sábado, março 05, 2016

Para já, assim de repente, talvez mandasse para o espaço um ou outro que eu tenho para mim que bem precisam. Uns 5 centímetros a mais talvez lhes dessem cá um jeitão.





Scott Kelly regressou a Terra na quarta-feira depois de 340 dias na Estação Espacial Internacional.



E eu, na minha ideia, ao dizer que mandava alguns para o espaço a ver se ganhavam tamanho, não estou apenas a referir-me à altura. Que, se fosse isso, quase tudo o que é homem que frequenta a televisão devia lá ir passar uma temporada: tudo uns pequenotes que só visto. Volta e meia vejo-os às compras ou a almoçar e só não me benzo porque não sou cá disso, de benzeduras. Na televisão parecem uns homenzarrões e, ao vivo, parece que não medraram, que só têm cabeça; e até penso: ora se isto é com os que parecem grandes imagine-se como serão aqueles que se vê logo que são pininins (como a minha filha dizia quando era pequenina). Que não tem mal nenhum um homem ser pininim -- e só não conto aquele movimento de mão com o polegar e o indicador espetados que um dia um pininim catalão fez a uma colega que estava sempre a implicar com ele, para não me tornar a madama-repetitive.

Mas, enfim, nem era já nesses que estava a falar. É naqueles a quem, cá na minha, lhes falta tamanho noutros sítios. Estou a pressupor, claro, que, no espaço, tudo cresce por igual. As mãos, os pés e etc. Eu não devia dizer isto porque senão, às tantas, dou uma péssima imagem de moi-même, mas é que há por aí uns valentões que fazem e acontecem e que a gente olha para eles e vê logo que, coitadinhos, aquilo é mesmo só conversa. Por exemplo, há alguns que se levantam nas bancadas do Parlamento, debruçam-se e quase parecem uns gigantes, e que matam e que esfolam, todos eles frases de efeito, e a gente olha e pensa logo: havia de ser giro isto no tempo dos duelos. À mínima saíam a correr às escondidas, a cacarejar como umas frangas assustadiças.

Ou aqueles malandrecos que só pelo que escrevem, especialmente em comentários anónimos, malcriados, incomodativos, a gente vê logo os coisinhas que são: haviam de nos aparecer à frente, cara a cara, a ver se tinham coragem para dizer um décimo do que escrevem pela calada. 


Mas, enfim, àqueles que têm mentes perversas e que acham que estou a referir-me aos que bem poderiam concorrer ao concurso internacional dos pénis mais pequenos, digo que não, não é nisso que estou a pensar. Pelos vistos, esses até se orgulham - a julgar pelos que vejo nas fotografias, esses até exibem a sua insignificância com soberba e prestam-se a medições para provar que ninguém o tem de menor calibre. Por isso, não senhor, esses que fiquem cá pela terra. Refiro-me, sim, aos que não têm um pingo de vergonha na cara, de decoro, de pudor, de moral, de ética e, até, de sentido estético - que isto de ver farsantes armados em parvos, a dizerem baboseiras umas atrás de outras, julgando que os que os ouvem são tão parvos como eles, até ofende o nosso gosto: é uma coisa feia, mesmo muito feia.

Os dois sempre na risota
(Não é por nada mas eu cá sempre ouvi dizer que muito riso, pouco siso)

Por isso, alguém que pegue no Passos Coelho, no Matos Correia e na Maria Luís e, se faz favor, os mande para o espaço (refiro-me só a estes três porque, para já, assim de repente, sobre estes últimos desenvolvimentos da política tuga, não vi mais nenhum a dar a cara pela Marilú, ou a atirar a culpa da condenação do estado português por aquilo dos sawps do Santander para o governo do Sócrates; mas, enfim, se puserem um microfone à frente do deputado Amorim ele irá, certamente, do alto da sua enxundiosa prosápia, soltar umas tiradas laudatórias; ou aquele puto omnipresente, nunca me lembro do nome dele, um que parece que foi secretário de estado do láparo, um que é pau para toda a obra, esse também diz o que for preciso).


Ah, aposto que o Carlos Costa também deve achar muito bem que a Marilú vá trabalhar para os fundos abutres enquanto é deputada
Ah e também deve achar que a culpa do imbróglio que a a Miss Swaps arranjou com o Santander também foi da culpa da mãe e do pai do Sócrates por o terem concebido
Farinha do mesmo saco e com responsabilidade partilhada nos milhares de milhões derretidos às mãos deles


A este grupinho talvez o espaço lhes fizesse crescer o decoro, a decência, o respeito pelos outros. Mesmo que apenas uns 5 cm - sempre era melhor que nada.

Tinham é que ficar lá uma larga temporada porque aquilo é uma chatice, parece que o tratamento não é definitivo
Continua o artigo do DN: "Os astronautas crescem no espaço porque a coluna vertebral alarga", explicou à CNN Jeff Williams, da Nasa. "Mas voltam à estatura inicial ao fim de algum tempo na Terra", disse.
Chato isso.


[Bem, não quero ser mázinha: para os que estavam todos contentes a pensar que eu estava com ideias avançadas e que, depois, ficaram tristinhos, aqui está um link para um filminho que vos vai deixar outra vez animados. Não o coloco aqui porque gosto que os meus leitores fiquem contentes mas, enfim, também não exagero. De qualquer forma, é uma ideia para um programa de televisão moderado pela Teresa Guilherme. Por exemplo.]

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado muito feliz.

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sexta-feira, março 04, 2016

Coisas do caraças.
Vejam com os vossos próprios olhos:
como é que o eclipse solar de Março vos vai afectar.


Bem. No post abaixo já falei da ainda deputada laranja Marilú, que encarna com desfaçatez o que é a verdadeira desvergonha PàFiana, já aflorei a questão Teixeira da Cruz e os ratos na testa, já me interroguei sobre a questão Veiga & Paulo Santana Lopes & Damásio e a respectiva proibição de falar com os outros e com mais duas impolutas figuras -- e, porque gosto de um bom tempero,  tudo isto foi devidamente condimentado com a Ivone Silva patroa e costureira e, of course, tinha que ser, com os Monty Phyton e com a rabecada da Manuela Ferreira Leite. Um post feito também para ver se o Tozão Albukas, o maridão mauzão, vem cá a casa partir-me os c... (que ele trata assim aqueles que se metem com a sua fofa Marilú).

