá ao seu lado alguém que o segure quando chegar o momento de o segurar.

Já teve vários casamentos e relações (uma das últimas terá sido com a polémica e ambivalente Amber Heard, agora muito nas bocas do mundo devido ao mediático processo que a opõe a John Depp) e já teve oito filhos (mas apenas sete estão vivos), o último dos quais com um nome do além, X AE A-XII. 

Aparentemente agora não anda com ninguém pois foi à Met Gala com a sua bela, jovial e bem disposta mãe, uma modelo com uma grande pinta, Maye Musk.

Há algum tempo Elon Musk anunciou que lhe foi diagnosticado autismo --  o que não estranho. 

E, se não tenho tido curiosidade em saber muito sobre as suas actividades pessoais e sociais e sobre a sua extraordinária carreira, não deixo de pensar que estas pessoas que se tornam tão poderosas e que operam em sectores tão novos e tão desregulados, um dia podem tornar-se, mesmo que não voluntariamente, demasiado perigosas e, se isso acontecer, ninguém saberá como lhes deitar a mão. 

[Estou a escrever e a pensar em Putin. Não terão muito que ver um com o outro. Mas Putin também meteu umas ambições na cabeça e, por ser poderoso e por não haver a seu lado quem consiga travá-lo, está na bárbara deriva imperialista em que está sem que o mundo saiba bem como travá-lo]

Hoje tive curiosidade em ouvir Elon Musk. A entrevista é interessante. O entrevistador tem pinta, sabe ouvir, sabe questionar.

Elon Musk diz coisas curiosas (o título deste post foi extraído de uma destas entrevistas). E di-las com alguma contenção e sem aquela segurança com que habitualmente falam os que se encontram no patamar em que ele está (Bill Gates, por exemplo). 

Ao contrário de Bezos ou Gates que falam como quem já atingiu objectivos inimagináveis, Elon Musk fala como se ainda estivesse a dar passos no sentido dos objectivos que gostaria de alcançar. E isso ainda me parece mais preocupante. 

Mas pode ser que esteja a preocupar-me à toa.

Elon Musk On Twitter Fame, Loneliness, And AI


Elon Musk On Putin, Nuclear Power, And Love


E ainda esta: 

Work every waking hour  - Elon Musk



Desejo-vos um bom dia de domingo

sábado, maio 07, 2022

Maio. Dia sete.

 



Fomos andar à beira de água ao fim do dia. Estava calor e cheirava a maresia. Quando o disse o meu marido disse: Cheira é a ganza. E, de facto. Não sei que é isto mas agora, ao andarmos por ali, cheira que se farta. Não sei se liberalizou, se virou moda, se é por motivos terapêuticos. Se for, não sei a que é que faz bem, talvez à ansiedade. A malta está numa boa, a sentir as boas vibes do mar, a inalar uns ansiolíticos em estado gasoso. Digo eu.

Por volta das sete e muito da tarde, perto das oito, talvez mesmo oito, a praia estava cheia. Muita gente de outras paragens o que dá aquele ar eclético que me agrada. Línguas que reconheço, línguas que não. Gente a tocar, musiquinha com arzinho de mar e de sunset. Gente de skate, gente de bicicleta, gente a correr, gente a coxear. Eu não, que o brufen de ontem à noite me deixou fina. Sempre gostei de ser turista acidental no meio de outros turistas acidentais. 

E muita gente a tomar banho. Não sei se a água estava boa, se há muita gente corajosa. Devia ter levado a máquina para fotografar. Mas não levei. Quando saí de casa estava exaurida, com vontade de me pôr a milhas. 

Há muita gente a passear cães e é engraçado que a nossa fera se marimba para todos. Os pequeninos passam-se da vida com ele. Ladram-lhe, querem-se-lhe atirar. Hoje uma lulu peluda e bem penteada, branquinha, fez-lhe um cerco e, do nada, tentou morder-lhe. Assustei-me e até soltei um pequeno grito. O meu marido quase o içou, para o salvar da garina afobada. E ele, estranhamente, nem aí. Continuou a andar na maior indiferença. 

No outro dia, na praia, um outro pôs-se a brincar, ele a brincar, os dois de roda um do outro, a cheirarem-se, a correr, a saltar. Amigos. Mas, de repente, começámos a perceber que o urso felpudo estava como que a querer colocar-se numa posição algo estranha. Assustámo-nos. Os miúdos apreensivos. Eu a não querer que aquilo avançasse. Todos a pensar que o big bear, na volta, seria gay, como que a querer saltar para a espinha do outro (por assim dizer). Mas não. O meu marido limitou-se a lamentar a nossa ignorância, disse que não tinha a ver com sexo, que era a forma dele demonstrar ao outro a sua posição dominante.

Pois não sei. 

