sábado, novembro 07, 2015

António Costa na SIC com a Ana Lourenço - não se distraíu com o decote profundo dela, não vacilou perante o olhar furibundo que a Maga Patalógica lhe deitou do princípio ao fim da entrevista e conseguiu explicar que a ideia do tão ansiado acordo não é hipnotizar ou canibalizar o PCP e o BE mas, sim, chegar a acordo em pontos relevantes.
Para ajudar os cépticos a compreenderem como é que estas coisas funcionam, conto como, apesar de ser tão diferente do meu marido, continuamos alegremente casados há tantos mil anos






Até um contrato estar assinado, ainda não há contrato - e isto é assim com todos os contratos e em toda a parte do mundo. Portanto, se o contrato entre o PS, o PCP, o BE e os Verdes ainda não está completamente assinado (e eu não sei se está ou não), para mim é como se ainda não houvesse contrato. Mas também sei que entre a vontade de assinar um contrato e conseguir chegar-se a acordo sobre todo o clausulado vai um grande esforço.

Quando as pessoas que estão nesse processo negocial se põem a analisar ao pormenor cada vírgula é o fim da picada. Sei do que falo. E é sempre assim - até que a coisa está fechada e toda a gente assina. Não é drama nenhum: é o normal.

Portanto, não me vou pronunciar sobre o acordo ou o não acordo. Quando houver acordo, falo sobre ele. Enquanto não há, não me ralo com isso, não alinho na excitação maluca que parece ter tomado conta dos PàFs e (et pour cause) da comunicação social  

Quanto à entrevista de António Costa na SIC, não consegui vê-la toda pelo que há aspectos que, agora que escrevo, me faltam. Leio nos jornais online que parece que ainda não está tudo acertado com o PCP mas não sei se isso é o tal frenesim miudinho das virgens que nunca discutiram um contrato na vida ou se ainda há mesmo algum rabo para esfolar. Tanto me dá pois, pela parte que me toca, acredito que haverá acordo. Seria dramático para as esquerdas se não conseguissem chegar a um entendimento - o eleitorado não lhes perdoaria. Por isso, acho que as partes envolvidas vão deixar para trás velhos ressentimentos e preconceitos fora de moda e vão conseguir fechar todos os pontos.

De resto, do que vi, a Ana Lourenço, ar sinistro, assustadora, ar de quem vai servir veneno na bebida, decote profundo a deixar antever les poitrines, tentou de todas as maneiras desestabilizar o António Costa. Claro que até usou a artilharia da Nato. Esteve bem o António Costa não apenas ignorando-lhe o sulco entre os seios mas, também, quando lhe explicou que os partidos não vão abdicar da sua matriz ideológica nem das suas idiossincrasias - vão, sim, estabelecer linhas de convergência sobre as quais se comprometem a manter o acordo relativamente a uma linha de governação. Apesar da paciência dele (mas talvez devido à desgraçada dicção de que ainda padece), a Ana Lourenço pareceu não compreender que os partidos não precisam de ser completamente iguais, constituídos por almas gémeas, para que consigam conviver.

E eu, pensando nela e em todos os outros que pululam nas televisões, rádios e jornais inventariando pontos de divergência entre os partidos, avanço aqui com o meu caso.


Explicação do que é um acordo de entendimento a quem nunca deve ter conseguido viver um relacionamento com alguma estabilidade


Quem por aqui me acompanha sabe que sou casada há mais de mil anos. Casei-me ainda menina e moça e já sou avó - imaginem bem a duração disto. 

Quem sabe disse também já me conhece e, na volta, também já consegue perceber, mais coisa menos coisa, como é o meu marido.

Mas eu vou contar algumas das nossas características para que os que não conseguem perceber como é que o PS, o PCP e o BE vão conseguir encontrar um chão comum para servir de sustentação a um governo, verem como é possível uma relação durar décadas apesar dos intervenientes serem completamente diferentes.

. & .

Sou noctívaga. Sabem disso. Deito-me às quinhentas. Desde que me conheço que é isto.
Ao meu marido, lá para as onze e picos já lhe está a dar o sono. E depois, claro, acorda cedíssimo enquanto eu, se pudesse, dormia até meio da manhã.
Se tem que fazer uma coisa, não descansa enquanto não a faz, especialmente se for coisa desagradável.
Eu dou primazia ao que me apetece e retardo as obrigações maçadoras até mais não poder (excepto se for coisa a nível profissional que, aí, não tenho estados de alma).
Gosto de poesia, consumo-a em doses avantajadas.
Ele não pega num livro de poesia. 
Eu gosto de ler livros de arte, entrevistas a pintores ou escritores, gosto de ler livros com colectâneas de cartas, crítica literária - coisas assim.
Ele nem pó. Em contrapartida, lê livros imensos sobre política económica, história económica ou coisas do género para as quais não tenho eu um pingo de pachorra.
Ele é sportinguista ferrenho, gosta de ver futebol, sabe tudo do futebol, os pontos, com quem vão jogar, os resultados que têm que ter para conseguir ganhar (coisas desse género que nem sei nomear dado que, para mim, é ciência oculta).
Eu não ligo peva e não sei nada de nada de futebol - nem consegui ainda perceber o que é um 'fora de jogo'. 
Eu gosto de cozinhar para muita gente, gosto de ter a casa cheia de gente e a barafunda familiar é para mim o máximo.
Por ele isso aconteceria só quando o rei faz anos, prefere ir a restaurantes, levar os miúdos para o parque, para a praia - tudo menos meio mundo a fazer barulho, a cirandar por todo o lado, a desarrumar e a deixar copos pela casa fora até às tantas. O rebuliço caseiro em excesso e a casa virada do avesso é coisa que o vira a ele do avesso.
Quando os nossos filhos eram adolescentes, eu não conseguia dormir enquanto eles não chegavam a casa.
Ele não estava nem aí. Virava-se para o lado e dormia que nem um santo.
Eu adoro fotografar, parar para ver ângulos, pormenores, reflexos de luz, movimentos - mesmo nos percursos mais do que habituais.
Ele acha que é sempre a mesma coisa, nada de novo, arrelia-se por eu estar sempre a parar.
Se chove, sou avessa a chapéus de chuva, gosto de andar à chuva.
Ele gosta de se proteger para não se encharcar. 
Ele arrelia-se que eu tenha tantos sapatos, acha que, por cada par que compro, devia deitar outro fora.
O espaço dos sapatos dele está sempre muito organizado enquanto o meu - reconheço... - é meio caótico.
Tenho (relativa) paciência para aturar chatos e consigo até ouvir, durante um bocado, o José Gomes Ferreira, o João Miguel Tavares, o José Manuel Fernandes, o Ricardo Costa, a Maria João Avillez, o Luís Montenegro, a Teresa Leal Coelho, a Teresa Caeiro, o filho do Menezes, e toda a espécie de cassandras, vizinhas alcoviteiras, papagaios avençados, papagaios trainees e etc. (e isto não porque seja masoquista mas, especialmente, para perceber a linha de argumentação que seguem).
Ele nem por um segundo consegue suportá-los, quase voa sobre o comando para os calar, insulta-os, fica doente.

E por aí fora.

Dir-se-ia que não temos nada em comum. Mas temos: temos uma vida inteira em comum. Temos uma família que formámos, que amamos e junto da qual somos felizes.