E a verdade é que umas coisas foram puxando outras e acabei por me alongar para além do que queria e agora já é tarde e não sei se consigo fazer o que queria.


Mas, se não se importam, para todos quantos se pelam por uma bela chaconne, que entre uma bem colorida.

Lully: Cadmus et Hermione 


Então, deixem que vos conte.

Não fazia a mínima ideia: vai haver um eclipse solar no dia 8. E menos sabia que isso é coisa para afectar a vida das pessoas. Não sabia e ainda não sei. Tenho com isto da astrologia uma relação daquelas que não se explicam. Sou agnóstica, já aqui o disse várias vezes - e sou agnóstica em relação a isto de deuses, religiões e tudo o que me cheire, ainda que vagamente, a esoterismos de qualquer espécie. A minha área de formação académica e as várias outras formações que adquiri a nível profissional giram todas em torno de números, de ciências exactas, de cenas assim que metem modelos, coisas concretas, mensuráveis. E, quanto muito, estatísticas. E, portanto, nada de froufrous, delíquios, semânticas ou semióticas, filosofias, sociologias, poesias ou rebeubéu pardais ao ninho. Nada. Tudo na base do pão-pão, queijo-queijo: só existe se puder ser comprovado, demonstrado. Esta é a minha matriz formativa e o meu mind set. Se por aqui me vêem frequentemente em rêveries ou passeios pela estratosfera em geral, já devem saber que é pura diletância, ousadia, falta de tino. 

E, no entanto, vá lá eu saber porquê abro caminho para a astrologia. O que eu já li sobre o tema... De tudo o que mais me interessou foi um estudo levado a cabo por matemáticos. Fizeram estatísticas e, sem que soubessem (ou sequer tentassem) explicar, comprovaram que existe coincidência de características e outras cenas entre pessoas do mesmo signo e que, em relação a previsões feitas com base em cartas astrológicas, havia uma consistente coincidência de eventos entre pessoas do mesmo signo. Achei piada.

E, portanto, sem saber dizer se acredito ou deixo de acreditar, volta e meia espreito o horóscopo e upssss... parece que aquilo foi feito para mim.


Conto-vos mais. 

Ando com imenso trabalho e numa fase de mails e mais mails, telefonemas e mais telefonemas, conference calls e o escambau, e sem saber bem para que lado me hei-de virar. E exausta. Pode parecer que não já que produzo diariamente lençóis de texto mas sou mesmo assim. Escrever aqui, à noite, enquanto ouço música, descansa-me a cabeça e prepara-me para uma noite retemperadora.

No entanto, apesar desta minha vida, talvez porque preciso de ter sempre pontos de fuga, ando aqui a encasquetar numa: acho que é indispensável haver um novo órgão de comunicação social. Já o disse aqui várias vezes. A actual comunicação social está manietada pelos direitolas matarruanos, manipulada, medíocre, fraquinha, fraquinha. Há espaço para um meio de qualidade, abrangente, com uma vertente cultural, aberta, arejada, p'ra frentex (mesmo que contemple os clássicos). Claro que acho que o desejável seria haver uma coisa integrada: rádio, televisão, jornal online mas isso já requereria um investimento vultuoso. Porém, já um jornal online me parece coisa relativamente comportável. Claro que seria preciso montar um projecto, fazer contas, estudar todas as vertentes e, claro, arranjar capital. Mas até já baila na minha cabeça o nome de um investidor e tudo, que eu cá não brinco em serviço. Tenho, no entanto, a plena consciência que desconheço o milieu e que uma coisa a sério não se faz com amadores. Mas uma pessoa a sonhar tem disto: uma insustentável leveza do ser. E, portanto, ando carregada de trabalho, sem um minuto livre mas, em simultâneo, em background, tenho aqui a roer-me a consciência este bichinho tentador.

Pois bem. Ao espreitar há pouco a Harper's dou com aquilo do eclipse e leio o seguinte para os Caranguejos -- e vai em inglês mesmo porque não tenho tempo para traduzir.


It looks like you are now on the precipice to reach a larger audience through publishing or broadcasting as this Eclipse in Pisces will usher you into a new field of communication. Run with it. You may decide to team up with a partner and it can be an ideal time for that as the opportunity arises. March overflows with emails, conference calls and text messages. With all of the flurry and excitement, you will also need to take care of your health as Saturn squares the Eclipse, reminding you that you have a body and need to sleep sometimes. Regardless, you will soar with the new opportunity to share your message.

Bolas. Não é mesmo do caraças? Não parece ter sido escrito para mim? Fogo...!


Antes havia a explicação genérica:

A Solar Eclipse in Pisces will occur on March 8. This is a rare and powerful cosmic event that generally only happens twice a year. Following that will be a Lunar Eclipse on March 23. A Solar Eclipse is comparable to a whole year's worth of New Moons all rolled into one. This is a portal for you to transform your life in a profound sort of way. Eclipses are famous for pushing you out of ruts that you didn't even know you were in. This eclipse in Pisces will be a lights-on wake-up call for you to commit to your truth and abort all that is not in line with that truth. Often, when we try to keep things status quo during eclipse season, external events will happen that work magically to usher you into the new and improved landscape. But it can often be a rocky ride getting there, as eclipses are total non-negotiables. Create lots of breathing room and don't book your schedule too heavily because this month will be full of surprises. During the week of March 8, you will be initiating a brand new soundtrack for the year to come. Let's welcome in Eclipse Season!

Se quiserem ver os vossos signos, está aqui.

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E é isto. 

E agora, a quem ainda não leu, sugiro, então, uma visita ao mundo do regabofe laranja. É já a seguir e há matéria para chorar e outra para rir. Ou para ir às lágrimas, vá.