Mas, na verdade, também estou naquela: quero é que ele seja feliz. E, de resto, daqui por uns meses, se calhar, fazemos o que a veterinária aconselhou: a castrar a fera. Não se depois fica a ladrar fininho ou se a coisa não afecta. Mas também não interessa.

Bem. Adiante.

Dizia que o que sei é que não se enerva com os outros cães. 

O que o enerva verdadeiramente é quando o 'seu' rebanho dispersa. Por exemplo, se eu me afasto para entrar numa loja ele fica possuído, dá saltos no ar, quase piruetas, puxa, quer ir atrás, quer soltar-se da trela, fica num estado de nervos. E, quando me reaproximo, põe-se de pé, abraça-me, emocionado pelo reencontro. E isto acontece quando os miúdos se afastam, quando qualquer um de nós se afasta. O seu instinto de pastor fica bem patente quando alguma ovelha parece tresmalhar-se.

Resumindo.

Voltámos para casa tarde, oito e tal, se calhar quase nove. Já não uso relógio, não sei. Nada de mal pois o jantar estava feito: restos. Souberam bem, souberam a sexta-feira, a não ter que fazer o jantar. 

A semana foi complexa, o trabalho com algumas coisas ensarilhadas, o dia embrulhado desde muito cedo até ao fim do dia. E tinha eu pensado que a semana ia ser tranquila. Fiz mal. Não se deve pensar isso. Devemos deixar rolar.

Felizmente já estamos no sábado. Um fim de semana a começar e calorzinho e canto de passarinhos e a primavera toda atrevida a dar-se ares de verão. Coisa boa.

E é quase dia 9 e vamos ver o que aí vem. Muito preocupada com tudo. Não é só a brutalidade. É também a hipocrisia. O desrespeito. 

Mas não vou falar disso. 

Tenho que descobrir um mantra para mim. Como poderá ser? Como é um mantra? Palavras de agradecimento e de alegria? Palavras que transportam flores no seu regaço? Não sei. Não sei mesmo.

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As flores foram fotografadas pelo talentoso Cho Gi-Seok e fazem-se acompanhar por Melody Gardot e Philippe Powell que interpretam This Foolish Heart Could Love You

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Um bom sábado
Peace and love

A beleza dela aos 75 anos, confortavelmente fora da sua zona de conforto

 

Na sequência de dois posts anteriores, volto à Met Gala para mostrar Glenn Close, a fantástica Marquise de Merteuil em Dangereous Liaisons (uma das minhas personagens especiais num dos meus filmes de eleição), a arranjar-se.

Não seria nada de especial se ela fosse uma habituée. Ora não é: esta é a sua primeira vez. Ou se fosse uma das menininhas com milhões de seguidores por serem bonitas, jovens e narcisistas. Ora não é. Nem seria nada de especial se se mostrasse produzida e perfeita. Ora mostra-se sem maquilhagem (tal como se mostra com o cabelo quase branco).

Portanto, ao vê-la assim antes de estar pronta e ao vê-la a desfilar, bela e divertida, nos seus orgulhosos 75 anos, fiquei com vontade de aqui trazer de novo um vídeo relacionada com a Met Gala.

Glenn Close Gets Ready for Her First Met Gala | Vogue

"This is comfortably out of my comfort zone. I live in Bozeman, and we do not wear clothes like this in Bozeman," says Glenn Close as she gets ready for her very first Met Gala.

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Divina




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sexta-feira, maio 06, 2022

Estou quase contente com a minha aparência

 

Dias muito aloucados, cheios de muito trabalho e preocupações. Como se não bastasse, acordei com uma dorzinha na perna. Tento lembrar-me do que possa ter sido. Muitas idas e vindas com o regador grande? Idas e vindas do supermercado, os sacos pesados demais? Muitas horas de reuniões? Tenho sorte em não ter que fazer quilómetros a pé. Ou estar dias seguidos encolhida debaixo da terra. Tenho sorte.

Ao fim da tarde, fomos até à praia e trouxemos de lá sushi. Não deu para andar muito, estava meio coxa. Só que a minha coxidão melhora à medida que ando. Ainda assim não abusei, estava a melhorar mas não a ficar boa. Mas bem o sei: quando os músculos dão de si, melhor mesmo é não abusar. Mas sei: pior mesmo é estar sentada, horas sentada. Só que não dá para evitar. Só se passar a fazer reuniões de pé.

Já tomei um comprimido a ver se amanhã me aguento toda a manhã a resolver, sentada, os grandes problemas da humanidade.

A seguir ao almoço, fui num bocado espreitar o calor da rua. A pequena fera cabeluda veio comigo. Somos unha com carne. Enquanto eu estou a trabalhar, ele deita-se ao pé de mim. Quando há sossego, ele gosta de dormir. Se vou à rua, ele vem. Se regresso, ele corre para me acompanhar. Tem receio que o deixe na rua. Já o enganei vezes de mais, por isso já não se fia. Compreendo-o.

