domingo, outubro 05, 2014

'Branca e radiosa vai a noiva' com o seu noivo, junto a um lago com cisnes



De tarde, no parque, rodeados de verde, sob a copa frondosa das árvores, junto ao lago onde deslizavam patos e cisnes, uma noiva deslizava também, majestosa em branco imaculado, rendas e infinitos folhos. Feliz, radiosa, toda ela transbordante de ternura pelo seu noivo, que a seguia e lhe arranjava os caracóis, lhe ajeitava as alças que se queriam descaídas, as flores do cabelo, a maquilhagem nos sorridentes olhos.

De vez em quando, perante uma visão assim, parece que aterro num outro tempo, num outro país. Tanta inocência e candura.

Imagino a feliz expectativa ao escolher o vestido, ela, o fato, ele. E o bouquet, e as flores do cabelo. E tinham uma pequena sombrinha de rendas brancas. O noivo transportava a sombrinha mas depois foi ela que mais fotografias tirou com esse adereço, inclinando a cabeça, dama de uma corte imaginada, e ele o pajem devoto. Ou a princesa e o príncipe encantado, enlevados debaixo da pequena sombrinha que podia ter vindo do castelo dos sonhos da menina que ela ainda é. Podia ser um filme de época. Não parecia uma cena deste inclemente século XXI, parecia um filme, ou um livro cheio de sonhos, a menina que se viu uma deslumbrante pretty woman no dia do seu casamento.

E eu, perante uma cena assim, sinto que às vezes me esqueço das coisas mais essenciais da vida.

Com eles apenas uma fotógrafa. Nenhum convidado, apenas eles e a fotógrafa. E eles posaram, abraçados, a beijarem-se, sob a pequena sombrinha, ou a esconderem-se atrás do tronco de uma árvore, olhar sedutor, ela, olhar quase embaraçado, ele, felizes neste dia tão especial das suas vidas.

O futuro espera-os e acho que eles não exigirão demais um ao outro, amar-se-ão com inocência, ver-se-ão bonitos nos olhos do outro, e saberão ser amigos, companheiros.






Estarão a esta hora festejando a sua noite de núpcias e, de qualquer forma, não me pareceram pessoas que gastem o seu tempo com o Um Jeito Manso. Contudo, gostaria de lhes oferecer alguma coisa e, por isso, não sabendo se tiveram música no momento em que celebraram o seu casamento, arrisco a deixar-lhes aqui o Ave Maria interpretado por Amira Willighagen (a menina holandesa que, há um ou dois anos, deixou todos boquiabertos com o seu talento).











E, como quiseram registar os seus momentos de felicidade junto a um lago onde deslizavam alguns cisnes, deixo-lhes também o Lago dos Cisnes (em que apenas o cisne branco pontua, sem sombras no horizonte).





Svetlana Zakharova, Andrei Uvarov. Swan Lake White Adagio. Bolshoi theater


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Aos noivos desejo que sejam felizes para sempre.


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sábado, outubro 04, 2014

Matisse e Picasso: duelos amigáveis


No post já a seguir a este divulgo poesia dita e imagens muito belas: momentos de encantamento. Cine Povero abre as portas a Pessoa e um menino de 15 anos e arte imensa junta-se à festa.

Mais abaixo ainda, volto à moda para o dia-a-dia e trago a opinião de alguns que sabem o que é bom.

Tudo a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.


by Matisse


Estou aqui cansada e com muito sono. Esta sexta-feira saí de casa de noite, centenas de quilómetros de auto-estrada para cima e para baixo, horas de reunião, canseiras. Quando cheguei, já não consegui energia para ir fazer a minha caminhada diária. Tomei um banho quase frio e atirei-me para o sofá.

Entretanto já jantei, já fiz os outros dois posts que referi, já me retemperei - mas apenas relativamente. E assim, estando um pouco melhor, vou para o terceiro post da noite.Mas tenho que ser breve. Amanhã o programa de festas começa cedo e vai até à noite pelo que tenho, forçosamente, que descansar.


by Matisse




by Picasso

Apetecia-me pedir a demissão da aluada Paula Teixeira da Cruz que parece que ainda não percebeu as consequências da sua leviana incompetência. 



Apetecia-me pedir a demissão de Nuno Crato, esse incompetente-mor, leviano e insensível, homenzinho frio cujo mamar doce enganou meio mundo. 


by Picasso


O que estes dois estão a fazer às pessoas que estão a sofrer na pele as consequências da sua imperdoável incompetência ultrapassa todas as marcas. Num governo de gente arrogante (como arrogantes são todos os estúpidos), de gente inculta e desalmada, estes dois destacam-se neste momento pois estão, a afrontar a dignidade de muita gente. Devem demitir-se.


Do que ouvi na televisão, tudo leva a crer que, na ONG (que aparentemente era o braço comercial da Tecnoforma), enquanto estava como deputado em exclusividade, o santinho de pau carunchoso Passos Coelho andou a receber em espécie. Ou seja, como tanto relapso que fugia e ainda foge ao fisco, Passos Coelho, pelo que se vai ouvindo, recebia contra factura. Como na Quadratura do Círculo diziam Pacheco Pereira e Lobo Xavier, tratar-se-ia de dinheiro fiscalmente amigável. Não me admira. Passos Coelho, Relvas, Marques Mendes não enganam ninguém.

Por isso, que autoridade tem Passos Coelho para demitir aqueles outros dois incompetentes, o Nuno e a Paula? 

Poderiam eles demitir-se por sua iniciativa - mas é gente que não parece saber o que é ter respeito por si próprio, quanto mais pelos outros.

Poderia também Cavaco chamar o Passos e dizer que já chega. Mas claro que não o fará. Cavaco não é rapaz para decidir perante factos. Reage apenas a posteriori, depois de muito mastigar em seco, certamente depois de muito arengar com a sua Maria, e reagirá através da escrita de um prefácio para mais um roteiro, quando já ninguém se lembrar de que é que está a falar. 

Por isso, cansada como estou, não vou gastar as minhas forças com isto. 


Quero antes falar de Matisse e de Picasso. 