Maria Luís Albuquerque, a chamada Miss Swaps, ex-Ministra das Finanças e actual Deputada do PSD, é a mais nova funcionária da Arrow Global
-- ou seja, é a verdadeira Olívia costureira/Olívia patroa.
Se está num lado vende, depois passa para o outro lado e compra.

Enquanto no Governo, vendeu a dívida do Banif a uma empresa e agora vai trabalhar para essa empresa?
Ora, ora, o que é isso para a Marilú?
(É que a Marilú, para além de descarada e destemida, é uma verdadeira sortuda: a ela nunca lhe apontaram um rato morto à cabeça -- não é como à Paulinha, a quem acontecem coisas dignas de uma novela do Poe)



Antes de ir para o Governo, a sua fama já a precedia. No período pré-Governo do PSD, diziam-na a garganta funda ao serviço do Coelho. Pouco confiável, já na altura se sabia. 

Depois, se antes tinha negociado com Swaps que iam arruinando o Estado, a seguir, no Governo, poupou os que quis e fez-se de santa em relação a outros e, com aquele ar de matreira videirinha, fazendo-se de inocente e, com a cobertura do ex-aluno Láparo, manteve-se em funções, dizendo que não tinha a ver com nada daquilo. Durante a governação, foi useira e vezeira como troca-tintas: disse e desdisse -- e tudo sempre com aquele seu arzinho descarado, narizinho empinado de quem sabe que está a lidar com mansarrões de onde mal nenhum lhe virá. 

A comunicação social, servil e veneranda, permitiu que fosse vendendo o seu peixe como muito bem quis. Quando confrontada, no Parlamento ou nas Comissões de Inquérito, com as mentiras, mantinha o sorrisinho, e, qual coelhinha bunny-bunny, santinha, santinha, dizia que não tinha dito aquilo que tinha dito. Bajuladora de Bruxelas e, em especial dos alemães, dizia lá fora que era definitivo o que cá dentro dizia que era provisório.
[Já agora: o seu comportamento no processo BES ainda um dia deveria ser escrutinado. Nunca percebi quem lhe deu a cobertura para fazer o que fez na maior impunidade. É uma das história muito mal contadas da governação passista e não percebo como é que ninguém lhe segue o rasto.] 

Pois bem. Agora sabe-se que, enquanto ministra, a nossa diligente Marilú vendeu créditos do Banif a um daqueles fundos que sugam a alma das vítimas -- e que, surprise, surprise!, é justamente para lá que agora trabalha em funções que a fazem estar do outro lado da divisória. 

Lê-se uma pouca vergonha destas e não se acredita:

Maria Luís Albuquerque, atualmente deputada do PSD, vai desempenhar funções de diretora não executiva e fará parte do comité de auditoria e risco da Arrow Global, empresa que se dedica à gestão e recuperação de dívidas e que comprou em 2014 carteiras de crédito ao Banif.

No relatório de gestão e contas de 2014, o Banif dizia que em 30 de junho e 30 de setembro desse ano "foram assinados os contratos de compra e venda de créditos compostos pelas carteiras de Portugal e Espanha à Arrow Global Limited e à Arrow Global Luna Limited, respetivamente".

(...) Em Portugal, a Arrow Global comprou, em abril do ano passado, a empresa de gestão de créditos Whitestar e a empresa de serviços de tratamento e aquisição de dívidas Gesphone, pelas quais pagou 56 milhões de euros. No final do ano passado, o grupo britânico tinha 6,8 mil milhões de euros de ativos sob gestão em Portugal.


Quando confrontada com a falta de moral, de ética e de vergonha na cara que esta sua descarada atitude revela, Maria Luís Albuquerque faz aquele arzinho de inocente que tão bem lhe conhecemos e diz que não tem nada de mais, que, ora, ora, lá estão a fazer aproveitamentos políticos.

Perplexos (nós, os poucos que ainda acreditamos no Pai Natal), interrogamo-nos: Período de nojo? Não trabalhar para empresas com quem se fez negócios enquanto governante? 

"Bahhh... Querem lá ver que agora até acham que há conflito de interesses...? Tanto pruridozinho... Gentinha mais picuinhas!"
(pensará ela, que não é dada a profundidades morais).

É que, para aquelas bandas, parece que bom mesmo é a promiscuidade completa, a desbunda, tudo ao molho e fé em Deus.
E, como se fosse pouco, imagine-se ainda o cúmulo da desfaçatez: parece que, ainda por cima, quer continuar a receber o ordenado de deputada.

Sempre que a televisão a foca na Assembleia, vê-se que a biscateira está desatenta em relação ao que lá se passa ou, de vez em quando, levanta a cara do computador e faz um sorrisinho a fazer de conta que está atenta mas, logo a seguir, como se não tivesse tempo a perder, lá está ela a trabalhar, pimba, pimba, no teclado --  sabe-se lá a fazer o quê. Estará a analisar a créditos e dívidas? Não sei. Pergunto.

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Contou-me um Leitor, por mail, que Manuela Ferreira Leite, na TVI 24, arrasou a Madame Albuquerque. Não vi. Estava a escrever isto e esqueci-me de a ver. Mas os jornais já estão todos a dar conta disso:

Manuela Ferreira Leite não poupa a homónima. Acusa-a de falta de "transparência" e de falta de "bom senso", por ir para uma empresa que causou "prejuízos" ao país, "quase sem tempo nenhum de nojo".


Nem mais.
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E, antes de passar para o momento de humor e para outras pequenas anotações, permitam que daqui mande um alôzinho para o António, o cioso maridão: 

Olhe, seu mauzão, não leve a mal o que eu acabei de dizer, ouviu? Sou boazinha, franzininha, coitadinha, não me faça mal, está bem...? 

Mas olhe, se quiser vir cá partir-me os cornos (pardon my french), bata antes à porta e peça para falar com o meu maridão, valeu? 