Quando nos casámos nunca pensámos se era para durar um ano, dez ou cem. Metemo-nos no casamento pensando na nossa vida futura e, porque achamos que é melhor estarmos um com o outro do que sem, ainda aqui estamos os dois, juntos.

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Ao escrever isto - e pensando também na histeriazinha que por aí reina perante a perspectiva de um governo apoiado por partidos não habituados à amena convergência - pensei no tango: se tu avanças, eu recuo; se tu recuas, eu avanço. Passos dissonantes mas complementares, desentendimentos consentidos, distanciamentos que são mais aparentes do que verdadeiros e que, sobretudo, incentivam uma inevitável aproximação, uma convivência permanentemente negociada, concertada. A coreografia das diferenças em sintonia.

O último tango - Astor Piazzolla


(Não é o tango tradicional mas é a versão em dança clássica - Olga Smirnova e Vladislav Lantratov)

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A música lá em cima é Flower Duet da ópera Lakmé de Léo Delibes, interpretado por Milica Ilic (soprano), Victoria Lambourn (mezzo soprano), Tasmanian Symphony Orchestra conduzida por Andrew Greene.

As fotografias que usei para 'enfeitar' o texto são da autoria de Isabelle Chapuis que, nas que têm flores, contou com o apoio de Duy Anh Nhan Duc.
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Hoje fico-me por aqui, tenho sono.

A ver se amanhã vos conto que, afinal, parece que é mesmo verdade: acho que sou lésbica ou bissexual.
Mas, a menos que mude de ideias, é assunto para amanhã.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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sexta-feira, novembro 06, 2015

António Costa e Catarina Martins juntos no Governo? Isso ainda não sei. O que sei é que outono é a melhor altura para o amor. Também dizem que as histórias de amor curtas são as melhores - mas isso não é caso para que a união* deles seja uma mera rapidinha. Pelo menos 4 anos era bom que durasse.




Leio que o outono é, por excelência, a estação do amor - e o texto invoca razões científicas. Não tenho conhecimentos para validar o rigor do estudo mas acredito no que leio. Aliás, tenho a confessar que os meus filhos foram feitos no outono. O outono apela mesmo ao aconchego, ao mimo, a andar de mão dada, pede que se encontre na proximidade do outro o calor que escasseia no ar que nos envolve.

Diz o artigo que é no outono que:
  • há maior concentração de testosterona no corpo dos homens e das mulheres, talvez como reminiscência animal de outros tempos. O desejo é, pois, mais forte na altura em que a folhagem se aloura.
  • os homens mais se aproximam das mulheres. Habituados a vê-las com pouca roupa no verão, chegam ao outono, e vendo-as com mais roupa em cima, é como se tivessem vontade de as despir. (Capazes disso são eles - digo eu)
  • a cabeça pede para ver comédias românticas. Apetece ir ao cinema, pegar um filminho saboroso, que faça rir, que dê vontade de um chamego. Ou isso ou enroscar-se num sofá a ver um videozinho gostoso. Talvez por causa do frio, tudo é pretexto para os corpos se encostarem e para a alma ter vontade de se aquecer.
  • dá mais vontade de beber um chocolate quente (tal como um capuccino ou uma qualquer bebida quente). Ora, pegar numa chávena quente aquece as mãos, aquece o coração, torna as pessoas generosas. Ou seja, um chocolatinho quente e uma comediazinha romântica, especialmente se houver uma mantinha por cima, convida ao forró por baixo.


O Facebook confirma isto. Analisando a informação que as pessoas lá escrevem, concluem eles que a maior parte das mudanças de estado de solteiro para noivo, casado ou amancebado ocorre no outono. 
[Curiosamente, a maior parte das separações ocorre duas semanas antes das festas de natal e antes das férias de verão. A jornalista que assina o artigo interroga-se sobre o que levará a essas separações: respectivamente, poupar nos presentes e ficarem disponíveis para aventuras de verão? Ela não sabe e eu também não. 
Cá para mim é capaz de ser porque as festas de natal são um bocado assustadoras (metem família, cenas, por vezes, um bocado maçadoras, etc) e as férias grandes, havendo a perspectiva de proximidade total, pode assustar um bocado quando a coisa ainda está na fase da incerteza, aconselhando a uma aproximação prudente.]
Seja, como for, é no outono que agora estamos - pelo que vá, minha gente, vá de sentir as vibrações e viver o amor (ou procurá-lo, para quem o não tenha por perto)

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Leio também que as histórias de amor curtas são geralmente intensas e ficam, para sempre, impressas a ouro na memória sendo, frequentemente, recordadas como sendo as melhores.

O artigo lembra, a propósito, a maravilhosa história de amor de As Pontes de Madison County.


O psicanalista Saverio Tomasella explica que isto se deve a que, no início de uma relação amorosa, é o paraíso: parece que se está perante a alma gémea, aquele ser que nos completa, pelo qual esperámos a vida inteira. Tudo é descoberta, tudo é empolgantemente bom. 

Se a história de amor dura pouco tempo, não se chega à fase de conhecer os defeitos do outro, não chega a haver tempo para a decepção.

Acresce que, no início, todas as expectativas são depositadas na nova relação, espera-se que esteja ali, materializado, o grande amor pelo qual se esperava. É uma altura na qual, geralmente, se aposta tudo, esquecendo a família, muitas vezes o trabalho, os amigos, tudo. Ou seja, é uma altura de intensidade única, de fogo, de paixão.

A jornalista pergunta ao psicanalista se é amor, isso. Ele diz que sim. Amor. Uma realidade amorosa. E que pode comportar um risco: se, ao longo do resto da vida, essa memória for idealizada e usada como termo de comparação, pode inviabilizar outros amores, por torná-los menos interessantes.

E pode esse amor fugaz vir a tornar-se um amor para sempre? Diz Saverio Tomasella que muitas vezes as pessoas temem decepcionar-se pelo que não voltam a procurar esse amor que foi breve e interrompido. Mas que outras há que correm esse risco pois acham que o perigo de decepção vale bem a vivência de um amor, sabem que não há relações ideais e que viver e amar implica sempre sofrer uma ou outra decepção.


Nunca é demais ouvir a voz de Meryl Streep falando de amor.

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E, por agora, fico-me por aqui porque hoje não me apetece falar do Assis até porque acho que ele anda a ter um tempo de antena desproporcionado, absurdo. A sua importância e influência são praticamente nulas e só o facto de os Pàfs e comunicação social avençada andar à cata de quem diga mal do Costa é que justifica tamanha atenção. 

O que me apetecia falar era mesmo na perspectiva de virmos a ter Catarina Martins no Governo pois, como em Setembro aqui o disse, há uma química* muito positiva entre ela e António Costa. Acho que, tê-los juntos, poderia ser uma união virtuosa para o país. Por isso, faço votos para que a coisa se concretize. De cada vez que a ouço, fico com a sensação de que poderá vir a dar uma boa ministra. Acho que poderá trazer um élan poderoso a um governo socialista.


António Costa convidou Catarina Martins para o Governo?

Veremos. Para já o que sei é que há entre eles um 'brilhozinho nos olhos' que pode vir a ser bom para o País

Mas já é tarde e eu alonguei-me demais com os preliminares e, portanto, o tema António Costa e Catarina Martins não vai passar do que acabei de escrever, ou seja, de uma rapidinha. De um parágrafo rapidinho - quero eu dizer. Porque, no Governo ou em coligação ou em concertação ou no que for, espero que seja uma relação* frutuosa e longa.