Agora na casa grande aqui do lado, há dois cães. Um deles é um pastor-alemão gigante, com um vozeirão daqueles. O ursinho peludo, que é todo territorial, fica possuído. Ladra, corre ao longo do muro, põe-se de pé. Do lado de lá, o outro faz o mesmo. Não se vêem mas pressentem-se. O meu felpudinho já anda nas patas de trás. Põe-se de pé e anda em duas patas. Também, várias vezes por dia, põe-se de pé, abraça-me, dá-me beijinhos. Juraria que sorri. Retribuo com carinho e mimo todo esse afecto.

Há dois dias, também fomos os dois até ao jardim. Ele deitou-se na relva. Eu deitei-me ao lado dele. Ele pôs-me uma patinha por cima do meu pescoço. Fiquei a descansar, deitada, ele abraçado a mim, eu abraçada a ele. Quando me soergui, estava um pintor encavalitado no muro do outro lado, do lado dos outros vizinhos. Fiquei atrapalhada e acho que ele também disfarçou.

Gostava de saber se o esquilinho ainda anda in heaven. Gostava que aqui também os houvesse. Um lugar que os animais escolhem para viver é um lugar abençoado. 

Gosto cada vez mais de animais. Gosto da natureza. Venero a natureza. 

E, no entanto, passo grande parte da minha vida fechada entre quatro paredes a resolver problemas e a enfrentar gente que só me traz complicações, mal me deixando respirar.

Há bocado estive a ver as notícias do dia e a ver vídeos. O meu marido queria ouvir qualquer coisa na televisão e disse para eu baixar o som ou me deixar disto, diz que eu devia ver menos coisas sobre a bárbara e inqualificável infâmia que a Rússia não se cansa de levar a cabo na Ucrânia. Muitas vezes durmo mal por causa disto, tenho pesadelos, acordo.

Então fiz-lhe a vontade e pus-me a ver o último episódio das Avós da Razão. São sempre engraçadas. Divertem-se a conversar e a relembrar o passado. E são todas pr'à frentex. Não há ali saudosismos, arrependimentos tal como não há baias nem medos. Entre risotas, não apenas batem bolas como, na maior das alegrias, chutam à baliza. Três mulheres que se alimentam da amizade, do riso e do futuro que têm pela frente.

Ao ouvi-las lembrei-me de no outro dia a minha mãe nos ter perguntado se uma conhecida, uma que até há alguns anos era do mais jetset, com vários editoriais e reportagens em família, ainda era viva. Há algum tempo que não ouvimos dela. A minha filha disse que sim e contou que a tinha ido ir ver ao hospital. Ao chegar, pensou que estava a dormir e disse à acompanhante que voltaria mais tarde. E que, para grande surpresa, da cama, ela exclamou: 'Não 'tou nada a dormir! 'Tou acordada, atão não vê...? Sente-se aqui, querida.' Diz a minha filha que estava tão esticada, tão repuxada, que nem se percebia onde estava a boca, onde acabava o nariz e começavam as bochechas e em que paravam os olhos. Diz que parecia que estava a dormir. Afinal estava era tão repuxada que não se lhe dava por sinais de vida. 

Foi como noutra vez, já aqui o contei, um amigo ao mostrar-me a reportagem fotográfica de um evento a que tinha ido e ambos, na fofoca, comentando este e aquele. Até que ele disse: 'Olhe, a sua amiga'. E eu, a olhar para um grupo em que estavam dois casais a conversar e sem conhecer as mulheres. Os homens eu conhecia, e bem, mas não as mulheres. 'A minha amiga...?', eu, sem ver qualquer amiga. E ele: 'Olhe bem. Atão não 'tá a conhecer?'. E eu, vista apurada: 'Não...'. Até que ele disse o nome dela. E eu: 'Nãããooooo...'. Por mais que olhasse não me parecia nada ela. E ele: 'Atão não vê...? Repuxou-se outra vez. Ela e a mãe estão quase iguais.'. Nem uma ruga, nem uma pelezinha mais flácida. Tudo em cima. Irreconhecíveis face ao que eram antes. Viciadas em plásticas.

Mas é lá com elas, claro.

O que me espanta é que não têm medo de anestesias nem do desconforto pós-operatório. Há quem faça preenchimentos e choques vitamínicos na pele e raspagens na pele e sei lá que mais. Mas há quem vá mesmo à faca e opte por retirar vários anos de cima. O pior é que, no acto, perde-se a expressão. 

Mas, se calhar, é preconceito meu. Se calhar, se houvesse uma maneira fácil, indolor, caseira e eficaz de eliminar rugas ou de eliminar os vestígios da idade, se calhar eu até tentava. Mas tinha que ser coisa pouca, ao de leve, que não me descaracterizasse. Uma coisa como fazer depilação em casa. 