Li na Vanity Fair e vou partilhar convosco. Depois vou juntar mais uns vídeos e umas imagens. Ficamos em melhor companhia com eles do que com os outros desgovernados, certo?


Picasso com Françoise Gilot e Claude



Picasso era uma visita frequente de Matisse. Segundo contou Françoise Gilot, o seu filho de três anos Claude era a única criança autorizada a subir para a cama de Matisse.

Nessa altura, Matisse estava no Hotel Excelsior Regina Palace, em Cimiez, localizado num monte por cima de Nice.




Quando o pai lhe perguntou porque é que ele gostava tanto de Matisse, Claude disse:


Porque ele é um pintor de verdade, ir vê-lo é como ir para dentro de um quadro dele. Enquanto contigo, Papa, tu roubas os meus brinquedos e fazes macacos com eles. Tu não és a sério!


[Picasso tinha, de facto, roubado e dado cabo de um carrinho do menino, usando o brinquedo para fazer a cabeça do babuíno da escultura que se pode ver na imagem abaixo]



by Picasso


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Não há nada mais difícil para um pintor verdadeiramente criativo do que pintar uma rosa, porque para o poder fazer ele tem antes que esquecer todas as rosas que alguma vez pintou, disse Henri Matisse.

Matisse, ao ao som de "Comptine d'été no. 2" de Yann Tiersen







Obras de Matisse (1869-1954), ao som de Arabesque No. 1 in E Major composto por Claude Debussy






Imagens de 1950 que nos mostram um Picasso de 69 anos pleno de energia. Música de Cat Stevens.





Duelos


Durante meio século, Henri Matisse e Pablo Picasso observaram-se, afrontaram-se, admiraram-se. A sua rivalidade abriu horizontes imprevistos à pintura moderna.






Henri e Pablo, eternos na sua modernidade.


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Relembro: desçam, por favor, até ao post já a seguir, não percam o último vídeo do Cine Povero, belo como sempre, nem a última revelação em termos de fotografia, uma revelação.

E já não consigo rever nada do que escrevi. Relevem mais do que certas gralhas, está bem?


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom fim de semana, a começar já pelo sábado.


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Se depois de eu morrer [Alô! Alô! É entrar! É entrar! Novo vídeo do CINE POVERO!]


No post abaixo estive na rua a ouvir o que algumas celebridades disseram do pronto-a-vestir de primavera/verão 2015 da casa Chanel. Coisa fina, portanto.


Contudo, aqui, agora, deixo o mundo da beautiful people e dos desfiles nas ruas do efémero e entro no maravilhoso mundo do Cine Povero. Todos os seus vídeos são sempre de grande beleza. Ao luxo das palavras juntam-se inesperadas imagens, música a preceito - tudo cerzido com requinte e perfeição, verdadeira alta costura.



Este de que aqui me faço eco traz-nos Alberto Caeiro [Fernando Pessoa (1888-1935)] com Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia na voz de Mário Viegas, com música de Hecq, “Lost for words”, sobre filme do autor feito no Parque Nacional Plitvice Jezera (Croácia). 


Uma maravilha.







Chamo agora para a festa David Uzochukwu, um menino fotógrafo de 15 anos, belga, que surpreendeu meio mundo. Foi premiado como Fotógrafo EyeEm 2014 e é uma coisa do outro mundo.






Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, 
Não há nada mais simples 
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte. 
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.






Sou fácil de definir. 
Vi como um danado. 
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma. 
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei. 
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver. 
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras; 
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento. 
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais. 






Um dia deu-me o sono como a qualquer criança. 
Fechei os olhos e dormi. 
Além disso, fui o único poeta da Natureza





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(Para Chanel e tal é descer, por favor.)


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A voz a quem provavelmente a pode pagar. E ela* vista de perto.


Já no outro dia aqui dei conta do surpreendente final do desfile de moda Chanel pronto a vestir para a primavera/verão 2015. 

Hoje, não apenas mostro algumas peças mais de perto como mostro a opinião de algumas celebridades, algumas delas bem curiosas.



Celebrity Interviews - Spring-Summer 2015 Ready-to-Wear CHANEL show






Gisele Bündchen passa de espectadora a activista, desfilando, longilínea e bela, na manifestação que ficará para a história dos desfiles de moda.


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*  Ela = moda Chanel, claro

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sexta-feira, outubro 03, 2014

Manuela Ferreira Leite não acha bem que não paguem os reembolsos aos reformados que são obrigados a trabalhar à borla e espetou uma valente farpa num certo desmiolado: afinal os reembolsos às vezes são rendimentos...? E a propósito: "PCP quer saber "montantes, condições e formas de pagamento" de Passos na CPPC". Isto numa altura em que sabemos que Ricardo Salgado se queixava de que estava 'rodeado de aldrabões' e que uma parte das comissões teve que ser entregue a alguém. [Como diria a Ana Cristina Leonardo, 'isto anda tudo ligado']


Na TVI 24 com um simpático Paulo Magalhães, Manuela Ferreira Leite, mulher de armas, mulher que tem vindo a tornar-se mais isenta, mais frontal à medida que os anos parece que a vão também tornando mais bonita, aproveitou para disparar mais uns mísseis sobre este governo que de tão mau, chega a ser vergonhoso. Em concreto:


  • Na ministra da Justiça que causou o caos na Justiça, que fez tudo mal, tudo levianamente, tudo à pressa, sem testes, à maluca*.
  • Na pseudo-reforma do IRS onde pensam, ó doidos varridos!, que é por poder abater uns trocos no IRS que um neto vai buscar a avózinha a um lar para a ter consigo em casa**. 
  • Na alteração manhosa (palavras de Manuela Ferreira Leite) que faz com que os reformados, para efectuarem alguns trabalhos em organismos públicos, para além de terem que trabalhar à borla, nem sequer sejam ressarcidos das despesas incorridas.***


Gosto de a ouvir. Tem autoridade para falar. Estou desejando de ver se agora, com António Costa, a oposição a este desgoverno de descomandados tem pais vozes. Até agora, oposição a sério, fundamentada, objectiva, quase tem sido ela, o Pacheco Pereira, o Bagão Félix e poucos mais.