Quanto ao acordo sobre o qual os papagaios-com-forma-de-gente repetem a toda a hora:
Onde é que está o acordo? Acordam ou não acordam? Se há acordo, porque é que não conhecemos o acordo? Bla bla bla e o acordo, bla bla bla e o acordo? 
o que tenho a dizer é que acho muito bem que António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa não caiam na tentação de atirar amendoins aos macacos.
Vá lá um ou outro para eles se entreterem - mas, por favor, coisa pouca, inofensiva. 
Ou seja, que saibam resguardar o acordo do destrambelhamento dessa gente esgalgada que inunda televisões e jornais, falando a metro e sem medir o que diz, é o que eu espero: iriam atirar-se a ele como gato a bofe, estraçalhando-o de toda a maneira possível e imaginária. O acordo nupcial deve ser dado a conhecer na altura da boda ou, vá lá, por altura dos banhos nupciais ou lá o que é (não percebo nada desses preceitos matrimoniais).
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* Atenção! Atenção! 

O facto de eu, aqui no texto, relacionar amor de verdade, falar em rapidinhas, e usar a expressão relação ou química quando falo dos líderes do PS e do BE, apenas demonstra a minha falta de contenção verbal pois, obviamente, quando falo em António Costa e Catarina Martins, falo em relacionamento político. Que haja um bom entendimento pessoal é profícuo, só ajuda, mas o brilhozinho nos olhos de que falo é tão só a vontade que se lhes nota a ambos de se alinharem num projecto comum: o de porem cobro aos desmandos deste PSD desclassificado e deste CDS que por aí anda a reboque dos ouros, sem um pingo de coluna vertebral. 
[À Fernanda Tadeu e ao marido da Catarina (cujo nome desconheço) só desejo é que tenham a resiliência necessária para se aguentarem e prestarem todo o suporte de que os respectivos cônjuges necessitam face ao momento que vivemos].
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A música lá em cima era de Erik Satie: Gymnopedie No.1

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A seguir falo das Bond girls do novo 007, o Spectre. Falo, não: falam elas. 

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Uma loura, sexy e jovem, outra é morena, sexy e madura - e ele gosta das duas
Ele é Bond. James Bond.


Dantes, já lá vão uns anos, eu não achava graça ao 007. Achava que aqueles filmes eram uma palhaçada meio infantilóide. Provavelmente foi nalguma fase mais fundamentalista minha. Tenho ideia que coincidiu com a fase Roger Moore. Aqueles saltos exagerados, aqueles carros que voavam por cima das coisas,  aquele ar de canastrão convencido, tudo aquilo me parecia uma paródia.

Tenho ideia que só verdadeiramente comecei a achar alguma graça ao Bond com o Daniel Craig. Não sei se foi pela realização, se pela caracterização dos personagens, se pela interpretação dele ou se era eu já com aquela tolerância que vai chegando com a idade.

Agora, por exemplo, estou com vontade de ir ver este novo, o Spectre. Podia esperar que viesse para dvd mas não, apetece-me ver em tela cheia, ouvir a música, ver aquelas cenas transbordantes de energia de toda a ordem.


Também tenho curiosidade de ver estas duas Bond girls que são um bocado atípicas. 


A curvilínea Monica Bellucci, já com 51 anos, vem mostrar que a sensualidade feminina é intemporal e certamente condimentará o ambiente com o seu sotaque italiano. Léa Seydoux, 30 anos, filha de uma família rica, é aquela actriz que, com as suas olheiras, traz em si a alusão à inevitabilidade do pecado. Além disso, a interpretação de Léa em A vida de Adèle foi de tal forma impressiva que dificilmente se vai vê-la em acção sem esperar que nos surpreenda com a sua sensualidade marcante mas algo ambígua.


As mulheres do novo James Bond: Monica Bellucci e Léa Seydoux



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

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quinta-feira, novembro 05, 2015

Francisco Assis e os Leitões Falhados, "Ainda há tempo" mas não foram à conta, Respostas automáticas a Mails e Cuecas de Gola Alta [.... e será que este post foi escrito por mim ou foi um algoritmo da Google que o gerou...?). E, para acabar, as prováveis cenas dos próximos capítulos: Catarina, a Grande, em entrevista com Ana Lourenço, a Maga Patalógica; o que o corte de cabelo diz da personalidade do cabeludo; e como ser bonzinho em função do signo.


1. Francisco Assis é aqueles que basta a gente olhar para ele para ficar logo a saber que não nasceu para ganhar. Lamento se firo susceptibilidades mas as coisas são o que são. 

Agora que tinha organizado uma 'cena' tão boa e mediática para ir comer leitão... nem isso conseguiu. As reuniões do PS à mesma hora e ele, coitado, a ter que desmarcar tudo. Azarento como só ele a ver é se ainda não tem que indemnizar o restaurante. Agora que as coisas lhe estavam a correr tão bem, toda a gente a querer entrevistá-lo, ele a pensar já em contratar uma agente para lhe organizar as presenças, e uma destas. Bolas, coitado, que não nasceu mesmo com o rabo virado para a lua.


2. Outra que também teve graça foi aquela 'cena' de uns quantos bacanos de mão quase dada pelas ruas de Lisboa a ver se unem os pàfianos aos socialistas. Dizem que 'Ainda há tempo' e querem 'Unir o que está desunido'.

Parece que só aparecerem umas quantas pessoas para juntar parte do percurso, uma coisa apenas da Assembleia ao Rato e que, mesmo assim, não conseguiram bem, que faltavam mais umas quantas - mas eles dizem que não faz mal. Pelo meio, disseram que o país está à beira do abismo e que a Catarina Martins é uma falhada e que fala como uma ditadora. Nem mais. Alguns devem ter sido entrevistados para a televisão e, só por isso, devem achar que já valeu -- afinal devem ter tido o seu minuto de glória. Acho que sim, que deve ter sido uma 'cena' com muita força, uma corrente muita boa.


3. Outra notícia boa que li foi esta aqui - a Google vai avançar com mais uma novidade: respostas automáticas aos mails. E que não se pense que vai ser chapa 4. Nada disso que a Google não brinca em serviço.

Do que lhes conheço e do que leio, a 'cena' terá um algoritmo que vai ler o mail original, identificar as palavras chave, ler mails anteriores, estabelecerá um padrão de escrita, um estilo, e depois proporá três respostas alternativas. Começarão em breve a ser disponibilizadas versões para teste. Isto tem tanto de extraordinário como de aterrador. De facto, de futuro, quando recebermos um mail de resposta, como saberemos se foi o destinatário do mail original que respondeu ou se foi a google por ele?

[Já havia geradores de poemas, a gente diz duas ou três palavras e aquela 'cena' sai-se com um soneto que quase parece obra do Camões em versão inglesa. Agora isto...]


4. E quando eu pensava que já não me iam aparecer mais 'cenas' bizarras eis que vejo que parece que o cuecão de gola alta está mesmo em vias de reabilitação e que já por aí há muito boa menina a adoptá-lo. Não consigo perceber qual a graça. É certo que começam a alindar as peças mas acho que não há rehab que lhes valha.

