terça-feira, fevereiro 07, 2017

O populismo está a mudar o mundo.
[E uma ou outra reflexão de baixe calibre]




Se ligo a televisão ao fim de semana, pelo menos nos canais nacionais, é música pimba e apelo a telefonemas para sortear dinheiro e acho que pouco mais. Se se ligam os canais de cabo à noite ou há comentadores a eito a falarem de qualquer tema que levante cabelo seja por que motivo for ou comentadores de futebol. 

Se passam filmes em horário de grande audiência são perseguições, crimes, tiroteios, vinganças. 

Se vemos o que se passa na Assembleia da República pasmamos: salvo algumas nobre almas que levam o seu mister a sério, o resto é o rebotalho que deu à costa em eleições finadas ou uma primeira fila de grilos falantes e inúmeras fiadas de gente que entra muda e sai calada. Dá ideia que, a nível político, há umas duas ou três dezenas com competência e olha aí.

Entra-se numa livraria grande público e é lixarada a eito. Para encontrar alguma coisa que se aproveite, uma pessoa pena, sem saber em que secção espreitar.


Vai-se a um restaurante de tipo 'grande público' e a maioria das pessoas está a ver os telemóveis, a fotografar a comida, a fazer selfies ou, certamente, a fazer post no Face ou a ver por onde andam os 'amigos'. Se há um cão que morde o dono, logo se erguem cinquenta movimentos de apoio ao cão, se uma celebridade usa um vestido que deixa a coxa grossa à vista, logo mil bloggers virgens se ofendem, se alguém desencanta um artigo falso de um qualquer jornalista conhecido, logo é repostado e tripostado como se de carne fresca se tratasse e logo mil vozes ofendidas e outras tantas apoiantes se enfrentam como se estivesse em causa um crime de sangue ou um golpe de regime.

Este é o admirável mundo novo que nos calhou na rifa. A uns saíu a fava, a nós foi pior que isso. Um imenso caleidoscópio de anormalidades.

Neste terreno generosamente estercado, prolifera alegremente o populismo. Tudo vale. Verdades ou mentiras, factos verdadeiros ou alternativos, gente séria ou biltres encartados.

Nestas situações uma pessoa tem vontade de apontar o dedo a alguém. Encontrar o culpado, isolá-lo, apontá-lo a dedo é sempre um descanso.

Eu, sinceramente, não sei quem foi. Não pode ter sido apenas um ou dois. Não pode ter sido epifenómeno, coisa pontual com causa determinada.


Foi muita desregulação. Foi muita condescendência com a classe de intocáveis que fazia e desfazia à vontadinha, pagando prendas e prebendas a dúcteis e públicas figuras, tratando jornalistas como vulgares teúdas e manteúdas, avençando deputados e comentadores e levando a passear quem gosta de respirar o hálito do dinheiro. Foi também muita arrogância por parte de intelectuais que trataram os da plebe como sopeiras para quem uma ofensa seria paga mais do que justa, intelectuais de meia tigela que apenas sabem cavar fossos intransponíveis entre elites cultas e o povo. Foi tudo junto.

Chego aqui à noite e vagueio por entre as notícias. Muita baboseira, muita piroseira, muita poeira. Vagueio pela blogosfera e, aí, felizmente, encontro, de quando em vez alguma qualidade -- mas também muita futilidade, muito ressabiamento, muita pretensa elevação intelectual. 

Por exemplo, esta noite, no meio das trumpolinadas a esmo que a destrambelhada criatura americana não se cansa de plantar ao longo dos seus dias na Casa Branca, lá descobri uma ou outra notícia interessante. Por exemplo leio que Cientistas inventam laboratório de diagnóstico num "chip". E custa um cêntimo. Quase só esta notícia deveria merecer notícia de abertura, reportagem e debates. Nada. Notícia de rodapé.


Nos antípodas mais uma que até me fez rir. José Manuel Coelho pede asilo... ao ilhéu da Pontinha. Não sei se este artista, para além de gostar de armar fuzuê, faz alguma coisa de jeito em prol dos cidadãos, pelo menos nos que votaram nele. Só ouço falar nele quando arranja algum granel. 



Em linha com a notícia acima, uma outra: Cavaco Silva lança memórias presidenciais. A esfingíca figura, a quem nunca vi maior utilidade do que a José Manuel Coelho, vai agora pôr a boca no trombone. Mesquinho e vingativo como sempre se mostrou, imagino a elevação com que escreveu as suas memórias. Leio:

Cavaco Silva, o autor, assume, que o que está em causa é justamente as memórias dos seus dois mandatos presidenciais (de 2006 a 2016). 
Memórias centradas, em particular, nas relações com os três políticos que durante esses dez anos foram primeiros-ministros: José Sócrates (até 2011), Passos Coelho (2011-2015) e António Costa (os quatro meses finais do segundo mandato presidencial de Cavaco Silva). Era às quintas-feiras que o então PR recebia em audiência o primeiro-ministro.

Notícias assim. As que mereceriam destaque são ignoradas. As que mereceriam ser ignoradas são destacadas. Uma comunicação social que se deixou mercenizar, que faz o trottoir da audiências, rodando a bolsinha.

Depois é isto: a malta, o povão, acha que 'são todos iguais' e que é preciso é 'partir tudo', 'correr com eles', o lema é 'não, não, não'. Não interessa perceber de que é que estão a falar ou o que é que querem. A malta está a ficar 'contra o sistema' e, para o mostrar, vota nas maçãs mais podres desde que revestidas a ouro ou, simplesmente, nos que conseguem ter um discurso igualmente vazio pois assim não há quem se ensarilhe na semântica.

É isto. E até aqui eu consigo chegar. Não consigo é descobrir como sair daqui.


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Populism is reshaping our world


The Economist



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Para uma conversa muito pessoal  queiram, por favor, descer até ao post seguinte.

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Uma explicação e um ou outro apontamento


Não coloquei espaço para comentários na notícia quase em cima da hora do nascimento do meu querido quinto pimentinha pois teria muita vontade de, em resposta a cada um, me derreter, mil vezes agradecida, contar como são as suas mãos, tão bonitas, o seu narizinho, tão perfeitinho, a sua boquinha, mais linda, a carinha mais fofa, a forma como se pôs a olhar espantado para a confusão que ia à volta dele, ia ter vontade de contar como andou de colo em colo, bonequinho mais querido, ou como os maninhos olharam para ele. Ou seja, ou me ia pôr aqui, babadésima, a contar cada aspecto deste menino mais fofinho, ou fazia isto, não abria a caixa dos comentários. Apesar disso, ou por mail ou no 2º post, os votos de felicidades vieram. E claro que agradeço muito. Não fosse eu contida quanto à divulgação de imagens e já aqui vos mostraria a forma como pôs a mãozinha sobre o rostinho lindo ou como aguentou estoicamente passar de colo em colo. Tirei muitas fotografias e porque não posso usar flash ou sequer focar na direcção dele, que acende a luz interna, metade das fotografias estão escuras ou com alguém desfocado. Mesmo assim, aqui estive, sorrindo, vendo uma a uma, devagar. Acho que podiam vir mais meia dúzia de pimentinhas que eu ficaria assim, na mesma, encantada até à raiz da minha alma.