E pronto, é isto. Ficamos assim. À espera.
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E que entre a Olívia Costureira e a Olívia patroa, que esta, sim, tinha (e tem) graça, não viveu à nossa custa e nunca ofendeu a inteligência de ninguém

Ivone Silva 


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As imagens que usei para enfeitar o texto provêm do saudoso We Have Kaos in the Garden
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(Agora uma coisa pergunto eu: será por ter um body guard mauzão que à Marilú nunca apontaram um rato morto à cabeça ou enviaram um laser por correio como parece que fizeram à atilada Paulocas?)


Paula Teixeira da Cruz -- 

o novo elemento dos Monty Phyton? 

Quiçá a Loretta, não?



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Uma notinha de última hora

Ah, sim... ainda mais uma coisinha: porque é que todos os arguidos do processo Rota do Atlântico ou lá o que é, aquele do José Veiga e do Paulo Santana Lopes, ficam todos proibidos de falar com o Vai-Estudar-ó-Relvas  e com o 007 Sérgio Monteiro (o tal ex-vendedor a jacto da TAP e de outras miudezas e que foi contratado pelo Carlos Costa do Banco de Portugal para vender o Novo Banco)? O que é que estas duas distintas, e certamente impolutas, figuras têm a ver com os outros? Agora até o Manuel Damásio foi proibido de os contactar. Mas porquê, senhores? Alguém me diz?


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Já cá volto - ou daqui a nada ou de manhã. Quero contar-vos uma coisa mesmo do caraças. A sério.

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quinta-feira, março 03, 2016

Gainsbourg, ou como um homem muito feio e muito desregrado atraiu várias mulheres muito belas


Vou repetir-me outra vez mas, desta vez, para disfarçar, parafraseio Vinicius: os muito feios que me perdoem mas beleza é fundamental. 

Até hoje, que me lembre, nunca nenhum homem muito feio me atraíu. Acho que a fealdade distrai e eu acho que, nos homens, nada deve distrair a atenção da sua essência. Por exemplo, se vejo um homem todo aperaltado, fatinho à maneira, imaginemos cinzento escuro, boa gravata, nó bem dado, camisa a propósito, digamos que branca, e, de repente, reparo nos sapatos e vejo uns sapatos bons, bem tratados, em castanho, como é de bom tom entre os queques, então logo são os sapatos que captam a minha atenção e dou por mim a pensar, olha, um cagãozinho, e, vá lá saber porquê, parece que já nada do que o pobre faça ou diga fará mudar a minha opinião: um pipi armado em carapau de corrida. E sou assim com tudo. Horrível, isto. Sempre fui assim. As minhas amigas diziam: diz onde é o teu caixote do lixo. E estavam certas: muito homem capaz foi, directinho, para o meu caixote do lixo. E o drama é que, por muito que faça, dificilmente de lá sai.

E, se isto é com sapatos ou uma camisa disparatada ou relógio amaricado ou coisa do género, imagine-se o que é com uma cara de meter medo ou um corpinho mal jeitoso. E não vale a pena virem dizer-me que ninguém tem culpa e que ser feio não é problema. Sei disso. Aliás dou-me lindamente com toda a espécie de camafeus. O que digo é que, numa perspectiva de atracção sexual ou amorosa, digamos, comigo não dá. 

Mas os muito feios que não se entristeçam: é que, se eu sou de má boca - para mim só filet mignon - o que não falta são mulheres que parece que, quanto mais feios, melhor.


(La Decadanse: muito dancei eu ao som disto)


Fez esta terça-feira, dia 2 de Março, 25 anos que Serge Gainsbourg (nascido Lucien Ginsburg) se foi. Tinha 62 anos e uma vida preenchida, transbordante. Escandaloso, polémico, excessivo, foi também uma pessoa extremamente talentosa. Compôs cerca de 550 canções e os sucessos foram inúmeros, tal como inúmeros têm sido os covers a partir dos seus originais.


E feio. Feio, feio todos os dias, e um corpinho franzino, sem história, todo ele mal amanhado. E, contudo, como acontece a tantos homens assim, com uma fenomenal saída junto das mulheres. Mas que, quem não conhece a história, não pense que foram as muito feias, ceguinhas e vencidas da vida que, à falta de melhor, não tiveram outro remédio senão resignar-se a ficar com os restos. Nada disso: mulheres belíssimas, cortejadíssimas, caíram sob o efeito do seu sex-appeal (por muito escondido que, à vista desarmada o sex-appeal estivesse, a verdade é que consta que o homem era uma bomba). As fotografias mostram-no feiozinho, coitadinho, e ao seu lado, belas e cobiçadas mulheres que podiam escolher o que quisessem. Fumava uns atrás de outros, os dedos já queimados, uma chaminé a céu aberto, a toda a hora com um cigarro nos dedos; e bebia, bebia até cair para o lado -- e as mulheres sempre a olharem-no com paixão, doidas por ele.

(Foi o coração que o atraiçoou mas falava-se também de cirrose.)

Mostro, então, as principais mulheres da vida de Serge Gainsbourg


(por facilidade, vou buscar algumas das fotografias legendadas que aparecem no Madame Le Figaro).

Com Juliette Gréco para quem numa noite, em 1959, escreveu a célebre La Javanaise. 

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Françoise Pancrazzi, a segunda mulher (a primeira foi Elisabeth Levitsky): tiveram dois filhos e divorciaram-se em 1964 pois Françoise não suportava o comportamento de Serge, tinha ciúmes e ciúmes mais que fundados. 
[E eu olho para a fotografia e pasmo: como era possível? Ela linda e ele um feio deslavado]
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France Gall que ganhou o festival da canção com Poupée de Cire, Poupée de Son, composta por ele. Gainsbourg compôs outras canções para ela, tal como Les Sucettes, canção cujo teor erótico ela diz que apenas compreendeu mais tarde, já mais crescidinha. 