Bem podem dizer que é bom para a silhueta, que disfarça muito pneuzinho retaliador, que tapa muita coisa indesejável, que já não é aquele verdadeiro mata-amor... que a mim não me convencem. 

Ou seja: comigo não vão contar como embaixadora do conceito! Bem... a menos que o Assis ofereça uma dúzia delas de brinde da próxima vez que organize uma leitãozada na Mealhada que aí, para comer leitão, para me divertir a assistir à putativa liderança musculada do Assis e para ganhar uma mão cheia de cuecões à borla sou bem capaz de lá ir fazer de conta que sou da corrente dele.
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Tinha ainda vontade de escrever sobre quais os gestos de generosidade mais adequados a cada signo e, como se tivesse alguma coisa a ver, tinha uma coisa sobre o que os cortes de cabelo dizem da maneira de ser de quem os usa (claro que os carecas ficariam fora disto) mas distraí-me com outra coisa e agora já estou que não me aguento. Tenho que ir meditar. Por isso, por ora, fico-me por aqui e talvez amanhã me debruce sobre estes temas altamente.

Também gostava de dizer que vi, na SIC, a Catarina Martins, a tal que fala como uma dominatrix (como o senhor da corrente humana diz), a ser entrevistada pela Ana Lourenço (que, cada vez mais, anda armada em Maga Patalógica) e que voltou a mostrar que sabe ao que anda. Esperta, viva, controlada. Ganda pinta a da Catarina, a Grande. Se amanhã não se meterem outros assuntos transcendentes, logo falo delas. Senão, adianto já que a Catarina tem um sorriso bonito mas que a Maga está com sorrisinhos sonsos, ar de perigosa. Eu tinha medo de ser entrevistada por ela, não se sabe se, às tantas, não me envenenava just for the fun of it, tem ar de perfidazinha.

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Muito gostaria que ainda dessem um salto até ao meu Ginjal onde hoje vou amorosamente pela mão de Manuel Alberto Valente (salvo seja, ouviu Maria do Rosário Pedreira?) e ao som de Jacques Brel.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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quarta-feira, novembro 04, 2015

Havia de ter graça que, depois disto tudo, o PCP e o BE resolvessem armar-se, outra vez, em partidos de faz de conta e o grupelho dos PàFientos e dos Calvões continuasse por aí a escaqueirar o País. Olhem: pior que isso, só mesmo uma sopa de clítoris. Ui...


Bem. Depois de. ensonada, ter escrito dois postezecos levezinhos, um autobiográfico e outro com a sessão fotográfica de um brincalhão pseudo-nataleiro, estava para ir pregar para outra freguesia quando, ao espreitar os jornais online, dou com umas notícias que fizeram faísca entre elas.


Mas, com vossa licença, vamos com a Rosinha e com uma música alusiva aos tempos de crise que atravessamos


Avancemos, então, para as notícias. Transcrevo:



Sem acordo à esquerda PS recusa moção de rejeição


Carlos César reitera que os socialistas não pretendem contribuir para a queda do Governo, caso não haja uma “alternativa responsável e estável” com o BE e o PCP. (...)


O presidente do Grupo Parlamentar insistiu neste ponto: "Não votaremos nem apresentaremos nenhuma moção de rejeição se não tivermos em simultâneo a garantia que temos uma alternativa acordada e consolidada com os restantes partidos políticos".


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Pensei: manobra de diversão para consumo dos papagaios-avençados ou para entreter os jornalistas. Mas eis que leio o Mestre Ferreira Fernandes e percebo que a palermice pode mesmo andar no ar.
Quero crer que não, que as esquerdas não iam prestar-se ao papelão de parecerem irresponsáveis e parvinhas. Mas nunca fiando (que uma coisa já eu aprendi: nunca devemos subestimar a estupidez humana). 
Transcrevo:

Vão os semideputados deputar, enfim?


Temos tido, há muito, um grupo de deputados semiaproveitados. Não que alguém os obrigue. Eles próprios, comunistas e bloquistas, é que se trancaram na semirresponsabilidade. Aquele parlamento, para eles, não era bem o deles. Isto é, eles entravam lá como os outros deputados mas tinham um trauma de infância política: não tinham subido a escadaria de São Bento como quem toma o Palácio de Inverno. Na verdade, a quase totalidade dos semideputados (não digo todos porque pode sempre haver um tolinho) sabia que aquilo de 1917 já está fora do prazo há muito. Mas como também era o trauma que lhes dava alguma graça, deixavam-se estar... Então, o grupo de 20 ou 35 semideputados semideputava e mantinha reféns o quase milhão de portugueses que inocentemente pensava tê-los a deputar a tempo inteiro. 

Aconteceu, porém e entretanto, uma revolução a sério: porque os semideputados não queriam ser parte duma alternativa, o outro lado pôde desgovernar a toda a brida nos últimos anos. Com o 4 de outubro passado, e a direita outra vez à frente, embora sem maioria, a situação arriscava--se a repetir. O facto deu um sobressalto aos semideputados e pareceu que eles iam ser deputados. Vão? Se fossem materialistas como dizem, sim. O que tem de ser tem muita força. O problema é que com tanto ano a fazer de semi, fica-se menor. É capaz de haver quem de política só faça continhas: nas próximas eleições fica à frente o PC ou o Bloco?
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E depois de ter lido que a camarilha pafiana já bateu no fundo -- com os ministros precários e pafiosos, em desespero de causa, completamente à nora, para conseguirem alivanhar uma espécie de programa de desgoverno, a serem instados pelas chefias a inspirarem-se no programa do PS -- fico a pensar que havia de ter graça, mas graça mesmo a sério, que Portugal acordasse um dia destes e percebesse que os comunistas e bloquistas tinham tido uma crise infantil de auto-afirmação e que esta coisa da relação entre o PS e as forças de esquerda não tinha passado afinal de um coitus interruptus. Havia mesmo de ter graça.

Bem. 
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E, por falar em graça, depois disto só mesmo esta: desde 1981, o clítoris é uma das estrelas da gastronomia local.


Até me encolhi quando li isto. Credo! Onde?!?! Foge!!!!

Li melhor: 


Perdido na tradução: Tradutor da Google anuncia festival do clítoris



(A Feira do Grelo) É um festival para promover o papel dos grelos na culinária tradicional da Galiza mas durante algumas semanas foi o festival do clítoris. "O clítoris é um dos pratos principais da cozinha galega", podia ler-se na página do concelho de As Pontes, graças a uma confusão do tradutor automático do Google.


A página, escrita em galego, tinha uma versão em castelhano traduzida automaticamente pelo Google. 

A confusão surgiu, segundo a porta-voz do concelho, por causa do significado da palavra em calão português. O tradutor terá confundido o galego com o português e preferido a acepção em calão à botânica.



Uffff.... Antes erro de tradução do que ser mesmo verdade. Nunca mais comia cozido galego! Nem cozido nem sopa nenhuma! Nem petisco! Aliás, nem nunca mais punha os pés na Galiza.

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Pronto. E, agora que já juntei a política à gastronomia, temperando o post com o picante da Rosinha (e isto para evitar trocadilhos vulgares como o do 'grelo da Rosinha'), é que vou mesmo pregar para outra freguesia.

Permitam que relembre: caso queiram saber dos meus hábitos (secretos) desçam até ao post já a seguir.
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O rouge que me veste


Estou com uma soneira hoje que só visto, nem sei bem porquê. 