Não falei no que aí vinha, Teté, porque gosto de falar apenas quando os tenho cá fora. Não é por nada. São coisas cá minhas. Quero é que nasçam bem, que a mãe esteja bem, que tudo corra bem e isso é um desejo meu muito intenso, não partilhável. 

É como quando acontece algum problema de saúde grave na minha família: também só consigo falar quando as coisas estão ultrapassadas (para o bem ou para o mal). Durante o percurso, não me apetecem conversas. Um desejo muito intenso de que tudo corra bem é, para mim, coisa íntima.

Por vezes, enquanto escrevo sobre palhaçadas, cavacadas, laparices ou trumpalhadas tenho a acontecer, no meu círculo familiar mais próximo ou, mesmo, comigo, factos que seriam suficientes para me catapultar para fora de palco. Mas essa não é a minha natureza. É como se houvesse um conjunto de caminhos à minha frente e eu conseguisse movimentar-me entre eles, afastando-me de uns, percorrendo alegremente outros. 

Nisto de virem bebés a caminho, agora há análises em cima da hora e as jovens mamãs sabem logo se estão ou não grávidas. Antes havia atrasos e, ao fim de uma falta prolongada, ia-se ao médico, faziam-se análises, esperava-se pelo resultado. Levava o seu tempo e, por vezes, no entretanto, a coisa sofria outros desenlaces. Penso que, por vezes, quando havia um atraso no período e, ao fim de algum tempo, vinha uma menstruação mais abundante com dores de barriga mais violentas, talvez fosse uma inviabilidade que se resolvia por si. Nem se falava em aborto. Comigo, pelo menos, era assim. Digo que só estive grávida duas vezes mas sei lá. Admito facilmente que, duas ou três vezes mais, possa ter tido uma gravidez inviável. Agora não é assim. 
Nestes tempos recentes, já aconteceu saber-se que vinha aí mais um bebé e, ao fim de um ou dois meses, um choque: a gravidez ficava por aí com o natural desgosto de quem, mentalmente, já se preparava para uma nova criança. Quando isso aconteceu, foi também para mim um desgosto. No entanto, sentei-me aqui e espantei as minhas tristezas, falei de outras coisas, fiz por relativizar. 
Não sou uma super-mulher nem (acho eu) uma pobre de espírito, sempre contentinha. Tenho é em mim esta característica: penso que as coisas más passam, acabam por passar, a vida regenera-se, a vida arranja maneira de compensar as perdas, e tenho é vontade de valorizar as coisas boas.

E, portanto, pode ser que um dia eu arranje paciência para ter um diário onde escreva tudo, tudo, o que se passa na minha vida. Até lá, é isto: umas assim e outras assado, conforme a minha disposição ditar.

De resto: fui à cabeleireira no sábado, cortei o cabelo, tenho agora um visual ligeiramente diferente. 

Perguntei ao ex-mais-novo quem era o Presidente da República. Disse, convicto: Rebelo Marcelo de Sousa. E o primeiro-Ministro? António Costa. Viu na televisão o Donald Trump e disse: Olha o Donall Strumps. Corrigi-o: Donald Trump. Disse-me: Isso é dito em português, quando se diz em inglês, diz-se assim, Donall Strumps. A irmã, abana a cabeça e, do alto dos seus 6 anos, sorri, condescente. 


Mais novidades familiares? A minha mãe tem produzido casaquinhos, botinhas, calçõezinhos e gorrinhos sem parar. Tudo bonito. Tricot. Dos mais variados modelos e cores. Compra revistas e inspira-se ou inventa. A semana passada lembrou-se que, para cada bisneto, tinha sempre oferecido uma mantinha de lã para o ovinho ou para o berço e foi, aflita, a ver se arranjava alguma do género das outras. Ficou toda arreliada consigo própria por tão imperdoável esquecimento. Hoje lá levei o saco com a mantinha que, felizmente, conseguiu encontrar.

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Mas ainda não disse o principal: 
do mais fundo do meu coração agradeço a todos quantos desejaram felicidades ao meu menininho mais querido.
Muito obrigada.

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segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Uma vez mais, as boas vindas a este mundo





O pai destes meninos, por razões que não podia antever, teve que ir para fora, em Janeiro e até princípio de Fevereiro, uma mais duas semanas. Uma na Europa, fim de semana cá, mais duas semanas nos States. 

Dado que em Fevereiro seria, não era prudente que a mãe dos meninos ficasse sozinha com eles em casa.

Depois, percebeu-se que, se calhar, a encomendinha chegaria um pouco mais cedo que a data prevista. Não fosse dar-se o caso, o pai veio um dia mais cedo. Cheio de jet leg, chegou esta sexta. Durante o dia de sábado recuperaram as saudades.

Este domingo, bem cedo, meninos na casa dos avós maternos e ei-los, aos dois, de mala aviada para o hospital.


Durante o dia, fomos trocando mensagens, eu e ele. Tudo bem. Passado uma ou duas horas: Na mesma. Mais tarde: Tudo bem, na mesma. E eu: As contracões estão menos espaçadas? Ele: Mais ou menos. E eu: Mas quanto de intervalo? Ele, certamente já farto da ansiedade da mãe: Não sei, não trouxe cronómetro. Mais tarde: E dilatação? Tem? Quanto? E ele, Acho que sim, uns centímetros, poucos. Depois eu a sugerir ir buscar os meninos e ir para um jardim perto para, just in case, estar por perto. Que não, tudo atrasado. Um pouco antes das sete, para ir buscar os meninos para dormirem cá em casa. Tudo atrasado. Mensagens entre a família, tudo na mesma. Pergunto onde estão as coisas em casa dele, mochilas, essas coisas. Ele diz-me que a menina sabe dizer tudo o que é preciso, onde está tudo. Tem seis anos mas não há coisa que lhe escape.

Então lá iniciámos a manobra: lá fomos buscar os meninos, conversámos, deve ser lá para a madrugada, dizia a mãe da parturiente. O pai, sabendo que estava para durar, tinha ido ao futebol com um outro filho. Depois lá fomos a casa deles buscar as coisas (como contei no post abaixo). Ela a guiar-me. Amanhã é dia de ginástica, tenho que levar a roupa, podem ser aquelas leggings, podem ser aquelas meias aderentes. E o mano tem judo, tem que levar o fato. E agora a mãe mudou a roupa, as meias e as cuecas do mano estão nesta, as minhas aqui. Tudo organizado por ela. E a luz de presença, e o pandinha para o mano e o flamingo para mim. Lá viémos. Banhos, despachar para jantar e ir dormir. Vá. Vá... Vá lá...

Estou a chegar com ele ao quarto, ainda embrulhado na toalha do banho, um telefonema. O meu filho. Pensei que queria saber se tínhamos dado com tudo, se tínhamos fechado a casa.

Não.


'Já nasceu!'.