Explicação dos asteriscos

*  Hoje vinha no carro ao fim do dia e, como sempre, à hora das notícias, sintonizada na TSF. Depois de ouvir dizer que, depois do Conselho de Ministros, foi referido que não há data para reposição da normalidade na Justiça, aparece-me aquela loura Paula Teixeira da Cruz, com uma voz tonta a desafiar: isto podia ter corrido melhor mas houve uma falha informática. Acontece!, só lhe faltando desferir: E daí?!
E depois, toda contente, gabando-se dos grandes feitos, voz de vitória, dizia ela que: aos poucos, as comarcas vão começar a levantar-se e hoje já se levantaram três! Fiquei com pena de não ser jornalista. Perguntaria logo ali: ó senhora ministra, conte lá: e as bichas levantaram-se bem? Ou estavam muito despenteadas? E, fizeram o quê a seguir, chichi?
Mas não, salvo um ou outro, os jornalistas engolem tudo o que lhes dão a comer.
Logo a seguir, sai-se ela: eu sei que isto é um prato de lentilhas para os que se opõem às reformas. E, como se o desvario tivesse que ser levado até às últimas consequências, acrescentou, com mais uma vitória e um foguete na voz: isto é muito melhor do que em 2008 porque agora ainda não se perderam processos!
Pensei: esta devia ser internada. 
Há bocado o meu marido perguntou se eu tinha ouvido a senhora (claro que ele não disse senhora) e depois desatou a imprecar: mas estes gajos julgam que somos anormais como eles? mas esta gente não tem vergonha na cara? 
Sosseguei-o: esta gente vive feliz porque não tem vergonha na cara e, ainda por cima, julga que o povo é atrasado mental.


** Tem andado a ser noticiado que a reforma do IRS vai prever um benefício fiscal para os netos que tenham avós a cargo. Claro que todos os papagaios que pousam nos poleiros das TVs, rádios e jornais desataram logo em grandes orgias de felicidade: ai tão bom, a solidariedade intergeracional, ai que bom, que bom, que os velhinhos vão sair dos lares e ir viver com os netinhos. 
Eu, quando ouvi isto, fiquei parva e só pensei: mas esta gente é doida ou quê?

Olha se os meus filhos, para terem um abatimento fiscal de 100 ou 200 euros no final do ano (e é se for), vão buscar os meus pais a casa deles, vão montar aquela logística toda do caraças, cama articulada, cadeirão reclinável, duche sem barreiras, etc, e contratar uma pessoa para tratar da higiene do avô e, à noite, quando chegam a casa e têm os miúdos para tratar, vão, em vez disso, tratar dos avós? E em que divisão da casa os vão alojar? Ou mudam de casa para outra maior? Ou seja, vão meter-se em trabalhos, despesas, trapalhadas, complicações de toda a ordem, para receberem uns trocos no final do ano?
Está tudo doido. Concordo plenamente com Manuela Ferreira Leite.
Que se apoie quem já lá os tem, que se apoie. Mas isso é uma minoria, uma minoria!, já que, quem tem os pais ou avós em lares, é porque não tem condições para outra coisa. Portanto qualquer foguetório é mais uma burrice ou má fé. Claro que podem ser as duas coisas ao mesmo tempo.


*** Não estou muito ao corrente mas, do que tenho percebido, este desgoverno, na sua sanha persecutória em relação aos reformados, proibiu-os de trabalharem de forma remunerada para organismos públicos. Mas parece que, não contente com isso, parece que introduziu uma alteração manhosa, para ver se passa despercebida, que nem as despesas que fizer serão reembolsadas. Deu o exemplo: se uma pessoa reformada for convidada para ir dar umas aulas e tiver despesas de transporte para lá ir, nem isso lhe poderá ser pago.
Lembra Manuela Ferreira Leite (e qualquer láparo que passe por aí na risota que enfie a carapuça): mas então não foi dito que receber reembolsos não é ter rendimentos? Ou isso é só para alguns?

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Pois bem, a propósito de formas de receber dinheirinho limpo, não declarado, camuflado como se se tratasse de reembolsos de despesas, leio no Expresso que o PCP entregou esta quinta-feira um projecto de deliberação para que o Parlamento peça oficialmente a Passos Coelho informações concretas sobre a sua passagem pelo Centro Português para a Cooperação (CPPC), a ONG ligada à Tecnoforma a que o actual primeiro-ministro presidiu entre 1996 e 1999.



O projecto do PCP visa esclarecer duas grandes questões: por um lado, saber por que razão Passos, que era deputado quando esteve na CPPC, nunca incluiu essa informação no seu registo de interesses; por outro, saber exatamente quanto dinheiro recebeu nessas funções, ainda que a título de "despesas de representação".

Daí resulta a proposta para que o Parlamento solicite ao primeiro-ministro "os esclarecimentos necessários quanto à não inclusão na declaração do Registo de Interesses da atividade que desenvolveu no âmbito do Centro Português para a Cooperação; aos montantes, condições e formas de pagamento das despesas de representação que reconheceu ter auferido daquela entidade; bem como à inexistência de qualquer referência a tais quantias aquando do pedido do subsídio de reintegração, apesar de referir as resultantes das colaborações jornalísticas que sabia não colidirem com o reconhecimento da exclusividade no exercício do mandato."



Faz bem o PCP em não deixar cair este pepino mas é bom que não perca de vista que se deve escavar mais fundo: que raio de empresa, afinal, era a Tecnoforma? A que negócios se dedicava? E que raio de ONG era aquela? E que raios de ligação havia a Relvas e ao submundo do PSD para receber fundos europeus? E que raio de primeiro-ministro é que temos com um background que suscita tantas e tão legítimas dúvidas?


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No jornal i, Ricardo Salgado e os milhões dos submarinos: Há uma parte que teve que ser entregue a alguém

Ui....


Já agora uma muito boa: Ricardo Salgado - queixando-se que, para eles, Espíritos, do negócio dos submarinos, só ficaram 5 milhões de comissões por baixo da mesa, enquanto para os da administração e para um outro (quem?  - é a pergunta de 1 milhão de euros) ficaram 15 milhões - lastimou-se: estamos rodeados de aldrabões.