Se calhar é porque, gostando de fazer reset de vez em quando, ao longo do dia, enquanto trabalho, mal o tenho conseguido. Gosto de ter uns momentos meus para ir à copa fazer chá, dar dois ou três dedos de conversa com algum/a colega, espreitar o céu através daquela imensa parede de vidro (onde não há janelas que abram), enfim, descontrair. Pode ser uma coisa de breves instantes mas, para mim, isso é necessário. Agora quando entro numa de sessões contínuas - saindo de umas para outras, stresses numas reuniões ou telefonemas e, sem poder mudar a pilha, entrar logo noutras - chego ao fim do dia de tal maneira que, mal me sento, fico à beira de adormecer. E tenho chegado a casa tarde. Hoje já era 20:30 quando cheguei. Ainda fui dar um passeio (que não posso chamar caminhada a isto de andar pouco mais de meia hora). Com isto tudo, só consigo chegar ao pé do computador tarde e más horas e já pedradésima de sono.

Por isso, já não consigo encontrar temas relevantes, não tenho pedalada, só mesmo frioleirazinhas. No post abaixo falei de um vídeo que mostra uma sessão fotográfica engraçada e agora continuo numa de fotografias à superfície, nada de profundidades.

O tema é o baton e eu, como gosto de usar baton e, todos os dias, antes de sair de casa, consoante a roupa que visto, assim escolho a cor da sombra dos olhos e a do baton - tudo leve e discreto mas, ainda assim, fundamental - gostei do vídeo que aqui vos mostro.

Verão que é coisa também discreta e que reproduz o que eu também faço.
Se uso um rouge bem sanguíneo, bem carnudo, então, para que o conjunto não fique excessivo, vejo-me forçada a tirar a roupa. 
Quanto muito fico com o blaser. Os sapatos altos, claro está, esses nunca tiro. Sem saltos altos sinto-me nua. 
Só espero é que ninguém me filme, senão ainda me põem no Face e, num instante, a coisa vira viral.

Rouge pur couture com Cara Delevingne - The rouge that dresses me 

Yves Saint Laurent



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E, numa de aceleração do tempo, sigam, por favor, para o post abaixo, para uma bem humorada avant première relativamente à Vanity Fair de Dezembro.

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Mr. Murray, can I have your autograph? - perguntar-lhe-á alguém perto do Natal de 2015


O fotógrafo Bruce Weber realizou a sessão fotográfica que a Vanity Fair mostrará em Dezembro de 2015. Bill Murray surpreendeu o fotógrafo com a sua absoluta versatilidade. E eu, fã que sou deste crazy guy, aqui partilho convosco estas divertidas imagens com um saborzinho maluco a Christmas.

Bill Murray Vanity Fair Photo Shoot - December 2015



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Desejo-vos, meus Caros leitores, uma bela quarta-feira.

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terça-feira, novembro 03, 2015

O ministro da Administração Interna saíu com cara de Calvão da Silva e a Rainha Isabel saíu com cara de Tom Hanks - ou isto é obra da fúria demoníaca da natureza ou é Deus que nem sempre é amigo. Alguma das duas é.


Alguma coisa não anda a correr nada bem com alguns artistas. Não sei se é coisinha má que se lhes anda a dar, se é aselhice da grossa, se é a fúria divina ou se é obra do capeta. Senão vejamos:

1. Nova escultura da rainha Isabel II "parece o Tom Hanks"



O artista chinês Chen Dapeng criou um busto da rainha de Inglaterra, Isabel II, que é a maior peça de porcelana chinesa que alguma vez foi feita. 



No entanto, o busto atraiu atenção por outra razão: não se parece muito com a rainha e o crítico de arte do jornal britânico The Telegraph chegou mesmo a dizer que é mais parecido com o ator Tom Hanks. (...)

O porta-voz do artista disse ao jornal The Independent que o busto não se parecia com o ator. "O Tom Hanks usa uma coroa dourada? Vá lá!", terá dito, citado pelo jornal britânico.

É muito difícil criar grandes peças de porcelana chinesa, visto que esta tem 12 ingredientes, enquanto a porcelana normal costuma ter apenas dois ou três. Os bustos "estavam sempre a sair do forno rachados", disse ao Telegraph o organizador da exposição, Paul Harris. "Pensámos que tínhamos conseguido com o 12.º mas afinal também tinha uma pequena racha. A fábrica insistiu em tentar novamente e este é o 13.º produto final". 

Paul Harris acrescentou que deu a Chen Dapeng uma lata de bolachas na qual o rosto da rainha estava em relevo para o ajudar a criar o busto.


2. Calvão da Silva lamenta “fúria demoníaca da Natureza”: “Deus nem sempre é amigo”


“A fúria da natureza não foi nossa amiga. Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação. (...) Em Albufeira a força da natureza na fúria demoníaca, (...)

Confrontado com o facto de muitos dos comerciantes atingidos pelos estragos não terem seguro, o governante disse que esta é uma forma de aprender, em primeiro lugar, "que é bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter seguro".

Mau tempo no Algarve? "Deus nem sempre é amigo", diz ministro


Calvão da Silva diz que falta de seguro em Albufeira “é uma lição de vida” e que homem que morreu em Boliqueime “entregou-se a Deus”. (...) Era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher Fátima. Ele, que era um homem de apelido Viana, entregou-se a Deus e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado.”

O ministro da Administração Interna, João Calvão da Silva, esteve nesta segunda-feira em Albufeira e defendeu que o temporal que causou avultados prejuízos “é uma lição de vida”, especialmente para quem não tem seguro.

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Resumindo e concluindo: isto não anda a correr nada bem para os artistas de meia tigela. O chinês fez uma escultura de louça que saíu como saíu e o Láparo escolheu uma criatura que à primeira cavadela desenterrou minhocas que nunca mais acabam (nem se percebe que coisa saíu a Passos Coelho em vez de um ministro: ou lhe saíu um pastor evangélico do reino da santinha ou um actor fugido dos Monty Phyton).

Recomendação da UJM
(sempre disposta a dar uma mãozinha aos desvalidos mentais)

Para a próxima:
  • o chinês, em vez de fazer o busto da rainha, devia limitar-se a fazer uma caixa de bolachas e 
  • o Láparo, em vez de pôr um Calvão da Silva a fazer de Ministro da Administração Interna, fazia melhor em arranjar um humanóide e mandá-lo, de bota alta, para o cenário de cheias que, assim como assim, protagonizaria menos cenas hilárias*.

"Sayonara" ("Adeus", em japonês) relata a relação entre Leona, uma robô humanoide, e Tania, uma mulher que ficou gravemente doente depois de ter sido afetada pelas radiações resultantes de um acidente nuclear não especificado.(...)

O robô protagonista é capaz de falar e de reproduzir expressões humanas no seu rosto, mas não consegue andar, pelo que aparece no filme numa cadeira de rodas.
O seu corpo está construído com um esqueleto metálico articulado e coberto por borracha e silicone de aspeto selhante à pele e durante a rodagem foi operado por controlo remoto.(...)