Mas, enfim, passemos ao que interessa: a conversa aqui das minina. Não há tabus, não há nada disso: só espontaneidade e graça.

VALE TUDO PARA SE SENTIR JOVEM | Avós 182


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Fotografias de Cho Gi-Seok na companhia de Sarah Vaughan que interpreta Tenderly

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Desejo-vos uma happy friday
Alegria. Saúde. Paz.

quinta-feira, maio 05, 2022

Topless, lingerie, espectacularidade, maluqueiras... sobrancelhas descoloradas... e muitos milhõ€$.

 

Volto ao tema do extraordinário desfile de vestimentas que, uma vez mais, teve lugar na mediática e global passadeira vermelha que é a Met Gala. Todos os grandes costureiros lá estão representados através de indumentárias que actrizes e modelos usam. O evento é temático e este ano o tema foi The Gilded Age. Contudo, as interpretações nem sempre são literais. Algumas são subversivas, outras são irónicas, outras mesmo cómicas.

Poderemos ter tendência a desvalorizar liminarmente eventos desta natureza. E, de facto, o mundo do glamour e dos holofotes é um mundo de aparências, de superficialidade, de vaidades. 

Mas é, ao mesmo tempo, uma poderosa indústria, uma actividade que obriga a um permanente exercício de criatividade a nível artístico e a imensos avanços de inovação a nível de materiais e de técnicas de confecção. Como uma das derivadas da alta-costura temos depois a poderosa indústria do pronto a vestir com toda a indústria têxtil e todo o comércio associados.

Como outra derivada, não negligenciável, há a comunicação social ligada à moda em si, aos eventos de moda, aos agentes e actores deste imenso e eterno carrossel.

Se ontem já aqui mostrei o vestido que a socialite Kim Kardashian usou, hoje mostro alguns dos outros modelos mais espectaculares. Destaco dois deles. Melhor: três.

Primeiro o vestido que Blake Lively usou, chegando com ele numa cor e, depois, ao desdobrar-se o laço, ficando com ele, sumptuoso, numa outra cor. 


Estava maravilhosa, com um vestido épico, um Versace de antologia, inspirado em Nova Iorque. 

Destaco também Cara Levingne, em Dior, que, ao despir o blaser, ficou em tronco nu, com o corpo pintado de dourado. Acho uma ideia fantástica. 

Acho que também estava uma graça, com os seus sapatos descarados e a sua insólita bengala (ver-se-á melhor no vídeo).

A terceira foi Gigi Hadid em Prada e Versace. Toda ela estava um espanto. É mais uma daquelas toilettes que ficará para a história. Imperial na cor, no design, no porte (é a primeira fotografia)

Como costuma acontecer nestas coisas, tão ou mais importantes do que a festa oficial são as after-parties às quais as celebridades comparecem com outras toilettes. Aqui imperou a moda que se dá ares de lingerie, sexy e louca, boa para a farra que se estende pela madrugada. Vários foram os modelos aparentemente mais adequados a um ambiente de boudoir do que de copos e fotos noite dentro. De entre eles destaco o que Bella Hadid (irmã de Gigi) usou.

Uma das mais badaladas foi a festa organizada por Naomi Campbell e Kate Moss que agora gosta de aparecer com ar bem comportado, comedida, e que parece ter cedido o passo à sua filha Lila Grace que não tem, nem pensar, o ar malandro que tão bem caracterizava a sua espantosa mãe. 

Curiosamente, Lila Grace, que precisa de usar uma bomba de insulina, desfila com ela bem à vista (na anca), mostrando que na moda não deve haver limitações.

Uma das outras derivadas da indústria da moda tem a ver com a maquilhagem. Também aqui há uma poderosa indústria que tem que estar permanentemente a inovar. 

Desta vez a grande novidade a este nível teve a ver com as sobrancelhas. Tempos houve em que a moda era ter as sobrancelhas bem depiladas. As mulheres tinham que as ter fininhas, sem pelos a mais. Havia e há técnicas infalíveis desde arrancar os pelos com uma linha ou com um nylon, não sei, ou, mais definitivamente, a laser. Depois passámos a ter que ter sobrancelhas marcadas. Pensava eu que era aqui que ainda estávamos. Não há tutorial de maquilhagem que não reforce a cor, a espessura, não simule um desenho mais marcado. Há até quem faça implantes para não ter que andar a desenhá-las todos os dias. 

