domingo, junho 23, 2024

Quem é que enfia o chapéu, quem é...?

 

Sei que há temas relevantes que deveriam ser abordados 

(por exemplo: 

a pose majestática de Madame Gago montada nos seus sumptuosos casacos que mostra à saciedade que se está a caguar para dar explicações à malta sobre o regabofe que por lá grassa, 

ou a trupe de investigadores que entram aos cinquenta de cada vez para vasculharem facturas em Oeiras, como se não houvesse auditoria às contas, e como se o custo deles não superasse em muito o custo dos almoços, 

ou as calhandreiras do Ministério Público que andam anos e anos e anos a bisbilhotar a vida das pessoas como se o dinheiro dos nossos impostos não tivesse destino mais decente, 

ou os justiceiros de trazer por casa, gente a fazer-se passar por inspectores da Pide, que gostam de humilhar e atormentar a cabeça aos pobres coitados que se veem atirados para as luzes da ribalta, inquiridos em frente às câmaras para saciar a insaciável fome de espectáculo dos populistas e dos cobardes que, sob pretexto de serem deputados, ali estão a gastar inutilmente o dinheiro dos nossos impostos, etc, etc). 

Assuntos não faltam.

Só que eu ando mais numa de apanhar orégãos, de os dispor à sombra a ver se secam, limpinhos, cheirosinhos, continuo numa de varrer e deixar os caminhos em volta da casa arranjadinhos, voltei a pôr água na banheira que era das crianças quando eram bebés para que os esquilinhos tenham o que beber, depois a ver futebol em família (com o sector masculino a não querer que eu fale ou puxe pela equipa ou bata palmas ou sofra em voz alta pois dizem que os desestabilizo), a conversar ou a rir com eles. 

Por isso, neste registo peace and love, não consigo posicionar-me para falar de coisas que me desagradam. Toda eu estou longe de MPs, PGRs, Venturas e Comissões tóxicas ou outros deputados que, não sendo populistas ou sabujos não são capazes de bater o pé e não aceitar que a sua presença quase normalize as poucas vergonhas que ali se passam, populismos, ignorâncias, invejosices, ingerências indevidas, ou leviandades, conversas incongruentes e tontas (como as do Sarmento, por exemplo). Longe, longe. 

Por isso, agora ao fim do dia, ao passar os olhos pelas notícias, não me apeteceu falar sobre nada do que para ali vi. 

Apeteceu-me foi pôr-me a ver chapéus. Adoro chapéus. Tomara que um dia ainda possa ir a um sítio onde um chapéu lindão como estes do Royal Ascot 2024 não fique descabido. 










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Desejo-vos um belo dia de domingo

7 comentários:

Anónimo disse...

Madame Gago é o exemplo, bem à vista, do mau gosto da maioria das mulheres na escolha do vestuário. No caso dela, escola kitsch. Vamp do cinema mudo.

Mas Gago não está só. Tem muita companhia. Não só entre procuradoras, mas, sobretudo, entre as senhoras doutoras. Dou um exemplo: as calças. Ver aqueles rabos largos, com a celulite empolada, cobertos por calças até às canelas, finas como palitos, e um casaco a condizer que arrebita nas ancas, rejeitado pelo sebo acumulado...tudo, invariavelmente, com mau corte.

Fora a quinquilharia com que se adornam e o louro de coiffeur de esquina. Curiosamente, são daltónicas no pano: preto, creme, beige, cinzento.Conjugar cores é hors portée.

Não é, seguramente, pelo bom gosto que o mulherame português se destaca. Mas gosta de se impôr aos homens: nós é que sabemos!

ccastanho disse...

Ainda há lembranças da "Juma Marruá" na primeira versão do Pantanal?!

A musica da personagem, para a UJM se deliciar no remanso do jardim, quiçá, sob um dos chapéus atrevidos que lhe protege do sol atrevido de hoje.

https://www.youtube.com/watch?v=SWtjTkixv5M

ccastanho disse...

já agora,,,

https://www.youtube.com/watch?v=ZWcSo8318DY

Célia disse...

Já o chapéu da minha nora, plebeia de Portugal, também deu um ar da sua graça, ao lado do meu filhote, no Royal Ascot. Que bonitos que eles estavam.
P.S. só agora dei conta que não é possivel publicar aqui fotos. Fica a intenção.
:)

Um Jeito Manso disse...

Olá Anónim@

Quase me apetecia tratá-lo pelo seu nome próprio. Esse jeito que quase parece misógino mas que sei que não é exactamente isso, é mais uma forma estranha de ser que quase se confunde com crueldade mas que sei que não é, é uma coisa muito inconfundível.

Quase parece que quer ser detestado mas sei que não quer.

Generaliza. E isso é o seu problema. Poderia estar apenas a ser muito directo, muito frontal. Mas está também a só ver o lado mais negativo, mais grotesco. Nem todas as mulheres têm rabos largos, nem todas têm celulite. Nem todas têm o mau gosto de se vestir de uma maneira que as torna mais deselegantes. Mas o pior não é isso. É que, sejam como forem, há mulheres que são como são e se arranjam como arranjam não ara agradar aos outros mas para estarem como lhes apetece, mesmo que haja homens (porventura machistas, misóginos) que depois façam comentários desnecessários. É que há mulheres que conseguem ser felizes e sentir-se bem, sejam ou não doutoras, apesar das opiniões parvas dos homens.

E depois há outra coisa: quem garante aos homens que fazem esse tipo de apreciações que as mulheres os acham a eles umas maravilhas?

E diz que as mulheres gostam de se impor aos homens? Isso é o quê, o Calimero a mostrar as suas fragilidades de homem a quem as mulheres querem pôr no seu lugar?

Está, outra vez, a generalizar. Há mulheres que sim (até porque há homens que se põem mesmo a jeito) e há mulheres que gostam de estar com homens de igual para igual.

Agora numa coisa lhe dou razão: Madame Gago parece saída de um filme mudo. Sem tirar nem pôr.

De qualquer forma, gostei do seu comentário (até porque... you made my day...)

Um Jeito Manso disse...

Ccastanho,

Adorei voltar a ouvir a linda canção do Almir. Já ouvi algumas vezes, incluindo cantada pela Bethânia. Já não me lembrava e é linda.

Muito obrigada!

Um Jeito Manso disse...

Célia, olá,

Não se faz... Eu que gosto tanto de chapéus... e agora vou ficar curiosa... que pena... ainda por cima diz que o casal estava lindo...

Mas parabéns pois se tem um filho e uma nora que fazem um casal lindo que a deixam toda contente isso é uma maravilha. Felicidades para eles e para si.

Um abraço!