Uma alegria. Uma alegria imensa. E eu 'mas então, dizias que estava atrasado...'. 'Estava. Mas de repente já cá estava fora, nem cinco minutos'. E eu, numa alegria 'E está tudo bem, filho?'. 'Tudo, tudo bem'. 'Ai, que bom, que alegria tão grande. Conta, conta, como é'. E ele 'Igual aos outros, são todos iguais, cor de rosa' e eu 'tira uma fotografia'. 'Já tiro, foi mesmo agora, ainda está a ser preparado'. E os meninos aos saltos em cima da cama, 'já nasceu o mano!'. Telefonei logo à minha mãe, à minha filha, à outra avó. O meu marido, emocionado, veio dar-me um beijo. Parabéns. Mais um. Desejo felicidades ao bebé, aos pais do bebé, aos manos, à família toda. Meus ricos meninos, que alegria. E, estava eu nisto, nova mensagem. Dele, do meu filho, agora uma fotografia. Um bebé pequenino, de gorrinho, já de olho aberto, a mamar, a mamã tranquila, sorridente, feliz,

Todos em cima do telemóvel, o telemóvel em bolandas, de mão em mão, todos a aumentar a imagem, todos a quererem ver melhor. Encaminho as fotos para a família. Começam a chegar mensagens de volta. 'Parece-se com quem?'. 'Tem o nariz igual ao do mano'. Não sei ver isso. Mais telefonemas. Queremos dizer da nossa surpresa e alegria de viva voz. Queremos desejar felicidades a todos, queremos dar parabéns uns aos outros.


É o quinto pimentinha. Agora são quatro pimentinhas rapazes e uma menina. De cada vez que chega uma nova criança às nossas vidas é esta alegria. Parece que é a primeira vez. E é. Com cada nova pessoinha, é a primeira vez.

E a este menino lindo eu desejo o que desejei aos seus dois maninhos e aos seus dois priminhos: que tenha uma vida longa e feliz, que tenha sorte, que tenha saúde, que encontre sempre motivação para fazer mais e melhor, que saboreie o reconhecimento, que lute por um mundo melhor, que saiba ser generoso, que seja compreensivo para com as faltas alheias, que olhe pelos que precisam, que seja sempre uma boa pessoa, que vá atrás dos seus sonhos, que se sinta realizado pelas pequenas coisas que vá alcançando, que não desanime quando as coisas não lhe forem fáceis, que saiba ser feliz.

Os tempos estão incertos e o futuro não sabemos bem o que vai ser. Mas sempre foi assim. Quando engravidei do pai deste bebé, o meu pai disse, com preocupação, 'agora que as coisas estão tão más...?'. Não gostei de ouvir isso ()e ele também nem mais se lembrou desses medos, pois foi sempre um avô devoto dos netos. Eu estava tão contente. E os tempos maus melhoraram e é sempre esta cadência. Não há tempos bons ou tempos maus, há é uma sucessão de acontecimentos que umas vezes nos alegram e outras nos desconsolam.

O que desejo é que os homens, nós todos, um dia destes, o quanto antes, de preferência, consigam ter inteligência para que o mundo se torne um lugar bom para acolher novas vidas e para tratar bem as vidas de quem que cá está.


E aos pais deste menino desejo aquilo que já tantas vezes lhes desejei tal como desejei aos pais dos meus outros doces pimentinhas: que tenham também uma vida longa e feliz, que consigam sempre protegê-lo (até onde isso faça sentido, claro) e transmitir-lhe os bons valores desta vida e, sobretudo, que saibam ensiná-lo a respeitar a vida -- porque ela é um dom precioso.

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Enquanto escrevo, estou a trocar mensagens com a mãe do bebé. Diz-me que chegaram os dois, ela e o bebé, agora ao quarto, pergunta-me por estes meninos que aqui dormem, digo-lhe que dormem descansados. Diz-me que o bebé é lindo e envia-me fotografias. É lindo mesmo. E tem umas mãozinhas que são uma ternura. Digo-lhe que agora descanse, que daqui a nada já ele deve estar a querer comer mais. Diz-me que já mama a sério, o malandro. Derreto-me a ver as fotografias. Tomara que chegue a hora de estar com ele ao colo, tocar naqueles dedos tão bonitos, olhá-lo de perto, bebé mais querido.

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E é isto, meus Caros Leitores. Daqui a nada chega o meu filho que vem tomar o pequeno almoço com os filhos. Depois, à hora de almoço, vai buscar os meninos à escola e vai levá-los a ver o maninho. Eu e o meu marido e a minha filha lá estaremos. Presumo que os dois primos pimentinhas não vão pois seria uma logística complicada com as escolas. Os outros avós também lá devem estar. Não sei se os irmãos dela e as cunhadas também irão, talvez não, talvez esperem que vão para casa. Uma das cunhadas não deve ir de certeza. Foi mãe há poucos dias. O sexto neto da outra avó.

A vida é assim, um constante devir. E eu sinto-me tão agradecida por sentir tantas alegrias. De cada vez que um filho nosso tem o seu próprio filho é, para nós, uma alegria maior. Falo por experiência própria. Numa das fotografias, está o meu filho a rir, a cara encostada à caminha, junto ao bebé. Há tanta felicidade nela que eu me comovo só de os ver, ele e o seu terceiro filho.

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As pinturas que aqui deixei são de Picasso, Mary Cassatt e Berthe Morisot

Lá em cima coloquei  'O meu menino é d'oiro', a cantiga que o ex-'mais novo' esteve a cantar antes de se ir deitar.

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Percebem, agora, porque abaixo partilhei convosco a Ode à Alegria

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Ode à alegria



Já conto. 

Tenho de novo cá os meninos que por cá pernoitaram nas últimas três semanas mas, agora, a mãe não está. Fui buscá-los a casa da avó materna, depois fomos a casa deles buscar as mochilas e as roupas, depois, já cá em casa, tomaram banho, jantaram, lavaram os dentes, ela escreveu (com alguma ajuda) uma mensagem aos pais a dizer que tinha muitas saudades. Depois ficou, com algumas lágrimas nos olhos, que tentou disfarçar, à espera da resposta. O pai respondeu que amanhã vem cá tomar o pequeno almoço com eles e que à hora de almoço vai buscá-los à escola. Ficou toda contente. Ele, o puto reguila, não estava neste chamego, andava a rebolar-se em cima da minha big bolona, apesar de lhe dizermos que estivesse sossegado, não fosse magoar-se. A seguir, hora de cama. Ele ainda foi buscar a guitarra e estava a preparar-se para uma rockalhada. Disse-lhe que não era hora disso, era hora de cantigas de embalar. Começou, então, por si, a cantar aquela do José Afonso 'o meu menino é d' oiro, de oiro fino, não façam caso que é pequenino', enquanto dedilhava. 

Lá os consegui deitar, beijinhos, beijinhos, soninho descansado. Mas, dada a excitação, não é certo que daqui a nada não me chamem. Por isso, já cá volto. Agora apenas a Ode à Alegria.



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A todos vós, meus Caros Leitores, desejo uma semana muito boa. a começar já por esta segunda-feira.


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domingo, fevereiro 05, 2017

É, então, por isso que o meu coração bate à esquerda




O João L. comentou o post lá mais para baixo sobre o substracto biológico das opções políticas, transcrevendo excertos de um interessante artigo do qual deixou o link.

Hard-wired: The brain's circuitry for political belief


When people's political beliefs are challenged, their brains become active in areas that govern personal identity and emotional responses to threats, neuroscientists have found.
(...)