Como não sou muito disso, nunca fiz nada às minhas. Mas ultimamente, ao ver como devem maquilhar-se as mulheres da minha idade, já começava a interiorizar que deveria compensar as minhas sobrancelhas claras com algum tom que as tornasse mais visíveis. No outro dia, encontrei numa gaveta um lápis de eye liner em tom castanho e experimentei passá-lo nas sobrancelhas. Não gostei. Esbati com o dedo e fiquei a olhar-me ao espelho a ver se parecia mais actualizada. Fiquei na dúvida. Sobretudo achei que, apesar da subtileza, me mudava um bocado o semblante. Ora como tenho a impressão que o semblante tem um bocado a ver com a personalidade, limpei. Mas fiquei a pensar que havia de experimentar numa outra ocasião, a ver se já me encarava com outra abertura de espírito.

Pois bem, nem mais: este ano várias participantes na Met Gala apareceram várias com sobrancelhas descoloradas, despercebidas.

Dizem que abre a expressão, que alisa a sobriedade e abre espaço à sensualidade de um olhar que se mostra nu. Fiquei mais consolada e a pensar que escuso de insistir no reforço das minhas.

[.... Tudo coisas à toa, sem grande profundidade... bem sei... mas é o que há]

The 10 best dressed from the Met Gala 2022 | Bazaar UK


Desejo-vos um dia tão bom quanto possível
Bons sonhos. Boa sorte. Paz.

quarta-feira, maio 04, 2022

Porque é que o comunismo falhou e mensagem para o futuro -- a palavra a Bertrand Russell

 

Não sei se deveria dizer comunismo se marxismo. Sei que há comunismo que não é marxista -- maoista ou trotskista, por exemplo --, mas como, na verdade, acho que o comunismo já não é nada pois de sonho virou ilusão e, de ilusão virou desilusão, adiante. Todos os regimes que poderiam servir de modelo viraram desapareceram. Ou viraram capitalismo selvagem, covil de gente doida ou ditadura pura e dura. 

Mesmo a cena da ditadura do proletariado que ainda é bandeira do nosso PCP virou coisa duplamente sem sentido, primeiro porque ditadura é coisa que não está nem nunca esteve com nada e, segundo, o proletariado de que os comunistas ainda falam é uma mescla de tantas situações que já nada tem a ver com o que ainda têm na cabeça e nos slogans deles. Os problemas e as aspirações dos mais desfavorecidos de hoje não têm muito a ver com o que os comunistas defendem.

As pessoas, em geral, para além das boas condições de vida, querem tolerância, justiça, compreensão, felicidade, um planeta para as próximas gerações. Não querem a conversa de luta na rua nem o tom agressivo que usam os comunistas, não se revêem em nada do que eles falam, nem na forma como falam. 

Há trincheiras no discurso e nas mentalidades dos comunistas e há rancor nos argumentos que usam contra quem está do outro lado. É gente que, de forma geral, quando contrariada, vira má onda. Penso que só devem estar bem quando estão com os seus, urdindo as suas conspirações, alinhando argumentos contra 'inimigos'. Não é gente inclusiva, compreensiva, generosa.

As observações que ouço a Bertrand Russell batem muito certo com o que penso.

E os seus conselhos às gerações futuras também.

[É curioso como o algoritmo do YouTube, de entre os milhões de vídeos que tem em arquivo, detecta aquilo que me agradará. Fico sempre surpreendida. Os vídeos que diariamente tem para me sugerir revelam bem a inteligência dos programadores que o desenvolvem. 

Por exemplo, hoje estava numa de reflectir um bocado sobre isto tudo, no que tudo isto é, no perigo que corremos sem nos darmos conta, no potencial de perigo que há dentro de pessoas que julgávamos parecidas connosco. Coisas assim. Isto da Ucrânia e isto da Rússia veio desenhar um outro mundo. Várias linhas vermelhas foram postas a descoberto e o mundo, de certa forma, tornou-se diferente. O amor à liberdade, o respeito pela liberdade de opinião dos outros, o respeito pelo direito à autodeterminação dos povos e, sobretudo, o amor e o respeito pela vida humana em toda a sua integridade vieram desenhar uma nova geografia. Putin não percebe nada disso e os que, dizendo que não, na prática o defendem também não. Putin vai cair e os putinistas e os comunistas ficarão sem chão. Se souberem deixar as suas ortodoxias, talvez tenham o bom senso de perceber que o melhor é reconverterem-se e integrarem-se no mundo real. 

E então, estava eu neste comprimento de onda, aparecem-me estes vídeos com as palavras de Bertrand Russell. E é isto mesmo.

Bertrand Russell - Mensagem para o futuro

Bertand Russel dá dois conselhos para as gerações futuras baseado no que aprendeu. O primeiro conselho é sobre aceitar o que os factos mostram. O segundo conselho é sobre a importância do amor acima do ódio.
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Bertrand Russell - Porque falhou o comunismo

Russell on Marx and his great failure

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NB: Recomendo também a leitura de Mentes enlouquecidas.