Tadinho dele. Um Espírito no meio de galfarros, tudo a querer um quinhão.


Isto dos submarinos, tanques e demais armamento é daqueles assuntos que fede, que fede muito, sargeta mesmo porca. Conta-se que recebiam todos, pela hierarquia acima, até lá bem acima. Afinal até aos espíritos.


Já agora:
De cada vez que alguém recebe comissões, a empresa ou organismo ou ministério está a pagar mais caro ao fornecedor. Dinheiros públicos. E o fornecedor, pega nesse extra e paga-o (chame-se comissões ou luvas) a alguém que vai receber o dinheiro por debaixo da mesa e enriquecer ilicitamente ou arranja maneira de o fazer entrar nos partidos (ou em offshores de alguém, etc, etc). 
No que se refere a contrapartidas, só me faz lembrar o engodo das vendas directas na televisão. Compre um colchão por 199 e ainda leva de presente uma panela de pressão, uma televisão, uma cafeteira eléctrica e um faqueiro de 120 peças. Ora só alguém muito mentecapto é que vai nesta. De facto, o que está é a comprar um colchão que vale uns 80 e mais uma panela de pressão que vale 19 e uma televisão que vale 40 e uma cafeteira que vale uns 20 e um faqueiro que vale uns 40. Ou seja, está a comprar mais do que precisa. Pior ainda se tudo isto for um faz de conta em que paga à cabeça a traquitana toda e só é fornecida a primeira coisa. 

Ou seja, sob qualquer ponto de vista, isto das contrapartidas é um barrete para quem cai nela, um acto de má gestão e, pior, corrupção e tudo o que vem por arrasto. E, sobretudo, dinheiro público mal gasto.

E depois vêm esses pilantras, esses ou afins, dizer que os pobres portugueses viveram acima das suas possibilidades e vá de cortar ordenados, pensões, subir impostos, etc? Cambada de gente sem vergonha.

A ver se a Justiça faz o que deve para não ficarmos a achar que isto é mesmo uma choldra ingovernável.

Na Grécia - lembro - foi assim:




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Tinha em mente escrever agora uma coisa mais ligeirinha mas passa e bem da uma da manhã e daqui a nada, noite ainda, tenho que me levantar para rumar a norte. Por isso, hoje fico-me por aqui.

Contudo, pensando nos que não apreciam estes temas (e haverá alguém que goste de gente parva ou corrupta?), aqui deixo o Oscar Peterson Trio interpretando Con Alma.

As fotografias são da santa padroeira do Um Jeito Manso, Annie Leibovitz.






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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira. 

Haja saúde e alegria,

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quinta-feira, outubro 02, 2014

O afecto puro dos animais. A saudade tão grande que ainda me impede de falar na minha caçulinha querida. E outros exemplos.


No post a seguir a este falei de moda comum, em especial de carteiras. Fala-se agora muito em Street Style e é disso que eu gosto, toilettes para todos os dias já que não desfilo na passerelle. Arranjei uma pequena selecção para poderem ver como é o meu gosto.

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra.


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Quando eu era pequena, uma das minhas avós tinha um cão. Chamava-se Pelé, era preto e estou em crer que era rafeiro. O nome deve ter sido obra do meu tio que, na altura, era um rapaz solteiro, divertido, que jogava voleibol e que chegava e saía de casa na sua grande e ruidosa mota cheia de cromados.

A minha avó gostava muito do cão, relatava as suas proezas e as provas da sua esperteza. Entrava e saía de casa quando queria mas preferia andar na rua, à solta. Contudo, tinha um ponto fraco: quando trovejava, desatava a correr, cheio de medo, a tremer, e ia esconder-se debaixo da cama da minha avó. Gozávamos muito com o Pelé por causa disso.

Um dia que tinha saído para as suas andanças, demorou, nunca mais voltava. A minha avó preocupou-se e deu o alerta. O meu tio foi à procura. As más notícias chegaram depois. Tinha ido para a estrada, fora atropelado. O desgosto de toda a família foi muito grande.

Perdi, então, o contacto directo com animais.

Não sei porquê acabei por ganhar medo a cães.

Uns bons anos mais tarde, uns amigos nossos tinham um cão daqueles peludos e malucos, acho que era um cocker spaniel.

Andava à vontade em casa, corria na nossa direcção, fazia toda a espécie de cabriolices e eu tinha medo. Quando eu lá ia, pedia para fecharem o cão na varanda porque tinha medo. Os miúdos adoravam-no, brincavam com ele e ninguém percebia como podia eu ter medo de um cão tão simpático, tão bem disposto, que só queria brincar. Mas medos assim não são racionais.

Mais tarde tiveram um labrador e era a mesma coisa. O cão uma doçura e eu cheia de medo.

Uns primos nossos sempre tiveram cão, um enorme e peludo pastor alemão. Eu também tinha medo, claro, e, por isso, quando ia lá casa, pedia para fecharem a porta que dava para o quintal. Se havia algum lapso e o enorme cão entrava em casa, eu ficava transida. Nem me mexia e tinha pavor que ele fizesse mal aos meus filhos.

Um dia a minha prima foi a correr atrás do filho, então miúdo, para lhe dar uma palmada, toda zangada com algum disparate que ele tinha feito. Então, sem que nunca nada antes o tivesse feito supor, o grande pastor alemão saltou-lhe ao encalço. Pôs-se entre ela e o filho, ao alto, de pé, e imobilizou-a pelo pescoço. Ela pensou que ia morrer. Foi parar ao hospital com uma enorme dentada no pescoço. Quis dar o cão mas o marido não consentiu, aliás, não conseguiu, o cão era um irmão para ele. Percebia-se que o cão quisera apenas defender o seu pequeno amigo, o menino que brincava tanto com ele. Mas, a partir daí, e apesar de perceber a razão do que tinha acontecido, a minha prima passou a sentir pânico se pensava que poderia estar perto do cão e, então, isolaram-no entre redes de forma a não poder estar junto dos miúdos ou entrar em casa.