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Brigitte Bardot, um amor interdito (já que ela era casada). Sobre a relação que os uniu, confessou ela mais tarde:
« La beauté c'est quelque chose qui peut être séduisant un temps. Ça peut être un moment de séduction. Mais l'intelligence, la profondeur, le talent, la tendresse, c'est bien plus important et ça dure beaucoup plus longtemps. »
Para ela, compôs ele várias canções, entre as quais Je t'aime moi non plus e Initials B.B.


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Com Jane Birkin, o grande amor. Começaram por detestar-se. Depois tornaram-se inseparáveis. Jane torna-se a sua inspiração, a sua musa, e com ela ao lado, os sucessos sucedem-se. Faz uma nova versão de Je t'aime.. moi non plus. Para ela faz também, entre outras, 69 Année Erotique



Com a filha, Charlotte Gainsbourg, em 1971, em Londres

Com a filha Charlotte Gainsbourg, ainda uma miúda, faz um dueto que deixou quase toda a gente escandalizada com a canção Lemon Incest (1984). Compreende-se.


A seguir, faz um filme, também com a filha, Charlotte Forever, que causa igualmente a maior perplexidade (digamos assim). Em vez de um excerto do filme, partilho convosco uma entrevista em que se pode ver a timidez de Charlotte e o polémico pai. Desconcertante, no mínimo.


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Depois da ruptura com Jane, segue-se Catherine Deneuve que o ajudou a esquecer o seu grande amor.
Para ela e para o filme Je vous aime, compôs Dieu fumeur de havanes


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Caroline Paulus, mais conhecida por Bambou, a última mulher. Com ela teve o 4º filho
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Com Vanessa Paradis em 1990, a última musa, para quem compôs, para além de uma outra, Tandem


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Para terminar, uma emocionante homenagem que reuniu alguns dos seus devotos. 
Em 1990, perto do fim.


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Em 2011 saíu um filme sobre a sua vida

Gainsbourg: A Heroic Life 




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Repesco as palavras de BB -- não é a beleza ou o breve instante da sedução: são a inteligência, a profundidade, o talento, a ternura que perduram. Deve ter sido isso que fez com que elas o amassem tanto. E, de resto, admito, a beleza tal como o amor e tantas outras coisas são una cosa mentale.

[NB: Centrei o texto na relação dele com as mulheres mas, bem entendido, o talento de Gainsbourg foi e é apreciado enquanto multi facetado e talentoso artista]
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E agora, se ainda não viram, desçam, por favor, até ao post seguinte: aí se pode ver o hábito que Pablo Iglesias, o líder do Podemos, tem de beijar na boca os seus correlegionários. Pelo que se vê, ele beija qualquer um em qualquer lugar, incluindo no Parlamento. Os cartazes humorísticos começam a surgir e eu imaginei casais que gostaria de ver a cumprimentar-se assim na nossa Assembleia e até me ocorreu uma forma original dos nossos deputados do sexo masculino se despedirem do ainda Cavaco.

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Pablo Iglesias e Xavier Domènech: bésame, cariño: e saíu um arrebatado beijo na boca em pleno Parlamento. E, dado que é assim que o Iglesias cumprimenta os amigos, mais que certo que o Louçã* já levou um chochinho. E eu daqui sugiro idêntico gesto, na nossa AR, aos seguintes casais: Passos Coelho e Paulo Portas, António Costa e Jerónimo de Sousa, Carlos Amorim Gomes e Telmo Correia. Por exemplo.


E agora que penso nisto, até me ocorre que teria graça que, como na missa, passasse a ser moda na Assembleia da República, a dado momento, darem todos um beijo ao parceiro do lado, mas, segundo a nova moda, um beijo na boca. A língua seria facultativa -- digo eu.

E sugeri beijos no masculino mas claro que a moda seria extensiva às senhoras. Por exemplo, a fogosa Teresa Leal ao Coelho poderia oscular aquela que tem cara de má do CDS, a Cecília Meireles, ou a pinókia Marilú poderia dar um amoroso beijo à Teresa Caeiro. 

(Eu, se fosse deputada, pelo sim, pelo não, punha-me ao lado daqueles rapagões jeitosos do PCP).

Acho que escuso de contextualizar mas, aos distraídos, informo que o líder do Podemos, Pablo Iglesias, e Xavier Domènech, da coligação En Comú Podem, surpreenderam toda a gente com a manifestação de afecto que abaixo se mostra. 


Depois de Domènech ter discursado no parlamento, Iglesias fez questão de sair do seu lugar e dirigir-se ao meio da sala para felicitar o deputado com um beijo na boca. ( ... )



O curioso é que isto não foi fruto de um arrebatamento descontrolado já que parece que é assim que o Pablo Iglesias (ou todos os do Podemos? Ou todos os de esquerda?) se cumprimentam.


Este jueves se ha podido ver  a Pablo Iglesias besar en la boca al diputado de Podemos Raimundo Viejo durante la Comisión de Asuntos Exteriores del Congreso, tal y como ha captado el fotógrafo Javier Cuesta y que recoge Mediterráneo Digital.



* Lá em cima, no título, exemplifiquei com o Louçã mas não sei quem é que, por cá, manteve ou mantém conversações com o moço e, por via disso, já se acasalou com ele. O Rui Tavares? O Daniel Oliveira? Ai que vontade de rir que isto me dá. Os nossos garanhões a levarem uma beijo de boca do original Iglesias... E, agora que escrevo, ocorre-me outra coisa: será que isto não é novidade nenhuma por cá? Será que é assim que a malta tipo Bloco de Esquerda se cumprimenta habitualmente? O Pedro Filipe Soares e o Pureza às beijocas na boca...? Será?

Bem, alguém que me informe se faz favor.

De qualquer forma, é óbvio que os cartoons humorísticos já começaram a surgir.



E, vendo isto, outra coisa me ocorre: porque é que os nosso deputados (do sexo masculino), todos, antes de se despedirem do Cavaco, não anestesiam a boca e, depois, em vez de lhe darem um aperto de mão, não o cumprimentam beijando-o na boca? Não era lindo? Alguém imagina como é que ficaria o Cavaco? Ai que bom. Bora fazer o abaixo-assinado para convencer a homenzada do Parlamento a pregar essa partida ao Cavaco? Não era uma saída em beleza? Please, alguém que me dê ouvidos...!