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As fotografias têm a ver com o ITS - International Talents Support

E a quem esteja mais afim de cenas algo extravagantes e queira saber o que é que liga a Kim Kardashian a Marilyn Monroe só posso sugerir que desça até ao post seguinte
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Desejo-vos um dia bom
Boa sorte. Boa onda. Esperança. Paz.

Happy birthday, Mr. President
O mesmo vestido -- Marilyn Monroe e Kim Kardashian (com 60 anos de permeio)

 


Quase há 60 anos, em 19 de Maio de 1962, Marilyn Monroe cantou um sensual Parabéns a Você ao Presidente John F. Kennedy, ao que parece seu amante.

O vestido era tão justo que teve que ser acabado com ela lá dentro. Tinha 36 anos, parecia feliz e irradiava aquela luz que as câmaras amavam.

Três meses mais tarde, estaria morta. 

Para a Met Gala deste ano, Kim Kardashian, 41 anos, resolveu aparecer com nada mais, nada menos que esse mesmo vestido. Para conseguir enfiar-se nele fez dieta para perder 7 kg. 

Conseguiu que o museu ao qual o vestido pertence o emprestasse. Contudo, para garantir que não o estragava, foi feita uma réplica que, logo após a entrada, tomou o lugar do vestido de Marilyn sobre o corpo da curvilínea Kim.

Com a arrojada opção, a mais rabuda das Kardashian conseguiu tornar-se um dos centros das atenções. 

E sobre o acontecimento nada mais tenho a dizer a não ser que este é um mundo muito bizarro. 

(Acredito que, se o gelo quase todo derreter e a temperatura em muitas partes do globo tornar o planeta praticamente inabitável (coisa que começa a aproximar-se perigosamente), continuaremos a ter festas de glamour como esta, continuaremos a ter as redes sociais que se ocupam deste género de eventos a bombar e... sei lá que mais... No entanto, que fique claro, nada contra. Faz-me muito, mas mesmo muito, menos impressão isto do que haver gente que acha que a Ucrânia não deveria defender-se e que os ucranianos não deveriam ser ajudados.)

terça-feira, maio 03, 2022

É o fungagá da bicharada in heaven
... mas, por enquanto, ainda não apareceu nenhum jacaré para se refrescar com cerveja (coca-cola não temos)

 



Pela generosa mão de Leitor/a Anónimo/a chegou-me um artigo que me deixou toda sorrisos e vontade de largar as reuniões desta semana e correr para o campo, ver se descubro o esquilinho de domingo e, se calhar, vários outros. 

Não o farei, claro. Fui formatada para colocar os deveres antes dos prazeres e, por isso, vou ficar aqui a imaginar e a desejar que a realidade seja melhor ainda que a imaginação enquanto me consumo em reuniões e mais reuniões, todas imprescindíveis e inadiáveis. 

E, no entanto, não fosse eu como sou e logo iria atrás do que penso: que vale mais um esquilinho peludo no alto de um pinheiro do que vários gestores metidos a besta

Devia ter fotografado aquele chão todo atapetado de caruma e restos de pinhas. Dezenas de pinhas todas como nunca as vi, desbastadas, quase parecendo maçarocas sem grãos de milho. O que deu nas pinhas? - andava eu a interrogar-me. Terá ventado demais por aqui? Caíram e debulharam-se em pleno voo? -- intrigada, eu. E agora, ao ler o artigo, vejo que pode ser sido o bichinho e, se calhar, irmãos e primos. Pinhas roídas parece que é sinal de que há esquilos no pedaço.

Já não bastam aquelas pegadas fundas que continuam a aparecer por lá e que o João me disse que deve ser obra de javali. Ou os gatinhos que, de vez em quando, por lá andam. No sábado vi um pequenino, cor de leite e baunilha, coisa mais lindinha. Olhou-me e depois fugiu. Passarada, então, nem se fala. E lagartixas....? Xi... por todo o lado... tantas. De vez em quando, ao andar, ouço barulhos no chão, alguma coisa que foge. Não se vê nada, só se ouve. Mas, no outro dia, andava a atirar lá para baixo umas pernadas de pinheiro e de azinheira que tinha cortado quando ouvi: zzzzzz..... Estava numa ponta, ao pé de uma escada escavada na pedra. Depois vou lá abaixo, apanho as pernadas e ponho-as no poço de compostagem, aquele lugar misterioso sobre o qual a Guigui um dia perguntou se podia andar por perto em segurança, se não saíam de lá bichos perigosos, ursos ou assim. Mas, então, eu estava a atirar as pernadas e ouço a passar-me ao lado zzzzzzz...... Olho e quase me arrepiei por dentro: uma cobra enorme, serpenteando, se calhar saindo de onde estava em busca de abrigo mais seguro. De cobras confesso que tenho algum receio. Bichas traiçoeiras. Dantes também havia muitos coelhos. Agora nunca mais vi. Não sei se foram os caçadores ou se foi uma doença. E agora apareceu o mais inesperado e mais fofo dos bichos... o esquilinho

E pensar que, se a minha filha não o tivesse visto, não saberíamos da sua presença. Quantos mais serezinhos vivem entre nós sem que nem sequer nos apercebamos da sua existência...?