Li-o com muita curiosidade pois tudo o que tenha a ver com cérebro e com territórios (para mim) desconhecidos me atrai.


Já o vídeo que eu lá tinha deixado indicava que o medo é determinante nas opções políticas e que a forma como o cérebro reage a estímulos que desencadeiam sensações similares ao medo parece estar associada à escolha por uma opção conservadora, reaccionária, de direita ou progressista, de esquerda.

Tenho estado a pensar nisso. Lembrei-me de uma coisa.

Quando o Um Jeito Manso atingiu o milhão de visitas, pedi ao meu marido e aos meus filhos que escrevessem sobre mim.

O texto da minha filha começa assim:
A minha mãe é uma mulher sem idade, sem limites, sem medos - características que tanto invejo. 
É em quase tudo uma menina em ponto grande, que tem um gosto apaixonado pela vida, de uma forma inconsciente e irracional. 

Tenho que lhe dar razão. Não é que nunca tenha medo. Às vezes tenho mas, na maioria das vezes, até consigo conviver com isso. Mas é verdade: onde me recomendam cuidados, prudências, que me salvaguarde, que me resguarde, eu não quero nem ouvir. Conversa chata, pedras agarradas às pernas. Não gosto. A minha primeira tentação -- e geralmente a última -- é esta: chego-me à frente e logo se vê. É verdade: ao fazer opções, pode parecer que há em mim um lado insconsciente e irracional. Tolerante que sou para comigo, prefiro pensar que não é bem inconsciência ou irracionalidade, que é, sobretudo, intuição, esse short cut da inteligência.

Salvo casos bem identificados, sou destemida. Volta e meia vejo-me metida em situações em que me interrogo porque é que meti eu naquilo. Mas a reacção é sempre: adiante, para a frente é que é caminho.

Talvez, então, por isso, politicamente eu não me identifico com os que temem aventuras, os que se agarram à cadeira com medo de papões, os que se sentem quentinhos junto a tradições, os que nunca descalçam as botas do conservadorismo.

Se cheira a novo, a desempoeirado, se detecto um genuíno apelo de liberdade e se sinto que há vontade de descobrir novos caminhos, aí estou eu, pronta para embarcar.


A história não me condiciona e o passado é, para mim, coisa que já era. A mim é o futuro, o desconhecido, o que está por descobrir que me fascina.

No mundo profissional em que me movo, sou tida por early adopter: Se a coisa me faz agitar a adrenalina, se sinto que o risco existe mas, enfim, talvez seja controlável e que os potenciais benefícios são aliciantes, aí me têm. Não quero saber de referências, não quero saber de onde antes se fez assim. Nem me ocorre isso. O que me ocorre é dizer 'bora lá', vamos arriscar.


Leio o que a ciência tem para nos ensinar. É então o meu cérebro que assim me conduz, é então a minha amgídala que fareja os riscos da gente que apela aos medos mais primários e que, pelo contrário, se deixa empolgar por quem parece ter boa índole e mostra saber ousar, é então a minha amígdala que se põe em bicos de pés, que solta as asas, pronta para voar sempre que vejo quem, como eu, gosta de abrir as janelas, atravessar todas as portas para subir montanhas, enfrentar tempestades, atravessar oceanos, para trepar à lua, para deixar que a cintilante poeira das estrelas ilumine os misteriosos caminhos.

Sou, pois, insensível aos que tentam esfregar-me na cara o que os de antanho fizeram para que eu veja os riscos em ousar mudar de rota, não quero saber de lições gregas, de ensinamentos romanos, não quero saber de nada o que faça sentir-me soterrada pelo pó do passado. Quero é que mostrem os sons do universo, as ondas estranhamente musicais que percorrem o vasto infinito, quero é que me mostrem a alegria de partir à descoberta de longínquos horizontes.

Por isso, então, o meu coração bate à esquerda.


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As imagens referem-se ao cérebro. 

Quem canta, canta O quanta qualia, Petrus Abaelardus  (1079-1142)

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Quadrangle
Memórias de amores clandestinos. Ou era apenas sexo e desfastio?
Ou um vendaval, uma estranha força?


Podia ter escrito quadrado. Quadrado amoroso. Mas quadrado é sinónimo de espírito convencional, de caixa fechada. Aqui é mais a extensão do triângulo, acrescentando-lhe o quarto vértice.

Não tenho experiência mas acho que deve ser uma coisa boa. Se toda a gente estiver para ir virada, todos com uma mente aberta, ausência de ciúmes e, provavelmente, se tiver antes inalado algum desinibidor, acredito que seja uma experiência agradável.

Mas não sou de inalar, pelo que.

De qualquer forma, talvez porque as premissas que referi não tivessem estado presentes, no caso que abaixo verão, o quadrado não se aguentou.

Seja como for, não falo mais do que não sei e passo directamente ao filme. Espero que se entendam com a língua deles (enfim, neste contexto, isto soa até dúbio).


Quadrangle — Uma curta de Amy Grappell




A documentary about two 'conventional' couples that swapped partners and lived in a group marriage in the early 70s, hoping to pioneer an alternative to divorce and pave the way for how people would live in the future.


sábado, fevereiro 04, 2017

Conversa à toa e um palhaço filósofo que não tem nada a ver com a conversa



Hoje os meninos já não dormem cá, já estão nas suas caminhas. O pai regressou, a família reuniu-se. No outro dia o menino dizia à mãe que estava com saudades da sua banheira e a mim disse: 'já estou com saudades do papá'. Depois mudou de conversa. No entanto, nunca quis falar com o pai pelo telemóvel. Enquando o pai falava, ele fazia palhaçadas. Ela não. Via ou ouvia o pai no telemóvel e toda se derretia 'papá...' e queria saber se lá era de dia ou de noite, se nevava e o que andava ele a fazer numa escola. 

De manhã, ao perguntar-lhe o que queria calçar, ela saía do quarto, ia ver como estava o tempo. Pensava eu que ia à varanda da cozinha ver o tempo a sul. Um dia disse, eu abro as janelas da varanda da sala, escusas de ir ao outro lado. Não. Ia ver ao telemóvel da mamã. Ia ver o site de meterologia. Informações precisas. Vai chover mas só até às 9h. De tarde há sol. Por isso, não eram precisas galochas. Senti-me info excluída. De manhã, ao levantar-me, espreito o rio e o céu que o cerca. Assim, me abeiro do tempo do dia.

Esta noite já aqui não tive, pois, o jogo da glória, as batotas dele e a focalização dela, todos os dias a ganhar. Mas estou descansada. Sinto-me sempre melhor quando as minhas asas conseguem alcançar os meus pintos, apesar dos meus pintos estarem longe de precisar das asas da mãe. Mas quando se nasce mãe-galinha, o tempo só acentua essa faceta.


Talvez pelo silêncio, à noite cheguei à sala e adormeci profundamente. O dia foi agitado. À hora de almoço tive vontade de ir ao Almada. Cheguei até lá. Mas percebi que não tinha tempo. A exposição é grande, requer uma visita sem horário. Vai estar até Junho, tenho tempo. Cruzei-me por lá com um e pensei que podia muito bem ser um dos bloggers que acompanho. Mas sei lá.