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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quarta-feira, março 02, 2016

Já a nossa vida não tem alicerces





Noite que me apetece de silêncio. 

Não há assuntos na política nacional que me motivem. O governo está a começar. Há que lhe dar tempo para se instalar, conhecer os cantos ao país, organizar-se. Um ou outro tropeção são normais, há que não dramatizar. Até agora nada de grave, as intenções são boas, o rumo é o correcto.

A oposição está gasta, é um saco vazio. Gastas as figuras, gastas as ideias. Não consigo ouvir aquela gente, tudo aquilo é nefasto.

E, se não quiser falar em política e me virar para o dia a dia, ou me deito a efabular ou a deitar perfuminhos no ar, ou, se olho para o que se passa à minha volta, o que vejo a toda a hora é que a vida de tantas pessoas é uma angústia, uma verdadeira angústia. Por exemplo, hoje à hora de almoço ouvi na rádio uma senhora que se queixava de que o edifício onde trabalhava, com amianto, lhe causava alergias e que de vez em quando estava de baixa. E que, além disso, lhe tinha aparecido um cancro. E que vários colegas estavam também com problemas de saúde, já para não falar nos que tinham morrido. E eu ia a ouvir isto com uma crescente tristeza. E só pensava, com espanto, como é que a senhora conseguiu falar o que falou sem estar lavada em lágrimas. Em condições normais, humanas, uma pessoa, perante uma situação daquelas, largava aquele emprego e ia trabalhar para um sítio onde se sentisse bem. Mas a situação que se vive (por todo o lado, não apenas aqui) é de tal ordem que uma pessoa, mesmo nestas circunstâncias, continua a trabalhar num lugar que lhe dá cabo da vida. Ouvi que vão agora fazer obras no edifício mas, pelos vistos, foi necessário que várias pessoas tivessem chegado a estados limites para que alguém achasse que era preciso fazer alguma coisa, Ora isto não é uma sociedade humana, é um grupo de estúpidos, de gente cretina. Em contrapartida, há sempre dinheiro para injectar nos bancos. E o jornalismo acéfalo -- que se precipita de microfone em punho para ouvir as asneiras que diz um sujeito que devia estar escondido durante anos (para ver se a gente se esquece do que andou a fazer ao longo de quatro anos e que por aí anda armado em importante) -- raras vezes  documenta o que de mau (e de bom!) existe por aí, raras vezes faz investigação ou reportagem, raras vezes indaga das aspirações das pessoas, das suas condições de vida, dos seus sonhos e sobressaltos,  ou seja, raramente se interessa pela vida das pessoas.


Mas, se olho para fora, ou me foco no espaço e aí facilmente me deixo levar pelas boas ondas, ou, se me detenho no que se passa com os humanos à solta nas camadas terrestres, fico igualmente desmotivada.
  • A situação nos EUA é deprimente, aquele regime parece cada vez mais duvidoso tal a iliteracia e incultura, e de tal forma grande parte da sociedade está capturada pelos interesses da indústria da guerra, da indústria farmacêutica, da indústria do petróleo, etc, e aquilo a que se assiste não parece próprio de um grande país democrático. 
  • A União Europeia é uma carroça desconjuntada, descomandada. 
  • A situação na Síria e arredores é um pavor -- e sabemos quem ajudou à festa. 
  • África é um desconsolo: corrupção, pobreza, uma crise permanente, escravos ainda. 
  • O Brasil é o que se sabe, um país imenso e sempre envolto na nebulosa da corrupção e de uma crise que se reinventa e se regenera. 
  • E a China e a Rússia... 
  • ... e, por todo o lado, um latejar de problemas de toda a espécie. 
Mas é tudo de tal forma incomensuravelmente problemático, tudo tão descontrolado, tão irremediavelmente desregulado, tão imenso e fora da esfera de acção individual que ou nos afogamos em desespero ou nos alheamos. 

E eu, a esta hora, por mais que queira mostrar a minha preocupação, já não consigo dizer nada, parece que nada que eu diga está à altura do que queria dizer. Nem, neste momento, tenho capacidade para fazer opções, acho que nem sequer para pensar direito. Estou cansada. Só me apetece paz, palavrinhas boas, gestos amigos, saltos de pássaro feliz.

E, por isso, com vossa licença, deixem-me mergulhar em poesia.
Devagar, devagar. 


Já a nossa vida não tem alicerces: pássaro sem nexo,
ela conduz-nos a qualquer lugar e também
não nos faz promessas. Deixa andar.
Todas as coisas serão finalmente reconduzidas
à sua própria dimensão
e nós próprios, melhor será não esperarmos nada
e agradecermos qualquer gesto de amor ou qualquer acto de camaradagem,
como se realmente o não merecêssemos, dádiva esplendorosa e gratuita
da nossa vida sem alicerces.

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Tu estás aqui

Ruy Belo





E criar, sonhar, fazer: Zaha Hadid

A arquitectura escultura



Vídeo feito para a disciplina História da Arquitetura IV do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie



 E voar. Apetece-me tanto voar, tanto.


Una Noche con Kylián (Sleepless, Petite Mort, Sinfonía de los Salmos) - Compañia Nacional de Danza no Teatro de la Zarzuela de Madrid
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As esculturas de vidro e luz são da autoria de  Michele Gutlove

O 'Poema dos alicerces da nossa vida' é de Luís Filipe Castro Mendes in 'Outro Ulisses regressa a casa'

 Lá em cima, da autoria de Biagio Marini: Passacaglio in G numa interpretação de Andrew Manze

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

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terça-feira, março 01, 2016

O Anselmo, creio que o Ralph, está na televisão a entrevistar um cavalo cansado


E eu, obviamente, vou mudar de canal.

Bye bye cavalo cansado.


Apenas mais um dia




Tive ontem um dia daqueles que me deixam um bocado cansada mas, enfim, nada de mais. 