Curiosamente o nosso pequeno urso felpudo não presta grande atenção a toda a fauna que habita este nosso espaço. Segundo me disse aqui quem sabe, o José Duarte, ele não reconhece que sejam ameaças. Em contrapartida, se ouve uma mota ou um carro a passarem na estrada, sai a correr e a ladrar, possuído. Depois regressa a abanar o rabo, olha para nós, pede o nosso reconhecimento. Eu elogio: 'Lindo... Toma muito bem conta da casa... Muito bem...!'. E todo ele se derrete de alegria.

Agora, quando saímos de casa ou quando estamos lá para dentro, temos sempre o cuidado de fechar a porta. O episódio do ratinho que, há uns meses, se infiltrou, fazendo disparar os alarmes da casa (numa noite em que não estávamos lá) e obrigando-nos a ir para lá fazer uma caça ao intruso, serviu-nos de emenda. 

E felizmente temos a sorte de por lá não haver jacarés senão ainda corríamos o risco de, um dia, ao entrarmos em casa, depararmos com as garrafas de águas das pedras ou de cerveja todas bebidas e um crocodilo a arrotar como um magala em dia de folga da recruta.

E, a quem pense que estou a alucinar, informo que não. Aconteceu ao casal Karyn e Jamie Dobsonque, residentes na Florida, que, tendo aprovisionado várias latas de coca-cola (diet cokes, note-se) para a festa de anos do filho, ao ouvirem um barulho estranho, foram tentar perceber o que se passava. Ao chegarem à garagem nem queriam acreditar: latas abertas, coca-cola borbulhante... e um jacaré...

Diz que é coisa não rara, em especial na altura do acasalamento: parece que, em situação de carência, quase trepariam às paredes se as encontrassem. Ou seja, fazem qualquer coisinha a ver se arranjam com quem até irem por aí à procura de um date. Não sabem que podem inscrever-se no Casados à Primeira Vista. Os especialistas haveriam de arranjar uma histérica que fizesse match com um alligator assanhado ou um marialva de pacotilha para acasalar com uma crocodila 'com uma grande mochila' (como agora soe dizer-se).

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E é isto. 

As fotografias foram feitas in heaven, como é bom de ver. 

Claro que estou a fazer um esforço para não falar no programa de televisão russa em que um anormal mostrou como é de caras destruir Berlim, Paris ou Londres. Mas hoje não.

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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível

Serenidade. Saúde. Força. Esperança. Paz

segunda-feira, maio 02, 2022

Um esquilo in heaven

 

A ver se mais daqui a nada conto como foi o meu dia. Chegámos há pouco a casa, passa das onze da noite. O meu marido está ali a comer qualquer coisa mas eu vou só beber um chá. Lanchei e, como não costumo fazê-lo -- e, na volta, ainda não tinha rebatido completamente o almoço --, estou sem fome. 

Tivemos a maltinha toda in heaven mas claro que não poderia deixar de ir visitar a minha mãe. Por isso, quando viemos do campo, ainda fomos lá. Conclusão: o dia acabou por dar para tarde.

Tentativamente ainda cá volto mas agora venho apenas para uma incrível novidade. 

Estava a lavar a alface quando vi a minha filha a vir e a falar. Com a janela fechada não a percebi. Ela tentava quase soletrar e fazia gestos. Mas tão longe estava eu do que ela estava a dizer que não percebi nada. Vinha com ar surpreendido, falava e eu sem perceber nada. Saí e continuei sem perceber quando ela disse: 'Um esquilo!'. Não percebi. E ela: 'Estava ali, olhou para mim, é grande'. E eu: 'Não pode ser. Seria mesmo?'. E ela: 'É, vi perfeitamente, um rabo grande, peludo, levantado'. E eu, sem acreditar que fosse um esquilo: 'Seria uma raposa pequena?'. E ela que não: 'Não, é um esquilo, trepou, está lá em cima, no pinheiro'.

Peguei na máquina fotográfica. Os meninos, entretanto, ouviram, vieram também. Lá fomos para o largo da capela onde estão dois pinheiros mansos muito grandes. Ela apontava e nós não víamos nada. Ela também andava à procura. Até que gritou: 'Ali!'. Olhámos, expectantes. E lá estava ele, encavalitado num ramo lá bem em cima.

Cá em baixo os meninos gritavam, eu tentava focar a máquina -- o que não era fácil com os outros ramos de permeio. Quase só via um tufinho de pêlo.