Não tenho podido acompanhar as notícias com atenção tal como não tenho respondido a mails ou a comentários. 

E, para mais, estava já refeita do torcicolo e, como sempre, mal estou bem esqueço-me de quando estou mal. No outro dia, estavamos sentados nas camas dos meninos e a mamã e a menina estavam a falar com o papá. Como sempre, ele a fazer das dele. Naquele dia deu-lhe para se atirar a mim, fazer-me cair sobre a cama, subir-me para o pescoço, saltar-me por cima. O meu marido entrou lá naquela altura e disse: 'deves ficar bonita, com ele a saltar-te em cima dessa maneira... e tu deixas... e ris...' E é, o menino é um judoca a sério e é um irrequieto e tem tamanha energia e alegria que me contagia. A verdade é que ainda não devia ter os músculos do pescoço bem curados e, de manhã, estava outra vez aflita. O meu marido arrelia-se 'Mas não haverias de estar...? com o que deixaste que o puto te fizesse... ' Por isso a noite passada dormi mal, dores no pescoço. E ainda me dói. Não quero tomar nenhum analgésico ou relaxante muscular senão fico outra vez pedrada com vontade de dormir durante uma semana inteira.


Este meu fim de semana promete mas, para começar, a ver se faço a vontade ao meu marido e vou à cabeleireira. Há mais de dois ou três anos que não vou. Corto o cabelo em casa e sinto-me bem com o cabelo descontraído, a l'aise. Mas ele diz que eu devia tentar 'normalizar' ligeiramente o cabelo. Ao jantar, foi tema de conversa. Falaram-me em alisá-lo. Mas não consigo imaginar-me de cabelo liso e muito penteada. A ver se vou mesmo ou se arranjo maneira de me arrepender. 


Também já não vou ao cinema há mais de um mês. Tenho curiosidade em ver o Moonlight mas não sei se me apetece ir no sábado. Talvez noutro dia. Logo se vê.

Agora vou descansar senão não consigo levantar-me cedo e isso servirá automaticamente de desculpa para não ir à cabeleireira.

Entretanto, deixo-vos com um vídeo que vi há pouco, enquanto tentava acordar, e de que gostei. As últimas imagens são muito bonitas.

Tal como as fotografias que usei aqui, tem a marca National Geographic.


Rooted in physical comedy, clowning has transcended cultural barriers since ancient times. In this short film by the American Theatre Wing, enter the whimsical world of philosopher Slava Polunin and follow clowns through their routines.


O palhaço filósofo  que vive num mundo maravilhoso




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Permitam ainda que vos recomende o vídeo abaixo, sobre as razões biológicas das opções políticas.


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As diferenças políticas são biológicas?


Ao jantar, ouvi dizer que um entendido na matéria e conhecedor do terreno disse que nas cidades americanas é difícil encontrar quem goste de Trump e que no campo é difícil encontrar quem não goste de Trump.

Não sei.

Acabei de ver Trump atirar uma caneta a um grupo de pessoas, uma coisa como quem atira amendoins a macacos. E o grupo de pessoas aplaudiu. Há sempre quem goste de ser tratado como macaco.

Não tenho grande explicações para certos gostos. Talvez seja biológico.
Dizem que sim.

John Hibbing, author of Predisposed: Liberals, Conservatives, and the Biology of Political Differences, explains the biological differences between liberals and conservatives.




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sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Lucia, Maria e José





Tenho para mim, crystal clear, que, claro, são histórias. Lendas. Parábolas. É como a história de Romeu e Julieta. De Ulisses e Penélope. Do Adão e Eva. Contamo-las, passam de geração em geração, mas toda a gente sabe que são histórias. Contos infantis ou contos para adultos -- mas contos.


Haverá alguém com dois dedos de testa que acredite que a mãe de Jesus engravidou por obra e graça? Diria que não.


Há bocado, o mais pequeno que anda a desenvolver na escola infantil o projecto 'bebé' dizia que as sementinhas passam do senhor para a senhora encostando a pilinha ao pipi. Depois desatou a rir-se. A seguir perguntou-nos: vocês também fizeram isso? Eu e a mãe sorrimos (tentando não rir) e dissemos que sim. Estava sentado na cama a vestir o pijama. Atirou-se para trás a rir à gargalhada. Perguntou à mãe: 'o pai e o tu fizeram isso?' A mãe disse que sim, claro. O que ele se riu. Eu disse que era o normal.


Agora imagine-se que lhe íamos dizer que uma senhora tinha ficado para ter bebé apenas porque uma pombinha a visitou. Desatava também a rir-se. Haveria de fazer mil perguntas e a gente sem saber responder a uma única.

Uma vez um colega meu, pessoa completamente racional no seu dia a dia mas muito crente, dizia-me que, para um crente, a ressurreição é o momento crucial. Pasmei. A ressurreição?! Mas o quê? Acreditam mesmo que uma pessoa morre, fica morta três dias e depois levanta-se, fresca, pronta para outra? Ele abanou a cabeça, desconsolado. Disse-lhe: Mas se acredita nessa história da carochinha diga-me porque é que a história de Jesus acabou ali, porque é que nunca mais ninguém ouviu falar dele. Voltou a abanar a cabeça. Que eu não compreendia. Disse: mas então explique. Abanou a cabeça, não disse nada, achou que não valia a pena. Concordei: não valia a pena.


Fico sempre um bocado ignorante, sem conseguir saber se as pessoas crentes acreditam mesmo naquelas histórias. Se acreditam que o pai natal deixa presentes no sapatinho. Que a fada dos dentinhos vai buscar o dentinho de leite e deixa lá um brinquedo. Se calhar acreditam que é tudo verdade.

Fico a pensar que deve haver uma twilight zone onde uns conseguem mover-se e eu não.

Eu cá sou mais básica. Não consigo sequer conceber que alguém acredite nessas cenas. Não consigo frequentar missas, não consigo encaixar-me nos rituais de ajoelhar, dizer fins de frases, sentar, levantar, dar beijinho para um lado, beijinho para outro, ouvir cantar, ajelhar, dizer umas coisas.


Mas, caguinchas que sou, quando me vejo aflita ou a desejar muito alguma coisa de muito especial, mentalmente peço protecção ou apoio. Não sei a quem é que peço. Peço a alguma entidade abstracta que queira dedicar-me alguma atenção. Para dizer a verdade, não sei se peço ou se desejo com todas as minhas forças. Depois agradeço. Mas também não sei se agradeço ou se me sinto agradecida. 

Sou agnóstica. Já o disse aqui muitas vezes. Não consigo teorizar sobre o tema. Sinto-me pouco mais do que uma partícula elementar no meio de um infinito universo. O que rege esse universo eu não sei se é o caos ou o acaso ou outra coisa qualquer. 

Mas isto para dizer que, no meio disto, evidentemente que não me passa pela cabeça que uma freira diga que acha que Maria não era virgem e que acha que seria normal que Maria e José, como qualquer casal, tivessem relações sexuais -- e que, perante afirmação tão banal e razoável, meio mundo lhe caia em cima.

La Apostata Dominica Lucía Caram en una escandalosa entrevista aseguró que la Virgen María y San José tuvieron relaciones sexuales, en el programa del 29 de enero de Chester in love, conducido por el periodista Risto Mejide.