* Estou a levar na ligeireza o que se passou em Albufeira porque o clima deste post puxa ao disparate mas, claro, lamento a morte de uma pessoa e os prejuízos brutais. Não sei bem o que se passou mas imagino que impermeabilizar terrenos de qualquer maneira ou construir em cima de leitos de água estejam na origem da enxurrada brutal que devastou ruas e casas.
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E os meus leitores que me enviam 'coisas' por mail sigam, por favor, para o post já abaixo pois tenho uma explicação que gostava que lessem.
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A todos: convido-vos a visitarem-me no meu outro blog, o Ginjal e Lisboa, onde hoje vou pela mão de António Ramos Rosa e na companhia de Renée Flemming que canta Fauré.

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Informação aos Leitores que me enviam 'coisas' por mail


Desde há algum tempo que não abro nem respondo aos muitos mails que vou recebendo e que vejo que trazem ficheiros anexos. A questão é que tenho o disco do computador cheio e já não consigo descarregar nenhum ficheiro, tal como não consigo fazer várias outras coisas. Claro que isto se deve a que não faço as limpezas devidas e, sobretudo, porque tiro milhares de fotografias e as vou passando para o computador em vez de as passar para um disco externo.

Tenho que tratar disto já que está a tornar-se altamente inibitório mas a minha crónica falta de tempo nocturno leva-me a usá-lo naquilo que me dá mais gozo em vez de o usar no que é mais necessário ou crítico.

Por exemplo, agora, estou a escrever isto e a pensar que, em vez de, a seguir, me ir pôr com frescuras ou graçolas aqui no Um Jeito Manso, deveria era ir escolher o que posso apagar no disco para arranjar uns megazitos que tanta falta me fazem. Vamos ver se me consigo domar e pôr-me a tratar disto.

Por isso, meus Caros Leitores que me enviam power-points, vídeos, pdfs com artigos ou o que for: não tenho conseguido ver nada pois, mal me distraio e carrego neles, logo me aparece uma mensagem a dizer que o disco não tem espaço para tal. Por esse motivo, nem sequer tenho agradecido e, além disso, a lista de mails contendo conteúdos que não consigo abrir começa a ser ingerível (se vos dissesse o número escandaloso de mails nestas condições nem iam acreditar).

Aceitem, portanto, as minhas desculpas. Não é falta de interesse ou de educação: é mesmo falta de espaço.

Contudo, pela parte que me toca, tenho esperança que hoje ou uma noite destas, em vez de me pôr para aqui a escrever larachas ou rêveries, vou dar-vos tréguas e vou ficar é armada em faxineira, tratando de limpar o lixo do disco do computador.

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Desejo-vos, meus caros leitores, uma bela terça-feira. 
A todos desejo saúde, sorte, alegria e dinheiro para os trocos.

segunda-feira, novembro 02, 2015

São precisas tantas coisas para que as nossas mãos se encontrem. Feliz aquele que administra sabiamente a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias



Domingo tranquilo, dia de leituras boas, pausas a saborear a frase perfeita, olhos fechados a sentir o ambiente descrito: o apelo da natureza, a cumplicidade dos homens. O livro é Butcher's Crossing de John Williams e, tal como Stoner me prendeu, também este me tem enlaçada.

E passeio à beira-rio, à chuva, ao cair da noite que é quando os passeios sabem melhor, qualquer coisa de clandestino, qualquer coisa de interdito. Depois uma procissão silenciosa que passa. Um cheiro a castanhas assadas roçando a penumbra. Uma igreja iluminada à noite, dourada. Música numa tasca na praça, ensaio uns leves passos de dança, sinto-me leve.


Em casa, abrigada, deleitada, um candeeiro ao lado, o livro ao colo. Vejo-me nas fotografias, primeiro serena, depois a rir, depois a atirar-me para trás no sofá a rir ainda mais. Depois de novo sossegada, a olhar a câmara. 

Mais tarde sentei-me ao computador. Tinha visto uma reportagem sobre os refugiados, estava comovida. Mas custa-me falar, a quente, sobre o que muito me emociona: as crianças a dormir na rua, os pais exaustos, uma pessoa de muletas ajudada pelos outros, quase sem forças também, tantas crianças perdidas nas águas, por vezes tão perto da costa, tanta gente a morrer todos os dias nesse sonho vão de fugir da morte. 

Por isso, como poderão ver no post a seguir a este, apesar de ter uma garra a amordaçar-me o coração, preferi escrever sobre o falado regresso de Madonna e Sean, o tumulto das paixões sem freio.


Depois parei.

Agora dei uma volta pelos jornais online e por outros blogs. Queria esquecer o olhar daquelas crianças que atravessam países cujas fronteiras se fecham ou o desânimo dos adolescentes, desalentados, desesperançados, vendo estreitar-se o largo horizonte com que sonhavam. Mas não consegui que alguma outra coisa se sobrepusesse à tristeza que se tinha depositado em mim.

Então resolvi, antes, apaziguar o espírito. Quando se sente uma grande impotência perante o grande sofrimento pouco mais se pode fazer do que pousar a alma e deixar que as asas da poesia a levem para bem longe da imoralidade humana.

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Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará

Oh! como é triste envelhecer à porta
entretecer nas mãos um coração tardio
Oh! como é triste arriscar em humanos regressos
o equilíbrio azul das extremas manhãs do verão
ao longo do mar transbordante de nós
no demorado adeus da nossa condição
É triste no jardim a solidão do sol
vê-lo desde o rumor e as casas da cidade
até uma vaga promessa de rio (...)

A mão no arado - vídeo novo do Cine Povero



Ruy Belo (1933-1978), "A mão no arado" in «O Problema da Habitação - Alguns aspectos», 1962 Luís Miguel Cintra in «Poemas de Ruy Belo»

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Los ponientes y las generaciones.
Los días y ninguno fue el primero.
La frescura del agua en la garganta
de Adán. El ordenado Paraíso.
El ojo descifrando la tiniebla.
El amor de los lobos en el alba.
La palabra. El hexámetro. El espejo.
La Torre de Babel y la soberbia.
La luna que miraban los caldeos.
Las arenas innúmeras del Ganges.
Chuang-Tzu y la mariposa que lo sueña.
Las manzanas de oro de las islas.
Los pasos del errante laberinto.
El infinito lienzo de Penélope.
El tiempo circular de los estoicos.
.
(...)
Se precisaron todas esas cosas
para que nuestras manos se encontraran.

Las Causas - Jorge Luis Borges



Que as mãos que se procuram se encontrem.
Um dia. Talvez quando as maçãs brilharem ao sol.
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As fotografias mostram paisagens na China e vi-as no Bored Panda
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Sobre amores possíveis impossíveis, adiáveis inadiáveis, fala-se já a seguir.

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Madonna e Sean: um amor inevitável?


Madonna Louise Ciccone tem 57 anos, 4 filhos e uma lista considerável de amores. Dessa longa lista de amores, dois foram seus maridos, o primeiro dos quais Sean Penn. O casamento entre ambos durou apenas 4 anos, entre 1985 e 1989, e foi daqueles em que, tantas as faíscas que se soltavam, as explosões eram permanentes. Entre picos de paixão e de fúria muito foi o reboliço naquelas vidas. Chegou a falar-se em episódios de violência mas tenho ideia que nunca se percebeu quem agredia quem ou se, de facto, tinha havido agressões.

O rompimento era inevitável pois a lava que jorrava do vulcão que era aquele amor queimava demais.