O meu marido sempre desejou ter um cão mas, por causa do meu medo, isso não aconteceu. Contudo, não era só ele: os meus filhos também o queriam.

Quando o pastor alemão dos meus primos morreu, arranjaram logo outro cão mas a minha prima recusou-se a ter outro da mesma raça. Optaram por um boxer. O meu marido e os meus filhos derretiam-se com o pequeno boxer mas eu até do cão bebé tinha medo. Mas comecei a sentir alguma aproximação, uma coisa ao de leve.

Um dia disseram que, na senhora que tinha vendido o boxer, havia novos cães bebés. Convenceram-nos a ir lá ver. Reticente lá fui. No entanto, quando vi uma cadelinha bebé tive uma estranha vontade de a ter junto a mim.

Depois de alguma hesitação, convenceram-me mas, na verdade, eu tinha sido cativada por aquela bebé macia.

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Pensei que era hoje que ia conseguir falar da minha caçulinha, da minha menina querida. Mas ainda não consigo. Viveu connosco treze anos felizes, de amor absoluto, incondicional, de afecto, de ternura, de alegria. Nunca pensei sofrer tanto com a dor física de um animal. Até hoje me custa pensar nos seus últimos dias. Sofri e chorei como se sofre e chora por alguém a quem muito se ama. Há imagens que não saem de mim, imagens felizes e as imagens tão tristes dos últimos tempos.

Os animais têm inteligência, compreendem a fala humana, eu dizia vai buscar o pau e ela ia e aparecia com um pau, dizia vai buscar a bolinha pequenina e ela olhava para mim, a cabeça inclinada, a pensar, e depois vinha com a bolinha, a pequenina, ou vai buscar o brinquedo e ela olhava em volta, procurava, andava à procura e eu às vezes esquecia-me e, passado um bocado, lá vinha ela feliz, com o brinquedo. E tinha emoções e sentimentos, alegria, ciúmes, zanga, desconfiança, saudades, ressentimento, perdão. 

Para os meus filhos era uma amiguinha do coração, uma caçulita, uma companhia. Com o meu filho ela queria brincadeira, desafiava-o, sabia que ele a provocava, queria brincar às lutas. Com a minha filha queria festas, mimo, deitar-se ao lado dela, nos quentinhos.

Com ela aprendi tantas coisas. Com ela aprendi a compreender melhor os animais e, compreendendo-os, aprendi a aceitá-los como nossos iguais e, aceitando-os assim, aprendi a sentir o dever do respeito absoluto por eles, pela sua imensa dignidade.

Não é hoje que vou conseguir falar da minha menina linda, com quem eu me deitava no chão, no maior chamego, beijinhos, abracinhos, que vinha a correr, a saltar e a rir para mim, que me dedicava um amor sem igual.

Lembrei-me dela hoje quando vi um vídeo que parece que já se tornou viral: Sirga, assim se chama a leoa, abraça de forma afectuosa o homem que a salvou quando era uma cria, Valentin Gruener, um investigador da vida selvagem que sempre sonhou trabalhar com grandes felinos.







Uma ternura.

Fui à procura de mais vídeos que mostrem como são afectuosos os animais e encontrei vários. Escolhi este entre um veado e um cão. Uma doçura, um afecto sem mácula, perdurando no tempo. Assim deve ser o afecto de verdade, sem condições,  coexistindo com a liberdade do outro.






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A minha amiga Margarida que é completamente defensora dos direitos dos animais e que, muito justamente, os ama de paixão, envia-me vídeos sobre a tortura dos animais que vivem em quintas de criação mas eu não consigo vê-los. Não suporto ver animais a sofrerem. Cada vez como menos carne e é também por isso.

E foi em nome da defesa dos direitos dos animais e em nome do afecto e respeito que nos devem merecer que eu escrevi isto. Mais do que mostrar animais a serem humilhados e maltratados, quero mostrar como são gente como nós. A dor e o medo que eles sentem deveriam encher-nos a nós de vergonha e de dor.


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A música lá em cima é O sonho dos outros de Bernardo Sassetti.

As fotografias foram obtidas por aí, sem que eu saiba a sua autoria.

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Relembro: moda de rua em Paris é já a seguir. Carteiras, cores, elegâncias.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira muito feliz.



Street Style - a moda a cada momento. Carteiras para todos os gostos.


Dantes comprava ou ofereciam-me carteiras de pele, caras, clássicas, convencionais. Tenho várias em tons de castanho, castanho amarelado, castanho avermelhado, outra em bordeaux acolchoada com asa em corrente dourada, várias em preto. Não havia outras.





Para tentar fugir a essa monotonia, arranjava por vezes, naquelas lojas mais étnicas, uns sacos bordados mas, claro, não podia usá-las em ambientes convencionais, para o trabalho, por exemplo. 

Lembro-me bem de uma que adorava, que tinha quando andava na faculdade, uma grande em veludo de várias cores. Tantas vezes tentei voltar a encontrar uma outra assim mas sem sucesso.

Depois, há uns anos abriu uma loja que tinha artigos importados de sítios longínquos e comprei uma grande em pele (ou casca?) de bananeira, acho que era bananeira mas agora estou em dúvida, tem um pêlo raso, e com contas e missangas coloridas bordadas. Toda a gente se espantava com ela de tão exótica que era. Já caíram algumas contas, já não está muito boa, raramente a uso agora.

Nunca fui de gastar fortunas em carteiras ou sacos. Milhares de euros? É que nem pensar. Mesmo centenas de euros? Fora de questão. No entanto, as carteiras de pele de antes, forradas, de bolsos, tenho ideia que eram, em contos, o equivalente a isso. Um disparate.

Quando ia a Madrid, ia sempre a uma loja que tinha carteiras giríssimas, já coloridas e relativamente em conta. De lá trouxe as minhas primeiras carteiras com alguma graça, uma relativa novidade por cá (carteiras ou malas, como se queira chamar, já que eu não alinho no ortodoxo e limitado léxico das betas).