As declarações da irmã Lucía Caram num programa de televisão geraram polémica em Espanha: a freira recebeu ameaças, foi repreendida pela hierarquia da Igreja e teve de pedir desculpa e esclarecer o que quis dizer. No fundo, a religiosa teve noção de que o seu ponto de vista poderia ser mal entendido, pelo que evitou dizer diretamente que Maria, mãe de Jesus, não era virgem.


"Acredito que Maria estava apaixonada por José. Acredito que eram um casal normal", começa quando questionada acerca da questão da virgindade de Maria, "um conto infantil que não é atualizado" nas palavras do apresentador do programa Chester in Love, do canal Cuatro, Risto Mejide. "Tinham sexo?", pergunta o anfitrião. "Bem, se digo que sim, caem-me todos em cima. Acho que é uma coisa normal num casal", defendeu, salientando que sabe que é uma questão "difícil de entender, de acreditar".


Na sequência destas afirmações, a freira foi repreendida publicamente pelo bispo de Vic e recebeu ameaças. Simultaneamente, houve uma petição para que fosse suspensa da ordem religiosa. Lucía Caram viu-se obrigada a pedir desculpa a quem se sentiu ofendido. (...)

Acho isto de loucos. Penso que vivo numa era em que toda a gente é esclarecida e, afinal, ainda me saem destas. Pasmo. Juro. Pasmo. Como é isto possível?

Depois penso que são pessoas assim, mal informadas, pouco esclarecidas, que tomam uma parábola por um relato histórico, que facilemente se deixam manipular e acabam a tomar as decisões mais anacrónicas e aberrantes possíveis.

Os crentes que me desculpem. Eu até admito que as pessoas acreditem num deus que dita leis, distribui favores, traça punições. Coisas assim. Mas, bolas, para se ser crente é preciso fazer uma leitura literal da história da carochinha...?

Algum iluminado que me explique.


quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Não quero saber o que pensam ou deixam de pensar sobre a eutanásia





Cá em casa, agora já estão todos a dormir. Os meninos deitaram-se mais tarde. Folguedo pegado. A mãe ainda veio um bocado aqui para a sala mas adormeceu pouco depois e acabou por ir logo deitar-se.

O outro ramo dos pimentinhas também cá esteve. Queridos, queridos, uns abracinhos mais bons, demorados, um consolinho mesmo bom. 

Felizmente hoje ligeiramente mais calmos do que no fim de semana. Como sempre, é a alegria potenciada. E, como sempre, houve cantoria. O mais pequeno é um verdadeiro artista. Não dá para acreditar.

Dia de festa a meio da semana. Nem todos na família são caranguejos. Também os há aquários.

Saí do trabalho um pouco antes das seis para poder ir ao supermercado e vir fazer o jantar a tempo. Um trânsito dos diabos mas deu. Tirei fotografias. Nunca fico nas fotografias e só me lembro disso quando as vejo.

Depois foi arrumar tudo. E preparar a roupa de amanhã. Quando aqui me pousei começou a dar-me o sono. Depois do post abaixo comecei a querer adormecer. Acho que adormeci mesmo.


Quando consegui espertar, a conversa da eutanásia na televisão. Sei que se anda a falar disso mas é tema que não me interessa. Não é tema para dele se falar como quem comenta casos da arbitragem.

Tenho lidado de perto com situações complicadas. Não vi vontade de morrer em quem muito sofria. Vi, sim, vontade de acreditar que as coisas pudessem melhorar.

Penso muito na minha tia. Era uma alegre jovem casadoira quando eu nasci. Desde pequena, gostei dela. Namorava um qualquer e eu achava graça ao casalinho. Divertida, brincalhona. Eu adorava-a. Depois começou a namorar um dos meus tios solteiros. Quando se casaram fui a menina das alianças. Quando a minha prima nasceu, era eu uma miúda, quis ser a madrinha e a minha tia achou muito bem. Quando me casei foi a ela e ao meu tio que escolhi para padrinhos. Toda a minha vida senti um afecto imaculado por ela e ela por mim. Quando lhe foi diagnisticado um cancro, tive um desgosto enorme pois, ao contrário do que, poucos anos depois, teve a minha mãe, o dela era grande e já estava relativamente espalhado. Depois de operada pensou que estava melhor, andava toda bem disposta. Depois voltou a ser operada. Piorou. Entretanto, o meu tio morreu, também um cancro. Um desgosto imenso o dela. Fraca, doente. Por fim com dores, cansada, sem forças. Mas sempre na esperança de melhorar, de que algum medicamento ou tratamento a pusesse melhor. Nunca a ouvi dizer: quero morrer. Nunca.

Quando foi o meu tio, no pulmão, eu andava a ver se conseguia que ele fosse a Cuba, havia lá um tratamento promissor, achava que se devia tentar tudo por tudo. Falei para a Embaixada, informei-me, falaram com o médico assistente. Eu a querer, a querer. A minha tia contava-me: O teu tio diz que tu estás a acreditar mas ele não, não quer, a viagem muito longa. O meu tio dizia que não queria ir e deixar a minha tia, também doente. Eu dizia: Mas vão os dois. Ele não queria, que não valia a pena. A minha tia dizia que achava que o cancro já lhe estava na cabeça, que ele tinha esquecimentos e ausências que não pareciam dele. E ela dizia-me: Sabes? Se calhar já não vale a pena. Mas eu insistia: Ó tia, vale, vale, vamos tentar. Morreu, à entrada do hospital, no dia em que o meu primo ia, com ele, falar com o médico sobre se ainda se ia a tempo. Mas foi isto assim. Não foi querer abreviar a morte.


Ao meu pai sim. Pergunto-lhe: então, pai, como vai isso? Responde: mal, muito mal, quero morrer. Digo: Outra vez essa conversa, pai. Está bom, não tem nenhuma doença, que conversa é essa...? Diz-me: Ó pá, estou farto disto. Mudo de conversa. Agora, no fim do ano, teve uma gripe complicada e depois uma hemorragia gástrica e teve que ir ao hospital para fazer exames. Lá, na maca, eu perguntava-lhe: Então, pai, como se sente? Respondia: Ó pá, mal, mas mal por me terem trazido para o hospital, não quero, não vale a pena tratarem-me, se fosse a mãe que é nova...agora eu...? ó pá, quero é que me deixem ficar em casa, deixem-me morrer, pá...

Mas depois, a caminho de casa, na ambulância, eu lá dentro com ele: Olha lá, então deixas o carro no hospital? Depois como é que vens cá buscá-lo? Expliquei que o meu marido estava comigo, que ia ele no carro. Ficou contente: Ah sim? Ah ele tem estado contigo? Ainda bem. Depois: Olha lá, já é tarde, não vale a pena ires à farmácia, amanhã de manhã logo se trata disso. Ou seja, já outra vez ao comando.

Verdadeira força da natureza, poucos dias depois, estava de novo bem e a rabujar e a dar ordens a torto e a direito, esquecido da vontade de morrer. 