Contudo, tempos depois, quando a tumultuoso relacionamento já tinha chegado ao fim e outros braços já tinham abraçado o seu corpo, ao perguntaram a Madonna quem era o amor da vida dela, quase num murmúrio, ela confessou: 'Sean'.

Sean Justin Penn, que é 2 anos mais novo, quase não se ficou atrás de Madonna: a lista de amores é também considerável embora ligeiramente inferior à da ex.

Mulheres belíssimas têm visto nele o que talvez não seja totalmente visível a olho nu já que não é especialmente bonito nem particularmente bem comportado.

Sean, um democrata engagé, cultiva o estilo bad boy e deve ser muito isso que explica que mulheres como Charlize Theron ou Robin Wright, só para referir duas que são bem conhecidas, se tenham entregado a ele de corpo e alma (apesar do sempre presente tumulto).


Mas eis que agora, insistentes rumores dão como certa a reaproximação entre o Poison Penn e a fogosa Madonna.

Um dos irmãos de Madonna não se mostra admirado: diz também que a irmã nunca deixou de amar aquele seu ex-marido, que ele e só ele, foi o grande amor da sua vida.

Sean tem sido visto em espectáculos dela, têm estado juntos no mesmo hotel e as revistas e televisões de todo o mundo esfregam as mãos: Sean e Madonna de novo juntos...? 

Ainda há amores assim? Impossíveis mas inevitáveis? Incontornáveis? Inegáveis? Ainda há verdadeiros amor de perdição? É possível errar, errar uma vez mais, errar cada vez melhor? Podem duas vidas correr na direcção uma da outra de forma inelutável, inegociável?

Eu acho que sim. Tomara que Sean e Madonna também o comprovem. Não é por nada mas, cá para mim, acho que foram feitos um para o outro. E, assim como assim, ver uma história de amor a acabar bem é sempre um consolo para a alma.

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A propósito da bomba Madonna que tem posto muitas cabeças à volta e muitos corações em chamas mas que, ao que parece, é por Sean que o seu coração bate de verdade, lembrei-me de Serge Reggiani na canção Maumariée.




Ne pouvais-tu
Ne pouvais-tu m'attendre
Ne pouvais-tu
A cet instant comprendre
Que je courais vers toi
Que je courais
Comme vers une source
Ignorant que ma course
Me conduisait là-bas
Au bord de l'eau
Au bord de l'eau


Et je suis là, moi
Je suis là
Avec mes deux mains
Qui ne tiennent rien
Ton image en moi
Qui ne s'en va pas
Avec tout mon corps
Qui regrette encore
Maumariée
Jamais je n'oublierai
Moi, maumariée
Que j'aurais pu t'aimer


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

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domingo, novembro 01, 2015

O amor dos lobos ao raiar da alba





Olhas-me e o teu olhar começa por ser baço. Depois, aos poucos vai sendo cada vez mais intenso. Sinto-me arrepiar por dentro. Tenho medo. Sinto-me tolhida. Deixo de pensar, deixo de me mexer. Olhas-me e, apesar de veres que não ofereço resistência, continuas a olhar-me. O teu olhar entra por mim adentro, impiedoso, devorador. Rendida, baixo os olhos. Depois sorris mas o teu olhar que sorri é ainda um olhar predador. Não percebo esse olhar sorridente, a boca que se arqueia, não percebo. E continuo imóvel. Transida. Mal te olho, sinto que o ataque está iminente. Tento ganhar coragem. Por breves instantes levanto o olhar e fico presa ao teu, eu aflita, tu sem misericórdia: continuas a fixar-me, inclemente, inclemente, e não sei se é o sorriso da vitória, se é da tua natureza, se é mau instinto, se é apenas gula. Não sei; e nessa dúvida me deixo vencer.


Depois vais-te e eu sem sangue, esvaída, por terra, o coração num sobressalto, trémula, trémula, sem reacção.

Depois, nos dias seguintes, movo-me em silêncio, evito-te. Se avanço por entre os caminhos, finjo que te ignoro. Penso que tu pensas: Se me ignora é porque não me teme. Quero que penses também: se não me teme, é porque não me quer. Mas não sei se pensas.

Se me cruzo contigo, olho-te de forma casual, como se mal te visse. Sempre me ensinaram que é assim que se deve fazer: não mostrar medo. Por vezes retribuis a indiferença. Finjo que não te vejo e tu também não me vês. Ou finges também. Cada um na sua vida, ignorando a vida do outro. Finjo e desejo que finjas também. 


Sei que caçar requer uma longa preparação. Nessas alturas não sei se sou a caçadora se a presa. Quando te sinto por perto não consigo pensar.

Recolho-me, então. No meu abrigo sinto-me segura. Passam as horas ou os dias e nada sei de ti. Andarás por outras paragens. Estarás no teu covil, às escuras. Não sei. Inquieto-me. Apetece-me aproximar-me, procurar-te, mas não o faço, sei bem os riscos. Sei. Sei tão bem.

Tantas vezes conto o tempo que passa e estou numa ansiedade, por onde andas? o que se passará no teu covil silencioso? Talvez não estejas sozinho, talvez afinal não me queiras. Olho o céu ora azul, ora plúmbeo, ouço a chuva a cair, o vento, a sombra das grandes árvores, as rochas que parecem corpos destroçados. O tempo passa e tu estás longe. Penso, estou segura. Mas não estou, sei bem que não, sei bem dos abismos, dos atraentes abismos, sei bem. Mas tento esquecê-los. Se não penso neles, não existem - penso.

Depois, quando finalmente me sinto descansada, sinto-te a chegar, de novo, devagar, devagar, de novo, devagar, devagar. Escondo a minha alegria, escondo o meu temor.

Encostas-te, parece que vens em paz. Olho-te o o teu olhar está tranquilo, há serenidade no teu corpo. Dir-se-ia que estás cansado, talvez venhas de uma caçada, talvez procures, junto de mim, algum repouso.


Mostro-me então também tranquila. Olho-te, estudo-te, não sei ao que vens, olho-te, finjo indiferença.

Mas eis que, do fundo do teu corpo, devagar, começa, então, a surgir aquela força que tão bem conheço. A tua respiração começa então, ao de leve, a tornar-se ofegante, suavemente ofegante. Mas eu estou calma, Mesmo quando me falas em ruínas, em morte, em mastros furando as nuvens, em noites de luar, em assombros e mãos vazias, mesmo assim eu sorrio, não mostro medo. Não mostrar medo, não mostrar medo.

Tenho vontade de me aproximar, tenho vontade de te tocar. És inofensivo, penso, és inofensivo e eu não tenho medo. Talvez te deixes tocar, talvez gostasses que eu te tocasse. Mas, prudentemente, não me aproximo. 

A noite cai. Olhamo-nos, olhamo-nos de novo, devagar. Uivas em surdina, um uivo macio. Nele adivinho palavras. Uivas e eu penso, lobo, lobo, lobinho... As palavras soltam-se, falas-me de luz quando a luz já se foi. Com palavras me alicias, com as tuas palavras me deixo aliciar. Falamos os dois e as palavras parecem ter boca. Uivas mas o teu uivo é doce, um sussurro quase, um doce sussurro que vem devagar depositar-se no meu pescoço indefeso, à tua mercê. 