Até que, para minha alegria, chegaram a Parfois e a Misako e chegaram as cores e os modelos variados e os preços muito acessíveis. Agora são sempre assim, coloridas, alegres, as carteiras que uso. Tenho-as em rosa choque, em encarnado, em azul claro, em azulão, em amarelo cor de mel com um girassol em relevo (esta trouxe de Amsterdão), em cinza e branco, em rosa e cinza, e mais não digo para não ficarem a pensar que tenho um fétiche qualquer.

Écharpes, pulseiras, colares, brincos, carteiras - tenho que confessar que me tentam de forma quase dramática. O que vale é que só  me deixo tentar por coisas baratas. Também tenho algumas que me são oferecidas, o que atenua algum sentimento de culpa .

Também, quando vejo (e gosto de ver) sites de moda, especialmente moda de rua, as carteiras chamam sempre a minha atenção. Tenho este lado, confesso: feminista mas feminina.


Escolhi algumas de que gosto para vos mostrar. E é que não é só a carteira: é o conjunto, o estilo. Aliás, as coisas valem, sobretudo, pelo estilo de quem as usa.


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Esta é o máximo, hate me, love me. Não se fica indiferente. E a cor presta-se a ser usada com tudo. O casaco e as meias também estão muito bem.



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Esta é uma graça. O rosa e o laranja combinam muito bem. E ligam bem com o cinza do casaco. As pulseiras são uma graça. Eu também uso muitas vezes um monte de pulseiras às cores, assim como este.



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Esta também é muito bonita e é das que dão muito jeito. Tenho algumas assim. Claro que lá dentro tudo se perde mas, enfim, quanto a isso não há nada a fazer. Enfiamos a mão e, às cegas, vamos rodando a mão até sentir o que pode ser que seja aquilo de que andamos à procura



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Bem, aqui gosto mesmo muito de tudo. O casaco de tricot é uma graça e tem umas cores que me agradam muito. Estou capaz de pedir à minha mãe que me faça um casaco assim. A conjugação com calças em tom camel é feliz e a pequena carteira é uma graça. Pouco lá cabe mas não faz mal, é linda e isso é que interessa. 



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Deixei para o fim a minha preferida. Sumptuosa. E que bem combina com o casaco - gosto muito de casacos azuis escuros; casacos, calças, blusas - e também com a écharpe. Uma elegância. Esta, contudo, deve ser daquelas cujo preço é de fugir. Mas é linda. Fica para ser vista de longe.




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Grande parte das imagens foi colhida nas ruas de Paris. A música é a Valse de Amélie de Yann Teiersen. 

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quarta-feira, outubro 01, 2014

Eu - em dia de nudez, de lingerie e de manifestação a favor da liberdade. Free freedom! Tweed is better than tweet!



No post abaixo falei de coisas muito feias. Parece que estão a ser investigadas mas já sabemos como são as investigações neste pobre e descitiusado país. Uma senhora de seu nome Cristina Ferreira sabia como fazer as coisas a gosto e proveito dos candidatos do PSD, fossem eles quais fossem. Angariava e movimentava fundos, distribuía jogo e empolava despesas, e era principescamente recompensada. Com o que recebia, e que não declarava, ela vivia à grande e à francesa, grande dama da rica burguesia nortenha. Diz-se que um dia destes, quando forem à procura dela, já está por terras de África, mas, ande ela onde andar (e eu juraria que a vi esta terça feira no IKEA), a sua história e a história dos seus desmandos é instrutiva: ficamos a saber bem a que estirpe pertence a pseudo-elite política que tem desfeito este pobre Portugal.

É que, no meio da embrulhada, estão nomes sonantes do PSD, altos dirigentes. Luís Filipe Menezes é um dos que está sob suspeita, bem no olho do furacão - assim as notícias nos dão conta. Gente fina, tudo gente fina.


Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Tenho que mudar de pele pois não quero acabar o dia com o PSD a sujar-me as mãos.






Depois do banho, a pele ainda húmida como amiga avisada me ensinou, passo um hidratante suave no corpo. Depois, uma vez o creme absorvido, pulverizo uma gota aqui, outra ali, com o meu perfume de sempre.

Por esta altura, o cabelo está geralmente apanhado. Molhado ainda ou seco, permanecerá levantado até quase ao fim. 

Passo então um hidratante no rosto. Espero que a pele o absorva.

De seguida, coloco-me em frente do espelho do toucador e inicio a fase da maquilhagem. Ligeira. Nem base, nem camadas que ocultem o grão da pele. Apenas um leve pó nas maçãs do rosto, um leve, leve colorido para que pareça que o sol ainda tinge ao de leve a minha pele.

De seguida, um discreto tom violeta nas pálpebras superiores e um eyeliner cinza esverdeado, leve, a contornar a base dessas pestanas. Como as pestanas são relativamente claras, termino com um rimmel muito ligeiro. Com receio de que possa ser visível, passo com as mãos no rosto, depois com as pontas dos dedos nas pálpebras, esbato. A maquilhagem não se me pode impor.

O cabelo permanece apanhado.

A roupa, então.


Já fui espreitar a rua, já banhei o olhar no rio, já inspeccionei o céu.

Abro o roupeiro.

Penso na cor.

Procuro uma peça nessa cor, avalio o tom, vejo com que combiná-la.

Também posso ir em tout noir. Apenas o decote, o cabelo e o discreto brilho nos lábios mostrarão que não é luto, apenas coquetterie.

Estou então em condições de escolher a lingerie que terá que estar de acordo com o que a cobrirá. Ou escura, ou colorida, da cor da roupa, ou nude, ou branca.

Se a blusa for quase transparente ou justa, não poderei usar um soutien com rendas pois as rendas introduzem uma rugosidade que apenas prejudica a harmonia. Nem um bustier. Seria muito óbvio e o óbvio é muito prejudicial.







Depois, então, a roupa de cima, geralmente saia ou calças, blusa ou camisa.

Finalmente, os complementos. Um colar. Pode ser de pérolas, um colar comprido. Nesse caso os brincos serão uma pérola também. Mas pode ser um colar colorido, brincos a condizer. E o relógio, a aliança. Pode ser também um anel, ou, em alternativa, uma pulseira, tudo em concordância de género e tom.