Enérgico, independente e orgulhoso, é para ele, quando está completamente lúcido, um infinito desgosto ver-se dependente e incapaz de gerir a sua própria vida. Nessas alturas, acredito que lhe passe, genuinamente, pela cabeça que, cansado desta situação, preferia morrer. Mas logo muda de ideia e pede leite e bolo porque está é com fome.


Verdadeira prisioneira está a minha mãe. Incapaz de se separar dele, deixou de frequentar o seu círculo de amigas, ex-professsoras, que saíam, iam lanchar juntas, conversar e rir, deixou de ir ao cinema ou de ir fazer férias como antes fazia, quando o meu pai estava bem. Nos dias em que o meu pai, por dormir de dia, não a deixa dormir de noite, está ela desgastada, saturada, exausta. Diz-me então que não sabe se aguenta muito mais tempo isto, que ainda morre antes do meu pai. Digo-lhe que tire um mês de férias, que vão os dois para uma residência assistida, ou que deixe o meu pai em casa que a senhora que trata da higiene dele fica a tomar conta e que eu dou toda a assistência. Põe dificuldades. Não quer. Parece, nessas alturas, envolta numa fatalidade a que não consegue fugir. Acredito que, nesses dias de exaustão, pense que ficaria melhor se o meu pai morresse. Mas, no dia seguinte, o meu pai dorme bem, não a chama de minuto a minuto, ela dorme bem, acorda fresca e nem se lembra de queixumes ou desalentos. Conta-me coisas, ri. Hoje, quando liguei de tarde, vinha eu no carro a caminho de casa, estava o meu pai no cadeirão ortopédico (para onde vai na cadeira de rodas, uma ginástica tramada para o içar da cadeira de rodas e passar para o cadeirão e vice-versa) e ela no sofá ao lado a fazer tricot para os bisnetos. Perguntei se estava tudo bem, tranquilo. Disse que sim: Na boa, tranquilos. Perguntei se o meu pai estava bem já que odeia estar ali, quer é estar na cama, arma fitas, diz que o querem matar. Disse que sim, tranquilo, a conversar. Ou seja, completamente distantes de conversas mórbidas.

Portanto, em que momento é que se sabe, de certeza absoluta que a vontade de morrer é a sério, definitiva, irreversível?

Eu não sei. Mais: não sei se, em relação a mim ou a um dos meus mais próximos, teria eu coragem de dizer que sim, que se avançasse para esse momento sem retorno. Não sei mesmo.

Agora uma coisa eu sei: incomoda-me ver falar disto com se fosse bandeira partidária ou tema mediático.

E só espero que nunca isto seja referendado. O tema é sério e íntimo demais para ser menorizado em debates pouco elevados em que quem não tem saber ou vida se arvora a veleidade de ter certezas absolutas ou o mau gosto de fazer cartazes para enfeitar as estradas.


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Renata Tebaldi interpreta a Casta Diva

As fotografias provêm da National Geographic

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A quem possa interessar: no post abaixo há um homem com uma super-longa gravata e um animal morto na cabeça.


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A nova moda masculina: gravata super-longa e um animal morto na cabeça


Jon Stewart junta-se a Stephen Colbert e gozam que nem uns perdidos do palhaço anormal que está a ver se vira os Estados Unidos de pernas para o ar.

E eu refugio-me em coisas assim e recuso-me a ler prosas bolorentas onde se aventam argumentos moribundos para justificar o que a avantesma atrampada anda a fazer. Há pessoas que eu já desconfiava que fossem pouco saudáveis e agora, ao vê-las a censurar quem censura Trump, confirmo: é gente de quem quero distância.

O mundo é assim mesmo: é da história que para cada déspota narcisista há uma legião de pobres de espírito, de sabujos ou de ditadorezinhos introvertidos que o aplaudem. Fujo de gente assim. Não é só por higiene que o faço, é sobretudo por ser cada vez mais selectiva na forma como uso o meu tempo. Além disso, gente assim geralmente fede. E eu, já tantas vezes aqui o contei, gosto de bons perfumes.

Jon Stewart Reads Trump's Next Batch Of Executive Orders



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quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Desabafinhos
(alguns muito fúteis)





Se pensar que sou lida por pessoas desempregadas, com fracos rendimentos, por pessoas que passam por dificuldades, que vivem solidões severas ou situações assim fico um pouco tolhida. Tudo o que eu diga sobre a minha vida me parece fútil e descabido. Outras vezes penso: falo de trânsito, de trabalho absorvente e de coisas deste género e quem vive em lugares sem trânsito ou que sai de casa às nove e regressa às seis deve achar que a vida tal como a descrevo é descabida ou que exagero ou que tudo é voluntário pelo que não me queixe.

De certa forma é pois ninguém me obriga a nada. Mas são opções que se fazem e que, depois, acabam por se transformar na nossa forma de viver.

Vivo numa cidade. trabalho noutra. Para ir para o trabalho ou para regressar a casa uso carro. Podia não. Contudo, teria que usar vários meios de transporte para atingir o meu destino, perderia um empo infinito. Acresce que não trabalho num único local. Se não usasse carro, o tempo em espera, uso e mudança de transportes públicos impedi-lo-ia.

Depois, quando se trabalha em funções como a minha, não se pode dizer 'ah, isso não, já não tenho saco para ralações'. Confiam em nós, convidam-nos mas, no fundo, em certas situações, é como se nos estivesse a ser pedida ajuda. Não é possível dizer que se vão catar. Há a solidariedade, o dever, quase a obrigação.


Para quem está longe desta realidade pode não ser fácil de entender mas, para quem vive dentro destes meios, sabe que é assim.

E, com a elevada dose de responsabilidade, vêm as preocupações, vem a quase permanente disponibilidade. 

Claro que depois há também alguma recompensa. E, por vezes, com a recompensa, vêm outras pequenas maçadas. Maçadas de barriga cheia, bem sei.

E é ao pensar nestas pequenas maçadas que acho que talvez nem devesse falar delas aqui. Pode soar a futilidade, a estupidez. E não vou dizer que não seja. É, sei bem que sim. Mas se sou tudo menos perfeita, porque hei-de querer fazer-me passar por aquilo que não sou?

Mas... isto a propósito de quê?

Conto.


Dia do carro ir à revisão. Sempre um transtorno. Tinha que estar cedo. Não era eu que ia levar o carro, alguém faria isso por mim. Privilegiada, eu sei.

Mas o trânsito... Atrasada. Envio um sms: atrasada. Quando chego, entrego a chave. Peço que, depois, passem as cadeirinhas (que andam no banco de trás) para o carro de substituição. Entretanto, uma manhã de loucos. Às tantas, resolvo fazer um micro break. Ao ir buscar um chá, cruzo-me com quem me ia levar as chaves. diz-me o sítio onde está este carro. Pergunto se não se esqueceu as cadeirinhas. Que não, claro. Pergunto a marca. Tudo bem. Andei durante oito anos em carros dessa marca. Pergunto se é grande. De tarde vou para um sítio cujo acesso ao parque de estacionamento é um desafio: íngreme, estreito, com uma curva apertadíssima. Diz-me que é um monovolume, em dimensão menor que o meu. Descanso. E vou buscar o chá e logo mais afazeres. Nem mais me lembro do carro.