Até que encontrei um ângulo favorável e o vi distintamente. Tão querido... 

Não sei de onde veio. Em tantos, tantos, anos nunca ali vimos esquilos. Não sei se haverá mais, não sei nada de esquilos. 

O que sei é que gostaria que ficasse por lá, que houvesse mais, que se chegassem a nós, que se afeiçoassem, que brincassem connosco. Estou encantada, encantada, encantada.

O dia foi maravilhoso, estivemos juntos in heaven, lugar de que todos tanto gostamos, estava uma temperatura boa, uma luz dourada e amável, almoçámos e lanchámos juntos, tudo tão bom... e, ainda por cima, esta extraordinária descoberta. Um esquilinho. 

Um esquilinho in heaven.


domingo, maio 01, 2022

Falo do deputado totozeco apanhado a ver pornografia no telemóvel, antes do momento da votação?
Ou deixo-me disso e falo antes de um apartamento alugado muito bonito, muito bem decorado?

 

No que se refere a Neil Parish estou como o João: tanto fusuê por causa de uma coisa destas? O homem, enquanto no exercício das suas funções, andava à procura de tractores quando, naturalmente, foi parar a um site porno. Toda a gente sabe que quem diz tractor está na verdade é a pensar em ver como é que o bicho pega. Mas o Parish não sabia. Pasmou, olhou e viu. E, afinal, que mal tem? Quem nunca? Perante um tractor vagabundo quem nunca arregalou os olhos a ver se descobre que diabo se esconde ali?

Ora. Só santinhos.

Mas ele, o Neil, que é toryzinho e de lagriminha no canto do olhinho, confessa que, não esclarecido, foi lá uma segunda vez. Na volta quis ver modelos de pá levantada, modelos de pá de arrasto. Whatever

Só que aquilo ali, naquele parlamento, as condições não são as melhores. Tudo acanhado. Tem que estar tudo perna com perna. Hoje vi umas imagens em que uma senhora estava empalmada entre dois calmeirões. Para caberem os três, um tinha que estar de lado com o braço por cima dela e o outro encolhido tentando, mas não conseguindo, empernar com ela. Depois queixam-se de má conduta. É que não sei como evitá-la. Está bem que, se os parceiros foram horrorosos e mal cheirosos, ainda dá para se encolherem e fazerem de conta que não dão por nada, que estão ali só mesmo pelo penteado do Boris. Agora se são simpáticos e jeitosos, ali aconchegados uns nos outros, como evitar que role um climinha? 

Depois, claro, se algum outro da bancada da frente quer arranjar confusão, logo vai intrigar e pôr a rádio alcatifa a comentar que, em vez de estarem concentrados nas leis, estão é a medir a temperatura um ao outro e, nitidamente, se não rolou já pintou. E dali até soar que, entre aqueles dois, há ali má conduta não vai um segundo.

Pois bem, foi no meio destes amassos, uns aconchegados nos outros e os de cima logo ali em cima verem o que se passa na bancada de baixo, que o fofo do Neil se foi pôr a ver as habilidades dos tractores, e si cariño, si cariño, truca-truca, para a frente e para trás.

E agora, tendo sido apanhado naquela sua curiosidade inocente pelos colegas, tudo gente pura e pudica, caíram-lhe em cima. São os colegas, são as televisões e jornais, são as redes sociais: que não há perdão possível. É para a rua e é já. Andor.

E ele, tipo menino do coro, fofinho da sacristia, confessa que pecou, chora, todo ele arrependimento, diz que está a fazer sofrer a mulher e o que isso lhe custa só ele sabe, assume o erro, diz que foi um momento de loucura.

Não sei de que são acusados os outros cinquenta e tal, incluindo três ministros, de quem se diz serem também gente de má conduta. Terão posto a mão na perna do gordo do lado? Terão contado a anedota do macaco Horácio no intervalo de uma votação? Terão visto as capas do Correio da Manha? 

Não sei, não faço nem ideia.

O que sei é que parece que está tudo maluco. Não há explicação.

Portanto, com vossa licença, sigo para um tema em que ninguém me vai poder pegar: não tem a ver com pornô, não tem a ver com Putin nem com o Partido do Zê, não tem a ver com geopolítica nem com a ausência de cultura grega. 

Nada. Decoração pura e dura. Neste caso nem com arquitectura tem a ver. Só com bom gosto. A designer do ano lá da terra dela, a Sophie Ashby, foi para um andar alugado e fez dele uma coisa fantástica. 

Our Designer of the Year Sophie Ashby on decorating her rented Georgian house | Design Notes


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Desejo-vos um feliz dia de domingo
Vivam os trabalhadores e viva o merecido descanso!
E juízo nessa cabecinha. Saüdinha da boa. Paz a sério.