Se estiver fresco, um casaco leve ou uma écharpe.

Depois os sapatos. Altos, claro.

Finalmente o cabelo. Solto-o, despenteio-o.

Os óculos escuros, a carteira.

Pronta.

Pego nas chaves do carro, fecho a porta.

E vou.

Mais um dia de luta.




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Chanel Primavera Verão 2015



E mais uma vez Karl Lagerfeld surpreendeu. O desfile assumiu contornos de manif, como se as modelos, no final, desatassem a protestar. 

Viva a revolução. Make fashion not war. Divórcio para todos. Os rapazes que engravidem. 

Cara Delevingne à frente, impulsiva e revolucionária como sempre. Gisele Bündchen com megafone, moderna como nunca. O público surpreendido: será a sério? E era. Muito a sério: divertiram-se à brava.







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A esbelta modelo é Gisele Bündchen (que, obviamente, para além de outras enervantes diferenças, tem uns centímetros a mais que eu e uns anos e uns quilos a menos que eu - que eu não estou aqui para enganar ninguém...!), em cima para a Vogue e em baixo ao dirigir-se ao desfile Chanel.

O último vídeo, como referi, é Chanel Spring Summer 2015

O primeiro vídeo é Ottocento Siciliano - La Perla lingerie. Os dois bustiers são também La Perla.
De notar que esta marca que se vem tornando símbolo de luxo global. Há ricos cada vez mais ricos e que só querem produtos de luxo (a Cristina Ferreira de que falo no post seguinte que o diga), custem o que custarem.





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Relembro: para confirmarem aquilo de que o dinheiro é capaz quando o tino não é muito e o deslumbramento é demais, e para conhecerem o PSD profundo, desçam, por favor, até ao post seguinte. Cristina Ferreira está à vossa espera.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.


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Quem é Cristina Ferreira, a chamada 'senhora' do PSD, ilustre gestora da WeBrand? - a Revista Visão tem vindo a tentar esclarecer, e o retrato é digno de uma telenovela. O pior é o montão de dinheiros públicos que, por ali anda, descontrolado, ilegal. E pior ainda é termos a fina flor do PSD misturada na história. E estranho, mas tão estranho, é também os bloggers de referência - que tão justiceiros por conta própria eram até há uns 3 anos - andarem tão caladinhos sobre esta fétida 'Face Oculta do PSD'



Hoje, dia de Sporting, alteraram-se-me os horários domésticos e, portanto, estou com mais tempo. Por isso, bora lá, ao tema que me anda atravessado.


Pelo teor do assunto, eu diria que era coisa para virar o país do avesso, toda a gente a vomitar, tanto o enjoo e o escândalo. Mas não. Nem uma palavra. A Visão, na pessoa do jornalista Miguel Carvalho, vai destapando o fétido panelão e nem uma voz de entre os tão assíduos bloguistas se levanta para gritar: ó céus! mas que raio de pouca vergonha se anda para aí a passar debaixo dos nossos olhos?

Vou falar de Cristina Ferreira, não a nossa tão bem conhecida gritalhona da TVI mas sim a madame do jet set do Norte, grande dama das campanhas do PSD.


A partir do que leio na Visão, juntando vários parágrafos, traço o retrato possível dita Cristina Ferreira (que vive com  Renato Guerra, dito 'filho').


Nascida em Fânzeres, Gondomar, há 49 anos, Cristina Ferreira é amiga de infância de Marco António Costa, natural da mesma freguesia. Desde então, a empresária trata por tu o vice-presidente e porta-voz do PSD.



Com dívidas acumuladas ao fisco, o casal tem duas vivendas (uma em Gondomar e outra em Mira), mas nenhuma está registada em nome de ambos. Numa das casas, abundam quadros de Júlio Resende e Cruzeiro Seixas, Cargaleiro, Noronha da Costa, José Guimarães, peças de Rosa Ramalho e Siza Vieira, além de outros luxos.

Os três carros topo de gama (um dos quais um BMW X6) usados pela família estão em nome da empresa, à qual foram facturados ao longo de anos viagens a Nova Iorque no valor de quase 20 mil euros, despesas de cabeleireiro, roupas, jóias, relógios e carteiras das melhores marcas. "Já conheci muitas empresárias e mulheres da política, mas nunca alguém que se vestisse de grifes como ela, da cabeça aos pés, todos os dias", recorda uma ex-funcionária.

Nos anos de ouro da WeBrand, uma das empresas geridas por Cristina e Renato e que tem feito grande parte das campanhas do PSD,  foi assim: marido, família, amigos, viajavam a expensas da empresa, sem cuidar de miudezas. No final de 2009, ano de três eleições contratadas com o PSD, atingiu o zénite: a WeBrand ganhara muito dinheiro com o partido, distribuíra prémios por funcionários e Cristina decidira passar o ano em Nova Iorque com um pequeno grupo familiar e amigo. O hotel eleito foi o Hotel Carlyle, um cinco estrelas na famosa Madison Avenue, onde a estadia para duas pessoas por uma semana rondou os 5 mil euros. O pequeno almoço por casal, pago à parte, superou os 1.600 euros. A cereja no topo do bolo terá sido, segundo antigos colaboradores da agência, a viagem panorâmica de helicóptero para apreciar as vistas sobre Manhattan.

A WeBrand bordaria a vida de Cristina e Renato a ouro. Os gastos pessoais do casal e familiares são quase sempre debitados à empresa. Os ordenados reais não aparecem no papel, as casas estão em nomes de amigos, os carros e os gastos associados são pagos pela WeBrand.

A vida de Cristina divide-se entre o atraso nos pagamentos das prestações das habitações de Gondomar e Mira, dívidas antigas, penhoras e fins de semana na Herdade dos Salgados (albufeira) ou em Paris. Compra carteiras Birkin Hermes - as mais caras do mundo, que custam entre 4.000 a 11.000 euros - e malas Louis Vuitton. Nunca gastou menos de 400 euros no cabeleireiro. Manda vir Botas da Austrália e sandálias de Nova Iorque, e encomenda mobiliário a lojas de luxo com ordens para que a factura seja passada à WeBrand como se fossem ofertas a clientes. 