A manhã foi normal embora com um assunto inesperado e um bocado desagradável. Mas resolveu-se.

Depois almocei à pressa. Sabendo o que me esperava, arranjei uns cinco minutos para passear entre livros para ver se esses breves instantes me salvavam o dia mas, de facto, estava desconcentrada, sabia que não tinha tempo nem para uma folheadela rápida. E ainda queria ir pentear-me e passar um gloss nos lábios. Afinal não encontrei o pente, tinha ficado na bolsa que usei no fim de semana. Paciência.


A seguir, carro, receio que o trânsito me atrasasse. Mas não. Depois, entre o estacionamento e o local da reunião, vento. Pensei que afinal, mesmo que me tivesse penteado, não teria servido de nada. Ainda pensei que, com um bocado de sorte, chegava antes dos outros e conseguia ir à casa de banho ajeitar o cabelo com as mãos. Mas não, já lá estavam dois, beijinho, beijinho, fiquei logo agarrada. Entretanto, um dos mails que tinha recebido enquanto conduzia, aborreceu-me. É um assunto em que estou a fazer um braço de ferro e cada vez as posições estão mais extremadas. Não vou ceder, acho que tenho razão. Mas sinto que, de vez em quando, alguns dos que me devem acompanhar, ficam um bocado intimidados com a minha inflexibilidade, sinto neles a vontade de amolecer, de não hostilizar o outro lado; e isso incomoda-me um bocado. É que eu não amoleço (e, muito sinceramente, não sei se isso é qualidade ou defeito ou, simplesmente, feitio). E, então, antes da reunião começar, enviei um mail a mostrar uma vez mais, e de forma seca, que não vou ceder. Estão em jogo interesses fortes e verbas elevadas e eu, a defender os interesses da empresa que paga o meu ordenado, sou implacável. Mas fico a pensar que a minha vida seria tão mais fácil se me deixasse ir na onda. Nadar contra a corrente por vezes é extenuante. Estes meus dias têm sido assim, com momentos de tensão e, muitas vezes, sem ter possibilidade de desanuviar entre uns assuntos e outros. A vida nas empresas está cheia de perigos, rasteiras, ameaças, etc, e quanto maior a responsabilidade maiores as preocupações. Porém, não me queixo: é a vida que escolhi. E tenho é que me sentir agradecida por ter trabalho e fazer aquilo de que gosto.


E depois começou a reunião que durou mais de cinco horas, intensas, de seguida. Ter reuniões longas cansa-me um bocado. Não me importo nada de ter várias reuniões num dia mas de curta duração e, de preferência, com algum intervalo entre elas. Mas uma de mais de cinco horas cansa-me um bocado. De qualquer forma, esta não foi das piores. Longe disso. Assuntos que, à luz do que aqui mostro interessar-me, poderiam parecer áridos, complexos, desapossados de luz. Mas dou por mim genuinamente interessada, opinante, construtiva. Nessas alturas sou outra. Não há grandes pontos de contacto entre essa e esta aqui. Mas sou eu, também. E eu a tempo inteiro. Na reunião estive, como sempre estou, completamente focada no que ali se tratava, até desligada da preocupação que o outro assunto me tinha causado e que, pouco tempo antes, me tinha levado a escrever mais um mail cortante. 

Penso que isto é de ser tão irremediavelmente primária. Se estou numa, estou a cem por cento. Saio dali, desligo, e dedico-me a outra. E parece que me esqueço, que, mal viro costas, tudo perde imediatamente relevância. Para quem assiste pode ser desconcertante. Até para mim chega a ser.
Um dos meus miúdos, no outro dia, falava de poliedros (anda a estudar poliedros, não rebolantes). Um sólido com várias faces -- olha-se para umas e não se vê as outras. Acho que, se calhar, é o que sou -- embora tenha que fazer dieta para ver se um dia destes não dou por mim transformada em rebolante.

Saí da reunião já de noite. Ao entrar no carro, desliguei-me também do que se passou naquelas mais de cinco horas de reunião. Gosto de conduzir à noite. A cidade tem um movimento agradável quando o dia acaba e as pessoas se deslocam para casa. Pelo caminho vim ao telefone, todos os dias a viagem é passada nesta ronda familiar. Não ouvi notícias na rádio, não ouvi cá em casa. Passei os olhos pelos jornais online mas nada me despertou atenção. 

Passeei pelo blogues. Uns sim, cativaram-me: aventuras, ousadias, belezas mágicas. Outros não, monótonos. E há muita amargura, muita solidão pelos blogues. Tenho que me conter para não me pôr com abraços às pessoas que me parece que estão tristes, parece que os tomam por lamechice e isso também não quero. É certo que um abraço virtual não é a mesma coisa que um abraço de verdade mas, aqui de longe, a única coisa que posso fazer é mostrar que estou aqui deste lado. Mas, enfim, ainda não aprendi bem qual o tom certo para não ser mal interpretada. Mas também há muita futilidade, tanta futilidade nos blogues. A futilidade também me cansa. Prefiro alguma irreverência, e magias, maluqueiras, evocações. Ou palavras perfeitas. Há gente que escreve muito bem. Fico sempre enlevada a ler quem escreve bem. É um dom.

E eu estou aqui nisto mas sem saber sobre o que escrever, que mais valia estar quieta. A verdade é que gosto de escrever, mesmo que sem propósito. Tomara que não vos canse também.

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Fiz as fotografias no fim-de-semana e coloquei-as aqui para me ajudarem a recordar a cor, a luz, o rio, as gaivotas e os barcos durante os dias em que estou fechada quase de manhã à noite.

A música é de Paul Hindemith: Sonata per arpa (1939) e é interpretada por Katerina Englichova. 
A pintura que aparece no vídeo é de Isadore Michas.

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E, caso tenham agora chegado aqui, permitam que vos convide a deslizar por aí abaixo para me acompanharem entre livros, estes aqui em casa, um caos que é um ninho. E umas peças bonitas feitas de livros. E um compositor de que nunca tinha ouvido falar.