Hora de almoço, minutos contados. Chego ao carro. É alto, espaçoso. Espreito para ver se descubro a ranhura para enfiar o comando. Ranhura nenhuma. Penso. Gaita, está a começar bem. penso: será que isto tem para aqui uma chave oculta? Não descubro. Espreito para tentar ver se haveria ranhura para uma chave. Também não. E eu com pressa. Chego o banco para trás para ter uma visão mais panorâmica do tablier, para espreitar melhor. Nada. Penso: raios partam esta gaita. E não soube avisar-me que isto tinha truque...? Vejo um botão a dizer start ou coisa do género. Ponho o pé na embraiagem e carrego no botão. Nice. Começa a trabalhar. Procuro o travão de mão. Não existe, claro. Vejo um botão com um P, carrego. Apaga-se a luz. Penso que devia ser aquilo. Vejo como é a marcha-atrás, faço a manobra e aí vou eu. Chego à rua, começa a pingar. O limpa para-brisas começa a trabalhar sozinho. Normal. Entro na auto-estrada e desata a chover copiosamente. Quero pôr aquilo a limpar mais depressa. O manípulo tem mil funções. Lá consigo. Mas não consigo descobrir como pôr o de trás. Chove tanto que mal se vê e eu sem descobrir onde ligar o limpa pára-brisas de trás. Entretanto, o telefone não pára e não tenho bluetooth, não dá para atender.


Atrasada, lá chego ao meu destino. estaciono. Desligo o botão e o carro desliga-se. Quero travar. Carrego de novo no botão com o P. Nada. Não acende luz nenhuma. Espreito a ver se descubro alguma coisa que possa também parecer-se com um travão. Não. Carrego outra vez. Nada. Penso: se calhar é assim mesmo, é inteligente e percebe que deve ficar travado. Vou sair. Procuro no banco o comando. Lá está no meio da echarpe e da carteira.

Saio do carro com o comeando na mão. Um botão tem o sinal de porta aberta, outro o de porta-bagagens aberto. Penso: raios partam isto, e para fechar? Experimento carregar no símbolo da marca. As portas trancam-se. Vá lá. Quando chego ao pé da minha companhia digo que não percebi se o carro ficou travado, que não se acendeu nenhuma luz quando carreguei no botão. Disse-me que no dele levanta-se uma patilha. Neste não, disse eu, neste é um botão.

Quando regressei ao carro, espreitei o dito botão. Tinha mesmo uma patilha por baixo. Levantei-a e acendeu-se a luz. Ou seja, tinha deixado o carro destravado. Bonito serviço, pensei. Vá lá que não desandou.


Quando saí, chuva que deus a dava. Pus-me a apalpar o manípulo e lá lhe dei uma torção na ponta que pôs a funcionar o limpa pára-brisas de trás. 

Depois o tal estacionamento. Perguntei ao guarda se o piso intermédio estava folgado. Disse que naquela altura sim mas que ia haver uma reunião, estavam pessoas para chegar. Gaita. Lá fui para o meu piso a pensar que só me faltava riscar o raio do carro. Mas a verdade é que foi bem mais fácil do que com o meu.

Quando agora à noite saí com o carro pensei: diabo daquela curva, será que o carro tem sensores a toda a volta? Tinha. Correu bem.

Não consegui fazer telefonemas à vinda mas consegui sintonizar a rádio e ouvir uma música boa.


Mas vinha a pensar que já não é a primeira vez que me meto num carro desconhecido, sem perceber como funcionam as coisas mais simples, e, para ajudar à festa, desata a chover. De facto, para aí há uns três anos, peguei num à noite, numa noite de chuvada, e foi o bom e o bonito. Tudo naquele carro era misterioso, não descobria nada. Quando finalmente me meti à estrada, de noite e a chover, não atinava com nada daquilo, um susto, a andar devagarinho, o vidro embaciado e eu a pensar, aquilo que tantas vezes penso, que não há dinheiro que pague situações assim. Mas, quando tenho esses pensamentos parvos, logo percebo que é uma estupidez estar a vitimizar-me e que mais vale que, numa próxima, antes de me meter no carro, peça algumas informações.

Amanhã entrego este e hão-de trazer-me o meu. Vou sentir aquela sensação boa de conhecer os cantos à casa. 

Agora ouvi um toque. Tinha andado há bocado à procura do telemóvel e não o tinha descoberto. Afinal estava caído aqui ao pé do sofá. Espreitei os mails de serviço. Um deles tinha a acta da reunião em que estive toda a tarde. Como tenho cá os meninos tinha logo avisado que não podia sair a desoras. estava à espera de algum momento de mudança de assunto para me levantar. Nada. Assunto pegado. Mas já passava das sete, tive que me levantar à papo-seco. Vejo agora pela hora de envio do mail e pelos assuntos que deve ter acabado pouco depois. 


É tarde. Amanhã a alvorada é cedo, vamos levar os meninos à escola. dormem tranquilos nas suas caminhas. Antes de adormecerem, estivemos a jogar ao jogo da glória mas numa versão sintética. ele tenta fazer batota, a irmã denuncia-o, ele desata a rir. 

Tenho estado a ouvir June Tabor. Gosto muito dela. Para partilhar convosco escolhi Send us a quiet night. Espero que gostem.

Agora que estão a ler-me se calhar já é de dia. Tomara que seja um dia bom, tranquilo. Para mim e também para vocês que estão a ler estas minhas palavras sem grande sentido. 


As imagens são fotografias feitas por drones. Estas concorreram e algumas foram premiadas no SkyPixel 2016 Photo Contest's. Vi-as no Bored Panda. Descobir imagens como estas, algumas tão belas (a primeira é de uma beleza extraordinária, não é?), ouvir uma música boa, estar aqui a escrever  -- são partes boas da minha vida.


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Abaixo tenho mais umas cenas do Trump. Vejam porque só vendo. De outra forma fica difícil crer.
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Quanto mal pode o Presidente Donald Trump fazer numa semana?
- pergunta Stephen Colbert



Já saltou a procuradora: acusou-a de traição. E ameaça: quem alinhar pela mesma bitola já sabe qual o correctivo. E se um diz mata, há sempre outro que diz esfola: a amiga marada acha que o melhor que há a fazer é despedir jornalistas.

A cada dia que passa aparece mais uma e é sempre o mesmo: confusão, despotismo, disparates. Parece a versão americana apalhaçada do Kim Jong-un. 

A perplexidade é geral. Até os amigos conservadores já andam desnorteados com tamanha e perigosa maluqueira. Só passou uma semana e parece que já lá está há séculos.

Tenho para mim que isto não pode durar muito. De alguma maneira alguém o vai impedir  de continuar a desconchavar o país e a baratinar a vida dos que, de uma forma ou outra, se relacionam com ele.

Até lá as gentes do espectáculo e entretenimento terão muito por onde pegar. Não pode haver melhor fonte de diversão do que um maluco à solta. O pior são as vítimas que pode vir a fazer.

How Much Damage Could The President Do In One Week?


From healthcare to climate change to torture, President Trump has already moved the country back to 2004. If this keeps up, pretty soon Stephen's going to launch the Colbert Report.


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E, já agora, um mergulho na realidade

Trump Adviser Steve Bannon Tells Press to "Keep Its Mouth Shut"





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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira.

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