Vejo-te a respirar, vejo o teu peito que se arqueia, tenho vontade de sentir o teu corpo, e o teu olhar procura o meu, a tua voz enleia-me, o teu cheiro animal chega até mim, o teu olhar torna-se transparente, a tua voz quase rouca, quase silêncio, as palavras esperadas inesperadas como a poesia ou o amor, e o teu olhar sobe por sobre o meu, e eu vencida, dócil, e tu avanças e eu não me escondo, não me defendo, não vale a pena. O teu olhar é o olhar de um vencedor. Não há tréguas possíveis. Não há tréguas entre nós. 


És o lobo e eu a presa.

[Mas noutros dias (sabes bem, sabes, não digas que não sabes), tu és tu a presa e a loba sou eu
- e, nesses dias, lobinho, lobinho meu, mal posso esperar por te sacrificar]
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E por falar em lobos: 

Un lobo de Jorge Luis Borges (dito por H.Eduardo Roman)

Furtivo y gris en la penumbra última,
va dejando sus rastros en la margen
de este río sin nombre que ha saciado
la sed de su garganta y cuyas aguas
no repiten estrellas. Esta noche,
el lobo es una sombra que está sola
y que busca a la hembra y siente frío.
Es el último lobo de Inglaterra.
Odín y Thor lo saben. En su alta
casa de piedra un rey ha decidido
acabar con los lobos. Ya forjado
ha sido el fuerte hierro de tu muerte.
Lobo sajón, has engendrado en vano.
No basta ser cruel. Eres el último.
Mil años pasarán y un hombre viejo
te soñará en América. De nada
puede servirte ese futuro sueño.
Hoy te cercan los hombres que siguieron
por la selva los rastros que dejaste,
furtivo y gris en la penumbra última.
....

Vem tudo isto a propósito (a propósito, salvo seja) do filme que fui ver este sábado, um filme fantástico, a todos os títulos fantástico: a história, as paisagens, os cavalos, os cavalos terríficos no lago de gelo, os lobos, as imagens avassaladoras dos lobos, o olhar dos lobos antes do ataque, o amor pelo lobo, 'lobinho, lobinho'. Tudo. Sei que foram anos de filmagens. Imagino as dificuldades. Imagino a saudade que ficou quando o filme ficou pronto.

A Hora do Lobo


Ano de 1967. A China é governada por Mao Tsé-tung (1893-1976), que implementou a Revolução Cultural e mudou radicalmente a vida do seu povo. Chen Zhen é um jovem estudante de Pequim que é enviado para uma zona rural da Mongólia para educar uma tribo de pastores nómadas. Ali vai descobrir uma ligação antiga entre os pastores, o seu gado e os lobos selvagens que vagueiam pelas estepes. Para os mongóis, o lobo é uma criatura quase mítica que é parte integrante da sua comunidade e os liga à natureza. Fascinado pela profunda ligação entre as alcateias e os seres humanos que ali habitam, o rapaz decide salvar uma cria e domesticá-la. Porém, quando o Governo cria uma nova lei que obriga a população a usar de todos os meios para eliminar os lobos da região, o equilíbrio entre a tribo e a terra onde vivem é ameaçado.
Com assinatura do realizador francês Jean-Jacques Annaud ("O Nome da Rosa", "Sete Anos no Tibete", "O Urso", "Dois Irmãos"), um drama de aventura que se baseia no "best-seller" semiautobiográfico com o mesmo nome escrito, em 2004, por Jiang Rong (pseudónimo de Lü Jiamin). Para o filme, Annaud, que já antes trabalhara com animais, adquiriu uma dúzia de crias de lobo amestradas durante vários anos por um treinador canadiano.


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A música lá em cima é Crying Wolf  (o canto do lobo) interpretado por Enya

O título deste post foi retirado do poema As causas também de Jorge Luis Borges.

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Não é que agora venha a propósito mas permitam que vos diga que, no post abaixo, a coisa piora pois não falo de animais com a nobreza dos lobos.

Falo do destaque que o Expresso e as televisões dão a todo o bicho careta que apareça de dedo no ar a dizer que não quer que António Costa, com o apoio da esquerda (finalmente unida), tente inverter o rumo de desgoverno do País. 

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A 1ª página do Expresso e as televisões estão cheias de quem se opõe a António Costa: Francisco Assis, Joaquim Silva Pinto, um cão que passou na rua com um cartaz que dizia 'Não votei no PS para isto!', um papagaio que se evadiu do Zoo e que passa o dia a dizer: 'I love Assis'. Mas isto vende ou os meios de comunicação social andam a investir nesta gente a fundo perdido? Juro que não percebo.


Claro que o sei do Expresso é do que vejo no site (à borla) e o que vejo na televisão é de passagem já que já dei demais para o peditório de quem se entretém a andar com o Passos Coelho ou o Portas ao colo, arregimentando tudo o que é cão, gato, ex-marcelista ou tem cabelo oleoso para fazerem o frete aos PàFs. 

Agora é o Francisco Assis, essa criatura que pode ter verbo fácil mas, coitado, empatia = zero e capacidade de convencer alguém a ir atrás dele também = zero. Acho que, se tiver cão, nem o cão ele conseguirá convencer a dar a patinha (por mais biscoitos que lhe ofereça). 

Pois o bom do Assis, levado ao colo pelos ditos media, acha que está na altura de chatear o António Costa e de dar uma mãozinha ao Láparo, Cavaco e Irrevogável. Leio que vai ver se faz uma forcinha dentro do PS, na prática uma forcinha de amigos do PàF -- e pimba!, foi só dizê-lo e ganhou logo direito à 1ª página do Expresso. 


Algum psicanalista deveria estudar o caso do Ricardo Costa, um mano de quem António Costa deve ter mais medo do que de uma cascavel.


Na televisão, era o Joaquim Silva Pinto que durante uns tempos reciclou o seu curriculum marcelista nas fileiras socialistas mas que agora, perante a perspectiva de se constituir uma alternativa ao desgoverno pafiano, saltou directamente para os balcões televisivos para pressagiar o funeral político de António Costa. Deve ser por ser noite das bruxas que aparece um fantasma destes a agoirar desta boa maneira.

Só não me admiro de ainda não terem ido repescar o bom do Seguro porque li que foi operado e, portanto, deve estar convalescente. Senão até o Tozé era repescado para vir dizer que votou no PS mas não foi para o António Costa ser 1º ministro, foi mesmo só para ele ser a muleta do Láparo.

Santa paciência. Andei o dia todo no laré mas, quando estava há bocado em casa dos meus pais e agora enquanto escrevo, só com muita sorte ou desviando-nos completamente dos canais portugueses é que a gente consegue evitar os amigos do Cavaco e dos seus afilhados.

Perante isto, a dúvida que me ocupa a mente é esta: será que ouvir a opinião desta gente tem share? A julgar por mim e por quase toda a gente que conheço, mal aparece algum papagaio ou múmia a opinar (e opinam quase todos no mesmo sentido) vai logo de carrinho. Portanto, um dia destes é ver a SIC e a TVI a falirem que nem tordos. E o Expresso idem. 

Bem, já chega disto.

Vou ler qualquer coisa e mais logo já cá volto para vos dar conta do filme maravilhoso que fui ver hoje de tarde. Que filme extraordinário...!

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As imagens que usei provêm do grande Kaos, essa arca de onde saem preciosidades para todos os gostos.

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Desejo-vos, meus Caros leitores, um belo dia de domingo.

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