Em sapatos, carteiras, jóias e relógios, Cristina e Renato teriam, há poucos anos, bens avaliados em cerca de 240 mil euros.

Houve anos recentes em que as despesas fixas de Cristina Ferreira seriam superiores a 9 mil euros. E mesmo quando os funcionários reclamavam pelo facto de receberem o ordenado às pingas - e assim aconteceu, pelo menos ao longo de um ano - Cristina não se apoquentava. Pelo contrário. O que verdadeiramente a stressava era partir uma unha de gel, as invejas, o facto de o Yorkshire não fazer as necessidades no mesmo sítio, e as indecisões quanto à compra de uma cadela Bichon Maltês, a 200 euros a pata, preços por baixo.

Enquanto isso, os jantares e convívios na vivenda de Gondomar deixavam de queixo à banda os visitantes menos prevenidos. Serviços Vista Alegre, cerveja bebida em copos do designer Ritzenhoff, brindes em flutes de champanhe Christofle, chá e café saboreados em peças desenhadas por Siza Vieira.

Do rol das suas amizades contam-se governantes, ex-ministros, deputados, autarcas, gestores de topo e diplomatas que navegam nas áreas do chamado 'bloco central de interesses'.

Sempre desejosa de manter clientes apaparicados ou tentar abrir portas, Cristina não escolhe fronteiras. Nem políticas, nem geográficas. Pelo Natal, envia lembranças da WeBrand para gabinetes ministeriais de sucessivos governos, hospitais, institutos públicos, grupos de construção civil, empresas prestigiadas. Organiza eventos sem cobrar, recebendo a promessa de portas abertas em instituições financeiras e grupos económicos, em Portugal e no estrangeiro. a rede de contactos alcança a África lusófona e até a Guiné Equatorial.



Pois bem, é esta senhora que está no centro das desconfianças dos investigadores, desconfianças relativas a cenas onde se cruzam Luís Filipe Menezes, Marco António Costa, Agostinho Branquinho, Paulo Rangel, Passos Coelho e muitos outros dirigentes do PSD, vários negócios em Maia, a Mota Engil. A trama é de tal ordem, as teias, as tramóias, a desbunda, o regabofe, tudo tanto, tão descarado, tão abandalhado, tão primário, tão escandaloso, que tenho dificuldade em resumir. 


No meio de tudo isto estão 3 empresas geridas pela dita dupla, Cristina e Renato. O dinheiro e as facturas circulavam por ali aparentemente sem rei nem roque, imputadas à empresa que conviesse, tudo numa impunidade absoluta. Isto fora o dinheiro em cash. Saco azul, ora pois.


A engenharia financeira, complexa até para quem, na Faculdade de economia do Porto, está habituado a detectar fraudes, faria o resto, como suspeitam os investigadores: facturas falsas que circulam entre as empresas, sobrefacturação, transferências bancárias em carrossel, comissões para intermediários, fuga ao fisco, etc.

Cristina Ferreira partilhava uma filosofia assente na máxima 'o segredo é a alma do negócio' e na ideia de que nem tudo se deve transmitir a quem nos rodeia. No PSD gostavam disso. Por isso, foi requisitada para diversos actos eleitorais. Mas, sobretudo, 'sabia como as coisas se fazem', dizem fontes com responsabilidade no partido e ex-colaboradores da empresária.


'Estes trabalhos em Portugal não precisam de concurso... precisam de amigos para serem ganhos', dizia Cristina Ferreira.


Os exemplos de irregularidades são mais do que muitos e não tenho como referi-los aqui a todos. Mas transcrevo um pouco mais:




Cristina Ferreira deixou um abundante rasto documental onde são descritos esquemas e estratagemas com a administração da Gaianima, empresa onde se misturavam os assuntos da empresa com os do PSD. Qual o espanto? Em fnais de 2007, Marco António Costa, porta-voz do partido, candidatou-se à distrital do Porto tendo na sua lista Agostinho Branquinho e Virgílio Macedo (actual Revisor Oficial de Contas da Câmara de Gaia e líder do PSD/Porto que, à época, transitou de tesoureiro da estrutura laranja para secretário-geral). Na gestão dos dinheiros do partido ficaria então um administrador da Gaianima, entretanto falecido.

Nesse mesmo ano de 2007, na campanha do ex-autarca à liderança do PSD - eleições fora do controlo da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos do Tribunal Constitucional - a empresa de Cristina Ferreira foi contratada para prestar serviços à candidatura. Organizou jantares, montou estruturas de rua, tratou de palcos e imagens do candidato a líder. Na ocasião, o PSD lançou também uma revista especial, tendo Cristina recebido, em março daquele ano, indicações para facturar o seu custo a uma empresa de construção civil do concelho, conforme documentação a que a VISÃO teve acesso.

A 27 de novembro de 2007 a empresa venceria um concurso público da Câmara Municipal de Gaia superior a 1,2 milhões de euros, para uma obra em Avintes. 


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Hoje fico-me por aqui para isto não ficar muito maçador. Amanhã a ver se tenho tempo para falar de outra notícia da autoria do mesmo jornalista: 



A procuradoria está a investigar suspeitas de interferências políticas numa alegada 'prescrição' de dívidas fiscais do universo da WeBrand relativas a 2008 e 2008. 


A estimativa inicial apontava para 1 milhão de euros, mas a agência que fez campanhas para o PSD terá sido notificada para pagar um valor irrisório. Uma decisão tomada no mandato do actual director de Finanças do Porto. Telmo Tavares. 


Despacho da ministra (Maria Luís Albuquerque) a 1 de Setembro de 2013 (era domingo!) marcou o início de uma série de mistérios relacionados com o processo da WeBrand nas Finanças do Porto.




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As partes em itálico são transcrições, ainda que nem sempre sequenciais, dos artigos publicados na Visão, nºs 1124 e 1125, de Setembro, da autoria de Miguel Carvalho que está de parabéns com esta investigação.

As imagens provêm também de lá.

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[E, caso tenham curiosidade em ler a actualização deste tema, queiram, por favor, clicar aqui]

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