Livros desordeiros, ninhos, coisas de caranguejos, folhas de livros velhos: cenas ao som de uma viola no exílio




Há nisto qualquer coisa que não se consegue explicar. No trabalho, ao contrário dos meus colegas que gostam de ter livros relativos à sua área ou outras, no meu gabinete não tenho um único livro. No armário fechado quase não tenho dossiers. Em cima da secretária juntam-se algumas pastas com matérias correntes ou coisas que me enviam por correio e que, em dias em que chego com vontade de pouco ruído, levam sumiço em três tempos. Também não tenho molduras com fotografias ou objectos pessoais. A única coisa, que me lembre, é uma pequena caixa mas é porque tem uma conotação literária. Quanto menos lá tiver melhor pois tudo aquilo é efémero e é bom que seja, que devemos ter é mudança, não tralha pré-histórica. O que me interessa é o que fica na minha cabeça (e no computador, bem entendido). Ao contrário dos meus colegas que vão para as reuniões carregados de dossiers, apresentações impressas e caderninho de apontamentos, eu vou de mãos a abanar. Quanto muito levo um lápis ou uma caneta e arrebanho uma folha num sítio qualquer. Se escrevo qualquer coisa, mal chegue ao gabinete, ponho os assuntos a andar e deito fora a folha.

Já mudei várias vezes de gabinete e tenho a certeza comprovada que a história nas empresas de pouco vale. Vão-se as pessoas que a testemunharam e acabou-se a história. Por isso, me desapego de tudo aquilo que sei que não vai ficar apegado a mim para todo o sempre. Ficam as minhas memórias e, provavelmente, até ao dia em que se vão varrer.

Contudo, em casa é o oposto. Aqui, para mim, é como um ninho. Quando vejo os pássaros a carregarem palhinhas, lamas, penas, pauzitos para, com isso, fazerem o seu ninho, revejo-me.

Aqui estou eu, quase enclausurada entre eles, como se tivesse feito, para me resguardar do mundo, um ninho formado exclusivamente por livros. Se os arrumo, logo vou buscar um e outro, e a esses outros se vão juntando e por aqui vão ficando numa desordem vergonhosa. Se vem cá a casa alguém com quem faço alguma cerimónia e que antevejo que pode vir até aqui, fico em ânsias. Tento, antes, organizá-los minimamente, disfarçar o caos em que me sinto bem. No fundo, tento que continuem a achar que sou normal. Mas aborrece-me mudá-los às pressas, parece que me perco deles e eles de mim, como se uma harmonia natural se estivesse a quebrar.
Lembro-me sempre de uma amiga minha, acho que já contei: é ainda pior que eu. Também é caranguejo, deve ser por isso. Acumula tralha em todo o lado. Mas ela também no carro. Eu também mas ela acho que ela é pior, de fugir. Até o tablier do carro ela usa como prateleira. Orienta mestrados na faculdade, dá cursos profissionais, participa em actividades de divulgação científica e ainda é uma das sócias de uma empresa super-criativa. Com tudo isto, fervilha. Uma vez teve que ir ao aeroporto buscar um professor qualquer e andou uma semana doente a pensar ou como se poderia furtar à obrigação de o transportar no carro ou que desculpas arranjar para justificar o estado caótico do carro. Dizia o marido: 'Não lhe ocorreu que podia arrumar o carro'. Ela diz que claro que não, porque, simplesmente, a bagunça é total e a arrumação impossível.
E, portanto, eu aqui é isto. Se quero abrir um livro ao meu lado já é uma dificuldade, não há espaço. Para transcrever qualquer coisa para vos mostrar, é uma ginástica. Se vem almoçar muita gente cá a casa e preciso de muitas cadeiras, estas estão carregadas de livros. Uma coisa irracional. Mas se me sinto bem assim...?

O meu marido limita-se a dizer: 'Eu já não digo nada...' mas sinto que há uma recriminação no seu tom de voz. Mas a verdade é que mesmo que queira fazer-lhe um agrado não consigo. Nunca apanhei nenhuma bebedeira, nunca me droguei, já deixei de fumar há uns anos - mas mantenho este vício: os livros, as palavras. Acho que nunca passei um dia da minha vida sem ler. E agora, desde há algum tempo, sem escrever. É bom escrever. É bom deixar que as palavras saiam à vontade, voem à minha volta, brinquem na rua, desapareçam por um bocado para irem ter convosco. A maior parte das vezes por aí ficam, convosco. Outras vezes regressam mas eu já não lhes ligo muito, já estou na brincadeira com outras.
[Tenho este meu lado de femme infidèle (como uma vez o vice-presidente de uma multinacional, furioso comigo, passou a chamar-me)]
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Hoje vi as peças que Cecilia Levy, uma designer gráfica sueca que antes era encadernadora, faz com páginas de livros velhos, presumo que danificados. Em vez de deixar os livros irem para o lixo, recicla-os  mas recicla-os de uma forma original e bonita. Mostro-vos.



Peças bonitas estas, não são? Eu gosto.

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Lá em cima Julia Rebekka Adler e Alex Gremmelspacher interpretam Viola in Exile - Sonate für Viola und Klavier A-Dur op. 101 (I) Adagio (1941) de Hans Gál.

Nunca tinha ouvido falar deste compositor. Ouvi esta segunda-feira de manhã, na Antena 2, a Filomena Molder a falar dele e falou com tal admiração que até fixei o nome. Geralmente parece que fixo mas, como estou a conduzir, não posso escrever e, quando chego à noite já não me lembro. Desta vez a minha cabeça portou-se bem.

Também gostei de a ouvir nisto do Acordo Ortográfico. Ela acha - e eu também - que esta parvoíce do AO deveria ser revertida. Para tal, acha que seria boa ideia haver um referendo. Contudo, para isso, tem que se entregar uma petição com 75.000 assinaturas. Ora como é que se consegue arranjar 75.000 assinaturas? Penso que o site para recolha de assinaturas é este.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma terça-feira feliz, tranquila.